Four Seasons

7 Capítulo 7 - Fuyo.


Notas iniciais
Allen: *Só de blusa e roupa íntima, ofegante, no canto* Ah... Olá gente e... Não é o que estão pensando... É que o Lavi quis comprar um cachorrinho e bem... Ele, comeu minha calça e saiu correndo atrás de mim. Mas tá tudo bem agora, né? *Sorrisinho cansado* Daqui a pouco o Lavi chega com aquela coisa... ¬¬
Lavi: olá a todos ~ *sorriso enorme e todo sujo de areia* Gostaria de apresentar a vocês meu mais novo amigo, Kod *ergue o cãozinho, um akita de pelagem totalmente branca e focinho rosado* Não é lindo? *o*

Allen: NÃO ME MORDA Ç-Ç *Pula e fica se segurando no colo*

Lavi: ele não morde com força, Allen. *dá o dedo pra Kod que fica mordendo* Que graça de cãozinho ~ *vira pra Allen* Você tem trauma ou algo do tipo, amor? o-ô

Allen: Bem... Er... *Desce do teto com calma e fica escondido atrás dele olhando pro cachorro* É-É sem força mesmo?
Lavi: sim. E eles só mordem até trocarem os dentes pelo o que eu saiba. *Kod soltou o dedo do ruivo e ficou encarando Allen* Quer segurá-lo? :D

Allen: *Se aproxima e acaba levando uma lambida* ... *Pega o cachorro no colo e recebe outra lambida*... *Recebe mais uma* Quanto amor ;-; *E assim nasce uma amizade entre albinos* Lavi... Agora temos que falar do cap. >_> *com o cachorro no colo*
Lavi: ah, sim, sim. Como já esperam esse capítulo será narrado por Allen. Nós estávamos no maior clima de amor numa manhã, durante a tarde, uma pessoa desagradável... *microfone foi cortado pelos spoliers* EI! (grita) o-ó/

Allen: Eu disse falar do cap não dar spoiler. *Suspira junto com o Kod* Bem, o cap demorou mais o que o previsto devido dificuldades e que pelo que parecem, vão aumentar agora. Mas explicamos isso no final do cap. Agora, curtam o capítulo o/

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Abri meus olhos com certa dificuldade, eles pesavam devido ao sono e ao mínimo contato com a luz, tentavam fechar-se. Soltei um bocejo e sentei-me na cama, estiquei meus braços e olhei para o relógio. Nove horas ainda. Normalmente acordaria mais cedo, mas costumo acordar tarde no inverno, até que hoje foi mais cedo que ontem.


Olhei para o lado, encarei Lavi que dormia tranquilo, praticamente escondido nas cobertas... Esse preguiçoso. Levantei-me da cama, arrepiando-me por completo ao sentir o contato do meu corpo com o piso frio do quarto. Como estão trocando todos os carpetes, retiraram o antigo e estão atrás de um novo que consiga pegar todo o quarto.


– Maldito piso frio... – Resmunguei e caminhei para o banheiro.


Encarei meu reflexo no grande espelho que cobria quase toda parede, as enormes olheiras por causa das noites mal dormidas – graças a Lavi que adora “brincar” antes de dormir –, o cabelo extremamente bagunçado e aquele tom pálido que a minha pele se encontrava, estava chegando a parecer um doente. Ajeitei meus cabelos e lavei o rosto, em seguida passei um pouco de pó abaixo das olheiras, a vantagem de ser extremamente pálido é que é fácil esconder olheiras, qualquer pó branco basta.


Espreguicei-me novamente e voltei para a cama, dando de cara com o ruivo que estava deitado, me encarando com aquele olhar de “Deite comigo, Allenzinho”. Segurei-me para não deixar escapar o primeiro pensamento que veio a minha cabeça: “Pervertido”.


– Allen ~ – Pronunciou manhoso.


– Diga. – Falei abrindo o armário de costas para ele, para pegar uma roupa quente e me trocar.


– Segundo a previsão do tempo, vai nevar hoje, por que não vamos tirar fotos? – Virei-me para encará-lo e ele sorriu daquele jeito encantador que faz, tentando-me convencer a algo.


– Ah, mas para quê? – Questionei e me virei, procurando algo dentro do armário. – Está de férias e ao que eu saiba não tem nenhum trabalho de férias para fazer, então não precisa fotografar. E tam... – Não consegui terminar a frase ao sentir dois grandes braços me envolverem e puxarem contra o dono deles.


– E quando foi que eu disse que era para algum trabalho? – Sussurrou em minha orelha e em seguida deu uma leve mordida nela, me fazendo soltar um pequeno gemido e corar. – Eu só quero ter lindas recordações do meu amor, você deve ficar tão bonito num local com neve. Se bem que você sempre é bonito. – Deu um beijo em meu rosto.


– L-Lavi! – Gaguejei um pouco sem querer. – Me solte! Nada de brincadeirinhas agora! – Tentei me soltar, o que acabou não dando muito certo.


Antes que pudesse fazer qualquer coisa ou tomar alguma atitude, me puxou para trás, fazendo-me cair na cama junto de si. Tentei me virar naquele mesmo segundo, mas estava preso àquele ruivo infeliz.


– Awn~ Allen, vamos, é só um pouco de diversão, não vai te matar.


– Não! – Consegui empurrá-lo e me levantei, ficando de pé na cama. – NÃO! – Apontei para ele. – Lavi feio! Nada de brincar de manhã! – Ordenei como se ele fosse uma criança.


– M-Mas... – Fez biquinho.


– Nada disso! – Cruzei os braços – Da última vez que quis brincar, mentiu para mim que era feriado e ainda por cima, fingiu trancar a porta, ainda jogou a chave pela janela e eu fui burro de acreditar. – Bufei.


– Ahh... Isso... Bem... Er... – Riu nervoso. – Ah, mas você gostou. – Deu seu sorriso sedutor, ele sabia muito bem que aquilo me derretia por completo.


– I-isso não tem a ver! – Corei. – Pervertido!


– Sou mesmo. – Sorriu e me puxou pelas pernas, fazendo-me cair exatamente sobre seu colo.


– Seu...


Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, selou os lábios nos meus com desejo. Alguém me explique o fogo que esse homem tem, pelo amor de Deus! Deixou os braços envoltos a meu corpo, juntando-nos, aprofundando o beijo com vontade. E eu, que realmente tenho que aprender a resistir aos beijos dele, já estava entregue.


Suas mãos começaram a adentrar pela blusa que a pouco eu tinha vestido, enquanto deixava seus lábios tomarem os meus novamente. Eu sei como isso possivelmente vai acabar e... Eu realmente não estou com vontade disso acontecer.


– Meninos! – Ouvi a mãe de Lavi falar, em seguida, escutamos bater na porta. Eu estava salvo.


– Vou lá abrir. – Falei, levantando no mesmo segundo, abri a porta, aproveitando que minha camisa estava no corpo.


Abri a porta, vendo Jane com um belo sorriso no rosto. Parecia ter acordado bem feliz hoje, o que era bom, já que Lavi tinha o horrível costume de ver que quando a mãe estava um tanto “incomodada” acabar piorando isso, não era por mal, só acontecia.


– Bom dia. – Disse sorrindo.


– Bom dia, Allen. – Seus olhos percorreram a porta, tentando ver dentro do quarto, algo que tentei impedir a única coisa que faltava era ela ver o próprio filho... Bem, acho que entenderam. – O café da manhã já foi servido. Sua mãe pediu para chamar você dois, se bem que, achei que estariam dormindo, estou surpresa por estarem acordados.


– Sabe como é, às vezes Lavi acaba sonhando que está lutando, levanta da cama e começa a fazer barulho. – A mãe dele soltou uma risada. – Ok, estou brincando. Só acordamos cedo, bem já estamos indo. – Sorri e a senhora Bookman continuou seu caminho, descendo as escadas no final do corredor.


Fechei a porta e encarei Lavi deitado na cama, olhando para o teto parecendo pensar em algo. Bocejei e fui até ele, sentando-me na cama ao seu lado, encarei-o.


– No que está pensando? – Perguntei curioso.


– Duas coisas. – Respondeu ainda fitando o teto, parecia ser algo sério.


– Que seriam? – Meu tom de voz mudou um pouco para o preocupado.


– Como você ficaria bem vestido de Alice. – Sorriu um pouco pervertido e depois me encarou.


– ... – Minhas bochechas coraram levemente, aquele safado. – E eu pensando que fosse algo importante... Nunca mais te pergunto coisas do gênero.


– Desculpe, mas precisava falar algo que quebrasse um pouco o clima. E – Sentou-se na cama. –, eu só falei uma das duas coisas, a primeira é importante, mas como não quer mais saber sobre essas coisas... – Encarei-o sério e ele abriu um sorriso fazendo carinho na minha cabeça. – Allen, você não acha que nossos pais deveriam saber? – Ficou sério, o que não era muito comum vindo de si.


– Sobre o quê? – Perguntei, não entendo muito bem.


– Allen... – Pegou em minha mão, dando um beijo em seu dorso, em seguida me puxando para seu colo. – Sobre isso, nós dois. O que temos juntos, entende? – Colou o rosto no meu, enfatizando como aquilo era importante.


– Lavi... – Olhei para baixo. – É que... Sabe... – Sim, eu estou com medo. – Bem, eu não tenho ideia de qual pode ser a reação deles e... – Olhei nos olhos bicolores e fiquei parado, somente olhando-o.


– Meu amor, só tem uma forma de descobrir. – Deu um rápido beijo, mas doce e gentil, o suficiente para me acalmar um pouco. – Não fique com medo, eu estou aqui com você. Eu não gosto de ter que ficar escondendo isso e até a Lenalee sabe. Como vamos casar se eles não souberem? – Sua pergunta me fez corar, corar muito.


– Er... Er... L-Lav... – Não conseguia nem terminar a frase. Maldito ruivo.


– Bobinho. – Deu um beijo em minha bochecha. – Agora vamos comer, depois pense nisso, tá bom?


– Tá... E não sou bobinho. – Respondi fazendo um biquinho com os lábios.


– É sim, é o meu bobinho. – Deu-me um selinho.


~*~

– Kanda! – Bati na porta. – KANDA! – Bati com ainda mais força.


Cá estou eu, na frente da casa de Kanda, marcamos de sair hoje, motivo de eu não ter saído com Lavi hoje, se bem que ele provavelmente vai querer sair mais tarde. E agora estou esperando aquele maldito japonês, quem demora tanto assim para se arrumar?! Nesses momentos que ele chega a parecer uma garota.


– KANDA! VEM LOGO! – Esmurrei a porta mais uma vez, já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha feito isso só no tempo que estava aqui.


– CACETE! PARA DE BATER NA PORTA DESSE JEITO, VAI QUEBRÁ-LA! – Abriu a ponta com tudo, me encarando com raiva, eu podia jurar que uma veia saltava sobre sua testa.


– CULPA SUA! QUE FICA HORAS NAQUELE BANHEIRO! – Berrei, provavelmente provocando-o.


– Ora... – Rangeu os dentes. – Seu Moyashi... Tsc. – Bufou e olhou para o lado. – Vamos logo. – Disse e fechou a porta de sua casa.


– Vamos... Espera... Onde nós vamos? – Foi naquele segundo que me toquei que ele não havia me dito para onde íamos.


– Cherry Park, vai ter algo especial lá hoje. – Começou a andar em direção ao parque.


– O quê? – Perguntei acompanhando-o.


– Vai ver. – Disse e ficou calado, andando ao meu lado.


Kanda no todo era uma pessoa quieta, aparentemente tranquila, mas na realidade se estressa fácil. Fácil o suficiente para em pouco tempo querer degolar o pescoço de alguém. Esse é o motivo de eu adorar provocá-lo, uma atitude um tanto suicida, mas eu gosto. Muitas pessoas não se conformam de sermos melhores amigos justamente por brigarmos muito, se bem que, quando mais novos, éramos inimigos declarados. Um dia isso mudou, quando após uma briga fomos obrigados a ficar na escola limpando a bagunça, daí surgiu à amizade que temos hoje.


Contornamos por várias ruas até finalmente chegar à entrada do parque, a entrada da frente a qual não costumava usar muito. Justamente por haver mais pessoas nesta parte, quando digo mais pessoas não é uma ou duas a mais, é quase o dobro. E hoje, mesmo sendo dia frio, tinha bastante gente, crianças brincavam, mães sentadas em bancos conversando com amigas, atrás das cerejeiras cobertas de neve, namorados se beijavam, vendo isso agora eu agradeço muito por aquele dia não ter tido ninguém no parque que tenha visto eu e Lavi fazendo aquelas coisas indecentes.


– Bem, o que tem de tão especial? O que vamos fazer? – Perguntei já não me aguentando de curiosidade.


– Ali. – Disse e apontou para frente.


Apenas olhei para a direção que ele havia apontado, vi uma barraquinha que ao certo eu não poderia muito bem dizer o que nela vendia, a única coisa que eu conseguia avistar dali eram pessoas sentadas em bancos próximos, outras iam e voltavam com chocolate quente... Seria isso? Uma barraquinha de chocolate quente? Estava frio e não seria uma má ideia tomar um... Mas é nessas horas que eu lembro que deixei meu dinheiro em casa.


– Era isso a surpresa? – Perguntei encarando-o.


– Sim, estão distribuindo chocolates quentes e comida de graça, comida do mundo todo. – Disse e me encarou.


– O QUÊ?! – Não foi precisa ouvir mais nada, saí correndo em direção a aquela barraquinha, sentando-me num dos bancos.


Observei um senhor que estava dentro da barraca, acompanhado de mais algumas pessoas, todas vestidas com um uniforme branco de cozinha e no peito de cada um deles havia uma bandeirinha, cada uma de um país diferente. E aquele senhor, parecia ser o mais incrível de todos, pois tinha todas as bandeirinhas em seu uniforme... Ele realmente deve ser incrível.


– Eles tem mitarashi dango. – Disse Kanda e me encarou com um pequeno sorriso.


– Meu dango favorito?! – Perguntei animado.


– É, Moyashi. – Falou óbvio.


Não falei mais nada, saí correndo para a barraquinha, sentei-me em um lugar vago com um enorme sorriso no rosto. O senhor com todas as bandeirinhas me encarou depois esboçou um sorriso tão grande quanto o meu.


– O que vai querer, jovem? – Falou o senhor animado.


Mitarashi dango! – Levantei os braços de tanto animação, ele riu.


– Certo e você? – Perguntou a Kanda que estava se sentando ao meu lado.


– Um sobá. – Disse ajeitando-se em seu lugar.


– Certo, já trago os dois. – Aumentou o sorriso e foi para o fogão.


– Kanda – Chamei-o e ele me encarou. – Você não come outra coisa além de sobá?


– Tsc. – Bufou. – Bebo água, serve? – Falou curto, grosso e com uma leve ironia.


– Como você é... – Não pude terminar a frase ao ver um prato com mitarashi dangos a minha frente. – Itadakimasu! – Berrei e comecei a comer, aquilo estava delicioso.


Kanda soltou um suspiro e começou a comer seu sobá. Sabe, eu realmente não tenho costume de agir como um japonês, falar “itadakimasu” antes de comer ou “okaeri” ao chegar em casa, justamente por ser britânico. Meu pai também não é japonês e muito menos minha mãe, mas moramos aqui porque foi neste país que meu pai foi criado, por isso às vezes me atrapalho em casa de amigos. O que também não ajuda é o fato da família de Lavi ser australiana, logo os costumes japonês acabam bem longes de nós.


Demorou, mas comecei a comer calmamente enquanto observava em volta, cada pessoa comendo algo diferente, cada uma se deliciando com a comida mais diferente possível, desde africana a italiana, não duvido que houvesse até comida do Brasil ali. Mas o que mais me chamava atenção, era quando passava um casal de namorados, pediam chocolates quentes, sentavam debaixo de uma árvore e dividiam.


Naquele exato momento, me imaginei ali com Lavi, sentados debaixo de uma árvore... Dividindo um chocolate quente, rindo de alguma besteira, recebendo carinho e dando... Do lado dele, me aquecendo, enquanto ele iria aproveitar e tirar fotos minhas mesmo eu sendo contra e mesmo que eu insistisse que a foto não estaria boa ele diria para mim que estava perfeito. Acho que já sei o que fazer com ele amanhã, seria melhor ainda se amanhã nevasse, faz tanto tempo que não vejo neve.


– Hey! – Kanda chamou minha atenção, fazendo-me dar um pulo de surpresa. – Que cara de idiota é essa? – Perguntou erguendo uma das sobrancelhas.


– Como assim? – Perguntei.


– Você estava fazendo um cara de idiota, sorrindo enquanto comia, só faltava babar. Estava pensando naquele cabeça de fósforo? – Parecia um tanto irritado.


– O-o quê?! N-Não! – Corei na hora. – Não diga uma merda dessas! Por que diabos eu estaria pensando nele?! – Falei rápido, quase engolindo minhas próprias palavras.


– Hunf... Espero que seja isso mesmo. – Bufou e acabou de comer.


Terminei meus dangos e agradeci a comida junto de Kanda, depois, sem mais palavras, fomos embora. O caminho todo, sem trocar palavras, Kanda parecia irritado, talvez fosse culpa minha, por ter feito a tal cara de idiota... Acabei por soltar um suspiro, às vezes parece que só faço besteira.


Desta vez ele que me deixaria em casa e depois iria sozinho para a dele, era assim que sempre fazíamos, um ia buscar, outro deixar. Porém minha casa, diferente da dele, não era tão perto do parque, então aquele maldito silêncio acabava se tornando uma horrível tortura. Eu não tinha ideia do que falar para puxar assunto, ele podia ser meu melhor amigo, mas nessas horas, Kanda é tão fechado e frio que acabo ficando inseguro do que falar... Mesmo eu sabendo que na realidade havia um assunto do qual podíamos, mas... Às vezes ele aceitava o assunto, outras parecia ficar ainda pior, era como uma faca de dois gumes. No final, não tive muita opção se não continuar em silêncio até o final do percurso, se Kanda quisesse falar, ele falaria uma hora ou outra.


Paramos em frente a minha casa, aquele enorme casarão exagerado dos meus pais... Pergunto-me porque meu pai tinha que ser tão exagerado assim, lembro muito bem de minha mãe me contando que ela muitas vezes tivera problema quando não tinham esse extremo dinheiro e ele vivia se endividando em jogos e justamente quem pagava as dívidas era ela, indo lá, jogando e ganhando sempre. Falando nisso, fora ela que me ensinará a as “técnicas” para sempre ganhar um jogo.


– Allen? – Kanda falou, fazendo eu sair de meus devaneios.


– Ah... Sim?


– Você... – Parou de falar e me encarou sério.


– Eu...? – Perguntei estranhando.


Ele não respondeu, apenas me puxou pelo pulso e saiu correndo para o jardim de minha casa, sentou no banco e me fez sentar ao seu lado em questão de segundos. Eu não tenho ideia do que ele planeja agora, mas posso garantir que não parecia algo comum.


– Você gosta mesmo do ruivo? – Me encarou sério, enquanto pegava em minhas mãos.


– C-Como assim? – Novamente fiquei vermelho.


– Allen... Bem... – Parecia um tanto nervoso, sua voz falhava. – Allen eu...


Não foi possível ouvir o que ele havia dito depois, pois a única coisa que consegui ouvir foi um grande estrondo, vindo da porta que dava para o jardim. Fora apenas ouvir o barulho que olhei para o lado, tendo a visão de um ruivo aparentemente furioso e com um olhar realmente assustador para o meu amigo.


– Seu desgraçado... – Podia sentir o ódio emanando de si. – Mas que merda pensa que está fazendo? – Rangeu os dentes.


– Conversando. Por que cabeça de fósforo? – Kanda parecia tão irritado quanto.


Eu apenas engoli em seco vendo a cena, podia sentir faísca saindo pelos olhos dos dois. Eu tinha que fazer alguma coisa, levar Lavi para dentro e acalmá-lo ou ligar para Kanda fingindo ser a mãe dele... Eu realmente tinha um grande problema em mãos.


– Ora... Seu pinto pequeno! – Berrou e me puxou pelo braço para perto de si. – Entenda uma coisa, ele é meu! Meu Allen, não seu! – Foi a última coisa que disse para ele e entrou em casa correndo, me arrastando junto.


Apenas pude ver uma feição em Kanda extremamente irritado. A única coisa que fiz foi acenar e vê-lo acenar de volta com a cabeça, agora com uma feição triste. Naquele segundo, antes de ser jogado dentro de casa, o vi sibilar: “Conversamos direito depois”. Depois disso, fui jogado para dentro de casa, caí sentado no chão e, com um ruivo me encarando extremamente sério, fiquei surpreso.


– Allen! Pelo amor! Como você deixa ele fazer uma coisa dessas?! – Começou a berrar.


– Fazer o quê? – Perguntei atordoado.


– Allen! – Falou num tom reprovador. – Você sabe que ele gosta de você e fica deixando ele agir assim? O que você tem na cabeça nessas horas, hã?! – Lavi estava muito bravo.


– O-o quê?! – Gaguejei. Aquilo era verdade?


– Hã? Como assim "o quê"? – Ficou confuso e mais irritado.


– O Kanda gosta de mim?! – Perguntei surpreso.


– Allen. – Lavi se sentou a minha frente e soltou um longo suspiro. – Você é tão lerdo assim?


– Que...? – Eu realmente não estava entendendo nada.


– Allen – Colocou a mão em meu ombro, devia ser a terceira ou quarta vez que começava a frase com o meu nome. – O Kanda gosta de você, não duvido que fosse se confessar agora, se eu não tivesse interferido.


Fiquei estático encarando-o, aquilo não podia ser verdade. Éramos bons amigos, isso sim. Bons amigos, certo? Afinal... Eu até sei que ele costuma tender para os dois lados, mas ao que me lembre, ele gostava do Alma, eles até chegaram a ficar juntos, mas o Alma tivera que viajar para intercâmbio e voltaria em torno de dois anos, já faz um ano, se não me engano e... Isso é confuso demais.


– Allen, está tudo bem? – Perguntou parecendo um pouco preocupado.


– Está… Eu entendi, desculpe te fazer passar por isso. – Sorri. – Depois eu vou falar com ele e por um fim nisso.


– Está bem então. – Me abraçou, parecia mais calmo, o que era bom.


Retribui o abraço, já mais calmo. Que grande confusão aquela, depois falaria com Kanda e colocaria um ponto final nisso.


Levantei sendo ajudado por ele que sorria para mim. Fez carinho em meus cabelos e me deu um rápido selinho, não sei se meus pais ou os dele estavam em casa, mas se vissem essa cena seria algo bem complicado de explicar.


– Meu amor, eu estive pensando quando esteve fora... Por que não contamos hoje? Sabe, não podemos esconder isso para sempre. – Me encarou sério.


Tomei fôlego para responder, minha resposta ia definir o dia de amanhã, não tenho ideia de como nossos pais encarariam algo assim. Provavelmente minha mãe e a de Lavi dariam alguma risadinha ou vão dizer que já sabiam, ou que suspeitavam, elas devem aceitar com calma e até gostar... Mas, agora, nossos pais... Meu pai provavelmente ia ter um troço e ia querer matar Lavi e o pai dele... Não duvido que entre em choque ou queira matar o filho... Meu Deus, o que diabos será que vai acontecer?


– ... – Encarei-o, ficando mais sério do que ele. – Certo, vamos contar a eles.


– Pode ser agora? – Acho que nunca o tinha visto agir assim.


– Vamos, antes que eu desista.


Ele deu um último selinho e pegou minha mão, indo comigo até a sala, onde estavam nossos pais. Soltei sua mão e o encarei, não sabia o que falar e como falar, não era simplesmente dizer “Mãe, pai, eu e o Lavi somos namorados, já transamos e eu sou passivo”. Ok, talvez fosse, mas meu pai teria um enfarte e minha mãe, bem... A reação dela é um mistério. De qualquer forma, era um assunto muito delicado para ser tratado daquela forma.


Mantive os olhos no único olho visível de Lavi, era agora ou nunca, tomamos coragem um pelo olhar do outro, tínhamos que fazer isso, juntos.


– Mãe, pai. – Falamos juntos, fazendo os quatro nos encararam, parando tudo o que faziam para prestar atenção em nós.


– Digam. – Minha mãe falou, dando um pequeno sorriso gentil.


Encaramo-nos e tomamos fôlego mais uma vez, voltamos a encará-los e com toda a força que parecíamos ter, abrimos a boca e deixamos o som sair por elas.


– Nós somos namorados. – Aquilo saiu sem nosso controle, mas como se nossos corpos estivessem conectados, as palavras saíram iguais de nós dois.


– O QUÊ?! – Meu pai que estava em pé caiu sentado na hora e o pai de Lavi... Ele parecia estar em choque, não se mexia, nem piscava.


– AHA! – Jane pulou do sofá e sorriu para a minha mãe de maneira travessa. – Eu falei! Ganhei a aposta! Eu tinha dito que eles iam falar juntos! – Dançou comemorando.


Encarei Lavi estranhando aquilo e recebi o mesmo olhar confuso dele.


– Aposta...? Dona Jane, o que andou aprontando? – Ele encarou a própria mãe, sério.


– Own, meus amores. Nós já sabíamos que vocês dois estavam juntos, tenho que admitir que fosse inclusive nosso plano quando notamos que vocês dois fariam um lindo casal. – Jane disse abrindo um sorriso e sentando-se ao lado de minha mãe.


– Queridos, nós só estávamos esperando vocês dois 'saírem do armário', assim eu e Jane apostamos, se um de vocês ia falar ou iriam falar juntos. Eu particularmente não achei que fosse ter tanta coragem assim, meu filho, esperava que só Lavi falasse e você ficasse vermelho como um pimentão. O que não duvido que aconteça agora... Mas bem, no final, a senhora que estava pulando do meu lado, ganhou a aposta. – Soltou um suspiro, abrindo sua carteira e lhe dando um cartão. – Não estore o limite.


– Vocês... Sabiam? – Perguntei incrédulo.


– Mas é lógico, acha que íamos te deixar no mesmo quarto que Lavi só por deixar? Foi justamente para curtirem ~


– FOI?! – Meu pai perguntou espantado.


Bem, nossas mães... Elas já sabiam e ainda fizeram aposta nos envolvendo... Que maravilha, hein? Agora o único problema era nossos pais, o de Lavi continuava em choque no canto e o meu... Parece num sério conflito interno.


– Meu Deus... Meu Deus... – Repetia para si. – Eu nunca vou ter netos... – Estava choramingando agora. – E meu filho é passivo... – Parecia ainda mais desesperado.


– Pai o senh... – Não pude terminar a frase, fui agarrado num abraço.


Nunca tinha visto meu pai daquela forma, muito menos me abraçando daquele jeito. Sinceramente, chegava a dar um pouco de medo.


– P-pai? – Gaguejei.


– FILHO! – Fitou o fundo dos meus olhos com o seus. – Saiba que eu te amo e vou te aceitar do jeito que você é, então, não se preocupe com isso... Só faça sexo com camisinha e... Tome cuidado, afinal você é o passivo e... – Seu tom parecia uma mistura de tristeza com felicidade e preocupação. – Adote uma criança no futuro pra eu ter netos, tá? – Choramingou.


– Ah... Ok... – Sorri nervoso.


– Ótimo... – Ele encarou Lavi. – Agora você... SEU DESGRAÇADO DE CABEÇA DE FÓSFORO, COMO OUSOU TOCAR NA CASTIDADE DO MEU FILHO?! – Me soltou e levantou uma mesa agressivamente na direção do meu ruivo e... Meu Deus, eu devia ter dado calmante para ele antes.


– Senhor Marian. – Lavi tomou fôlego e pegou uma bandeja, colocando-a em cima da cabeça para usar como escudo. – Eu sei que isso não é algo muito agradável para o senhor, mas eu amo o seu filho, não o machuquei e nunca irei machucá-lo. Eu também não ia fazer algo com ele tão cedo, mas ele me provocou e... – Viu o olhar de meu pai ficar mais feroz e sorriu sem graça. – Bem, o que importa é: eu amo o Allen, amo ao ponto que não sei o que faria se algum dia ele sumisse de minha vida, quero ficar com ele enquanto eu viver, se tiver que morrer por ele, morrerei. Então, espero que me aceite.


Meu pai abaixou a mesa, observou Lavi da cabeça aos pés e em seguida me encarou.


– Você o ama também, meu filho? – Perguntou sério.


Sem querer, acabei corando com a pergunta, podia sentir minha mãe e dona Jane lá trás, dando risadinhas e se divertindo com a situação. Naquela idade e com tamanha perversão... Mas bem, agora meu problema é outro, tomar coragem para responder sem travar ou coisa do tipo.


– Bem... – Comecei a bater a ponta dos dedos, estava com mais vergonha ainda. – E-Eu... Er... – Acabei engolindo saliva, era difícil falar algo assim na frente do seu pai. – Eu... – Encarei Lavi que parecia ansioso pela resposta. – Eu o amo tanto que morrer por ele seria pouco. – Sorri ainda um pouco envergonhado.


– … – Meu pai ficou em silêncio, veio até mim e me abraçou. – Ai, meu Deus, filho, que lindo isso. – Parecia emocionado.


Afastou-se de mim, tomou ar e abriu um sorriso, mostrando um dedão positivo em aprovação. Fazendo eu e Lavi soltarmos suspiros aliviados. Meu ruivo colocou a bandeja no lugar e se levantou, me abraçando no mesmo segundo.


– Viu? Deu certo. – Sorriu bobo e deu um beijo em minha testa.


– Bobo... – Falei baixo, corando um pouco, qualquer coisa em público me faz ter vergonha, ainda mais com ele fazendo esse tipo de coisa.


– Own, que bonitinho ~ ♥ – Nossas mães falaram juntas. É, sinto que seria assim daqui para frente.


Olhei para o lado, vendo o pai de Lavi ainda no canto, em estado de choque... O filho estar namorando um homem e ser ativo era assim tão chocante?


– Ele vai ficar bem? – Perguntei encarando-o.


– Vai sim, ele costuma ter essa reação com tudo. – Sorriu e deu um beijo em meu rosto, fazendo-me olhar para ele. – Hey, vamos ao parque?


Em situações normais, eu poderia ter simplesmente dito “Está tarde”, mas aquele calor que emanava dentro de mim, aquela extrema vontade de sorrir, de abraçá-lo e poder dizer “É meu”, estava tão feliz que não poderia descrever aquilo sem faltar coisa. Eu ainda quero tomar um chocolate quente com ele no parque e ficar lá, torcendo para nevar.


Não foi preciso dizer nada, apenas abri um sorriso e agarrei em seu braço, saímos quase correndo, eu puxei-o para junto de mim, depois o soltei. Indo para o parque, eu ia correr muito, ia chegar lá exausto, mas não tinha tempo a perder. Depois explicaria para meus pais o motivo de ter ido assim. Com pressa e sem pensar duas vezes. Corria como nunca antes havia feito na vida. Por que eu não tinha esse pique nas aulas de educação física?


– Hey! Allen! – Berrou tentando chamar minha atenção.


Não o respondi, continuei correndo, correndo, até parar na entrada do parque. Ainda estava aberto, como sempre ficava. Sorri ofegante e abracei-o, aquela enorme felicidade não me deixava.


– Está tão feliz assim? – Disse me abraçando.


– Venha, tenho uma surpresa. – Não respondi sua pergunta, apenas peguei em sua mão e comecei a andar parque adentro, avistando de longe a barraquinha de comida grátis, o lugar onde estivera à tarde com Kanda.


– Que surpresa?


– Se eu contar vai deixar de ser. – Mostrei a língua e parei frente à barraquinha com ele estranhando minha atitude.


O mesmo senhor de antes, me encarou, abrindo um sorriso enorme, nos convidou para sentar. Lavi com muita certeza devia estar desconfiando, ele era esperto, então logo perceberia do que se tratava.


– Então, meu jovem, vejo que gostou daqui. Trouxe até... – Observou Lavi. – Hm, acho que esse é mais que amigo. – Aumentou o sorriso e eu, bobo, apenas corei. – Não se preocupe, dessa vez trarei algo que muitos namorados andam pedindo.


– Obrigado. – Falei um tanto baixo, enquanto sentia o ruivo ao meu lado estranhar um pouco mais.


– Desde quando isso está aqui? E... O que fez para aquele senhor gostar tanto de você? – Parecia mais curioso do que incomodado.


– Desde quando eu não sei. Ele ter gostado de mim, também não sei. Foi aqui que Kanda me levou mais cedo e... – Encarei-o, vendo o ciúme estampado em seu olho, sorri para ele. – Eu vi tantos casais saindo daqui com chocolates quentes e sentando debaixo de árvores ou bancos aqui do parque que quis fazer o mesmo com você.


– Por que não falou isso antes? – Me encarou sério.


– Para não estragar a surpresa, ué. – Sorri ainda mais.


– Aqui. – O senhor disso pondo dois chocolates quentes a nossa frente. – Hey, uma dica, sentem debaixo de uma árvore. – Sorriu e voltou a seu serviço.


Levantei-me pegando as duas xícaras e fiz sinal para Lavi me seguir. Ele se levantou e, junto comigo, sentou-se de baixo de uma árvore. Me ajeitei quase grudando a ele; entreguei-lhe seu chocolate quente e por fim, sorri, tendo um sorriso dele de volta.


– Amor... – Ele tocou meu rosto com uma mão. – Seu rosto está frio. Saiu com tanta pressa que esqueceu seu agasalho, tome mais cuidado. – Disse desenrolando seu cachecol do pescoço e enrolando no meu junto ao dele. – Dessa vez eu divido, dá próxima, você deve lembrar de não sair desprotegido.


– Está bem. – Tomei um gole de meu chocolate quente.


Encostei a cabeça no ombro de Lavi e olhei para cima, observando aquele enorme céu e... Haviam coisas estranhas nele, fiquei observando, pareciam se aproximar, eram pequenos e branquinhos... Será... Será que é neve?


– Lavi... Está nevando não está? – Perguntei ainda olhando para cima.


– Hm... – Olhou para cima. – Está mesmo. – Sorriu.


– É tão bonito quando neva... – Falei baixo e um floco de neve caiu em meu nariz. – Hm? – Ia tirá-lo, mas Lavi segurou minha mão.


– Sorria. – Disse travesso.


– Hã? – Me deu um selinho. – Bobo. – Falei corando um pouco e abrindo um pequeno sorriso.


Sem mais nem menos, tirou uma foto minha. E eu achando que ele estava sem sua câmera. E para piorar tudo, eu devia ter saído realmente feio naquela foto. Tentei tirar a máquina das mãos dele, ele apenas riu, conseguindo me travar e ver como a foto havia ficado.


– Ah... Como meu namorado é lindo... – Disse e deu um beijo em minha testa – Só pessoalmente que é tão perfeito quanto.


– Bobo... – Foi a última coisa que disse, me ajeitando no meu lugar.


Continuamos ali o resto da tarde, até anoitecer tomando chocolate quente e conversando, recebendo carinho e dando, enquanto nevava. A nossa frente víamos crianças brincar e ficar alegres pela neve. Seria bom se pudéssemos fazer isso todos os dias, isso não perderia a graça tão cedo, ficar ao lado de Lavi nunca perdia graça.


Notas finais
Lavi: que final mais caloroso ~ (refere-se ao final da fic) e aqui estou apreciando uma bela cena, Allen e Kod se tornaram melhores amigos *aponta para o cãozinho que seguia o albino, ambos felizes* Mas temos que dar uma notícia não muito legal. Allen ~ ♥

Allen: Ah... *Vai até ele com Kod do lado* Ah... Aquilo. Gente, devido a alguns problemas agora a fanfic será autalizada a aproximadamente cada 3 semanas ou até mesmo um mes. Mas veremos se conseguimos adiantar as coisas e voltar ao velho ritmo. *Sorri*
Lavi: prometo que iremos nos esforçar! *sorrisão* E não se preocupem que a fic ainda acaba. :)

Allen: Na realidade, era para ela terminar em nosso próximo capítulo e em seguida virem extras. Mas devido a uma converssa das autoras, elas resolveram aumentar, com isso a história pode chegar até passas por todas as estações de novo ou até metade delas. Veremos. *Pega Kod e faz ele dar tchauzinho com a pata* Nos vemos pessoal. :3
Lavi: até e fiquem torcendo por nós. *abraça Allen* ♥

Allen: Por que eu sinto que não vou dormir de novo? *suspira e acena dando tchau e a "câmera" desliga* =__=