Four Seasons
9 Capítulo 09 – Haru².
Notas iniciais
Allen: Lindos e noivos... *Suspira* Você nunca muda, né?
Lavi: ahaha, acho que não... *coça a cabeça* Hm, está fazendo essa cara por quê? Quer um beijo, é? *inclina-se para ele e dá um beijo curto* Pronto ~ Satisfeito agora?
Allen: *Corado* Lavi! Temos que falar sobre o capítulo! (Olha para o lado ainda corado* Bem... Desculpe a demora a todos, é tudo culpa da Haku-chan, podem bater nela depois, demorou para me chamar e na hora de fazer me obrigou a fazer em dois dias. ;-;
Lavi: obrigar... Gosto dessa palavra... e________e *volta a si com o olhar torto de Allen* Enfim, espero que curtam o capítulo, minhas caras ~ Aguardaremos os reviews lindamente ~ :3
Allen: Não esqueçam os reviews, a Haku-chan vai me chicotear de novo se não mandarem reviews, e a Kiyo-chan vai castrar o Lavi. ;0;
Lavi: *calafrio* não me lembre disso... E você falando... Passo até mal.... x__________x
– Bem... Acho que é só por enquanto... – Disse acabando de arrumar o armário do bebê, meu bebê.
Já estava com quase 9 meses finalmente, a realidade é que quando foi descoberta a gravidez eu já me encontrava em torno do terceiro mês... Eu disse a Lavi que estava engordando de maneira estranha, ele não acreditou na época e, no final, nada mais era que um bebê se formando dentro de mim... Um bebê que está previsto justamente para nascer no final desta estação, justo a estação em que conheci Lavi. Deve fazer quase um ano desde a primeira vez que o vi e realmente, isso faz meu coração aquecer de tal forma que posso sentir até o ser dentro de mim sorrir. Meu lindo bebê e o de Lavi...
Porém, uma gravidez masculina é complicada, muito complicada. Tive que sair do colégio antes do planejado quando a barriga ficou ainda maior, pude esconder até o quinto mês, depois, não ouve moletom que desfaçasse. Não que eu gostasse de esconder, mas aquilo poderia ser um problema enorme, para mim, meus pais e essa criança. Por sorte, Kanda manteve o sigilo que precisávamos, meu pai controlou as coisas e... Lavi, bem, ele ama mais a cada dia o fato de que vai ser pai. Eu e ele, mesmo ele insistindo em vir me chamar de “mamãe”, espero realmente que a criança não pegue esse costume cruel dele.
Soltei um longo suspiro de alívio, finalmente havia terminado de arrumar as coisas da criança que logo viria. A casa andava uma bagunça, coisas para lá e para cá, tudo já preparado para o nascimento dele, sim, dele. Já sabíamos o sexo da criança, um garoto, um belo garotinho. Seu nome será Joshua, após um longo dia, sentado com minha família à mesa e a de Lavi e o próprio, cogitamos vários nomes, tantos que só me consigo me recordar quando paramos na letra J e pensamos em Jack ou Jonathan, mas, Joshua surgiu e ganhou dos dois.
Mas, para completar a nossa enorme bagunça. Temos a cereja do bolo, o casamento... Sim, casamento. Eu ainda não acredito que vou casar, realmente... A ficha ainda não caiu. Nossos pais chegaram à conclusão que era melhor esperar o nascimento de Joshua antes do casamento, por isso marcaram-no para o verão com receio que eu estivesse em trabalho de parto durante o casamento ou qualquer coisa do gênero.
Bati em minhas roupas tirando um pouco do pó que ficou impregnado nela após a limpeza. Ajeitei o rabo-de-cavalo que estava com o prendedor caindo e espreguicei-me. Outra coisa que havia mudado neste tempo era que meu cabelo havia crescido, estava quase batendo em minhas costas, deixei-o crescer um pouco desde que Lavi teve a curiosidade de saber como eu ficaria e... Bem, isso é constrangedor, mas para quando caminhar, ser confundido com uma mulher para não ter qualquer problema por ser um homem grávido. Devo muito a meu pai que se dividiu em trinta para poder conter toda e qualquer informação que pudesse se espalhar na cidade sobre isso.
Pousei a mão sobre a porta aberta do armário vendo o resultado do que tinha terminado de fazer, sorri satisfeito vendo tudo ajeitadinho ali. Fechei as duas portas ao armário com um leve empurrão. Virei-me e sentei-me sobre a cama de casal, minha e de Lavi, desde que nossos pais souberam que estamos juntos. O quarto que Lavi iria voltar, quando Lenalee foi embora, se tornou um quarto de hóspedes e, futuramente, de nosso querido bebê. Olhei para o lado, avistando o berço novo, era branco com detalhes azuis talhados na madeira, feito a mão. Era uma herança de família que segundo o senhor Cross Marian, era precioso, por isso devia ser do seu neto. Posso dizer que mesmo assustado no começo e se sentindo até um pouco culpado, ele era o mais feliz com a ideia agora, teria um neto, isso o animava como ninguém.
Deixei meu corpo cair sobre os lençóis e o colchão macio da cama. Fiquei a encarar o teto bege que agora tinha alguns desenhos que lembravam ramos de flores, desde que cheguei à conclusão com Lavi que a cor do quarto era um tanto morta. Soltei um longo suspiro, era maravilhoso relaxar um pouco após tanta correria.
Olhei para o outro lado do quarto vendo meu belo piano, branco com detalhes dourados. Sentei-me novamente na cama, levantei em seguida. Um, dois, três passos, cinco ao todo e estava ali, em frente ao piano, sentei-me com cuidado sobre o banco, no final tive que afastá-lo um pouco, não era fácil se tocar um piano com uma bariga de oito meses ali, na verdade, nada era fácil com aquela barriga. Encarei as teclas brancas e pretas, do-re-mi-fá-sol-lá-si-dó, as notas que eu adorava ouvir soando. Posicionei os dedos sobre as teclas e quando notei, a melodia se formou sozinha, meus dedos percorriam o piano de uma maneira natural que me surpreendia, era um som tão lindo, tão puro... Era perfeito, estava entregue a ele... A quanto tempo não me sentia tão bem assim. E foi ao ouvir duas palmas, que sai de meu mundo, parando de tocar e olhando para porta.
– Sempre maravilhoso... – Ele sorriu e adentrou o quarto, sentando-se na cama. – Meu amor, não pare de tocar, você fica lindo fazendo isso. – Abriu um sorriso ainda maior e inclinou levemente o rosto, deixando os fios ruivos cair sobre o rosto, ele realmente ficava melhor sem a faixa na cabeça que costumava usar.
– Lavi... Como sempre exagerado. – Disse me virando, ficando sentado de frente para ele.
– Exagerado?! – Pôs a mão sobre o peito como se estivesse ofendido. – Aí que se engana, meu caro, nada mais falo do que a própria realidade. – Disse com um ar de convencido.
Levantou-se da cama e caminhou até mim, parando agachado a minha frente. Mantendo aquele sorriso encantador no rosto e, com uma das mãos pegou uma minha, depositou um beijo sobre ela, como se beijasse uma dama, me fazendo rir e corar um pouco. A mão que ficou livre levou até minha barriga a acariciando, deu um beijo sobre ela e depois olhou para o meu rosto.
– Nosso bebê também quer ouvir a mamãe tocar, não acha? – Fechou um pouco os olhos no sorriso, depois os abriu.
– Mamãe...? – Bufei. – Já falei para não me chamar assim... – Logo em seguida um longo suspiro que quase escapou sozinho.
– Ah... Allen... – Fez um biquinho com os lábios. – Vamos, toque, você fica tão lindo.
– Está dizendo que sou feio quando não estou tocando piano...? Quer dizer que sou feio toda hora então...?! – Falei num tom aparentemente sério, só queria brincar com ele um pouco mesmo.
– E depois eu que sou exagerado? – Disse se levantando e sentando ao meu lado no banco. – Você é lindo até do avesso.
Sorri sem jeito, corando ao mesmo tempo. Olhei para o lado, não queria que ele reparasse na minha face de bobo apaixonado. Não era meu objetivo ouvir aquilo, mas devo dizer que me deixou extremamente feliz. O problema agora seria virar para encará-lo, se você nunca passou por isso, saiba que dá vergonha, muita vergonha em alguns casos... Mesmo já estando com a pessoa a tanto tempo. Ia tomar fôlego para virar-me, porém.
– Allen. – Disse um tanto sério, tocando em meu ombro, fazendo-me assim virá-lo para encará-lo.
– Sim? – Perguntei estranhando o tom dele.
– Já decidiu o que vai fazer...?
– Sobre...? – Perguntei não entendendo muito bem.
– O útero. – Seu semblante em nenhum momento se alterou, mesmo feita essa pergunta.
– Bem... – Soltei um suspiro, aquele não era exatamente o melhor assunto. – Se tudo der certo... Eu vou retirar o útero depois do parto. – Disse sério, era algo difícil de falar de certo modo.
– Tem certeza? – Perguntou um tanto tenso, ou estava preocupado com a ideia ou não gostava dela.
– Lavi... Eu não posso continuar com um útero. – Pus a minha mão sobre a dele. – É arriscado demais, meu corpo não tem capacidade para isso, mesmo que eu quisesse ter outros filhos futuramente... É arriscado. Já estou arriscando a mim e a essa criança com essa gravidez. Entende? – Perguntei sério.
Aquela única orbe verde me encarou, e sem mais nem menos puxou-me, dando-me um beijo, um beijo profundo e intenso, como se não me visse a dias e matasse a saudade. Uma longa dança se iniciou, uma dança que ele controlava, com desejo e amor. Separou-se de mim apenas quando os pulmões clamaram desesperadamente por ar, tantos os deles, quanto os meus. Apoiei minha testa na dele, meus olhos fechados, ofeguei um pouco. Abri os olhos e o encarei ainda ofegando. Seu tapa olho havia caído, revelando a outra orbe dele, vermelha, vermelha como sangue, a maior peculiaridade dele, um fato sem explicação, era assim desde que nasceu. Segundo o médico que o analisara quando pequeno, era como se tivesse algum tipo de “mancha” ali que afetasse a cor do olho. Será que nosso filho poderia ter o mesmo? Eu não sei dizer, mas posso garantir, que Lavi é muito sexy assim.
– Devo encarar isso como? – Perguntei ainda ofegando um pouco.
– Você já vai me dar essa linda criança. Eu, você, nosso bebe. Do que mais eu preciso? – Deu-me um selinho e levou seus lábios a minha orelha. – Eu amo-te e quero bem, me importa teu bem e o do nosso filho. – Disse baixo e um tanto sério, mas de uma maneira que fez-me arrepiar dos pés a cabeça.
Olhei para o lado sentindo minhas bochechas corarem. Estávamos assim há meses, e hoje... Hoje isso seria pior ainda, hoje é um dia especial. Faz um ano que conheci Lavi. E, sinceramente, eu ainda não tenho ideia do que vamos fazer hoje... Um ano, um ano... Há um ano atrás eu fui ao parque e o conheci, a um ano atrás me apaixonei a primeira vista, a um ano atrás... Eu conheci o amor da minha vida e nem tinha disso. Quem diria que dali a um ano eu estaria assim, de cabelo um tanto comprido, grávido e de casamento quase marcado... Isso que só tenho 17 anos... Meu Deus.
– Hey... Olha para mim. – Disse sexualmente, fazendo arrepiar-me mais ainda. – Vamos, meu amor, preciso ver esse seu lindo rosto. – Seu tom agora foi provocante, lambeu o lóbulo de minha orelha em seguida.
– Tarado... – Resmunguei baixo e me levantei do banco do piano.
Talvez você se pergunte agora, o que deu no Lavi para ele estar assim... Bem, além da felicidade de construir uma família, posso dizer que ele amadureceu um pouco... Mas a todo esse carinho e amor também tem uma razão obtida. Falta de sexo, meus caros, tanto da minha parte quanto a dele. Considerando que minha gravidez é de risco e que até com mulheres chega numa hora que sexo é arriscado... Desde o começo da gravidez estamos cautelosos com isso, até o quinto mês ainda fazíamos vez ou outra... Mas agora, estamos a três meses sem, e... O que me dá mais medo é, depois deste beber nascer, isso realmente me dá medo quando penso no que ele vai fazer...
– Só por você. – Disse de tal modo que não precisaria me virar, sei muito bem que deve estar com um daqueles sorrisos vitoriosos de tarado.
– Pff... – Me virei sem encará-lo e saí do quarto.
– Hey! Me espere! – Berrou vindo atrás de mim.
– Chocolate. – Falei sério e virei o rosto, o encarando pelo ombro. – Quero chocolate, agora. Isso, ou nosso filho vai nascer com cara de tablete de chocolate. – Terminei de falar e saí andando.
Assim como as mulheres, eu também tenho meus desejos de gravidez, entretanto, agora foi mais para deixá-lo um pouco longe. Não entenda errado, eu amo-o, amo muito... Mas, cá entre nós, é legal fazer isso, ele fica desesperado atrás de comida. Se bem que, eu realmente quero comer chocolate, só não diria que é um desejo no momento. Quando for, haverá a verdadeira possibilidade de nosso filho nascer com cara de tablete.
Ia olhar para Lavi, dizer a ele que não precisava e era só uma brincadeira, não sou uma alma tão má assim... Mas antes mesmo de me virar, ouvi passos desesperados que diminuíam cada vez mais, até sumir... Fechei os olhos com força e estiquei os lábios para os cantos... Me virei e abri o olhos, vendo que Lavi, já não se encontrava mais ali. Ele realmente tinha ido comprar chocolate... Soltei um longo suspiro e resolvi ir para sala.
Dei alguns passos e cheguei rapidamente no cômodo, pelo que pude notar, estava vazio. Os sofás de couro preto todos virados em direção a TV, enorme, de umas cinquenta polegadas, sinceramente acho um pouco exagerada... Mesmo convivendo com meus pais há anos, existem coisas do “mundo” deles que não se encaixa no meu e esta era uma delas, uma televisão menor estaria de bom tamanho por mim. Soltei outro suspiro e caminhei até um dos sofás de olhos fechados, já sabia o caminho de qualquer modo. Sentei-me sobre o sofá e foi ao sentar que notei que havia sentado em cima de algo, para ser mais exato, de alguém. Abri os olhos e olhei para o ser que havia sentado em cima, era Mitsu, olhando, coberta por um lençol branco, dormindo.
– ... – Fiz um movimento negativo com a cabeça em desaprovação, pus as mãos sobre as pernas dela e comecei a sacudi-las. – Morcego, acorda! Vamos, Mitsu-morcego! – Falei já de pé, ainda balançando as pernas dela.
– Não... Bife e feijão de novo não... – Resmungou enquanto dormia, fazendo soltar outro longo suspiro.
Conheço-a há anos e posso garantir uma coisa, eu nunca vi uma garota tão preguiçosa quanto, e que sente tanto sono assim. Ela tem problemas para conseguir dormir de noite e acaba dormindo parte do dia... O maior problema é: ela demora para dormir e demora o triplo de tempo para acordar. Sacudi-a mais uma vez, ela ia acordar querendo ou não.
– Vamos, Mitsu! Acorde! – Sacudi-a mais.
– Não... – Resmungou de maneira um tanto infantil.
São nestes momentos que você tem ideias, que podemos considerar cruéis, mas, são eficazes e isso que importa.
– Mitsu! MACARRÃO! – Berrei vendo-a saltar do lugar no mesmo momento.
– Onde?! – Perguntou eufórica, olhava para os lados procurando sua presa, pobre macarrão.
– Não tem macarrão. – Disse sentando-me ao lado dela.
– Mentiu para mim?! – Seu tom era sério e irritado. – VOCÊ MENTIU PARA MIM SOBRE MACARRÃO?! – Parecia realmente brava. – SEU SER HUMANO HORRÍVEL! – Apontou para mim com seu indicador, acusando-me.
Sim, macarrão era um ponto fraco dela, ela adorava, adora devorá-lo e não gosta de dividi-lo com ninguém. Era como se fosse uma leoa faminta e o macarrão “seu” zebra finalmente encontrada após tanto esforço. As vezes tenho medo de imaginá-la com alguém por causa disso. Soltei mais um suspiro, isso andava acontecendo muito ultimamente.
– Não me culpe, você que não acordava... Falando nisso, o que tem na cabeça pra dormir na sala de televisão? Devia dormir no quarto, na sua cama, sabia? – Disse sério, cruzando os braços. Ela realmente devia tentar ajeitar seus horários de sono, horas dormia bem, outras mal... Isso ainda vai dar algum problema grave a ela.
– Allen... – Bocejou enquanto se espreguiçava. – A U-chan estava limpando o quarto, aí eu tive que dormir por aqui mesmo... – Seu tom de voz voltou a ser sonolento e infantil. – Era isso ou a mesa da cozinha. Se bem que eu não sou você para fazer isso, não é? – Falou e riu um pouco.
Aquela coisa! Como ela podia lembrar de algo que eu fiz a tanto tempo atrás?! Sim... A um bom tempo, eu ainda estava me acostumando com a casa e por algum motivo deitei sobre a mesa da cozinha e, talvez por cansaço, dormi ali... Só lembro que, quando acordei, Mitsu estava em casa, olhando para mim rindo, enquanto eu tinha chantili no rosto e farinha sobre a roupa, estavam fazendo um bolo sobre a mesa que eu dormia. Até tiraram fotos... Ainda bem que me livrei de todas.
– Hunf... Você sabe que foi um acidente. – Olhei para o lado fazendo biquinho.
– Sei... Que nem a vez que pintou por acidente o cabelo do senhor papi Cross de rosa? – Perguntou ainda naquele tom soando infantil, demorava um pouco a sair dele, em seguida, riu ainda mais.
– Mitsu! – Berrei.
Não bastava ela relembrar coisas vergonhosas... Ela tinha a necessidade de falar isto alto...
Quando notei a conversa tinha tomado rumo sozinha, conversamos e riamos na sala, era bom conversar com ela, as vezes, me distraía e fazia relembrar coisas que nem se quer tinha dado importância na época. Posso dizer que de todos os amigos que já tive, Mitsu é uma das melhores. Mesmo sendo mais velha. O mais engraçado desta história era o fato dela ser amiga justo da amiga de infância de Lavi... Coincidência estranha, não?
– Hey... – Ele perguntou já no tom normal, com uma cara consideravelmente de curiosa. – Allen... – Deu um risinho.
– O que foi...? – Perguntei erguendo uma sobrancelha.
– Conta para mim... O que deu com o Kanda depois de tudo. – Deu outro risinho, ela era intrometida de mais, meu Deus.
– Mitsu... – Soltei um suspiro. – Bem... Como você pegou o final de tudo... Okay, eu conto. Depois da briga lá que o Lavi quase matou o Kanda, acontece que o Alma voltou do exterior... Eles se encontraram... E, bem, acho que você entendeu. – Não podia ter explicado direito, mas para alguém como ela que tem a mente que tem, aquilo era mais que suficiente.
– OH, MEU DEUS! – A boca se abriu no formato de um “o” perfeito e em seguida sorriu. – Sabe o melhor disso?! Agora você e Lavi, seus dois lindos, vão ficar juntos sem problema! Estou feliz por vocês! – Sem mais nem menos pulou em mim, me abraçando e rapidamente soltando-me e rindo.
– Mitsu... – Balancei a cabeça desaprovando aquilo, ela nunca vai mudar.
Ela sorriu, de maneira um tanto infantil. Mesmo sendo mais velha que eu, mesmo sendo já uma mulher, ainda era abestalhada já, mesmo em seus 19 anos. Sim, 19, Mitsu era uma das escritoras mais jovens do mundo. E, sendo jovem assim como eu... Ela também tem seus amores, certo? É hora de dar o troco.
– Então... Mitsu, já que você sabe bastante sobre minha vida amorosa... Me conte sobre a sua, que tal? – Sorri travesso.
– A mi-minha? – Corou e olhou para o lado.
– A sua. ~ – Falei risinho, já podia notar que isto seria divertido.
– Bem... – Bateu a ponta dos dedos. – E-Eu não sei o que contar...
– Ora essa... Não está namorando ninguém? Uma garota ou um garoto, sei lá... – Falei me preparando para apanhar já, Mitsu não costumava sentir vergonha de nada, nada que não a envolvesse, do contrário.
– Er... – Tinha corado mais.
– O que está fazendo, amor? – Ouviu a voz de Lavi atrás de nós e me virei o encarando.
Estava com uma sacola transparente com chocolates dentro pendurada no braço, vários tabletes... Acho que agora senti desejo. Ele parecia ter suado um pouco, provavelmente tinha ido correndo mesmo comprar os chocolates e pelo que parece, voltando correndo também. Sorri de maneira um pouco doce para ele, podia ter feito fazê-lo isso por certa maldade, mas ver ele se esforçando assim por mim... É de aquecer meu coração... O meu e o de Joshua.
– Conversando sobre os amores de Mitsu. – Falei e ri um pouco. – Vem, sente aqui com a gente. E não esqueça de me dar meu chocolate.
– “Com a gente”? Allen, você é realmente distraído. – Estendeu-me um chocolate.
– Como assim? – Perguntei não entendendo e pegando o chocolate nas mãos.
– Olhe para o lado.
Curvei a sobrancelha e olhei para o lado... Notando que de Mitsu, só havia sobrado fumaça, como se fosse um daqueles personagens de senho animado que sai correndo desesperadamente e só deixa aquele rastro de fumaça ou pó para trás. Olhei para Lavi depois, ele parecia rir um pouco, sorri derrotado por Mitsu que havia fugido, fechando levemente os olhos. Senti a mão quente do meu ruivo sobre a minha cabeça, fazendo-me encará-lo novamente.
– Allen... – Abaixou-se sem tirar a mão de minha cabeça.
– Sim...? – Perguntei calmo.
Aproximou o rosto do meu e selou nossos lábios, começando um carinho em minha cabeça. O beijo era calmo, mas profundo, carinhoso, como eu gostava... Às vezes, você ouve falar, que só quando beija a pessoa que ama, você se sente com borboletas no estômago... Mas sabe, eu não sinto isso. Eu me sinto tão bem, mas tão bem, que borboletas não servem para descrever isso. Separou-se de mim quando o ar fez falta tanto para mim quanto si, como da última vez manteve sua testa colada a minha.
– Eu te amo... – Disse e deu um selinho em mim.
– Eu também te amo. –Respondi um pouco baixo, mas o suficiente para ser ouvido.
– Er... – Ouvi uma voz feminina e encarei quem quer que fosse a dona.
Vi Kiyo parada na porta da sala, corada nos encarando, fazendo-me corar de leve também. Parecia estática, mesmo já hospedada aqui a um bom tempo, ela sempre parecia um tanto sem graça... Ela realmente escreve conteúdos homoeróticos? Para alguém que tem essas reações, parece uma mentira... Ou será que quando ela escreve ela fica corada assim?
– Em que posso ajudá-la? – Lavi falou se virando, encarando-a.
– Mitsu... – Olhou para o lado, corada.
– Para lá. – Apontou na direção do jardim.
– Desculpe atrapalhá-los... – Ela falou corada e saiu correndo da porta, indo provavelmente para o jardim.
Lavi riu e saltou o sofá, sentando-se nele em seguida. Olhou para mim sorrindo, pegou um chocolate da sacola e abriu, mordendo-o de leve e depois comendo.
– Essa Kiyo, nunca muda. – Riu e deu outra mordida no chocolate.
–A Mitsu também não. – Acabei rindo um pouco e abriu meu chocolate, o mordendo em seguida e... Chocolate é realmente algo mágico.
Apoiei a cabeça no ombro de Lavi, era estranho... As vezes o quero longe, as vezes perto. Mas, existe um motivo, um único motivo para se querer a pessoa amada longe, poder sentir saudade para depois ficar feliz tendo-a do lado. Sorriu enquanto comia o chocolate, ganhando um beijo surpresa na bochecha. Inclinei o rosto um pouco, encarando-o, ele sorria para mim.
– Allen, sabe que o Tikky aqui da vizinhança tem um casal de akitas albinos, não é? – Perguntou calmo.
– Sei sim. – Respondi e dei outra mordida em meu chocolate.
– Sabia que a fêmea está grávida? – Deu uma mordida no próprio chocolate.
– Na verdade não sabia. – Algo me diz que ele está aprontando algo.
– Então... Ela vai ter os filhotes esse mês ou no começo do mês que vem. Tikky não vai poder ficar com os filhotes, o que acha de adotarmos um? – Sorriu.
– Eu já vou ter que cuidar de um filho e você quer que eu cuide de um cachorro também? – Curvei uma sobrancelha.
– Mas é justamente por isso meu amor! A... – Interrompi-o.
– Justamente por isso?! Para eu cuidar de dois bebes ao mesmo tempo?! – Falei sério.
– Calma Allen... – Suspirou. – Estava pensando de termos nosso filho e adotarmos cachorrinho juntos... Se eles foram acostumados juntos desde pequeninos serão inseparáveis no futuro e, de certa forma, será uma maneira de ensiná-lo a ter responsabilidade quando mais velho. – Sorriu vitorioso.
– E vai ser responsabilidade minha por enquanto, não é? – Perguntei bufando.
– Estressado... – Resmungou baixo. – Para de falar isso, eu vou criar nosso filho com você, cuidar dele assim como você e também, se adotarmos mesmo o cachorrinho, me responsabilizarei por ele também. – Falou sério, tão sério que me perguntei se era realmente ele.
Sorri para ele e dei-lhe um beijo no rosto.
– Tudo bem, tudo bem. Podemos adotar um cachorrinho... Mas é bom se lembrar de tudo isso que falou. – Dei mais uma mordida em meu chocolate.
– Obrigado, amor. – Deu beijos em meu rosto e em seguida foi para o meu pescoço, fazendo-me arrepiar.
– Ei! – Corei e me afastei um pouco.
– O que foi? Não posso beijar meu futuro esposo?
Corei dos pés a cabeça ao ouvir aquilo, até nosso bebe devia ter corado dentro de mim. Eu sei que vou casar com ele, mas... Mas... De verdade, o convite nunca foi feito... Era decisão dos nossos pais e ouvir isso dele agora... Isso era de matar qualquer um.
– Lavi... – Falei baixinho.
– Sabe? No meio disso tudo eu notei que no final, eu não te perguntei... – Engoli em seco o ouvindo falar aquilo. – Allen... Quer casar comigo? De verdade, não por causa dos nossos pais. – Sorriu... O sorriso que esquentava minha vida.
– Eu quero Lavi, eu quero sim. – Sorri e senti uma lágrima escorrer por meu rosto, seguida de outra, lágrimas de felicidade.
Me abraçou e beijou. Beijou-me como nosso primeiro beijo após virarmos namorados. Felicidade é uma coisa estranha, você não pode definir só com a palavra e nem por suposições, muito menos dizendo experiências da sua vida. Felicidade também não é algo que você vai encontrar só no amor. Felicidade é você ter problemas, mas conseguir superá-los e sair dali com um sorriso.
Felicidade é a mãe que chega a casa após um longo dia de trabalho e vê que o filho estava esperando por ela. Felicidade não é dinheiro, mas também não é a ausência dele, é saber administrar isso para sentir-se bem. Felicidade é algo que muitas vezes você tem e só se dá conta quando perde, porém... Há aqueles que tem consciência que são felizes, e justamente por isso, aproveitam mais.
Mas mesmo falando tudo isso, eu sou feliz, eu tenho felicidade e tenho consciência disso, mas eu devo tudo a Lavi, porque o amor dele é o que mais me deixa feliz em todo esse mundo. A felicidade de acordar ao lado dele todo dia, a felicidade de gerar um filho dele, a felicidade de ser dele. Eu não preciso de mais nada.
Notas finais
Lavi: eu achei maravilhoso como você e nosso filho *abraça-o carinhosamente*
Allen: *sorri ao ser abraçado* Não fale isso assim. *Cora ainda sorrindo* Olha o que faz comigo.
Lavi: adoro você assim ~ *solta-o e beija a testa dele* As leitoras estavam sentindo nossa falta e a grande maioria delas, pra não dizer todas *sorri* tem uma "queda" por você... É impossível não terem a mesma opinião que a minha. Fico até preocupado com essa sua fama toda (U.: ele quis dizer enciumado, rs)
Allen: Você deveria ficar preocupado consigo mesmo. Nenhuma delas gosta de você?
Lavi: *sorrisinho* não sei, só me interesso por você.
Allen: Bem, mudando de assunto. *Tapa boca de Lavi.* Obrigado leitoras por estarem conosco até agora, estamos perto do final... É, fazer o que... Bem, estaremos esperando os reviews, um beijo a todas.
Lavi: *morde a mão de Allen* faço de suas minhas palavras, amor ~ Um beijo a todas. *abraça ele novamente e fica grudado* :3
Allen: *Fica abraçado a Lavi.* Até mais docinhos :3
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