Four Seasons

8 Capítulo 08 – Fuyo#


Notas iniciais
Allen: Olá gente.... Desculpe a enorme demora e os reviews que faltam serem respondidos ;-;
Lavi: eu já respondi os meus, he he *gruda no Allen*
Allen: *Olha para Lavi* Tarado... Ainda esfrega na minha cara que sou atrasado ;-;
Lavi: não sou tarado *sorriso nada inocente* só te amo demais e não consigo resistir. :3
Allen: *Sorriu mais calmo* Ok ok... Mas agora vamos falar algo sério para vocês. Gente, o número de leitores caiu drasticamente e isso realmente nos deixa sem motivação. Sei que estamos demorando muito, mas é que eu e o Lavi temos nossa vida sabe...? Tanto que vocês leem ela aqui. Gente, se importariam de voltar para nós? ;----;
Lavi: será que se fizermos um apelo mais sensual elas voltam? *sorrisinho maldoso* Queridas leitoras, estamos não só com saudades de vocês, estamos carentes. Venham nos visitar e deixem seu review após o capítulo, sim? ♥
Allen: Lavi, é pra pedir reviews, não viramos prostitutos que trabalham por review >///> *Cora* Mas bem, espero que gostem do cap, até o final dele ~
Lavi: *rindo* não viraremos prostitutos, só estava jogando charme, seu bobo. Até, garotas~ *ainda agarrado no Allen* :3

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– Lavi, você será pai.


Tossi. Respirei bem fundo, depois engoli o grande pedaço de pão que estava entalado na minha garganta com chocolate quente. Poderia ter ouvido coisas, estando numa mesa a sós com meu pai, sendo que ele raramente fala comigo durante o café da manhã e dizer algo do tipo estava completamente fora de questão.


– Você ouviu. – disse o senhor Bookman, baixando o jornal.


– Eu acho que não. O que o senhor disse?


– Disse que será pai.


Tossi novamente, mas dessa vez não estava entalado. Meu pai só poderia estar brincando, certo? Se a frase viesse de mamãe, eu até desconfiaria que fosse só brincadeira, mas vindo dele, fico tenso.


– Pai, isso é impossível. Eu e Lenalee não fizemos sexo. Aliás, nunca fiz sexo com nenhuma garota. – tentei ser o mais racional possível, pontuando cada palavra, mantendo o tom firme e ponderado.


– Eu estou falando do filho dos Marian.


– O Allen?! – me exaltei sem querer.


– Oh, céus. – minha mãe entrou na sala de jantar, tendo certamente ouvido toda a conversa atrás da porta.


– Pai, mãe. Hoje não é primeiro de abril, nem vejo graça alguma em fazer piadas sobre isso. Eu e Allen estamos namorando, mas um filho está meio fora de cogitação, né? – ri. Que assunto agradável para se tratar numa manhã de sábado.


– Estamos falando sério. – disse papai, mais falante do que nunca.


– Super sério. – enfatizou mamãe, seus olhos verdes brilhavam e seu sorriso ia de orelha a orelha. Ela nos serviu as torradas recém saídas do forno e completou com extrema alegria – Serei avó, quem diria! Pena que tão jovem.


– A questão não é essa, Jane. – disse papai, controlando os nervos – Cross está a beira de um ataque no hospital, Maria parece se divertir com a situação e Lavi é jovem demais para lidar com a situação.


– O impossível aconteceu, querido. Deveria ficar feliz ao invés de resmungar sobre isso. Oh, temos que realizar o casamento quanto antes!

Pai? Casamento?! Jane é outra que parece se divertir com a situação. Antes que ficasse maluco ou furioso com essa confusão que eles estão criando, resolvi ser sensato, talvez isso acrescente pontos na minha maturidade.


– Quero ver o Allen. – eu disse, levantando da mesa. Bem que a mansão Marian estava silenciosa demais.


– Eu levo você até o hospital. Mas saiba que depois terá muito a esclarecer a mim, sua mãe e os Marian.

~*~

A qualquer minuto eu iria despertar desse sonho maluco. Assim pensei várias e várias vezes. Um médico acompanhou-me até a sala de Allen, abriu a porta para mim, tranquilizou-me com um sorriso bondoso, dizendo que estava tudo bem com ele.


– Allen, vim o mais rápido que pude.


– Eu sei. – ele sorriu, quando peguei sua mão e beijei-a, riu – Todos me trataram como um doente, mas não sinto nenhum incômodo.


– Não se sente enjoado? Tem apetite reforçado? – sugeri nervoso, ao que ele riu e não respondeu de imediato. Allen deu duas batidas no colchão, então me sentei a seu lado.


– Estou normal. Minha mãe está feliz. – respondeu e aumentou o sorriso.


– A minha também. Mas o meu pai... – expirei o ar.


– Cross vai matar você.


Pisquei incrédulo. Se eu não morresse pelas mãos de Cross, morreria pelas preocupações excessivas de meu pai.


– Como isso foi acontecer? – perguntei.


– Fizemos amor repetidas vezes e deu nisso.


– Não, não. Seu bobo. – bati na cabeça dele de leve. – Você é homem, como eu. Como pode engravidar?


– Meu pai tem culpa no cartório. – ele disse. O que não entendi nada. Então, continuou – O médico disse que o medicamento que eu tomei, aquele preparado por ele, alterou funções de alguns órgãos internos meus... Além do cabelo...


– Está chateado com isso?


– Não, eu acho. – sorriu tristemente. – Só é estranho.


– Nada que venha de você me é estranho. – eu disse, beijando seus lábios. Apoiei minha testa na sua, segurei seu rosto, sentindo o calor que emanava de sua pele, podia aceitar o que estava acontecendo, podia acreditar que era real.


– Que efeito colateral bizarro. – Allen disse.


– Tá, assumo que isso é um pouco estranho.


– O quê? Vai retirar as palavras que disse minutos atrás?


– Estava tentando tranquilizar você.


– Sem essa, Lavi! – ele me empurrou para fora da cama.


– Não, eu falei sério. Desculpa, desculpa. – abracei-o, afagando suas costas, senti que ele tinha necessidade de me dizer algo mais.


– O doutor disse que vai falar sobre o laudo médico para meu pai.


Desfiz o abraço, sentando-me ao lado dele novamente, aconcheguei-o nos meus braços. Se ele estava incomodado com o fato do medicamento ter alterado seu corpo, o que poderia ser grave, com o que estaria preocupado? Encostei minha cabeça sobre a dele.


– Vai ficar tudo bem, Allen.


– Não quero que ele se sinta culpado, se é que ele se sentiria.


– Vai ficar tudo bem. – repeti, abraçando-o com força.


Repetir que tudo ficará bem era fácil diante das circunstâncias que me encontro agora. Meu pai apreensivo, Cross olhando-me com fúria e desaprovação, mamãe e Maria conversando sobre casamento. Ótimo, vejo que sair com o Allen está fora de questão e tenho que lidar com quatro adultos, enquanto finjo ler os e-mails de minha editora chefe no celular. De repente, uma ligação.


– Com licença. – Levantei, seguindo para a saída do hospital.


Atendi e escutei prontamente as reclamações de Lulu Bell, minha chefe. Ela disse que descontaria do meu salário se amanhã bem cedo não fosse deixar o material, lembrei-a que seria domingo, ela retrucou dizendo que precisava para hoje, então a coloquei a pá da situação. Qual não foi a surpresa ao ouvi-la desejar felicidades com bom humor. Desliguei o aparelho e dei de cara com o sujeito mais detestável. Kanda, ainda em traje colegial, desviou seu caminho, atravessando a rua, parou a minha frente.


– Você estar parado em frente a esse hospital tem algo a ver com o Moyashi?


Dei cinco segundos a mim mesmo para me tranquilizar e saber se ele realmente estava falando comigo.


– Allen teve que fazer alguns exames. – eu disse.


Foi o suficiente. Kanda passou por mim, seguindo hospital adentro. Segui-o, nem um pouco surpreso com a falta de educação dele e sua grosseria. Rapidamente, ele conseguiu acessar o quarto de Allen, tendo uma conversa curta com Cross, entrei junto dele.


– O que você tá fazendo?! – Kanda disse.


– Precaução. – eu disse, encostando-me a cama de Allen.


– Kanda? – Allen estava surpreso.


– Você faltou hoje. Que é? Ficou doente?


– Não estou doente. – percebi que Allen tinha se irritado com a colocação nada sutil do outro. – Como soube que eu estava aqui?


– O cabeça de fósforo estava lá fora fazendo sinalização de que podia encontrá-lo aqui.


– Rá, rá. Engraçado esse cara. – eu disse, sem humor algum.


– Preciso falar com você. – Kanda falou como se ordenasse.


– Agora? – Allen olhou para mim, depois para Kanda.


– Agora e a sós. – respondeu ele.


– Nem fudendo que eu deixo vocês sozinhos.


Kanda me encarou como se fosse a Morte, devolvi o olhar feio.


– Eu vou sair daqui a alguns minutos. – disse Allen, passando os olhos de mim para ele, notando um clima ruim.


Ficamos encarando-nos, travando uma batalha em silêncio, ouvi Allen mover-se na cama, impassível. Ele iria se declarar pro Allen, eu tinha certeza. Não deixarei isso acontecer, não que eu tema que isso vá abalar nossa relação, mas se ele fizer alguma coisa ao Allen...


– Será que vocês poderiam sair do quarto? Eu preciso me trocar. – ele disse depois que o médico entrou e anunciou sua alta.


~*~

Cross estava no humor do cão, papai tentava tranquilizá-lo, ambos sentados no sofá, bebendo uísque e jogando conversa fora. Jane e Maria estavam com revistas nas mãos, ainda falando sobre casamento. Aff. Desci as escadas, queria esfriar a cabeça antes de enfrentar a situação.


– Lavi! – vociferou Cross.


– Eu já volto, senhor. – disse, dando uma rápida olhada para ele, deixei a sala.


O que me guiava para a fora da casa era muito mais do que a vontade de ter ar fresco, era a curiosidade. Maldito Kanda! Ele veio aqui e convenceu a conversar com Allen a sós. Observei-os do alto pela janela e agora posso vê-los sentados, não muito distantes um do outro, isso me dá nos nervos.


Kanda aproximou-se mais de Allen, que estranhou pela cara que fez, mas não se afastou dele, nem percebeu a noção do perigo. Caminhei em direção a eles, pisando forte, Kanda percebeu que eu estava logo atrás e puxou Allen pelo braço, encostando sua boca a dele.


– Kanda! – ele disse furioso, empurrando-o com toda a força que tinha – Me solta! O que deu em você?! Baka!


Eu sabia que ia dar em merda deixando-os conversar sozinhos, mas Kanda tinha feito de propósito. Agarrei Allen pelos ombros, tirando-o do banco, coloquei-o atrás de mim, fechei a mão direita em punho e soquei a cara dele.


– Isso é pouco pra descontar minha raiva, desgraçado! – eu disse, preparando-me para dar o próximo soco, porém Allen segurou meu braço, puxando-me pra trás.


– Lavi, não! O Kanda fez isso pra te provocar! – olhei para Allen incrédulo – Ou talvez não...?


– Esse imbecil deve ter sido sempre afim de você, Allen. – eu disse, sério. Ajeitei meu casaco, depois olhei para ele, estava limpando o nariz.


– O Kanda me odeia! Ele nem admite ser meu amigo, Lavi.


– Tch. – Kanda levantou-se, olhando para Allen, caminhou na direção dele – Você que é idiota, nunca percebeu nada, por isso te beijei a força. Nunca odiei você.


– Não era o que você dizia... – disse Allen surpreso e corado.


– Quanto a você. – Kanda virou-se para mim, percebi que ele se punha em posição de ataque – Eu te odeio, imbecil! Espero que morra cedo!


Eu teria dado-lhe mais um murro se Allen não segurasse meu braço tão determinado. Percebi que ele partiu pra cima, abaixei e senti o ar cortar com seu soco. Olhei para Allen, ele não tinha levado a porrada por mim, mas estava assustado. Irado, coloquei-me em posição novamente, as aulas de boxe finalmente estavam sendo úteis.


– Vai pagar pelo que fez. – disse Kanda, num ranger de dentes.


– Pode vir, Kanda. Quero terminar de quebrar seu nariz.


– Parem! Por favor, parem! – disse Allen, ainda me segurando.


Kanda deu um passo para frente, os punhos fechados próximos do rosto, como se espelhasse minha posição, pronto para atacar ou defender-se. Cortou o ar novamente com um soco que seria certeiro no queixo, se eu não tivesse esquivado e segurado seu braço.


– Até que não manda mal para uma criança como você, hein? – provoquei-o.


– Cala a boca! Vou deformar essa sua cara!


– Parem, seus idiotas! – gritou Allen.


– Parem os três! – berrou alguém. Pensei que tivesse sido Allen de novo, mas a voz aguda demais me fez perceber que era uma quarta pessoa. Allen olhava para trás, confuso e assustado.


Viramo-nos para ver quem era, para nossa surpresa, eram duas garotas, mas só uma das duas tinha gritado, a loira de cabelos longos e ondulados, que parecia furiosa. A mesma garota vinha pisando fundo em nossa direção, enquanto se aproximava, reconheci o rosto, era uma antiga amiga de infância. A outra garota veio logo atrás dela, vestia jeans e moletom, parecia decepcionada como se acabasse de perder uma aposta alta no pôquer, tinha os cabelos curtos e castanhos, não a conhecia, mas era bonita.


– Que horror, vocês, hein? – a loira colocou as mãos sobre a cintura, o vestido acompanhando seu movimento de extrema reprovação.


– Eu queria mais briga... – disse a outra, entediada.


– Nossa! É você, Kiyo?! – eu perguntei, pensando estar vendo fantasma, passei minha mão na frente dos seus olhos.


– Não, não sou eu. – Kiyo olhou com uma cara como se me chamasse de idiota, depois assumiu aquela posição de irmã mais velha, pondo as mãos na cintura – O que deu em você pra bater no cara? – quando abri a boca para responder, ela virou-se para Kanda – Você está bem?


– Ele não parece bem, U-chan. – disse a amiga dela com cara de óbvio.


Kanda ignorou a pergunta feita por Kiyo, saindo no meio de todos, sem se despedir. Kiyo ficou graciosa estampando uma expressão de leve irritação por ser ignorada.


– Já vai tarde! – eu gritei.


– Tch! Cala a boca! – ele gritou de volta.


Kiyo girou nos calcanhares para encarar-me feio, dei língua para ela. É inevitável não implicar com alguém que se faz de mais velha quando nem tem altura pra me superar. Allen suspirou alto de alívio, certamente agradecendo por nada de grave ter ocorrido. Mas não estou arrependido, nem um pouco.


– Ao menos fico feliz que Allen esteja bem. – a voz da amiga de Kiyo cortou o breve silêncio. Quando viramo-nos, ela sorriu e abraçou Allen. Espera aí, eles se conhecem? E são íntimos assim?!


– Mistu, quanto tempo. – Allen a abraçava de volta – Não sabia que vinha pra uma visita... Se soubesse, teria recepcionado melhor... Perdoe a cena.


– Foi engraçado. Eles estavam brigando por você? – disse Mistu, fazendo Allen corar. – Sempre soube que o Kanda gostava de você.


– É? Q-quero dizer... – Allen olhou para mim, depois escondeu o rosto no braço de Mitsu, passando para o outro lado da garota – Você voltou quando da sua viagem?


– Faz um dia só. Maria pediu que eu viesse para cá com urgência, vim mais rápido que pude e conheci a U-chan na Itália quando ela foi publicar um livro que eu estava acompanhando. Aliás, da família Bookman só não conhecia o Lavi Júnior...


– É?! Ela escreve que tipo de livros? – Allen arregalou bem os olhos, olhando para Kiyo com admiração.


– Contos eróticos. – disse Mitsu, fazendo-me rir alto.


– Mentira! – Kiyo corou, ela estava ouvindo a conversa como eu. – Escrevo romances! E comédias!


– E vocês já parecem amigas de longa data. Não tá com frio com essa roupa? – perguntei a Kiyo, desviando minha atenção de Allen e sua amiga, já estava ficando com ciúmes.


– Agora que tocou no assunto, estou morrendo de frio. – peguei sua mão e notei que Kiyo estava congelando mesmo, essa friorenta... Ela sorriu e continuou falando animada – Deixei meu casaco lá dentro. Vim falar com você, a tia Jane disse que estava aqui fora, conversando com seus “amigos” – ela desenhou aspas no ar.


– Veio a trabalho? – perguntei, levando-a para dentro de casa. Dei uma olhada rápida para trás, Allen e a garota vinham logo atrás de nós. Não contive minha irritação e disse – Afinal, quem é ela?


– É a Mitchie.


Eu fiz cara de interrogação e a própria “Mitchie” também.


– É apelido, o nome dela é Mistu Kei, amiga do Allen e minha amiga também. – Kiyo deu um sorriso fofo, entortando a cabeça como se não entendesse minha irritação.


– Isso explica muita coisa. – eu disse. Kiyo percebeu meu tom irônico, dando-me uma leve – cotovelada nas costelas. – Hey, não sabia que ela conhecia o Allen, tá?


– Só conheço de nome. – Kiyo virou para trás e estendeu a mão com um largo sorriso no rosto para ele, que espontânea – Prazer, Allen. Sou Kiyo Usui, trabalho na editora Bookman com o pseudônimo de Ukiyo-e.


– Prazer, Usui-san. – Allen estava ainda envergonhado, apertou a mão dela e sorriu desconcertado.


– Ah, pode me chamar só de Kiyo mesmo. – ela voltou a sorrir – Afinal, sou quase da família, sou madrinha do Lavi.


– MADRINHA? – dissemos eu e Allen ao mesmo tempo, assustados.


– Xi. Era surpresa? – perguntou Kiyo, escondendo a boca com as mãos, olhou para Mistu, sentindo-se culpada.


– Não, acho que eles se assustaram, pois pareciam nem saber do casamento. – ela deu de ombros, depois mostrou um sorriso traquina.



Passado o susto, voltamos para dentro de casa. Que dia mais maluco, pensei, assim que o jantar terminou. Apaguei a sensação de que Mitsu poderia roubar Allen, ela apoia nosso relacionamento até mais empolgada do que Kiyo. Tirando as trocas de olhares que as duas davam a cada segundo que comentávamos sobre como nos conhecemos, tudo correu bem. Acho que Allen ficou cansado com todo esse estresse diário, porque quando cruzamos olhares, ele demonstrou estar “tudo bem”, sorrindo.


Cross continua me olhando ruim, mamãe e Maria permaneceram agitadas, deixando a sala somente quando as garotas se foram, meu pai pediu para conversar com Allen. Maravilha, de repente, todo mundo vazou e fiquei a sós com a besta fera ruiva. Sim, ele está me olhando com olhos demoníacos e vem em minha direção. Respirei fundo e levantei do sofá.


– Senhor, saiba que minhas intenções com seu filho são as melhores possíveis. – disse o maldito clichê com tanta veemência que Cross ao invés de dar-me um tapa, sentou com tudo no sofá.


– Lavi, eu não vou matar você, não se preocupe. – ele disse em tom que não me transmitiu certeza nenhuma, cruzou as pernas e acendeu um cigarro. – Sente-se, quero falar olhando no seu olho.


– De caolho pra caolho, certo? – brinquei, mas ele fez uma cara tão séria que me arrependi completamente. É, ele não iria rir mais dessa piada velha como antigamente.


– Você é um completo imbecil. – disse, expirando como uma chaminé para cima – Disso eu já tinha certeza absoluta, mas pensei que poderia ser um cara legal.


– Mas eu sou um cara legal, mais do que isso. Legal e perfeito para cuidar do Allen e do pequeno... – parei de falar, ele fulminou o olhar, apagando o cigarro no cinzeiro. Puta que pariu.


– Pode até ser. – respirei aliviado – Eu estrangularia seu pescoço há minutos atrás se não fosse seu pai limpando sua barra. Agora escute muito bem, idiota. – prendi a respiração e olhei bem pra ele – Se fizer alguma besteira que faça Allen se arrepender desse relacionamento, se ao menos pensar em maltratá-lo – Cross agarrou o colarinho da minha blusa, sussurrando entre dentes – Considere-se um homem morto. Entendeu ou preciso repetir?


– Sim, senhor. – eu disse, agarrei sua mão e continuei em tom firme – Agora, se me permite dizer, pretendo ser a pessoa mais importante para o Allen, sei que sou capaz disso. Eu amo muito o Allen, muito mesmo, o senhor nem imagina o quanto. Nunca vou abrir mão dele. Também sei que se fizer Allen feliz como agora e sempre, o senhor será feliz.


– Hunf, moleque atrevido. – ele soltou-me. – Vai dormir antes que molhe as calças.


Concordei com a cabeça e olhei-o uma última vez, pude ver um pequeno sorriso, eu estava aprovado.



Allen entrou no quanto depois de mim, baixei o livro que Kiyo deixara para mim para vê-lo melhor, percebi que seu rosto estava sombrio de cansaço, enquanto arrastava-se para o armário, pegava suas roupas e passava para o banheiro. Meu pai teria dito algo errado? Lembrei que o velho sempre dizia: “Júnior, você casará com uma bela mulher, herdará minha editora e fará de seus pais orgulhosos!”, eu sempre concordava com ele, entendendo que essa era o desejo de todo pai, o sucesso do filho. E depois de umas doses de uísque, melhor nem dizer o contrário, né?


– Quer ajuda no banho, querido? – eu disse, brincando.


– Ah... Acho que preciso de ajuda... – as palavras dele desmoronavam com preguiça. Era impressão minha ou ele estava quase se rastejando pra chegar à porta? Pulei da cama e caminhei até ele, segurando, ajudei-o a entrar. Esperei na porta, ao que fui surpreendido com um beijo roubado – Não ia me ajudar?


– Ah, era brincadeira, Allen. – sorri, afastando sua franja do rosto, vi seus olhos tombados de sono.


– Não precisava ter batido no Kanda, você sabe que eu sou só seu.


– Hã? Hã? HÃ?! – senti minhas bochechas queimarem, não acredito que ele admitiu isso em voz alta.


– Seu pai é uma boa pessoa... É por isso que você é tão incrível, Lavi.


– É o velho é gente boa... – não entendi muito bem o teor da conversa, tive receio de perguntar antes, mas a curiosidade foi maior – Ele disse alguma coisa estranha pra você? Digo, algo ruim?


Allen balançou o corpo pondo-se num pé, depois noutro, fez negativa com a cabeça e encolheu os ombros. Arf, aquele velho disse alguma coisa sim. Abracei Allen com toda a força que ainda me restava.


– O senhor Bookman não disse nada ruim, só conversamos sobre ser felizes e enfrentar preconceitos. Ele me deu um pedaço de bolo doce que a senhora Jane fez...


Parei de alisar as costas de Allen, estava surpreso por meu pai ter não aprontado alguma, afinal, o velho sempre apronta. Afastei um pouco e, segurando-o pelos ombros, analisei seu rosto minuciosamente. Seus olhos cinzentos estavam meio caídos, tinha um sorriso nos lábios, me arrisco a pensar que ele esteja querendo me seduzir.


– Shiu. – ele disse com os dedos em meus lábios, interrompendo meus pensamentos, mordi seu dedo, fazendo-o soltar um “ai” baixo e depois sorrir.


– Antes que eu esqueça... – encostei minha boca em sua orelha e sussurrei bem devagar: Também sou todo seu.


Allen enlaçou meu pescoço e beijou-me, segurei seu rosto, ele partiu para o ataque novamente, mais determinado e voraz; paramos para respirar. Tirei minha camisa, quando ri de sua cara de “já?”, ele investiu mais uma vez, puxando-me para baixo, deu o terceiro beijo.


Enquanto recuperávamos o ar apoiados um na testa do outro, desabotoei seu moletom. Allen assumiu o controle de suas vestes, tirando por si só a camiseta por baixo do moletom e a calça. Cantarolei uma música de stripe tease ao que ele reagiu totalmente desconcertado, corando. Com um sorriso provocante, empurrei seu corpo contra o meu, trocando mais beijos e carícias.


As mãos de Allen bagunçaram meu cabelo, depois passearam pelo meu tórax e agarram minha calça, surpreendentemente, de forma possessiva. Esperei que ele tirasse a peça por mim, ao que ele sorriu, apoiando os dedos sobre meu tapa-olho, removeu-o sensualmente e jogou-o no chão. Apressei-me em livrar da calça e arrastá-lo para o banheiro às cegas.


Ele gemeu ao encostar suas costas no mármore frio, rolou pela parede, colocando-me em seu lugar, esmagou minha boca com a sua. Rolei, mudando novamente, passeei pelo pescoço e clavícula dando pequenas mordidas, quando o agarrei por cima da cueca abruptamente, ele arranhou minhas costas.


– Hora do banho ~ – eu disse ao seu ouvido. Desci as mãos, puxei sua última peça e acariciei-o com os dedos, depois que o abocanhei, ouvi um gemido baixo esvair-se. Allen segurou em meus ombros quando o suguei com mais insistência, gemeu.


– Ah ~ – olhei para cima, ele mordia os lábios, imitei-o, mordendo sua glande, ele tornou a gemer – Ahn, Ahh! Lavi...


Entendi seu chamado. Lambi a extensão do seu membro e subi para sua boca, mordisquei seu lábio inferior, ainda acariciando seu pênis, senti suas mãos descerem dos meus ombros e tocarem as minhas.


– Lavi...


– Eu sei... – disse, beijando-o.


Desci, novamente abocanhei-o, sua ereção explodiu em minha boca e ele tentou segurar-se na parede lisa, sem forçar. Levantei-o pelos quadris, fazendo Allen agarrar-se em mim e envolver minha cintura com as pernas. Abri a torneira e deixei a água quente molhar-nos até senti-lo relaxar em meus braços, fechei a torneira e coloquei-o no chão.


– Nós paramos... – ele disse meio triste, meio envergonhado.


– Sim, agora vamos banhar, Allen ~ – eu disse o mais animado que pude, não podia exagerar agora que ele estava grávido.


– Quer que eu tire isso por você? – ele apontou para minha cueca.


Tirei a peça, escondendo meu constrangimento ao abaixar a cabeça, Allen colocou xampu e ensaboou minha cabeleira. Encarei-o, ele riu, passando os dedos “sujos” de sabão no meu nariz e bochecha. Abracei-o, enquanto ele se debatia e dizia não, passei xampu na sua cabeça, ensaboando-o nos ombros e...


– Ei, eu lavo aí, tá bom?! – ele gritou, pisando no meu pé. Escorregou e caiu no chão, caindo de bunda.


– AH! ALLEN! – berrei. Ajoelhei-me e ajudei-o a levantar – Mal aí, mas você que escorregou e caiu de bunda.


– Culpa sua! – ele gritou, sério. – Agora aguente as consequências!


Allen pegou o xampu do chão, despejou o líquido em cima de mim, peguei da mão dele e apertei o xampu com tanta força que a tampa sacou, joguei o restante nele, depois o puxei para debaixo do chuveiro. Rimos de nossa própria brincadeira, espero tomar banho com ele mais vezes.


Notas finais
Allen: Eu ainda não estou conformado que fiquei grávido.
Lavi: ah, não diga isso, Allen~ Eu fiquei feliz depois do choque *aperta as bochechas dele e sorri*
Allen: Claro, não foi você que teve que ver a própria barriga crescer, passar tontura, ser chutado e só falta essa criança ainda me chamar de "mamãe"!
Lavi: eu cuido de você, meu amor *abraça-o* E se ele ou ela chamá-lo de "mamãe", será engraçado.
Allen: Hunf... *Bufou* Bem gente, obrigado pela atenção. Obrigado por terem lido, e sem reviews, entramos em greve, viu? Um beijo a todos. *Sorriu*
Lavi: ainda bem que não é greve de sexo *cochicha pro lado contrário de Allen, que o olha desconfiado/ Lavi disfarça* Até os reviews~
Allen: Até meus caros. *Acena dando tchau enquanto puxa orelha do Lavi*