Four Seasons

2 Capítulo 02 – Haru#


Notas iniciais
Lavi: olá, garotas~~ *acena* Depois de respondermos todos aqueles reviews calientes, posso revelar que será minha vez de relatar os fatos com muito prazer. Fiu~ fiu~ Chega mais, Allen-chan *pisca* Hoje EU serei o narrador. *-*
Allen: vai mesmo conseguir? o-õ
Lavi: mas é claro que sim. Estou a toda! *sorriso maldoso* E aí, quer dar um spoiler? e-ê
Allen: Está louco?! Nada disso, é feio provocar leitores. u-u *sério* A não ser que seja algo simples u-u
Lavi: simples? Pff, não curto. Olha como o simples é brega. *lança um olhar pervertido* E aí, vamos pra um cantinho? É podre! Parece cantada de pedreiro. Tem que ser algo como... *olhar sedutor* E sem mais palavras, partir pro ataque, assim! *agarra Allen pela cintura e dá um selinho nos lábios dele* Romance, só mais tarde, viu? ♥
Allen: *Cora* Meu Deus, vamos logo para a história. .///.

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Sorri para Allen. Cara, que coincidência incrível!

Maria era uma bela senhora de longos cabelos castanhos e imensos olhos verde-água. Trabalha como design de moda. Não, ela não parecia com Allen. Teria ele puxado para o pai?

– Filho, esta é Maria Marian, mybest friend.

Sorri para Maria e pedi sua mão, ela aceitou a cortesia e beijei o dorso dela.

– É uma honra conhecê-la. Mamãe sempre falou muito de você. – Eu disse.

– Galante como o pai. – Disse Maria e olhou para Jane.

– Sim. E tem o mesmo humor de comediante. – Concordou mamãe.

– Terei isso como elogio, mãe.

– Fazer o quê? É seu charme. – Ela bateu de leve no meu ombro, sorrindo.

Ri. Jane Bookman é uma senhora bem divertida quando não está estressada ou aprontando alguma no seu imenso tempo livre.

– Onde está o pai? – Perguntei.

– Lavi está lá fora, se desvencilhando de alguns problemas da editora.

– Entendo.

Meu pai sempre está ocupado, por isso quero um trabalho mais tranquilo e que traga menos estresse do que ser editor, mas por ser filho único, herdarei a editora Bookman. Faço dois cursos de meio período e vivo assim, entre o sonho e a realidade, fotografia e letras.

– Júnior, por que não vai conversar com Allen? – Mamãe afagou minhas costas – Eu e Maria pensávamos que não se conheciam, iriamos apresentar nossos filhos um ao outro, mas vimos que já são bem íntimos.

– Na verdade, acabamos de nos conhecer em Cherry Park. – Sorri, eu o chamava pelo primeiro nome por puro “entrosamento”, talvez a situação em que nos conhecemos proporcionou isso – Eu pensei que ele fosse um ladrão.

Allen riu, porém nossas mães fizeram caras de espanto.

– Não, eu não tentei roubar nada. – Ele explicou, abriu as mãos para cima e abanou-as no ar, mostrando que não tinha intenção de parecer um ladrão.

– É, mas – Eu completei a explicação – Como todo homem prevenido que sou, tomei a atitude de me defender.

– Mas eu não tentei roubar nada. – Repetiu Allen, olhando firme para as senhoras.

– Foi como um encontro romântico? Quero detalhes! – Exigiu Jane, cruzando os dedos e apoiando o queixo entre as mãos.

– Como sempre levando a conversa para o lado errado, hein, senhora Bookman? – Ela fez uma careta, depois voltou a atenção para Allen.

Contei tudo resumidamente. Jane, não satisfeita, exigiu mais detalhes, esses ficaram a cargo de Allen. Aff, como mulheres são curiosas. Até mesmo Maria, que me pareceu reservada, estava acompanhando a conversa direitinho, entretida e comum sorriso amável. De repente, Cross Marian entrou. Logo eu soube que era pai de Allen, pelas roupas formais, andar e porte elegante. Cross é um ex-cientista que ganhou vários prêmios Nobel e que descobriu a cura da AIDS.

Jane me dissera que todos os Marian são pomposos e ricos. Ostentam a riqueza e esbanjam um pouco isso, mas são boas pessoas. Arrã. Pude notar pela estrutura, o ambiente e a família. A mansão, os inúmeros empregados domésticos, a maneira de falar, tudo tinha um toque de nobre.

Faltava meu pai, Lavi Bookman deveria estar no telefone ainda, resolvendo os pepinos do trabalho. Falando em pai, Cross não parece nem um pouco com Allen... Quero dizer, o Allen não parece com ele... Cross é ruivo e parece um pai-punk! Enfim, será Allen a cara do avô ou da avó? Vou lembrar de perguntar a quem ele “puxou” depois.

Sentamos a mesa de jantar, enorme, como daqueles filmes de época. Cross sentou na ponta, Maria a seu lado direito e Allen, ao esquerdo. Sentei do lado de Allen, a mando de mamãe e ela sentou a minha frente.

– Engraçado. Você é ricaço, mas não é mimado. – Disse a Allen.

– Obrigado, eu acho. – Ele sorriu, ficando sem graça.

– Acho que você foi trocado na maternidade, sabe?

Allen franziu o cenho, uma grande interrogação pairava em seu semblante confuso e chateado, apressei-me em explicar.

– Ah, é só uma maneira de falar, não fique zangado.

– Não, não foi nada.

Ele apoiou os dedos na testa e pressionou-os. Fechou os olhos, incomodado com alguma coisa. Será que eu falei o que eu não devia? Allen pediu licença, levantou e saiu.

Merda, realmente falei o que não devia. Cocei a nuca, encostando a cabeça na mesa e recebi “puxão de orelha” de Jane. Pedi desculpa e ela me alertou: “tenha modos!”, mas eu fiquei preocupado e não é que eu não os tenha, é que, com Allen, me sinto a vontade. Apesar dele se fechar em si... Poxa, eu queria saber mais sobre ele. Pra não bancar o curioso chato, evitarei mais perguntas.

Allen voltou e sentou ao meu lado. Sentei direito na cadeira e vi meu pai chegar. Lavi Bookman, sempre trajando terno e gravata, ruivo de pequenos olhos castanhos, sorria somente quando necessário e fazia piada de tudo, tive a quem “puxar”.

– Ora, ora. Allen Walker, não é? – Papai sorriu, estendendo a mão como um grande negociante – Fazia tempo que queria conhecê-lo.

– Prazer, senhor Bookman. – Allen ia levantar, mas papai baixou o tronco e apertou a mão dele.

Espera aí. Walker? Não é Marian? Minha cara não parecia muito diferente da espantada, pois Allen percebeu. Ele diminuiu o sorriso e virou para papai. Estava se sentindo estranho ainda, eu acho.

– Soube que você toca piano muito bem, Allen. – Disse meu pai.

– Ah, nem tanto, senhor... – Ele sorriu, envergonhado.

– Pode tocar para nós depois que servirem o jantar? – Pediu Jane do outro lado da mesa, ela não perde uma conversa de seu interesse.

– Mãe! – Eu disse.

– Ora, mas você também acha piano lindo. – Ela argumentou, jogando isso na cara de Allen que só sorria, sem jeito.

– Mas, somos visita, ficar pedindo coisas assim... – Não sabia mais o que dizer depois de ser desmascarado.

– Tocarei. – Disse Allen, saindo da sala – Só vou tomar um remédio e já volto.

O quê? Ele tava se sentindo mal ainda? Não pude acompanhá-lo, pois o jantar foi servido e minha mãe ordenou que eu firmasse a bunda na cadeira. Isso ela transmitiu com o olhar de mãe autoritária.

Allen voltou para a mesa e nenhum diálogo foi trocado até todos se servirem da sobremesa. Meu telefone vibrou, pedi licença e levantei para atendê-lo. Escutei mamãe resmungar algo como “igualzinho ao pai” e voltei um sorriso para ela.

– Alô? – Atendi quando estava do lado de fora.

– Ah, Lavi. Que bom que atendeu... – Escutei a voz da pessoa que eu menos queria ter contato no momento, mas eu tinha que responder, eu queria ouvir mais.

– Oi, Lee. – Tentei ser o mais legal possível e distante, já que tínhamos terminado o namoro, éramos só amigos.

– Como está o clima aí?

– Ótimo. – Sorri. A voz dela ainda me afetava infelizmente – E New York city?

– Ótimo também.

Escutei o barulho do trânsito, carros, pessoas. Lenalee deveria estar numa calçada movimentada, Nova York, a cidade não parava, ela também não.

– É... Eu sei. – Eu disse vagamente.

“Resolvi mudar de cidade mais por sua causa, sabia? Você me faz sofrer.”. As palavras estavam entaladas em minha garganta e engoli em seco, não as vomitaria agora.

– Volta quando? – Ela perguntou, num tom casual.

“Nunca, talvez.”. Abafei o suspiro e bati na testa, meus pensamentos poderiam sair em voz alta, aí sim eu estaria encrencado.

– Meu pai tem uma editora aqui em Tóquio, acho que vou transferir meus cursos pra cá... Eles estão esperando minha aprovação. Mamãe também não vai ter dificuldade de se adaptar, ela é uma dondoca dona-de-casa, você sabe.

Lenalee pareceu sorrir, depois disse preocupada:

– Então, não volta mais?

– Pra te visitar? Acho que seria capaz de atravessar o mundo.

Ela riu. Eu falava sério, só que aquele amor que eu sentia por ela acabou quando ela proferiu o “está terminado” seguido do “será melhor pra nós dois”.

– Sério? – Perguntou, a voz embargada de bom humor.

Claro que é sério! Fui embora dizendo que te amava e você duvida disso? Porra, Lenalee.

– Nem, não quero levar outro fora. – Neguei e soltei um riso cansado. Agora sim, tava brincando. Silêncio. Me distraí com os vagalumes do quintal, eles dançavam pulando de uma folha para outra e tinha uma cerejeira mais ao fundo. Que tipo de casa tinha pés de cerejeira como residências da Era Edo e parecia mansão do século XXI? Só aqui, na mansão Marian. Caminhei até a árvore frondosa, parecia tão solitária quanto eu.

– Tenho pensado muito em você... – ela disse.


– Não brinca. – Calei de repente. “Hunf. Duvido!”.


Lenalee bufou, depois expirou o ar pesadamente.

– Quando eu digo, você não acredita... Ah, não. Tenho que desligar.

Encostei-me na grande árvore, sentindo o vento fraco como se fosse o toque dela se esvaindo... Ela já vai.

– É, seus créditos devem estar evaporando. – Ri forçadamente.

– Não ria! Liguei para saber como estava. – Lenalee não percebeu que estou mal, beleza. Rápido, eu tenho que desviar o assunto. Não quero perguntar se ela estava preocupada comigo, porque eu estava com ela e meu peito... Dói.

– Só atravessei alguns fusos horários e não sinto enjoo no avião. – Eu disse o mais natural possível – Gosto de altura.

Lenalee soltou um suspiro trêmulo, estaria mesmo preocupada?

– Lavi, prometa que vai me ligar.

– Okay, te ligo.

– Me ligue, por favor.

– Já disse que ligo, bobinha.

– Boa noite. Até logo.

– Boa. Até.

Desliguei a chamada, desliguei o celular em seguida. Droga. Ela sabia até que era noite aqui... Parecia desesperada e preocupada... Ah, não. Deslizei e sentei no chão. Estava frio, como meu coração. Apoiei as palmas na grama e encostei a cabeça no tronco, olhando para cima.

Pétalas caíram em meus olhos, esfreguei-os. Tive vontade de chorar, de novo. Não por causa dela, por minha causa. Eu quis ir embora, eu que a deixei, mas ela foi quem terminou comigo. Eu a amava muito... Ah, como dói, como pesa esse maldito sentimento.

– Lavi? – Escutei Allen me chamar de longe.

Minha mão estava agarrada a blusa como se quisesse arrancar meu coração gélido. Sim, eu abandonei a pessoa que amava por causa da família, negócios e carreira, não merecia ser consolado por ele, nem por ninguém.

– Oi, Allen. – Dei um sorriso duro.

– Oi. – Ele refletiu meu sorriso – Aconteceu alguma coisa?

– Tudo. – Respondi rápido demais, assim como aceitei quando ela terminou comigo. Abracei minhas pernas. Não quero mais sofrer por isso... Não quero mais pensar. Mais pétalas caíram e eu tive que sacudir meu cabelo para tirá-las.

– Tudo? – Ele repetiu, acercando-se de mim.

– Tudo que eu não queria que acontecesse... – Escondi minha cara nos joelhos. Não estava a fim de falar dela, mas era a primeira vez que alguém perguntava como eu estava de forma tão sutil. – Ex. – Acabei falando novamente e observei a reação do meu ouvinte.

Allen piscou, fazendo cara de nada e a vontade de chorar que eu tinha foi levada pra longe com o vento que levantava as pétalas. Pelo menos eu não iria chorar pateticamente.

– Ex-namorada. – Eu disse.

– Ah. Deve ser complicado...

– É complicado, principalmente, quando ainda gosta da pessoa e ela fica de brincadeira com você. – Putz, fiquei com raiva dela. Não quero descontar no Allen. Franzi os lábios, melhor ficar calado e encerrar o assunto.

– Quer doce?

– Quero, tô precisando. – Ia pegar o prato dele, mas Allen afastou a mão.

– Vou trazer pra você.

– Não, eu como do seu prato mesmo. – Dei um sorriso fraco.

– Mas...

– Eu quero que fique aqui comigo. – Segurei seu braço – Por favor, Allen.

Ele parecia chocado. Ah, droga. Fui rude com ele?

– Foi mal... Te tratando assim e sequestrando seu doce... Posso comer mesmo?

– P-pode.

Sorri e peguei o prato. Eu estava sendo falso, tentando ser forte e bancando o fraco. Pedindo ajuda de um cara que eu mal conhecia, mas que eu sentia que poderia ser meu melhor amigo.


– Está tão gostoso... – Eu disse, com a colher na boca.

– É, está. – Ele sorriu, sentando-se do meu lado.

Creme de morango com cobertura de chocolate e chantili, delícia. Me fez até esquecer... Coisas como sofrer... Será que ainda vou amar alguém sem me machucar tanto?

– Lavi, vamos sentar ali. – Allen apontou para o banco do quintal – É tranquilo e todos já estão dentro de casa.

Ele quer que eu desabafe?

– Vamos. – Sorri.

Levei o doce comigo, não conseguia mais largar e comi o resto durante o trajeto. Atravessamos caminhos feitos com mármore, subimos uma escada baixa feita de granito e sentamos numa cadeira de balanço. É, lembrei minha infância nesse balanço. Allen empurrou, colocando em movimento a grande cadeira.

Mas eu não queria falar sobre Lenalee, lembrar era como reabrir as feridas. Não ia falar, não agora, eu estava despreparado e com medo de sofrer. Não era bem medo, só estava me poupando. Olhei para o lado. Allen parecia tão sereno, tão tocável... Parei minha mão a centímetros de seu rosto e ele notou que eu ia fazer alguma coisa.

– Pétala de cerejeira! – Eu disse e fingi tirar algo entre seus fios prateados.

O cabelo dele era tão macio e os olhos tão grandes, nublados... A boca fina e... O que diabos estou pensando?!

– Obrigado, Lavi. – Ele sorriu – Quer mais doce?

– Hã? Ah, não! Valeu!

Allen ergueu uma sobrancelha, lascou. Se eu dissesse que o via como um irmãozinho, ele iria me perdoar por ficar me contorcendo desse jeito para não apertá-lo? Pense em outra coisa, Lavi!

– Allen, você já namorou alguém? – Coloquei a colher na boca.

– Que pergunta... – Ele corou. Evitando olhar pra mim, focou as estrelas acima de nós.

– Hm, não?

– N-não. Não ainda. – Continuou me evitando.

– Nem beijar? – Perguntei em seguida.

– Lavi! – Finalmente olhou para mim e estava um pimentão. Ri e ganhei um soco fraco no estômago.

– Foi mal, foi mal. É que você é um mistério, senhor Walker.

– Eu? O misterioso é você. Fica sorrindo sempre e ficou triste de repente.

– Ah, você notou...

– Claro que notei. Porque você... – Tapou a boca.

Suas bochechas estava ficando vermelhas de novo. Que graça, se esse cara fosse garota, eu iria atacá-lo. Meu Deus! Qual o meu problema hoje, hein?!

– Eu o quê? – Perguntei. Não pude deixar de perguntar, torturá-lo um pouquinho não mata, né?

– Gosto da sua companhia... – Disse e corou muito.


– Também gosto de você. – Sorri, batendo de leve nas costas dele. Ele corou mais ainda. – Não fique assim, Allen. Parece até que tá se declarando pra mim. – O rubor cresceu mais ainda. Nossa, ele vai explodir. – Allen?

Tive impressão de ouvir os batimentos dele, acho que foi só impressão. Ele ardia em febre, percebi ao colocar minha mão em sua testa.

– Pegou gripe...? – Eu disse, em dúvida.

– T-tenho que ir. – Levantou. Afastou-se da cadeira de balanço quase tropeçando sobre os próprios pés. – Desculpa não poder acompanhá-lo. – Reverenciou – B-boa noite.

– Allen, espera. – Levantei, peguei o prato e a colher. Virei e o vi atravessar o quintal, correndo aos tropeços, chegou até a entrada. Ele não estava se sentindo bem desde o jantar.

Notas finais
Lavi: Ei, ficamos muito agradecidos pela recomendação. Vlw, Nai-chan. Torça por mim, ainda pegarei o Allen de jeito. *-*/
Allen: Lavi! *Dá soco no ombro dele*
Lavi: ah, foi mal. Agradeço a todas vocês, leitoras ~~ ♥ Enquanto a pegação não vem, continuo com minhas investidas *bagunça os cabelos de Allen e dá outro selinho, segurando-o pelo queixo* Não esqueça de abrir a boca no próximo beijo *sorri*
Allen: Mas... Obrigado pela recomendação Nai-chan também e... *Parecendo um pimentão* Só faço isso lá para o capitulo 4. *Mostra língua*
Lavi: TÁ LONGE! Não aguento esperar... Mostre essa língua de novo e ganha mordida! Vem cá, Allen. *tenta abraçá-lo* e-é
Allen: NHAAA ;///; *Abraça ele e esconde o rosto.* Até mais leitores, nos vemos no próximo capitulo. ;///;/
Lavi: até ~~ E não esqueçam de comentários felizes EwE *agarrados/censurado*