– Porra Daniel!
Harry gritava pela milésima vez comigo querendo que eu fizesse algo para mudar aquela situação. Será que Harry esqueceu que eu não funciono sobre pressão? Depois de muitas tentativas eu bufei, encarando pelo espelho – que, diga-se de passagem, estava cheio de digitais –, o nó muito mal sucedido que eu tinha feito naquela gravata borboleta. Fitei o reflexo de Harry que demonstrava de longe o quão alterado estava e sorri. Sorri sem vontade alguma.
– Você acha que para mim é fácil Harold? – Minha voz entregava fielmente o meu desespero. Pigarreei baixo, banhando minha voz em uma falsa confiança, que nem eu sabia de onde havia saído. – Não querem o bem da banda? Então que Tom se case e seja muito feliz! – Cuspi tudo de uma vez, deixando minha dor – mal camuflada –, ficar explícita em minhas palavras.
– Então é isso Danny? Vai fazer “a coisa certa”?
Eu ri, sentindo o peso da ironia de suas palavras cair todo sobre mim.
– Ora ora ora, Harry Judd sendo a favor da imprudência? – Virei-me de frente pra ele. Como havia conseguido arrumar a gravata? Só eu não sei dar nó nisso? Saco!

– Deixe de estupidez Danny! Pela primeira vez na vida seja você sem se importar com o que os outros vão dizer!
Harry voltou a gritar, sua face tomando um tom avermelhado devido a sua raiva.
– Você quer dizer burro? Desligado? Nah, estou muito bem assim.
Voltei minha atenção ao espelho, passando os dedos por minhas madeixas bagunçadas. Harry bufava, chutando o sofá velho colocado ocasionalmente no canto daquela salinha. Quem em sã consciência dava aos padrinhos uma salinha estúpida dessas para se arrumar? Achei que Thomas tinha escolhido uma igreja decente para o seu casamento. Casamento... Tom... Giovanna... Merda!
– Faça o que você quiser, eu vou atrás do Dougie. E ah! Isso é pra você.
Harry largou um envelope de carta preto em cima do sofá e saiu, me deixando sozinho com a minha curiosidade. Caminhei até o sofá, sentindo meu coração doer quando – mesmo de longe –, reconheci a letra de Tom naquele envelope negro. Estava escrito o meu nome na parte frontal do envelope com uma caligrafia bonita, arrumada e dourada. Tudo lindo, algo digno do capricho de Tom, meu doce Tom.
Depois de perder por minutos a atenção, resolvi abrir o envelope. Tinha uma folha de caderno toda preenchida com a caligrafia de Tom. Respirei fundo, buscando dentro de mim a coragem de ler. Coragem essa que eu achei que não teria.

”Hey Dan, tudo bem? Espero que esteja melhor que eu e que ao final desta carta, deixe de me odiar...”

Deixar de odiá-lo? Eu nunca em todo o tempo que estive com Tom o odiei, nem por um segundo sequer! Nem quando me disse que ia se casar com a Falcone, arg.

”Eu quero te agradecer e me desculpar por tudo. Me desculpar por tudo que tenho te feito passar. Agradecer por todas as coisas maravilhosas que me deu, todos os sorrisos dos quais vou me lembrar pra sempre, todos os beijos, os melhores de toda a minha vida! Por todas as noites imersas em prazer, todas as noites que me provaram que só contigo eu sou realmente completo. Eu não fiz por merecer nem um terço do amor que você me deu, mas por favor, nunca duvide de tudo que eu já te disse. Te amar é a única coisa real sobre mim. Eu te amo Danny e eu faria de tudo para salvar o nosso mundo, faria tudo para não te perder. A escolha é sua e nossa. Eu te amo meu sardento.

xx Fletcher Skywalker.”


Lágrimas escorriam por minhas bochechas quando terminei de ler. Encarei meu relógio, eu só tinha quatro minutos até que Tom entrasse no altar. Só tinha quatro minutos para “salvar o nosso mundo”. Eu não reparei quando comecei a correr, mas eu me vi correndo pelo corredor daquela igreja. Que lugarzinho grande, puta merda! Avistei uma beata arrumando um arranjo de flores no altar. Espera, como eu vim parar aqui? Anyway...
– Senhora, onde fica a sala do noivo?
– Eu não sei, naquele corredor ali.
A velhinha apontou o corredor de onde eu vim e eu tive vontade de matá-la.
– Terceira sala à direita.
Virei-me, dando de cara com Harry que sorria pra mim. Lancei a ele um sorriso em agradecimento antes de seguir o caminho dito pelo rapaz. A maçaneta girou com facilidade, difícil mesmo foi entrar na sala, mas eu o fiz. As costas de Tom foram as primeiras coisas que vi. Ele estava lindo, encarando-se no espelho, tendo a mesma dificuldade que eu tinha a alguns minutos atrás: dar um nó em sua gravata.
– Eu pensei que soubesse fazer isso.

Ele se assustou. Seu olhar refletido no espelho buscando o meu, mas talvez não fosse o suficiente e ele se virou, encarando-me frente a frente, apesar da distância.
– Você também não arrumou a sua. – Ele apontou e eu sorri envergonhado.
– Eu não sei fazer isso, preciso da sua ajuda.
Acho que temos algum tipo de sincronia, pois nós começamos a caminhar ao mesmo tempo. O espaço que ficou entre nós era pequeno, mas ainda não era o suficiente pra mim e isso me deixava ainda mais nervoso.
– Você veio até mim só para pedir ajuda com a gravata? – Levantei o envelope preto até a altura de seu rosto. Suas bochechas tomando um tom rosado tão adorável como sempre. Deus, eu amo esse garoto! – Ah! A carta, você hm...
– Eu amei Tommy. – Seu sorriso me causou borboletas no estômago. Aquelas borboletas sempre presentes quando Tom estava por perto. – E eu não te odeio ok?
– Ah! Ótimo! Isso é bom não é? – Assenti. – Olha Dan eu...
– Foge comigo Tom. Eu não me importo com o que vão dizer, eu aceito TUDO se você estiver comigo. Eu só tenho alguns poucos minutos pra resolver tudo isso, me ajuda a te fazer feliz Tommy, por favor.
Tom pegou minha mão, automaticamente nossos dedos se entrelaçaram e nossos sorrisos brotaram naturalmente. Tom que tomou a iniciativa de nos tirar dali. Harry nos esperava nos fundos da igreja. Aquilo tudo era combinado?
– Vão no meu carro, ninguém vai desconfiar dele.
– Pra onde exatamente nós vamos?
Todos nós ouvimos passos e olhamos para o pequeno Dougie que vinha correndo em nossa direção.
– Tom, Danny... – Ele arfava, apoiando-se em seus joelhos, visivelmente cansado pela corrida. – Tomem, vão embora daqui.
– Mas o quê? – Eram duas passagens para o Caribe. As passagem da Lua de Mel de Tom. – Nós vamos pra lá?
– Só se você quiser ir comigo. – Tom sorriu.

– Mas é claro! – Meu sorriso foi automático.
– Ta, se amem no avião. – Todos nós começamos a gargalhar, a alegria voltando aos quatro. Observávamo-nos, os quatro. Era ali que se encontravam meus verdadeiros amigos.
– Obrigado caras, não conseguiríamos sem vocês. – Abracei Harry e Dougie ao mesmo tempo, sentindo uma vontade imensa de chorar, mas de felicidade.
– Não é nada vai, queremos vocês bem.
– E eu preciso do Tom feliz, senão não tenho bons conselhos não é? – Dougie abraçou meu menino e logo nós estávamos no carro, indo em direção ao aeroporto. Havia muitas fãs nossas por lá, nos reconheceram quando estávamos no balcão de atendimento trocando o horário das passagens. O engraçado de tudo é que Harry e Dougie acreditavam tanto na gente, que no carro – mais precisamente no porta-luvas –, estavam nossos passaportes, documentos em geral e cartões de crédito. Amigos melhores? Impossível!
Tenho medo de viagens aéreas sabia? Mas eu não percebi nada depois que os lábios de Tom se chocaram com os meus. A viagem passou rápida, bastante divertida. Acho que nada mais seria chata na minha vida, eu tinha comigo tudo o que eu precisava para ser feliz! Eu tinha Tom, o amor pelo qual eu esperei a minha vida inteira. Eu tinha uma carta onde os sentimentos de Tom estavam escritos pra mim com a caligrafia mais linda de todo o mundo. E é claro, meus cartões de crédito. Graças a Deus eu tinha um salário bem gordo pra oferecer ótimos momentos a Tom. Ai ai, eu nunca gostei tanto de ser um integrante do McFly em toda a minha vida! Ah não, eu gostei quando conheci Tom.
Caribe? Aí vamos nós!


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