Found Happiness
1 Capítulo 1 - Relembrando
Tony suspirou infeliz, essa era a terceira conferência de imprensa que ele participava no último mês. Mas ele não estava surpreso, depois da guerra civil dos Vingadores, como a mídia chamava, todos os abandonaram e ele foi deixado para lidar com a bagunça. O engenheiro participou de reuniões suficientes para explodir a cabeça e tentou entrar em acordo com a ONU, mas tudo saiu pela culatra e ele foi considerado o culpado de toda a confusão, pois sendo o único vingador original no país toda a responsabilidade caiu em seus ombros. E claro, toda a questão financeira ficou a cargo das Indústrias Stark. Ah e não esqueçam que a culpa era dele por começar a briga (Sarcasmo, pessoas, sarcasmo), mesmo que a ideia dos Acordos tenha surgido dentro do Comitê das Nações Unidas.
O bilionário estava exausto, suas noites eram regadas de pesadelos: seja do buraco de minhoca que ele entrou para salvar Nova Iorque, da confusão com Ultron ou do escudo do Capitão em seu peito; e não vamos esquecer que o frio agora era mais uma coisa para colocar em sua lista de PSTD. E para não o deixar descansar de jeito nenhum, seu amigo Stephen sofreu um acidente e seus ataques de pânicos pioraram um pouco mais.
Como se isso não fosse o suficiente, Tony teve que enfrentar Ross e o Concílio dos Acordos. Assim como teve que enfrentar o Concílio de sua própria empresa, que também o queria comer vivo; e para fechar com chave de ouro, a população dos EUA foi gentil em lembrar que ele não passava de um empresário egocêntrico e arrogante que não merecia o título de herói. Contudo, para Tony o que mais doeu foi eles voltarem a usar o título de mercador da morte que ele tanto odiava. E Tony ainda não entendeu o porquê de tanto ódio, pois nem em Lagos ele estava.
Era como se ele voltasse a ser aquele Tony Stark de 2008.
Ainda perdido em pensamentos, ele ouviu o som de saltos e sorriu um pouco:
“Tony”. Pepper apareceu e se aproximou dele o tirando do devaneio com um olhar triste. “Você está bem?”
“Estou”. Ele abriu um sorriso, mas não alcançou seus olhos e ela não foi enganada. “Tudo está pronto?”
“Sim”. Ela disse e o encarou com ternura e compaixão. “Você tem certeza de que vai fazer isso?”. A CEO perguntou mais uma vez. Essa conversa foi repetida diversas vezes nos últimos dias e mesmo assim ela queria a confirmação que ele não se arrependeria. “Você sabe que essa decisão é muito séria, não sabe?”.
“Claro que sei”. Tony suspirou, seus ombros se curvaram um pouco e ele sentiu o peso da decisão o oprimindo. Pepper o conhecendo tão bem, se aproximou dele e o puxou para si tentando consolá-lo. Ele descansou a cabeça no abdômen dela, e ela alisou seu cabelo gentilmente. Algo que costumavam fazer quando eram um casal e que o gênio amava receber. “Não foi uma decisão fácil, mas uma necessária. Eles estão querendo isso há muito tempo, então só vou realizar os desejos de todos”.
“Não é toda a população que quer isso, Tony”.
“Eu sei que não. Porém, quando a maior autoridade do País afirma que não seria uma má ideia meu afastamento, é difícil não ouvir”. Ele resmungou. “Então só vou fazer o que esperaram tanto de mim todos esses anos”.
Pepper não sabia o que dizer, ele tinha razão quanto ao desejo da população norte-americana. O Homem de Ferro poderia ser um herói, mas nem todos o aprovavam, não com sua vida anterior. Mesmo que ele não fosse mais aquele homem. E a empresária estava tão exausta quanto ele, e se Tony precisava dessa pausa, ela não o impediria. Até porque o motivo pelo qual eles terminaram seu relacionamento era porque ela não conseguia fazê-lo parar. Contudo, agora que ele estava disposto a fazer exatamente o que ela queria, Pepper começou a entender o quanto machucado ele estava. Ela apenas se apegou ao fato que ele não estará mais em constante perigo e com o tempo ele conseguiria conviver com essa decisão e seria feliz.
“Tudo bem, mas lembre-se que eu estarei aqui para apoiá-lo. Você não está sozinho”.
“Eu sei, Pep”. Ele sorriu, se levantou e beijou a bochecha dela. “Vamos colocar esse show na estrada”.
Com isso, ela assistiu o homem que se tornou seu melhor amigo se transformar em sua persona pública, mas dessa vez sem sorrisos ou simpatia, e como sempre fazia, ele escondeu seus grandes olhos castanhos atrás dos óculos escuros.
Pepper foi na frente e iniciou os discursos, assim como sempre. Era uma boa apresentação e o bilionário assistiu sua amiga, enrolar os repórteres em seu dedo mindinho. Quando a CEO o chamou, Tony entrou na sala de conferência com um pequeno sorriso, o burburinho encheu o local e ele esperou todos se acalmarem antes de começar seu discurso.
“Olá a todos”. Ele começou de forma educada e até quieta. “Imagino que estão fartos de ver minha cara esse mês”. Tony brincou e todos começaram a sorrir e ele ficou mais tranquilo quando a atmosfera ficou mais leve. “Bem--- como a adorável Srta. Potts informou, os novos lançamentos das Indústrias Stark serão feitos no próximo mês. Mas não é esse o motivo dessa conferência”.
Tony tentou não assustar os jornalistas, mas ele estava se sentindo tão cansado que não se importou em mostrar isso, se afastando do pequeno púlpito, ele se sentou na beira do palco e tirando os óculos. Os repórteres o encararam surpresos e tensos, e com razão, o bilionário tinha um olhar sério e sua postura era rígida, muito diferente do homem energético que eles conheciam. Christine Everhart, que sempre estava por perto quando ele fazia algum pronunciamento, sempre esperando mais um show do homem, ficou surpresa e o encarou curiosa, mas dessa vez ela realmente o olhou e viu que havia muito mais coisas ali. Todos podiam ver a exaustão nos olhos tão expressivo dele.
“Como foi combinado, eu falarei um pouco sobre algumas decisões dos Acordos”. Ele suspirou. “Ontem saiu a decisão da ONU e fui autorizado a informar tudo a vocês”. O bilionário parecia pensativo e as pessoas ao redor não gostaram muito disso, era como se algo ruim fosse acontecer. “Seis meses atrás o Concílio da ONU foi pego desprevenido quando o Capitão América não aceitou assinar os Acordos. E como falei anteriormente, sim eu tentei apresentar os benefícios que isso traria e que a Terra ficaria mais segura, contudo, não fui ouvido”. Ele apenas sorriu, mas era de forma tão triste que eles começaram a perceber que Tony era apenas um homem, assim como eles. Nenhum superpoder além de sua armadura.
“E como vocês devem lembrar as coisas não terminaram bem depois disso, brigamos com as palavras e logo acabamos aos socos”. Ele bufou ainda chateado. “Mas no final Rogers tomou sua decisão e discordou de 117 países, isso o tornou um fugitivo da lei; e os demais Vingadores foram com ele”.
Tony então se levantou e voltou ao púlpito, ele não queria se sentir ainda mais vulnerável quando terminasse seu discurso, ele estava se segurando o suficiente até agora. Ele não queria estragar tudo.
“Eu não pude fazer muita coisa. Tudo saiu do controle, mas a ONU decidiu que a culpa era minha por toda a confusão, já que fiquei no País e era o Colíder da equipe, tecnicamente. E era obrigação das Indústrias Stark pagar por tudo. Nada novo”. Ele deu de ombros, mas algumas pessoas no recinto se mexeram desconfortáveis, eles sabiam que sendo o bilionário que era Tony não ficaria pobre ao ajudar com reconstruções e tudo isso, mas ser o único penalizado quando muitos outros estavam envolvidos parecia injusto. “Com isso, eles perceberam que não sobrou muitos heróis. E resolveram começar o processo de perdão dos Vingadores fugitivos. E até ser concluído esse processo a iniciativa Vingadores estará fechada”.
A surpresa tomou conta de todos por um segundo, e então as perguntas foram gritadas. O gênio esperou pela atenção deles, mas o burburinho ainda era muito alto e ele retomou a fala:
“Acalmem-se por um momento, por favor”. Ele pediu ainda completamente sério e o silêncio voltou. “Como eu disse--- a iniciativa Vingadores foi fechada temporariamente, e não foi uma decisão minha. O Concílio da ONU juntamente com o Presidente desta nação deixou claro na reunião que sem o Capitão América não existe heróis”. Tony falou isso de forma clara e sem ressentimento, como se já esperasse isso. Alguns ali presentes ficaram um pouco ressentidos, o Homem de Ferro era um herói assim como todos os outros, por Deus, o homem tinha segurado uma bomba e salvado Nova Iorque de ser completamente dizimada.
“E antes que perguntem...” Tony voltou a falar. “Eu, o Coronel Rhodes e Vision fomos considerados insuficientes. E não se preocupem, Rhodes ainda está se recuperando de sua lesão, mas está bem, e posso falar por ele que essa pausa será uma coisa boa”. E todos viram quando a tristeza percorreu seu rosto. “Vision entendeu os argumentos que lhe foi apresentado e viu isso como uma oportunidade para conhecer melhor o mundo e agora deve estar em algum lugar fora do país. E quanto a mim--- bem, minha opinião nunca foi importante de qualquer maneira”. Ele sussurrou a última parte, quase como um pensamento perdido. “Enfim, caso queiram saber mais, a reunião já deve estar disponível no site oficial nesse momento. Dito isso, quero informar que recebi muitas cartas e sugestões de que o Homem de Ferro não é mais necessário. Nunca foi, na verdade”. Tony tentou se manter firme, mas sua voz estava um pouco mais rouca por causa de toda a emoção que ele estava escondendo. “Estou aqui para dizer que finalmente ouvi todos vocês e farei aquilo que por anos todos me pediram. Trinta minutos atrás minha aposentadoria foi apresentada ao Concílio dos acordos e para a ONU. Não existirá mais o Homem de Ferro. Obrigada e tenham um bom dia”.
Tony recolocou os óculos e saiu do palco, seu coração batia forte e ele quase podia sentir o ataque de pânico tentando o agarrar, ele mal ouviu o alvoroço que ficou para trás, ele apenas seguiu para o elevador e de volta para sua cobertura, pelo menos havia uma vantagem em morar onde trabalhava. E por sorte ele não vendeu a Torre, seria muito irritante ter que comprar o prédio de volta depois da confusão. Assim que chegou em sua sala de estar ele sussurrou para sua IA:
“Friday, bloqueio!”.
Assim que as janelas e portas fecharam ao seu redor, Tony se permitiu chorar. Toda a dor e cansaço dos últimos meses o oprimindo foram transformados em lágrimas e ele se deixou ser miserável. E claro, que tudo isso desencadeou um ataque de pânico tão forte que ele desmaiou de exaustão.
Quando finalmente acordou ele estava trêmulo e ainda sem fôlego, mas surpreendente no controle de suas emoções novamente. Entretanto, Tony ainda não estava disposto a enfrentar o mundo, todos estariam teorizando sobre cada palavra dita na conferência e ele não tinha ânimo para acompanhar isso. Por essa razão, ele se levantou e seguiu para o seu quarto, ele se esconderia como o covarde que ele se sentia. E eram em momentos como esse que a voz cruel de Howard o lembrava o quanto fraco ele era para um Stark.
Perdido em seus pensamentos autodestrutivo e paranoico, Tony ficou trancado no seu quarto por vários dias, ele não conseguiu reunir ânimo para ir mais longe do que o banheiro, qualquer pensamento em direção aos últimos acontecimentos desencadeava ataques de pânicos e muitas lágrimas.
Mas certa tarde ele pediu a Friday que abrisse as cortinas de uma das janelas, ele esperava ser saudado com o sol brilhante da primavera, mas ao invés disso uma chuva torrencial castigava Nova Iorque. Tony apenas bufou com a ironia do tempo, o clima resolveu se igualar com seu humor.
Era engraçado como as coisas se desenrolaram, ele pensou que ao se tornar o Homem de Ferro ele conseguiria preencher o vazio que ele carregou a vida toda, e no início foi assim, a alegria de salvar as pessoas e ser um herói o preencheu. Mas acabou rapidamente quando Obadiah o traiu. Contudo, a euforia voltou quando ele sobreviveu e anunciou que ele era o homem por trás da armadura, mas então o paládio quase o matou e ele quis saber se valeria a pena. E Tony achou que sim, já que Pepper o beijou de volta naquele telhado.
Depois dali as coisas tomaram um rumo turbulento, mas era uma vida agitada que o gênio aprendeu a amar. Ele tinha a mulher que amava nos braços, sua empresa era um sucesso estrondoso ao redor do mundo e ele era aceito. Não mais um playboy egocêntrico, não mais o mercador da morte. E então vieram os Vingadores e com eles a sensação maravilhosa de pertencer, ele teria uma família agora. Mesmo que os pesadelos o atormentassem por causa daquele maldito buraco de minhoca.
Contudo, tudo saiu dos trilhos.
Tony tentou não se sentir ingrato com o que o universo o deu nos últimos anos, mas ele estava exausto de nunca conseguir ser completamente feliz. Ele queria viver sem ter o peso do mundo em suas costas.
E ele tentou tanto fazer as coisas certas, mas onde isso o levou? Rhodey estava preso numa cadeira de rodas mesmo com as próteses feitas pessoalmente por Tony. Pepper ainda estava por perto, mas dessa vez apenas como amiga, e Tony entendia, ele realmente fez e isso o fez amá-la ainda mais. Happy era o único que estaria por perto imediatamente se ele precisasse, e o bilionário aprendeu que precisava ser gentil com seus amigos ou ele os perderia.
Enquanto seus pensamentos ficavam tão nublados quanto o céu que ele encarava, Tony ignorou as constantes vibrações de seu telefone, provavelmente era Pepper ou May querendo saber como ele estava. Ele simplesmente não estava pronto.
..
Os dias se passaram lentamente e Tony continuou deprimido em seu quarto, mas certa manhã ele foi arrancado de mais um pesadelo na Sibéria com mãos gentis em seu rosto. Ele pulou da cama assustado e com a respiração ofegante, ele olhou freneticamente ao redor e quando por fim seus olhos encararam os de Pepper ele voltou a respirar.
“Você está comigo?” Ela sussurrou, mas suas mãos estavam levantadas em um gesto apaziguador.
Com respiradas fundas, Tony afirmou e Pepper o persuadiu a voltar para cama, e assim como fez durante anos a loira o ajudou a controlar o pânico. Demorou um pouco até ele parar de tremer, mas agora ele estava com a cabeça em seu colo e respirando calmamente.
“Tony, estou preocupada com você”. Ela sussurrou e continuou brincando com seu cabelo, agora com cachos muito maiores. “Você está preso aqui há 15 dias”.
“Estou bem, Pep”. Ele sussurrou.
“Não, você não está”. Ela disse e agora correu os dedos pela barba cheia, muito distante do cavanhaque organizado. “Você está se matando. Não pense que não sei sobre seus dias aqui. Friday estava preocupada que você não estava comendo o suficiente e me deixou entrar em seu lockdown. E isso diz alguma coisa”.
Tony abriu a boca para fingir que tudo estava bem, mas ele estava tão cansado de mentir o tempo todo que apenas suspirou e se aproximou mais dela escondendo o rosto na barriga dela. Ele sussurrou alguma coisa, mas Pepper mal ouviu.
“Ei, querido, diga isso de novo?” Ela pediu.
“Eu---eu não sinto vontade de fazer nada”. Ele suspirou. “Eu estava tão acostumado em ser o Homem de Ferro e o bode expiatório dos Vingadores que não pensei que minha vida seria tão vazia sem isso”.
Pepper sabia que isso aconteceria, esse foi o motivo de várias discussões antes da decisão ser tomada. Por mais que fosse difícil, Tony amava ser um vingador, pois o instigava a ser melhor, e esse era o propósito que ele sempre procurou. E agora a CEO não sabia ao certo o que falar para ele sair desse sentimento de derrota e culpa, mas ela tentaria.
“Você sabe o quê? Você só está olhando para as coisas que perdeu”. Ela falou com entusiasmo e quase comemorou quando os olhos castanhos brilharam de interesse. “O que mais você queria fazer quando estava ocupado com os Vingadores?”.
Tony se sentou na cama ainda um pouco tonto, ele estava cansado e faminto, sua auto sabotagem estava cobrando seu preço agora. E percebendo isso, Pepper estendeu a mão para a mesa de cabeceira e o entregou uma sacola do Burguer King.
“Obrigado, Pep”. Ele sussurrou com a voz um pouco embargada e a loira sorriu, ela sempre esquecia que Tony precisava de um lembrete constante que era amado.
Os dois ficaram em silêncio enquanto ele comia, ambos confortáveis sentados contra a cabeceira da cama. Eram em momentos como esse que Pepper se arrependia de ter terminado tudo, eles tinham funcionado bem como um casal, mas até ela podia admitir que eles eram muito melhores como amigos, ela podia ser seu ombro para chorar sem todo o romance.
“Eu estava pensando em voltar a liderança do P&D, estou adiando isso há muito tempo. Tenho muitas ideias que não coloquei em prática”. Ele falou agora parecendo muito mais animado. “Tenho que conversar com alguns engenheiros quanto a aumentar nosso alcance com a energia limpa, preciso atualizar os Starkphones, precisamos olhar o setor de próteses...”
Enquanto falava, Tony se levantou e pediu para Friday começar a anotar; as divagações começaram imediatamente e Pepper sorriu; agora ela podia ver o Tony que ela admirava surgir. Suspirando, ela se levantou da cama para ir embora, seu trabalho ali estava feito. E o gênio já estava indo para o banheiro de qualquer jeito.
“Pep”. Ele gritou e voltou com um grande sorriso, ele estava sem camisa e seus olhos brilhavam. “Obrigado”. Ele falou e beijou sua bochecha. “Eu não sei o que faria sem você”.
“Você estaria perdido”. Ela sorriu divertida e se afastou. “E Tony... ligue o celular, tem pessoas preocupadas com você. As meninas já me ligaram inúmeras vezes”.
O bilionário suspirou, pois sabia quem poderia estar tentando entrar em contato com ele, mas Tony não podia reclamar, elas eram boas demais para ele. O gênio então decidiu falar com elas antes de entrar na oficina, ele se conhecia bem o suficiente para saber que ficaria preso no laboratório por dias.
Enquanto se olhava no espelho, Tony resolveu se reinventar completamente, a primeira coisa a fazer foi raspar a barba e dessa vez completamente. Era a primeira vez em anos que ele tinha um rosto limpo, ele sorriu ao perceber que estava até um pouco mais jovem e resolveu que não se importava com o que os outros diriam. Desse jeito ele não seria reconhecido e o gênio estava feliz em ficar anônimo, até porque depois desses dias sumidos, ele já não era mais o assunto do momento. Com isso resolvido, Tony tomou um banho rápido e se sentiu revigorado.
Agora pronto para o restante do dia, ele pegou o telefone e se encolheu com a quantidade de chamadas perdidas. Agora um pouco temeroso, Tony discou o número conhecido e esperou:
“Finalmente!” A voz irritada da mulher chegou em seus ouvidos. “Eu estava planejando ir até essa torre brilhante e chutar sua bunda”.
“E eu pensando que você fosse a mais dócil das pessoas, Christine Palmer”.
“Você acha que sou ruim?” Ela falou divertida. “Deixe May saber que você está no telefone”.
“Christine, eu ficaria feliz em não ter meus tímpanos estourados pela Sra. Parker”.
“Não fui eu que ignorou o telefone”.
“Christine...” Ele tentou, mas a voz agora era de outra pessoa.
“É melhor você aparecer aqui nas próximas 24 horas”. May falou séria. “Estamos preocupadas com você e já temos preocupação demais com Stephen sumido”.
“Stephen sumiu? Quando diabos isso aconteceu?”
“Apareça no hospital e eu vou pensar se divido as notícias com você”.
Antes mesmo de responder a linha ficou muda e ele suspirou, ele não tinha outra saída a não ser ir até o Metro-General Hospital. Mas ele se culpava completamente por ter tantas mulheres fortes ao seu redor, e no fundo Tony sabia que não sobreviveria sem elas. Suspirando, ele se entregou ao destino. E pensar que toda essa amizade começou por causa de um congresso de ciências e uma boate.
...
2007
Tony abriu os olhos e se arrependeu imediatamente, ali estava muito claro, tudo muito branco e ele tentou lembrar onde diabos ele estava e o que aconteceu.
“Olha quem acordou”. Uma voz feminina falou e ele olhou em direção a mulher. Ela tinha longos cabelos castanhos e uma sobrancelha arqueada em desafio. “Como vai, bela adormecida?”
Era óbvio o sarcasmo na voz dela, e Tony a encarou confuso, ela não parecia com alguém que ele conseguiria levar para cama facilmente. Oh não, essa o comeria vivo e esconderia seu corpo. E pelas roupas que ela usava, não era uma conquista de uma noite, foi então que ele percebeu que estava em um hospital.
O que diabos tinha acontecido?
“Onde estou?” Ele perguntou e sua garganta doeu um pouco. Ótimo, agora ele poderia estar doente de verdade.
“Metro-General Hospital”. Ela falou e suspirou quando percebeu toda a confusão dele. “Do que você se lembra?”
“Eu estava--- é---”. Ele resmungou tentando lembrar. Então seus olhos se arregalaram. “Droga! Estou em Nova Iorque”.
“Sim, você está. Parece que a noite foi bem caótica, Sr. Stark”.
“Deus--- Obie vai me matar”.
“Você tem mais algumas horas para se esconder aqui se quiser. Você sabe, com a concussão e tudo”. Debochou a enfermeira.
“Eu acho que sim”. Ele disse e fechou os olhos, ele aproveitou para se acalmar um pouco e tentar lembrar como ele foi parar ali.
Não demorou muito e sua cabeça confusa lembrou de alguns detalhes, ele foi para Nova Iorque para um congresso de engenharia, pois era o que realmente gostava. Obadiah não queria que ele perdesse mais uma reunião com os investidores, mas Tony o convenceu. Então ele foi para o hotel, assistiu a palestra e depois foi para uma boate que tinha ali por perto. Depois disso as coisas ficaram um pouco mais turbulentas, ele lembrava de algumas bebidas e--- oh, ele lembrou. Ele tinha flertado com uma mulher que estava acompanhada do namorado e dos irmãos.
Tony realmente tinha que aprender a manter sua boca inteligente fechada.
“Estou apagado há quanto tempo?” Ele quis saber.
“2 horas”. Disse a mulher.
“E que horas são exatamente?” Tony perguntou quando tentou se sentar. Mas sua cabeça começou a latejar.
“Fique quieto”. Ela o empurrou gentilmente de volta ao travesseiro. “Ainda são duas e meia da manhã”.
“Oh... Ok”. Ele sussurrou e fechou os olhos, contudo, sua boca não ficou calada por muito tempo. “Você não parece gostar muito de mim”. A enfermeira revirou os olhos, agora ela teria que aguentar o playboy sendo um idiota pervertido.
“Desculpe se eu não aprovo seu comportamento”.
“Hum--- ninguém aprova”. Ele sorriu debochado.
A mulher o encarou e abriu a boca para protestar contra suas palavras ou apenas rebater sua moral, mas quando o viu, ela percebeu que isso não passava de uma fachada. O homem tinha um sorriso sarcástico, mas seus olhos pareciam triste. E mesmo sem perceber, a mulher sentiu sua raiva ir embora. Ela conhecia pessoas quebradas física e emocionalmente, seu trabalho como enfermeira a fez muito mais empática do que queria. No entanto, antes de expressar seus pensamentos, outra mulher entrou no quarto com uma prancheta nas mãos:
“May!” Ela quase gritou. “Graças a Deus--- ainda bem que é você aqui”.
“O que houve, Christine?” Quis saber a enfermeira em alerta.
“Oh desculpe, não é nada grave, apenas alguns das novatas querendo entrar aqui e tirar uma foto do bilionário”.
As duas mulheres reviraram os olhos ao mesmo tempo e isso fez Tony soltar uma risadinha, foi então que Christine viu que seu paciente estava acordado. Suspirando ela entregou a prancheta a May para avaliar os resultados dos exames.
“Que bom que acordou, Sr. Stark. Os resultados da ressonância chegaram e está tudo bem”. Ela disse com um sorriso tenso.
“Isso é bom”. Ele afirmou empolgado. “Posso sair daqui?”
“Não”. Disse uma voz masculina e todos os três se viraram para a porta onde um homem alto com olhos azuis gélidos estava. “Você tem uma concussão e como seu neurologista digo que precisa ficar em observação”.
“Oh vamos lá”. Tony choramingou. “Eu tenho certeza de que posso assinar algum termo que me libere”. Ele falou e tentou se sentar.
May o empurrou na cama como da outra vez, Christine sorriu e encarou o outro médico, ela tinha um olhar malicioso.
“Acho que encontramos alguém como você, Stephen”. A loira disse.
“Não me compare a esse idiota”. O neurocirurgião resmungou, mas não foi tão baixo como ele pensou.
“Eii”. Tony apontou o dedo para ele indignado. “Você nem me conhece”.
“Impossível não conhecer o grande Tony Stark”. Debochou Stephen.
“Não acredite em tudo que lê, imbecil”. O gênio devolveu e o encarou em desafio.
“Ok vocês dois”. May falou cansada. “Stephen, saia. Vá perturbar outra pessoa, deixe o paciente em paz”.
“Ele---”. Começou o médico, mas o olhar de May o fez calar a boca e ir embora emburrado.
O quarto ficou silencioso enquanto as duas mulheres terminaram de ver os exames e reajustaram o IV que Tony tinha no braço. O homem pensou em brincar e provocar, mas ele ainda estava com dor de cabeça e aproveitou o ambiente quieto. Tony nem percebeu quando adormeceu.
Uma hora depois, Tony acordou novamente, mas dessa vez ele estava sozinho, sua cabeça ainda estava um pouco turva, mas melhor que antes. Ele então decidiu que poderia ir embora, arrancando a agulha do braço e se levantando ainda um pouco tonto, ele pegou suas roupas e se trocou rapidamente.
“O que você está fazendo?” May perguntou assim que abriu a porta e o encontrou abotoando a camisa.
“Estou indo embora”.
“Você ainda não está bem”. Ela apontou quando o viu um pouco instável.
“Eu estou bem, só um pouco bêbado”. Ele deu de ombros com um sorriso falso. “Não se preocupe. E qual seu nome? Acho que quero saber quem se preocupa tanto comigo”.
“May Parker”. Ela falou com um pequeno sorriso, mas seus olhos pareciam preocupados. “E eu posso ver em sua cara que ainda está com dor de cabeça”. Ele abriu a boca para protestar, mas o olhar de May o calou. “Acho que você deve ficar aqui um pouco, a entrada do hospital está cheia de jornalista”.
“Por Deus... esses abutres não dormem?” Ele resmungou e se sentou na cama.
“Por que você não tenta dormir mais um pouco?”
“Não consigo”. Ele falou cansado e a enfermeira teve um vislumbre do verdadeiro Tony Stark. “Minha mente não fica quieta”.
“Eu tenho uma ideia”. Ela falou e abriu a porta. “Venha!”. Não demorou muito para ele a seguir.
Tony ignorou os olhares em sua direção e fingiu que era dono do lugar, ele seguiu May por vários corredores até que chegaram ao berçário. Quando viu onde estava, ele deu dois passos para trás e olhou para a mulher um pouco horrorizado.
“Por que você me trouxe aqui?”
“O que? Com medo de algum ser seu?”
“Sim”. Ele falou assustado.
Com isso, May não se conteve e começou a rir, era realmente hilário assistir um homem tão influente e seguro de si entrar em desespero pelo simples pensamento de ser pai.
“Se acalme, Sr. Stark”. Ela bufou divertida. “Você precisa acalmar um pouco a mente, não é?”
“Sim, mas o que isso tem a ver com bebês?”
“Você vai ver, agora me siga”.
May então entrou no berçário e seguiu em direção a outra porta. Ela explicou rapidamente que ali atrás era o UTI neonatal e que ali tinha os bebês mais forte que ela conhecia, pois eram os que lutavam pela vida. A enfermeira pediu que ele lavasse as mãos e ele vestiu uma roupa especial. Não demorou muito e Tony se viu sendo apresentado a outras enfermeiras e sendo guiado por entre as incubadoras, cada bebê sendo apresentado a ele com um floreio e carinho por parte de May. E por mais que o gênio não quisesse admitir, ele já se sentia mais calmo.
“Agora sente ali”. Ela pediu e apontou para uma cadeira de balanço ao lado da única janela do local.
Tony obedeceu, mesmo que ainda incerto e esperou. Quando ele viu o que ela faria, ele entrou em desespero.
“Sra. Parker, eu não acho isso uma boa ideia”. Ele sussurrou.
“Primeiro, você pode me chamar de May. E segundo, claro que é uma boa ideia”. Ela disse com um sorriso e estendeu a bebê que segurava para ele.
Tony não sabia o que fazer, ele nunca segurou algo tão frágil ou pequeno antes. E se ele a derrubasse? Ou machucasse a bebê de algum jeito?
“Ei, não entre em pânico”. May sussurrou. “Ela não vai morder. Aqui, levante um pouco a cabeça”. Ele então fez como ela pediu. “Isso. Agora a puxe mais para o seu peito. Muito bem, Tony”. Ela disse e nem percebeu que usou o primeiro nome dele. “Pronto, agora relaxe”.
“E o que eu faço?”. Ele perguntou ainda tenso.
“Converse com ela ou cante. Não sei, apenas tente se comunicar”. Ela deu de ombros e começou a se afastar. “O nome dela é Mary Ann”.
Tony ficou em choque por dois segundos, Mary era o nome de sua mãe (Maria, para ser exato) e isso mexeu com ele. Como foi mesmo que ele foi parar ali? Mas então ele tentou relaxar, era isso que May falou, talvez sua mente se desacelerasse, não é?
“Olá, Mary. Sou Tony e acho que devemos ser amigos ou Tia May vai nos deixar de castigo”. Ele sussurrou e sorriu para a mulher, e May apenas revirar os olhos, mas também sorriu.
Aos poucos Tony se viu aproveitando o pequeno pacote em seus braços, Mary era minúscula, mas parecia respirar bem e durante suas divagações, ela acordou e o encarou fixamente, seus olhos esverdeados o fez sorrir. E ele percebeu que May estava certa, pois quando a bebê voltou a dormir ele estava com a cabeça leve e silenciosa, e sem precisar de álcool. Ele mal percebeu que estava adormecendo, mas suas mãos se manterem firmes ao redor da menina.
Quando Christine apareceu alguns minutos depois que ele dormiu, mal acreditou naquela imagem, e se virou para a amiga com um sorriso.
“Você não pode ver um caso pedido, não é?”
“Ele não é um caso perdido, só está confuso”.
“Bem... Espero que ele reconheça seus esforços”. Disse a médica um pouco cética com tudo isso. “Ele é um playboy depois de tudo”.
Dois dias depois, quando May voltou para mais um turno quase acreditou que Christine estava certa sobre Tony, pois a primeira coisa que recebeu foi um papel com o número dele escrito, mas antes de jogar o papel fora ela percebeu que havia mais coisas ali.
[May, obrigada por cuidar de mim. Gostaria que me avisasse quando Mary saísse do hospital, eu realmente gostei de fazer amizade com ela. Ela foi uma ótima ouvinte. – TS]
A pequena Mary voltou para casa duas semanas depois.
...
Tony resolveu ir andando até o hospital enquanto lembrava desse dia, na verdade não era tão distante e ele aproveitaria um pouco da brisa do final da manhã. Ele tinha vestido uma calça jeans antiga e uma camisa de banda, a jaqueta era uma das mais simples que ele tinha. Dessa vez ele optou por um boné preto e seus óculos de grau, ele não usava muito, era apenas quando ele passava muitas noites sem dormir e seus olhos estavam tão exauridos quanto ele. Mas ele achou que deixava o visual mais discreto e estava dando certo, pois ninguém parecia reconhecê-lo. Diferente de alguns anos atrás quando teve que correr para o hospital e se esgueirar nas sombras.
...
2008
Tony odiava ser sequestrado, a impotência por trás disso o deixava enjoado e irritado, talvez fosse culpa de seu pai por deixar claro que nunca pagaria por seu resgate; ou fosse apenas porque ele não gostava de ser preso. Qualquer que seja o motivo ele não gostou de acordar e saber que estava preso a uma bateria de carro. Ninguém gostava.
Contudo, Tony não ficou tão solitário como das outras vezes, Yinsen foi uma boa companhia e um bom ouvinte. Ele foi a força motriz que o incentivou até o fim, durante os três meses juntos Tony conheceu o outro homem como nunca conheceu outra pessoa, e pela primeira vez em muito tempo o engenheiro foi ele mesmo.
Tony contou sobre as poucas pessoas que o rodeava; como Rhodey, Pepper e Happy que sempre estavam dispostos a cuidar dele, e também contou sobre May e Christine e suas histórias no hospital. Ele falou sobre Stephen também, mas ele não tinha muito contato com o neurocirurgião. Em uma de suas conversas, Tony confessou a Yinsen que amava visitar os bebês no berçário, pois isso acalmava sua mente turbulenta. Ele até contou sobre como Pepper desconfiou de todas as desculpas que ele criava para viajar para Nova Iorque e ele teve que contar tudo a ela, e até fez uma chamada de vídeo para apresentar as três mulheres.
“Então seu segredo são os bebês?” O cientista falou divertido. “Não consigo imaginar você com crianças”.
“Eu também não imaginava. Meu pai não foi o melhor nisso e eu realmente nunca pensei sobre isso, mas então May me arrastou até o berçário e...” Tony deu de ombros com um pequeno sorriso.
“E o grande Tony Stark não é tão durão?” Yinsen provocou, mas ele parecia divertido.
Tony lembrava desse momento com carinho enquanto caminhava na areia quente. Ele estava exausto e faminto, sua cabeça doía e ele só queria um pouco de água. A dor de perder esse novo amigo estava o deixando mais triste e próximo a desistir, mas ele não queria que o sacrifício de Yinsen fosse em vão, então continuou andando; e o reator de arco em seu peito brilhava lembrando-o que seu coração ainda batia. Yinsen falou que esse reator o deixaria vivo por mais 50 vidas, mas Tony só queria ter certeza que estava bem o suficiente para andar mais cinco minutos. E o tempo na caverna o fez ver que precisava ficar vivo; ele precisava ficar bem para ajudar as pessoas, e descobrir quem estava vendendo suas armas por debaixo dos panos.
E falando em viver, graças a Christine, o engenheiro descobriu que poderia fazer algum bem a humanidade e talvez se redimir um pouco por construir armas. Ele foi convencido pela médica e por May sobre a doação de sangue, anonimamente, claro. E surpreendentemente ele gostou de ajudar, de saber que salvou vidas. Pepper, é claro, sabia disso. Tony ainda tinha dúvidas sobre ter apresentado as três mulheres, e ele tentava não pensar em como elas tinham um jeito de manipulá-lo para o bem.
Depois de muitas alucinações, o engenheiro viu um avião e quase chorou ao ver Rhodey, tudo bem, ele chorou, mas era tudo culpa do sol e de toda a provação. As horas seguintes foram um grande borrão e Tony mal soube por onde passaram ou com quem falou, tudo o que sabia era que em algum momento ele estava em frente a Pepper e ela parecia feliz em vê-lo.
O gênio não resistiu em provocá-la e ela rebateu de forma afiada como sempre, e ele resolveu mandar a formalidade para o inferno e a abraçou. Se ela ficou surpresa não demonstrou, pelo contrário, apenas o abraçou ainda mais apertado. O alívio era perceptível em ambos os lados. E para Happy não ficar com ciúmes recebeu um abraço também, mas o segurança fez questão de resmungar, você sabe, para ninguém desconfiar.
Seu retorno foi explosivo e Tony teve certeza de que acontecesse desse jeito, ele fechou a sessão de armas e abriu mais alguns setores de tecnologia, ele precisava falar com Christine e Strange sobre algumas ideias para o setor médico, e claro imploraria a May que o ajudasse nisso.
No entanto, até ele conseguir viajar para Nova Iorque e provar as duas mulheres que estava bem, mesmo que Pepper tivesse dito que sim, ele teve que virar o Homem de Ferro e acabar com Obadiah, o que não foi fácil. Porém, três dias depois de tudo ter sido concluído, ele pegou o jatinho e desceu em sua cobertura na Torre Stark. Ok, ainda não era sua Torre, mas as negociações estavam em vigor e ele já era dono da cobertura mesmo, não demoraria para transferir a filial da SI para a Torre.
Ainda cansado, ele dormiu boa parte do dia e quando já era tarde o suficiente para alguém está na rua, ele se dirigiu até o Metro-General Hospital. Dessa vez ele teve que se esforçar para se esconder, sua boca grande contou que era o herói em vermelho e dourado e seria difícil esconder a fama.
Assim que passou pelas portas dos fundos com alguns cheeseburguers a reboque, assim como May mandou, ele quase reagiu de forma violenta quando foi atacado por uma mulher de cabelos escuros, mas sorriu ao sentir a enfermeira xingando no seu ouvido:
“Seu idiota, você sabe o quanto chorei por você?” Ela se afastou com os olhos molhados. “Benjamim pensou que eu tinha uma queda pelo grande Tony Stark”.
Com isso ela bateu em seu ombro antes de passar a mão pelo seu rosto, depois o virar como se procurasse ferimentos.
“Então eu sou o grande Tony Stark?” Ele provocou divertido, mas adorando a atenção. May era uma das poucas pessoas que ele valorizava em sua vida.
“Não seja um idiota”. Ela resmungou. “E você nem é tão alto”.
“Ei” Ele pareceu ofendidíssimo, pois ele era alguns centímetros mais alto que ela.
“Cale a boca e me siga, Christine quer falar com você. E Stephen está curioso com a coisa em seu peito”.
Tony apenas revirou os olhos, ele tinha compartilhado com os três profissionais da saúde sobre o reator de arco e que ele estava bem. Mas deixou de lado como o conseguiu, ele ainda não estava preparado para falar sobre isso quando se falaram ao telefone. Talvez agora ele diga, seus amigos em LA sabiam, os de NY mereciam também.
Enquanto May o puxava pelos corredores, com suas mãos entrelaçadas, ele não pode deixar de se sentir em casa no hospital. Não pelo ambiente, pois ele detestava esse cheiro de antisséptico, mas por causa dela e Christine, e até Stephen se ele não fosse um completo idiota. Mas Tony não podia reclamar, ele e Stephen era igual em suas personalidades. E, vamos lá, ele comprou comida para todos eles.
A enfermeira irrompeu em um escritório, e Tony teve que segurar o riso quando Stephen e Christine pularam para longe um do outro. Não era bem uma surpresa aqueles dois estarem aos beijos, mas pelo olhar envergonhado da médica, ele resolver deixar para lá. A provocação só valeria a pena depois de May o atualizar sobre isso. Deus, quando ele virou um fofoqueiro?
“Tony” Christine se recompôs e correu para abraçá-lo, pelo menos agora ele podia se preparar, ele ainda estava na defensiva com todo o sequestro.
“Ei, sentiu saudades?” Ele provocou e a abraçou de volta.
“Claro que senti. E nunca mais nos assuste assim”. Ela falou e bateu no braço dele.
“Ai! Por que vocês são tão violentas?” Ele resmungou. “Ei, imbecil. Como vai?”
“Tudo bem. É bom ver sua cara de novo, idiota”. Stephen falou com um pequeno sorriso.
A conversa sobre seu sequestro e como andava sua saúde surgiu rapidamente, eles estavam preocupados e com razão, na verdade. Depois dos sequestradores, Tony teve seu coração arrancado, quase literalmente, por Obadiah.
“Meu Deus, Tony. Espero que ele queime no inferno”. Comentou May com uma pequena careta, dos três a que mais parecia protetora com ele era ela, mas talvez seja o instinto de enfermeira. Mas Tony não iria reclamar.
“Está tudo resolvido”. Ele deu de ombros.
“Eu posso ver?” Stephen falou e apontou para o reator em seu peito.
Tony pensou em recusar, ele não estava mais confortável em ter alguém encarando seu peito, não com tantas cicatrizes. E graças a sua luta com Obadiah, ele tinha uma variedade de hematomas. Contudo, ele ainda confiava neles e sabia que assim como Pepper, Rhodey e Happy, eles o protegeriam. Com os dedos um pouco trêmulos, ele puxou a camisa e prendeu a respiração. E fechou os olhos quando ouviu Christine e May ofegaram um pouco assustadas.
“Deus, Tony, você está bem?” May falou e se aproximou dele, a mão pairando próximo de seu peito, mas nunca o tocando, como que esperando sua autorização.
“Estou bem, May”. Ele sorriu.
Christine se aproximou e sem esperar começou a tocá-lo, mas ele podia ver que era preocupação, ela o estava examinando para ter certeza de que nenhum daqueles hematomas fosse pior do que aparentava. Stephen ficou ao longe esperando que as duas mulheres parassem de pairar. Mas depois que ambas estavam satisfeitas com suas avaliações, ele encarou Tony antes de começar seu próprio exame.
“Como isso funciona? Machuca?” Quis saber o neurocirurgião.
Então Tony contou, entre mordidas do cheeseburguer, mais ou menos como funcionava e em como ele conseguiu criar a forma diminuta do reator de arco dentro da caverna e tudo o que isso significava. Todos ficaram impressionados com o gênio do bilionário, não que duvidassem, mas não era sempre que podia ver isso tão de perto ou contado pelo próprio homem. Quando ele terminou de explicar tudo, ele estava se sentindo um pouco exausto, mas sua mente estava a mil por horas e isso mostrou quando sua perna começou a ficar inquieta.
“Ok, tudo bem, já o interrogamos o suficiente”. Disse May e sorriu para Tony, ela era muito observadora para o bem dele e o conhecia um pouco melhor que os outros dois. “Vou levar nosso encrenqueiro. Voltem ao que estavam fazendo”. Ela falou de forma maliciosa e recebeu um revirar de olhos do casal.
May o guiou para o berçário e o empurrou em uma poltrona na sala da UTI neonatal, assim como fez diversas vezes. Vestido com todo o EPI, Tony apenas esperou com um pequeno sorriso, May podia ser tão mandona quanto Pepper quando queria.
“Eu estava esperando apresentar ele para você”. Ela falou e se aproximou com um bebê minúsculo. “Esse é o Noah, ele nasceu há três dias”.
“Prematuro?” Quis saber Tony, ele meio que se tornou um especialista em bebês, os livros sobre maternidade era muito util. E claro todos aqueles artigos sobre medicina que ele leu. Existia uma grande vantagem em ser um gênio.
“Sim, mas ele está indo muito bem. Não vai demorar para ir para casa”.
Afirmando, Tony sorriu e pegou o pacote de alegria nos braços, dessa vez ele não estava aterrorizado como antes, ele já estava familiarizado com coisinhas pequenas como Noah.
“Ei, garotão. Como vai? Alguma novidade para contar ao Tio Tony?” Ele sussurrou e May sorriu, era bom ter seu amigo de volta. Machucado, mas vivo.
...
A caminhada até o hospital foi muito boa, Tony conseguiu colocar seus pensamentos em ordem e ele até conseguiu encontrar mais propósitos para seguir mesmo não sendo o Homem de Ferro. E lembrando de Noah, Tony sabia que poderia fazer coisas boas sem precisar de uma armadura. E Ele também tinha tantos projetos em pendência, inclusive alguns que ele queria fazer parceria com May e Christine. Ambas tinham ideias fabulosas no campo médico e Tony estava disposto a ajudá-las ainda mais, principalmente porque ele já assustou aquelas duas por tempo demais, sua história com o paládio ainda deixava elas bravas.
...
2010
Tony devia ter escutado Stephen, era claro que o paládio iria infectar seu sangue, e iria impedir que ele fizesse a única coisa honrosa que ele conseguiu durante esses anos. Não havia como ele doar seu sangue agora, não era? Droga, May ia matá-lo.
No começo, Tony pensou que conseguiria encontrar uma solução, mas ele estava errado, a toxidade aumentava a cada dia e ele sabia que morreria em breve. Então com a ajuda de Pepper ele abriu um escritório em Nova Iorque, mas as coisas não foram como planejadas. Sim, a frase de sua vida.
Tony tentou amenizar as dores e todos os problemas que veio quando ele enfrentou a morte mais uma vez, May percebeu que algo estava errado, mas não falou nada, o bilionário tendia a afastar as pessoas que gostava. E ele não queria estragar a vida da amiga, não agora que ela tinha finalmente comprado um apartamento com Benjamin e estavam construindo uma vida juntos nesse novo lugar. Já seus outros amigos apenas ignoraram seu comportamento como algo que ele faria, nada extraordinário nisso.
Quando ele transformou Pepper em CEO, o que ela já era, essa era a verdade. Ele soube que havia desistido, com o coração pesado ele reescreveu seu testamento e deixou tudo organizado para quando partisse. E mesmo que ainda fosse imprudente, ele aparecia no hospital quase todas as madrugadas para visitar os bebês, e claro tendo o cuidado de ir durante a ausência de May. Por sorte as outras enfermeiras o conheciam e deixavam que ele ficasse.
As confusões que aconteceram depois foram enervantes, principalmente com a descoberta de um novo elemento, parecia que mesmo morto seu pai o ensinava. Pelo menos Tony descobriu que o pai o amava. E claro, ele estava certo sobre desconfiar de Natalie, a mulher se mostrou ser uma agente da SHIELD. E mesmo que ainda estivesse chateado com a traição dela, Natasha (seu verdadeiro nome, ou assim ele achava) o ajudou com o drones. Ela foi embora logo depois, não que ele se importasse.
Tony sabia que os próximos dias seriam um inferno. Limpar e organizar depois de todas aquelas explosões seria um pesadelo, mas como não houve muitas baixas civis e sua família estava bem, ele ficava feliz. E toda sua preocupação passou quando finalmente Pepper o beijou de volta naquele telhado, ele finalmente poderia demostrar seus sentimentos.
Quando enfim estava bem o suficiente, ele foi até o hospital e dessa vez, Pepper foi com ele. Mas antes pararam para comprar alguma comida. E assim como sempre fazia, ele foi durante a madrugada, e finalmente as três mulheres puderam se ver pessoalmente, Tony podia confessar que estava fascinado com a interação entre elas.
“Estou começando a achar você um masoquista”. Stephen falou ao seu lado.
“Por que isso?” Tony perguntou desconfiado.
“Elas vão criar um grupo de conspiração para pairar em você”. O médico falou com o nariz enrugado como se isso fosse a pior coisa do mundo. Tony apenas bufou.
“E como isso é diferente do que já fazem?”
Stephen parou um pouco para pensar e percebeu que ele tinha razão, as três mulheres conhecendo-se pessoalmente ou não, iriam sufocar o super-herói de qualquer jeito. Mas, ainda bem que Stephen sabia que toda essa atenção era direcionada apenas para Tony, até porque o bilionário era o imprudente.
Depois de alguns minutos, o alto falante pediu a presença de Stephen em alguma emergência cirúrgica e Christine o acompanhou para apoio. May então aproveitou pra levar Pepper e Tony para o berçário.
Assim como fez muitas vezes, Tony se preparou rapidamente antes de liderar o caminho para a UTI neonatal. Pepper assistiu encantada ele dominar o ambiente, ele conversou com as enfermeiras como se fosse o dono do lugar e passou por cada incubadora sussurrando para cada bebê.
“Ele é realmente doce quando está aqui”. Falou May tirando a ruiva de sua divagação.
“Como você o convenceu a ficar perto de criaturas tão frágeis?” Pepper perguntou curiosa.
“Tony só precisa de alguém para ouvir”. May disse com carinho. “Na primeira vez que nos encontramos ele tinha uma concussão e estava de ressaca, e ele parecia exausto e mesmo assim falou que não conseguia parar sua mente turbulenta. Então o trouxe aqui, e ele conversou por quase uma hora com uma bebê prematura, depois disso os dois dormiram pacificamente”.
“Eu queria ter fotos disso”. Pepper comentou com um sorriso.
“Oh..., mas eu as tenho”. A enfermeira soltou uma risadinha. “Um material de chantagem maravilhoso”.
“Eu já falei que amo ser sua amiga?” Pepper falou com um grande sorriso.
“Porque eu acho que isso não será bom para mim?” Tony sussurrou e a ruiva virou para rebater sua fala, mas parou quando viu o bebê nos braços dele.
“Ei...” Ela sussurrou e tocou a cabeça do menino com carinho. “Quem é esse?”
“Esse é o Lucca. Diga oi para a Tia Pepper”. Ele brincou e a CEO ficou fascinada ao ver o quanto confortável e natural ele parecia ser.
May a encarou com um sorriso conhecedor e os deixou sozinhos, Tony já estava mais do que familiarizado com o ambiente e tiraria todas as dúvidas de Pepper se fosse preciso. Os bebês estavam mais do que em boas mãos.
...
Quando Tony entrou no hospital teve que tirar o boné para Annie, enfermeira-chefe, o reconhecer. Ele sabia que ter sua cara limpa depois de anos com sua barba característica seria chocante, mas nunca esperou que ficaria irreconhecível. Contudo, ele não podia reclamar, depois de viver uma vida inteira sobre os holofotes era reconfortante ser uma pessoa normal. O que o fez lembrar dos dias após a invasão de Loki, foi uma época difícil, mas ele ficou feliz em ajudar sendo um anônimo, pelo menos por algumas horas.
...
2012
Tony estava exausto e aterrorizado, o que ele viu através daquele portal parou seu coração, literalmente. Se não fosse pelo Hulk ele seria uma mancha vermelha e dourada no meio do asfalto. Depois de tanta luta e quase morrer, o engenheiro só queria um pouco de paz. Mas claro, ele nunca tinha realmente o que queria e eles voltaram para a torre e prenderam Loki.
Depois que tudo foi resolvido e eles foram comer Shawarma, Tony queria tomar um banho relaxante e dormir pelas próximas semanas. Agora um pouco mais íntimo dos seus colegas, ele ofereceu um lugar para dormir caso eles precisassem, mas apenas Bruce aceitou, visto que Natasha o trouxe da Índia.
Tony conseguiu dormir por três horas, mas os pesadelos o acordaram e dessa vez nada tinha a ver com cavernas e baterias de carros. O terror do que viu o pegou desprevenido e ele não sabia como lidar com isso, Pepper estava ao seu lado e ele não queria acordá-la, ela já tinha sofrido o suficiente assistindo-o sumir naquele buraco de minhoca. Ele pensou em ir ao laboratório, mas sua cabeça estava confusa demais para ele trabalhar em alguma coisa. Então resolveu ir ao hospital, ele precisava de um pouco de paz e nada melhor que com bebês ao seu redor. Ele pediu a Jarvis que avisasse a Pepper onde estaria pois a deixou dormindo.
O caminho até o Metro-General Hospital não era tão distante, então Tony resolveu ir a pé, ele precisa de um pouco de ar de qualquer jeito. E até parou para comprar um pouco de Shawarma para seus amigos.
Enquanto ele caminhava, Tony tentou não se encolher com ao caos ao redor, sua luta com os Chitauri destruiu a cidade e mesmo que as Indústrias Stark e SHEILD estivessem à frente da limpeza, demoraria semanas para tudo voltar ao normal. Com um suspiro cansado ele mandou uma nova mensagem para May, mas assim como as outras que enviou antes, não houve resposta. Tony percebeu então que nem May nem Christine o responderam, isso o deixou aterrorizado: e se algum dos alienígenas chegaram em suas amigas? E se aconteceu alguma coisa com o hospital? Agora levado pelo medo, o engenheiro acelerou os passos e quase correu o restante do caminho.
Assim que passou pelas portas do Metro-General Hospital, ele sentiu o coração se apertar, ali estava um caos. Pessoas feridas, acompanhantes estressados e um burburinho alto de maldições e súplicas atrás de um alívio da dor. Por dois segundos ele ficou congelado sem saber o que fazer, mas como sempre sua mente o chutou para caminhar e tentar encontrar May ou Christine, ele até aturaria Stephen nesse momento.
Por sorte, ninguém o parou e ele se viu andando pelos andares e inevitavelmente ajudando pacientes e funcionários com pequenos problemas, e foi durante uma troca de macas que Tony esbarrou em Stephen.
“Oh... desculpe”. O gênio falou e se virou. Seus olhos encobertos pelos óculos escuros se arregalaram. “Strange!”
“Tony?” Os olhos azuis o encararam com uma mistura de surpresa e irritação. “O que diabos você está fazendo aqui?”
“Estou feliz em ver você também, idiota”. Ele revirou os olhos. “Onde está May? E Christine? Elas estão bem? Vocês estão bem?”
Stephen estava com uma resposta sarcástica na ponta da língua, mas percebeu que Tony estava realmente preocupado e suspirou. O neurocirurgião estava exausto, desde o momento que a batalha começou ele não parou de trabalhar e salvar vidas. E mesmo que quisesse descontar a raiva em Tony, ele não podia fazer isso. Não quando o homem em sua frente arriscou a vida ao levar uma maldita bomba por um buraco de minhoca sabendo que não poderia voltar.
“Estamos bem”. Falou Stephen e suspirou. “Estou exausto, mas não machucado”.
“Eu trouxe comida”. O gênio falou e levantou a sacola que carregava. “Cadê as meninas?”
“Não sei ao certo, mas posso encontrá-las”. Enquanto dizia isso, Stephen digitava algo em seu pager e Tony tentou não se encolher com a tecnologia arcaica.
Não demorou muito para o médico arrastar o engenheiro pelos corredores e os dois pararem no andar da maternidade. Christine estava sentada no chão em frente à porta do berçário, seus olhos tinham olheiras e ela parecia no limite, sua roupa tinha manchas de sangue e ela estava um pouco alheia com a pouca movimentação desse lado do hospital.
Stephen se aproximou dela e sussurrou alguma coisa que a fez encarar Tony, ela parecia a um passo de chorar, mas apenas estendeu os braços para ele e o gênio se aproximou com cautela e a abraçou apertado.
“Estou feliz por você está vivo”. Ela sussurrou. “Obrigada por nos salvar”.
“Eu só fiz meu trabalho”. Ele falou e beijou sua testa rapidamente. “Você está bem? Está ferida?”
A preocupação dele só a fez sorrir e ela apenas afirmou que estava bem, só cansada. E informou que May estava na UTI com os bebês e que ela precisava de um abraço também.
“Cuide dela, imbecil”. Ele falou para Stephen e deixou a comida com eles.
Entrando na sala ele foi atrás de May, mas antes teve a certeza de que cada médico e enfermeira que estavam por ali pareciam bem. E ouvir o agradecimento pelo que fez o deixou um pouco surpreso, mesmo que fosse um grande gesto.
Assim que passou por todo o procedimento de higiene, Tony conseguiu entrar na UTI e encontrou May colocando um bebê de volta na incubadora. Ela ainda parecia alheia à sua presença e o gênio a observou tentando decifrar seu humor, por mais brincalhão que fosse, Tony amava May e Christine, elas eram amigas maravilhosas, e ele faria tudo ao seu alcance para ajudá-las e protegê-las, ele até começou a gostar de Stephen. E assistir eles tristes o deixava chateado.
“Ei, May”. Ele sussurrou cauteloso.
“Tony?” Ela o encarou surpresa, mas assim que percebeu que ele estava realmente ali, May correu para abraçá-lo.
Sabendo o quanto tátil era a morena, ele não se importou em apertá-la em seus braços, e convenhamos, ele amava receber abraços e carinho. Mas seus pensamentos sobre isso foram esquecidos quando Tony a sentiu chorar.
“Ei, o que houve? Você está bem?”
“Você es-está aqui... Vo-você está vivo”. Ela soluçou e abraçou ainda mais apertado.
“Oh...”. Ele ficou surpreso com essa demonstração emocional, Tony não estava muito acostumado a ter pessoas preocupadas com ele. Ok... Pepper e Rhodey não contavam. “Eu estou bem, May. Não se preocupe, sim?”
“Nunca mais faça isso”. Ela brigou e o beliscou, ele bufou e tentou afastar a dor do aperto. “Eu estava aterrorizada”.
“Eu tinha que fazer isso, May”. Ele disse e suspirou, seus braços a apertando mais. “Eu não podia deixar aquela bomba acabar com Nova Iorque”.
May se afastou dele e os dois foram se sentar no sofá que Tony tinha doado meses atrás. Como ele sempre estava por ali e sempre caia no sono, o estofado foi uma adição bem-vinda. O engenheiro então se acomodou e a puxou para seu lado; e May precisando de contato tanto quanto o homem, então foi de bom grado e deitou a cabeça no ombro dele.
“Você está bem? Pela hora você deveria estar descansando depois da batalha”. May falou agora mais calma.
“Não consegui dormir”.
“Pesadelos?” May sempre foi a mais empática do trio de amigos, ela sempre sabia o que Tony estava sentindo e não tinha medo de o enfrentar, por isso ele a amava tanto. “Deve ter sido horrível naquele buraco de minhoca”.
“Você não faz ideia”. Ele sussurrou e a apertou um pouco mais. “Foi aterrorizante”.
“Tinha mais deles, não tinha?”
Tony congelou. Sim, ele tinha visto um exército quase infinito de monstros dispostos a acabar com a terra, ele até tentou dizer isso aos seus companheiros de equipe, mas eles estavam lidando com seus próprios problemas depois da batalha. E por mais que confiasse em Pepper com sua vida, ele não teve coragem de assustá-la ainda mais com o que viu.
Contudo, May parecia convicta com o que teria por trás daquele buraco e por mais que não quisesse fazê-la sofrer, ela parecia ser a única disposta a ouvi-lo.
“Sim, muito mais do que conseguiríamos lidar”. Ele sussurrou. “Foi assustador”.
“Eu nem consigo imaginar, mas você está aqui agora”. Ela falou e o abraçou novamente.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, até que uma enfermeira entrou e entregou a Tony a embalagem de Shawarma, ele sorriu e agradeceu.
“Aqui. Eu trouxe um pouco de comida para você. Tente descansar um pouco, sim?” Ele falou e se levantou. “Você já falou com Ben? Ele está bem?”
“Sim, ele ainda está monitorando alguns perímetros e ajudando nos escombros de alguns prédios”. A enfermeira falou e sorriu ao lembrar que o marido estava bem, sendo um policial ele estava ajudando na batalha tanto quanto Tony e enfrentando o perigo, mas estava bem ao final de tudo.
Afirmando, Tony foi andar pelas incubadoras e sussurrar palavras de incentivos para os bebês que estavam ali lutando pela vida mesmo em meio ao caos do lado de fora. E pela primeira vez desde que começou toda essa confusão, o engenheiro sentiu o peso em seu coração diminuir um pouco.
...
Assim que ele foi liberado por Annie, Tony se dirigiu para o andar da maternidade, ele se lembrava que May tinha dito alguns meses atrás que tinha sido transferida de setor e estava feliz em ser onde os bebês ficavam. Foi nesse dia que o bilionário descobriu que sua amiga queria filhos, mas ela e Ben ainda não conseguiram engravidar, e enquanto ele seguia a procura da enfermeira, Tony se lembrou de Harley e o quanto ele se aproximou da criança. E o gênio sabia que o menino estava indo bem e isso o orgulhava imensamente.
...
2013
Enquanto assistia os flocos de neve cair ao seu redor, Tony começou a repensar todas as decisões de sua vida. Ele não queria acreditar no quanto azarado ele era. Mas a culpa era um pouco dele, não era?
Suspirando ele tentou não pensar muito no frio e tentou entender como essa última semana foi de mal a pior em poucos minutos. Mas ele culpava a batalha de Nova Iorque completamente, depois de quase morrer naquele buraco de minhoca, Tony não foi mais o mesmo.
Os pesadelos pioraram cada vez mais até que ele não foi capaz de dormir. E o ataque de pânico que teve na presença de Rhodey e tantas pessoas naquele bar o deixou atormentado. É claro que todo esse estresse afetou seu relacionamento com Pepper.
Logo depois de voltarem para Malibu, Tony se escondeu em seu laboratório e mal soube onde os outros Vingadores poderiam estar. Ele se limitou apenas a ligar para May e Christine, e até conversou com Stephen em alguns momentos.
Contudo, ele sabia que sua paz não duraria muito tempo, ele quase matou Pepper de susto ao ter um pesadelo e chamar uma armadura. Ele não se surpreendeu muito quando ela foi para o quarto de hóspede.
Consequências: aumento no número de armaduras.
Depois disso as coisas pioraram cada vez mais. Killian surgiu para irritar Pepper e logo depois Happy foi atingido por uma bomba e sua vida ficou por um triz. Tony ficou furioso, as pessoas deviam saber melhor ao tentar machucar um amigo do Homem de Ferro.
Entretanto, ele soube de seu erro assim que o endereço da sua mansão saiu da sua boca grande. Não foi tão surpreendente ver todas aquelas bombas destruir sua casa, pelo menos ele foi capaz de salvar Pepper. E agora ele estava ali, morrendo de frio e no meio do Tennessee, sem Jarvis e tendo que carregar toda a sucata sem vida de sua armadura.
Assim que encontrou Harley, Tony teve uma ligação instantânea com a criança, foi realmente fácil conversar com o pequeno ser humano, ele achava que suas sessões na maternidade do Metro-General Hospital foi um bom estágio.
Mas claro que em meio a sua aventura de prender ou matar o Mandarim, as coisas descarrilaram. Não era surpreendente. Ele pelo menos conseguiu contar a Pepper que estava vivo.
O engenheiro pensou em chamar Rhodey, mas ele sabia que seu amigo já tinha trabalho demais com os militares para suportar os problemas de Tony. E o bilionário tinha um menino de 12 anos que o estava ajudando surpreendentemente bem, inclusive em seus ataques de pânico.
Para Tony, tudo o que se seguiu depois foi um borrão. Por sorte, Rhodey veio em seu socorro. Na verdade, Tony meio que ajudou o amigo já que o Coronel perdeu o presidente dos EUA.
O bilionário então descobriu que o Mandarim era apenas um ator idiota e que quem realmente estava por trás de tudo foi Aldrich Killian. Não foi realmente surpreendente descobrir que alguém de seu passado voltou para matá-lo, era exaustivo passar por isso a cada dois minutos.
Tony tentou não ficar apavorado ao ver o homem parecer uma bola de fogo, mas o que o fez quase surtar foi ver que Pepper foi vítima desse lunático e assistir ela cair naquele fogo o assombraria pelo resto da vida.
Contudo, graças a Pepper, eles conseguiram derrotar o idiota. E Tony deixou toda sua ansiedade escorrer enquanto assistia suas armaduras explodir no céu.
Sem uma mansão para onde ir em Los Angeles, Tony voou para Nova Iorque com Pepper e Rhodey. Por sorte, o gênio havia conseguido transferir Happy para o Metro-General Hospital antes de quase morrer, e ele confiava em Christine, May e Stephen para ficar de olho em seu amigo de longa data.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!O empresário tentou não pensar na ironia que era voltar com mais feridos para o hospital.
E assim que os três apareceram no Metro-General, Tony foi recebido com abraços apertados e até algumas lágrimas, May e Christine já sabiam de sua tendência de quase morte, mas isso não as impedias de se preocupar.
“Como vocês estão?” Questionou May e encarou Pepper e Rhodey.
“Estamos bem agora”. Disse Pepper e sorriu para sua mais nova amiga. “Mas quero que olhem Tony, ele deve ter algum ferimento que escondeu de mim”.
O bilionário revirou os olhos, mas se deixou ser cutucado pelas duas profissionais da saúde, mas assim que seus hematomas foram catalogados e seus cortes cobertos, Tony se virou para Christine.
“Ei, Helen ainda trabalha aqui?”
“Não mais”. A loira falou desconfiada. “Por que você precisa de uma geneticista?”
Tony encarou Pepper e Rhodey à procura de confirmação, Extremis era um assunto delicado e não seria bom que essa informação vazasse na imprensa, mas ele confiava em Christine e May. E pelo olhar tranquilo dos outros dois, ambos concordavam com suas avaliações.
“Eu preciso que ela dê uma olhada em Pepper e...”
“O que houve? Você está bem?” May interrompeu e avançou para a CEO. Tony até tentou, mas ele não conseguiu esconder a risada ao ver Pepper se contorcer com o exame de May.
“Ela está bem, mas eu quero ter certeza de que ela vai ficar bem”. Disse o gênio.
Antes de Tony começar a relatar o que realmente aconteceu, Stephen apareceu com sua áurea superior e um copo de café. Ele parou em seu caminho e seus olhos azuis percorreram os três visitantes como se os inspecionassem.
“Vocês estão bem?” Ele perguntou com sua voz profunda e Tony percebeu que ele parecia mais cansado do que o normal.
“Estamos vivos”. Disse Tony com um encolher de ombros.
“Bom”. Ele afirmou e foi até a cadeira vazia. “Você deveria ganhar alguma medalha por quantas vezes quase morreu, idiota”.
“Eu já ganhei essa, imbecil”. Tony sorriu.
Os outros apenas sorriram com a troca brincalhona e Tony finalmente pode contar sobre tudo o que aconteceu, inclusive sobre a instabilidade do Extremis que explodiu suas vítimas, mas que em Pepper isso não aconteceu. Percebendo que eles precisavam de mais uma pessoa na conversa, Christine foi atrás do contato de Helen Cho e May levou Tony até Happy, que estava bem melhor e no caminho certo da recuperação.
Os dias seguintes foram gastos em diversas conversas que envolvia o Extremis e o reator de arco de Tony, pois ele precisava tirar essa coisa do peito. Já era ruim o suficiente ter pesadelos com o Afeganistão, ele não conseguiria seguir em frente com tantos ataques de pânicos e isso não pararia se ele achasse que era seu reator falhando. E a tecnologia finalmente estava disponível, então ainda um pouco inseguro, ele foi para a sala de cirurgia com o melhor cardiologista do país. Porém com a garantia que Stephen, Christine e May estivesse na sala com ele.
Quando a anestesia fez efeito, Tony teve o melhor sono em meses.
Quando Tony acordou, ele suspirou feliz em saber que estava vivo e que agora ele podia respirar sem sentir tanta dor. May estava ao lado de sua cama cantarolando baixinho e alheia do seu despertar. Foi bom saber que estava em um ambiente que o deixava confortável. E assistir May tão despreocupada o deixava calmo.
“Eu devo ficar animado para um banho de esponja?” Ele sussurrou com a voz rouca por tantas horas sem uso.
A enfermeira pulou um pouco assustada com a voz, mas olhou para o bilionário e sorriu. May já tinha ouvido isso tantas vezes que ficou velho e se fosse qualquer outro ela daria um pedaço de sua mente. Contudo, esse era Tony e o homem era o flerte em pessoa.
“Não, esse banho eu vou deixar para o Alejandro”. Ela disse divertida.
“Não sei se estou feliz com essa opção”. Ele a encarou carrancudo. “Alejandro tem mãos grossas”.
“Eu vou querer saber por que você sabe disso?”
“Provavelmente não”. Tony sorriu com um brilho nos olhos e May balançou a cabeça exasperada.
“Já que você está de bom humor, que tal uma caminhada?” May não esperou para ele responder e o ajudou a sair da cama, assim que ele foi no banheiro eles saíram porta a fora.
Tony apenas deu de ombros e seguiu a mulher com passos ainda trêmulos, percebendo isso ela entrelaçou seus braços para que ele não caísse. Ele ainda estava cansado e pensou em voltar para cama, mas a determinação nos passos de May o impediu, e ele não iria desobedecer, ele gostava de viver, obrigado.
Durante os próximos 10 minutos eles andaram por vários corredores e era como aquela primeira vez novamente. Quando enfim chegaram à ala de oncologia, Tony encarou a amiga desconfiado.
“Por que estou aqui?”
“Quero que você conheça alguns amigos”. Ela falou sorrindo e empurrou as portas da ala.
Agora um pouco inseguro, Tony seguiu atrás de May e foi surpreendido com várias camas infantis. Na verdade, a sala era enorme e colorida, num canto as crianças estavam sentadas ouvindo uma jovem ler um pequeno livro infantil, elas pareciam fascinadas.
“Karen! Não sabia que você estava por aqui hoje”. May falou divertida.
“Tive uma folga”. Ela sorriu e deu de ombros.
“Bem... eu tenho um convidado”. Ela apontou para Tony e o puxou suavemente. “O que acham crianças? Quem quer escutar histórias dos Vingadores?”
Depois de dizer isso, algumas crianças mais velhas perceberam que aquele era o Homem de Ferro e se aproximaram ansiosos. May o levou até uma poltrona e sussurrou que o buscaria em alguns minutos.
Tony suspirou e só seguiu o que May mandou. Não demorou para ele se sentir à vontade. Na verdade, ele se divertiu muito com todas as mentes jovens, as perguntas sobre os Vingadores variavam sobre a cor favorita de cada um da equipe até o que eles comiam quando estavam juntos. Foi realmente bom passar um tempo com elas.
E como prometido, May apareceu assim que os efeitos dos analgésicos começaram a sumir, e ele voltou para sua cama de hospital exausto. Os dias seguintes foram exatamente iguais e Tony se sentiu em paz.
A ala infantil foi mais um motivo para Tony continuar voltando para o Metro-General Hospital.
...
Assim que entrou na maternidade, Tony se sentiu mais calmo. Ali foi seu refúgio nos últimos anos, seja tendo a companhia de suas amigas ou apenas passando um tempo entre as crianças. Todos aqueles bebês era um estímulo para ele ser melhor, para ele tentar deixar o mundo melhor para as próximas gerações. Com isso em pensamento, ele entrou na área da UTI a procura de sua enfermeira favorita.
May estava conversando com outra mulher quando ele entrou, ambas o encaram com um sorriso, mas a mulher se despediu e foi embora. May, no entanto, se aproximou dele com os braços abertos e ele suspirou de felicidade enquanto o cheiro reconfortante dela o envolveu.
“Ei, Tons, gostei do novo visual”. Ela disse e passou a mão pelo rosto liso. “Nunca vi você sem o cavanhaque antes”. Ela sorriu e puxou o boné para ver seu cabelo grande. “Gostei disso também”.
“A mudança vai cair bem”. Ele deu de ombros, mas suas bochechas rosadas denunciavam seu contentamento com o elogio.
“Bem, fico feliz que você esteja bem. Estávamos preocupadas com você”. E ela disse com um suspiro. “Eu sinto muito com o que aconteceu com os Acordos, mas você se esconder e ignorar nossas ligações, foi como Ultron novamente”.
Tony suspirou com a lembrança, ele não podia culpar May por fazer essa associação, mas as vezes a vida lhe batia com tanta força que ele não conseguia se levantar por um tempo.
“Eu só precisava de um tempo para absorver tudo. Estou bem agora”.
“E o que foi exatamente aconteceu?”
“Você tem tempo? Porque a história vai ser longa”.
May sorriu tristemente e afirmou, sua conversa sobre todo o fiasco com Ultron começou com essas mesmas falas e May sabia que tinha que ser forte por seu amigo.
...
2015
A noite começou boa, mas quando uma festa sua não era? Tony tinha muitas coisas para se arrepender na vida, mas suas festas eram uma das que ele fazia bem. As pessoas estavam se divertindo, comendo e comemorando o sucesso da última missão.
Tony não tinha dito nada sobre a visão que teve, era aterrorizante o suficiente e ele não precisava que todos ficassem assustados como ele. E o gênio tinha quase certeza que a bruxinha tinha mexido com sua cabeça, mas ele não tinha provas, então se calou quanto a isso.
Na verdade, Tony estava feliz em ter o cetro com ele, desse jeito ele e Bruce podiam criar uma defesa que protegeria a terra, eles precisariam disso. Existia uma força muito maior que apareceria para destruir tudo e eles teriam que se defender de algum jeito. Contudo, Tony deixaria isso de lado só um pouco, hoje ele iria comemorar e tentar levantar o martelo de Thor.
Claro que ele não conseguiu levantar o martelo, nada de novo, ele não se sentia digno na maior parte do tempo, mas ninguém precisava saber que o grande Tony Stark era inseguro, então ele encobriu tudo isso com sarcasmo. Porém, assim que a diversão começou Ultron surgiu e as coisas descarrilaram. Eles quase morreram em sua própria casa, e não bastasse isso Thor quase quebrou seu pescoço. Mas a culpa era dele, não era?
Mesmo depois de toda a confusão, Tony conseguiu explicar o que tinha acontecido e que ele nunca tinha chegado tão longe com essa IA. Bruce confirmou sua fala, mas sutilmente colocou a culpa nele e se absteve de se envolver.
Quando eles começaram a formar um plano, receberam a foto de Strucker morto, e todas as pistas que precisavam havia sumido da internet, ou seja, eles fariam do modo antigo. Enquanto cavavam nos vários arquivos a foto de Klaw aparece e Tony o reconhece, claro que isso só fez Steve o encarar desconfiado. Tony estava ficando irritado tendo que explicar o tempo todo que não era mais aquele vendedor de armas.
Claro que depois disso as coisas passaram muito rápido e confusas, eles foram até um navio abandonado onde Klaw estava vendendo Vibranium para Ultron. E como eles tinham uma grande sorte, os gêmeos psicopatas estavam lá. De repente, Tony teve que lidar com uma equipe perdida em seus piores pesadelos e o Hulk solto sem controle.
Então eles estavam de volta no Quinjet, todos silenciosos e traumatizados, ele mal percebeu o caminho que estavam indo, apenas que Clint os levou para alguma fazenda. Tony até tentou não se surpreender, mas foi difícil ser sarcástico quando a mulher grávida se aproximou de Clint e o beijou. Mas o que desarmou Tony completamente foi ouvir passinhos vindo em suas direções, ele até brincou que eram mini agentes, mas seu coração se derreteu quando um menino de mais ou menos 7 anos e uma menina de 3 anos apareceram e abraçaram Clint, ambos gritando ‘papai’ felizes.
Depois disso as coisas foram divertidas, mesmo que ele e Steve tenham discutidos por causa de segredos na equipe. Tony queria acreditar que Steve era um homem puro e honesto, mas o sentimento de desconfiança sempre estaria presente, ele não acreditava em pessoas que não tinha um lado sombrio.
Enquanto eles discutiam e cortavam lenha, Laura apareceu e pediu que ele desse uma olhada no trator, Tony foi quase imediatamente, ele queria ficar um pouco longe de Steve e sua perfeição. Quando Fury apareceu no celeiro, Tony não ficou tão surpreso, a conversa que tiveram foi um alívio, ele finalmente pode contar a alguém a visão que teve.
Logo depois, Fury assumiu o controle para poder direcioná-los na direção certa e ajudá-los a derrotar Ultron. E por mais que Tony prestasse atenção a toda a conversa, seu foco estava na brincadeira com Cooper, o menino era inteligente e eles estavam construindo um robô de madeira e Lila estava colorindo alguma coisa para Natasha.
Quando a noite caiu e eles terminaram o jantar e começaram a se preparar para dormir, Tony suspirou e foi para sala. Ele não conseguiria dormir depois da luta de hoje, ele nunca conseguia. E sem contar que a visão de dias atrás não deixava que ele adormecesse com tranquilidade. Não demorou muito para o silêncio se instalar na casa, agora era só os sons dos grilos e corujas; era quase poético, pensou Tony.
Algumas horas depois, ele estava cochilando quando ouviu passos se aproximando da sala, ele se sentou no sofá e pegou a arma que estava embaixo da almofada. Sim, ele sabia usar armas, o que a maioria das pessoas esqueciam.
“Oh... Desculpe". A voz de Laura chegou em seus ouvidos e ele relaxou.
“Tudo bem, eu não estava dormindo”. Tony falou e sorriu um pouco ao ver que Lila estava nos braços da mulher. “Vocês estão bem?”
“Lila ainda está eufórica com a chegada de vocês”. Ela falou com um sorriso e seguiu para cozinha.
Tony sabendo que não conseguiria dormir mais, se levantou e a acompanhou. Lila agora estava sentada no balcão agarrada com um ursinho de pelúcia rosa e puído, Laura se mexeu pela cozinha preparando o que parecia ser chocolate quente.
“Você quer ajuda?”
“Não, estou bem”. Laura falou um pouco distraída.
Tony apenas suspirou e se virou para a menininha que o encarava curiosa. Lila parecia ser muito esperta para sua idade, tendo apenas 3 anos ela podia tagarelar por horas e prestava muito atenção ao que estava ao seu redor. E tendo experiência com crianças dessa idade, graças as suas idas a ala infantil, Tony não demorou muito em se envolver numa conversa entusiasmada com ela.
Laura estava tão distraída com o chocolate quente que mal percebeu o que estava acontecendo perto dela, mas assim que se virou encontrou os dois sentados no sofá em uma grande conversa sobre qual o melhor desenho animado. A mulher nunca pensou que o grande Tony Stark fosse tão bom com crianças, e ele parecia à vontade com todos os questionamentos da menina.
Sem falar muito, Laura estendeu as duas canecas para eles e se sentou na poltrona de Clint, ali era o único lugar que não incomodava suas costas agora. Nesse momento ela resolveu observar o bilionário de verdade, sem a interferência de outro vingador ou as opiniões de seu marido. Por mais que amasse Clint, ela sabia que a opinião dele era um pouco influenciada por Natasha. E não era realmente essa visão de egoísmo e arrogância que ela estava vendo de Tony, ele parecia muito satisfeito em conversar com Lila.
“Que tal uma história?”
“É sobre o que?” Lila perguntou e abraçou seu bichinho de pelúcia.
“Uma princesa que conseguiu derrotar o dragão”. Ele falou numa voz cheia de suspense. Os olhos de Lila se arregalaram e ela se aproximou do bilionário querendo ouvir.
Durante os próximos 30 minutos Tony contou a história com empolgação e vozes para todo os personagens, Lila resistiu ao sono durante um tempo, mas ela adormeceu pouco antes do final. O engenheiro, que agora estava com a menina nos braços, apenas sorriu. Naquele momento, Laura percebeu que esse homem em sua frente era uma pessoa gentil e muito diferente do que seus companheiros pensavam dele.
“Você parece à vontade com ela”. Ela sussurrou.
“Eu gosto de crianças, elas são sinceras”.
“Você também é muito diferente do que eu ouvi”.
“Deixe-me adivinhar: Sou egoísta, narcisista, rebelde e gosto de jogar meu dinheiro ao redor?”
“Mais ou menos isso”.
“Talvez eu seja mesmo”. Tony sussurrou e sorriu, mas Laura conseguia ver que era falso e seus olhos pareciam tristes.
“Oh Deus--- você usa uma máscara”. Ela falou como se tivesse tido uma epifania. “Você é um bom ator, Tony. Você entrega exatamente aquilo que todos esperam”.
“Você tem certeza? Eu posso estar usando uma máscara de bom menino agora”.
“Você poderia, mas sei que não. Quase me enganou”. Laura parecia presunçosa. “Sua equipe só vê o que querem, não é?”
“Menos de um dia e você já descobriu”. Ele comentou com um sorriso debochado, mas triste. “Estamos há 3 anos lutando juntos e Steve ainda acha que sou uma criança mimada, Clint me acha um babaca riquinho e Natasha acredita que meu ego vai destruir todos. Bruce é meu amigo da ciência, eu o entendo e ele me entende, mas sei que ele não quer dar opinião para não me machucar e Thor... não passo muito tempo com ele”. Tony então encarou Lila que agora babava em seu peito, ele afastou a trança do rostinho dela e suspirou. “Eu não me importo muito com essas opiniões, se eles querem me ver assim não tem muito que posso fazer”.
“Você tem um bom coração, Tony, mesmo que esconda isso. Eu posso ver isso agora. Eles estão errados, você sabe? É uma pena que não vejam”. Laura então se levantou da poltrona. “Mas se precisar de alguma coisa é só dizer”.
“Vou ter isso em mente”. Ele sorriu e dessa vez foi verdadeiro. “Agora vamos colocar essa princesa na cama”.
Os dois seguiram para o quarto da menina e Laura assistiu o bilionário colocar a menina na cama com tanta delicadeza e carinho que a deixou sem palavras. Tony realmente tinha um grande coração e por algum motivo ela ficou com medo de que seus companheiros de equipe o quebrassem.
.
A cidade estava flutuando, a merda de uma cidade inteira estava flutuando. Como isso se tornou sua vida? Tony estava exausto, era isso, tudo saiu do controle e a culpa caiu em seus ombros, nada de novo.
Contudo, ele não podia fazer muito agora, não era? Ele teria que explodir a cidade e torcer para não destruir a terra. Por que as decisões mais difíceis era sempre dele? Steve falou que não era para fazer nada enquanto os civis estivessem ali, mas quanto mais alto a cidade voava mais propício o mundo ficava de ser destruído. Wanda parecia está ajudando assim como Pietro, mas ele ainda não confiava nesses dois, principalmente em Wanda, ela parecia o odiar.
Mas deixando todos esses pensamentos de lado, Tony tratou de fazer o seu trabalho. Tinha se passado alguns minutos, mas para o gênio parecia milênios até que Steve confirmou que todo os civis estavam a salvo e que eles poderiam fazer o trabalho. Quando o céu escureceu e uma descarga de raio caiu na rocha, Tony sorriu, aquele brilho era lindo e ele quase ficou feliz em talvez morrer com essa visão.
Mas mesmo os destroços caindo ao seu redor, o herói conseguiu desviar das pedras e chegou ao local de reunião salvo e quase ileso. Todos seus companheiros estavam ali, ou melhor, quase todos. Bruce não voltou de sua forma de Hulk e pegou um Quinjet, a localização havia sido desligada e eles não sabiam onde o cientista estava.
Quando enfim eles estavam na sala de reunião as coisas esquentaram rapidamente, as estratégias de Steve não foram as melhores, Natasha deveria ter controlado o Hulk melhor, talvez na próxima vez não empurrasse Bruce de um precipício. Thor precisava lembrar que humanos eram fracos e segurar um pelo pescoço poderia matá-los. Mas para Tony o ponto de discussão foi receber Wanda de braços abertos nos Vingadores. Como diabos isso aconteceu?
Claro que ele não teve voz nisso, ela se tornaria uma Vingadora e ele não reclamaria, todos foram contra sua opinião e ele ainda teve que ouvir que a culpa dela se tornar uma vilã era dele, que se não fosse por sua bomba a família Maximoff estaria viva e feliz. E por mais que Tony tenha dito que Obie vendia armas por debaixo da mesa e que ele nunca vendeu bombas ou armas para países estrangeiros, nenhum deles o apoiou.
Depois que seus companheiros de equipe o lembraram que ele não passava de um consultor que brincava de ser um herói, Tony voou para Nova Iorque e se escondeu em sua cobertura durante dias. As ligações que May, Christine e Stephen fizeram durante esse período foram ignoradas enquanto ele se matava de trabalhar.
Por mais que as pessoas o vissem como alguém arrogante, Tony era muito inseguro e se machucava fácil. E depois de ser acusado de ser egoísta, irresponsável e mentiroso por seus colegas de trabalho, Tony estava com o coração pesado com todas as críticas, não que estivesse surpreso, o bilionário sabia que ele era apenas uma conta bancária para eles.
Depois de duas semanas se chafurdando em autocrítica e miséria, ele arrumou uma pequena mochila; mandou uma mensagem para May e perguntou se ela estava de plantão. A enfermeira afirmou que havia começado seu turno tinha 10 minutos e iria esperar por ele.
Assim que chegou ao hospital, May e Christine já o esperava com um cheeseburguer e um abraço acolhedor.
“Quem eu preciso matar?” May falou enquanto o abraçava.
“Todos?” Ele sussurrou e fechou os olhos em conforto. Tony sempre se sentia confortável com May, ela era um ombro amigo e uma ótima ouvinte e não se importava que ele fosse Tony Stark. E como Pepper estava em viagem, ele tendia a correr para May quando precisava de um abraço.
“O que aconteceu? Só soubemos da destruição de Joanesburgo”. Christine perguntou e o puxou para o sofá na sala de descanso. Na verdade, aquele espaço foi desenhado apenas para May, Christine e Stephen, sendo o melhor amigo dos três, Tony queria que eles tivessem um espaço para se recomporem quando as coisas fossem difíceis.
“Você tem tempo? Pois será uma longa história”. Ele disse e suspirou.
“Ótimo, preciso passar o tempo enquanto espero o paciente acordar”. Stephen falou e entrou na sala, e sem esperar convite se sentou ao lado de Christine.
“Tudo bem, então”. Ele disse. May, que estava agora ao lado de Tony o puxou até que ele se deitou no sofá; a cabeça no colo dela. “Stephen, não me interne se eu começar a falar sobre magia e poderes especiais”.
“Sem promessas”. O neurocirurgião falou com um sorriso.
As próximas horas foram gastas com: relatos de toda a confusão com Ultron; as fofocas do hospital e May contando sobre como seu relacionamento com Ben Parker estava abalado. Tony a abraçou apertado e afirmou que tudo daria certo.
Mais tarde, no entanto, quando ele estava sozinho com Christine, a médica disse que as brigas entre May e Ben eram porque o policial tinha ciúmes da amizade dela com Tony. O bilionário pensou em interferir e justificar sua amizade, mas depois de uma ligação com Pepper, ele entendeu que May precisava resolver isso sozinha. Agora muito mais calmo, ele foi para a UTI neonatal, ele precisava do conforto que só um bebê daria.
...
Tempo atual...
Tony, May e Christine estavam na sala de descanso privada, todos exaustos emocionalmente depois que ele contou sobre o que aconteceu na Sibéria. Tony sabia que seus ferimentos físicos já estavam curando, graças a Extremis e a Dra. Cho, mesmo que seu braço direito ainda estivesse estranho, mas as marcas emocionais durariam mais um pouco para curar. Porém, deixando sua miséria de lado ele encarou Christine e viu o quanto triste sua amiga parecia estar.
“O que aconteceu com Stephen? Da última vez que o vi, ele estava odiando a vida, mas disposto a ir as sessões de fisioterapia”.
Tony tinha recebido a ligação sobre o acidente do amigo meses atrás, ele estava na Alemanha na época, mas assim que conseguiu encerrar a reunião, ele voou de volta para Nova Iorque. Quando soube que as cirurgias já tinham sido feitas e que as mãos de Stephen estavam destruídas, Tony fez de tudo para ajudar, mas o neurocirurgião era teimoso demais.
Por mais que quisesse apoiar Stephen, Tony teve que socorrer os Vingadores, pois a situação em Lagos saiu do controle e mesmo que ele não estivesse lá, toda a culpa começou a cair em seus ombros. Mas toda essa confusão o trouxe de volta ao Metro-General Hospital.
“Não sei ao certo para onde ele foi”. Christine suspirou. “Ele perdeu todo o dinheiro e resolveu ir atrás de alguma cura mágica”.
“Stephen e magia?” Tony falou incrédulo e teve que rir. “Isso vai ser interessante”.
“Pare de palhaçada”. May brigou com ele. “Não temos notícias há semanas, ele não atende o telefone e nem responde nossos email”.
“Eu posso pedir para que Friday o rastreei”.
“Ele vai ficar irritado se isso acontecer”. Christine disse com pesar. “Não estamos em bons termos”.
“Vamos dar mais alguns dias, se ele não entrar em contato eu mesmo vou procurá-lo”. Tony disse e abraçou Christine.
“Você tem certeza? Eu não quero te atrapalhar, Tony. Você é uma pessoa ocupada e...”
“Não se preocupe comigo, Palmer”. Ele a cutucou divertido. “E eu me demiti, lembra? Tenho tempo de sobra”.
“Oh... e quanto a isso. Como você está?” May perguntou e se aproximou dele, agora os três aconchegados juntos. “Eu sei o quanto você ama ser o Homem de Ferro”.
“Eu estou bem”. Ele deu de ombros. “Eu amo ser o Homem de Ferro, mas se as pessoas continuam achando que sou um perigo mesmo depois do que já fiz, então prefiro acabar logo com isso”. A voz dele ficou mais baixa e triste. “Eu vi que alguns críticos voltaram a me chamar de Mercador da morte e isso me incomodou, eu lutei tanto para deixar isso no passado...”.
“Eles são um bando de idiotas, Tony”. May falou com raiva. “Eles julgavam você por vender armas, mas ficavam feliz em saber que nossos soldados estavam seguros e protegidos com as armas Stark. Eles são um bando de hipócrita”.
“Talvez por isso queiram tanto que o Capitão América volte. Todos eles são hipócritas”. Tony falou com amargura.
May abriu a boca para confirmar sua própria amargura, mas os alto falantes da recepção começaram a chamar as duas mulheres. May e Christine trocaram um olhar confuso, elas não trabalhavam mais no mesmo departamento, então não fazia sentido serem solicitadas juntos. Percebendo isso, Tony se levantou e ajustou a pulseira que se transformava em sua luva do homem de ferro, ele deixou de ser o herói, mas não ficaria desprotegido.
“Se for Stephen, vocês duas me devem cheeseburguers”. Tony disse e saiu da sala.
.
Tony estava certo quando eles correram e encontraram Stephen vestindo uma túnica estranha e uma capa brilhante, mas Tony engoliu todas as perguntas quando viu isso, apenas porque o médico parecia machucado.
“Ei, idiota, você precisa de ajuda?” Tony se aproximou, passou um dos braços do amigo em seus ombros e sustentou o peso de Stephen.
“Ei, imbecil, por que tirou a barba? Era para sermos irmãos de pelos faciais”. Stephen comentou com um sorriso, mas era claro que estava com dor.
Christine estava chocada com toda a cena, mas ela saiu do estupor para levá-los a uma sala vazia, May já tinha corrido a procura de materiais para qualquer emergência.
O que aconteceu depois disso foi uma loucura, eles assistiram Stephen perder a consciência e aparecer com sua forma astral. Tony negaria que gritou como uma garotinha de 5 anos de susto. Mas o que quer que tenha acontecido foi resolvido quando aconteceu uma explosão e o canto direito da sala ficou chamuscado.
Assim que Stephen se sentou ofegante na mesa, que quase morreu, Tony avançou e deu um tapa em sua cabeça:
“Você quer nos matar do coração, Stephen?” Ele falou e abraçou o homem. Tony sabia que estava sendo emocional, mas ele não tinha muito amigos e não queria perder os poucos que ainda possuía.
“Eu estou bem agora, Tony”. Stephen falou e retribuiu o abraço. Ele e Tony nunca foram táteis um com outro, mas o ex-neurocirurgião sabia que o bilionário já tinha passado por muitas coisas nesses últimos meses. Ele tinha internet e sabia de toda a bagunça dos acordos.
E ninguém comentou que pela primeira vez, eles se chamaram pelo primeiro nome.
“O que diabos aconteceu?” May perguntou e se aproximou dos dois homens. Ela tocou o rosto ferido de Stephen e sentiu sua pulsação só para ter certeza de que ele estava bem.
“Não tenho certeza se vão acreditar em mim, e não tenho tanto tempo agora”. Ele falou e se levantou, mas ainda um pouco fraco ele cambaleou e Christine, que se aproximou de forma silenciosa, o sustentou.
“Você vai voltar?” Christine perguntou com os olhos marejados.
“Vou”. Ele sussurrou e a encarou com um pequeno sorriso. “Precisamos conversar, mas não agora, eu tenho que terminar meu trabalho e assim que eu o fizer voltou para esclarecer tudo”.
May e Tony se encararam com sorrisos maliciosos e deram um passo atrás esperando o casal se resolver, ambos estavam tristes com a pausa que os dois deram e ver que eles poderiam se reconciliar era motivo de alegria.
Stephen então se dirigiu para o armário do faxineiro e Tony ficou intrigado, como diabos ele iria embora por ali? Mas então quando eles entraram viram um portal aberto e Tony se engasgou de susto, seu coração acelerou quando a lembrança do portal de Nova Iorque voltou. May que sabia de seu medo tanto quanto os outros o puxou para junto dela e o abraçou. Agora trêmulo, Tony escondeu seu rosto no pescoço da mulher menor e tentou não ficar aterrorizado. Ele pouco se importava se estava fazendo papel de bobo, eles eram seus amigos e sabiam de suas falhas e medos.
“Desculpe, Tony”. A voz de Stephen chegou em seus ouvidos. “Eu vou embora agora, você não precisa temer. Eu não vou te machucar e vou explicar tudo depois que eu voltar”.
Com isso, antes mesmo de balançar a cabeça em confirmação, o agora feiticeiro foi embora e o silêncio tomou conta da pequena sala.
“Está tudo bem, Tony”. May falou e passou a mão em suas costas. “Estamos seguros agora. Que tal voltarmos para a sala de descanso?”
O bilionário afirmou e respirou fundo antes de se afastar e os três irem para a sala de descanso. Tony não queria comentar sobre seu breve pânico, mas sabia que May não deixaria passar.
“Você está bem? Precisa de alguma coisa?” May perguntou preocupada. “Tony, você precisa de ajuda para esses ataques de pânicos”.
“Estou bem, May”. Ele tentou sorrir, mas sua voz ainda estava trêmula. “E eu não preciso...”.
“Sim, você precisa”. Ela não o deixou terminar de falar. “Eu sei que você tentou falar com Bruce, mas sabemos que isso não deu certo. Ele não era um psicólogo e era seu amigo. Você precisa de alguém de fora”.
“May, eu vou ficar bem, não precisa se preocupar. Eu estou lidando com isso”.
“Anthony Edward Stark!”. May falou o encarando chateada. “Você vai procurar ajuda, nem que eu o arraste pelas orelhas”.
Tony a encarou com os olhos arregalados, porque naquele momento era como se sua mãe tive incorporado em May, ele apenas afirmou e cruzou os braços um pouco emburrado. Christine que observava tudo com um sorriso, apenas balançou a cabeça e saiu da sala, ela precisava trabalhar afinal de contas.
“Pare de fazer beicinho”. May disse com o sorriso e acenou para Christine que ia embora. “Eu vou para a UTI neonatal, você quer ir?”
“Quero”. Ele afirmou e se levantou com um sorriso.
May apenas sorriu com isso, era tão fácil empolgar Tony com pequenos gestos e palavras, ela não entendia como seus companheiros de equipe poderiam ser enganados por sua máscara de arrogância.
Não demorou muito para eles irem para a área infantil e Tony ser recebido de braços abertos pelas enfermeiras que ali vagavam. Tony tentou não se surpreender com o carinho, mas foi difícil manter a emoção baixa quando foi recebido com palavras doces ao invés de acusações e cobranças.
Assim que vestiu a roupa costumeira, ele entrou onde ficava as incubadoras e suspirou ao ver tantos bebês precisando de cuidados. Ele amava está naquele ambiente tranquilo, mas Tony nunca ignorou que todos aqueles bebês estavam em situações difíceis e alguns até críticas. Por isso, ele questionou algumas enfermeiras ali sobre cada criança.
As horas passaram lentamente enquanto May fazia seu trabalho e Tony se intrometia ao redor, por mais que ele soubesse o básico sobre primeiros socorros e tinha feito algum mestrado na área de obstetrícia, ele não era um empregado do hospital e tinha que sair da área de tempos em tempos.
E foi em uma dessas pausas, que ele assistiu uma mulher gestante inconsciente ser levada às pressas para a sala de cirurgia, seu rosto estava tão machucado que ela estava irreconhecível. Naquele momento Tony sentiu o arrepio correr seu corpo e o mal pressentimento surgir em sua mente. Ele não sabia o que estava acontecendo, só esperou que tudo ficasse bem.
Enquanto seus pensamentos iam e viam sobre a mulher que passou, Tony mal percebeu May se juntando a ele na sala de espera. Sua atenção só se voltou para sua amiga quando ela deitou a cabeça em seu ombro.
“Ei”. Ele sussurrou e a encarou. Tony podia ver o quanto ela estava cansada e não apenas por causa do trabalho. “Como você está, May? E não tente dizer que está bem, porque eu sei que não está”.
“Estou cansada, Tony”. Ela sussurrou e fechou os olhos. “As coisas não estão boas entre mim e Ben. Brigamos diariamente por coisas tão mesquinhas, e eu não sei mais o que fazer. Eu o amo, mas é como se alguma coisa estivesse perdida, não conversamos mais, não saímos para nos divertir. Ele parece tão distante e insiste que eu...” Ela calou a boca rapidamente como se arrependida do que falaria.
“Não se esconda de mim, May. O que ele insiste em te dizer?”
Por um momento May pensou se valeria a pena trazer Tony para o meio da confusão, mas ela sabia que em algum momento eles conversariam sobre isso. Então ela falaria e pronto.
“Ben acha que você e eu temos um caso. Que você só aparece aqui no hospital por causa de mim”.
“Mais que diabos!” Sussurrou Tony surpreso. “Por que ele acharia isso? Eu posso ter tido minha fase de playboy, mas isso ficou no passado e mesmo assim eu nunca dormi com uma mulher casada. E eu respeito você, May. Eu nunca te seduziria desse jeito”.
May sorriu com a indignação do bilionário, ela conhecia Tony o suficiente para saber que ele nunca arriscaria uma amizade só porque estava com tesão, ele não era desse jeito, não desde que se conheceram.
“Eu sei disso, e você também sabe. Mas Benjamim só ver aquilo que ele quer, assim como os idiotas dos Vingadores, ele só viu aquilo que a mídia mostrou”.
Tony suspirou e a encarou, seus olhos cor de whisky estavam tristes agora, e pela ruga entre seus olhos ele estava pensando em alguma coisa que provavelmente não vai agradá-la. E May se preparou para o absurdo altruísta que viria.
“Olhe... eu sinto muito que eu esteja interferindo em seu casamento, realmente não foi minha intenção criar essa confusão em seu relacionamento. Eu vou parar de aparecer muito aqui e...”
“Não se atreva a terminar essa frase, Anthony Stark”. May quase rosnou indignada. “A insegurança e falta de confiança que Benjamim tem, não é sua culpa. Somos amigos há anos e você nunca deixou de ser respeitoso comigo ou Christine ou qualquer mulher desse hospital. O ciúme dele é apenas coisa da cabeça dele, e eu não vou abrir mão da nossa amizade por causa disso. Você está me ouvindo?”
“Sim, senhora”. Ele sussurrou com um sorriso aliviado e abraçou May.
Durante um tempo Tony a abraçou em conforto e suspirou de contentamento, ele sempre foi uma pessoa afetuosa e não tinha muitas chances de ter abraços, mesmo com Pepper, ele não conseguia suprir totalmente sua natureza carinhosa. Mas com May era diferente, ele se sentia seguro em tê-la em seus braços ou estar nos braços dela. E naquele momento, por uma fração de segundos, Tony percebeu que seus sentimentos pela enfermeira eram um pouco mais fortes do que ele imaginava. Droga... será que ele estava apaixonado por May?
Não! Tony apenas fechou os olhos e tentou extinguir esses sentimentos, ele não estava apaixonado, ele só estava carente. Pepper e ele tinham terminado, ele estava sensível por causa da traição dos Vingadores e toda essa conversa sobre Ben ter ciúmes dele só o deixou confuso. Eles eram amigos e Tony não iria estragar tudo porque não entendia os próprios sentimentos. Resolvido isso em sua cabeça, ele voltou sua atenção para a mulher em seus braços, mas May tinha adormecido. Sem muita coisa para fazer, ele pegou o celular e pediu que Friday abrisse o bloco de notas, ele tinha algumas ideias para os próximos dias.
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Depois de quase uma hora, May se mexeu e se afastou dele num salto, seus olhos correndo para o relógio na parede, e antes que ela corresse em disparada, Tony sussurrou:
“Não se preocupe, eu falei com Annie, ela disse que tudo bem você dormir um pouco. Ela sabe que você se sobrecarregou com turnos extras nessa última semana”.
“Oh!”. Ela ficou surpresa por Annie ter contado isso a Tony, a enfermeira-chefe era boa em ignorar e dar broncas no bilionário, ela dizia que ele precisava ser lembrado de seu lugar como um civil. Ele não é dono do hospital, May,ela sempre dizia. “Eu estou bem agora, vou voltar ao trabalho. Você vem?”
“Na verdade, não. Eu negligenciei meu trabalho por tempo suficiente. Tive algumas ideias e preciso colocar em prática”. Ele falou com um sorriso e May podia ver nos olhos dele aquele brilho quase infantil por causa da ciência.
“Tudo bem, mas por favor não se tranque no laboratório por muitos dias, ok?” Ela disse e o abraçou rapidamente. “E antes de ir embora passe na oncologia, Peter está doido para falar com você”. Tony afirmou, se despediu e foi para o andar onde ficava o menino.
Tony visitava a ala de Oncologia Infantil de tempos em tempos, ele havia começado suas visitas logo depois que tirou o reator de arco no seu peito. Ele conseguiu durar duas semanas no hospital graças as crianças guerreiras que passavam por coisas piores e não reclamavam tanto quanto ele.
Então em uma de suas visitas após a cirurgia, ele conheceu Peter – há 8 meses para ser exato. Os acordos estavam a um passo de explodir em sua cara. Ele mal sabia que a felicidade de conhecer o menino seria ofuscada pelas brigas e discussões dos Vingadores.
Mas Tony mesmo em meio aos problemas com seus supostos amigos, arrumava tempo para visitar Peter, o menino o cativou imediatamente com seus grandes olhos de corça. A criança tinha completado 4 anos quando se conhecerem, e estava no hospital por ter sido diagnosticado com Leucemia Linfoide Aguda, e tinha dado entrada no hospital duas semanas antes de seu encontro.
Peter era um menino muito inteligente para sua idade, assim que viu Tony pela primeira vez ficou tão empolgado que sua mãe teve que pedir para ele respirar fundo antes de continuar a falar. Depois disso, Tony apenas sorriu e ficou surpreso ao ouvir o pequeno recitar seu artigo sobre os desenvolvimentos de IAs, o bilionário nunca imaginou que uma criança tão pequena pudesse entender sobre isso.
Assim que Peter adormeceu naquela noite, Mary Fitzpatrick – mãe de Peter — relatou que o menino sempre apresentou interesse na ciência, e seu QI era elevado. Tony não discordou, principalmente depois de ouvir o pequeno falar sobre física e engenharia como se falasse de um desenho animado. Tony ficou estupefato.
Depois desse primeiro encontro, o empresário passou a visitar a área de oncologia infantil com mais frequência, ele sempre levava consigo uma revista sobre ciência para ler com Peter. Seu tempo com o menino era sempre fascinante. E ele podia ver com seus próprios olhos como o menino estava reagindo ao tratamento. Na verdade, Tony se tornou quase especialista no tipo de Leucemia que Peter tinha, ele queria saber como ajudar caso precisasse.
Acelerando seus passos para a área de Oncologia, Tony sorriu ao saber que encontraria o menino falante; já havia anoitecido e a criança logo adormeceria, então ele teria pouco tempo para brincar e conversar com Peter.
Assim que chegou, ele foi recebido com um grito de alegria.
“Sr. Stark!” Peter pulou em sua cama quando viu Tony.
O bilionário apenas balançou a cabeça divertido com a palhaçada da criança, mesmo estando doente e fraco, Peter ainda sorria e se divertia com tudo ao redor. E parecia estar determinado em irritar Tony o chamando de Sr. Stark, mas o bilionário deixava passar, era meio fofo ouvir aquela vozinha o chamando de modo tão formal.
“Ei, Pete. Como você está hoje?”
“Estou bem, só um pouco cansado”. Disse o menino com um grande sorriso. “Hoje foi o dia de tomar meu supersoro”.
Tony sorriu para Peter, mas seu coração se apertou com o que ouviu, provavelmente o menino passou por uma sessão de quimioterapia. As enfermeiras daquela ala colocavam os medicamentos dentro de caixas enfeitadas com os símbolos dos Vingadores. Era uma forma de tranquilizar as crianças e melhorar um pouco a situação precárias delas.
“Oh... Então você já está se sentindo forte?”
“Só um pouco, a Srta. Hodgins falou que eu ia ficar cansado por um tempo”. Peter falou com um sorriso, mas seus olhos de corça estavam cansados. “Eu fiquei enjoado, mas desse vez eu não vomitei”.
Ao ouvir aquilo, Tony se sentou na cama do menino e o puxou para o seu lado, o bilionário estava orgulho e aliviado em saber que Peter não estava sofrendo com essa sessão de quimioterapia. Tony tinham presenciado a última aplicação de remédios e seu coração se partiu ao ver o menino vomitar e tremer de frio por causa da febre, ele não pode fazer muito e isso quase o destruiu.
“Isso é muito bom, garoto”. Tony falou e beijou a testa do menino. “Estou orgulhoso, você é muito corajoso”.
As bochechas de Peter ficaram rosadas com as palavras de Tony, envergonhado o menino escondeu o rosto no peito do homem, por mais que fosse extrovertido e conversasse com todos, Peter tendia a se envergonhar com elogios. E agora que seus cabelos foram raspados por causa do tratamento agressivo, ele não conseguia esconder seu rosto nos cachos antes brilhantes.
“Ei, Pete, não fiquei envergonhado, é só a verdade”. Tony falou com um sorriso. “Agora me diga, como foi sua semana? May falou que você estava ansioso em me contar as novidades”.
“Foi bom, eu construí um lego da estrela da morte com Ned, ele levou para casa dele porque aqui não tinha espaço”.
“Humm... Então você ainda está dando uma de Nerd com Star Wars?”
“Mas é tãaaao legal, Sr. Stark”.
“Claro que é”. Bufou o bilionário.
“E tia May brincou com a gente de esconde-esconde”. Peter falou com empolgação. Tony sorriu ao ouvir o menino chamando May de tia, ela brilhava quando ouvia isso. “E a mamãe falou que eu vou ter uma irmãzinha”.
“Oh... isso é uma notícia maravilhosa, Pete”.
“Sim... estou tão ansioso”. O menino falou e deu uma risadinha. Aquilo aqueceu o coração de Tony de tal maneira que ele não soube o que fazer. “O nome dela vai ser Morgan”.
“Uau... que nome bonito. Quem escolheu?”
“Eu!” Peter gritou e deu um pulinho, mas sua empolgação terminou em um acesso de tosse. Tony imediatamente o sentou na cama e esfregou suas costas. Depois de respirar fundo ele se apoiou no bilionário, seu rostinho estava vermelho da tosse, e ele mostrava sinais de cansaço da provação da quimioterapia.
“Que tal dormir um pouco, Pete? Sei que está cansado”.
“Você vai me contar histórias dos Vingadores?”
Tony sentiu um aperto no peito ao lembrar se seus ex-companheiros, mas ele não deixaria sua raiva e tristeza atingir o menino em seus braços.
“Claro que sim, garoto”. Ele sussurrou e começou a narrar uma missão que tiveram alguns anos atrás.
Não demorou muito para Peter adormecer e Tony aproveitou para observar o menino. Com o coração pesado, Tony percebeu o quanto debilitante era o tratamento que a criança recebia. Peter tinha apenas 4 anos, mas era pequeno para idade, seus cachos antes brilhantes tinham sido raspados e ele parecia mais fraco do que meses atrás.
“Ei...” May falou ao se aproximar dos dois. “Ele finalmente dormiu?”
“Sim”. O gênio falou com um sorriso e saiu sorrateiramente da cama, tendo o cuidado de não acordar o pequeno. “Você sabe como ele está indo?”
“Eu perguntei a Dra. Madison e ela falou que o tratamento estava indo como o esperado, mas os números de Linfoide estão aumentando novamente”.
“Oh Deus... ele vai ter que fazer mais sessões de quimioterapia?”
“Infelizmente sim, mas acredito que um transplante de medula óssea vai acontecer em algum momento”.
“Me mantenha informado, eu vou falar com Helen Cho para saber se está tudo bem eu doar a minha. Já que agora Extremis está no meu sangue”.
“Você tem que saber se vocês são compatíveis, e antes disso precisamos saber se chegaremos a esse extremo, Tony”. May falou com um sorriso suave. “Eu sei que você quer ajudar, mas precisamos ter calma, ok?”
Tony sabia que May estava certa, mas sua preocupação com Peter era genuína e ele faria tudo possível para ajudar a criança.
“Tudo bem”. Ele se levantou e os dois foram embora do quarto. “Mas me mantenha informado, está bem?”
A enfermeira afirmou e eles se despediram com a promessa de compartilharem informações sobre Peter e os demais bebês na UTI.
.
Demorou quase quatro dias para Tony receber notícias sobre o menino. May ligou para o engenheiro às 4 da manhã com uma voz cansada e pediu que ele fosse imediatamente para o hospital. Alguém da assistência social estava querendo levar Peter embora.
Levou toda a força de vontade de Tony de não vestir um terno e voar até o hospital, mas respirando fundo e tentando ser um homem responsável, ele apenas pegou um carro e dirigiu para lá.
Assim que chegou foi recebido por Christine que o arrastou até o andar da Oncologia onde May parecia discutir com um homem, ele era mais alto que ela e muito mais forte, mas parecia um pouco aterrorizado pela mulher em sua frente. Por dois segundos foi como ver Steve e Nat durante uma sessão de treinamento, pois a Viúva Negra colocava medo em qualquer um deles.
Mas deixando de lado essa antiga lembrança, Tony se aproximou deles com cautela, ele sabia que assim que o homem o reconhecesse a hostilidade surgiria.
“Oi, May. Senhor?”. Ele foi educado e encarou o outro homem. “O que está acontecendo?”
“Tony! Graças a Deus você chegou. Estão querendo levar Peter para um orfanato, nem ao menos deixá-lo fazer o tratamento”.
“Sra. Parker, não foi isso que eu disse, apenas que Peter será transferido para o hospital em Hell’s Kitchen”.
“O que? Mas...” Tony encarou May confuso e até aterrorizado com a nova localização do menino. Hell’s Kitchen era um dos bairros mais barra pesada de Nova Iorque, e lá tinha vigilante suficiente para montar uma equipe dos Vingadores. “Vamos apenas... O que aconteceu? Cadê Mary?” May e Christine trocaram um olhar triste e Tony sentiu um mal presságio.
“Mary sofreu um acidente há alguns dias”. Christine disse e suspirou triste, foi então que Tony lembrou da mulher que passou por ele no corredor todos aqueles dias atrás. “Conseguimos fazer o parto da bebê, mas ela não resistiu”.
“Deus... e a bebê? Como ela está?”
“Na UTI neonatal, ela nasceu prematura e precisa ganhar um pouco de peso”. May falou cansada. “Tentamos contatar algum parente de Mary, mas ela não tem ninguém”.
“E o pai das crianças?” Tony quis saber, pois sua ansiedade estava começando a rastejar por sua pele.
“Ele foi embora quando Peter ficou doente”. May quase rosnou de raiva. “Ele é um idiota que abandonou Mary com uma criança doente e outra para nascer”.
“Deus... isso é...” Tony passou a mão pelo cabelo nervoso. “O que podemos fazer?” Ele se virou para o assistente social.
“Sr. Stark, não podemos fazer muito. Peter e a criança nascida vão entrar no sistema”.
Tony sentiu seu coração parar por um segundo, ele não queria que isso acontecesse com essas crianças, Peter era muito doce para parar em lares adotivos que não entenderiam sua doença ou que ele ficasse em orfanatos que o excluiriam por falta de recursos. Não! Tony não permitiria isso. E ainda havia a bebê que corria o risco de ser separada do irmão.
“Eu vou ficar com eles”. Ele falou um pouco desesperado. “Eu posso cuidar das duas crianças, onde posso assinar?”
“Tony...” May começou a falar, mas ela estava tão chocada que ficou sem palavras. Christine apenas encarava a conversa com olhos arregalados.
“Tudo bem, May, eu posso fazer isso”. Ele falou agora um pouco mais consciente da situação. Ele conseguiria, certo? Não devia ser muito difícil, ele conseguiria. Essas crianças teriam um bom futuro agora que estavam órfãs.
“Sr. Stark, não é assim tão fácil. É preciso ter uma licença de pai adotivo, ter sua casa avaliada e saber se você é apto para cuidar das crianças”. Falou o Assistente Social.
“Eu terei tudo resolvido com meus advogados, mas no momento eu peço que inicie a papelada de custódia. Essas crianças ficam aqui”. Tony agora emanava uma áurea de autoridade que o homem na sua frente apenas afirmou. “A propósito, o nome da bebê é Morgan, esse foi o nome escolhido por Peter”.
May que assistia tudo ainda confusa o encarou um pouco incrédula, mas mesmo com esses sentimentos conflitantes, ela podia sentir o peito se encher de orgulho por Tony. Ele estava se mostrando um homem responsável e firme, mesmo que ele já tenha evoluído ao longo dos anos, ele parecia diferente agora. Contudo, ela deixou isso de lado quando viu o assistente social se afastar com Christine, provavelmente a médica estava conversando com o homem não como médica, mas sim como amiga do bilionário.
“May, as crianças estão bem?” Tony perguntou totalmente alheio ao que ela estava pensando. “E você, está bem? O que diabos aconteceu?”
“Obrigada por chegar aqui tão rápido”. Ela falou e o abraçou, ela não estava muito consciente das perguntas dele nesse momento. A adrenalina que sentiu ao tentar proteger as duas crianças estava baixando e ela se sentiu um pouco sobrecarregada.
“Tudo bem. Que tal a gente ir para a sala de descanso?” Ele sussurrou e a guiou gentilmente nessa direção.
Assim que entraram, Tony se sentou no sofá com o coração agitado, só agora a ficha finalmente caiu, como ele cuidaria de duas crianças? O que ele estava pensando?
“E aqui vamos nós... O que aconteceu? Você está com seu olhar de pânico”. May falou ao seu lado.
“Como eu vou fazer isso?” Ele sussurrou. “São duas crianças, e se eu traumatizar elas? E se...”
“Pode parar por aí, Tony”. Ela falou e se aproximou dele. “Você precisa respirar fundo, ok?”
Tony afirmou e fez como ela instruiu. O medo de ser ruim na paternidade, assim como seu pai, o aterrorizava. Ele não queria que nenhuma criança passasse pelo que ele passou: de tentar ganhar a atenção do pai quando o homem só pensava em beber e encontrar o Capitão América.
O bilionário tentou não se perder nessas feridas, ele era diferente de seu pai, ele havia mudado nesses últimos anos, ele poderia fazer isso, certo?
“Ei, você está bem?” May perguntou mais uma vez e entrelaçou suas mãos, e isso foi o suficiente para Tony se sentir aterrado naquele momento e lugar.
“Sim, eu só estou com medo, é muita responsabilidade”.
“Sim, é”. Ela respirou fundo. “E você precisa pensar nisso com calma, mas se essa for sua decisão, pode ter certeza de que você não estará sozinho. Eu estarei aqui, assim como Christine e Pepper, e também Rhodes e Happy, até Stephen vai ajudar. Ok?”
“Stephen? Ele vai correr por aqueles círculos dourados e brilhantes quando me vir com duas crianças”. Debochou Tony, mas até ele sabia que o homem o ajudaria quando precisasse. “Eu não preciso pensar muito, eles precisam de mim”. Tony sussurrou. “Eu preciso fazer isso”.
“Não é sua obrigação”.
“Peter já sofre o suficiente com a Leucemia, eu não quero e não posso deixar que ele sofra mais”. Ele disse agora com mais determinação. “Eu vou precisar de ajuda, mas preciso fazer isso por ele”.
“Tudo bem”. May falou e apertou sua mão. “Eu te apoio e vou ajudar. Mas antes você tem que tomar uma decisão como pai de Peter”.
“O que você quer dizer?”
“Precisamos contar a ele o que aconteceu com Mary”. Ela sussurrou com os olhos marejados. “Ainda não encontramos tempo para dizer a ele”.
Ótimo, ele mal era um pai e já machucaria a criança. Mas ele teria que ser o adulto, não era?
“Você vem comigo?” Ele pediu a May.
“Claro, eu não iria deixar você ir sozinho”.
May e Tony se dirigiram para a ala de Oncologia, ainda de mãos dadas e apreensivos com a reação de Peter, mas eles precisavam fazer isso pelo bem do menino. Aquele momento crucial seria o teste para Tony, se ele realmente seria capaz de ser um pai. E May estava assumindo um papel materno sem ao menos perceber.
Em meio as emoções que sentiam, Tony e May estavam alheios que esse passo que estavam dando era a construção de sua própria família.
Uma família que eles lutariam com unhas e dentes.
Continua...
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