Found Happiness

2 Capítulo 2 - Novas Chances


Wakanda — 2016

Steve entrou na grande sala com um suspiro cansado, mas feliz. Esse seria o primeiro dia desde que chegaram em Wakanda que ele se sentia um pouco mais seguro. Porque mesmo que T’Challa tivesse sido gentil em acolhê-los, não era a mesma coisa que estar em casa. E ele lembrava bem de quase ter sido morto ao entrar na fronteira de Wakanda meses atrás.

Não foi fácil sentir todos tensos e desconfiados ao seu redor, e no início Steve achava que Tony ligaria com pedidos de desculpas. Em sua cabeça o bilionário os levaria de volta para casa e tudo se resolveria. Porém, o telefonema nunca veio e ele se viu preso em Wakanda por seis meses.

Com o passar das semanas, a tensão do ambiente diminuiu um pouco, e todos eles conseguiram se fazer útil, mas isso não diminuiu a preocupação de Steve com seus amigos.

Bucky havia saído da criogenia e estava fazendo algum tipo de tratamento com Shuri, e por mais que o Capitão perguntasse, ela não dizia o que estava fazendo. Natasha tinha conseguido convencer uma das Dora Milaje para ajudá-la em estratégia de luta; e mesmo tendo tido algumas aulas, a Viúva não conseguiu ir muito em frente na camaradagem entre elas. Clint e Wanda ainda estavam raivosos e culpavam Tony por todas as suas desgraças e Steve nem poderia defender o bilionário, pois o Capitão também via Tony como o centro do problema. E até agora os únicos que não preocupava Steve era Sam e Scott. Mas ainda assim, o Capitão se preocupava constantemente com todos eles.

Contudo, hoje ele tinha uma boa notícia, e foi por isso que ele convocou essa reunião, assim que se sentou no sofá a atenção de todos estava nele.

“Você parece feliz, Steve”. Natasha comentou com um sorriso discreto.

“Recebi boas notícias”. Ele começou com um grande sorriso. “Finalmente consegui falar com o presidente. Ele é um grande fã do Capitão América e estava disposto a ouvir nosso lado”.

“Isso é ótimo”. Wanda falou e sorriu com alegria. “O que ele disse?”

“Ele informou que teve que conversar com a ONU e o Concílio dos Acordos, já que foram eles que implementariam os Acordos”.

“Besteira”. Debochou Clint. “Tenho certeza de que ele teve que ir até Tony para pedir autorização, já que é ele quem quer tanto que os Acordos sejam implementados”.

Antes que Steve pudesse defender ou acusar Tony, a porta da sala se abriu e T’Challa e Shuri entraram:

“Vocês realmente acham que foi Dr. Stark quem implementou os Acordos?” Shuri perguntou com olhos desconfiados. “Se vocês acham isso então são mais ingênuos do que pensei”.

Sam se mexeu desconfortável em sua cadeira e Clint a encarou com uma carranca no rosto, ele não ficou feliz em ouvir a condescendência na voz da menina. Era como ser repreendido por um de seus filhos. Na verdade, nenhum ali gostou de como Shuri os repreendiam, para eles ela não passava de uma adolescente mimada, porém eles esqueciam que ela era uma princesa e como tal sua inteligência e conhecimento político era extremamente vasto.

“Shuri, por favor, não vamos começar uma briga”. T’Challa tentou apaziguar. “Acredito que eles tenham lidos os Acordos já que lutaram contra isso com tanta força”.

“Se você diz--- mas se papai assinou existia um bom motivo”. Ela resmungou. “Mas já que estamos aqui vamos assistir a Coletiva de impressa”.

“Coletiva de impressa?” Steve perguntou surpreso.

“Sim, o Dr. Stark está dando mais uma coletiva, já que vocês foram embora e o deixou com a bagunça”. Shuri falou com um sorriso sarcástico.

T’Challa apenas suspirou, era difícil controlar a língua solta da irmã e ele não brigaria com ela, seria uma perda de energia. Contudo, nenhum de seus convidados pareceu gostar do humor ácido e sombrio dela.

“Por que você continua o chamado de doutor?” Clint resmungou.

“Ele tem três Ph.D. e é uma das pessoas mais inteligentes desse século. Ele merece ser tratado de forma correta, mesmo que vocês não o façam”. Ela falou e seus olhos tinha um pouco de fúria com o desprezo que Clint e Wanda tinham em seus rostos.

“Gente, vamos nos acalmar, ok?” Natasha falou e puxou Clint para o seu lado do sofá o deixando mais longe da menina.

“Natasha está certa”. Steve falou e suspirou. “T’Challa, você disse que vai ter mais uma Coletiva, o que Tony vai falar dessa vez?”

“Ainda não sei, o que quer que você tenha falado com o presidente do seu país ficou dentro da sala de reunião. Dessa vez eu não tive acesso”. T’Challa falou com pesar.

T’Challa sabia o risco que corria sendo um ‘agente duplo’, tanto Shuri quanto sua mãe o alertou sobre ser pego nessa confusão e ser considerado um mal Rei, mas ele só queria que todos os heróis voltassem a se unir. Porque ele sabia que se algo acontecesse com a Terra, o mundo precisaria dos Vingadores unidos. E quando ele falou exatamente isso para sua general, mãe e irmã, todas concordaram com sua lógica, mas Shuri deixou claro qual lado ela apoiava.

Steve suspirou e todos se voltaram para a TV que estava ligada agora. Demorou um pouco até Pepper aparecer, ela falou um pouco do que a Indústria Stark estava produzindo e sobre a importância da energia limpa. Ela não ficou muito tempo no palco e chamou Tony logo depois.

O bilionário começou a sua apresentação com uma piada e todos na sala de conferência sorriram com isso, porém em Wakanda as coisas foram um pouco mais hostis com um bufo de Clint e um revirar de olho de Wanda.

Enquanto Tony falava sobre os produtos da Indústrias Stark todos pareciam ignorar isso, apenas fingindo ouvir. Porém, assim que o engenheiro se sentou na beira do púlpito todos se voltaram para a televisão e prenderam a respiração, pois da última vez que Tony se comportou dessa forma ele se revelou o homem de ferro.

A sala em Wakanda estava tão silenciosa que era possível ouvir a respiração de cada um ali, Steve tentou se acalmar ao máximo, ele sentia que algo ruim poderia acontecer. O pequeno discurso de Tony sobre os Acordos deixou todos inquietos e Clint xingou baixinho de seu lugar:

“Vejam como ele está confortável em colocar a culpa em nós, ele é um idiota”. O arqueiro resmungou. “E quais são os benefícios dos Acordos? Nunca ouvi sobre isso”.

“O que?” Shuri o encarou incrédula. “Você ao menos leu os Acordos? Não só vocês teriam benefícios como Vingadores, mas também os aprimorados que tem medo de se revelarem seriam protegidos. Não era um acordo perfeito, mas flexível para mudanças. Como vocês não sabem disso?”

Wanda abriu a boca para falar, mas antes olhou para Steve como se pedisse sua permissão o que ela fazia muito, como Shuri observou. E foi nesse momento que a menina entendeu o que acontecia ali e teve que rir:

“Deixe-me ver se entendi corretamente: Dr. Stark veio como porta-voz da ONU, porque ele é o mais habilidoso com o governo, ele apresenta a vocês os Acordos e vocês vão contra ele de imediato, não é?”

“Nat foi a favor de Tony”. Sam falou e se mexeu desconfortável.

“A Srta. Romanoff sabe como os governos funcionam, ela sabe onde isso terminaria e sabia o que fazer, estou correta?” Shuri a encarou e Natasha afirmou. “Certo, então o que aconteceu depois? Vocês esperaram Sr. Rogers ler os Acordos e dá sua palavra sobre isso?”

“Ele é o líder”. Scott sussurrou.

“E isso é o suficiente para vocês não lerem um documento importante e deixaram que apenas uma pessoa tome uma decisão crucial como essa?” A voz de Shuri estava severa e eles a encararam um pouco temerosos, naquele momento ela não se comportava como uma adolescente que deveria ser. “Isso é inacreditável”.

“Eu não posso discordar dela, vocês sabem disso, não é?” T’Challa falou com um suspiro. “Quando você pediu abrigo a mim, Capitão, você afirmou que suas ações foram um mal-entendido e os Acordos estavam errados. Eu os li e confesso que existe algumas inconsistências, mas eu sei que ao assinar eu teria a liberdade de discordar e adicionar cláusulas ao documento. E vocês sabem que mesmo tendo-os aqui eu continuo apoiando os Acordos, então me sinto no direito de perguntar: Capitão, você leu os Acordos?”

Steve abriu a boca para responder, mas ele não podia mentir, ele havia lido as partes importantes e não gostou nem um pouco do que estava escrito, por isso ele não foi até o fim e ainda teve o velório de Peggy que o abalou completamente, ele estava com a cabeça confusa. E Steve sentiu que poderia perder Bucky de vista se assinasse esses papeis que o impedia de entrar em outros lugares, ele precisava dessa liberdade para chegar até Bucky.

Ao ver o olhar culpado de Steve, T’Challa suspirou derrotado, ele deveria ter ouvido Shuri e sua mãe, até mesmo Okoye o alertou desse perigo, mas ele quis ser um Rei compassivo e olha no que deu.

“Vamos terminar de assistir a Coletiva de Tony e depois conversamos sobre isso”. Natasha sugeriu e desviou a atenção de Steve, agora todos estava de olho na televisão.

No aparelho, Tony falava sobre a briga que tiveram e que a culpa de tudo recaiu em seus ombros, e o ouvir falar disso abertamente fez todos se mexerem desconfortáveis, pela primeira vez eles encararam o homem com olhares menos críticos e puderam ver o quanto Tony parecia exausto. Sam poderia estar do lado de Steve, mas depois de trabalhar com soldados com PSTD ele conhecia bem os sintomas e podia ver alguns em Tony, e isso começou a deixá-lo mal.

Quando Tony informou que o Concílio dos Acordos fechou a Iniciativa Vingadores, Steve engasgou e seus olhos se arregalaram, na sala de conferência a reação também foi quase semelhante quando todos começaram a falar ao mesmo tempo.

“Acalmem-se por um momento, por favor”. A voz de Tony ecoou pela sala e todos ali ficaram tenso. “Como eu disse, a iniciativa Vingadores foi fechada temporariamente, e não foi uma decisão minha. O Concílio da ONU juntamente com o Presidente desta nação deixou claro na reunião que sem o Capitão América não existe heróis”.

A última parte fez Steve se encolher em seu acento, por mais que ele e Tony brigassem, ele não tinha mais dúvidas que Tony era um herói. E muito diferente do que Steve falou em seu primeiro encontro, Tony não vacilava ao se sacrificar pelos outros. E ouvir o bilionário dizer isso era doloroso. O Capitão nem poderia imaginar o que Tony sentiu ao ser desprezado dessa maneira.

Contudo, enquanto Steve se sentia chateado, Clint e Wanda pareciam em conflito entre achar divertimento do sofrimento de Tony ou se incomodar por também não serem considerados heróis.

Tony continuou seu discurso sobre Rhodes e Visão, e como eles reagiram sobre isso, aparentemente todos eles estavam bem com isso, mesmo que ainda machucasse ser descartado dessa maneira. A tristeza brilhava nos olhos castanho e dessa vez Tony não se escondeu por trás dos óculos escuros, e foi desse modo vulnerável que ele encerrou seu discurso:

“Enfim, caso queiram saber mais, a reunião já deve estar disponível no site oficial da ONU nesse momento. Dito isso, quero informar que recebi muitas cartas e sugestões de que o Homem de Ferro não é mais necessário. Nunca foi, na verdade”. Steve então ouviu quando Tony tentou se manter firme, mas a voz dele estava um pouco mais rouca por causa de toda a emoção que ele estava escondendo. “Estou aqui para dizer que finalmente ouvi todos vocês e farei aquilo que por anos todos me pediram. Trinta minutos atrás minha aposentadoria foi apresentada ao Concílio dos Acordos e para a ONU. Não existirá mais o Homem de Ferro. Obrigada e tenham um bom dia”.

O silêncio preencheu a sala, todos chocados demais para falar. Eles conheciam Tony e sabiam o quanto o bilionário amava ser o homem de ferro, mas ele parecia falar sério. Steve se levantou e encarou a mesa onde o celular flip ficava, ele estava tentado a ligar para Tony e perguntar: o que diabos estava acontecendo? Que herói era ele que desistia desse jeito? Steve tinha tantas perguntas que sua cabeça que começou a doer. Porém, foi a voz de Clint que o trouxe de volta ao presente.

“Demorou o suficiente”. O arqueiro debochou, ele não estava muito preocupado com aquela informação, ele tinha visto isso acontecer anos atrás. E depois de tudo que aconteceu depois da briga, o agente estava satisfeito de Tony ter perdido alguma coisa assim como todos eles.

“Clint tem razão, não é como se ele fosse o melhor dos heróis”. Dessa vez quem destilava o veneno era Wanda, ela parecia bastante feliz com a notícia.

“Vocês só podem estar de brincadeira”. Shuri falou com raiva, como eles poderiam ficar felizes com essa notícia?

“Não sei porque você parece tão surpresa, Princesa, Tony sempre toma decisões precipitadas quando as coisas ficam difíceis”. Natasha falou como se o conhecesse profundamente. “Tenho certeza de que em duas semanas ele volte atrás e dê uma declaração que pensou melhor e vai voltar a ser o homem de ferro”.

T’challa suspirou quando viu sua irmã encarar cada um dos heróis com raiva, ela estava furiosa com a atitude despreocupada e raivosa das pessoas que diziam ser companheiras de equipe de Tony. E o Rei também estava desconfortável com tudo isso, ele entendia que a briga os afastou, mas eles eram uma equipe, era suposto eles estarem preocupados com o companheiro e amigo.

“Ele não vai mudar de ideia”. Shuri falou com raiva e convicção de suas palavras. “Ele não daria uma coletiva para o mundo inteiro só para chamar a atenção de vocês”. Ela viu quando Natasha revirou os olhos e Clint bufou em discordância com a princesa. “Vocês se iludem em pensar que o conhecem, ele acabou de dizer a todos que o maior defensor da terra está indisponível. E a culpa é de vocês”.

“Shuri...” T’Challa tentou falar, mas a menina estava muito enfurecida.

“Não!”. Ela encarou o irmão. “Eles têm que entender o problema que criaram”. O Rei levantou as mãos em um gesto apaziguador e deu um passo atrás, ela não seria parada agora. “Vocês nunca consideraram Tony parte da equipe, ele era apenas o consultor e o menino do equipamento, não é? Vocês eram o cara legal e ele apenas o nerd querendo se aproximar. Vocês o usaram, desprezaram e colocaram rótulos que achavam que ele merecia porque a mídia falava isso. Vocês foram péssimos amigos, nunca entenderam o que se passava com ele, sempre assumindo que ele era irresponsável e alguém que não tinha sentimentos”.

Sam e Scott que mal conheciam Tony se mexeram desconfortáveis enquanto Shuri falava com os Vingadores mais antigos, ela tinha uma fúria nos olhos que era aterrorizante para uma menina tão jovem. Contudo, os dois homens podiam ver que cada palavra dela era verdade, o modo como Steve se encolhia era um claro sinal dos problemas que os seis originais tinham.

“Tenho certeza de que vocês ficaram felizes em ter tudo sempre preparados para vocês: as armas, a comida, o teto sobre suas cabeças. Se alguma coisa acontecesse e alguém precisasse falar com o público era só empurrar Tony Stark na frente de um microfone e estava tudo bem, ele resolveria. Mas vocês estavam tão preocupados em apontar o quanto ele era egoísta e narcisista que nunca viram a dor por trás de tudo”. Shuri parecia decepcionada com eles durante seu discurso. “Vocês perguntaram a ele sobre o que aconteceu no Afeganistão quando ele foi sequestrado?”

“Tem no arquivo dele”. Natasha falou como se isso fosse o suficiente.

“O seu diz que você fez parte da sala vermelha. O que tem escrito lá é a mesma coisa de você me dizer o que passou naquelas salas? Será o mesmo sentimento?” A menina não perdeu o ritmo quando viu a Viúva se encolher ao relembrar da sala vermelha. “Me diga, Capitão, você ainda se lembra de quando era um homem indefeso que mal conseguia respirar? Eu li a sua história, mas só posso entender verdadeiramente se você me contar”. Steve ficou tenso, mas não falou nada. “E você Sr. Scott, tenho certeza de que contou ao júri sobre sua filha antes de ir para cadeia, assim eles conheceriam você melhor”.

Todos ali se mexeram desconfortáveis, eles podiam ver agora que a pessoa a se temer naquele país não era o rei T’Challa, mas sim sua irmã. Ela parecia ser apenas uma adolescente que brincava de ser cientista, mas ela estava se provando uma mulher sábia e firme em suas palavras.

“Vocês nunca se deram ao trabalho de conhecer seu companheiro de equipe. Como vocês não ficaram curiosos em conhecer alguém que aprendeu sobre energia termonuclear em uma noite? Vocês apenas o julgaram baseado em reportagens sobre sua vida amorosa. E quanto ao portal? Vocês perguntaram se ele estava bem depois de ter quase morrido preso no vácuo do universo? Vocês acreditaram nele quando ele falou que existia algo maior vindo em direção a terra, e o que Loki fez foi apenas brincadeira de criança?”

“Shuri, olhe---” Steve se viu obrigado a interromper a menina, ele entendia que ela estava chateada com a notícia de Tony, mas ela não convivia com o bilionário, então não sabia como ele era.

“Eu ainda não acabei, Capitão”. Ela falou com firmeza. “Eu preciso que vocês entendam que se alguma coisa acontecer com a Terra a culpa é de vocês. Tudo o que acontecer a partir de agora vai recair exclusivamente nos ombros do Capitão América, não existirá mais o Homem de Ferro para limpar a bagunça. Cada um aqui vai ter que arcar com as consequências de suas decisões. Inclusive, espero que vocês lembrem, que o que aconteceu em Lagos, Tony resolveu, mesmo que ele nem estivesse lá”. Respirando fundo, Shuri os encarou decepcionada. “E espero que saiam logo do meu país, eu nunca concordei que ficassem”. Ela disse e pela primeira vez desde o início do discurso, eles viram um pouco de birra. “E Tony sabia que vocês estavam aqui o tempo todo, mas mesmo vocês o odiando, ele continuou protegendo vocês”.

Shuri saiu da sala enfurecia, seus passos eram altos e raivosos, aquilo realmente mostrava a adolescente que ela era, mas não invalidou todas as verdades que ela jogou na cara deles. T’Challa suspirou e encarou as pessoas que ele apoiou todos esses meses, ele sabia que nenhum deles era perfeito, mas era desconfortável saber que desprezavam tanto alguém que eles chamavam de amigo.

“Olhe, não posso me desculpar pela minha irmã, pois concordo com ela. Contudo, acredito que vocês possam fazer o Sr. Stark ver a razão e voltar ao posto de Homem de Ferro. Precisamos dele para o que está por vim”.

“Você e a princesa parecem saber algo que não sabemos”. Natasha falou e cruzou os braços como se o questionasse e sua postura só fez as duas Dora Milaje segurarem as lanças mais apertadas em suas mãos.

“Sabemos o que vocês sabem”. T’Challa deu de ombros. “Sr. Stark contou o que viu naquele buraco de minhoca, e acredito que a Srta. Maximoff também viu”. Ele disse e encarou a jovem, Wanda apenas desviou o olhar.

“Como Wanda saberia?” Steve perguntou confuso.

T’Challa o encarou também confuso, como ele não saberia? Tony foi processado por causa de Ultron e provou sua inocência quando as filmagens do terno e da sala com o cetro provaram que Wanda havia mexido em sua cabeça, o que fez o bilionário ter sintomas de paranoia e ataques de ansiedade.

“Sr. Rogers, você tem conhecimento sobre o processo contra o Sr. Stark por causa de Ultron?”

“Claro que sim”. Steve falou desconfortável, ele sabia que Tony havia sido absorvido de tudo, mesmo que todos soubessem que tinha sido ele a construir o robô assassino.

“Então você sabe que durante o julgamento foi mostrado provas que a Srta. Maximoff mexeu com a cabeça de Tony Stark, o que o incitou a estudar o cetro e afirmar que precisaríamos de uma arma contra alienígenas”.

Todos encararam Wanda com surpresa como se só agora soubessem dessa informação, T’Challa não ficou surpreso com isso, era claro que não existia confiança nessa equipe e que eles só colocavam a culpa de tudo em Tony porque era mais fácil.

“Inacreditável”. Okoye falou e revirou os olhos, ela não gostava nenhum pouco dessa equipe e confirmou, mais uma vez, que eles eram péssimas pessoas.

“Bem... espero que vocês entrem em contato com seu presidente logo. Não posso continuar com vocês em meu país, já estou arriscando demais”.

Com isso, T’Challa saiu da sala e deixou os Rogues com seus pensamentos, por mais que quisesse ajudar esses heróis, o Rei sabia que se descobrissem que ele os escondia em Wakanda ele seria preso como cúmplice.

“Você não contou sobre ter entrado na cabeça de Stark, Wanda”. Clint falou desconfortável, ele sabia que Tony tinha ataques de pânicos depois da batalha de Nova Iorque, assim como ele. Então ter a cabeça mexida com seu pior pesadelo deveria ter sido terrível.

“O assunto nunca apareceu”. Ela sussurrou e parecia envergonhada.

“Não se preocupe, Wanda. Eu sei que você se arrepende, e Tony deveria ter nos contado de qualquer jeito”. Steve a consolou. Sam o encarou incrédulo e balançou a cabeça com a condescendência do homem.

“Ele não sabia”. Natasha suspirou desconfortável. “Ele só descobriu sobre isso quando estava juntando provas de sua inocência. Pouco antes da audiência no tribunal ele assistiu as filmagens do terno e daquela sala, foi quando encontrou Wanda e Pietro na sala do Cetro”.

Wanda se mexeu desconfortável ao ouvir Natasha relatar o que aconteceu naquele dia, ela não se arrependia de mexer com a cabeça de Tony, ela o queria morto de qualquer jeito. Mesmo agora ela não se importava que ele se machucasse ou sumisse de suas vidas, mas não queria que os outros soubessem disso, ela não podia ter Steve contra ela.

“Eu me arrependo disso”. Ela falou baixinho e esperou que todos acreditassem em seu pequeno teatro.

“Nós acreditamos em você”. Steve falou com um sorriso. “Mas vamos deixar isso de lado, não é mais importante. Agora precisamos conversar com o presidente e nos trazer de volta para casa”.

Sam e Scott se entreolharam desconfortáveis, eles não conheciam os Vingadores tão bem como pensavam, e desde a confusão dos Acordos, eles perceberam que Steve não era a lenda justa e perfeita que todos pensavam. O medo maior deles era que tudo isso explodissem em suas caras.

Contudo, depois de tudo que fizeram para recuperarem Bucky - por que esse sempre foi o objetivo de Steve - eles não tinham muito o que fazer a não ser receber os perdões e voltarem para casa.

...

Nova York – 2016

Tony suspirou e se sentou no sofá depois que o assistente social saiu de sua casa, era a segunda visita que o homem fazia em menos de três dias. Tony sabia que era necessário tudo isso e que as pessoas exigiriam provas de que ele era apto a adoção, mas com a quantidade de perguntas e insinuações que o homem fez, o bilionário podia afirmar que o assistente social não gostava muito dele.

Contudo, ele não se importava com o homem, tudo o que ele queria era a aprovação para trazer Peter e Morgan para casa quando ambos tivessem alta do hospital. E graças a Pepper, que trabalhou incansavelmente nesses últimos dias, ele era um pai adotivo e teria a guarda provisória em breve.

“Tony, você vai querer alguma coisa para comer?” May perguntou da cozinha.

“Acho que um pouco de massa seria legal, Tesoro”. Tony falou com um sorriso.

May revirou os olhos com a palhaçada do amigo, ele sempre encontrava uma oportunidade de provocá-la ao falar em italiano, ambos eram descendentes de pais italianos e às vezes falavam nessa língua para irritar Christine e Stephen.

“Então levante sua bunda daí e venha me ajudar, Amore mío”.

Tony apenas riu e foi em direção a cozinha, pelo menos sua dispensa estava cheia e eles conseguiriam fazer um pouco de macarrão sem incendiar a cozinha. Até porque Tony e May estavam proibidos de ficarem naquele ambiente sem supervisão--- ainda bem que Friday tinha Pepper na discagem rápida.

“May, como está Peter? Eu não conseguir ir ontem por causa de todas as atualizações que eu precisava fazer aqui”. Perguntou Tony enquanto cortava os tomates.

“Ele não falou muito”. Ela suspirou. “Quando cheguei no quarto hoje pela manhã ele começou a chorar e se jogou nos meus braços, foi de partir o coração”.

Tony sabia disso, ele mesmo sentiu seu coração partir em dois quando contou a notícia ao menino quatro noites atrás. Ele não estava seguro em falar com Peter sobre sua mãe morta, mas teve que fazer se quisesse ser um verdadeiro pai para o menino. Peter ao ouvir sobre isso não entendeu de início, sua pouco idade não entendia o conceito de morte. Porém, assim que soube que nunca mais veria sua mãe, as lágrimas saíram de seus grandes olhos de corça.

Tony o abraçou apertado, seu próprio coração partido com os soluços de Peter, o menino chorou por horas pedindo por sua mãe, mas desmaiou de cansaço, e Tony no final estava tão esgotado emocionalmente quanto a criança. May tinha ficado com eles o tempo todo, confortando ambos com palavras gentis e toques suaves; ela tinha lágrimas nos olhos também e ver Tony e Peter tão tristes a devastou, mas ela se manteria forte por eles.

Naquela noite Tony ficou com Peter, ele passou a noite consolando o menino e tendo certeza de que sua tristeza não afetasse seu sistema imunológico ainda muito frágil. Foram dias difíceis, mas Tony mostrou que estava pronto para ser um pai mesmo que ele não sentisse isso.

Agora dias depois, Tony precisou se ausentar do hospital e ir para casa arrumar a cobertura para acolher as duas crianças, mesmo que ele não tivesse feito muita coisa, apenas supervisionasse os decoradores e arquitetos. No fim tudo deu certo e o assistente social pareceu aprovar sua casa.

“Espero ser o suficiente para Peter”. Tony falou depois de relembrar esses últimos dias.

“Você já é, Tony”. May falou e se aproximou do amigo. “Ele confia em você e te ama”.

“Ele mal me conhece”. Tony falou com um suspiro.

“E isso é o suficiente, ele sabe que você o visitava, escutava sobre Star Wars e que o abraçou no dia mais triste de sua curta vida. E isso, Tony, é muito mais que suficiente”.

Tony não falou depois disso, muito perdido em sua mente e seu próprio julgamento. Eles continuaram a fazer o macarrão, ambos concentrados em suas tarefas para ter algo comestível para o jantar.

“Obrigado, May”. Tony falou quando ambos estava de volta na sala depois do almoço.

“Pelo que?” Ela questionou confusa.

“Por estar sempre ao meu lado, mesmo eu sendo um idiota”.

“Você cresceu em mim, Tony. Como fungos”. Ela falou com um sorriso e o abraçou.

Tony revirou os olhos, mas a abraçou apertado e mais uma vez ele sentiu seu coração se aquecer, e aquele sentimento de algo mais surgiu, mas Tony o reprimiu, ele não precisava complicar sua vida ainda mais se apaixonando por sua amiga.

“Você está falando como Stephen, não sei se gosto disso”. Ele debochou. May apenas sorriu mais largo.

Os dois ficaram aconchegados por algumas horas antes de voltarem para o hospital, Tony precisava confortar Peter e conhecer Morgan, ele não teve tempo de visitar a bebê durante toda a correria; e May teria um plantão para começar.

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Christine e Stephen estava na sala de descanso deles conversando sobre seu relacionamento. Como prometido, Stephen tinha voltado e contado tudo a médica sobre seu papel como um feiticeiro. Christine ouviu tudo com os olhos arregalados, e se ela não tivesse presenciado em primeira mão a magia não acreditaria em Stephen.

“Mas está tudo bem agora, não é?”

“Por enquanto sim”. Stephen sorriu um pouco. “Eu serei como Tony, apenas no mundo místico”.

“Isso deveria me acalmar? Porque agora vou ficar mais preocupada com você”.

“Eu sei que isso vai ser um inconveniente, eu realmente pensei muito antes de voltar para casa. Eu não queria que vocês ficassem ainda mais sobrecarregadas sabendo o que estou fazendo agora”.

“Não seria justo você nos deixar de fora”. Ela falou e o encarou séria. “Mesmo que isso nos preocupe, eu não quero que você esconda isso. Prefiro me preocupar sabendo do que não sabendo nada”.

“Tudo bem”. Ele suspirou e se aproximou ainda mais dela. “Eu senti a sua falta”.

Christine apenas sorriu e o abraçou, e esse foi a primeira vez em meses que ela conseguiu respirar confortavelmente. Stephen poderia dizer o mesmo, ele estava solitário nesses últimos meses, a saudade das conversas e brincadeiras deles, as provocações com Tony e até os puxões de orelhas e os abraços de May ele sentia falta. Naquele momento ele fez uma promessa de não se afastar de seus amigos e da mulher que amava, com isso em mente Stephen a beijou.

“Está tudo bem?” Ele perguntou quando se separaram ofegantes.

“Mais do que bem”. Christine sorriu e o beijou novamente.

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Para Tony, entrar na UTI neonatal era um momento de calmaria, ali ele conseguia se recarregar e entender o sentido da vida. Era ali com aqueles bebês guerreiros que ele conseguia perceber que sua vida não estava sendo desperdiçada como Yinsen o aconselhou.

Porém, dessa vez o sentimento era um pouco diferente, ele sentia seu coração batendo descompassado, pois iria conhecer sua filha. Mesmo que ainda não tivesse papeis comprovando isso, ele já sentia que Morgan era sua, assim como Peter já o era.

Ao se aproximar da incubadora, Tony se sentiu ansioso, mas quando seus olhos a encararam era como se um mar de calma o tivesse tomado. Ali naquele “aquário” a menina dormia pacificamente, ela era pequena, mas respirava sem aparelhos e ele podia ver o coraçãozinho batendo rápido. Havia apenas um acesso venoso preso em seu braço com nutrientes para ajudá-la, e alguns fios monitorando seus sinais vitais.

“Ela é linda, não é?” May falou ao seu lado, ele nem tinha percebido que ela havia se aproximado.

“Sim, ela é. Ela tem o nariz de Peter”. Tony sussurrou com um sorriso. Ele podia ver algumas semelhanças agora que parou para prestar atenção. Morgan tinha cabelos castanhos e encaracolados como o de Peter no início da quimioterapia; sua pele era rosada e ela estava fazendo biquinho com algo em seus sonhos. Era realmente adorável.

“Você quer pegá-la?”

“Não sei, ela parece tão frágil”. Tony estava com medo, ele não queria machucar a bebê, mesmo que tivesse feito isso diversas vezes.

“Você vai se sair bem”. Ela disse e começou a abrir a incubadora. Não demorou muito para Tony ter sua filha em seus braços.

“Ela é tão pequena”. Ele sussurrou emocionado. Agora ele entendia por que tantos pais choravam quando tinha seus filhos nos braços, era avassalador saber que aquele ser minúsculo era sua responsabilidade e que seu coração batia agora fora do corpo.

Tony já estava há dias sentindo seu coração cheio de amor e carinho por Peter, ele já se sentia protetor com o menino desde o momento que ouviu sobre a morte de Mary e agora conhecendo Morgan, ele sabia que daria sua vida por aquelas crianças. E mesmo que seu sangue não corresse por suas veias, Tony era pai deles e ninguém mudaria isso.

Morgan de repente começou a se mexer, seus pequenos pulmões fazendo um excelente trabalho ao chorar tão alto, Tony ficou em pânico por dois segundos antes de começar a balançar ela em seus braços e sussurrar:

“Ei, Morgan, não se preocupe. Papai está aqui para proteger você, não precisa ter medo”.

May que assistia tudo quieta e viu todas as emoções passarem pelo rosto de Tony, apenas sorriu com lágrimas nos olhos ao ver como Tony entrou em seu papel de pai sem hesitar. Ele era natural, apenas confortou a menina e deixou seu coração transbordar de amor e cuidado. E naquele momento May sentiu seu coração se acelerar pelo homem em sua frente, ele era uma pessoa magnífica e qualquer mulher que tivesse a sorte de conhecê-lo verdadeiramente tiraria a sorte grande; e só por um momento May se imaginou sendo essa pessoa e ela gostou. Contudo, voltando a realidade, ela se lembrou que era casada e que Ben a amava, mesmo que eles estivessem passando por um período complicado.

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Quando o turno chegou ao fim, May foi se despedir de Tony e Peter, naquela noite o bilionário resolveu ficar no hospital, pois tanto Peter quanto Tony precisavam desse tempo de pai e filho. E May sabia que depois de conhecer Morgan, o gênio mal sairia de lá.

Durante o caminho até em casa, May tentou ligar para Ben, mas o homem não atendia o telefone, ela pensou em saírem para jantar já que era um dia especial. E a última tentativa de encontro foi interrompida por um caso de homicídio que Ben precisava resolver. E dessa vez, eles precisavam conversar sobre seu casamento, ela sabia que não estava sendo uma boa esposa, por mais que ela se esforçasse seu tempo era gasto sempre no hospital e isso deixava Ben irritado. E ele tinha razão. Contudo, May entendia que não era a única culpada, Ben era um policial e sempre estava disponível para comparecer a delegacia, ele largaria tudo para ajudar algum colega de profissão e May nunca realmente se importou, o trabalho era importante.

No entanto, nos últimos dois anos, eles não tiveram muito tempo um com o outro, apenas seguiram sendo colegas de quartos ao invés de um casal casado. E a enfermeira estava ficando cansada dessa situação e das acusações do marido por causa da sua amizade com Tony, mesmo quando Ben também estava sendo negligente no relacionamento. Foi por isso que ela saiu do turno o mais rápido possível, nessa noite ela consertaria seu casamento e tentaria ser feliz novamente.

Entretanto, as coisas não saíram como planejado, May entrou em casa para encontrar Ben com outra mulher em sua cama, ele e sua parceira de trabalho estavam tão envolvidos em seu ato de amor que não ouviram o arfar de surpresa da enfermeira.

“Quando terminarem eu preciso falar com você, Ben”. A voz fria de May encheu o quarto e a amante gritou de susto. May apenas se virou e foi para sala.

A enfermeira estava com o coração descompassado, ela sabia que as coisas não estavam bem, mas ela nunca imaginou que o marido a trairia desse jeito. E agora ela entendia todas as acusações, era ele quem estava sendo vil e inconscientemente esperou que May também estivesse sendo. Então ela controlou todas as emoções e tentou pensar racionalmente.

Demorou apenas dois minutos para Ben aparecer vestindo algumas roupas e com o rosto vermelho, ele parecia com raiva e isso só aumentou a própria raiva de May.

“Por que você chegou cedo?” O homem perguntou um pouco rude e May se sentiu ainda mais ofendida. “Eu pensei que seu turno acabaria amanhã”.

“Eu troquei meu turno”. May falou entredentes ainda chocada com o que ele disse. “Eu cheguei cedo para que a gente pudesse jantar, já que é nosso aniversário de casamento”.

Ben ficou pálido ao ouvir isso, ele não havia lembrado da data, ele estava tão envolvido com Lacey, sua parceira, que não lembrou de sua esposa. E agora tudo estava desmoronando bem na frente dele.

“May, eu---”

“Há quanto tempo vocês estão fazendo isso?” May perguntou e seus olhos agora estavam cheios de lágrimas.

Ben pensou em mentir, talvez se ele dissesse que foi apenas um caso passageiro May o perdoasse, porém, ao olhá-la nos olhos sabia que não poderia fazer isso com ela. Não depois de acusá-la de traição quando ele era o único a trai-la, ele tentou encobrir a culpa com as acusações porque sabia que Tony seria um homem melhor para ela. Contudo, Ben tinha consciência que o bilionário nunca faria May decidir entre eles dois, ele era honrado assim.

“Oito meses”.

May o encarou horrorizada, as lágrimas finalmente começaram a cair quando ela percebeu por quanto tempo foi enganada, a dor de ser traída era sufocante e ela precisava sair dali antes que fizesse alguma coisa drástica.

“Eu preciso de ar...” Ela disse e foi em direção a porta.

“May, espere! Podemos resolver isso, vou acabar com tudo e nós podemos começar de novo. Eu te---”.

“Não termine essa frase. Você não me ama, Benjamin. Você tem apenas uma ilusão de amor. Eu vou sair agora e quando eu voltar espero que você já tenha ido embora”.

Dessa vez, Ben não a impediu, não quando ele percebeu que ela estava certa, o amor não existia mais entre eles e isso era doloroso de descobrir.

“Ei, você vai morar comigo agora?” Lacey perguntou assim que a porta da frente bateu, a mulher não parecia arrependida de ter se envolvido com um homem casado.

“Acho que sim”. Ele falou derrotado, ambos voltaram para o quarto e prepararam uma mala para ele.

Enquanto isso, May ligou para Pepper e contou o que tinha acontecido, elas eram amigas e May não queria incomodar Tony ou atrapalhar o tempo de reconciliação de Stephen e Christine; então foi a Pepper que ela recorreu. A loira apenas mandou que a enfermeira fosse para a Torre Stark e ambas foram para a antiga sala de treinamento dos Vingadores e lá, em meio as lágrimas, May derramou toda a raiva e dor do seu casamento fracassado nos sacos de pancadas.

...

As próximas duas semanas foram bem corridas para May e Tony, a enfermeira ainda estava se adaptando a sua vida de solteira, mas aquela noite foi muito benéfica. Ela bateu nos sacos de pancadas e quebrou alguns copos para aliviar a raiva; e depois ela chorou até adormecer ao lado de Pepper. Na manhã seguinte May contou aos outros o que aconteceu; ela, Pepper e Christine tiveram que convencer Tony e Stephen de não matarem Ben. Elas não precisavam saber que Stephen abriu um portal na nova casa de Ben e ele e Tony assustaram o homem.

Tony, no entanto, recebeu boas notícias nas últimas semanas, ele conseguiu a guarda temporária das crianças, Morgan havia ganhado peso e já estava pronta para ir para casa e a última sessão de quimioterapia de Peter foi no dia anterior. E hoje ele levaria as crianças para seu novo lar.

Esses últimos dias foram realmente marcantes para o bilionário, durante suas idas a UTI neonatal ele se apegou a Morgan de tal modo que ele sabia que nunca a deixaria ir, ela era sua filha. E Peter se tornou sua cola, sempre indo aonde Tony ia no hospital e parecendo angustiado quando não via Tony por perto. A psicóloga havia informado que isso era apenas o menino preocupado em perder o bilionário assim como perdeu sua mãe.

E em um desses dias, Peter quis conhecer sua irmã e Tony não conseguiu dizer não. Com a ajuda de May, Peter foi equipado para entrar na UTI e esse foi o momento preferido de Tony. Com passos cautelosos o menino se aproximou da incubadora e seus olhos de corça se arregalaram quando viu a irmãzinha, mesmo ainda tendo 4 anos, Peter era muito inteligente e perguntou para May se era aquele bebê que chutava a barriga da sua mãe. Tony riu, mas seus olhos estavam marejados quando viu o pequeno colocar a mão dentro da incubadora e a mãozinha de Morgan agarrarem os dedos dele.

E dez dias depois dessa cena cativante, Tony foi autorizado a levar seus filhos para casa, May tinha tirado o dia de folga e o ajudaria a se instalar.

“Você está pronto para ir, papai?” May perguntou com um sorriso.

“Acho que sim”. Tony parecia nervoso, mas a enfermeira sabia que ele estava empolgado. “Vamos colocar esse show na estrada”.

O caminho para a Torre foi rápido e tranquilo, Peter parecia encantado com tudo o que via pela janela e em seu entusiasmo ele se contorcia na cadeirinha. Morgan apenas dormia alheia a tudo. Sair do carro e entrar na Torre foi um pouco mais complicado, percebendo o prédio muito grande em sua frente, Peter ficou assustado e não quis sair do lado de Tony e o bilionário ficou um pouco atrapalhado em administrar tudo.

“Ei, que tal você pegar Peter e eu levo Morgan?” May disse já com a cadeirinha do carro nas mãos.

“Isso seria legal, mas ainda tem as bagagens. Que tal eu levar as crianças e você pega as bolsas?” Tony falou e estendeu a mão para a cadeirinha. May pensou em retrucar, mas lembrou que Tony havia contado que Extremis tinha melhorado suas habilidades, e força era uma delas, então ele não ficaria cansado em levar as duas crianças em seus braços.

Assim que entraram no elevador, Tony sorriu para Peter que o agarrava como um coala.

“Ei, Pete, você quer conhecer um dos seus irmãos?” Tony brincou, ele havia contado a Peter sobre seus bots e IA’s, e sobre Vision também, assim o menino aceitaria sua família de robôs. “Friday?”

“Olá, Peter”. A voz de Friday era baixa e gentil, Tony ficou feliz em ver que ela entendeu a situação e se adaptou para não assustar Peter.

“Uau...” O menino falou enquanto olhava ao redor. E quando seus olhinhos viram a lente da câmera, ele sorriu. “Oi Friday”.

“Se eu não estiver por perto é só pedir ajuda a Friday, está bem?”

“Tá bom”.

May que estava ao lado deles apenas sorriu na interação entre os dois, ela ainda se surpreendia com a rapidez que os dois ficaram próximos, olhando a interação entre eles ninguém duvidaria que Tony era pai de Peter.

“May, você vai ficar para o almoço, não é?”

“Claro que vou, não posso deixar você sozinho hoje. A Torre pode vir abaixo”. Ela brincou e o viu revirar os olhos divertido. May sorriu e pensou na surpresa que Tony teria em alguns segundos.

Assim que eles saíram do elevador, Tony percebeu o silêncio e isso o deixou desconfiado, mesmo morando sozinho sua casa estava sempre zumbindo. Porém, antes que pedisse uma armadura para Friday ele ouviu um grito animado:

“Tio Tooony”.

Lila vinha em sua direção com um grande sorriso e os bracinhos abertos, atrás dela estava Cooper que sorria também. Foi então que o bilionário percebeu que seus amigos estavam fazendo uma surpresa para ele.

“Ei, gente...” Ele falou e se abaixou cuidadosamente no chão.

Lila arregalou os olhos quando viu a bebê na cadeirinha e Cooper olhava para Peter com curiosidade. Tony sorriu ao ver seus ‘sobrinhos’ ali, fazia um tempo que ele não os via, desde a guerra civil, ele tinha até conversado com Laura, mas por causa de toda a confusão ele não teve tempo para visitá-los.

“Peter, quero que você conheça Lila e Cooper. Eles são...” Tony pensou como colocaria isso sem confundir a cabeça de ninguém. Mas a família deles já era confusa, então... “Eles são seus primos”.

“Olá”. Peter falou e balançou a mãozinha na direção das duas crianças, mas seu aperto ainda era firme em Tony.

“O que aconteceu com seu cabelo?” Lila pergunta curiosa.

“LILA!”. Laura repreendeu e se aproximou do pequeno grupo, Nathaniel em seus braços. “Você não faz perguntas assim, é indelicado”.

“Está tudo bem, Laura. Acho que devemos explicar para ela, assim ela pode entender e ajudar, não é, Pete?”

“Uhum” O menino concordou, mas olhou para Tony com preocupação, o bilionário deu um beijo em sua testa e sorriu. Aquilo foi o suficiente para deixar o pequeno confiante. “Eu estou doente, com Leu---leuc---”

“Leucemia”. Tony sussurrou o encorajando.

“Leucemia”. Peter repetiu e sorriu ao conseguir pronunciar o nome corretamente. “O remédio fez meu cabelo cair”.

Lila o encarou um pouco preocupada, mas para a surpresa de todos ela abraçou Peter e Tony sentiu seu coração se encher de amor com o gesto. Ele abraçou a menina e sentiu a calmaria tomar conta de seu corpo, ele estava preocupado que tudo estivesse indo rápido demais e ele arruinaria com as coisas. Mas vendo todos seus amigos ali e recebendo o abraço de Lila, Tony podia sentir que conseguiria criar seus filhos e que teria o amor e apoio de todos.

“Você quer brincar?” Lila perguntou com um sorriso e os olhinhos ansiosos.

Peter encarou Tony com seus olhos de corça, o menino mantinha o aperto firme na camisa do bilionário, mas era perceptível em seus pequenos olhos a vontade de ir com Lila atrás do divertimento.

“Você pode ir”. Tony sussurrou com um sorriso. Peter afirmou e seguiu Lila que falava animadamente do quanto era divertido a Torre.

Cooper olhou entre Tony e Lila sem saber ao certo que direção tomar, percebendo que o menino mais velho estava querendo acompanhar os mais novos, Tony o abraçou rapidamente e pediu que ele ficasse de olho nos pequenos.

“Acho que Peter vai gostar daqui”. Comentou Strange com um sorriso.

Laura se aproximou de Tony com Nathaniel nos braços, o menino também estava adormecido, mas não impediu dos dois adultos trocarem as crianças em seus braços.

“Ela é muito fofa, Tony”. Comentou Laura enquanto balançava Morgan em seus braços.

“Sim, ela é. Os dois, na verdade”. O bilionário sorriu enquanto olhava para Nathaniel. “Acho que posso falar que todos os nossos filhos são fofos”.

“Meu Deus... essas crianças têm todos vocês enrolados no dedo mindinho”. Strange falou com deboche.

“Quando você tiver o seu, aí você vem falar comigo, Stephen”. Laura falou com o revirar os olhos.

Stephen trocou um rápido olhar com Christine e ambos ficaram um pouco rosa nas bochechas quando o pensamento de filho passou por suas cabeças. Mas ambos apenas deixaram esse pensamento de lado, ainda era muito cedo para isso.

“Tudo bem, vamos começar essa festa”. Tony falou com um sorriso e todos foram para grande sala.

A sala de estar tinha sido reformada por causa das crianças, onde antes era apenas moveis minimalistas e muito estéreis, agora era uma sala aconchegante. Tinha um tapete felpudo e vermelho no centro com uma mesinha redonda em cima, o sofá parecia muito confortável e pelo modo que Cooper estava deitado lá, era como está deitado em uma nuvem.

A conversa era suave e as crianças pareciam se divertirem com alguns brinquedos que Tony trouxe para sala, o bilionário havia dito que tudo era de Peter e assistir os olhos do pequeno se arregalarem de surpresa foi gratificante.

Algumas horas depois, as crianças se aquietaram e um filme da Disney estava passando na televisão. Peter estava agora deitado no peito de Tony, ele estava sonolento, mas ainda prestava atenção no desenho. Morgan estava nos braços de May depois de ter sido passada ao redor por todos os adultos. As três crianças de Laura estavam ao redor da mãe com os olhos quase se fechando com sono, era uma cena doméstica e calma, tudo o que eles precisavam. Contudo, Friday teve que quebrar o silencio e falou com Tony num sussurro.

“Chefe, estou recebendo uma ligação de Wakanda”.

“Deixe passar, Friday”. Ele fala e sorrir já sabendo quem poderia ser. Não demorou muito para uma voz alegre e cheia de energia encher o local e um grande holograma abrir no meio da sala.

“Ei, Tony”. Shuri sorriu pela câmera. “Cadê meus primos?”

“Shuri, como você está? E cadê o respeito aos mais velhos? Eu era Tio Tony na semana passada”.

A risada da menina encheu todos de alegria, era raro para eles verem essa interação de Tony com adolescentes, e era cativante de assistir. May tentou fazer seu coração se desacelerar com essa imagem, ela precisava se acalmar ao redor de Tony agora que começou a perceber seus sentimentos por ele.

Então para evitar de ter mais pensamentos assim, May virou o rostinho de Morgan para a câmera mais próxima.

“Oi Shuri”. A enfermeira sorriu suavemente, ela conheceu a menina na semana anterior e a amou quase instantaneamente. “Essa é a Morgan”.

Todos assistiram com sorrisos divertidos o rosto da menina se suavizar ao olhar para a bebê, o que todos entendiam, cada criança ali era muito fofa para o bem deles. Stephen era o mais no controle de suas emoções e até ele não podia resistir a tanta fofura, contrariando sua fala no começo da noite.

“Ela é tão fofa”. A adolescente sussurrou. “E quem é esse que está se escondendo?” Tony sorriu com o comentário e sussurrou alguma coisa para a criança que estava em seu peito.

“Oi, eu sou o Peter”. A vozinha falou.

O sorriso de Shuri ficou ainda maior e seus olhos brilharam, Tony até podia dizer que havia corações saltando dos olhos dela. Mas era compreensível, Peter com seus olhos de corça era a criança mais adorável que Tony já tinha visto.

Sorrindo, o bilionário apresentou a menina para todos na sala e disse que conheceu a princesa quando teve uma conversa com T’Challa algumas semanas depois da Sibéria. Foi fácil conversar com ela, pois os dois eram os grandes gênios dessa geração e da seguinte.

Apesar de terem falado sobre o outro país e sua tecnologia, Lila escutou apenas uma palavra: princesa e ficou encantada em conhecer uma. Cooper apenas observou calado, mas então viu uma das contas Kimoyo no braço de Shuri e perguntou o que era e ficou de boca aberta quando viu funcionando. Tony apenas revirou os olhos para a tecnologia avançada que eles tinham em Wakanda.

O tempo passou lentamente enquanto eles conversavam, até que Tony resolver perguntar sobre os outros, ele não queria pensar em seus ex-companheiros, mas ele era um pouco masoquista.

“Shuri--- como eles estão?”

“Aqueles idiotas?” Ela resmungou chateada.

“Que idiotas?” Stephen perguntou desconfiado, ele só usou essa linguagem porque sabia que todas as crianças estavam adormecidas agora.

“Os Rouges”. May falou com um suspiro.

“Você sabia que eles estavam em Wakanda?” Christine perguntou surpresa.

“Desde a Sibéria”. Tony falou. “Eu sabia que Rogers ia tentar encontrar ajuda para seu amigo desmemoriado”.

“E ele achou que Wakanda podia ajudar”. Shuri falou nada satisfeita com isso. “Rogers é um idiota que se aproveitou da proposta do meu irmão que só havia oferecido ajuda ao Sargento Barnes”.

Quando a confusão encheu os rostos dos adultos, Shuri explicou que T’Challa se arrependeu de perseguir Bucky sem saber a verdade completa sobre a inocência ou não do Sargento; ele então ofereceu sua tecnologia para o livrar dos gatilhos da Hydra, mas o convite foi feito apenas para o sargento, porém Rogers entendeu que era para todos eles e se convidou para seu país.

“E o rei aceitou isso?” Stephen perguntou desconfiado.

“Meu irmão é um idiota de coração grande, ele acredita que os ânimos estavam muito alterados e que com o tempo Rogers perceberia a gravidade de tudo”. Shuri revirou os olhos irritada. “E para a surpresa de ninguém, o Capitão pomposo ainda acha que tudo que fez foi correto”.

“Você não parece gostar muito do Capitão Rogers”. Laura falou um pouco surpresa.

“É difícil conviver com alguém que se nega em ouvir o outro e acredita que sua verdade é absoluta, ele só se importa com Bucky. Tudo o que ele fez ou faz tem Bucky em mente, ele não se importa com as consequências de suas ações contando que isso mantenha o Sargento seguro”. A princesa estava com raiva agora.

“Não é só isso que te deixa irritada, não é Shuri?” May falou com seu olhar conhecedor.

“Eles falam mal de tio Tony o tempo todo”. Ela falou com a voz baixa, mas todo mundo havia ouvido. “Todos tiveram culpa nessa briga ridícula, mas eles apenas culpam tio Tony”.

“Shuri, não se preocupe muito com isso. Eles só estão chateados por não poderem voltar para casa”. Tony tentou amenizar.

“Foi o que eu pensei no começo, mas já se passaram meses e parece que eles te odeiam mais a cada dia. É frustrante ouvir tudo isso e não poder te defender. Eles sempre xingam ou insinuam que o acordo foi feito por você para tentar controlá-los”.

“Mas isso não faz sentido, o acordo foi feito por vários países para a proteção da terra”. Christine falou.

“Exatamente, mas tentar dizer isso a eles é uma missão impossível. E alguma coisa me diz que a culpa disso é da bruxa”.

Ao ouvir isso, Stephen se enrijeceu no sofá, ele tinha lido um pouco sobre Maximoff e tinha sentido a magia dela em torno de Tony e depois de conversar com o bilionário, Stephen conseguiu limpar a magia nociva do seu amigo. Mas ele ficou incomodado ao saber que tinha uma pessoa com o poder da pedra da mente e sem qualquer treinamento ou controle.

“O que você quer dizer?” Tony questionou preocupado.

“Todos falam mal de você, tio Tony. Não importam o quanto pequeno seja a conversa, sempre acaba com você sendo o centro de seus problemas. É irritante. E a bruxa sempre instiga isso, ela sempre está disposta a lembrar de seus erros e o quanto ela foi vítima do grande Tony Stark. E eu percebi que ela sempre sorri quando vê todos destilando ódio ao redor”.

“Deus--- e eu pensei que estava ficando louco”. Tony sussurrou e apertou Peter um pouco mais em seus braços.

“Ela fazia isso aqui, Tony?” Stephen perguntou com raiva, ele estava a um passo de pegar seu anel, abrir um portal em Wakanda e prender essa bruxa.

“Eu pensava que era só minha imaginação, todos diziam que eu só implicava com ela quando a via sorrir”. Tony suspirou cansado. “Pelo visto eu estava certo o tempo todo”.

“Meu Deus...” Laura sussurrou. “E como ela conseguiu se safar com tudo isso?”

“Ela com certeza usava sua magia para influenciar todos”. May comentou.

“Sim, mas eu acredito que ela só empurrava um pouco, nenhum dos Vingadores gostava de tio Tony, então ela só aproveitou disso”;

“Isso é tão...” Stephen resmungou. “Shuri, eu quero conversar com você em outro momento sobre isso. Se depender de mim, Maximoff vai ser presa pela ordem dos feiticeiros assim que pisar nos EUA”.

“Oh... isso é uma boa notícia”. Shuri falou com um sorriso. “Teremos uma longa conversa sobre isso, Dr. Strange”.

“Eu não sei se devo deixar vocês dois sozinhos”. Tony falou olhando entre os dois.

“Não se preocupe, Tony. Você está aposentado e não tem nada a ver com o que pode acontecer com os Rouges”.

Tony pensou em rebater essa afirmação, ele deveria impedir que as coisas saíssem de controle, porém Stephen tinha razão, ele estava aposentado agora e tinha filhos para criar. Ele não precisava se preocupar com coisas como essa.

“Ok... esse sou eu não ligando para nada”. Ele disse e sorriu.

Todos na sala ficaram um pouco chocados com isso, Tony nunca deixava nada sair de seu controle, sempre preocupado com todos aqueles ao seu redor. E a ameaça escondida contra os Rouges seria um gatilho para Tony os defender, mas agora era como se eles fossem estranhos e pela primeira vez eles entenderam até onde os seus ex-companheiros o machucaram. Rogers e sua equipe não sabiam o gosto amargo que teriam ao não ter mais a proteção e carinho de Tony.

Shuri mesmo que surpresa, sorriu com alegria com a autorização de Tony, ela agora podia ter um pouco de ajuda para irritar ainda mais os Rouges até que eles voltassem para os EUA. May, no entanto, estava um pouco preocupada com essa tranquilidade do bilionário, mas ela falaria com ele quando estivessem sozinhos.

...

Alguns dias depois, May estava na cozinha com Tony ambos tentavam fazer o café da manhã, na verdade, May apenas assistia as novas habilidades culinárias do bilionário. Por causa das crianças, Tony decidiu que já estava mais do que na hora de aprender a cozinhar e prestando atenção a todas as instruções de Friday e de alguns vídeos no YouTube, ele estava se saindo bem.

Peter estava na sala assistindo a algum desenho e esperando que suas panquecas fossem preparadas, o pequeno estava deitado no tapete e abraçado a um ursinho do homem de ferro. Morgan já tinha tomado uma mamadeira e dormia pacificamente na cadeirinha.

Aquele cenário doméstico aquecia o coração de May, ela sempre quis ter uma família para passar momentos como esse, as coisas com Ben nunca foram assim, mesmo quando estavam em bons termos. Mas aqui estava ela, vivendo tudo o que sonhou ao lado do seu melhor amigo.

“Por que você está tão pensativa?” Tony a questionou preocupado.

“Nada demais”. Ela falou com um pequeno sorriso. “É que tudo isso parece tão doméstico”.

“É bom, não é?” Ele falou enquanto colocava uma panqueca perfeita em um prato. “Esses poucos dias que passei com as crianças e você aqui foram algo que sempre sonhei”.

“Eu sabia que você era mole por dentro”. Ela provocou, mas sabia que ele falava a verdade. “E eu sempre soube que você seria um ótimo pai, Tony. Desde aquele primeiro dia”.

“Você me dá muito crédito”.

“Eu só disse a verdade, quem não consegue ver o quanto bom você é, eu considero um idiota”. Ela resmungou. “O que me traz a um assunto que eu queria discutir com você. Naquele dia, que Shuri falou conosco, porque você parecia tão calmo ao ouvir dos Rouges?”

“Você quer dizer: como eu não tive um ataque de pânico?”

“Isso também”.

“Eu estou vendo um psicólogo, você mandou eu procurar ajuda. Eu fiz isso”.

“Oh... eu não sabia disso”.

“Eu não contei a ninguém”. Ele suspirou, era um assunto que ele escondeu de seus amigos, pois sabia que precisava fazer isso sozinho. Mas depois de algumas sessões ele estava disposto a compartilhar. “Foi difícil me abrir com Susan, mas ela é uma pessoa discreta e não me julgou”.

“Isso é ótimo, Tony”. Ela falou e abriu um grande sorriso. “Estou orgulhosa de você”.

Tony sorriu um pouco e abaixou a cabeça para a tarefa em mãos, mas May podia ver as orelhas dele ficarem rosadas com o elogio. Ela o conhecia o suficiente para saber que o homem em sua frente valorizava cada cumprimento positivo que recebia.

“Então me diga. Ela o ajudou a ver que sua antiga equipe era um bando de idiotas sem escrúpulos?”

“Na verdade, ela me mostrou que eu tenho pessoas maravilhosas na minha vida e que eles são uma página virada na minha história”.

“Parece muito poético”. May brincou.

“Eu só não quero dizer que espero que se fod---”. Antes de Tony poder terminar de xingar, Peter apareceu na cozinha com seus olhos de corças, ele parecia cauteloso.

“Sr. Stark, as panquecas estão prontas?”

“Estão sim, Pete. Sente na mesa que vou levar seu prato, sim? Você quer suco de maçã?”

Peter abriu um grande sorriso e balançou a cabeça com entusiasmo, ele amava suco de maçã. Sorrindo, May se levantou e foi para a geladeira.

“Termine a comida, eu pego o suco e os copos”.

O resto da manhã se desenrolou devagar e de forma doce, os quatro compartilhando risadas e brincadeiras, era a imagem da família perfeita e Friday gostou de ver seu criador tão feliz, e já com a capacidade de tomar algumas decisões sozinha, ela abriu uma pasta e depositou algumas fotos dessa manhã. Esse seria um álbum que ela manteria para si, ela queria ter provas concretas do que era amor.

...

May estava terminando de costurar um corte no braço de um bombeiro quando avistou pelo canto do olho Ben escorado no balcão da recepção. Ele parecia um pouco ansioso e ela respirou fundo para se acalmar. Terminando o curativo, ela foi na direção dele e já foi se preparando para não ser persuadida por qualquer pedido de desculpa esfarrapada.

“Ben, o que o traz aqui?”

“May, ei, como você está? Eu queria falar com você”. Ele falou inquieto.

“Tudo bem”. May olhou ao redor e viu que tinha muita gente curiosa. “Vamos para um lugar mais privado”. Ela disse e foi para a sala dela e de Christine, o lugar que Tony construiu para elas e Stephen. “O que você quer falar?”0

Ben respirou fundo e olhou ao redor, ele pareceu um pouco intrigado com a aparência sofisticada da sala, mas ele não disse nada. O que quer que estivesse preocupando-o, não o deixava se concentrar nisso.

“Eu estava precisando conversar com você sobre nosso apartamento”.

“O que você quer dizer?”

“Nós compramos o apartamento juntos e agora só você está morando lá, então eu e a Lacey pensamos em uma solução”.

“Ah... vocês pensaram em uma solução?” May falou de forma sarcástica. “E qual foi? Eu sair do apartamento ou pagar aluguel?”

Ben a encarou surpreso e ela tentou não ficar com mais raiva do homem em sua frente. Ela pensava que conhecia Ben durante esses anos que passaram juntos, mas era claro que ela perdeu muitos sinais. O homem que ela um dia amou imensamente era uma pessoa mesquinha e totalmente sem noção

“Eu iria propor um aluguel”. Ele disse com um sorriso esperançoso.

“Você só pode estar brincando comigo”. Ela o encarou incrédula.

“May, por favor, veja a razão. Fomos casados todos esses anos, podemos chegar em um acordo”.

“Um acordo? Sério, Benjamim?” Ela falou com raiva, ele se encolheu um pouco quando ela o chamou pelo nome inteiro. “Você me traiu por meses, me enganou dizendo que me amava enquanto dormia com sua parceira de trabalho, e agora quer que eu aceite a proposta que vocês consideram relevantes?”

“Vamos lá, May. Não é como se você me amasse também”. O policial debochou dela, ele sabia que tinha errado, mas não achava justo ser expulso de casa sem ter direito a nada. “Você tem razão de estar chateada por eu ter encontrado alguém que gostava e não ter resolvido isso, mas você já não me amava há anos. Depois que você conheceu O grande Tony Stark, você não era mais a mesma mulher por quem eu me apaixonei”.

“É sério que você vai culpar Tony pelo nosso casamento fracassado? E acredito que foi culpa dele você ter me traído, não é?” O sarcasmo voltou para a voz dela ainda mais forte. “Tony sempre foi um bom amigo, sempre disposto a me ouvir e sempre me incentivou a passar mais tempo com você. Você sabia disso?”

Ben pensou em rebater essa fala, mostrar que o bilionário tinha influência em suas vidas e que a separação também era culpa de Tony. Mas a verdade era que Ben não queria assumir ser o verdadeiro culpado por toda traição.

“May, eu entendo que você vai defendê-lo, ele é seu amigo afinal---” E o tom que ele usou quando falou amigo era claro que estava sendo sarcástico. “Mas você não pode negar que sempre que ele ligava ou a chamava, você ia ao encontro dele. O que você acha que eu senti? Ele é um homem rico, bonito e um maldito super-herói, como eu deveria reagir a isso?”

“Eu era a sua esposa, Ben. Eu te amava. Isso era o suficiente, se eu quisesse me relacionar com outros homens eu não teria me casado. Você me conhece e sabe que não faria nada para te machucar, seja de forma física ou emocional”. Ela disse com firmeza, e dessa vez ela não estava com raiva, apenas cansada dessa relação. “Você não confiou em mim. Apenas criou teorias em sua cabeça e achou que foi o suficiente para viver como solteiro. E eu não vou sair do apartamento ou pagar o aluguel. Você quem destruiu essa relação, não eu”.

“Eu estava sendo cordial, May. Eu dei uma alternativa a você, mas você não aceitou”. Ele disse e sua voz tinha um tom mais sombrio. “O apartamento está no meu nome, eu posso denunciá-la por invasão”.

“Oh meu Deus, é isso que você vai fazer? Me expulsar?” Ela falou chocada com as palavras dele, um sorriso incrédulo no rosto. “Você não tem escrúpulos mesmo. Você quer saber? Eu vou sair do seu apartamento, Benjamin. Me dê dois dias e ele será todo seu e de sua amante. Agora saia daqui”.

Ben pensou em conversar mais, tentar fazê-la ver a razão, mas sabia que não adiantava, ela o encarava com raiva e seu olhar determinado mostrava que ela não voltaria atrás do que acabou de falar. E mesmo triste com o fim que levaram, ele estava aliviado que ela sairia do apartamento, ele não queria ter que abrir mão de algo que conseguiu com tanto esforço.

A verdadeira história aconteceu anos atrás, quando eles haviam se casado. O sonho deles eram ter um lugar para chamar de seu, mas May ainda estava estudando e não tinha emprego, então ele com a ajuda de um amigo conseguiu um empréstimo e deu entrada no apartamento. E como segurança, o local foi posto no nome dele; nenhum dos dois preocupado em alterar isso. May provavelmente estava se arrependendo desse lapso agora. Ben então suspirou e foi embora, esse capítulo de sua vida estaria virado em breve.

.

May esperou Ben ir embora antes de desabar, seu coração estava pesado e ela sentia que podia chorar a qualquer momento, não que ela fizesse muito isso, ela passou por muita coisa na vida e criou uma armadura de determinação e controle emocional invejável. Porém, nem mesmo ela conseguia aguentar a traição e indiferença de alguém que ela um dia amou.

Sentando-se no sofá, May se deixou chorar mais uma vez por esse homem. A dor de ver seus sonhos de ter uma família ir por ralo abaixo a deixou sem fôlego. E para piorar ela teria que encontrar um lugar para ficar, ela sabia que se pedisse ajuda seus amigos não pensariam duas vezes antes de acolhê-la, mas ela não queria pedir favor.

E foi no meio da crise de choro que Christine encontrou May. A médica ficou congelada por um segundo assim que abriu a porta e viu o estado da amiga, mas imediatamente trancou a porta e correu para May.

“Ei, o que aconteceu? Você está machucada?” Christine perguntou enquanto virava a enfermeira de um lado a outro procurando por machucados.

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“Estou bem”. May falou com a voz rouca e tentando enxugar os olhos. Sua respiração ainda estava ofegante, mas ela tentou se recompor.

“Você está longe de estar bem”. Christine falou preocupada. “O que aconteceu?” Ela perguntou mais uma vez.

“Ben pediu o apartamento de volta”.

“O que? Como ele se atreve---” Christine falou com raiva, mas May a interrompeu.

“Sabe o que ele propôs primeiro? Que eu pagasse o aluguel. Ele e Lacey tiveram essa ideia para assim eu ficar no apartamento”. May falou de forma debochada. “Eles estão tão felizes juntos que estão tomando decisões sérias como essa. O que eu fiz de errado, Christine? Primeiro meu casamento se acabou e agora não tenho para onde ir”.

“Claro que você tem, venha morar comigo. Eu tenho espaço suficiente e você pode ficar o tempo que precisar”. A médica falou a abraçando.

“Eu não quero ser um fardo”. May sussurrou com lágrimas nos olhos, de novo.

“Você não é um fardo, May. Você é minha amiga e seria uma honra te ajudar. Eu sei que Ben foi um idiota, mas nada disso é sua culpa, você me ouve?”

May apenas afirmou e se deixou afundar nos braços da amiga, ela precisava ouvir que a culpa de toda essa confusão não era apenas dela. A enfermeira sabia que o fracasso de seu casamento não era só dela, a falta de comunicação dela com Ben foi o grande problema. Mas era bom ouvir que ela não era completamente culpada.

Depois de alguns minutos, May conseguiu se recompor, ela informou para sua chefe que precisava resolver um problema em casa e saiu mais cedo do hospital. Agora um pouco mais em controle de suas emoções, a enfermeira chegou em casa e começou a mudança, na verdade, só embalou suas roupas e alguns itens pessoais. Depois da decepção de ser expulsa de casa, ela não queria levar nada que lembrasse do homem.

No final do dia, Christine liga para May e pede que ela abra espaço em sua sala de estar, poucos segundo depois de tirar a mesinha de centro do lugar um portal é aberto e Stephen sai.

“Foi daqui que pediram um caminhão de mudança?” O sorriso do feiticeiro era debochado. “Cadê o idiota?”

“Não aqui, graças a Deus”. Falou May e abraçou o homem. “Obrigada por ajudar”. Stephen não era muito de contato físico, mas ele não recusaria o carinho da amiga.

“A qualquer hora. Eu ofereceria um quarto no Sactum, mas não sei se quero que você conheça Wong”.

“Por quê? Ele é assustador?”

“Oh não... vocês se tornariam melhores amigos e acabariam comigo”. Stephen falou de forma séria, mas seus olhos azuis brilhavam de diversão.

May apenas revirou os olhos, mas sorriu. Então os três começaram a levar as caixas de um apartamento a outro. Ainda bem que eram poucas caixas e o trabalho foi feito rápido, mas Christine se sentiu um pouco vingativa e sugeriu a May que se livrasse de tudo que havia na casa, deixasse apenas as coisas pessoais do policial. E foi assim que o apartamento ficou completamente limpo, sem sofá, sem geladeira, nem mesmo o relógio da sala ficou. Apenas alguns objetos insignificantes que Ben gostava. Com um sorriso, May deixou a chave debaixo do tapete e mandou uma mensagem para o homem informando de sua mudança.

Quando Tony descobriu sobre isso, uma semana depois, ele comprou uma casa para May imediatamente. Um puxão de orelha, alguns gritos e caras feias depois, ele teve que devolver o lugar, May afirmou que ela alugaria alguma coisa com seu próprio esforço. Tony apenas a apoiou.

...

Tony se esforçou muito para não ir atrás de Ben depois de ouvir sobre o apartamento, foi apenas por respeitar May que ele não pediu a Friday para zera as contas do policial. Mas depois de conversar com a amiga e sentir seu coração se apertar por vê-la triste, Tony se tranquilizou por ela está com Christine. E mesmo com os olhos melancólicos, May afirmou que estava bem. Então Tony resolveu aceitar isso.

E agora ele tinha outros problemas para resolver, como a venda do Complexo para a ONU, porque depois que o Presidente afirmou que perdoaria os Rouges, a preparação para trazer os ex-herois de volta estava a todo vapor. Tony não queria ter nada com os Vingadores novamente, então ele apenas sugeriu a venda do Complexo e assinou todos os papeis para ter a Torre Stark de volta para as Indústrias Stark.

Porém, o Concílio dos Acordos pediu uma reunião com ele para que o bilionário pudesse explicar sobre o prédio do Complexo dos Vingadores, mas também para implorarem que ele recebesse os Rouges quando eles retornassem para casa, mas Tony deixou claro que não faria isso de jeito nenhum.

Então, agora ele estava frustrado e lutando com sua ansiedade enquanto as imagens da Sibéria brilhavam em sua cabeça. Tony tentou usar as técnicas que a psicóloga o ensinou para tentar não ter um ataque de pânico só com a ideia de encarar Rogers novamente. Contudo, o som de passos minúsculos o tirou do devaneio.

“Sr. Stark?” A voz de Peter encheu a cozinha.

“Oi, Pete. Você precisa de alguma coisa? O desenho está chato?” Tony se preocupou ao ver o pequeno entrando na cozinha, eles já tinham jantado e o bilionário deixou Peter assistindo um pouco de tv antes de dormir.

“Eu não me sinto muito bem”. O menino falou baixinho.

De repente, Tony sentiu um medo diferente o atingir, toda a sua ansiedade com a Sibéria estava esquecida, agora ele era um pai e seu filho estava sofrendo.

“O que você está sentindo, Bambino?” Tony se abaixou e ficou no mesmo nível que Peter.

“Minha cabeça dói e estou com frio”. A voz de Peter estava embargada e os olhos de corça estavam arregalados e com lágrimas.

Tony então sentiu o coração se apertar com a visão, pegando o pequeno nos braços, ele pode sentir o quanto quente Peter estava. O menino ficou tenso por um momento, provavelmente com dor, mas relaxou quando se aconchegou no pescoço da sua figura paterna.

“Vamos tirar sua temperatura, está bem?” Tony sussurrou enquanto alisava as costas pequena em conforto. “Depois vamos tomar um xarope e se deitar”. Peter apenas afirmou suavemente.

Tony ficou preocupado com a quietude de Peter, ele era um menino tranquilo a maior parte do tempo, mas sempre estava conversando e procurando aprender tudo a sua volta. E o bilionário estava acostumado às ondas de energia e aos picos de sonolência de Peter, e apesar de todas as mudanças dos últimos meses, Tony não esqueceu que seu filho ainda não estava curado da Leucemia, e qualquer vírus poderia ser fatal.

“Friday, você pode me dizer a temperatura dele?”

“39,5ºC, Chefe”.

“Obrigado, menina”. Tony então foi em direção ao banheiro atrás de um antitérmico.

Peter ficou o tempo todo quieto, tomou o remédio e deixou que Tony passasse um pano frio em seu rosto para tentar aliviar um pouco a febre, mas quando o bilionário o levou para o quarto, o menino choramingou. Por um momento o empresário não sabia o problema até tentar deitar o menino na cama, Peter se agarrou a ele e se recusou a deixar ir.

“Pete-pie, o que está de errado? Você não quer deitar?”

“Papai fica?” O sussurro dele pegou Tony completamente desprevenido. Era a primeira vez que Peter o chamava de papai e ele parecia apavorado que Tony fosse embora.

“Não se preocupe, Bambi, eu vou ficar”. O bilionário então deu um beijo na testa do pequeno e o deitou na cama, em seguida Tony também se deitou ao lado da criança. “Você está com medo?”

“Mamãe não ficava comigo quando eu estava com frio”.

Tony ficou intrigado com essa informação, não que ele achasse que Mary fosse perfeita, ela tentou dar conta de tudo sem qualquer apoio; e segundo May ela se esforçava mesmo que sumisse por vários dias de tempos em tempos. E agora ficou claro que suas ações foram percebidas por Peter e o menino era muito jovem para entender a ausência da mãe, atribuindo isso a falta de amor por ele. Mas o bilionário estava disposto a mudar isso.

“Não se preocupe, Pete, papai não vai a lugar nenhum”. Tony falou e puxou o menino para seus braços, beijando sua testa com carinho.

Não demorou muito até que a criança adormecesse e Tony seguiu logo em seguida, ele estava exausto por cuidar de duas crianças o dia todo. Porém, um tempo depois, a voz de Friday o acordou, ela parecia um pouco frenética e isso o deixou em alerta.

“Friday, o que aconteceu? Estamos sendo atacados?” Ele perguntou e se levantou com cuidado para não acordar Peter.

“Estamos seguros, Chefe. É que você não estava acordando e Morgan acordou chorando, ela precisa de uma fralda limpa e uma mamadeira”.

“Oh...” Tony suspirou de alívio, ao menos ninguém estava atacando a Torre. “Obrigado menina por ter me acordado. Vou cuidar da pequena, fique de olho em Peter”.

“Vou ficar, Chefe”.

Tony então foi para o quarto de Morgan e encontrou a bebê choramingando. Suspirando, ele pegou a bebê e foi trocar a fralda suja; Tony tinha virado um especialista nessa área, com a ajuda de May todos aqueles anos atrás e os dias que ela ficou quando as crianças chegaram na Torre, o gênio sabia trocar uma fralda de olhos fechados. Assim que estava limpa e cheirosa novamente, Morgan choramingou e tentou encontrar uma fonte de alimento no peito do bilionário.

“Morgan, precisamos ter uma conversa”. Ele falou divertido. “Papai não tem leite aqui para te dar”.

E foi só depois que falou que Tony percebeu que se chamou de papai, ele não costumava falar muito isso, ele ainda tinha medo do se tornar Howard, mas ouvir Peter o chamando assim o deixou quentinho por dentro e agora seu antigo desejo de ser pai estava em força total.

Assim que chegou na cozinha, Tony começou a cantarolar Iron Man de Black Sabbath, era uma das favoritas dele e assim que ouviu sua voz, Morgan se aquietou e o encarou com seus olhinhos de jabuticaba. Os próximos trinta minutos, o engenheiro alimentou e embalou a menina para dormir e Tony se sentiu em paz em ser um pai para essas crianças.

Contudo, assim que colocou Morgan no berço, Friday o chamou e falou que Peter estava acordado e chamando por ele. A febre havia voltado. Naquele momento, Tony soube que teria uma noite agitada.

.

May recebeu uma mensagem de Friday as 7:15 da manhã, ela estava fazendo café e planejando um dia preguiçoso já que era sua folga. Contudo, com essa mensagem ela ficou intrigada, a IA nunca ligava para ela.

A não ser--- o protocolo.

A mensagem era curta: Papai urso precisa hibernar. Era infantil e uma brincadeira entre May e Pepper, as duas tinha conversado com Friday e combinaram um protocolo para ajudar Tony. Ou seja, se ele se sobrecarregasse demais e não pedisse ajuda, Friday seria a responsável por descobrir o limite e pedir por ajuda. E parece que o dia chegou.

Tomando o resto do café, May sai do apartamento de Christine e corre atrás de um táxi, era irritante encontrar um nesse horário, mas ela não tinha tempo para pegar um metrô, principalmente agora que sua preocupação estava começando a crescer.

May então mandou uma mensagem para Friday perguntou se Tony e as crianças estavam fisicamente bem e a IA apenas afirmou que todos estavam bem, mas exaustos. May não entendeu bem o que ela quis dizer.

O caminho até a Torre foi rápido e Friday até acelerou o elevador para a cobertura. A enfermeira entrou na sala e congelou em seus passos, deitado no tapete da sala estava Tony. Ele estava sem camisa e Morgan estava deitada em seu peito, Peter estava deitado ao lado de Tony, sendo aconchegado no braço livre do bilionário. O gênio cantarolava uma música de um filme, demorou um pouco para May identificar, mas ela lembrou que era o tema do Rei Leão.

“Friday?” Ela sussurra com medo de quebrar a paz do momento. A IA parece entender isso também e mandou uma mensagem para seu celular.

- Peter teve febre ontem e ficou doente a maior parte da noite. Morgan acordou várias vezes durante a noite também, e Chefe teve que se dividir entre as duas crianças. Ele só conseguiu acalmá-los agora depois de ler um artigo que contato pele a pele acalmava bebês recém-nascidos. –

May sorriu um pouco com isso, ela estava orgulhosa de seu amigo e como ele estava sendo um pai maravilhoso para essas crianças. Mas ela esperava que no futuro ele pedisse ajuda, porque mesmo dessa distância ela podia sentir a exaustão dele.

“Ei, May”. Tony falou quando viu a enfermeira na entrada da sala. “Acho que cheguei na fase das alucinações, não lembro de ter ligado para você”.

“E não ligou. Friday me avisou que você precisava de uma mão amiga”.

“Friday é sempre um amor”. O bilionário falou com um sorriso e fechou os olhos cansado.

May sorriu também e se aproximou da pequena família, com gentileza ela pegou Peter em seus braços e sentiu que ele ainda estava quente ao toque. Sabendo que a condição de saúde de Peter ainda era frágil, a enfermeira foi atrás de alguns antitérmico e pediu para Friday contar como foi a noite passada. Ao ouvir o relato da IA, a enfermeira sentiu seu coração apertar, pelos sintomas de Peter, ele pode ter uma infecção, o que era perigoso para seu sistema imunológico fraco. Suspirando de preocupação, May conseguiu colocar Peter na cama e o ajudou a tomar o remédio, depois ela foi na cozinha e preparou um sanduíche e suco de maçã, o menino precisava de comida por causa da dose do antitérmico. Demorou um pouco para acalmar Peter de volta ao sono, mas no final May conseguiu.

Voltando então para a sala, May sorriu para Tony, ele roncava baixinho agora, uma mão protetora nas pequenas costas de Morgan e a outra estendida como se Peter ainda estivesse ali. Com a mesma gentileza que pegou Peter, May pegou a bebê e a levou para o quarto, ela não teve muito trabalho com a garotinha, Tony tinha trocado as fraldas dela e Friday falou que ela tinha tomado uma mamadeira também. Com um pequeno beijo na testa, May deixou a menina no quarto e voltou para sala.

May voltou para sala e não conteve o riso, Tony estava agora esparramado no tapete da sala, uma imitação perfeita de estrela do mar. Ele ressonava baixinho e parecia em paz, e May percebeu o quanto jovem ele parecia agora, sem preocupação ou aflição com os problemas do dia. E mesmo que o homem fosse apenas seu amigo, May não podia negar que seu coração começou a bater mais rápido quando seus olhos percorreram seu peito nu, ele era magro, mas musculoso em todos os lugares certos, e ela não esperava que ele tivesse um abdômen tão bom. E a cicatriz que ele tinha do reator de arco tinha sumido graças ao Extremis.

A enfermeira sentiu o corpo reagir com luxúria ao admirar o amigo, por mais que ela negasse gostar de Tony desse jeito, ela não conseguia esconder de si mesma os sentimentos que pulsava em seu coração, contudo, nesse momento, ela apenas desviou o olhar e respirou fundo. Controlando novamente seus pensamentos, May foi até Tony e o sacudiu:

“Tony, se levante e vá para o quarto”. O bilionário apenas resmungou e se deitou de lado, longe de May. “Vamos lá, Tony, a cama é mais confortável que o chão”.

Quando o homem em sua frente não mostrou nenhum sinal de se levantar, ela começou a cutucá-lo até que ele se sentou e a encarou furioso, mas tudo o que May fez foi sorrir. Ele estava com os olhos meio aberto e seu cabelo estava em todas as direções, ele parecia fofo.

“Por que você está me cutucando?”

“Vá para cama, descanse um pouco”.

“Eu estava confortável aqui”. Ele resmungou e voltou a deitar no tapete.

“Você vai ficar com dor nas costas”.

“Eu vou ficar bem”. Ele sussurrou já voltando a dormir.

“Não vai não, vamos eu te ajudo”. May falou e tentou puxá-lo do chão, mas Tony aproveitou que ela estava em um ângulo estranho a puxou para si e a abraçou.

O silêncio que se seguiu foi um pouco sufocante para May, ela estava no controle de sua libido quando estava longe dele, mas agora ela estava deitada parcialmente em cima dele sentindo seu calor e cheiro; ela podia sentir suas bochechas esquentando, e o coração correndo.

Tony percebendo seu silencio a encarou intrigado, principalmente por ela está com as bochechas rosadas.

“May, você está bem?”

“Sim”. Ela sussurrou e relaxou no abraço dele, por mais desconcertante que estivesse seu coração, ela podia confiar em Tony.

“Você tem certeza?” A voz dele retumbava em seu ouvido já que ela estava esparramada no peito dele agora, ele parecia preocupado.

“Eu estou bem”. Ela falou e por um momento ela pensou em dizer o que realmente estava acontecendo, mas ficou com medo de destruir a amizade de anos com seus sentimentos ainda confusos.

“Tudo bem”. Ele sussurrou e beijou sua testa. “Vamos apenas dormir um pouco”. May apenas suspirou e fechou os olhos, ela não precisava quebrar esse clima de paz que sentia nos braços dele.

Quinze minutos depois, Pepper apareceu com alguns documentos para serem assinados, mas ao ver a cena dos dois abraçados, apenas sorriu e tirou algumas fotos. Divertida, Pepper mandou a foto no grupo de aposta e questionou sobre o atual status do relacionamento deles dois. O grupo se encheu de mensagens de surpresas, ninguém parecia saber de nada. Friday então esclareceu que era tudo platônico, o que fez a CEO suspirar. Eles precisavam de um plano.

.

Por mais empolgada que estivesse em juntar May e Tony, Pepper nunca conseguiu colocar seu plano em ação, alguns dias depois Peter deu entrada no hospital novamente com uma infecção que deixou todo mundo preocupado. Na verdade, a empresária estava presente como apoio quando Tony e May receberam o diagnóstico preocupante da criança.

A Dra. Madison que acompanhou Peter desde o momento que ele entrou no hospital, estava com o coração partido ao dar a notícia a nova família do menino.

“Oi gente”. Ela tentou sorrir, mas não conseguiu em meio a situação. “Peter teve uma piora por quase da infecção, o tratamento que estávamos usando não está funcionando”.

“Oh Deus... o que devemos fazer agora?” May perguntou e num impulso segurou a mão de Tony.

“Temos que ir para fase dois”.

“E isso é?” Tony quis saber preocupado.

“Transplante de medula”. Ela suspirou. “Não vai ser fácil. Eu sei que Peter perdeu sua mãe e ninguém sabe de seu pai, então vai ser complicado encontrar alguém compatível”.

“Ele ainda tem Morgan, acho que ela pode ser compatível”. Pepper fala insegura, ela não queria deixar nenhum deles tenso.

“Eles podem ser compatíveis, mas precisamos fazer os testes”. Diz a médica. “Mas precisamos fazer isso o mais rápido possível, Peter pode piorar ainda mais”.

“Eu quero ser testado também”. Tony fala saindo de seu estupor, ele já queria fazer isso meses atrás, mas acreditou que Peter se recuperaria sem isso; o que claramente não foi o caso.

“Eu também”. May falou.

“Acho que todos nós vamos querer fazer isso”. Pepper falou enquanto digitava mensagens para todos seus amigos em comum.

“Eu vou esperar por vocês então, eu estou feliz em ver que Peter tem uma grande rede de apoio”. Dra. Madison falou com um sorriso aliviado. “Sr. Stark você pode entrar e ficar com Peter. Ele ainda está sonolento, mas está pedindo por você”.

Afirmando, Tony e May foram para o quarto do pequeno nenhum do dois percebendo que ainda estavam de mãos dadas; Pepper, no entanto, sorriu com isso, não demoraria muito para aqueles dois ficarem juntos de uma vez.

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Peter estava deitado em uma cama de hospital mais uma vez e estava aterrorizado, ele ainda era muito pequeno para entender tudo o que estava acontecendo, mas sabia que se estava nesse quarto estéreo ele sentiria dor. Porém, o que mais o assustava era ficar sozinho, e não ver Tony em lugar nenhum o deixou com vontade de chorar.

Entretanto, antes que as lágrimas transbordassem seus olhos, o bilionário entrou pela porta:

“Papai!” Peter gritou e esticou seus bracinhos em direção a Tony suas mãos abrindo e fechando em um gesto fofo de ser pego nos braços de sua figura paterna.

“Ei, Bambino, você está se sentindo melhor?”

“Quero ir para casa”. Peter sussurrou assim que o bilionário o pegou nos braços e o abraçou fortemente.

“Eu sei, mas você tem que ficar melhor antes de ir para casa”.

Com essa informação, Peter começou a chorar, pequenos soluços que partiram o coração de Tony. Ele sentiu os próprios olhos ficarem molhados por causa do filho, ele não podia fazer muita coisa por Peter agora, apenas o abraçar e essa impotência o deixou chateado também.

Tony, então, olhou para May a procura de conforto, ele não sabia o que fazer vendo Peter triste; e seus grandes olhos castanhos apenas imploraram por ajuda. A enfermeira não teve escapatória, ela estava completamente fisgada pelos dois meninos, seu coração estava cheio de amor por eles e por Morgan também, e ela percebeu que nunca conseguiria negar qualquer coisa a eles. Aproximando-se da cama, May abraçou os dois:

“Não se preocupe, Pete-pie. Eu vou estar aqui com você e Tony também. Você não vai ficar sozinho”. Dizendo isso, ela beijou a testa dos dois e sentiu Tony relaxar em seu abraço. “Agora que tal dormir um pouco, sim?”

Peter afirmou e se aconchegou nos braços de Tony, ele agora estava mais calmo, mesmo que os dois adultos ainda ouvissem algumas fungadas. E não demorou muito para o pequeno adormecer.

“Obrigada, May”. Tony sussurrou quando deitou Peter na cama. “Eu não sei o que faria sem você”. Enquanto dizia isso, ele a guiou para o sofá onde se acomodaram um ao lado do outro.

“Você descobriria um jeito”. Ela falou e sentiu suas bochechas esquentarem, ela não acreditava que estava corando por causa de um simples elogio.

“Provavelmente, mas eu estou grato de ter você em minha vida”. Ele disse com um sorriso. “Agradeço todos os dias por ter brigado naquela boate todos aqueles anos atrás, isso me levou a você e minha vida mudou por sua causa”.

“Tony, pare de dizer essas coisas, estou ficando com vergonha”. May falou e deu um tapa em seu braço, nada muito agressivo, mas um meio de tentar fazer seu coração parar de correr tão rápido. “Eu sou sua amiga e você não precisa me agradecer por nada. Eu faço isso sem qualquer intensão”.

“Por isso que eu gosto tanto de você”. Ele disse e pegou nas mãos dela, ele desviou o olhar e pareceu nervoso. May apenas tentou não entrar em um ataque de pânico. “May, eu não queria dizer o que vou dizer assim, eu tinha um grande plano, mas--- eu não quero mais esperar---”

“Anthony...” May falou com os olhos arregalados e temerosos, ela sentiu como se pudesse hiperventilar a qualquer momento.

“Eu gosto de você, May”. Tony falou de uma vez, como se estivesse engasgado e precisasse expulsar as palavras de sua boca. “Eu não sei quando comecei a sentir isso, só que um dia você era minha melhor amiga e no outro--- eu percebi que queria passar minha vida com você”.

“Eu não sei o que dizer, Tony”. Ela falou com a voz embargada e os olhos começando a lacrimejar.

“Tudo bem se você não sente o mesmo”. Ele falou e sorriu, seus olhos estavam brilhantes, mas melancólicos. “Eu não quero que você se sinta na obrigação de responder aos meus sentimentos, eu só queria que você soubesse como me sinto porque eu tenho medo de demonstrar de forma exagerada e assustar você. E---”

“Eu também gosto de você”. May sussurrou interrompendo-o. Ela percebeu durante o discurso dele que não precisava ter medo do que sentia. Tony estava sendo tão corajoso dizendo tudo a ela, e May não podia se acovardar agora.

E eles eram melhores amigos afinal de contas, eles se entendiam melhor que ninguém.

“O que?” Ele a encarou estupefato.

“Eu disse que também gosto de você”. Ela disse e sorriu suavemente. “Eu tentei enterrar meus sentimentos. E até pensei que só estava sentindo isso por você por causa do divórcio, mas--- eu já gostava de você, só não tinha percebido”.

Tony a encarava sem saber o que dizer, ele esperava uma rejeição gentil e um abraço fraternal, mas nunca passou por sua cabeça que ela retribuiria. Ainda sem acreditar e não querendo perder a oportunidade, Tony a abraçou apertado e a puxou para seu colo, sem se importar de onde estavam, ele escondeu o rosto no pescoço dela.

May guinchou de susto quando foi puxada para os braços dele, ela sempre esquecia o quanto forte ele era, não apenas por ser o homem de ferro, mas agora também por causa de Extremis, mas antes que ela reclamasse das atitudes tão íntima dele dentro do hospital, ela ouviu a voz dele sussurrando uma e outra vez: ‘Obrigado’.

Sabendo que ele precisava disso, a enfermeira apenas se aconchegou mais nos braços dele e afagou os cabelos escuros e rebeldes. May não podia negar que Tony de cabelo grande era extremamente atraente, ele tinha aquele ar rebelde que a deixava de pernas bambas. Contudo, May se sentiu confortada por poder correr seus dedos pelos cachos sedosos e isso ser apenas normal para eles.

“Você sabe, Tony, quando você trouxe as crianças para casa e passei aqueles dias com vocês---” Ela respirou fundo e beijou os cachos dele. “Eu senti que fazia parte da família. Era eu quem deveria agradecer”.

“Você é da família, May”. Ele disse e se afastou do pescoço dela. “Você sempre foi família, e eu quero você do meu lado para ser a mãe de Peter e Morgan”.

“Tony...” May brigou com ele. Ela tinha lágrimas nos olhos, mas sorria abertamente. “Até parece que você está me pedindo em casamento”.

“Eu estou, isso será perfeito e---”

“Ei, segure os cavalos, Caubói”. Ela disse e segurou o rosto dele entre suas mãos. “Eu sei que estamos eufóricos, mas não vamos nos adiantar, está bem? Eu--- eu amo você...”

“Eu também te amo”. Ele falou ansiosamente, seus olhos castanhos brilhando com a confissão dela. Um sorriso já se formando em seus lábios.

“Não ria assim para mim, eu não vou conseguir me conter”. Ela falou sorrindo também, suas bochechas começando a ficarem rosadas.

“Então não se contenha”. Tony sussurrou e levantou o rosto até o dela, seus lábios ficando a milímetros um do outro.

May engoliu em seco, suas respirações agora se misturavam, ela podia sentir seu corpo arrepiado e quente gritando para diminuir a distância e se entregar ao desejo. Então jogando a cautela ao vento, ela fechou os olhos e colou seus lábios.

Tony suspirou quando sentiu a boca dela na sua e não perdeu tempo em apertar os braços ao redor dela a trazendo ainda mais para perto. Ele suspirou de contentamento quando os lábios macios dançavam sobre o seu e querendo sentir ainda mais o gosto dela, o bilionário forçou sua língua entre os lábios dela e gemeu quando May abriu a boca e o atacou com sua própria língua. O beijo que tinha começado calmo e amoroso se tornou quase selvagem, ambos tentando dominar os lábios um do outro, Tony gemeu e a puxou ainda mais para perto o que fez ela se acomodar ainda mais em seu colo, dessa vez foi May quem gemeu ao sentir que ele já estava rígido. Percebendo onde eles estavam, May o afastou ofegante.

“Precisamos parar”. Ela sussurrou e encostou a testa na dele. “Nós podemos conversar melhor quando voltarmos para casa, está bem?”

“Tudo bem”. Ele falou e beijou os lábios dela rapidamente. “Estou feliz por termos conversado. Eu realmente amo você, May”.

“Eu sei”. Ela sorriu e afagou os cabelos dele novamente. “Eu também te amo”.

Ambos sorriam abobados com a descobertas de seu amor, e estavam tão presos no mundinho que criaram que não perceberam a porta ser aberta e duas mulheres entrarem:

“Acho que Stephen ganhou a aposta”. Christine comentou e viu os dois no sofá se assustarem.

“Droga, eu pensei que eu ganharia dessa vez”. Resmungou Pepper.

May e Tony se encaram confusos, totalmente alheios sobre a aposta do desenvolvimento de seu relacionamento.

“Do que vocês estão falando?” A enfermeira perguntou com olhos estreitos.

...

Peter ficou no hospital por uma semana e Tony teve que se reversar entre o menino doente e sua filha ainda muito nova, mas agora com May ao seu lado as coisas pareciam mais fácil e administrável.

May e Tony descobriram naquele primeiro dia que existia uma aposta entre seus amigos sobre quando iriam finalmente se tornarem um casal, a enfermeira ficou irritada por alguns minutos, mas depois percebeu que os únicos cegos sobre o que sentiam eram eles mesmo.

Ao contrário do que eles imaginavam, nada mudou entre eles, Tony continuavam a amando como amiga e agora como sua mulher, e May ainda estava ao redor puxando as orelhas dele se ele fizesse alguma besteira. E ambos eram uma boa equipe quando o assunto era as duas crianças. E foi graças a essa dinâmica perfeita entre os dois que as notícias sobre Peter, não abalou Tony completamente.

Dra. Madison pediu para falar com Tony no dia seguinte a volta de Peter para casa, ela havia feito alguns exames no menino e precisava debater os resultados com o bilionário imediatamente:

“Sr. Stark, recebemos o diagnóstico de Peter e a situação é bem séria”. A médica suspirou. “Precisamos começar os testes de compatibilidade da medula óssea ainda hoje, Peter não tem muito tempo”.

“Oh... sim, podemos começar comigo, mas antes preciso falar com a Dra. Cho, ela precisa conversar com você sobre a minha condição”. A médica o encarou confusa, mas afirmou. “Eu preciso informar aos outros também, temos quanto tempo?”

“Estou disponível durante todo o dia”.

Afirmando, Tony pegou o celular e ligou imediatamente para May, ela estava na Torre com as crianças porque era seu dia de folga, e ela queria ter um tempo com os dois pequenos. Mas assim que ficou sabendo da condição de Peter ela começou a agir, ligando para todos os amigos e pedindo ajuda.

Vinte minutos depois de falar com Tony, a Dra. Madison recebeu uma ligação da Dra. Cho, a outra médica tinha explicado sobre a condição de Tony e ficou boquiaberta com todas as informações. Ela ficou um pouco preocupada sobre esse novo elemento, se Tony fosse um doador compatível talvez esse Extremis não fizesse bem a Peter. Porém, ela precisava investigar mais e para isso ela precisava se encontrar com a Dra. Cho na próxima hora.

Assim que terminou de marcar a reunião com a médica de Tony, a Dra. Madison é interrompida por sua secretária e a jovem parecia assustada.

“Dra. Madison, estamos com um problema”.

“O que aconteceu?”

“Mais de 200 funcionários das Indústrias Stark estão esperando para fazer o exame de compatibilidade de medula óssea e a Srta. Potts está esperando também”.

A Dra. Madison ficou boquiaberta com a informação, ela esperava que algumas pessoas aparecessem, mas não tantas. Então ela respirou fundo e pediu por ajuda, eles teriam muitos exames de sangue para fazer.

A próxima hora foi realmente caótica, havia muitas pessoas dispostas a fazer o exame de compatibilidade e se dispuseram a doar para quem precisasse e a Dra. Madison não conseguiu reunir palavras para agradecer por esse gesto. Ela como uma profissional da saúde e especialista em oncologia, sempre teve o sonho de que as pessoas doassem medula sem medo, tantas vidas poderiam ser salvas com essa atitude, mas ela não imaginava que seu sonho estivesse sendo realizado hoje. Ela precisava agradecer a Tony por isso, por mais que todo o esforço fosse para salvar o filho do bilionário, todos os doadores se dispuseram a doar a quem precisar. Era uma linda atitude.

Demorou dois dias, mas todos os exames foram feitos e quatro doadores compatíveis com Peter apareceram, todos com eficácia entre 87% e 99,5% de compatibilidade. E para a surpresa de todos, Tony tinha a maior compatibilidade com o menino, o que era raro entre pessoas que não são geneticamente ligadas. Contudo, o bilionário não perdeu tempo e já exigiu saber quando seria a retirada do material e a Dra. Madison o acalmou e informou que eles precisavam ainda realizar os exames em Peter para que o transplante fosse feito. E graças as longas conversas com a Dra. Cho e uma assinatura de NDA, elas concluíram que Extremis era seguro para Peter.

...

Demorou alguns dias para Peter ter a autorização para o transplante ser feito, mas finalmente Dra. Madison concluiu todos os exames e tudo se resolveu em um dia. Por sorte, o transplante de medula óssea era simples e seguro, nada tão evasivo quanto outras cirurgias e Peter só precisou ficar no hospital por uma noite para observação.

Na manhã seguinte, Peter foi recebido com gritos de alegria e uma faixa de ‘Bem-vindo a casa’, e todos estavam presentes: Laura e as crianças, Christine e Stephen, Pepper e Happy também apareceram. Até mesmo Shuri, via internet, estava lá. E para alegria de Tony, Rhodey estava ali também, seria a primeira vez que o Coronel conheceria seus sobrinhos pessoalmente.

“Ei Pete, ouvi dizer que você é meu novo sobrinho”. Rhodey diz e se aproxima do menino que estava nos braços de Tony.

“Oi”. Peter sussurrou e balançou a mãozinha em direção ao homem e os olhos do Coronel se suavizaram de carinho.

“Uau... e eu pensei que resistiria a outro par de olhos de corça”. Comentou o Rhodey. “Acho que estou errado”.

May apenas sorriu, mas ela sabe melhor que ninguém que o homem estava certo, Peter era muito parecido com Tony, se ela realmente não conhecesse o bilionário acreditaria que o menino era um filho perdido. Ambos tinham olhos de corça que transmitiam todos seus pensamentos e emoções, era uma vantagem se bem usado. E todos os dois sabiam como usar, era difícil resistir aos Starks.

O resto da manhã foi calma, mesmo que a cobertura estivesse lotada com tantas pessoas, eles não foram barulhentos ou sufocantes, apenas seguiram suas rotinas como de costume e Tony percebeu que eles não eram apenas amigos vindo visitar, mas sim sua família.

“Ei, você está bem?” May perguntou enquanto se sentava ao seu lado. “Parece que você está a um passo de convidar todo mundo para ficar”.

“Uau... eu sou tão transparente assim?” Ele perguntou divertido enquanto embalava Morgan em seu peito. A menina parecia só querer seus braços hoje.

“Eu conheço você muito bem, Anthony”. A enfermeira sussurrou e beijou seus lábios suavemente. “Não esqueça disso. E não quero pressionar, se quiser conversar estou aqui”.

“Acho que você é a única pessoa que me conhece de verdade”. Ele sussurrou e deitou a cabeça no ombro dela, com um suspiro ele sorriu. “Eu gosto disso”.

“Eu também”. Ela disse e acariciou os cabelos macios e rebeldes. Ela então voltou sua atenção para Peter que estava montando um quebra cabeça com Lila e Cooper na mesinha de café. Nathaniel estava sendo entretido pela capa de Stephen.

“Todos parecem tão à vontade aqui, é como se estivessem em casa”. Tony começou. “Eles não me insultam ou me ignoram, eles parecem felizes em me ver e me ter por perto, você sabia?”

“Eles são seus amigos, Tony, por isso amam ter você por perto”. May falou e suspirou. “Às vezes eu me culpo por não ter visto o quanto tóxicos e idiotas os Vingadores eram, eles podem ser fortes e terem mentes estratégicas para o combate, mas isso não justifica o modo que eles te trataram”.

“Eu não sou muito fácil de conviver, May”. Ele disse desconfortável. “Eu tendo a ser autodestrutivo, isso irrita as pessoas”.

“Ah eu sei disso. Mas não posso te culpar, tudo recaía nas suas costas. É um milagre você não ter enlouquecido”. May falou com raiva. “Eles têm sorte que eu nunca os conheci, eu não teria tanta paciência como você”.

“Eu adoraria ver isso”. Ele disse e se virou para ela, eles estavam bem próximos agora e Tony não resistiu e a beijou.

Ao fundo, Tony ouviu as provocações dos amigos, eles gritavam e soltavam piadinhas sobre casalzinho apaixonado. May riu e se afastou, as bochechas estavam vermelhas, mas ela parecia muito feliz.

“Acho que não quero eles morando aqui”. Resmungou Tony e arrancou outra risada de May.

Friday que observava tudo, sabia que se ela tivesse um rosto estaria rindo também, pela primeira vez desde que foi acordada, a IA assistiu seu criador radiante de felicidade. Por isso, Friday escondeu o fato que o presidente tinha assinado o documento dos perdões dos Rouges, eles estariam em casa em breve. Mas as más notícias seriam dadas mais tarde, por enquanto...

“Chefe, Vision entrou em contato, ele está voltando para casa”. A voz de Friday encheu a sala.

“Oh... um bom filho retorna para casa”. Tony falou com um sorriso, ele esperava que dessa vez o androide estivesse mais aberto para um relacionamento fraternal. “Quanto tempo, menina?”

“ETA de 15 minutos”.

Tony apenas afirmou e voltou a conversar com Stephen, eles discutiam sobre física e magia, nenhum dos dois dispostos a abrir mão de seu ponto de vista. Friday mais uma vez lembrou da chegada iminente dos Rouges, mas por enquanto ela assistiria a alegria daquela família criada por vínculos de amor e respeito.

Continua...