Fotografias Escarlates
1 Prólogo
Notas iniciais
A lareira crepitava em fagulhas que caiam perto de carpete em que Melissa se encontrava sentada, observando sua mãe que lhe contava animadamente suas histórias – psicologicamente afetadas -.
“Os cabelos dos pequenos elfos eram laranjas! Um ruivo muito forte, com chapéu pontudo azul cheio de bolinhas brancas!”
A mãe dizia, gesticulando com suas mãos de esqueleto exatamente a forma do acessório.
“Ruivos devem ser lindinhos, né, mamãe?”
“Ruivos são o máximo!” animou-se a mãe, pulando da poltrona que se encontrava para o carpete, junto a sua filha: “Meu doce, quando avistar um ruivo, não se segure: cate-o e o leve para a cama!”
A garotinha que acabara de terminar seu biscoitão de chocolate, perguntou, ainda de boca cheia:
“Mas por quê? Ruivos são mais quentinhos e fazem com que a Mel não tenha sonhos maus?”
“Eles vão fazer você sonhar tão alto que chegará às nuvens!”
Melissa riu, animada. Pensou que seria legal voar. Sua mãe, então, prosseguiu com seu conto:
“Eles dependiam de frutinhas para crescerem, eles só comiam morango e amoras!, para deixar o cabelo deles vermelhinho...”
“Então, mamãe...” interrompeu a menina, os olhos demonstravam profunda curiosidade sobre o assunto, e até um pouco de dúvida: “Eu comi muito feijão? Pra ter o cabelo assim, marrom feijão?” reclamou, desvalorizando o tom de seus fios.
A mãe riu, causando um vasto eco no local. Estava obviamente embriagada, se rosto estava corado e se bafo era de álcool.
“Não fale assim! Docinho, pense que seu cabelo é cor de chocolate, como esse biscoito” exclamou, gesticulando “Mas lembre-se, ruivos são mais bonzinhos e legais!”
A pequena sorriu, banguela de dois dentes.
“Mamãe, quando crescer, quero ter amiguinhos ruivos!”
Ah, ruivos... O melhor e pior pesadelo que Melissa poderia ter tido.
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