Fotografias
4 Preso Em Nome da Lei
Notas iniciais
Àquele dia terminou de forma inesperada. Depois de conversar com a Sarah, Manu voltou para a sala, onde estava o restante das meninas. Todas olharam para ela com um ar preocupado, quase assustado. Sentiu-se envergonhada e se desculpou, voltando a endereçar os poucos convites que ainda sobraram. Sarah a olhava de um jeito intenso, esperando que dissesse alguma coisa, mas não se permitiu falar com ela na frente das meninas. Também pediria desculpas e seguiria em frente.
Ainda não tinha processado tudo o que Mariana tinha dito. Será que realmente estava apaixonada? Havia semiconfirmado isso para a médica, mas ainda duvidava. Conhecia Manu há quase dois anos e tinham se aproximado tanto uma da outra que só agora percebeu o quanto isso parecia diferente. Havia feito amizades em Atenas e tinha seus amigos em Fortaleza. Alguns já foram essenciais e insubstituíveis, mas nenhum marcou tanto quanto Sarah estava marcando naquele momento. Mas isso não queria dizer nada, né? Não é só porque a amizade era intensa, e tivessem um circulo lésbico de amizade em comum, que se apaixonariam uma pela outra.
Depois de terminarem todas as pendências sobre o casamento de Clara e Claudia, elas assistiram um filme de terror. Bastante pipoca estava distribuída em vários recipientes, espalhados entre as meninas. Manu havia se sentado no tapete, com as costas encostadas no sofá. Logo depois, Sarah, hesitante, sentou-se ao seu lado. Quis dizer a si mesma que o motivo dos seus batimentos cardíacos terem aumentado foi devido ao filme, que nem sequer tinha começado. Durante as cenas, as meninas ficaram entretidas. Lia faltava pular em cima de Juliana, completamente assustada. Nanda ria constantemente das caras de Clara e Claudia. A única que realmente não estava tão atenta assim era Mari. Gugu estava dormindo no quarto, então a médica poderia ficar tranquila, mas ainda assim prestava um pouco de atenção na loira com a ruiva.
Parecia tudo ter voltado ao normal. Sarah não disse nada durante algum tempo, porém segurou a mão de Manu por baixo da coberta. O primeiro pensamento da fotógrafa foi que aquele gesto não significava nada, mas então lembrou do que Mari havia dito. “Ela tem medo de perder você”. Talvez fosse mesmo verdade. Aquele aperto, vindo da mão dela, não era normal. Ou talvez apenas queria se desculpar. Manu apagou tudo que estava na mente e, depois de dar um sorriso torto para a ruiva, tentou prestar atenção no filme. Mais ou menos na metade dele, tocaram a campainha. Clara pausou o filme e foi atender, mas não reconheceu o rapaz do outro lado da porta, mas logo chamou Sarah.
Era o namorado dela. Manu não sabia o que tinha acontecido, mas alguns minutos depois, Sarah voltou e sentou-se ao seu lado. De alguma forma, ela o havia dispensado. Aquilo foi uma surpresa não só para Manu, mas para todas elas. Sarah sempre fazia de tudo para ficar com o rapaz quando ele ia buscá-la, porém não dessa vez. Ela voltou como se nada tivesse acontecido e olhou para a loira ao seu lado. Manu conseguiu ler aquele olhar. Dizia: Eu vou ficar com você hoje. E foi o que realmente aconteceu. Foram para casa dela e passaram a noite conversando sobre amenidades. Ambas haviam pedido desculpas e tudo estava aparentemente resolvido.
Manu pensava e esperava que sim.
Na sexta, Sarah a levou para a entrevista com a gerente da revista e, graças a Deus, havia passado no teste e ela ainda elogiou seu currículo. Comemorou num barzinho à noite com as garotas e, logo depois, comeu pizza em casa com a ruiva. Hoje, Sábado, mais cedo, saiu com a ela para comprar os vestidos do casamento. Passaram quase a manhã inteira escolhendo. Manu decidiu comprar um toma-que-caia azul marinho, justo ao corpo e com um corte pequeno na coxa. Comprou também um par de saltos alto também escuros para completar o visual. O vestido da Sarah era um pouco mais longo que o da loira, mas, sendo mais alta, deixava evidente as pernas alvas.
Quando Manu experimentou o primeiro vestido, Sarah corou de leve e ficou em silêncio por alguns segundos. Ele era rosa perolado e modelava bem o corpo da fotógrafa. Ela era linda... Os olhos azuis, também perolados, combinavam perfeitamente com a peça de roupa. Estava parecendo uma princesa. Limpando a garganta, elogiou-a, um pouco hesitante, e pediu para ela vestir o azul, qual havia sido escolhido. Por algum motivo, sua garganta secou. Virou de costas e procurou por um bebedouro, deixando a loira sozinha e confusa no provador. Quando voltou, ela já estava com as roupas normais e já ia saindo para procurá-la. Nessa hora, disse para ela que deveria levar o azul com toda certeza. Manu, tapada como sempre, não havia percebido o porquê de a garota ter saído. E Sarah também não soube o porquê da sua atitude repentina. Então, apenas ignoraram.
Já era noite quando o celular da loira tocou, produzindo a música “Mandou bem” do Jota Quest em alto e bom som. Antes de atender, curtiu um pouco a melodia e depois levou o aparelho ao ouvido. Pensou que seria Juliana, como mostrava no visor do aparelho, mas era sua namorada, Liane. Apoiou-o com o ombro e terminou de colocar a bota de cano alto no pé esquerdo. Depois que terminou de falar com a japonesa, encerrou a ligação e foi para frente do espelho. Iriam para um bloco de Carnaval e as duas lhe dariam uma carona até lá. Sarah ia de carro com seu namorado, então nem arriscaria ir com ela.
Estava vestida de policial. Um macaquinho preto de couro curto e bastante justo ao corpo fazia jus à fantasia, acompanhado da bota de cano longo e salto agulha, também de couro. Os olhos claros estavam bem delineados de preto, com a sombra da mesma cor. Deixou os cabelos dourados, que estavam quase chegando na altura da cintura, soltos. Um blush rosado nas bochechas e um batom vermelho terminaram a maquiagem. Colocou também diversas pulseiras no pulso esquerdo, um colar de prata e brincos combinando. Para finalizar, passou perfume em locais estratégicos. A pistola de brinquedo na cintura deixava-a ainda mais seria e sexy.
Desceu para rua e alguns minutos depois o carro vermelho da japonesa parou em frente ao seu prédio. Caminhou com calma até lá, colocando as chaves de casa no bolso de trás do macaquinho. Quando chegou na janela, notou as duas olhando-a de boca aberta.
– Que foi, gente? – Indagou, abrindo a porta traseira do carro e entrando logo após.
– Você está um espetáculo! – Juliana respondeu com toda sua sinceridade, fazendo-a corar. A mulata estava usando uma fantasia de diabinha. Um vestido vermelho curto e chifres na cabeça. Manu notou o tridente e o rabo em cima do painel do carro.
– Obrigada... – respondeu ao sentar.
– Você está vestida para matar, Manu – agora foi a vez de Lia falar, completamente boquiaberta. Nunca havia visto Manu daquela forma. Ela sempre usava uma camisa folgada, short jeans curto desfiado e all star. Estava um mulherão de parar o trânsito de qualquer lugar do planeta. – Está querendo impressionar alguém?
– Não – respondeu casualmente, mesmo notando o sorriso divertido nos lábios da japonesa. Ela trajava uma fantasia de anjo. Vestido branco soltinho, mas ainda assim bem sexy, uma aureola com pequenas penas e maquiagem pesada. A asa também estava sobre o painel. Manu percebeu que a diabinha deveria ter sido ela e não Ju. Lia era um capeta em pessoa e não perdia uma oportunidade de implicar com tudo que via.
– Aposto com você que a Sarah vai ficar vermelha e sem fala – disse Lia para a mulata, que apenas riu e deu a partida com o veiculo. Manu apenas ignorou, como sempre.
O bloco era na praia e quando Ju estacionou, Manu notou o quão cheio estava aquele lugar. Não sabia de onde tinha saído tanta gente. Em épocas como aquela, os cariocas costumavam a sair do Rio para curtir fora, mas ainda assim estava incrivelmente lotado. Assim que saiu do veículo, viu Clara e Claudia chegarem e sorriu para elas. Clara estava vestida de Super Moça, a sobrinha do Superman, e Claudia de Mulher Maravilha. Estavam lindas demais e combinaram perfeitamente com as fantasias que usavam.
A noite estava fresca e o trio elétrico tocava um axé animado. O casal cumprimentou as meninas e em seguida encostaram no carro de Lia. Logo após, um carro preto estacionou perto e de dentro saiu uma índia e uma loira. As meninas riram de início e esperaram Nanda e Mari chegarem próximo o bastante.
– Essas fantasias combinaram tão bem em vocês quanto essas que Clara e Claudia estão vestindo – Juliana comentou, analisando a fantasia de índia que Mari estava usando. Algumas partes do corpo alvo estavam pintadas de tinta vermelha, o que a deixava ainda mais fofa. O conjunto de top e saia marrom acompanhava uma sandália alta da mesma cor e alguns acessórios em penas coloridas.
– Decidimos fazer uma troca. Hoje ela é a índia e eu sou a médica – Nanda riu enquanto dizia. Havia nascido numa tribo e constantemente visitava seus pais lá. Ver sua namorada fantasiada daquele jeito lhe fazia voltar no tempo. Gostou muito daquela ideia.
– Mais tarde quem vai fazer os primeiros socorros em quem? – Lia indagou, com seu famoso sorriso divertido. Os dedos finos seguraram a extremidade do estetoscópio no pescoço de Nanda, que estava mais simples que todo mundo. Vestia calça jeans, regata branca e tênis. Como fazia parte da Marinha, não podia exagerar muito no visual. A maquiagem estava fraca e apenas um brinco em formato de pena pendia da orelha dela.
Quando Nanda ia responder, alguém gritou por elas. Todas olharam. Dois rapazes se aproximaram com enormes sorrisos. Claudia gritou e abraçou o moreno de olhos azuis, enquanto Ju abraçava o de cabelos cacheados. Ambos estavam vestidos de cozinheiros. Apenas trajavam bermuda e avental, com chapéu de chefe na cabeça. Na mão de ambos, uma colher de pau nova em folha. Com certeza eles deveriam estar fazendo sucesso com a mulherada.
– Meu Deus, vocês sumiram – Claudia arquejou, beijando agora a bochecha do outro rapaz. – Victor, por que você não me ligou mais?
– Estive ocupado com o treino dos meninos – ele se explicou. – Mas sempre me encontro com Mari por lá. Ela dá uma passada de vez em quando para olhar a saúde das crianças.
– Você precisa vê-los jogar, Claudia. São muito bons. Alguns dão muito trabalho, mas são bons meninos – David sorriu, mostrando os dentes brancos de comercial de creme dental.
David e Victor davam aulas de futebol no clube do Flamengo, onde Sarah jogava vôlei e Claudia e Ju tinham começado a jogar também. Eles eram amigos fiéis e sempre estavam por perto, mas devido às novas aulas, não tinham muito tempo para saírem. Até porque ambos também treinavam no clube. Clara tinha escolhido Victor para ser seu padrinho de casamento e Claudia escolheu David. Victor era amigo da loira há bastante tempo e David era filho do técnico do time de vôlei do Flamengo, onde Claudia jogava. Então passavam muito tempo juntos, treinando e saindo com a galera.
Há mais de um ano, eles tinham começado um projeto para crianças de comunidades carentes, que não tinham dinheiro para pagar uma escolhinha de futebol. Com o objetivo de tirar essas crianças do mundo das drogas, fizeram uma parceria com algumas empresas importantes e entraram em sociedade com Mari, que havia dito que seria a médica pediatra daquelas crianças todas. Era um orgulho fazer parte de algo tão importante.
Assim que Victor beijou a bochecha de Manu, ele virou para falar com Mari, que estava logo atrás, mas acabou vendo Sarah chegando de mãos dadas com um rapaz.
Manu acompanhou o olhar dele e nem notou que o restante da galera fez o mesmo. Ela estava absurdamente linda. Reconheceu a fantasia na hora, mesmo sendo tão simples. Vestia uma calça jeans rasgada nos joelhos e nas coxas e uma regata decotada com o rosto do Homem-Aranha sobre os seios. Mary Jane, concluiu Manu. Os cabelos da cor do fogo desciam escorridos pelos ombros e enrolavam nas pontas. Manu adorava aqueles cachos suaves. Também estava bem maquiada e a aliança de compromisso brilhava no dedo anelar.
O rapaz ao lado dela era negro e alto, só um pouco maior que a jogadora de vôlei. Os ombros eram largos e o rosto era amigável. A barba estava feita e Manu conseguiu notar que os olhos dele eram castanho-escuros. Ele sorria um pouco tímido, mas segurava a mão da ruiva possessivamente. Estava fantasiado de soldado do exercito e o boné camuflado escondia o cabelo cortado bem baixinho.
– Oi, gente – Sarah os cumprimentou. – Esse é o Júnior, meu namorado.
– Prazer – ele disse, um pouco sem jeito.
– Fala, Junin! – Victor passou por Mari e lançou um sorriso enorme para o rapaz, estendendo a mão para cumprimentá-lo. – Quando tempo não batemos aquela bolinha?
– Vitin, que surpresa, meu camarada – apertou a mão dele e o abraçou, reconhecendo David em seguida e fazendo o mesmo com ele. Sarah sorria feito idiota.
– Ela ainda não viu a Manu – Lia sussurrou no ouvido de Claudia, que apenas riu baixinho. Estavam loucas para ver a reação da ruiva quando visse a nova policial que estava fazendo a ronda naquela área.
– Júnior, essa é a Clara. A Claudia você já conhece – apontou para a loira e para morena. – Lia e Ju – sorriu para a japonesa e para a mulata. – E essas são Nanda e Mari. Para o desperdício da macharada do bloco, são todas comprometidas. – Quando ia virar parar olhá-lo, finalmente notou que Manuela a fitava com interesse. Não tinha visto ela ali, atrás das meninas.
Não sabia explicar porque, mas seu coração falhou uma, duas, três, quatro batidas. Sua amiga estava deslumbrante. O macaquinho de couro realçava o corpo dela de uma maneira que Sarah ainda não tinha notado. Os cabelos batiam quase na altura da cintura e algumas mechas desciam escorridas pelos ombros dela, como cascatas de ouro. O distintivo no peito denunciava o que estava óbvio. Ela estava vestida de policial. A mais linda policial que já havia visto na vida.
Lia cutucou Ju e comentou sobre a aposta que fizera no carro mais cedo. Por quase um minuto, tudo paralisou entre elas e o namorado. A japonesa assistia de camarote, com as outras meninas, enquanto Victor e David mexiam com duas coelhinhas que passavam ali próximo.
– Essa é a Manu, minha melhor amiga – Sarah finalmente falou algo, para alivio das garotas. A hesitação na voz dela passou despercebida pelo rapaz ao seu lado.
– Então você é a famosa Manuela. A Sarah só fala de você – a loira corou com aquela afirmação e resolveu não comentar anda ainda. – É um prazer conhecer a melhor amiga da minha namorada.
– O prazer é meu... – apertou a mão dele brevemente e se afastou, tentando parecer o mais gentil e normal possível.
– O que vamos fazer agora? – Mari perguntou, querendo livrar a fotógrafa daquilo. Sorriu quando ela lhe lançou um olhar de agradecimento.
– Vamos beber! – Victor exclamou, levantando uma garrafa de Blue Label. O líquido alaranjado cintilou com a luz da rua.
– Meu Deus, vai todo mundo sair carregado hoje, porque eu trouxe Tequila – Claudia virou de costas por um segundo e mostrou a garrafa para os amigos.
– Que tal começarmos agora? – Lia propôs e automaticamente todos concordaram.
Nanda saiu com Mari instantes depois para arrumar gelo e alguns copos extras. Assim que conseguiram, voltaram para onde eles estavam. Os meninos e Lia já bebiam o uísque 21 anos quente e puro. Seriam os primeiros a cair, Nanda tinha quase certeza. Mari distribuiu gelo em todos os copos e misturou a bebida caríssima com Red Bull.
Manu preferiu começar pela tequila e colocou uma dose no copo de plástico. Agora o trio tocava um funk antigo e todos cantavam em coro, alucinados. A bebida descia fervendo por sua garganta, mas aquela sensação era boa demais. Conseguia sentir o olhar de Sarah constantemente em cima de si, mas nem ao menos a olhava. Sabia que ela estava encostada no namorado e, ainda que teimasse em apagar tudo que Mari havia lhe dito, aquela cena incomodava profundamente. Então procurava prestar atenção no que David e Victor lhe diziam, enquanto riam. Eles eram engraçados. Sentia falta de quando eles apareciam na casa de Claudia e ficavam a tarde inteira conversando com ela. Tomou mais um gole da bebida alcoólica e fez uma careta leve, sentindo-a descer rasgando. O vermelho do batom estava marcado na boca do copo.
– Gente, daqui a pouco vamos lá pro meio do povo dançar – Claudia disse, chamando atenção deles.
– Eu topo – Manu deu de ombros e serviu metade do copo de uísque e completou com o energético. O ar estava agradável e a música misturada com a bebida fazia seu corpo se movimentar suavemente no ritmo do funk melody. Tomou um longo gole e sem querer encontrou os olhos verdes de Sarah, mas logo tratou de olhar para outro lugar.
– Igual a você, eu sei que não tem. De zero a dez, te dou nota cem. E até hoje eu lembro de ti e ainda sonho que um dia você vem – Ju cantava alto, de olhos fechados. Havia nascido em comunidade e crescido ouvindo aquelas músicas. Uma nostalgia passou como corrente elétrica por seu corpo.
– Vamos logo, antes que a Ju surte aqui – Mariana riu e puxou sua namorada para irem em direção da multidão. Os meninos levaram as bebidas e cada um pegou seu copo para irem também.
Alguns minutos depois, o ritmo mudou novamente para samba e todos gritaram ao som da bateria da Beija-Flor. A galera sambou durante algum tempo, esgotando boa parte da energia, enquanto a noite seguia com uma linda e enorme lua de espectadora. Mais uma vez, começou a tocar axé. Manu dançava com os meninos e às vezes era puxada pelas meninas. Ninguém tinha imaginado que ela dançava tão bem. Rebolava com a música e jogava o cabelo, chamando a atenção da rapaziada.
Eu não tenho carro – a loira fez um movimento para frente, como se estivesse segurando um volante, sem medo nenhum de entornar a bebida. Enquanto fazia isso, rebolava de forma sensual. Nem tinha sequer percebido que naquele momento Sarah a olhava. – não tenho teto – as meninas acompanharam os movimentos conhecidos e seguiram Manu. — e se ficar comigo é porque gosta. Do meu rá rá rá rá rá lepo lepo – quando a música reiniciou, um rapaz passou e segurou a mão da fotógrafa.
Manu levantou os olhos e o encontrou os dele. Eram castanhos, quase pretos. O cabelo estava arrepiado num moicano cheio de gel e o cheiro do perfume amadeirado atravessou o espaço entre eles. Sorriu para ele e recebeu outro como resposta. Ele aproximou o rosto.
– Posso dançar com você? – Ele sussurrou no ouvido dela, que balançou a cabeça dizendo que não, mal reparando a troca de olhares das meninas. –Se eu dançar mesmo assim, você vai me prender?
– Vou – sorriu mais uma vez. O efeito da bebida não só havia camuflado a timidez da loira, como também aumentou a vontade de apagar de vez Sarah da mente, antes que aquilo tudo ficasse ainda pior do que já estava.
– Como você se chama?
– Manu – ela respondeu e bebeu mais um gole do uísque.
– Eu me chamo Alex – assim que terminou de sussurrar, beijou a bochecha rosada. – E então, está esperando o que para me prender?
– Segura aqui – ofereceu o copo para ele e, assim que o mesmo pegou, levou as mãos ao cinto do macaquinho e tirou uma algema de plástico dali. Sarah tentava dividir a atenção entre eles e o namorado. Em seguida, prendeu o objeto no próprio pulso e depois no dele. Pegou sua bebida de volta e sorriu. – Pronto, está preso em nome da lei – disse, com um sorriso perfeito nos lábios vermelhos.
– Você é linda – foi tudo que ele disse, antes de puxá-la pelo pulso preso e beijá-la.
Lia e Ju arregalaram os olhos e cutucaram Clara e Claudia, que dançavam distraidamente ao lado. Mari cochichou algo sobre no ouvido de Nanda, que apenas riu, mas ficou quieta. E Sarah havia se afastado de Júnior e parado para ver tal cena. O garoto estava sem blusa e puxava Manu pela cintura, fazendo-a envergar o corpo na direção dele, que era bem mais alto. Eles se beijavam com vontade. Júnior segurou em sua mão e tentou puxá-la de volta, mas ela manteve o corpo firme e não saiu do lugar. Desviou momentaneamente os olhos para o copo semicheio de uísque e virou tudo de uma vez.
Que merda de sensação era essa que estava sentindo? O liquido desceu queimando a garganta, mas não foi o suficiente para acalmar seu coração, que faltava pular pela boca.
Continua...
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