Fotografias
48 Flores Azuis
Notas iniciais
Se tinha como a bagunça ficar pior? Impossível, essa era a resposta certa. Faltavam menos de 24 horas para o casamento de Manu e Sarah e a casa da loira estava uma verdadeira zona. Por mais que o casal tentasse acalmar as coisas, simplesmente tudo acabava piorando. Os garotos não perdiam uma só oportunidade de implicar com as garotas, que estavam ocupadas demais preparando maquiagens, roupas e acessórios para o dia seguinte.
– Vou contar até três para você me devolver esse rímel! – Denise gritava do outro lado da sala, apontando o dedo para o garoto de cabelos da cor do sol, que ria de um jeito sapeca, junto com dois rapazes de pele naturalmente bronzeada. – Está me ouvindo, Miguel?
– Devolve para ela, Miguel – a noiva, irmã do garoto, tentou ajudá-la, mas sabia que seria em vão. Quando ele tirava o dia para implicar com alguém, ninguém conseguia pará-lo. A não ser uma única pessoa.
– Por que eu devolveria para você, Deni? Está me devendo uma grana desde o Natal, sua cara de pau.
– Está louco? Eu já te paguei esse dinheiro – os cabelos cacheados de Denise estavam agora muito lisos e mais longos, batendo na altura da metade das costas. – Faça alguma coisa vocês dois! – Apontou para os gêmeos, que apenas deram de ombros e riram. Como sempre, dois imprestáveis.
– O que está acontecendo aqui? – Dona Helena apareceu no cômodo com uma colher de pau na mão e o avental branco sujo de molho de tomate. Ela olhou a multidão e suspirou exaustivamente. Desde quando tinha vidado babá de um bando de marmanjos? Eles eram pior que os dois bebês juntos.
– Tia Lena, ele não quer devolver meu rimel! – Denise disse num tom emburrado, parecendo uma criança de cinco anos.
– Devolve a maquiagem dela, Miguel – a mulher mais velha disse de forma ríspida, olhando-o com os olhos semicerrados.
– Mas mãinha, eu só estou brincand...
– Quantos anos vocês tem mesmo? – Lia os alfinetou. Um sorriso diabólico brincava nos lábios rosados.
– Cale a boca, projeto japonês.
– Já devolveu, Miguel? – Dona Helena ameaçou se aproximar e o loiro se encolheu todo. Resmungando, ele jogou o objeto para a morena.
– Pronto.
– Ótimo – ao dizer, a mulher mais velha virou as costas e voltou para a cozinha.
– Que lindo, um garoto velho desse obedecendo a mamãe – a japonesa voltou a implicar, obrigando o loiro a fazer um gesto obsceno com a mão.
– Pode passar um milhão de anos que o Miguelzinho continuará sendo o bebê da mamãe – foi a vez de Marcela implicar. Como Manu havia imaginado, elas foram feitas uma para outra.
– Gente, meu casamento é amanhã e vocês estão disputando para saber quem implica mais? – Sarah reclamou, embora tivesse um sorriso divertido nos lábios carnudos.
Por mais que estivesse se divertindo com aquela galera louca, Sarah estava se desfazendo por dentro de tanta ansiedade e nervosismo. Tudo estava pronto, graças a eles, mas ainda assim não conseguia parar de pensar em como seria ver a mulher da sua vida num vestido de noiva. Estava curiosa para saber como ele era, já que todos estavam fazendo o possível para que não visse antes da cerimônia, que seria na praia.
Além disso, eles não deixavam uma brecha para que ficassem finalmente sozinhas. Sempre alguém chegava para atrapalhar quando decidiam se beijar ou conversar sobre algum assunto em específico. Mas não se importava com isso de fato, embora quisesse apenas um momento a sós com a mulher de sua vida. Estavam todos muito animados para a cerimônia e, mais ainda, para a festa de arromba, que viria logo após. De acordo com a galera do Rio, não permitiriam que ambas saíssem para a lua de mel antes de curtir a festa com eles.
Sarah achava justo, já que também não deixaram Clara e Claudia viajarem, apesar de que, em algum momento, depois que todos já estavam para lá de bêbados, elas conseguiram fugir de alguma forma e só as viram na semana seguinte. Poderiam até fazer isso, mas o espírito festeiro das duas falava bem mais alto naquele e em qualquer momento.
O dia correu mais rápido do que imaginaram e, quando perceberam, a noite já caía mostrando um céu perfeitamente estrelado, o que indicava que o dia seguinte seria ensolarado, como desejavam desde o princípio. Era exatamente 23:36 quando o apartamento de Manuela ficou finalmente em silêncio. Até minutos atrás, Marcela e Fábio discutiam sobre que lado do colchão dormiriam, mas felizmente dona Helena os intimou a dormir, para a alegria da nação brasileira.
– Tem algum problema se consumarmos o casamento antes da cerimônia? – Sarah mantinha um sorriso malicioso nos lábios, enquanto olhava para o corpo de sua futura mulher. Ela estava vestida numa camisola de preta, que deixava as coxas a mostras num véu transparente da mesma cor. Os cabelos caíam como cascatas de ouro pelas costas. – Porque está quase impossível resistir a você vestida desse jeito.
– Acho que não tem problema, não – a loira sorriu e engatinhou pelo colchão macio de uma maneira completamente sexy, deixando Sarah com água na boca. Ao ficar por cima do corpo esguio, que vestia camiseta regata e calcinha de renda, ambos na cor verde, tratou de sussurrar no ouvido dela: — Por que não fazemos isso agora?
– Eu faço o que você quiser, mas você costuma ser muito barulhenta – ao dizer, a jogadora de vôlei mordeu-lhe o pescoço, provocando-lhe arrepios involuntários. – Vai acabar acordando a casa inteira – o rosto de Manu esquentou de vergonha.
– Eu não faço barulho... você que costuma ser muito má – beliscou-a e riu ao ouvi-la reclamar, selando os lábios dela com um beijo logo em seguida. – Já que você se acha tão boa, por que não mostra isso para mim? Já faz tanto tempo que eu até esqueci como é.
– Você adora me provocar, não é? – Mas não esperou que ela respondesse, automaticamente rolando sobre o corpo curvilíneo e ficando agora por cima. – Mas eu sempre acabo ganhando no final.
– Que vença a melhor – Manu disse num tom desafiador, embora tivesse um sorriso divertido brincando nos lábios carnudos.
– Você é a melhor, mas sou eu quem vai vencer – assim que terminou de dizer, beijou-a intensamente. Aquela seria uma noite e tanta.
(...)
Já era comecinho de tarde quando o povo começou as arrumações. Claudia e Lia ficaram responsáveis por fiscalizar todo o andamento da cerimônia, que, como dito antes, seria na praia. Aquele era o sonho de Manu e Sarah não pensou duas vezes em realizá-lo. Seria na Região dos Lagos, numa praia privada que alugaram por um dia.
Faltava pouco mais de uma hora e a ruiva já estava praticamente surtando, enquanto tentava se manter quieta, ao passo que Marcela terminava de ajeitar seu cabelo num penteado elegante e exótico, que deixava os fios de pontas onduladas presos num coque alto e trançado. Seu vestido era de seda branca, batendo na altura dos joelhos. Um estilo solto e confortável, típico de um casamento ao ar livre. Usava rasteirinhas da mesma cor, com pedrinhas brilhantes, embora fosse ir para o altar com os pés descalços.
– Só um perfuminho para terminar – a veterinária aplicou duas borrifadas da loção que tinha em mãos e sorriu abertamente. – Agora nós podemos ir. Você está maravilhosa.
– Por que você opinou por me ajudar ao invés de fazer isso com Manu? – Uma das sobrancelhas ruivas arquearam em dúvida.
– Foi ela que pediu para eu te ajudar – Marcela deu de ombros e sorriu abertamente. Ela vestia um vestido azul claro tomara-que-caia, um palmo acima do joelhos, com um cinto discreto um pouco acima da cintura. Estava linda demais. Os cabelos castanho-claros estavam soltos por cima dos ombros.
– E o que aconteceu com o resto do pessoal?
– Já está pronta, Sarah? Eu não vou te esperar o dia tod... – Victor ficou paralisado na porta do quarto , olhando-a boquiaberto. – Meu Deus, você está perfeita... É uma pena que eu não seja o noivo – o rapaz suspirou e sorriu ao ver as duas mulheres presentes revirarem os olhos simultaneamente. – Você também está linda, Marcela.
– Obrigada, Victor – a veterinária respondeu com um sorriso educado, o que deixou a ruiva um tanto surpresa. Desde quando ela agia assim? Será que estava com vergonha do garoto?
– Vamos logo, gente – Denise também entrou no cômodo, corando imediatamente ao ver o moreno de cabelos enrolados. Vestida num vestido básico florido, rosa claro, ela estava parecendo uma princesa. – Eu vou indo na frente com Nanda e as meninas.
Quando a garota finalmente saiu do quarto, Marcela e Sarah olharam imediatamente para Victor, como se perguntassem o que diabos havia acontecido ali. Ele coçou a cabeleira castanha e riu, sem jeito.
– Eu a beijei – Sarah poderia jurar que o rosto dele estava corado.
– MEU DEUS! Acho que alguém vai morar na roça – a ruiva gargalhou ao ver a expressão tímida estampada no rosto do moreno. – Eu nunca iria imaginar ver você com vergonha, Victor. É hilário! – E continuou a rir.
– Falou a que tirava onda demais e depois que conheceu a Manu, ficava com o rosto da cor dos próprios cabelos – o rapaz retrucou. – Vamos logo, ou você irá a pé – ao dizer, Victor deu um tapa na testa dela e saiu do quarto.
(...)
Por mais que tivesse visto todas as fotos de como ficaria a decoração, Sarah nunca imaginaria que iria ficar tão perfeito. Era realmente inexplicável o que sentiu ao chegar ao local da cerimônia. Mas, embora tudo estivesse lindo, não conseguiu evitar de procurar Manuela com os olhos. Infelizmente, ela ainda não havia chegado. Suspirando, saiu do carro de Victor e caminhou até um espaço reservado aos amigos mais próximos. Assim que entrou, tomou um susto enorme com as histerias convencionais de Liane.
– Até que em fim! – A japonesa praticamente gritou, toda elegante em seu vestido vinho. No colo da mulata ao seu lado, uma miniatura de olhos puxados brincava com um carrinho vermelho; Luquinhas. – O noivo não pode se atrasar – como sempre, ela não perdeu a oportunidade.
– Fica na sua, lambisgóia – apontou o dedo para ela, semicerrando os olhos verdes.
– Minha filha, você está tão linda – Sarah arregalou os olhos ao reconhecer a voz da mãe. Virou-se prontamente e a viu, parada próximo a uma mesinha com jarra de água e algumas frutas. Logo reconheceu que o vestido leve que ela usava era novo, embora não gostasse muito de comprar roupas novas. Os cabelos, que tinham o mesmo tom de ruivo que os seus, estavam presos num penteado impecável. E os olhos castanho-esverdeados brilhavam como se estivessem vislumbrando uma obra de arte. – Você pensou mesmo que eu não viria?
Mas Sarah não respondeu. Apenas a abraçou apertado, demonstrando toda a alegria por ter a pessoa mais importante de sua vida, juntamente com Manu, em seu casamento. Agora já não precisava de mais nada para que o dia ficasse ainda mais perfeito. Iria casar com a mulher mais linda do mundo, todos os seus amigos estavam presentes, sua mãe estava ali, sua sogra também... Só faltava realmente se ver casada com Manu e então nada mais importaria.
Pouco tempo depois, todos foram para o local da cerimônia e, por mais que dissessem que Manu estava chegando, a ruiva não conseguia manter a calma. Faltavam pouquíssimos minutos e nada de ela chegar. Estava prestes a sair para procurá-la, quando finalmente a viu. E, literalmente falando, seu queixo caiu. Ela estava... maravilhosa.
Antes de dona Helena se aproximar para dar o braço a ela, Manu lhe sorriu aberto, possivelmente pensando as mesmas coisas. Os cabelos dourados estavam presos e emaranhados num enfeite de flores, o que a deixava com rosto ainda mais angelical. O vestido era leve, como o de Sarah, mas tinha um formato mais sexy, sendo curto na frente e longo atrás. Na parte de cima, um decote moderado tinha detalhes em renda florida e as alças finas cruzavam belamente nas costas. Era como se Sarah tivesse vislumbrando o mais belo dos sonhos.
Se Manuela tivesse que descrever aquele momento, teria dito que não poderia ter visto nada tão impressionante em sua vida. Não estava falando da decoração em tons de branco e azul, com as cadeiras para os poucos convidados perfeitamente alinhadas, rente ao altar decorado em estilo natural, com um tapete feito de flores azuis jogadas na areia que a levaria até onde estava o centro de sua atenção. Sim, era de Sarah que seus olhos não faziam questão de sair.
Todo o ambiente parecia deixá-la ainda mais bela, com a imensidão azul à suas costas e o céu claro sem nuvens acima de suas cabeças. O silêncio havia tomado conta do lugar, mas nem ao menos perceberam, pois parecia que algo as tinha desligado de tudo. Uma leve brisa soprava, balançando o tecido suave de seu vestido. Queria muito correr e se jogar nos braços dela, mas dona Helena a segurava com carinho. Seu coração martelava contra o peito numa velocidade sobre-humana, chegando a doer de tanto nervosismo e ansiedade. E quando ela começou a se aproximar a passos lentos, com os pés descalços afundando na areia pálida, sentiu-se obrigada a prender a respiração. Era simplesmente impossível manter qualquer pensamento coerente quando aqueles intensos olhos verdes a fitavam daquela maneira tão profunda.
Então ela se aproximou tanto que pôde sentir a fragrância do perfume que tanto adorava. O sorriso dela sempre foi lindo, mas hoje havia se superado na perfeição. Antes de estender a mão, Sarah abraçou dona Helena apertado e pôde ouvir seu suspiro pesado, como se estivesse se segurando para não chorar. No segundo seguinte, ela virou primeiro para Miguel e também o abraçou, só depois pegando em sua mão e puxando-a levemente. Queria abraça-la naquele momento e dizer o quanto a amava, mas sabia que não era a hora.
Os poucos convidados estavam sentados nas cadeiras enfeitadas por toalhas de seda em branco e azul claro, com flores de jasmim enfeitando o lado do corredor. As flores azuis na areia davam a sensação de um perfeito tapete natural, que as levaria diretamente ao altar, onde um homem de terno as esperava pacientemente. Não estava tão calor quanto imaginaram que estaria, o que era realmente favorável, já que estavam no litoral e ao ar livre.
Caminharam de mãos dadas e, da metade do caminho em diante, uma música começou a tocar. Era uma surpresa de Sarah, pois ela quem a havia escolhido e m segredo.
“Well I Just heard the news today. It seems my life is going to change. I close my eyes, begin to pray. Then tears of joy stream down my face”
Por conhecer e falar inglês fluentemente, conseguiu identificar cada palavra cantada pelo rapaz. Seu coração não podia bater mais rápido, ou sairia voando do peito. Sentia a palma da mão da ruiva suar frio contra a sua, de tão nervosa que ela estava. Não a culpava, pois se sentia da mesma forma. Se não pior. A música continuava tocando, envolvendo o ambiente. Ao chegarem ao altar, dona Flávia, mãe de Sarah, também se aproximou e as abraçou apertado, começando primeiro pela loira de olhos azuis.
– Prontos? – O homem de terno negro indagou para os presentes, que responderam um automático sim como resposta. – Então vamos começar.
Sarah e Manu viraram para ele, sem deixar um segundo sequer de segurar a mão uma da outra. Era como se, por acaso soltassem, tudo fosse desmoronar e se mostrar um sonho no final. O mais perfeito dos sonhos que se veriam infelizmente acordadas. Então o ouviram falar sobre o rito inicial, dizendo algumas frases padrão como se fosse um casamento qualquer. Ao terminar, ele as olhou.
– Sarah Alves e Manuela Martins, viestes aqui para celebrar o vosso matrimônio. É de livre e espontânea vontade que pretendem fazê-lo?
– Sim – ambas responderam, se entreolhando brevemente, voltando a olhá-lo em seguida.
– Pois bem – ele inspirou lentamente, os cabelos lisos e negros estavam penteados para o lado. – Sarah Alves, você aceita Manuela Martins como sua legítima esposa? Amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, durante todos os dias de sua vida, até que a morte as separe?
– Aceito – a ruiva respondeu sem pensar duas vezes, olhando para a fotógrafa mais linda ao seu lado. Queria pular logo para a parte que a beijaria intensamente. Não conseguia nem conter os batimentos acelerados de seu bobo coração apaixonado.
– Manuela Martins, você aceita Sarah Alves como sua legítima esposa? Amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, durante todos os dias de sua vida, até que a morte as separe?
– É claro que eu aceito – os olhos azuis encheram d’água. Droga, iria acabar borrando a maquiagem.
– Podem trocar as alianças.
Para deixar o momento mais inesquecível ainda, Gugu apareceu no inicio do corredor de mão dada com o pequenino Luquinhas, que segurava uma caixinha aveludada entre os dedinhos gorduchos. Ambos estavam com roupa social a caráter, mas no estilo verão, deixando as miúdas pernas alvas de fora. A cabeleira espessa e negra como ébano de Lucas brilhava com a luz do sol de meia tarde. A passos curtos, eles chegaram à outra extremidade, causando sorrisos em todos os presentes, sem exceções.
– Oh, meus amores, como vocês estão lindos nessa roupinha – Manu se abaixou para abraçá-los, recebendo um beijo molhado de cada um deles.
– Dindinha ta linda – os enormes olhos de Gugu brilhavam ao dizer.
– Linda – Luquinhas repetiu, provocando risos nas noivas.
– Só ela que merece abraço, é? – A ruiva também se agachou, abrindo os braços para ser abraçada pelos dois ao mesmo tempo. – Mas que abraço gostoso, gente.
Um momento depois, as mamães pegaram seus filhotes e os levaram para seus devidos assentos. E a cerimônia continuou. Sarah, que tinha pegado a caixinha aveludada das mãos de Luquinhas, a abriu e tirou os dois anéis de ouro. Dentro, tinha o mesmo desenho dos anéis de compromisso, trocados tempos atrás, um sol brilhante coberto por um conjunto de nuvens. Ao lado, estava escrito o nome delas, um em cada anel. Com lágrima nos olhos, a ruiva pegou a mão fina e delicada e sua quase esposa e respirou fundo.
– Eu, Sarah Alves, te recebo como minha esposa e prometo ser fiel, durante todos os dias da minha vida – enquanto dizia, Sarah colocava lentamente o anel no fino dedo da fotógrafa, notando uma lágrima solitária escorrer dos olhos azuis mais lindos do mundo.
– Eu, Manuela Martins, te recebo como minha esposa e prometo ser fiel, durante todos os dias da minha vida – fez o mesmo movimento que ela, segurando o máximo para não desabar de tanta emoção. Seu coração parecia que iria explodir de tão rápido que batia contra o peito.
– Eu as declaro casadas – o homem disse, cortando momentaneamente o encanto. – As noivas podem se beijar.
Sarah mal terminou de deixá-lo falar e tratou logo de juntar seu corpo ao da loira de olhos azuis, beijando-a logo em seguida. Foi um beijo intenso, que mostrava o quão a vontade elas estavam ao estarem de frente para sua família e amigos. A ruiva mal se importava se dona Helena estava olhando, muito menos sua própria mãe. Amava aquela mulher com todas as forças do seu ser e, estar ali, casando-se finalmente com ela, realmente havia sido tudo que pedira a Deus. Seus sonhos finalmente estavam sendo realizados e tudo era graças a ela, e graças as meninas que a havia apresentado.
Ao afastar o rosto do dela, Sarah sorriu abertamente e tornou a aproximá-lo, encostando-lhe os lábios na orelha.
– Quando eu falar, é pra correr – sussurrou, provocando-lhe arrepios.
– O que você vai fazer? – Manu a olhou de maneira curiosa, porém não obteve a resposta que desejava. Odiava quando ela fazia isso.
Como num tradicional casamento, elas passaram pelo corredor e receberam as pétalas de rosa branca, jogadas por todo mundo, enquanto gritavam em comemoração. Afinal, não era todo dia que acontecia um casamento, muito menos um de nossos próprios amigos. Ao chegar do outro lado, Victor já as esperava na porta. De lá, iriam passar na casa para trocarem de roupa e depois voltar àquela praia mesmo, onde fariam um luau em comemoração ao casamento. Porém, antes de chegar ao veículo, Sarah apertou os dedos entrelaçados à mão de Manu e a olhou brevemente.
– Agora – falou baixinho e a puxou para o lado, passando entre Juliana e Clara, que ainda tinham um punhado de pétalas entre os dedos.
Ambas correram em direção ao mar. Manu não estava entendendo nada, mas apenas a seguiu. A galera ficou para trás, olhando-as boquiabertos. Sarah puxou sua recente esposa até a costa da praia e, arfando, desamarrou uma lancha de pequeno porte. Ajudou-a a subir e fez o mesmo, ligando o automóvel aquático e partindo em velocidade máxima rumo à automar.
– Quem diabos deu uma lancha para essas duas? – Liane explodiu, ainda de boca aberta. – O combinado foi que elas só partiriam depois da festa!
– Eu concordo – Claudia também se pronunciou, notando a única índia do grupo rir baixinho e dar de ombros logo em seguida.
– Esse foi meu presente de casamento – explicou, ainda rindo de leve.
– Você é uma traidora, garota – foi a vez de Marcela dizer, apontando o dedo descaradamente para a militar de cabelos longos e lisos.
– Elas prometeram voltar – mais uma vez, Nanda deu de ombros. Agora sorrindo, continuou: — Vamos começar a festa e esperar por elas.
– Ai de você se elas não voltarem – Claudia também apontou, semicerrando os olhos azuis. Logo em seguida, abraçou Clara por trás e beijou-lhe o pescoço de leve.
– Vão voltar, mas não agora. Tenho certeza – Mari suspirou e virou para Lia. – Vamos beber, porque ser mãe não é fácil. Não concorda?
– Ah, com certeza.
E, de mãos dadas, as duas mães saíram em direção ao local onde seria o luau, mais ao oeste da praia. Juliana, Nanda, e o restante do pessoal, as seguiram. É, não havia outra opção, se não esperá-las.
Continua...
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