Força e Vida - Tomione
67 Capítulo 67 - Nos braços certos
Notas iniciais
✣ Draco Malfoy
— Ainda acho uma pena a Amy não ter vindo com a gente. – Disse a Pansy assim que nos acomodados em uma cabine.
Havíamos chegado cedo ao trem, já que graças a Hermione nós tínhamos acordado no horário e terminado de arrumar nossas malas ontem. Escolhemos uma cabine no meio do vagão da Sonserina e a trancamos magicamente, buscando um pouco de privacidade.
— Também acho. Mas é impossível mudar a cabeça dela quando ela decide que quer alguma coisa. E se ela quer ficar sozinha, talvez seja melhor ter um pouco de espaço. – Suspirei sabendo que mesmo estando com a garota que eu finalmente percebi que gosto, não deixaria de me preocupar com a Hermione por um minuto que fosse nessas férias.
— Ela ficará bem, Draco. É forte e está em Hogwarts. – Sorri para a loira passando a mão em seu rosto. Como eu podia ter ficado tantos anos sem notar o quanto ela era bonita. – Você é muito linda sabia? – Mudei de assunto sabendo que não adiantaria falar da Hermione.
— Na verdade, sabia, mas de qualquer forma é sempre bom ouvir isso. – Comecei a rir. Era incrível como nós dois conseguíamos ser convencidos na medida certa.
— Eu poderia dizer que criei um monstro e assumir a culpa por você ser tão convencida, mas nós crescemos juntos então a culpa não pode ser toda minha. – O que era para ser um momento romântico acabou em risadas descontraídas.
Esse era o lado bom de namorar a minha melhor amiga. Quase não havia momentos em que não estávamos rindo, talvez tivesse sido por medo de perdê-la como amiga que eu nunca havia me deixado levar pelos meus sentimentos.
— Às vezes eu me pergunto quando teríamos nos acertado se a Amy não tivesse ajudado. – Pansy falou depois de um tempo em silêncio. Ela segurava nossas mãos juntas olhando para elas.
— Talvez não antes do natal, admito, mas duvido que conseguiríamos durar muito mais tempo. – Antes de a Hermione falar, eu já havia percebido um pouco do que sentia. Colocar tudo em voz alta só me deu mais confiança.
— Mesmo sabendo que eu escondi tudo o que eu sentia por tanto tempo, ainda me assusto com a intensidade do que eu sinto por você. – O Sorriso doce e o olhar brilhante só me davam mais vontade de beijá-la.
— Eu também. – Sussurrei com um sorriso. – Mas eu queria ter percebido antes, poderíamos estar juntos há muito mais tempo. – Não queria parecer tão melancólico, mas era como eu me sentia.
— Talvez, mas não sei se estaríamos prontos para isso como estamos agora, Draco. Nós dois tivemos uma fase em que esse amor não seria possível. – Sorri minimamente para ela me lembrando dos nossos tempos de ficadas.
— Pelo menos é reconfortante saber que não fui só eu que tive essa fase. – Pansy tentou fazer uma cara de ofendida ou de inocente, mas as duas falharam grandemente o que me fez cair na risada.
— Não ria de mim. – Porém o que era para ser uma repreensão tornou-se uma risada conjunta.
— Não estou rindo de você. Pelo menos não diretamente. – Se já estava difícil, foi impossível parar de rir quando ela me empurrou rindo.
— Draco. Draco. – Eu não havia percebido, mas tinha acabado dormindo.
— Estamos chegando? – Não tinha notado que estava tão cansado até a Pan me acordar.
— Sim, já estamos quase na estação. – Me levantei do seu colo e beijei o seu rosto.
— Desculpe, eu não sabia que estava com tanto sono. – Pansy sorriu e beijou o meu rosto.
— Tudo bem, você estava tão relaxado e tranquilo que resolvi que era melhor não te acordar, pareceu maldade.
— Quem falou que sonserinos não tem coração? – Disse enquanto lhe roubava um beijo.
— Alguém da Grifinória, com toda certeza. — Assim que o trem parou a Pansy ficou tensa e séria.
— O que aconteceu, Pan? – Ela parecia extremamente nervosa.
— Eu sei que é bobeira, mas estou com medo de enfrentar os seus pais, sendo dessa vez sua namorada. – Sorri com certo alívio, pela cara que ela havia feito, achei que era algo muito mais sério.
— Fique calma, Pan. Não teria porque algo dar errado, não é como se a minha mãe já não esperasse por isso. – Sorri sabendo o quanto a dona Narcisa ia pegar no meu pé por isso.
— Talvez, mas ainda é difícil parece que tudo está diferente. – A abracei tentando tirar a sua carinha de assustada.
— De qualquer forma eu estarei lá com você, nós dois juntos. – Sorri e lhe dei um selinho, sentindo que finalmente ela estava relaxando um pouco.
Meu único medo era a presença do Tom na casa, porém sem a Hermione lá ele provavelmente nem apareceria ou sairia do quarto e da biblioteca. Então talvez isso também não fosse um problema, e eu estava esperando para me preocupar na hora certa, e não por antecipação.
E foi com a certeza de que eu precisava ir com um passo de cada vez para que tudo desse certo que eu entrelacei a minha mão na da Pan e desci do trem tranquilamente. Para nós darmos certo não havia sido de uma hora para outra e muito menos sem esforço, e era por isso que eu sabia que deveria ir com calma daqui para frente.
— Draco! Que saudades! – Minha mãe gritou assim que me avistou, e me abraçou no momento em que nos aproximamos.
— Nos vimos nem há um mês, mãe. – Tentei, inutilmente, dizer para que ela me soltasse.
— Eu sei, querido. Mas eu tenho direito de sentir sua falta! – E antes que eu pudesse protestar ela já estava me soltando e abraçando a Pansy. – E Pansy querida! Como é bom te ver, e finalmente poder te chamar de nora! – E lá se ia a minha chance de tentar fazer com que a loira não passasse tanta vergonha.
— Mãe! Achei que eu não precisava dizer para não fazer a Pansy passar vergonha! – Mas mesmo tentado parecer bravo, eu apenas queria rir da expressão constrangedora da loira e da inocência no rosto da minha mãe.
— Oh! Desculpa, querida. Estou apenas muito feliz por vocês, de verdade. – Porém nem mesmo a loira parecia magoada, já que nós dois sorríamos um pouco bobos. – Mas agora vamos para casa!
— E onde está o papai? – Perguntei assim que chegamos à mansão e ela se encontrava em um completo silêncio.
— Era isso que eu precisava dizer a vocês! – Minha mãe bateu a mão na testa em um gesto de distração. Eram em momentos como esse que ela mais se parecia com a tia Bela. – Seu pai está em missão, todos estão na verdade. – Isso queria dizer a tia Bela, e surpreendentemente, o lorde. – Então o jantar que teríamos hoje a noite precisou ser adiado, mas não se preocupem que mesmo sendo apenas nós três em uma casa tão grande, acharemos um jeito de nos divertir. – Narcisa piscou para nós. – Mas seja um cavalheiro e ajude a Pansy a se instalar. – Peguei a minha mala e da loira já me dirigindo as escadas. – E como eu sei que vocês não são mais crianças, ela ficará no seu quarto, querido. – Disse minha mãe da cozinha.
Sem dizer nada apenas olhei para a loira e sorri cheio de segundas intenções, ao que ela me devolveu com quase a mesma intensidade. Minha mãe, felizmente, sabia o quanto era desnecessário arrumar um quarto a mais, se no fim das contas, nós daríamos um jeito de ficarmos juntos. Talvez apenas quando o pai da Pansy estivesse aqui fosse melhor a gente fingir que dormíamos em quartos separados, mas até lá estava tudo bem.
— É estranho. – Disse a loira depois que eu já havia arrumado um lugar para a minha mala e a dela no closet.
— O que é estranho? – A abracei por trás a deixando bem próxima a mim. Eu amava ver seu sorriso tímido quando eu era carinhoso.
— Estar aqui, na sua casa e no seu quarto, como sua namorada. – Ela sorriu novamente. – Depois de tantos anos vindo aqui, com os meninos, como sua amiga. Parece besteira, mas tudo está diferente. – Sorri com ela dessa vez.
— Tudo está igual, nós é que estamos diferentes. – Beijei os seus lábios delicadamente para dar ainda mais firmeza ao que eu estava dizendo.
— Não é de hoje que eu gosto de você, mas quando eu te vi com a Amy, admito que senti ciúmes, mas também eu notei o quanto você havia mudado. – Sorri me lembrando dos primeiros dias após a volta. – Foi ali que eu percebi que a gente poderia dar certo.
— A Amy me ajudou muito no tempo que eu estive fora, para mim ela é uma irmã que eu nunca tive. – E que realmente tenho, mas esse não é o momento para essa conversa. – E eu admito que a amei ainda mais quando ela conseguiu abrir os meus olhos para o que eu sentia. Eu gostei de uma garota no intercâmbio, mas não chegou nem perto do que eu sinto por você, Pan. – E novamente ali estava aquele lindo sorriso tímido. – Eu te amo. – Sussurrei.
— Eu também te amo. – A loira também sussurrou antes de mais uma vez eu a beijar.
E aquele era um beijo totalmente diferente dos outros, porque era a primeira vez que nós colocávamos em palavras tudo o que realmente sentíamos. E mesmo que já havíamos demonstrado de outras formas, formas muito boas, diga-se de passagem, naquele momento verbalmente parecia muito mais forte e real.
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