Força e Vida - Tomione
65 Capítulo 65 - Frio até para uma cobra
— Bom dia, Grün. – Ainda era muito cedo quando cheguei, ainda com o meu pijama, na câmara, mas era o melhor horário para não chamar a atenção.
— Amy! Estava começando a ficar preocupado, e isso é no mínimo inusitado para uma cobra. – Comecei a rir, não era como se desse para levar uma cobra tão a sério. Grün nunca havia sido uma cobra comum, talvez por nunca ter vivido no mundo selvagem, ou apenas por ser diferente, mas ele sempre parecia mais humano do que a Königin e até mesmo a Esme.
— A história é absurdamente longa, mas felizmente nós dois temos tempo. – Me sentei na frente da escrivaninha, me acomodando e procurando pela minha correspondência.
Mesmo vendo que havia uma carta da minha mãe ali, comecei a contar tudo que havia acontecido desde o ataque do Harry até os meus dias na casa dos Malfoy, não poupando nenhum detalhe, qualquer que fosse. Grün era um excelente ouvinte, já que para ele eu podia contar tudo, e ele era alguém imparcial.
— Você conheceu uma cobra chamada Nagini? Ela é do lorde? – Perguntou ele animado.
Depois de toda uma história triste de como eu fui atacada e chorei uma noite por ter revisto o amor da minha vida, a única coisa em que o Grün se interessou foi pela Nagini. Frio, até para uma cobra.
— Sim eu conheci, e sim eles são amigos há bastante tempo. E sim, claro, eu vou bem, muito obrigada por se importar. – Me fingi de ofendida.
— Amy. Eu consigo ler a sua mente. Não é como se eu não soubesse que foi difícil, mas que agora você está bem. – Revirei os meus olhos para ele. Basiliscos sabiam ser estraga-prazeres. – Está até mesmo tentando juntar seu irmão com a melhor amiga dele. – Ficava ainda mais chato quando ele descobria meus planos.
— Apesar de você já ter lido, preciso falar isso em voz alta. Você é um estraga-prazeres, Grün. E eu não conheço muitas cobras, mas todas que conheci eram mais legais. – Joguei a verdade na lata.
— Das quatro que você conhece apenas duas podiam ler a sua mente, e você conviveu pouquíssimo tempo com a Königin, então também não é válido. E a outra é a cobra do Lorde das Trevas. Então em minha defesa, apenas a Esme parece realmente legal. – Eu ainda me surpreendia com o fato de uma cobra poder ter senso de humor.
— Justo. – A linha de raciocínio era razoável. – Mas agora eu preciso ler o que a mamãe já tem para me enviar depois de me ver no domingo. Então enquanto isso, você pensa em algo que eu possa fazer para juntar o Draco e a Pansy. – Sim, eu estava pedindo ajuda ao meu Basilisco, uma criatura extremamente mortal, para uma questão romântica.
Como Grün não reclamou e continuou a nadar em silêncio, deduzi que havia começado a pensar em alguma coisa, então com toda a paciência do mundo abri a carta da Bela, esperando que estivesse tudo bem e que não precisasse voltar a me preocupar logo agora que eu havia voltado para a escola.
Filha,
Eu sei que você chegou na escola ontem, e que provavelmente está tudo bem por aí, mas eu queria lhe manter informada.
Nós ainda estamos caçando o lobo e até o momento ele tem tido vantagem. Muita gente está envolvida nessa caça, os melhores comensais foram designados para isso na última reunião, que aconteceu logo depois de você e o Draco partirem. O Tom está totalmente focado nisso, chega a ser assustador, mas também admito que é reconfortante saber que ele se importa tanto.
Porém nem tudo está tão cor de rosa, não quero que você se preocupe, mas uma das teorias do Tom para que ainda não termos conseguido achar o Greyback é a de que ele está tendo ajuda de dentro. Mas apenas eu sei que ele desconfia disso e iremos investigar de qualquer forma.
De qualquer forma, vamos achá-lo e você está segura em Hogwarts, quero apenas que não se sinta no escuro.
Com amor,
Belatriz Black Lestrange
Sorri para carta. Apesar de a minha lógica dizer que eu não deveria estar feliz com aquilo, não conseguia deixar de sorrir ao saber que o Tom estava caçando o Fenrir, e que não parecia que iria descansar antes de encontrá-lo.
Chegava a ser bobo, mas como a minha mãe havia dito, era bom saber que ele se importava. E ainda melhor saber que ele tinha todas as ferramentas para encontrar e acabar com o lobo. Eu normalmente não era uma pessoa tão violenta, mas depois do medo e o susto terem passado, apenas a raiva ficou. Raiva principalmente de saber que os idiotas que haviam me atacado haviam contado vantagem para o Greyback.
— O que ela queria? – Me perguntou Grün depois que notou que eu estava há um certo tempo em silêncio.
— Nada muito sério. Ela apenas queria me manter informada quanto à caça ao Greyback. – Era um bom resumo para alguém que com um olhar poderia ler tudo que está na minha cabeça.
— Bem, só tenho a dizer que apesar de você achar isso bonito, acredito que o lorde deveria ser mais equilibrado emocionalmente para ganhar um título de nobreza. – Disse o meu belo basilisco depois de ler os meus pensamentos. Novamente, frio até para uma cobra. – Mas quanto à ideia do casal que você quer juntar, acho que deve apenas tentar deixá-los sozinhos, sem chamar muita atenção quanto a isso. Talvez seja uma boa ideia avisar a Pansy sobre isso, mas se for suficientemente discreta com os seus desaparecimentos, nem isso será necessário. Eles parecem bem encaminhados.
— Excelente! Vou passar mais tempo aqui, com toda certeza! – Eu gostava de ficar na câmara, e era ainda melhor poder ficar por um bom motivo.
— Sim, isso vai ser ótimo. Mas agora você não tem aula? – Olhei para o relógio assustada, mas felizmente eu ainda tinha tempo para sair do banheiro sem que ele estivesse lotado e ir tranquilamente para a sala.
— Você me assustou, mas obrigada. Já vou indo, até mais. – Saí da câmara fechando-a com cuidado.
— Onde você estava? – Me perguntou um Draco preocupado quando chegou próximo do lugar que eu esperava para entrar na sala.
— Acordei meio cedo e fui dar uma volta. – Pisquei com um sorriso. Havia muita gente por perto, para eu admitir em voz alta que estava na câmara.
— Poderia ao menos deixar um bilhete, senhorita. – Completou Pansy. Que meigo, eles já estavam até mesmo terminando as frases um do outro.
— Eu sei, sinto muito por isso. Mas eu realmente achei que não seria nada demais. – Eu sabia que eles se preocupavam, mas o Draco já era para estar acostumado com as minhas idas à câmara. Algo parecia estar errado.
Porém antes que eu pudesse perguntar alguma coisa, já estávamos entrando logo atrás do professor para que a aula começasse, então apenas olhei para ele na esperança de que o loiro captasse a mensagem. Durante alguns segundos achei que ele não havia aprendido nada nos últimos meses comigo, mas ele por fim suspirou e concordou minimamente com a cabeça.
— Acha que é possível que a tia Bela me envie ainda mais berradores? – Perguntou ele enquanto esperávamos na porta do banheiro, onde a Pansy havia entrado para se arrumar no intervalo.
— Depende da gravidade da situação. – Não podia dizer que não, minha mãe era uma pessoa explosiva.
— Eu achei que depois de te ver pessoalmente, meu pai iria parar de insistir para que você fosse no natal para casa. Porém ele me enviou uma carta hoje cedo me lembrando disso. Estou começando a suspeitar de alguma coisa, mas tenho certeza que ele não me contaria se eu estivesse lá, então quem dirá por carta. Não sei como a tia Bela tem reagido à festa, já que você já correu bastante perigo nos últimos dias. – Pensando bem, nem eu sabia. Não havia perguntado nada sobre isso na minha carta de resposta.
— Eu poderia perguntar a ela sutilmente. Afinal de contas não precisamos de mais berradores por toda a nossa vida. – A semana dos berradores havia sido sombria. – Porém eu te aviso desde já que não estou animada para ir agora. Primeiro por causa do ataque do lobo e depois porque eu já estive lá recentemente, a memória ainda estará fresca. Mas quero que você vá ver a sua família. – Completei rapidamente sabendo que a primeira ideia dele seria ficar onde eu estivesse.
Ao contrário do que eu havia pensando, o loiro ficou pensando em silêncio por um tempo. Ele parecia dividido entre as duas opções, o que normalmente ele decidiria sem nem ao menos piscar. Talvez isso fosse bom, talvez fosse a Pansy a causadora dessa mudança, e se realmente fosse, eu teria que agradecer a ela.
— Eu gostaria de ficar aqui, você bem sabe que quero estar onde você esteja, mas eu e a Pansy combinamos de fazermos companhia um ao outro na festa de ano novo, já que eu já esperava que você provavelmente não iria querer ir. – Draco havia corado. Corado. Tentei ao máximo não parecer chocada. – Então se estiver tudo bem para você.
— Claro! Sabe muito bem que eu sei me virar, e além do mais eu estarei em Hogwarts. – Respondi rapidamente tentando parecer natural.
No fim das contas o Grün estava certo, eu não ia precisar fazer grandes feitos para conseguir juntar o meu casal favorito. Sozinhos eles já estavam se acertando. Esse pensamento me fez sorrir pelo resto da manhã e também durante o almoço.
Era tão bom ver que alguém ainda podia ser feliz no amor, ainda mais o meu irmão que havia sofrido por uma garota que nem ao menos era do tempo dele, algo que eu entendia bem, dolorosamente bem.
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