Força e Vida - Tomione

63 Capítulo 63 - Um dia da caça


Notas iniciais
Oi galerinha! Muito obrigada pelos comentários gente, vocês são demais!

Aquela havia sido a minha melhor noite de sono dos últimos meses. Eu nem ao menos conseguia me lembrar de quando havia dormido tão bem. Não havia sonhado com nada e também não havia tido um pesadelo que me acordasse durante a madrugada.

Eu e o Tom havíamos ficado em silêncio durante um tempo, apenas aproveitando a presença um do outro, até que ele havia me lembrado da vontade que eu estava de tomar um banho e me livrar daquele vestido. Olhando a bolsa de emergência, escolhi uma camisola verde sonserina comportada, e depois de um longo banho, nós havíamos dividido a cama, apenas para dormir.

Não poderia dizer que o momento havia sido de todo inocente, já que assim que eu saí do banheiro o moreno havia aprovado com os olhos e um sorriso levemente malicioso a roupa que eu havia escolhido, e eu também nem pensei em reclamar do fato dele estar apenas com uma calça de pijama preta, mas nenhum de nós fez ou disse alguma coisa para mudar a situação. Com um sorriso doce e um beijo na minha testa ele havia me desejado boa noite, e eu sutilmente rolei para o seu lado da cama e dormi deitada em seu peito.

Assim que acordei, antes mesmo de abrir os meus olhos, eu percebi que ainda estava deitada em seu peito, já que eu ouvia as batidas do seu coração e sentia a sua respiração calma e sonolenta, também conseguia sentir o braço dele ao meu redor.

Mesmo com a vontade de ficar ali para sempre, abri os meus olhos lentamente para a claridade que já estava instalada no quarto. Vendo um relógio que estava na cabeceira notei que já eram dez horas da manhã, levantei rapidamente chamando a atenção do moreno, que já parecia estar acordado, com o meu movimento repentino.

— Já está tarde! Se a minha mãe já retornou estará atrás de mim. – Disse tentando espantar o sono e a preguiça que me invadiam sem dó.

— Acalme-se. – Tom riu um pouco do meu jeito espaventado e apoiou a mão no meu ombro para que eu não saísse da cama. – Ela já voltou sim, e estava brava e nervosa, mas eu disse que você estava bem e dormindo, então ela foi resolver uns problemas com o Lúcio e o Draco, deve estar logo retornando. – Eu não havia notado que ele já havia trocado de roupa. Estava vestido com uma calça de moletom e uma camiseta, uma roupa tão simples que o deixava bem longe do título de Lorde das trevas.

— Problemas? – Testei se a palavra parecia tão simples na minha cabeça quanto parecia na dele. É, acho que não.

— Não se preocupe. Eles são grandinhos e sabem se virar. – E com isso eu tive um pequeno estalo do que poderia ser o problema.

— Eles foram caçar o Greyback, não foram? – Baixei os meus olhos para o chão assim que ele não me respondeu logo de cara. Era a resposta mais óbvia sabendo o quanto eles ainda estavam bravos.

— Não vou mentir para você, Mione. – Depois de tanto tempo, era a primeira vez que ele me chamava pelo apelido, tentei não demonstrar o quanto aquilo me fazia feliz e caótica por dentro. – Assim que a sua mãe chegou, lá pelas oito horas da manhã, e eu a convenci de que você estava bem, o que confesso, não foi fácil. Ela chamou a mim, ao Draco e ao Lúcio. Eu até mesmo tentei dizer que você não ia querer isso, mesmo que eu concorde com eles, mas de nada adiantou, e eles saíram para procurá-lo em todos os lugares que sabemos que ele poderia estar. – Suspirei sabendo que eu já esperava por isso.

— Eu sabia que ninguém poderia fazer com que eles mudassem de ideia, mas esperava ter mais tempo para tentar. – Admiti em voz alta suspirando novamente.

— Você não pode tirar o direito de vingança de alguns sonserinos. – Tom riu um pouco o que até mesmo fez com que eu me sentisse melhor, era bom ver ele relaxado dessa forma, mostrava que ele ainda confiava em mim. Tanto que acabei rindo um pouco com ele.

Teria continuado ali com o moreno, conversando para me distrair da preocupação, porém levantei rapidamente assim que ouvi conversas no andar de baixo. Estava pronta para sair correndo e ver se todos estavam bem, quando o Tom me puxou de volta para a realidade.

— Onde exatamente a senhorita pretende ir? – Começou ele sorrindo um pouco. – Não é que eu não goste da sua roupa atual, mas acho que chamaria um pouco de atenção lá embaixo. – Senti as minhas bochechas queimarem quando olhei para a camisola que apesar de comportada, era relativamente curta.

Sorrindo sem graça corri para o banheiro atrás de uma roupa com a qual eu pudesse ir tentar descobrir o que havia acontecido. Felizmente além dos vestidos, havia uma calça de moletom e uma camiseta. Não pude deixar de perceber o quanto eu ficaria parecida com o moreno, porém o conforto venceu qualquer outro quesito.

Para completar prendi o meu cabelo em um coque frouxo e coloquei meias. Agora com certeza a minha roupa não chamaria a atenção, exceto talvez pela Narcisa que notaria o quanto eu não estava vestida como uma dama. Sorri com a possibilidade de assustá-la dessa forma.

— Pronta. – Disse ao retornar para o quarto fazendo uma referência.

— Eu preferia muito mais a de antes, mas tudo bem. – E ali estava o sorriso malicioso que faria com que mais uma vez as minhas bochechas queimassem, porém nem mesmo assim eu deixei de sorrir.

Sabendo que dessa vez eu poderia descer as escadas sem problemas, saí rapidamente e corri até a escada, descendo os degraus sem pressa lembrando que eu não estava sozinha com a minha mãe na casa, meu irmão e o Tom, mas que havia pessoas que não achariam legal se eu chegasse correndo e ofegante.

— Bom dia a todos. – Minha voz era calma, mas todo o meu autocontrole estava sendo usado para que eu não pulasse nos braços da minha mãe e a abraçasse. Vi em seus olhos que ela pensava da mesma forma.

— Bom dia, Amy. Como está? – Disse minha mãe quando a abracei. Todos haviam respondido o bom dia de uma forma tensa, o que começava a me preocupar.

— Estou bem, Bela, obrigada. – Sorri gentilmente.

— Isso é ótimo de se ouvir. Gostaria de conversar com você e com o Draco na biblioteca, se não se importar. – Ela queria privacidade, então algo estava errado.

Ela havia dito aquilo mais alto, como se quisesse que alguém ouvisse, e apesar dela ter dito que falaria apenas comigo e com o Draco, o Tom e o Lúcio subiram conosco tranquilamente. Todos andavam calmos, porém buscando fazer o mínimo de barulho possível. Estranhando os seus comportamentos, os segui esperando para que houvesse uma explicação. Já havia aprendido há algum tempo que era melhor guardar a curiosidade e perguntar depois.

— Não queria chamar a atenção da Narcisa. – Explicou minha mãe assim que fechou a porta da biblioteca e lançou um feitiço para que ninguém conseguisse nos ouvir do lado de fora.

— Como foi a caça? – Perguntou o Tom antes que eu pudesse ter a chance. Claro que eu teria utilizado palavras mais sutis como busca, mas a curiosidade era unânime já que eles não haviam retornado com a cabeça do lobo de troféu.

— Proveitosa, mas não o encontramos. – Mamãe suspirou cansada se sentando em uma cadeira. – Descobrimos vários lugares onde ele já fez esconderijo um dia, e que pode voltar por confiar na redondeza, e teremos que ficar de olho, mas ele é esperto quando se trata de caça, já que normalmente ele é o predador. Conseguimos chegar muito próximo dele, deu para notar, porém é melhor nos prepararmos melhor antes de começarmos de novo. – Apesar do cansaço e da falta de sono que pude notar pelas olheiras, Bela estava focada em seu objetivo.

— Planejaremos uma forma de manter vigia, e aos comensais mais leais e próximos deixarei a ordem de captura para caso alguém o encontre. – Disse Tom tão focado quanto a minha mãe. Todos pareciam não perceber o quanto o Greyback era perigoso, e que atiçá-lo só o divertiria mais.

— Obrigada, milorde. – Pelo menos era bom saber que eles não iriam atrás dele sozinhos novamente. – Agora vocês dois. – Bela olhou para mim e para o Draco. – Arrumem suas coisas. Precisam voltar para Hogwarts o quanto antes, para que estejam seguros. Ninguém é fã do velho Dumbledore, mas todos concordamos que lá não precisaremos nos preocupar com vocês. Além do mais as aulas ainda não acabaram, mesmo com a proximidade do recesso de Natal. – Nós dois concordamos rapidamente sem questionar.

Mesmo sentindo o olhar do moreno em mim, não olhei para ele e nem para o Lúcio antes de sair. Assim que eu e o Draco deixamos a biblioteca, eu fui até o quarto do Tom o mais rápido possível para pegar a minha mala. Pedi para que o loiro me esperasse no corredor e entrei rapidamente, tentando ao máximo não voltar a ficar sozinha com o moreno ali. Não era que eu não queria vê-lo, mas eu tinha medo do que uma despedida poderia nos fazer. Muitas coisas poderiam ser ditas, mas estavam melhores quando subentendidas.

Com a mesma velocidade que entrei no quarto, saí dele com tudo dentro da mala de emergência. Eu não a levaria para Hogwarts, mas a deixaria no quarto do loiro, para que a Bela voltasse a poder usá-la. Draco pegou apenas algumas roupas e colocou em uma mala pequena.

— Estavam fazendo falta em Hogwarts. – Explicou ele quando viu meu olhar interrogativo para a mala, já que nós não havíamos trazido nada para casa quando eu fui trazida às pressas.

Quando o loiro estava dando uma última olhada em suas coisas no closet e no banheiro, Bela entrou no quarto. Assim que ela passou pela a porta e a fechou veio correndo ao meu encontro e me abraçou com força, me tirando do chão. Retribuí seu aperto com a mesma intensidade.

— Eu jamais me perdoaria se algo tivesse acontecido com você. – Disse ela enquanto passava as mãos pelo meu rosto, como se estivesse checando se estava tudo ali. Sorri com a sua preocupação.

— Eu estou bem. Foi apenas um susto. – Sorri com mais confiança tentando lhe passar um pouco de alívio. – Mas eu fiquei curiosa, qual foi a missão que te tirou de casa por tanto tempo? – Afinal de contas ela havia ficado fora durante toda a noite.

— Tom me pediu para vigiar o Dumbledore durante o dia. Ele queria ter certeza de que o diretor não estava saindo de Hogwarts em nenhum momento. Porém quando a noite havia acabado de começar, e eu estava prestar a voltar para casa, ele saiu do castelo e foi para a Floresta Proibida com um ar de quem não queria ser seguido. Então eu tive de ficar, para poder ver do que se tratava. – Era por isso que ela não havia voltado a tempo para que fôssemos embora. – Ele foi conversar com aquela acromântula que vive na floresta. Alvo perguntou sobre tudo o que a aranha havia visto no castelo na época em que havia morado lá, e se alguma vez havia visto algo em relação aos objetos que haviam pertencido aos fundadores, porém a aranha respondeu que nunca havia visto nada além de uma caixa onde havia sido criada. Tom ficou interessado na procura do Dumbledore e me pareceu aliviado da aranha não ter as respostas, além de que agora colocará um comensal vigiando a floresta o tempo todo.

Objetos dos fundadores. Parecia um tema interessante para pesquisar em Hogwarts, ainda mais se era algo importante para o Tom. Eu com toda certeza procuraria informações sobre o assunto e manteria a minha mãe informada, porém ao eu dizer isso a ela, a morena me fez prometer que eu não me meteria em encrencas por isso.

Acabei rindo. Afinal de contas, ela poderia ser uma comensal da morte, mas continuava sendo uma mãe preocupada.