Força e Vida - Tomione
6 Capítulo 6 - Falta de sorte
Notas iniciais
Os dias foram passando em uma rotina comum. Cada vez mais eu tinha certeza de que não voltaria a ser quem eu era antes e estava me acostumando a tudo aquilo. Harry havia sido campeão em detenções com a Umbridge até agora, e seu recorde veio com sua suspensão eterna do time de quadribol. Rony estava cada vez mais deprimido com seu desempenho como goleiro do time, seu nervosismo o impedia de mostrar o quanto era bom naquela posição, eu já o havia visto jogar e sabia que ele sabia defender muito bem. A música inventada pela Sonserina também não ajudava em nada.
Weasley não pega nada,
Não bloqueia aro algum.
Ei, Ei, Ei, Ei,
Weasley é o nosso rei.
Draco era um caso estranho. Ele havia feito o Harry ser expulso do time, e eu sabia que havia ajudado a criar a música contra o Rony, ou seja, estava como sempre esteve para os outros, um sonserino arrogante e prepotente, mas comigo ele parecia outra pessoa, como se dentro dele existisse um rapaz diferente.
Ele havia criado um pedaço de pergaminho prata encantado, um para mim e outro para ele. Quando eu precisava dele ou de um livro na biblioteca era só escrever o que eu precisava, que ele leria, e vice-versa. Podia ser escrito com uma pena ou uma varinha, e ficava escrito com tinta de cor preta, quando éramos um de nós dois escrevendo, ou vermelha, se fosse alguém que havia pegado o pergaminho. Se o perdêssemos, voltava para os nossos bolsos em no máximo duas horas e sumia de onde estivesse anteriormente. Quando líamos o que estava escrito tudo simplesmente se apagava, mantendo sempre a mesma aparência de um simples pergaminho.
Era brilhante e quando ele me entregou na tarde do segundo dia de aula, eu o encarei e fiquei perplexa com a complexidade que aquilo exigia, e por ele ter se preocupado a esse ponto.
O loiro buscava todos os livros que eu pedia e passava-os por um buraco na porta da sala precisa, que havia aparecido assim que ele me entregou o pergaminho. Ele normalmente era rápido com isso e quando eu precisava da presença dele, apenas enviava pelo pergaminho informando onde estaria, se fosse um local diferente da sala.
Ele cuidava de mim, me amparava, controlava meu humor quando minha vontade era a de matar a Umbridge, e apesar de saber sobre as reuniões da AD, mesmo que eu não tivesse dado detalhes, não havia nos dedurado ou comentado sobre isso com qualquer outra pessoa. Ao mesmo tempo, eu o estava ensinando a ser oclumente. Ele havia me contado sobre o fato de nosso pai ser um comensal não muito fiel ou presente, e eu o estava ajudando para que caso algo acontecesse, ele pudesse proteger seus sentimentos e seus pensamentos.Também treinávamos azarações, maldições, magia negra e feitiços de proteção. Sentíamos que uma hora isso tudo seria muito necessário.
Tudo ia bem, eu estudava para os meus NOM’s na sala precisa, tomava café da manhã bem cedo na cozinha e almoçava e jantava com os meus amigos. Tudo ia bem, até aquele dia.
Acordei cedo como sempre e me dirigi à cozinha. Logo depois fui para a sala precisa, mas pedi para que ela me avisasse quando o correio chegasse para eu descer. Quando ouvi as sete badaladas, fui em direção ao salão principal e esperei sentada entre Harry e Rony, de frente para a mesa da Sonserina. De repente, o salão foi invadido pelas corujas, esperei até uma delas parar na minha frente com o meu jornal do Profeta Diário, paguei-lhe e abri o jornal. Quando vi a manchete, tudo a minha volta pareceu parar. Um calafrio passou pela minha espinha e eu automaticamente encontrei os profundos olhos azuis da mesa da Sonserina. Ele também estava lendo o jornal, e não parecia menos chocado e até assustado do que eu. Me levantei pensando em dar uma desculpa aos rapazes, mas não foi necessário, já que eles estavam com os rostos enfiados nos jornais lendo a notícia.
Saí correndo. Nem sabia aonde ia, só precisava sair dali. Acabei parando no banheiro da murta-que-geme, ele estava vazio, conclui que ela devia estar incomodando alguém em outro banheiro. Selei a porta com um feitiço, Draco não havia conseguido vir atrás de mim, acredito que apenas ficou perplexo demais. E nesse momento eu não queria que alguém entrasse ali e me visse naquela situação.
Era hora de eu ler o jornal, cuja primeira página era dedicada às fotos dos dez comensais que haviam fugido de Azkaban ontem à noite, entre eles estava Belatriz Lestrange, minha mãe. Não queria estar em lugar nenhum neste momento. Uma coisa era saber que você é filha de dois comensais da morte, outra é saber que sua mãe criminosa, fugiu da prisão de segurança máxima dos bruxos na noite anterior. E para completar, eu estava sendo obrigada a ler sobre o crime, pelo qual ela foi condenada, na legenda da sua foto. Minha mãe havia torturado os pais do Neville até eles enlouquecerem. Eu já sabia disso, mas ler sobre isso não ajudava.
Eu não conseguiria sair do banheiro nem que eu quisesse naquele momento. Estava de cabeça baixa e olhando para o jornal. Como a minha vida poderia ser tão incrivelmente ferrada?
Eu estava presa em meus pensamentos, quando um clarão verde na minha frente chamou a minha atenção. Levantei a cabeça e vi que era a serpente do lado da torneira na pia que estava emitindo aquele brilho, já que ignorar não parecia uma opção, me levantei e fui até ela. O brilho era intenso, ela parecia um vagalume de tanto que brilhava, e aquela luz parecia me chamar para mais perto, parecia querer me dizer algo. Cheguei mais perto e toquei-a, ela estava fria, muito fria, mais fria que metal, e nem um pouco parecida com a temperatura que eu esperava, achei que estaria muito quente, já que brilhava daquele jeito.
Então eu olhei fixamente para ela e inesperadamente disse:
— Abra.
Fale com o autor