Força e Vida - Tomione
38 Capítulo 38 - Seja forte
Notas iniciais
✣Tom Riddle
Eu me sentia estranho, na verdade, não sei se estranho era bem a palavra. Hermione fazia com que eu me sentisse uma pessoa melhor, quando ela estava por perto, sua risada, o seu sorriso, tudo parecia melhorar um pouco o meu dia e o meu humor.
Mas o fato dela ter se distanciado de mim, porque sim, ela tentou ser discreta, mas eu percebi que ela não havia ficado sozinha comigo desde que voltou para Hogwarts, fazia com que um vazio se implantasse no meu peito. Eu me via distraído em todos os momentos, olhando para o nada, parecia que eu estava pensando, e até mesmo o Abraxas havia me perguntado no que tanto eu pensava, mas eu olhava para o nada, com um completo vazio mental.
No começo achei que ela queria apenas um pouco de tempo sozinha, já que o recesso de Páscoa inteiro ela se fechou, aparecendo apenas para as refeições. Depois achei que era coisa da minha cabeça, já que ela voltou a falar normalmente, porém notei que havia algo errado, quando percebi que ela fugia de qualquer situação que nos deixasse sozinhos, desde estar no salão comunal, até ficar muito perto do Draco, ficando sempre com a Dorea e a Cedrella.
Porém eu teria ficado muito feliz em continuar com o vazio, depois de ter visto a última aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Um sentimento bom me atingia sempre que íamos para as aulas, já que eu sabia que lá ela não poderia me evitar, e nem sair correndo, então mesmo que discretamente, eu podia ficar olhando para ela a aula toda. Mas naquele dia tudo havia se tornado um pesadelo, já que ela entrou em choque quando viu um loiro na frente dela, e o Draco mais que depressa havia assumido sua posição, a protegendo do que aquele bicho-papão poderia causar nela.
O monstro que era o maior temor do Draco me deixou ainda mais assustado, mais do que com o fato da Hermione estar paralisada, já que eu já o havia visto em alguns dos meus pesadelos mais sombrios, os que me tiravam o sono, e às vezes me faziam ficar acordado a noite toda. Eram pesadelos em que todos que eu conhecia acabavam mortos, e Hogwarts acabava destruída, porém não como se do nada tivesse acontecido, mas eu via como se eu tivesse causando tudo aquilo, e em algumas vezes eu me via no espelho, vendo aquela criatura.
A confusão dentro da minha mente já estava implantada, mas piorou muito quando Draco tirou a morena dali antes que qualquer um pudesse se manifestar, deixando seus materiais para trás sem se importar nem um pouco. E a confusão piorou ainda mais, à medida que a Hermione não apareceu nos próximos dias de aula, e que o Draco apareceu com olheiras e olhos vermelhos, em todos os dias.
Naquela noite ele havia agradecido por termos levado os materiais dele e da Hermione para o salão comunal, e ao ser questionado pelas meninas, disse que ela não estava no dormitório, e que dificilmente voltaria tão logo para lá. Ele parecia triste e preocupado, mas ainda parecia razoavelmente bem.
Foi na manhã seguinte que ele apareceu, pela primeira vez, com os olhos vermelhos. Ele foi a todas as aulas, e anotou tudo o que os professores falavam, até mesmo as matérias em que ele normalmente dormia, como História da Magia. Ele comeu rápido em todas as refeições e sumiu até o horário da próxima aula. Todos nós sabíamos que o loiro estava com a prima, mas ninguém sabia onde ela estava, e ninguém conseguia segui-lo para descobrir isso.
Na quinta-feira, três dias depois do sumiço da Hermione, ele já tinha olheiras profundas, que poderiam muito bem ficar marcadas embaixo dos seus olhos para sempre, assim como a linha vermelha, que entregava o quanto ele havia chorado.
Na sexta-feira, eu já não aguentava mais. Meus pesadelos com aquela criatura haviam acontecido em todas as noites, o que não acontecia há bastante tempo, e durante o dia eu já me sentia sufocado com a preocupação com a Hermione. Eu sentia uma agonia e uma ansiedade que não me eram características, e me via olhando para a carteira vazia dela, desejando que a qualquer momento ela simplesmente desaparatasse ali.
Desistindo de me manter afastado, e me sentindo preocupado não só com a garota, mas também com o Draco, o parei assim que subíamos das masmorras para o salão principal, dando espaço para que todos fossem almoçar, e ficando sozinho com ele. Esperei que o corredor esvaziasse, e que todos já tivessem ido para o salão, antes de puxar ele para uma das escadas, e parar no meio, perto de uma janela.
— O que está acontecendo, Draco? – Falava baixo, apenas para ter certeza de que ninguém nos ouviria. – Você parece acabado, ela simplesmente sumiu. – Não queria dizer o nome da Hermione, temendo que ele piorasse, e pelos olhos arregalados e a forma que ele prendeu o ar, sabia que havia feito bem em não citá-la diretamente.
— Eu sei que tem algo muito errado, Draco. Diga-me, eu posso ajudá-lo. – Continuei quando ele não disse nada. E achei que teria que falar mais para convencê-lo, porém ele me entregou um pergaminho que estava dentro do seu bolso, olhando fixamente para o chão.
Draco,
Eu preferia que fosse a Hermione a te contar isso, e não eu, porém se a situação dela é tão ruim quanto você descreveu, acho que não tem nada que eu possa fazer.
O loiro que ela viu na aula, chamasse Luke, ou pelo menos se chamava, ele foi um dos três agressores que a atacaram. Ela nunca contou isso a mim, e também a mais ninguém, eu descobri quando, sem querer, li a mente dele e dos colegas, quando os ouvi falando do ataque.
Eu sei que eu deveria andar em companhias melhores, se eu andasse poderia estar do lado dela agora, porém me sinto um pouco melhor sabendo que pude me vingar deles dessa forma.
Eles a atacaram em três contra apenas ela, mesmo assim, nós dois sabemos o quanto ela é boa bruxa, mas eles a petrificaram antes que ela pudesse sequer pensar nisso. Eles a atacaram, Draco, sem nenhuma piedade, da única forma que sabiam que a calaria, a traumatizaria, e a assustaria.
Não foi um ataque apenas com palavras, feitiços e armas trouxas, foi da forma mais nojenta e asquerosa que um homem pode atacar uma mulher. Acho que assim você conseguirá entender, torço para que sim, porque eu não conseguiria colocar de outra forma.
É por isso que ela não suporta toque, acho que tudo a faz lembrar daquilo.
Seja forte, Draco.
Belatriz Black
— Eu fiquei desesperado quando vi a reação dela. – Os olhos do loiro estavam cravados no chão. – Ela não se movia, mal respirava ou piscava, então mandei uma carta para a minha tia, expliquei como ela estava, e perguntei se ela tinha ideia de quem era. – Draco fechou os olhos. – Ele.
— Nunca iria esperar por uma resposta como essa. Assim que eu terminei de ler, fui até a Hermione e expliquei que havia falado com a mãe dela. Seus olhos se arregalaram, e ela começou a chorar, mas estava em silêncio, e continuou assim. – Algumas lágrimas caiam pelo rosto do rapaz. – Então ela segurou a minha mão e olhou bem fundo nos meus olhos, me mostrando o que ela queria dizer. Eu li a mente dela. – O fluxo de lágrimas agora era constante. – E tudo é muito pior do que a tia Bela disse, Tom. Eu não consigo dormir, tudo vem a minha mente quando tento fechar os olhos, como ela pôde sofrer calada e sozinha todo esse tempo? – Draco já soluçava.
— Tenha calma, Draco. – Falei depois de um tempo em silêncio, tentando fazer com que a minha voz ficasse estável, tentando fazer com que os meus sentimentos mais desesperados não fluíssem para fora de mim. – Ela precisa de você mais do que nunca agora.
— Eu não consigo, Tom. Nada que eu faça faz diferença, ela não saí da cama, não come, mal bebe água. Só chora. – Draco suspirou, limpando suas lágrimas. – Te contei tudo isso, porque eu não aguentava mais guardar dentro de mim, e porque eu acho que você é o único que pode ajudá-la.
— Eu? – Como eu poderia conseguir ajudá-la? Estava confuso.
— Sim. Você gosta dela, e sabe muito bem que ela gosta de você. – Draco fez uma pausa. – Ainda mais agora, que sabe o que o toque significa para ela. Ela não deixa que quase nenhum homem a toque, apenas aqueles em quem ela confia, e ela te deixa beijá-la, Tom.
— Ela se afastou de mim. Não me quer por perto. – Meu olhar estava cravado no chão, com a surpresa de ele ter colocado tudo aquilo em voz alta.
— Eu não a entendo cem por cento do tempo, mas tenho certeza que ela teve seus motivos para estar longe, e sei que agora ela precisa de você, você é mais forte do que eu, Tom. – Eu me sentia chateado por ela ter se afastado, e mal havia percebido isso nos últimos dias, mas Draco tinha razão, se ela precisasse de mim, eu estaria lá.
Se eu precisaria ser forte para ela, então eu seria, sem nem pestanejar.
Tentei apagar da minha mente toda dor que senti com aquela carta, e com as palavras do Draco. Hermione havia sido atacada de uma forma desumana, havia sofrido em silêncio, e agora havia sido lembrada de tudo aquilo em apenas um golpe.
Respirei fundo, controlando o turbilhão de emoções que sentia.
— Me leve até ela. – Draco pareceu surpreso que eu havia aceitado, olhou por um momento para mim, e então apenas assentiu, subindo as escadas.
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