Força e Vida - Tomione
16 Capítulo 16 - Explorando o terreno
Notas iniciais
Fazia muito tempo que eu não dormia tão bem quanto eu estava dormindo nessas últimas noites. Eram noites sem lembranças do passado, eu apenas encostava minha cabeça no travesseiro e dormia. Passava a maior parte do meu dia lendo na enfermaria, e esperando as minhas refeições.
Todos os meus cortes estavam praticamente curados e magicamente não ficaram cicatrizes novas, provavelmente Dumbledore sabia que eu já possuía cicatrizes e que ninguém notaria se eu não ficasse com novas. Draco, na manhã seguinte à noite que chegamos aqui, veio me pedir desculpas por não ter vindo me ver e trazer as minhas coisas, disse que estava conversando com uma garota. No fim das contas, o Tom estava falando a verdade.
Quando eu precisava de livros, Draco os buscava e rapidamente os trazia para mim, só tomávamos o cuidado de ninguém ver quando eu estava escrevendo ou ele recebendo os títulos dos livros. Eu me surpreendi com o fato da biblioteca ter tantos clássicos da literatura trouxa, devia ser uma biblioteca grande até, mas a curiosidade de imaginá-la e conhecê-la me machucavam.
Estava na enfermaria a quatro dias, e provavelmente hoje seria liberada para ir para o quarto. Acordei muito cedo, estava ansiosa, não havia visto o Tom em nenhum desses últimos dias e não havia feito amizade com nenhuma das meninas que vieram me visitar, elas pareciam amigáveis e legais, mas eu não queria me apegar a ninguém em situação alguma, muito menos estando em uma época que não era a minha.
Já Draco não parecia pensar assim. Havia feito amizade com alguns rapazes e estava conversando com uma garota, eram trouxas e me admirava muito que ele pensasse diferente de tudo que a família dele dizia como certo. Ele também estava tentando se aproximar de Tom sutilmente, afinal de contas, não poderíamos deixar muito óbvio que ele era um dos motivos para estarmos ali.
Estava pensando sentada na minha cama, ainda de pijama e olhando para a janela, quando ouvi passos perto da porta e em seguida a porta se abrindo.
— Bom dia, Hermione. — Era o Leonard.
— Bom dia. — Havíamos nos tornado quase amigos nesses últimos dias.
Ele não era uma pessoa desagradável e era discreto em suas tentativas de tentar descobrir o que havia acontecido comigo, porque ele como Draco, havia enxergado além da minha desculpa que havia sido esfaqueada e só atacada, os dois queriam saber mais.
Além dos livros da biblioteca, eu havia começado a ler os livros dele de medicina também. Nesses últimos dias, ele percebeu que eu falava mais quando se tratava de conhecimento, então passávamos horas comentando sobre o que eu achava nos livros. Ele dizia que eu era parecida com o Tom, que o ajudava aqui na enfermaria.
— Pronta para ir embora hoje? — Seu tom era sério e sua expressão levemente sentida.
— Vou ficar em um quarto aqui perto, e continuarei sempre na enfermaria, se você quiser companhia. — Eu também sentiria um pouco de falta.
— Provavelmente nos encontraremos na biblioteca também, acho que gostará de lá, é bem confortável. — Eu tremi, levemente, mas ele percebeu.
— Está tudo bem? — Ele estava me sondando de novo.
— Claro. Acho que vou trocar de roupa e dar uma volta. — Ele parecia querer me perguntar algo mais, mas só assentiu.
— Se sentir dor, precisar conversar com alguém, ou qualquer outra coisa, me procure.
— Pode deixar, Leonard.
Fui até o banheiro, tomei banho e coloquei uma roupa que havia trazido no meu malão. Fechei o malão, o deixei do tamanho de uma mala comum e o entreguei para o Leonard, que havia se prontificado em levar minhas coisas para o quarto. Fique apenas com minha pequena bolsa, pendurada no ombro, e com um livro que o Draco havia pegado para mim há alguns dias.
Eu não conhecia nenhum lugar por aqui, nunca havia saído da enfermaria desde que cheguei, não sabia nem onde o café seria servido daqui a algumas horas. Então decidi ir ao jardim e deixar para explorar o casarão depois.
Quando cheguei lá fora, o dia estava começando a amanhecer. Ainda era muito cedo, mas o céu claro indicava que o dia seria bonito. O jardim era bem cuidado, e era bem grande, parecia perfeito para muitas crianças brincarem. Havia muitas árvores, e entre elas procurei uma onde eu pudesse encostar para ler, hoje era o prazo de entrega desse livro e eu precisava terminá-lo para o Draco entregá-lo.
Eu estava com fome, mas decidi que iria apenas ler até que o horário fosse mais propício para o café da manhã. Achei uma árvore em um canto para que não fosse incomodada. Além de calmo o lugar era razoavelmente escondido, logo eu teria a privacidade de que eu tanto gostava.
Me envolvi tanto na história que não percebi o sol crescendo cada vez mais, também não vi quando as crianças começaram a sair para brincar. Só percebi que já devia estar razoavelmente tarde quando senti uma pontada no estômago, fiquei tão distraída que não percebi a fome que sentia. Fechei o livro, e me levantei, senti minhas pernas falharem brevemente, havia ficado dias na enfermaria, ainda não estava cem por cento saudável e não comia nada desde ontem, lá pelas sete horas da noite. E agora já deviam ser mais de dez horas da manhã. Me amaldiçoei e me segurei na árvore por um momento, eu não podia voltar para a enfermaria, isso não seria uma opção. Esperei o que pareceram cinco minutos, com meus olhos bem fechados e meu corpo apoiado na lateral da árvore, depois que parecia que eu estava mais segura arrisquei um passo. Eu não estava cem por cento firme, mas estava melhor e precisava ir comer antes que minha próxima parada fosse a enfermaria.
Quando olhei para cima vi que do outro lado do jardim, também em um canto isolado, estava o moço de cabelos escuros e olhos verdes escuros, o motivo dos meus sonhos ultimamente, me encarando, parecia me analisar. Fazia muito tempo que eu não falava com ele, e em meu estado atual não era uma boa ideia. Desviei meu olhar e meus passos em direção à porta do orfanato, precisava descansar e precisava me alimentar, porque já teria de enfrentar esse certo alguém a noite.
Ao entrar no orfanato, tentei começar a aprender a me locomover ali, era uma casa muito grande e parecia ter muitos cômodos, mas logo entendi a lógica da distribuição dos cômodos. Os cômodos da frente pareciam ser coisas mais de uso geral, era onde estava a enfermaria e a sala da Sra. Cole e eu também suspeitava que estivesse a biblioteca e o refeitório. O segundo andar provavelmente abrigava os quartos, então o refeitório deveria estar perto, já que eu estava no jardim dos fundos. Procurei um pouco e logo vi duas grandes portas abertas, me dirigi até lá e encontrei um grande salão com as janelas abertas para entrar o sol e o calor do dia, as mesas eram grandes como as de Hogwarts, com a diferença de que eram brancas, lisas e tinha cadeiras brancas também, como as das escolas trouxas. Na outra extremidade do salão havia uma porta que devia levar a cozinha, e perto dela estava a mesa com as comidas. Na parede em cima da mesa, havia um relógio que marcava que agora eram 10h30min da manhã.
O refeitório estava praticamente vazio, aqui provavelmente todos acordavam cedo e iam aproveitar o dia no sol lá fora, já que ao sair do jardim notei que havia não somente crianças, mas muitos jovens lá. Peguei um pão com manteiga e queijo, e me sentei em uma cadeira perto da mesa da comida. Comi devagar, para que o meu estômago não rejeitasse a comida que eu finalmente estava ingerindo. Depois de comer, tomei um copo de suco e decidi que era hora de descobrir onde era o meu quarto e onde estava Draco.
Peguei o pergaminho prateado da minha bolsa, que ainda estava comigo, já que quando Leonard disse que levaria minhas coisas para o quarto achei melhor ficar com ela por perto, e escrevi para o loiro:
Tudo bem? Não te vejo há muito tempo.
Não diria onde eu estava, não me importava de ficar sozinha, mas ele havia simplesmente me abandonado ultimamente. Guardei o pergaminho sem esperar resposta, e saí do refeitório. Eu iria explorar um pouco mais a casa agora.
Eu realmente estava certa, no andar de cima ficavam os quartos, várias portas de madeira escura de frente umas para as outras, era impossível dizer se havia uma divisória entre meninos e meninas, apesar de que eu iria ficar em um quarto com dois meninos. Um, meu ex-inimigo que me humilhou a vida inteira e que agora era um amigo muito confiável e eu querendo ou não era meu irmão, outro, o causador de provavelmente tudo de ruim que já havia acontecido com as pessoas ao meu redor. Eu definitivamente estava muito bem acompanhada nesse caso.
Depois de passear pelo andar todo, desci para terminar de explorar o andar de baixo novamente. Perto do refeitório havia outra porta grande, que estava entreaberta, pelo cheiro, era a biblioteca, passei o mais longe possível da porta. Na frente do orfanato, realmente ficavam apenas a enfermaria e uma sala que parecia ser a da Sra. Cole. O casarão era grande, mas com poucos cômodos, em relação ao seu tamanho.
Resolvi explorar o jardim da frente, era bem cuidado e bonito como o de trás, e tinha vista para a rua não muito movimentada. Na grama sentado conversando com uma garota loira, que parecia ser muito bonita, estava Draco. Eles combinavam, e pareciam sorrir para tudo que um dizia ao outro, ou meu irmão estava apaixonado ou ela havia se feito de difícil e ele estava tentando outra abordagem, porque eu nunca esperaria sorrisos bobos da família Malfoy.
Sua família. Isso insistia em vir a minha mente, eu não queria ser daquela família, mas eu realmente era, e isso deixava a minha boca com um gosto metálico. Resolvi que iria deixar ele com a garota, e procurar algo para fazer sozinha, havia aprendido a viver assim muito bem nos últimos tempos. Não queria me afastar dos meus amigos, mas era o melhor jeito de não precisar mentir sempre sobre como eu estava ou o que havia acontecido.
Comecei a me dirigir inconscientemente para o jardim dos fundos novamente, eu havia gostado de lá. Estava indo tranquilamente quando ouvi um grito. Corri na direção do grito, que vinha do caminho para o jardim ao qual eu estava indo. O grito era de criança, não parecia ser muito velha.
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