Notas iniciais
Cá estou eu com o 2º capítulo de "Fortuna&Amor", espero que tenham gostado do capítulo anterior e que gostem do novo capítulo. Boas leituras.

Sakura entrou nos modernos escritórios da empresa de advogados de Gaara Sabaku. Estava tudo decorado com imenso bom gosto, um ar novo e moderno. Tudo muito simples, com uma mobília branca e minimalista, e um ambiente suave. Os tons brancos e pretos diminuíam a sensação de estar num escritório onde problemas legais eram o pão nosso de cada dia. Não parecia de facto um escritório.

Sentou-se um pouco na sala de espera, até que a secretária do advogado a chamou, abrindo a porta do escritório de Gaara Sabaku. Sakura entrou. Ao fundo, um rapaz alto de cabelos ruivos, olhos verdes, vestido com um fato de corte moderno e gravata cor-de-rosa a esperava.

—Doutora Sakura, faça favor.

Gaara Sabaku era a imagem perfeita do cavalheirismo: alto, de gestos elegantes e uma postura impecável. Estendeu-lhe a mão, e ela sentiu as mãos firmes e suaves dele a cumprimentá-la.

—Boa tarde...obrigada...

O advogado sentou-se e puxou um enorme dossiê de documentação.

—Eu imagino a quantidade de dúvidas e perguntas que deve ter na sua cabeça neste momento...

Sakura sorriu, concordando em silêncio.

—A história que lhe vou contar é um pouco longa, mas há algumas partes sobre as quais não tenho nenhuma indicação. Esses pormenores, para serem esclarecidos, precisam de alguma investigação,que, como pode calcular, não está ao meu alcance. Por mais que me interesse pelo assunto, sou advogado e não detetive...

—Claro...

—Mas vamos começar pelo princípio. A primeira coisa que aqui tenho é a carta que acompanhava o testamento. Vou passar a ler-lhe:

Gaara Sabaku pega numa velha carta e começa a ler:

“Informo quem possa interessar que constituo minha única herdeira, a doutora Sakura Haruno, residente em Lisboa, na morada..., com o telefone.... É em nome da sua avó, Tsunade Senju, que lhe deixo todo o meu património, em nome do passado extraordinário que nos uniu. Porque o amor não escolhe barreiras nem entraves, e é mais forte do que a morte.”

—E segue-se uma assinatura...Está tudo escrito em português.

Sakura estava perturbada. De repente, alguma luz se fez.

—Quando me telefonou e perguntou se conhecia o senhor Jiraiya Uzumaki tive a sensação de que o nome me era familiar... Foi a minha avó que me falou dele...

—Precisamente. Isso bate certo com o que diz esta carta.

—Mas o que se terá passado entre eles?

—Sobre isso não faço a menor ideia. Mas a carta fala de uma relação amorosa...

Sakura ficou espantada. Sempre tinha conhecido a sua avó casada com o seu avô e apaixonada por ele. Sabia que a avó tinha feito várias viagens nos anos 40, mas não sabia de nenhuma maneira que se tivesse envolvido amorosamente nessa época. Então a avó tinha um passado misterioso... Mas como haveria de saber...

—Imagino que deve estar a pensar como irá descobrir essa ligação entre a sua avó e o senhor Uzumaki...

—Sim... O problema é que a minha avó morreu há quatro anos, o meu avô há mais tempo, e eu não tenho nenhuma foram de saber directamente por eles... Nem me contariam se fossem vivos, porque nunca falaram disso. Eu soube apenas que a minha avó tinha viajado pela Europa nos anos 40, mas nunca soube bem fazendo o quê...

—Sobre isso posso dizer-lhe alguma coisa... Na casa do senhor Uzumaki há algumas fotografias da sua avó em Varsóvia, na Polónia, em 1936.

—1936? Mas a minha avó teria apenas 19 anos...!

—Eu penso que deve começar a pensar que a sua avó não lhe contou grande parte da vida dela... Julgo até que as datas de nascimento estarão fabricadas...

—Terei de confirmar com o meu pai, que é o único filho dela...

—Faça isso... De toda a maneira, e se a doutora Sakura...

—Sakura. Chame-me Sakura, por favor...

—Ah! Então peço-lhe que me chame Gaara...

Sorriram. O brilho dos olhos de Gaara era fulgurante, mágico.

—Mas eu dizia, Sakura: de toda a forma, terá de ir à Polónia quanto antes. Nessa altura poderá procurar algumas informações. O secretário particular do senhor Uzumaki poderá ajudá-la; ele é também advogado e tem algumas informações que lhe podem ser úteis.

—Ir à Polónia?

—Sim. Isto porque ainda estamos no início da nossa conversa. É minha obrigação, como advogado, ler-lhe o testamento do senhor Uzumaki e informá-la precisamente daquilo que herdou.

—Herdei?! Mas está mesmo a falar a sério?

Gaara sorriu.

—A Sakura acha que isto era apenas uma brincadeira...? Bom, seria agradável apenas para poder estar aqui a conversar consigo...

Os olhos de Gaara voltaram a brilhar intensamente, mas ele continuou:

—...e a fazer teorias policiais sobre antigos romances entre a sua avó e o senhor Uzumaki, mas há muito mais para conversar...E se não se importa, eu vou passar a ler:

Gaara Sabaku começou a ler o testamento. Até que chegou à descrição do património.

—Em vez de ler, vou fazer-lhe uma descrição mais simples: o que a Sakura vai receber é o seguinte: apartamento em Varsóvia, com todo o seu recheio; prédio urbano em Varsóvia, composto por 12 apartamentos; duas fábricas de calçado no Norte da Polónia; dois apartamentos em Paris, quinta vinícula na Provença, Sul de França; casa de férias em Veneza. Quanto a bens financeiros, 4 milhões de euros em ações em várias empresas, sobretudo em bancos, e duas contas bancárias, uma na Suiça, outra na Polónia, no valor de 25 milhões de euros.

Sakura não conseguia acreditar. Aquilo era seu?! O advogado percebeu o seu espanto:

—Está impressionada?

—Não sei o que dizer...

—Não tem que dizer nada... Tem é de começar a pensar no que vai fazer. Tem um império para gerir... Devo dizer-lhe que, em dividendos e lucros, receberá anualmente qualquer coisa como um milhão de euros por ano.

“Mas eu posso deixar de trabalhar!”, pensou. De repente, inesperadamente, como um milagre, uma vida nova abriu-se para ela. Podia passar o resto da vida a dedicar-se a si própria, a pensar na sua vida...

O advogado completou:

—Falta ainda dizer-lhe que o senhor Uzumaki é dono de uma impressionante coleção de obras de arte, sobretudo na sua casa de Varsóvia, com quadros do séculos XVII até aos nossos dias. No seu testamento, ele manifestou a sua vontade para que parte desses quadros fossem doados a um museu.

Sakura ficou silenciosa. O olhar de Gaara percorreu-a. Ela olhou para fora da janela, onde se via a cidade no seu movimento e o rio ao fundo. O que iria fazer? Sentia uma sensação maravilhosa de liberdade, mas também um certo medo. O que implicava tudo isto?

—Doutor Gaara,estou um pouco assustada...

Ele sorriu, e pousou a mão na dela.

—Eu entendo. Fique descansada que eu vou tratar de tudo. Como é óbvio, todos os problemas legais estão já suportados pela sua herança...O senhor Uzumaki deixou as quantias necessárias para isso.

—E o que eu tenho de fazer?

—Para já, assinar este papel dizendo que tomou conhecimento e que aceita a herança. Depois, vai proceder-se à tomada de possa de todos os bens, que deve demorar cerca de quinze dias. Depois, o que eu sugiro é que tire umas férias e vá a Varsóvia ver os seus bens e...e, se quiser, tentar desenterrar uma história de amor do passado...

Sakura sorriu. A segurança voltou-lhe com aquele gesto de ternura e de amizade.

—Obrigada... É mesmo para Varsóvia que vou.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo. Voltamos a "falar" no próximo capítulo. Beijinhos