Forte mas Apaixonada

9 Past Revealed


Notas iniciais
Boa Leitura!

♥Nono Capítulo♥

Marinette acordou sentindo o calor das cobertas quentinhas, abriu os olhos devagar e viu a porta da sacada estilhaçada fazendo-a lembrar da noite passada, não havia sido um pesadelo como pensará. Os fatos voltaram como um turbilhão em sua mente e concluiu que não sabia como chegará a cama ou quando pegou no sono. Desligou o despertador e jogou o corpo para fora da cama. Massageou o joelho ainda dolorido, suspirou cansada, não poderia faltar a escola ainda era quinta-feira e teria que realizar as provas que não fez por culpa da suspensão. Tomou banho e tratou de suas feridas sem muita importância. Admirou o quarto notando não haver cacos de vidro espalhados pelo chão, apenas a porta quebrada para relembrar o que realmente ocorreu.

Mancando, andou até onde a mochila escolar se encontrava, pegando junto ao pequeno papel que estava em baixo.

Desculpe não te acordar, achei melhor te deixar dormir, foi bem agitado. Te coloquei na cama e limpei seu quarto. Não se preocupe com nada, meus pais iram falar com os seus mais tarde.

Se precisar de mim sabe onde me encontrar pequena.

Ass: Adrian A.”

Não pode deixar de sorrir com a última palavra, sentia falta do apelido intimo que receberá ainda criança. Guardou a carta no bolço da calça jeans velha e saiu do quarto. Sentiu falta dos pais que ainda não haviam chegado da entrega. Seria lotada de perguntas mais tarde. Resolveu sair mais cedo, queria chegar cedo na escola e evitar possíveis interrogatórios, a vitória no torneio já não parecia mais interessante.

Arrumou o capuz sobre os cabelos escuros e saiu. Olhou de canto quando passou em frente a casa do vizinho e decidiu que mais tarde falaria com ele. Precisava do único que sabia completamente a verdade sobre seu passado. Atenta a qualquer perigo mais a frente avistou uma mulher com uma câmera fotográfica em mãos, a mesma se aproximou com um sorriso radiante.

—Senhorita Marinette é verdade que rendeu o ladrão na noite passada? -Perguntou apontando a câmera e um mini-gravador em sua direção.

—Me deixe em paz. -Pediu.

—Senhorita.

—Não enche! -Respondeu fria.

A mulher nada disse, parou de andar para alegria de Marinette. Ela respirou aliviada por ser apenas uma, ou era o que pensava, em frente a escola alguns carros de jornalismo estavam a sua espera.

—Ali está ela. -Apontou um homem gordinho com microfone

—Senhorita, sabia que o homem que invadiu sua casa era procurado?

—Sim. -Limitou-se a responder.

—Como se sente ao saber que ele está agora preso? -Perguntou novamente.

—Bem.

Alguns murmúrios ecoaram por segundos.

—É verdade que sua irmã foi assassinada por esse bandido?

—O que…

—Planejava se vingar por isso?

—Como…

—Ele veio atrás da senhorita, como foi reviver seu passado?

As perguntas não cessaram fazendo-a se sentir tonta. Flashes e vozes por todos os lados. Marinette tratou de ignorar todos os repórteres e correu em direção a escola que já não estava muito longe, sentia o joelho doer ainda mais a cada passo, olhou para trás vendo algumas pessoas ainda a seguirem. O guardinha abria o portão do colégio quando avistou a garota correndo e sendo seguida, esperou a mesma passar para trancar o portão de ferro.

—Tudo bem com a senhorita? -Perguntou preocupado.

—Sim. Obrigada.

Acenou para o senhor e adentrou o edifício. Poucos alunos circulavam nos corredores e agradeceu mentalmente. Sentou em um banco afastado no pátio, escondeu-se dentro do próprio capuz do moletom abatido pelo tempo, buscou os fones de ouvido na mochila e esperou o sinal tocar.

Aos poucos os alunos foram chegando com seus grupinhos de amigos, a música alta já não era mais o suficiente para encobrir o falatório, puxou o capuz até os olhos e decidiu ir finalmente para a sala, com sorte encontraria os amigos. Evitar Luka seria mais um de seus planos para o dia. Mesmo com os acontecimentos, o primeiro beijo ainda podia ser sentido e lembrado. Chegou na sala de aula, por sorte -ou azar- os amigos estavam reunidos no fundo conversando entre si. Sentiu falta do vizinho, mas ficou quieta.

—Bom dia!

Gritou assustando os três que estavam de costas para a porta. Nathanael virou-se furioso com a mão no coração que batia acelerado, pronto para socar quem quer que fosse. Seus olhos pousaram na figura pequena e sapeca, suavizou a expressão partindo para um abraço apertado.

—Que bom. -Sussurrou baixinho.

—Ei, ei, espera. -Pediu afastando-se milímetros. -O que foi?

—Como assim o que foi Marinette? -Foi a vez de Marc falar. -Sabemos o que aconteceu ontem a noite, por quê não nos ligou?

—Gente, não foi nada, tudo foi resolvido.

—Mó vacilo Marinette, devia ter mandado pelo menos uma mensagem.

—Já entendi, Nino. -Revirou os olhos para o moreno. -Me desculpem. Melhoro?

—Sim! -Responderam os três em um grito puxando a garota para um abraço.

A menina sorriu constrangida, ainda estava se acostumando com demonstrações de carinho.

—O que está acontecendo aqui?

Marinette afastou-se por impulso dos três no momento em que reconheceu a voz. Virou em direção ao som fazendo o capuz cair da cabeça soltando alguns fios azuis do coque mal feito. Os olhos azuis encontraram-se com os verdes. Há visão de Adrian encostado no batente da porta lhe aqueceu o coração. O loiro a olhava sorrindo com os braços cruzados em frente ao corpo. Devagar ele se aproximou da vizinha, com medo que ela fugisse. Marinette abaixou a cabeça constrangida lembrando-se da pequena carta. Adrian a olhou de cima a baixo conferindo seu estado e por fim a abraçou. Os amigos olharam abismados se perguntando o que haviam perdido.

—Dormiu bem? -Perguntou baixinho.

—Obrigada. -Agradeceu simplesmente.

Adrian entendeu o significado daquela palavra e lhe sorriu em resposta. Separaram-se no momento em que a professora chegou para iniciar a aula. Marinette sentia os olhares sobre si nos três primeiros períodos, Chloe encarava com um sorriso quase sádico nos lábios, indícios que algo estava por vir. Sentindo-se sufocada e um estranho frio no estômago, esperou o sinal para o intervalo tocar e se despediu dos amigos o mais rápido que conseguiu determinada a passar o tempo livre na biblioteca. Seu erro foi não ver por onde ia e esbarrar em Luka no corredor abarrotado de estudantes.

—Merda.

Pensou alto, o rapaz a encarava com intensidade, querendo desvendar seus mais profundos segredos. Marinette se sentiu incomodada, queria escapar daquele olhar, dos olhares de todos que já prestavam atenção na cena.

—Precisamos conversar. -Pediu de forma casual. -Podemos?

—Não temos nada a falar. -Respondeu ríspida dando um passo para trás.

—Sobre ontem a noite… -Começou a falar sem se importar com os espectadores.

—Nada aconteceu ontem a noite entre a gente.

—Me escuta, o que aconteceu ontem, me desculpe.

—Luka já chega. Não quero falar sobre isso.

—Escutou a moça, sai fora Luka. -Adrian começou quando se aproximava de Marinette, passou a frente da garota criando uma parede entre eles. -Não tá vendo que tem gente prestando atenção no papo de vocês? Marinette não esta a fim de conversa.

—Meu papo aqui é com ela Agreste, não se meta. -Encarou o rapaz de frente.

—Adrian vamos embora. -Pediu ela nervosa.

—Voltaram a ser amigos é? -Debochou o músico. -Esquece. No final da aula estarei te esperando no portão da escola Mari. -Virou de costas pronto para caminhar quando Adrian o chamou.

—Espere sentado.

Sem perceber, os quinze minutos de intervalo haviam passado. O estomágo da mestiça protestou por comida. Adrian passou a braço ao redor dos ombros da amiga e a conduziu de volta, evitando esbarrarem no mar de gente que trilhava pelos corredores. Com a sala ainda vazia, o loiro jogou um pacote marrom nas mãos dela.

—Todo seu.

Sorriu maroto e se dirigiu para o fundo sentando-se em seu lugar. Marinette abriu o pacote se alegrando com o conteúdo. Seu bolinho favorito que apenas a cantina da escola vendia, completamente de chocolate. O doce teria sido suficiente para aguentar os dois últimos tempos se Marc não estivesse entrado pela porta no momento que daria a primeira mordida, sendo obrigada a dividir com o moreno que se lambuzava com o bolinho.

♦ ♦ ♦ ♦

Jogou os materiais de qualquer jeito na mochila se despedindo dos amigos com um aceno rápido. Despistar Luka ainda era seu objetivo e ter Adrian como seu “guarda-costas” só atrairia mais problemas, por isso o deixou para trás com os outros. O sinal para o fim da manha ainda não havia tocado quando Marinette atravessou o portão da escola, feliz por se livrar das possíveis confusões. Apenas não estava em seus planos ser cercada por um bando de repórteres, esquecerá do pequeno, detalhe por conta da confusão do intervalo, agora sem saída não sabia o que fazer.

Puxou o capuz tapando os cabelos escuros e passou a empurrar todos a sua volta a fim de abrir caminho pelo mar de pessoas. Confusa e sem ver para onde ia, esbarrou com força demais em algum provável estudante mais afastado.

—Ora ora, ora. Marinette Dupain-Cheng, como esta a vida de celebridade?

—Chloé. -Disse com certo desprezo.

—Soube da sua visitinha de ontem a noite. -Fingiu olhar as unhas para então voltar-se para Marinette. -Quem diria não é mesmo? Ter um passado assim.

—Não fale o que não sabe. -Cuspiu as palavras.

—O que realmente o Adrian acha disso?

—Não o envolva nisso.

—Tsc, só tem cara de coitadinha, mas não passa de um moleque no corpo de mulher. -A essa altura o sinal já havia tocado e alguns alunos se reuniam junto ao pessoal dos jornais, de longe podia-se ver Adrian correr em direção a multidão e Luka esgueirar-se por entre as pessoas, Chloé aproveitou. -Não é nada mais que uma assassina, sua irmã morreu por sua culpa.

Aquilo de fato fora o estopim para o que tiver dentro de Marinette, explodir. A mochila foi jogada em qualquer lugar e antes que alguém agisse, ela já segurava a loira contra o asfalto, sua mão agarrava sem piedade o pescoço fino. Tudo era vermelho aos seus olhos, Chloé em um ato desesperado arranhou o pulso da garota com as longas unhas, arranhando e rasgando a pele fina.

Ela já não aguentava mais as provocações, todos os dias, por ser quem era, por não falar sobre futilidades, e agora por sua falecida irmã. Sentia o sangue borbulhar em suas veias.

—Nette...Marinette. -Alguém gritava, ainda longe.

Os amigos chegaram no local e viram quando Adrian se jogou contra o amontoado de gente. Nino e Nathan viam a cena de cima de um banco, pasmos com tais ações, Marc acompanhava Adrian na corrida, temendo pela amiga. Empurrando todos, chegaram no momento em que Marinette esbofeteou a loira na bochecha.

—Nunca mais toque no nome da minha irmã, farei muito pior. -Ameaçou ainda a segurando contra o chão, fazia pressão contra seu pescoço.

—Irá...assassinar mais um?

—Você não aprende.

Sentia-se pronta para bater novamente até fazer Chloé criar juízo quando sentiu braços em volta de si. Olhou para as mãos em sua barriga e depois para o dono delas. Adrian ofegava. Marc estava atrás pronto para qualquer movimento inesperado.

—Sua selvagem! Não sei como podem deixar uma pessoa como ela a solta!

—Vou te mostrar a selvagem! -Marinette se debateu nos braços do loiro que a segurava com força. -Me solta Adrian!

—Se acalma Marinette, o que pensa que está fazendo?

Ela ainda se debatia, cegada pela raiva que a consumia. Em sua frente, Chloé ajeitava o cabelo enquanto proferia palavras agressivas. O rapaz se via cada vez com mais dificuldade de conter a amiga, de longe Luka presenciava tentando compreender a história por trás da briga.

—Maria-João, nunca se encaixou aqui, acha mesmo que teria chance com ele. -Chloé apontou para Adrian. -Ele não te vê assim, e nunca verá.

—Cale a boca!

—Mari o que ela tá falando? -Perguntoi curioso.

—Não escuta ela Adrian, é uma maluca!

—Ficou com vergonha? -Riu venenosa.- Você querida não passa de uma assassina.

—Pra mim já chega! Me solta Adrian, eu vou acabar com essa garota….

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até a próxima! BEIJOS —Mel