Notas iniciais
Boa leitura!

♥Quinto Capítulo♥

Receberas uma rasteira quando menos esperar

Alvo de fofocas por onde passaras

Erga a cabeça e siga em frente

Por que alguém lhe espera no fim do túnel para te ajudar”.

Sexta-feira, Adrian olhou pela última vez a varanda solitária da casa ao lado para então entrar para o próprio quarto e terminar de se arrumar. Vestiu as mesmas roupas sem ao menos se dar ao luxo de escolher, passou a mão nos cabelos os deixando arrepiados e jogou a mochila sobre os ombros.

Desceu as escadas já escutando a voz alegre de sua mãe como todas as manhas, passou pela porta dando entrada na sala de jantar, o pai, Gabriel Agreste sorria enquanto saboreava um suco e escutava os delírios da esposa.

—Bom dia.

Falou ao patriarca enquanto andava em direção a loira e lhe beijava os cabelos em um gesto costumeiro.

—Adrian.

—Bom dia filho. -Emilie exclamou alegre.

—Que animação é essa?

—Convenci seu pai a patrocinar o baile de fim de ano da sua escola!

—Que bom mamãe. -Tentou formar um sorriso.

—Adrian o que foi?

—O que disse pai?

—Esta triste já faz uma semana, desde que a menina Cheng brigou na escola com a filha do prefeito.

—Não é nada demais papai.

—Filho não tente nos enganar, não esta a falar com Marinette?

—Faz cinco dias contando com hoje que não trocamos uma palavra ou mensagem.

—É melhor que a procure.

—Não adianta mãe, nunca a entendi de verdade, ela passou por muita coisa.

—Cresceram juntos. -Relatou Gabriel.

—Mas pelo jeito não foi o suficiente.

—Escutei algumas mães de alunos que trabalham na empresa falando sobre a Marinette, é verdade mesmo que ela machucou a filha do prefeito?

—Pior que é verdade mãe.

—Bem típico dela, mas por quê? -Riu.

—Não sei ao certo, segurei ela uma vez, mas quando me desconcentrei a Marinette partiu pra cima da Chloé, parecia uma louca, nunca a vi daquele jeito. -Começou a contar todo o ocorrido.

—Adrian. -Gabriel chamou sua atenção. -Por acaso escutou o lado da sua amiga?

—Não, ela saiu e fiquei cuidando da Chloé.

—Marinette não estava machucada?

—Ela nunca se machuca. -Argumentou. -Marinette é forte, quem saiu machucada foi a Chloé.

—Filho tente se lembrar, pelo que você disse a senhorita Bourgeois derrubou a Marinette no chão, será que não machucou a cabeça, e o rosto, você mesmo disse que foi arranhado.

Adrian parou alguns minutos após escutar a voz de Emilie, nunca virá a amiga se machucar realmente, lembrou-se da queda e do som quando sua cabeça se chocou contra o piso e depois quando a mesma saiu com uma das mãos na parte de trás do crânio.

—Mãe, pai preciso ir.

—O que foi?

—Acho que fiz uma grande besteira.

Levantou-se bruscamente quase derrubando a cadeira que estava sentado, recolheu a mochila e correu para a porta, não se importou com as pessoas que na rua caminhavam, apenas tratou de correr ainda mais, após alguns minutos vislumbrou a escola, alguns alunos passavam pelos portões. Parou em frente ao muro e segurou-se sobre os joelhos para recuperar o folego.

—Adrian Agreste?

Ergueu a cabeça ao escutar seu nome, uma garota morena de óculos e cabelos compridos lhe encarava.

—Sim? -Respondeu duvidoso.

—Precisamos conversar.

Virou-se e fez um gesto simples para o loiro segui-la, alguns estudantes cochichavam ao vê-los passarem em direção a biblioteca, saudaram a senhora que cuidava da sala e passaram por entre as prateleiras a´te o fundo próximos ao livros de matemática que nunca eram usados.

—Também queria falar com você. -Declarou o rapaz.

—Prazer, Alya Césarie.

—Eu sou…

—Adrian Agreste, já conheço seu histórico, faz amigos com facilidade, carismático, anda com um grupo de garotos e uma menina cuja é sua melhor amiga desde a infância.

—Andou pesquisando?

—Aquela garota instigou minha curiosidade, melhores amigos é o que todos dizem, não foi o que pareceu dias atrás Agreste.

—O que quer dizer com isso?

—Aquela garota, enfrentou Chloé Bourgeois por mim.

—Marinette?

—Sim, sou uma novata é aquela loira tentou me intimidar por isso, quando essa tal de Marinette nos viu se meteu na discussão focando a mira da Bourgeois em si.

—Batendo nela. -Ironizou o loiro.

—Marinette ouviu coisas horríveis, Chloé tentou bater na sua amiga mas ela apenas se defendeu, o resto você viu com seus próprios olhos.

—Acho que tomei decisões precipitadas.

—Acha! Você é mais idiota do que pude imaginar Agreste, peça desculpas para sua amiga antes que ela decida esquecê-lo por completo. -Alya falou de forma fria deixando o rapaz sozinho na biblioteca.

♦ ♦ ♦

O fim de semana passou sem maiores problemas, Marinette aproveitou os últimos dias de “folga” para colocar as ideias no lugar e trabalhar nos figurinos para a banda do mais novo amigo que descobriu serem mais parecidos do que imaginava. Abriu os olhos com preguiça, segunda-feira havia chegado e com isso sua volta as aulas, arrastou-se para o guarda-roupas e puxou uma muda de roupas qualquer andando diretamente para o banheiro para se preparar, enfrentar todos os olhares para si fazia sua cabeça girar, mesmo passando-se uma semana as fofocas ainda corriam pelo que soube por Marc e com sua volta ainda mais mentiras seriam espalhadas.

Decidida a voltar de cabeça erguida e continuar com os treinos para o campeonato que seria dali a dois dias saiu do banheiro vestindo uma blusa de mangas curtas e um moletom preto, calça jeans gasta e coturnos igualmente usados, prendeu os cabelos em um coque desajeitado e saiu em passos rápidos evitando encontrar-se com sua mãe para mais uma critica de moda. Respirou aliviada ao chegar no lado de fora o céu azul-claro com poucas nuvens não deixava a sensação fria ir em bora mesmo com os raios solares, ajustou a mochila ao passar em frente a casa de Adrian e acelerou o passo ao ver a movimentação na residência.

Respirou fundo ao ver a fachada da escola, ajeitou o capuz sobre os fios azulados e entrou sentindo os olhares e escutando sussurros, mordeu o lábio inferior e fechou as mãos em punho dentro do bolço para aliviar a tenção, não sabia para onde ir e no momento queria sumir da vista de todos, antes de decidir para onde se encaminhar sentiu uma mão sobre seu ombro, em estado de alerta girou sobre os calcanhares pronta para revidar quem quer que fosse mas se deparou com um par de olhos azuis e um sorriso sacana nos lábios.

—Se escondendo?

—Que susto Luka, qual o seu problema? -Brigou.

—Qual o seu Marinette, tira esse capuz, todos já sabem que você voltou para a escola.

—Tsc. -Aceitou a proposta revelando os cabelos amarrados.

—Vai demorar para dar o primeiro sinal, vamos nos sentar em algum lugar.

Marinette o seguiu por alguns minutos ainda escutando cochichos, agora sobre Luka também.

—Não liga de ser alvo de fofocas? -Perguntou ao rapaz.

—Nem um pouco, podem falar o que quiserem, não devo nada a ninguém.

Sorriram um para o outro, andava distraída quando sentiu se chocar contra outra pessoa.

—Olha por onde anda! -Esbravejou.

—Marinette?

A mesma mirou a face do rapaz e xingou baixinho por ser descuidada, claro que Adrian já havia chegado a escola.

—Com licença. -Tentou se desviar mas foi impedida pelo rapaz que segurou seu pulso.

—Vamos conversar.

—Uma ova, me deixe ir. -Puxou o braço com força e soltando.

—Vamos conversar!

—Não viu que a esta incomodando Agreste. -A voz grossa soou atrás do corpo do loiro.

—Preciso conversa com a minha amiga e nada mais.

—Pelo jeito Marinette não quer o mesmo.

Luka passou pelo rapaz e pousou o braço direito sobre os ombros da mestiça que não se importou com a proximidade, o mais velho sorriu debochado e a puxou para si andando em direção oposta ao tumulto que se formava.

—Valeu por essa. -Agradeceu os escutar o sino para o começo das aulas.

—Nada, tem algo pra depois das aulas?

—Treino, o torneio é daqui dois dias.

—Vou te acompanhar, não tenho mais nada para fazer.

—O.K., estou indo, tenho que enfrentar a sala sozinha agora.

—Boa sorte. -Beijos os cabelos escuros em um gesto casto e saiu em rumo a própria sala.

Agradeceu por não estar muito longe e seguiu para sua turma, olhou para a porta e constatou pelo barulho que o professor ainda não havia chegado, girou a maçaneta atraindo atenções, todos a olhavam desconfiados, viu o grupo de amigos a observando e mais atrás Adrian que falava algo com Chloé, foi em direção a sua carteira quando foi parada pela loira.

—Vejam quem voltou, a briguenta da escola. -Provocou.

—Vá para o chiqueiro de onde nunca deveria ter saído loira chata. -Respondeu friamente e se dirigiu para a única pessoa que teria coragem de falar.

—Seja bem-vinda. -Sorriu mostrando os dentes.

—Obrigada Marc.

—Não esquenta, estou do seu lado e pelo jeito eles também. -Apontou para trás.

—Nathanael, Nino. -Exclamou surpresa.

—Marinette achou mesmo que não iriamos falar com a senhorita. -Brincou o ruivo.

—Por incrível que pareça achei sim.

—Não fale assim, temos que proteger a nossa irmanzinha.

Sorriu agradecida para os amigos, realmente pareciam ser seus irmãos mais velhos, mesmo briguenta, Marinette ainda mostrava um lado que poucos tinham o prazer de conhecer; Doçura.

As primeiras três aulas passaram arrastadas, alguns ainda cochichavam boatos sobre a garota que resolveu não dar ouvidos, arrumou os materiais assim que o som para o intervalo ecoou por todo o colégio, avistou os amigos que conversavam com o loiro e resolveu deixá-los.

—Aquele ali não é um aluno do segundo ano?

Marinette olhou em direção a porta ao escutar o comentário da colega de classe, encostado no batente da porta, Luka sorria maroto.

—Vamos logo Marinette. -Chamou alto atraindo a atenção de todos e consequentemente dos amigos.

—Não grite idiota! -Falou no mesmo tom. -O que faz aqui?

—Te chamar e chamar o Marc também. -Falou simplório.

—Marc! -Gritou esquecendo de onde estava.

—Já vai. -O moreno se despediu do grupo que ficou sem intender e se aproximou da mestiça. -Eai.

—Luka quer falar com a gente.

—Então vamos.

—Alguém que não reclama. -Riu Luka. -As meninas estão nos esperando no pátio. -Pegou Marinette pela mão e saiu puxando com Marc logo atrás rindo da situação.

—O que acabou de acontecer? -Pergunto Nathan ao ver a cena.

—Acho que a nossa Marinette arranjou uma nova amizade. -Respondeu Nino.

—Vai fazer o que Adrian?

—Comer alguma coisa, a vida é dela. -Resmungou e saiu sozinho em passos largos.

—Isso é ciúme. -Constatou o ruivo.

—Com certeza.

Marinette permitiu-se ser arrastada por toda a escola, Marc conversava algo com Luka enquanto a mesma permanecia em silêncio e distraída por todo o percurso, saiu de seus devaneios quando notou o moreno se despedir a deixando a sós com o mais velho.

—Plano para me tirar da sala?

—Com certeza, Marc apenas me ajudou. -Deu de ombros.

—Devia ser ator. -Debochou.

—Ta com fome? -Ignorou a provocação.

—Não muita. -Escutou a própria barriga roncar a deixando corada.

—Vou pegar algo pra comermos, espere aqui.

Assentiu e sentou-se no banco de madeira, observou o local e notou nunca ter ido aquela parte da escola, poucas pessoas circulavam dando paz ao ambiente, a árvore fazia sombra onde estava dando um clima apaziguador. Escutou passos e vozes conhecidas, ajeitou o capuz sobre os cabelos azulados ao escutar os gritos de Chloé, não por medo mas sim raiva decidiu ficar quieta e não chamar atenção, sem sucesso, pois Sabrina a viu e fofocou para a loira.

—Seus amiguinhos não estão com você?

—Estou quieta na minha, por quê não vai encher o saco de outra.

—Ta certo, seu grupinho não quis mais você, devia ser mais feminina, assim não teriam vergonha de andar com alguém como você.

—Realmente irritar as pessoas é o seu forte. -Levantou-se.

—Ora sua…

—Só fica quieta e me deixa em paz. -Chloé deu um passo para trás ao ver os olhos felinos da mestiça de baixo da franja.

—Marinette o que está acontecendo?

Luka aparece atrás de Sabrina segurando algumas coisas e com cara de poucos amigos.

—Nada não Luka, não é mesmo Chloé?

—Vamos em bora Sabrina. -Saiu bufando.

—Ela te fez algo? -Aproximou-se preocupado.

—Não, pretendia mas não fez e nunca mais vai fazer.

Terminaram o intervalo com conversas aleatórias a fim de esquecer os ocorridos do dia, ele a deixou na porta de sua sala com um beijo no rosto.

—Me encontre no pátio, te acompanho para o treino hoje.

Acenou descrente e rumou para dentro da sala sem desviar o olhar para os de Adrian que observa atônito a cena.

—Se acostume, eles estão mais próximos que nunca. -Revelou Marc.

—Desde quando anda com o cara do segundo ano?

—Sempre, conheço Luka a um tempo, é um cara legal Adrian, faz bem para a Mari.

Deu dois tapinhas no ombro do amigo e saiu quando o professor entrou na sala pedindo silêncio.

♦ ♦ ♦

Marinette recolheu seus pertences e correu para o corredor sem dar chances de falar com ninguém, Luka a esperava e juntos rumaram ao ginásio. A construção ampla abrigava uma arquibancada, no chão, as linhas e marcações para os jogos que ocorriam ali, traves de futebol e cestas de basquete em cada extremidade, no centro um homem de pele morena e cabelos negros aparentando 25 anos a esperava vestindo um kimono azul pronto para o treino.

—Me atrasei professor?

—Não, vá se trocar de uma vez menina. -A voz grave ecoou por todo o ginásio.

Marinette puxou a roupa da mochila e a jogou em cima de Luka para correr para dentro do vestiário feminino.

—Quem é você? -Perguntou o moreno.

—Um amigo da Marinette, prazer Luka. -Estendeu a mão para o professor.

—Estranho, ela sempre vem com outra pessoa, sou professor de Jiu Jitsu me chamo Plagg. -Apertou a mão com um sorriso sacana no rosto. -Namorado dela?

—C-claro que não! -Gaguejou extremamente alto.

—Hahaha, estou brincando garoto, Marinette é uma menina muito focada e reservada mas tem bom coração, a conheço faz bastante tempo.

—Como assim?

—Houve alguns acontecimentos na vida dessa menina que a trouxeram para esse mundo. -Respondeu Plagg com um leve pesar em suas palavras.

—O que estão falando?

Marinette chamou a atenção para si ao sair do vestiário, vestia kimono branco deixando o colo e um pedaço do top preto a mostra, a cintura marcada pela faixa igualmente branca, nas mãos segurava a roupa comum e o par de sapatos, os cabelos presos em um rabo de cavalo frouxo, Luka acenou constrangido por vê-la de tal forma mesmo a visto em torneios nunca deixou de achá-la bonita com tais trajes.

—O que foi? -Tombou a cabeça ao ver as maças do rosto do rapaz vermelha. -Se está se sentindo mal pode ir na frente.

—Não é nada, me dê essas coisas. -Praticamente arrancou tudo dos braços da garota e andou até a arquibancada para guardar.

—Pronta? -Perguntou Plagg parando em cima do tatame improvisado.

—Pronta mestre. -Falou a última palavra com humor.

—Não me chame de “mestre”, pareço um velho assim.

Cumprimentaram-se adequadamente dando início ao treino árduo da garota. Fascinado tanto com seus movimentos quanto seu passado, o Couffaine observava cada detalhe da amiga.

Notas finais
Finalmente o Adrian ta se tocando do que fez! Marinette esconde alguma coisa do seu passado? Continuem lendo para descobrir. BEIJOS —Mel