Forte mas Apaixonada

7 Fantasmas do passado- Parte 1


Notas iniciais
Boa leitura!!

♥Sétimo Capítulo♥

“As sombras do passado podem voltar.

Atormentar seus pensamentos e sua vida.

Mas não se abale.

Siga em frente, o passado agora é apenas uma memória.”

O som da bola de tênis era o único escutado no quarto de Adrian até mesmo sua respiração parecia regular perante sua agonia, lembrava-se da tarde conturbada ao ver Marinette machucada, assim como o campeonato seu orgulho era sua preciosidade. Preocupou-se e correu para o vestiário, a pequena conversa ainda estava presa em sua memória.

“–Seu joelho esta machucado, mentiu para eles.

—Não é preciso a verdade sobre mim, esqueça.

—Teimosa.

—Não venha me dar lição de moral Adrian, não me acha invencível, então não se preocupe, estou ótima e mesmo se não estivesse não seria da sua conta!

—Estou preocupado.

—Você e sua preocupação que sumam da minha frente, fez isso por uma semana, continue.

Passou a caminhar para fora mas foi parada pela mão autoritária do loiro.

—Sem esforço. -Pediu.

—Tire isso da cabeça, sei o que posso ou não fazer. -Livrou-se do aperto. -Mas mesmo assim, obrigada Adrian.”

Sentiu-se triste. Mas aquele, obrigada havia dado alguma esperança para seu coração. Distraído em pensamentos jogou a bolinha com força que recocheteou na parede e voltou com força em sua testa.

—Droga! -Reclamou com ambas as mãos na vermelhidão em forma de círculo.

Decidiu parar com a brincadeira agora perigosa, deixou em qualquer canto o objeto e foi a sacada apreciar a brisa fria da noite, andou em direção a cadeira e ficou de olho na sacada de Marinette, torcendo para vê-la a qualquer momento.

Atento, escutou um barulho estranho vindo da casa ao lado, chegou a beira apoiando-se na grade de ferro, escutou algo se quebrar.

—Quem é você?

A voz saiu alta e furiosa do quarto da amiga, a adrenalina corria por seu corpo, rangeu os dentes e mirou a garagem onde o carro dos pais da garota não estava.

—Marinette!

Sua voz saiu em um sussurro, tomou distância ao escutar um estrondo mais alto, correu e se apoiou nas grades pulando para a sacada vizinha como fazia antigamente. Abaixou-se para não ser visto e andou em passos rápidos para a porta de vidro, tudo que podia ver era a luz acesa e a sombra da silhueta feminina por detrás da cortina, tentou abrir as portas sem sucesso.

—Droga, Marinete! -Gritou ao lado de fora enquanto socava o vidro.

—Sai já daqui!

A voz aguda era feroz.

—Que menina nervosa. -Pausa.

—Fique longe. -Esbravejou Marinette.

Devido as mãos apoiadas sobre a superfície lisa e transparente, Adrian sentiu o vidro estremecer após uma forte pancada.

—Sua irmã não me deu tanto trabalho como você, princesinha. -A voz asquerosa chegou aos ouvidos do loiro como uma música trágica. -Fique quieta garota.

—Não fale da minha irmã, bastardo!

Cansado de apenas ouvir, Adrian procurou por algo na varanda que ajuda-se a quebrar o vidro, apertou os olhos na escuridão e encontrou um vaso, arrancou a planta de modo rude e quando teve a certeza que Marinette não estava próxima, o jogou com força contra o viso o fazendo em pedaços.

—Marinette!

Gritou passando pelas cortinas que balançavam com o vento, sob a sola dos chinelos sentiu alguns pedaços de vidro se quebrarem ainda mais. Parou ofegante e procurou a amiga, e la estava ela, encurralada em um quanto entre o guarda-roupas e a escrivaninha, sua testa possui um arranhão superficial e um canto dos lábios sangrava, olho a figura que agora o encarava, cabelos castanhos amarrados, o supercílio estava cortado e sangrava, pele morena e um pequeno cavanhaque, entre os dentes um palito de pirulito.

—Adrian sai daqui! -Pediu Marinette enquanto se posicionava pronta para outro ataque.

—Fico maluca!? -Gritou de volta, agora se virando para o suspeito. -O que quer aqui?

—Nada demais, só terminar o que comecei a muito tempo com a irmã dela. -Sorriu maligno.

—Não fale de Bridgette! -Deu um passo a frente. -Se você não tivesse aparecido aquele dia ela estaria aqui agora!

—Fazer o que, não aconselham a reagir a assaltos, quem manda ser idiota.

—Pare de falar dela!

Aproveitando a distração, Adrian se aproximou do homem que agora segurava um dos braços de Marinette e lhe deu um golpe na nuca o fazendo desmaiar.

—Marinette está tudo bem? -Tentou se aproximar.

—Ligue para a polícia, antes que eu mesma faça justiça.

Saiu em passos rápidos até o banheiro e bateu a porta com força a trancando em seguida, olhou-se no espelho e limpou o sangue revelando os pequenos cortes sobre o rosto e sentou-se no chão respirando fundo enquanto as lembranças a atingiam com força.

O aglomerado de pessoas estava em frente a casa de Marinette, em meio a eles, os pais de Adrian que conversavam com a polícia, as viaturas chegaram poucos minutos após a ligação encontrando o assaltante ainda desmaiado.

—Estamos procurando esse cara a anos. -Declarou o policial gordinho. -Não deviam ter reagido ao assalto, podia ser perigoso.

—Estamos bem e é isso que importa.

—Preciso que a garota vá até a delegacia dar depoimento.

—Amanha. -Respondeu Adrian de forma fria.

—Precisamos que ela fale o que aconteceu.

—Marinette não está em condições, respeite, amanha cedo iremos até a delegacia.

—Certo jovem, esperamos ambos para o depoimento.

—Boa noite.

Adrian finalizou a conversa com o mais velho e andou em direção aos pais que faziam o mesmo.

—Como esta a menina Marinette? -Perguntou Gabriel.

—Trancada no banheiro, se importam se eu passar a noite aqui?

—Será melhor assim, Sabine e Tom chegaram muito tarde. -Respondeu Emilie para logo beijar o filho. -Juízo, cuide bem dela meu filho.

—Pode deixar, boa noite.

Esperou para ver os pais entrarem em casa e as viaturas saírem da rua, aos poucos o amontoado de vizinhos foi se dispersando para suas próprias casas. Adrian suspirou alto e entrou em busca da mestiça, andou até o banheiro e encontrou a porta aberta mas sem sinal da garota, assim como a cozinha a sala de estar também estavam vazias, correu até o quarto encontrando a bagunça feita a pouco tempo, cacos de vidro espalhados, moveis que não havia notado estavam jogados no chão e alguns quebrados, andou até o último lugar possível na esperança de encontrá-la.

—Marinette.

Chamou de forma suave a passou os olhos pela escuridão da varanda espaçosa, em um dos cantos que costumavam ficar antigamente a encontrando encolhida sob uma coberta felpuda. Ela nada disse quando o viu sentar-se ao seu lado, apenas encarou o horizonte enquanto as lembranças ainda estavam presas em sua mente, o vento soprava frio anunciando o inverno.

—Aquele cara, era o mesmo daquela vez?

Adrian cortou o silêncio agoniante, não sabia se ela o havia escutado ou estava pensando, a resposta veio minutos depois o pegando de surpresa.

—Era ele sim. -Respondeu baixo. -O mesmo que a tirou de mim, que fez da minha vida ser o que é agora. -Continuou.

—Mas por quê ele estava aqui? -Perguntou, com medo da resposta que estava por vir.

—Medo de ser reconhecido depois de tantos anos, parece que ele me observava a um bom tempo e esperou um momento para me abordar, só que, ele não esperava que levasse uma surra por entrar aqui.

—Faz tanto tempo. -Exclamou Adrian para si mesmo.

—Mas nunca esqueci o rosto daquele desgraçado, e nunca vou esquecer. -A voz feminina saiu baixa e fria.

—Pequena. -Chamou.

Marinette virou o rosto poucos centímetros fazendo o coração do loiro se apertar, ela chorava, o rosto com pequenos cortes, bochechas avermelhadas e lágrimas solitárias sobre a pele fina, Adrian não aguentando o impulso a puxou pelo cobertor e passou o braços em torno do frágil corpo, aos poucos sentiu a camisa molhar e os soluços ficarem cada vez mais altos em meio a palavras desconexas.

—P-por que...protegeu a mim...morreu...por mim.

A voz saia falha e abafada, Adrian nada podia fazer além de oferecer um ombro para chorar, afinal, essa era a segunda vez que a via tão deprimida. Marinette estava quebrada, frágil e aflita. Apoiou o queixo no topo de sua cabeça e beijou os cabelos escuros de forma carinhosa.

—F-fica comigo. -Gaguejou ela com a voz embargada.

—Não vou a lugar nenhum, Marinette.

Ele sentiu os braços magrelos passaram por sua cintura e chegarem em suas costas correspondendo ao abraço caloroso, a garota o puxou para mais perto e aconchegou-se em seu peito.

Notas finais
Esta ai um capítulo um poucos mais Adrinette. Por favor entendam que não posso fazer uma aproximação tão repentina, mas pelo menos teve uma interação entre os dois. Quem diria que a Marinette teria uma irmã não é mesmo? Comentem o que acharam. Não aguentei a ansiedade e postei o mais rápido que pude hihihi. BEIJOS —Mel