Ele ainda se lembra daquele sonho...

Ele estava envolto pela escuridão.

Diante dele havia um beco sem saída de onde uma luz fraca piscava intermitentemente, decidiu então seguir em direção ao ponto de origem da luz e então ao chegar no local... BOOOM! A lampada que gerava a tal luz não resistiu e as faíscas resultantes da explosão caíram sobre sua cabeça mas foram consumidas antes que fosse atingido.

O silêncio e a escuridão tomaram conta do lugar até que um fósforo foi riscado e então uma pequena chama surge, logo em seguida ela se movimenta e uma pequena brasa surge. O fósforo é lançado e flutua pelo ar deixando um traço de fumaça praticamente imperceptível naquela situação, ao encontrar o seu destino final uma explosão de maior intensidade que a anterior acontece, um clarão faz com que o jovem mova instintivamente o seu antebraço de forma que este lhe proteja os olhos.

Após alguns instantes a luz fica mais fraca, com a visão ainda embaçada ele consegue aos poucos visualizar o cenário; a fonte de luz agora era um velho tambor de lixo, daqueles que ele só via em quadrinhos e filmes americanos, logo ao lado estava um homem alto e magro que usava roupas inteiramente pretas e que cobriam praticamente todo o seu corpo, alem de óculos escuros de armação redonda e um fedora preto.

O pouco que podia se ver da pele do homem dava a entender que se tratava de alguém bem velho, suas mãos continham manchas escuras que provavelmente foram causadas pelo excesso de cigarro, a pequena brasa anteriormente descrita era isso no fim das contas. O olhos do homem pareciam avaliar o garoto, pelo menos foi isso o que ele sentiu mesmo que os óculos escuros lhe impedissem de ter certeza, o cigarro acabou e então o homem começou o diálogo:

-Seja bem vindo ao jogo player. — Disse o homem exibindo um sorriso literalmente amarelado.

-Player? Jogo? Do que você está falando?

-Você foi escolhido para participar de um grande jogo de apostas e... — O homem fez uma pausa para acender outro cigarro.

-Apostas? Eu não estou interessado em nenhuma aposta e... — O garoto sentiu-se engasgar.

-Calado! Ainda não terminei de explicar seu insolente. Não é atoa que leva uma vidinha de merda, eu sei que não se interessa por apostas por morrer de medo de se arriscar. — Ele estalou seus dedos magros. -Pode falar agora.

-Vidinha de merda... — O jovem ofegava. -O que você sabe sobre minha vida?

-Posso começar pela traição da sua namorada? — Um sorriso surge em seu rosto após ver a cara de espanto do garoto. — Sei que até hoje você nega o que viu naquele dia.

-Ora seu...

O jovem partiu para cima do homem de preto, mas quando levou sua mão direita para pegar o colarinho do mesmo, um calor insuportável impediu sua aproximação ferindo a palma de sua mão.

-Estou aqui para lhe oferecer uma vida nova, um mundo ideal, um lugar aonde não existe espaço para mentiras.

O homem jogou o filtro do cigarro que fumava fora, levou o indicador da mão esquerda diante do nariz e fez o tipico sinal de "silêncio". Então ele tirou quatro cartas de baralho do bolso do sobretudo que vestia, fez um pequeno leque com a face das cartas viradas para baixo e disse:

-É só você escolher uma carta, cada jogador tem uma carta representativa e no momento essas são as únicas disponíveis.

-Mas que jogo é esse? — O garoto ainda estava perdido em duvidas.

Um barulho distante chamou a atenção do garoto e a curiosidade fez com que ele olhasse para trás, de longe pequenos focos de luz surgissem em sequência e a luz se aproximava cada vez mais rápido ao local aonde estavam, o rosto do homem apresentou certa apreensão.

-Vamos logo garoto! Meu tempo está acabando, essa pode ser a sua unica chance!

Ele estava indeciso, não sabia o que fazer, o que era o jogo afinal? Se soubesse talvez teria corrido em direção a luz mas não foi esse o caso:

-Ás de espadas? — Perguntou com nítida expressão de curiosidade.

-É uma ótima carta! — Sorriu o homem. -Seja bem vindo ao projeto Forseti.

O homem virou fumaça diante dos olhos do garoto, a carta que segurava saiu de sua mão e foi em direção ao próprio peito com uma força incrível, ao entrar em contato com sua pele a carta entrou em combustão e logo todo o seu corpo foi consumido pelas chamas.

Fim do prólogo.