Formas de dizer eu te amo

9 Compartilhando um sorriso suave em uma sala lotada.


A final não poderia ser outra: Kuzuryu vs. Taiei. Era a partida perfeita, após tantos meses de suor, eles enfrentariam a rival novamente e dessa vez sairiam vencedores. Cada um dos membros, com seus uniformes escuros, suavam na quadra para vingar a derrota que sofreram no ano anterior, no jogo treino.

Nao gritava orientações, vibrava a cada ponto marcado e a cada rebote conquistado. De pé, ao lado de Chucky, Nabe e dos poucos calouros que se juntaram a eles naquele ano, ela assistia como cada um dos meninos se enchiam de energia a cada minuto que passava, ao invés de ficarem cansados.

108-110, era o placar favorável a Taiei que fechou o terceiro quarto. Eles não haviam conseguido empatar nos segundos finais, mas impediram que o adversário aumentasse a diferença.

— Escutem, meninos, eu queria dizer uma última coisa — falou após dar as orientações para o quarto final da partida. — Vocês cresceram muito para chegar até aqui e eu só posso dizer como estou orgulhosa por ter conseguido contribuir, mesmo que um pouco, para isso acontecer. Vamos ir até lá e chutar as bundas desse arrogantes!

Quando o sinal de que o intervalo havia acabado tocou e Nao viu cada um deles entrando na quadra, tudo começou a se mover lentamente. Os dez minutos da partida pareceram vinte; cada drible do camisa 5 demorava mais do que poucos segundos, as investidas do camisa 11 e as cestas de três do 15; os rebotes do 4, ganchos do camisa 12 e passes improváveis do 7. Era como se o mundo inteiro resolvesse rodar mais devagar, apenas para fazer aqueles últimos momentos durar o máximo possível.

O apito final soou, a bola já estava no ar. Nao segurou a respiração e sentiu as pernas fraquejarem quando ela entrou na cesta. 137-132 foi o placar final. O estádio inteiro vibrou, vendo a conquista do time que não era nada até pouco tempo atrás. E ela chorou, ao ver que finalmente eles haviam conseguido.

Kuzuryu: 137. Yokohama Taiei: 132.

Todos no banco ao lado dela gritaram e pularam sobre ela, a puxando para um abraço enquanto os meninos ainda comemoravam na quadra. Ela não conseguiu enxergar nada por alguns instantes, as lágrimas de felicidade embaçando sua visão.

Mas então ela conseguiu secar os olhos e a primeira coisa que viu, ajoelhado no chão com a bochechas vermelhas, foi o sorriso suave que cobria o rosto de Tobi. Nao sorriu de volta.

Eles haviam conseguido. O intercolegial era deles.