Formas de dizer eu te amo

6 Acariciando as costas das suas mãos com o polegar


Quando eles perderam contra o colégio Shinjo, Nao ficou devastada. Seu ombros caíram com o sentimento de culpa por não ter conseguido fazer sua equipe conquistar aquela vitória. Eram tantas coisas que ela poderia ter feito, orientações que deveria ter dado e erros que não deveriam ser cometidos. Em seguida veio a notícia da morte da mãe do Kurumatani e, ao final do dia, o fogo na sala do clube.

Saber que seu amigos estavam envolvidos com a destruição dos sonhos deles doeu. Mas o que mais doeu foi imaginar que se fosse outra pessoa em seu lugar, um adulto experiente e responsável, nada disso teria acontecido. Eles ganhariam o jogo, assim Momoharu e os outros não pensariam nem por um segundo, em acender aquele cigarro. O professor Satsuki havia dito que não era culpa dela e ela sabia disso, contudo, o sentimento de fracasso era maior que a razão.

Os dias se passaram e o clima entre os membros do clube que ainda estavam na escola só piorava. Basquete era o que os ligavam, era o que os mantinha unidos e fazia Nao se sentir pertencente a algum lugar. Mais do que um objetivo de vida, o esporte havia dado a ela amigos, que ao poucos ela via que se afastavam.

Chiaki era o único que ainda se esforçava em falar com ela. Kurumatani não respondia as mensagens de ninguém e Mokichi não era alguém que parecia se importar com questões com amizade. Tobi nem olhava para a cara dela, mesmo durante as aulas. Nao sabia que a relação entre eles nunca foi a mais estreita, ele era arrogante demais pra aceitar as sugestões dela sem fazer comentários debochado ou ter alguma resistência; entretanto, ela acreditou que eles começavam a caminhar para uma amizade, depois que ele a levou até a estação aquele dia. Nao nunca havia se sentido tão decepcionada em toda sua vida.

Até que a chuva parou e o Sol voltou a brilhar no céu.

Mokichi foi o primeiro a fazer algo, arrumando a sala do clube com suas próprias mãos. Depois veio o Chiaki, com sua energia e caras engraçadas que a faziam rir. Tobi voltou a olhar para ela e a certeza que tudo ficaria bem apareceu junto com Sora, que retornou com o otimismo que movia o time de basquete.

Eles finalmente tinham um plano e Nao daria tudo de si para conseguir um coordenador para o clube de pesquisa, então só precisariam que os outros membros voltassem. Por mais que tivessem errado, ela preferia abrir mão de tudo do que deixá-los de fora; eram o time dos sonhos, não por terem os melhores jogadores, mas sim por serem as melhores pessoas. E nem mesmo Tobi ficaria no caminho.

— Eu já disse que não serei contra a volta deles. — Tobi explicou novamente, quando Nao o encurralou na sala quando as aulas acabaram. — Mas eu não consigo confiar nessa gente agora.

— Essa gente é a nossa gente — falou. Ela não estava irritada com o comportamento dele, afinal era completamente compreensível. Todos estavam decepcionados uns com os outros, mas precisavam passar por cima disso o mais rápido possível.

O rapaz ficou em silêncio, sentado na carteira dele, olhando para fora da janela. Nao suspirou e se sentou na cadeira da frente, encostando a cabeça no parapeito da janela. Ela poderia falar qualquer coisa naquele momento, palavras vazias que não chegariam ao coração do rapaz e apenas o deixariam mais irritado. Mentiras sobre como ele tava sendo infantil, frases feitas como a que diz que todos cometem erros e merecem segundas chances. Poderia até apelar para o fato de que, se não fossem essa gente, ele teria sido expulso da escola e não estaria jogando basquete. Mas ela optou por nenhuma dessas opções.

— Eu só quero fazer as coisas certas dessa vez — confessou olhando para o teto, mordeu o lábio inferior antes de prosseguir, hesitante —, desde que perdemos, fiquei me perguntando se sou a melhor pessoa pra treinar a nossa equipe.

— Ei, nanica… — Tobi começou, a surpresa tomando conta de seu rosto com a declaração da garota.

— Mas eu sou egoísta demais pra abrir mão de vocês, de todos vocês — continuou o interrompendo, um sorriso grande tomando conta de sua face ao se virar para ele. Apesar disso, ela conseguia sentir as lágrimas se formando no canto de seus olhos.

Tobi não disse nada, por não ter palavras ou por simplesmente não ser o jeito dele. Mas pela primeira vez, Nao sentiu o calor das mãos do rapaz, que apenas esfregou o polegar de forma leve sobre as costas da mão dela.

Tudo ficaria bem.