Formando Uma Família
17 Visita
Notas iniciais
“É aquele dia do ano de novo.” Kagura pensou quando acordou razoavelmente cedo num sábado e não viu seu noivo dormindo. Aquele era um dos poucos dias onde quase todas as características marcantes de Sougo eram esquecidas: O sadismo, as piadas irritantes, a preguiça... Era o aniversário da morte de sua irmã mais velha. Assim como ele, a Yato também esquecia a rivalidade e as brincadeiras, e tentava apoiá-lo o máximo possível, porque sabia o quanto era difícil para o rapaz. Ela lamentava não ter estado com ele no dia da tragédia, queria ter ajudado, e como não pode fazer isso se contentava em cuidar dele todos os anos.
“Oi.” Kagura disse cautelosamente enquanto entrava na cozinha e via o capitão do Shinsengumi com olheiras enormes e um copo fumegante de chá nas mãos, e tentava não olhar muito para as flores e o saco de petiscos extra apimentados que seriam deixados no tumulo de Mitsuba.
“Você acordou cedo.”
“É. A Emi-chan dormiu a noite inteira ontem, então descansei o suficiente.”
“Certo.” O silêncio tomou conta do lugar, até que uma pequena figura apareceu engatinhando no chão e rindo.
“Filha, como diabos você saiu do berço?” A ruiva falou preocupada.
“China, ela já conseguia engatinhar com quase três meses, agora que já tem 5 não me admira que tenha arrumado um jeito de escapar.” O sádico explicou pegando a menina no colo. “Vou ficar um pouco com ela antes de... Sair.”
“Só cuide dela por enquanto que eu troco de roupa, podemos sair em menos de dez minutos.” Kagura falou e foi para o quarto, sem dar direito de Sougo dizer que não era necessário. Ela não iria aceitar nenhuma desculpa para não acompanhá-lo. No tempo estipulado os dois saíram caminhando, com Okita segurando Emi.
“Sério, você não precisa vir comigo. Leve a Emi pra visitar o Danna ou pra dar uma volta no parque.”
“Não seu idiota, eu quero ir com você. Fizemos um acordo quando começamos essa coisa certo? Temos que apoiar um ao outro. Eu não vou quebrar minha parte pra você depois usar isso como desculpa para não fazer o que eu quero.”
“Tsc china, você é irritante. Porque não volta pro planeta dos gorilas retos, senhorita paralelepípedo?”
“QUEM AQUI É SENHORITA PARALE... PARA.... AHH ESSA COISA AI QUE VOCÊ DISSE.”
“Pare de gritar, sua voz já é irritante num volume normal.”
“Ah bom dia Okita-san, já faz algum tempo que não nos vemos.” Um segurança do cemitério cumprimentou, e o casal estava tão distraído com sua discussão que nem tinha percebido que havia chegado em seu destino.
“Bom dia. Eu andei ocupado então não pude vir com mais frequência.”
“Mas aquele outro homem do Shinsengumi tem vindo sempre. Sabe, aquele do cabelo preto que fuma.” Claro que Hijikata continuava indo. O rapaz nem se deu ao trabalho de responder só entrou no cemitério pelo portão que rangia pela velhice e seguiu para o ponto exato que conseguiria achar até de olhos fechados, tentando dar um sorriso.
“Aneue... Eu trouxe seus preferidos....” Sougo até conseguiu se manter bem nas primeiras letras, mas no final da frase seus olhos já estavam marejados. Era esse o motivo que ele nunca queria que Kagura o acompanhasse, odiava que ela lhe visse daquele jeito. Surpreendentemente, a ruiva não tentou consolá-lo, apenas se aproximou um pouco do local de descanso de Mitsuba.
“Mitsuba-chan, já faz algum tempo não é? Perdoe seu irmão idiota, ele se comporta tanto como alguém sem sentimentos que acaba exagerando.”
“O que está fazendo Kagura?”
“Cumprimentando. O mínimo que você pode fazer é ficar feliz na frente da sua irmã, assim ela pode ficar em paz sabendo que você está bem. Mitsuba-chan, desculpe não ter vindo das ultimas vezes, mas esse sádico sempre acha que pode suportar tudo sozinho, e esquece que eu estou aqui para apoiar ele. Na verdade não só eu, mas a Emi-chan também. Por isso pode ficar sossegada ai no lugar melhor onde está, esse retardado não vai se meter em nenhum problema e correr o risco de decepcionar a filha dele e de levar um chute na bunda de mim.”
“Tsc, você não sabe a hora de calar a boca china girl?”
“Fique quieto você seu retardado. Acho que o único erro que a Mitsuba-chan deve ter cometido na vida dela foi ter criado um moleque tão mimado.” Kagura falou apontando o guarda-chuva pra Sougo, enquanto ele fazia a mesma coisa com a espada, e Emi começou a rir.
“Ela deve ser a única garota que acha divertido ver os pais brigando.”
“Isso porque a Emi-chan tem seu sadismo correndo nas veias.... E sabe que esse é nosso jeito de fazer as coisas.” Os dois se despediram do tumulo, e andaram uma boa distancia em silêncio, até que Okita finalmente resolveu se pronunciar.
“Ei china.”
“O que idiota?”
“Obrigado.”
“Por que exatamente?”
“Por me fazer ficar menos triste. Sabe, minha irmã teria amado te conhecer.”
“Eu sou a única mulher com o juízo no lugar que teria coragem de ter um relacionamento com você, então isso é meio obvio. Além do mais, quem conseguiria odiar a fofa e adorável heroína?”
“Eu.”
“Me poupe, você sempre foi gamado em mim, antes mesmo de eu te dar bola. Agora vamos, eu e a Emi-chan estamos com fome e eu ainda tenho de passar no Yorozuya.” E o casal continuou brigando, enquanto em algum lugar bem longe uma moça de cabelos castanhos cor de areia observava sorridente o quanto seu irmãozinho tinha crescido. Se ele já deixava ela orgulhosa antigamente, agora era completamente maravilhoso ver como ele tinha mudado e virado um homem feliz.
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