Formando Uma Família
8 Tédio atrai pesadelos
Notas iniciais
“Tsc, maldito despertador que não me deixa continuar dormindo. Ele vai me pagar.” Okita Sougo pensou enquanto levantava da cama. Só que essas frases não estavam exatamente no contexto certo. Primeiro que quem havia o acordado não tinha sido um relógio ou um toque no celular, e sim Hijikata, mandando ele tirar a bunda preguiçosa da cama e ir trabalhar. E segundo que ele já estava praticamente no chão, junto de seu travesseiro, enquanto uma certa ruiva dormia confortavelmente.
“Se ela já era espaçosa antes, imagina agora que sabe que eu não posso empurrar de volta por causa da barriga. Tsc, pirralha trapaceira.” O sádico pensou se referindo a sua noiva, que todas as noites que os dois não passavam “em claro”, dava um jeito de tomar a cama inteira.
Sougo levantou preguiçosamente, tomando uma chuveirada rápida, vestindo seu uniforme e seguindo para a cozinha e preparando o café da manhã, que não seria pra ele (que normalmente não comia muito de manhã, só um dango eventualmente) e sim para a garota ruiva que ainda estava dormindo. Em cinco minutos ele já estava indo para o Shinsengumi, com um único pensamento na cabeça. “Quem diria que eu cederia minha boa noite de sono pra alguém e ainda faria comida pra essa pessoa depois. Será que devia me internar num hospício?”
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Kagura acordou só porque o barulho nos andares de baixo do prédio começou a ficar mais intenso, sinalizando que já era bem tarde. O quarto estava meio bagunçado e com alguns cobertores no chão, mas ela ia deixar aquilo pra depois. Agora o cheiro meio fraco, mas delicioso que vinha da cozinha parecia muito mais interessante. Em cima da mesa havia uma gigantesca tigela de arroz com ovo por cima, dez onigiris, um pequeno prato com algumas frutas cortadas e uma caixa do seu petisco favorito, sukonbu.
“Aquele idiota às vezes m faz esquecer que é um bastardo sádico.” Ela falou pra si mesma. Por outro lado, se a comida estava lá e o sádico não, queria dizer que ele tinha saído pra trabalhar muito cedo, e provavelmente voltaria tarde. Agora a ruiva tinha de arrumar companhia para aquele dia. Tomou seu café enquanto discava um dos poucos números que sabia de cabeça, o do Yorozuya.
“Yorozuya, em que posso ajudar?”
“Sou eu Patsuan, só estou comendo e já vou para ai.”
“Ah Kagura-chan, você pode ficar em casa hoje. Temos um serviço.”
“E daí? Eu também faço parte dessa empresa idiota.”
“Não é isso que eu quis dizer, você já está com quatro meses de gravidez e é melhor não fazer serviços pesados. Porque não descansa um pouco ou dá uma volta? Ops, o cliente chegou, até depois.” Shinpachi desligou do outro lado da linha e Kagura começou a digitar outros números em seguida...
“Desculpe Kagura-chan, nós vamos ajudar a arrumar o clube hoje.” Otae respondeu.
“Sinto muito Kagura, eu estou treinando hoje.” Kyubei falou enquanto esmurrava Toujou.
“Kagura-chan eu adoraria ficar com você, mas temos uma reunião diplomática hoje.” Soyo Hime respondeu.
“Kagura-chan? Nós queremos muito te fazer companhia vamos fazer uma farra nesse apartamento!” A Yato se animou por um momento, até alguém tomar o telefone de Tsukuyo. “Desculpe Kagura-chan, a Tsukky está bêbada, vou levar ela de volta pra Yoshiwara e depois comprar um bolo pro Gin-san.”
“Líder, eu e a Elizabeth estamos organizando o restaurante da Ikumatsu-dono, espero que me perdoe.”
“Oy china, porque diabos está me ligando a essa hora?” Uma voz entediada atendeu o celular.
“PORQUE MINHA LISTA DE IDEIAS ACABOU SEU IDIOTA! Ah, eu estou muito entediada, sádico. você não tem ninguém preso em algum porão secreto de tortura para eu me divertir um pouco?”
“Eu já tenho minha linda escrava ruiva, pra que precisaria de outra? E se está entediada, porque não sai pra passear com seu cachorro monstro?”
“Deixamos o Sadaharu no pet shop ontem esqueceu? Ele precisava tomar um banho decente.”
“Ah é mesmo... Então porque.... Foi mal china, eu sei que você ama ouvir minha voz mas vamos invadir um ponto de venda de drogas agora. Vou tentar chegar cedo em casa par satisfazer sua carência querida. Até depois.”
“Tsc, que saco.” A garota falou furiosa, enquanto ligava a televisão, que era a única coisa que dava para fazer enquanto estava sozinha. Quem sabe não fosse por muito tempo, talvez o cliente demitisse Shinpachi e Gintoki, ou Sa-chan só jogasse Tsukuyo por ai e a doceria estivesse fechada, ou o sádico acabasse sendo espancado por terroristas e voltasse mais cedo. Esses pensamento faziam Kagura ficar mais calma.
Algumas horas de programas nada interessantes fizeram com que a Yato acabasse cochilando, e parando num pesadelo.
Tudo estava coberto de sangue. Todas as pessoas que ela conhecia e amava estavam caídas, provavelmente já mortas há algum tempo. Seu próprio corpo já estava vacilando e completamente quebrado, se não fosse por aquela coisinha em seus braços enrolada em lençóis rosas e que chorava desesperada ela com certeza já teria se juntado aos outros na pilha de cadáveres. Mas ainda havia algo a proteger antes de deixar essa vida, isso só seria possível quando tivesse certeza de que aquela anjinha estava em segurança e bem longe... dele. Mas “ele” estava se aproximando e ela já não tinha mais força para se mexer.
“Está na hora de entregar essa princesinha para alguém que pode criá-la adequadamente... Irmãzinha.”
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Sougo entrou no prédio completamente exausto, aquele era um dos raros dias em que ele realmente tinha se esforçado no trabalho, mas as coisas iriam melhorar, isso porque tinha quase certeza de que sua querida china girl estava completamente sozinha em casa, e isso queria dizer que ele não precisaria esperar o Yorozuya ou uma das amigas da garota irem embora antes de poder ficar sozinho com ela. Mas alguma coisa estranha estava acontecendo, e ele percebeu isso logo quando colocou a chave na porta e ouviu algum barulho estranho dentro do apartamento.
“Estou de volta china.” Okita falou num tom entediado, mas percebeu que Kagura estava deitada no sofá, se contorcendo e murmurando coisas sem sentido. “Oy, o que aconteceu?” Ela estava passando mal? Na verdade tenso um pesadelo, ele pode confirmar quando se aproximou mais, ficando de joelhos na frente da ruiva. “China...” Sougo a chamou pelo apelido cautelosamente, fazendo com que a garota acordasse totalmente desesperada, tendo uma crise de choro e abraçasse o rapaz na sua frente.
“NÃO NÃO NÃO! EU NÃO QUERO QUE AS COISAS SEJAM ASSIM, NÃO PODE SER!” Ela gritou em meio a lagrimas.
“Calma meu amor. Foi só um pesadelo, está tudo bem.” O capitão do Shinsengumi falou com uma voz tranquilizante.
“Sádico... Mas ele vai... Vai...” E lá estava ela mais uma vez nos braços daquela pessoa depois de um pesadelo, igual quando eles descobriram seu amor. “Obrigada, eu estou bem agora. Bem vindo seu idiota.”
“Você é tão irritante pirralha, eu até...” Antes que Sougo terminasse, Kagura colocou a mão na boca dele.
“Shhh. Chutou.”
“Eu não te chutei sua lesada, está tendo alucinações?”
“Não você retardado. Nossa filha, eu tenho certeza que ela chutou.”
“O que?” Okita fez uma cara surpreendentemente abobada e colocou a mão na barriga da Yato, sentindo a leve “batida”. A própria ruiva ficou surpresa quando viu uma única lagrima caindo do olho direito de seu noivo.
“Está chorando sádico?”
“Está ouvindo filha, sua mãe é uma total idiota como eu já havia dito antes. Homens não choram china.”
“E o que é isso nos seus olhos?”
“Sangue, eu levei um golpe no olho no trabalho.”
“Mas é transparente.”
“Sério? Então eu acho que devia ir ver um medico...” Sougo falou com uma cara sínica.
“Se você diz então.... Ah, ela chutou de novo! O que foi filha, você quer nos dizer alguma coisa? Sua mami e seu papi estão aqui.”
“China, nossa filha esta na sua barriga, então que você está aqui é meio obvio.”
“Silencio idiota, eu não quero brigar agora, estou muito feliz pra isso.”
“Eu também não, podemos fazer isso daqui a pouco quando eu descobrir o que está causando esse cheiro de queimado. Mas por hora, eu amo você Kagura.”
“Eu também amo você Okita Sougo. E apesar de querermos nos matar algumas vezes, temos uma coisa em comum. E você sabe o que é filha? Nós dois amamos você.” Kagura falou numa voz calma e encostou a cabeça no ombro de Okita, indo dormir de novo. Agora ela não temia mais os pesadelos.
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