Forlorn
1 Prólogo
Vou te contar uma história. E como em algumas histórias, nela havia um reino. Talvez você já esteja vendo o castelo, com um telhado avermelhado com as telhas visíveis a longas distancias. Hasteada no centro do castelo está uma bandeira. Nenhum reinado existiu, é claro, sem uma família. Um rei que acabava de ser morto numa das batalhas mais importantes dessa história. A rainha chora. Seus filhos? Uma pequena princesa e um jovem príncipe com ela em seus braços. Todos em um doloroso luto, afinal, esse foi o melhor rei que existiu até então nessa história. Você consegue lembrar da cor dos cabelos da princesa? Talvez era um lindo dourado? Ou talvez você se lembre do vestido que a rainha estava usando?
E ao redor desse castelo, havia o resto do reino. Um centro cheio de mercadores. Algumas crianças chamavam os seus pais para que pudessem andar mais rápido, pois o Grande Circo acabara de chegar nos portões do reino. Algumas crianças que não tiveram a sorte de terem pai ou mãe tentam pegar uma maçã por de trás de uma banca, sem que o dono veja mas, os cães ali por perto tiveram a mesma ideia e começaram a latir, assim alertando o dono que começou a correr atrás de todas elas. Uma pena, pois um senhor que já viveu mais de 50 primaveras jamais iria alcança-las. Mas você consegue lembrar a cor da maçã? Se não me engano, eram tão vermelhas que parecia que haviam sidas pintadas com sangue.
Pois elas foram, afinal, o tempo nunca parou nessa história.
Enquanto você lia, a princesa de cabelos dourados cresceu e teve uma linda filha cujo cabelo castanho mais se assemelhava ao pai do que qualquer outro no castelo. A rainha estava em seus últimos dias e como presente de partida, seu pequeno príncipe que agora seria coroado rei com sua eventual morte, iria trazer pra ela as melhores flores do reino vizinho, para que mesmo em morte, todos conseguissem lembrar da beleza da rainha. Infelizmente, o reino mais próximo a eles não era tão amigável assim e invadiram o reinado assim que souberam da notícia. As ruas lotaram-se com batalhas, corpos e o podre cheiro de sangue era o perfume característico daquele lugar.
O que? Quem ganhou? Não importa, pois isso já foi a tantos anos que não faz diferença quem ganhou ou perdeu. No final, essa é a verdade da vida. Não importa o bem ou mal que façamos em vida, tudo será apagado com o tempo. Menos você. Quer dizer, você irá ver mais do que eu, que estou para morrer em poucas linhas. Quem sabe depois você poderá contar essa história e adicionar mais um conto? Afinal, já não sei dizer mais se eu estou falando com a mesma pessoa que começou lendo isso, pois o tempo também não parou pra você.
Mas antes de partir, me lembrei que preciso te contar: a maçã na verdade era verde.
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