Notas iniciais
Olá à todos! Vamos aos recadinhos: _ Primeiramente gostaríamos de nos desculpar quanto ao atraso na postagem do capítulo. Costumamos postar quinzenalmente toda sexta, mas aconteceram alguns problemas que acabaram atrasando a gente; _ Obrigada por todos os comentários, vocês são lindos! _ Não se esqueçam de entrar no grupo da história ou curtir a página para mais informações extras; _ Capítulo dedicado ao Eduardo Ariedo (a.k.a. Mozão da Amélia) e a North West por terem recomendado a história! Nós estamos encantadas até agora! Boa leitura!

A vampira se encolheu sob os lençóis, abrindo os olhos de súbito, enquanto os raios de sol começavam a se esgueirar pelas frestas. A luz tomava o chão como uma erva daninha, lentamente se espalhando pelo quarto. Resmungou algum impropério, num murmúrio perdido e ininteligível.

— Parece que abrir as cortinas é o único modo de fazê-la acordar — ouviu uma voz grave dizer e sua cabeça girou em direção a ela.

— Francis, querido, feche essas cortinas, por favor — falou de uma velha maneira cantarolada.

— Hoje, Bridgit, é "majestade" — ele devolveu divertido, porém fez o que ela pediu. Quando estavam imersos em uma penumbra, a mulher se ergueu da cama, os cabelos negros caindo como ondas por seu colo, cobrindo os seios firmes. Emoldurando um rosto de lábios fartos, olhos escuros e cílios longos, repletos de veneno e mistério.

Ela tinha o corpo completamente nu naquela hora, a pele exibindo um bronze centenário, um tom azeitonado na cútis, visível até na noite mais densa. Passou as mãos pelas costas largas dele, da cintura aos ombros, arranhando-o com unhas suavemente, pôs-se na ponta dos pés, beijando seu pescoço, e sussurrou em seu ouvido:

— Como queira, majestade.

O homem se virou para ela, o torso despido, braços grossos, tórax largo, um rosto severo e anguloso, seus olhos emoldurados pelas primeiras rugas da meia-idade. Ele a levantou com um braço, fazendo-a envolver sua cintura com as pernas bem torneadas e a estava levando de volta a imensa cama de dossel quando ouviu batidas na porta. Ela passou as mãos pelo dorso dele, murmurando ao morder o próprio lábio:

— Deixe que batam.

— Pode ser minha mulher.

— Então peça a ela para se juntar a nós, quem sabe assim não ensino alguma coisa à rainha...

A risada dele se fez ouvir como um trovão dentro do aposento. Ainda assim, ele a depositou no chão e a vampira caminhou lentamente para longe, resmungando em um tom manhoso:

— Odeio ter que me esconder.

Francis não respondeu, apenas abriu a porta, devagar, certificando-se que a morena estaria longe do campo de vista.

— Majestade — falou o homem de costas curvadas, com uma vestimenta grossa de linho marrom e um rosto castigado pela idade avançada — há notícias alarmantes espalhando-se por todo o reino.

— Entre, lorde Mauris — proferiu, abrindo completamente a porta. Assim que Bridgit viu quem era, aproximou-se — O que houve?

Os olhos cansados do velho foram parar na vampira, arregalando-se.

— Senhora, deveria vestir-se.

— Milorde, nunca viu uma mulher nua? — retrucou ela, rindo. Ele forçou-se a olhar para Francis, enquanto ela se aproximava do rei com um sorriso arteiro.

O velho deu um suspiro, então sua voz rouca retratou com firmeza:

— Há rumores que o rei Sandor Hemlock está desaparecido.

— Rumores? Vens me interromper por ínfimos rumores?! Pelos deuses, achei que fosse algum assunto relevante!

— Meu rei, é uma situação delicada. Isto pede que apressemos o casamento da princesa Ravel com o príncipe Sebastian. A cerimônia deve ser realizada o quanto antes.

— Se isto for verdade, lorde Mauris, apressaremos. E no caso de ainda haver algum juízo em Hemlock, um corvo chegará ao senhor em breve... Agora, fora!

— Majestade... — lorde Mauris tentou protestar, enquanto o rei envolvia a vampira com o braço, puxando-a novamente para si.

— Fora! — sibilou Francis, completando depois — E faça o favor de fechar a porta.

Bridgit riu, lançando a cabeça para trás, fazendo seus cabelos irem para as costas. Ela mordeu o próprio lábio, falando divertida:

— Onde estávamos?

— Não sei, mas agora vou lhe ensinar como não se exibir tanto para os outros — ele respondeu, rouco, mordendo o pescoço dela levemente.

Novamente, a risada dela foi como música, entoada com leveza.

— Não me pagas pela exclusividade, meu rei.

Ele rosnou em resposta, jogando-a com força na cama, subindo como um predador sobre seu corpo.

— Então talvez tenha que lhe pagar mais.

* * *

Ethan já deveria ter se acostumado ao inferno que era a manhã após a primeira noite de lua cheia. Sua cabeça doía quase como se tivesse ido ao Pérola, tão e somente para encher a cara de vinho barato, seus ossos latejavam, seu humor — normalmente repleto de tiradas mordazes — estava, quase que literalmente, de cão. O que era ainda mais acentuado pela voz de sua mãe, a murmurar no salão do trono, enquanto tecia uma caminhada inquietante de um lado a outro. Os passos ecoando incessantemente pelo chão de pedra.

— Onde está seu pai? O sol já está se pondo e ainda não o vi hoje.

Ele amaldiçoaria o rei silenciosamente, em pensamento. De todos os dias que Francis poderia escolher para se relacionar com alguma de suas amantes, o dia após a lua cheia parecia uma afronta, principalmente tendo em vista o corvo que chegara minutos antes.

— Não sei, mamãe. Ele já deve chegar.

— E sua irmã? Ela, acima de todos, deveria estar aqui.

"Decerto elabora algum plano de fuga. Eu faria o mesmo" pensou com acidez, porém sua única resposta foi um bufo cansado.

Asher resmungou alguma praga, repreendendo-se depois por aquilo não ser postura de uma rainha, largando-se em sua poltrona. Sabia que Francis a traía, seria uma tola se não o fizesse, porém era uma afronta que decidisse ter uma de suas escapadas quando todos os olhos estavam sob a família real. Ele deveria saber que tudo sobre a realeza são as aparências e agora, perto de um iminente colapso, deveriam ainda mais ser um exemplo, um retrato da mais perfeita organização.

A porta se abriu, alta, de ferro escuro, rangendo do assoalho ao teto anguloso. O reflexo da estrutura de uma fortaleza exibiu uma garota de dezessete anos, cabelos negros e pele pálida a semelhança da mãe. Ela trajava um vestido de cor azul clara, com o cabelo preto solto emoldurado apenas por uma fina faixa de cetim também azul incrustado de pedras. Seus olhos castanhos mostravam aflição e, ao encará-la, Ethan não a condenou — ele também estaria aflito em seu lugar.

— Mãe. Irmão. O pai já chegou?

— Ainda não — respondeu ele, podendo jurar que ouvia um suspiro aliviado da boca dela.

— Por que o atraso? Mandei chamar-lhe há uns bons minutos.

— Demorei a me arrumar — retrucou a princesa simplesmente e todos souberam que não era verdade.

Antes, contudo, que Asher reclamasse as portas foram abertas e todos os presentes fixaram os olhos no homem que entrava. De vestes simples, uma camisa branca, uma calça de linho escuro — o próprio príncipe usava roupas semelhantes. Francis se aproximou com um sorriso no rosto, o que em parte enfurecia a rainha, e sentou-se no trono de pedra, parecendo perfeitamente relaxado.

— Onde esteve? — Asher disparou, caminhando para a outra poltrona, esquecendo-se por completo do atraso de sua filha.

— Neste castelo, querida. Não saí daqui durante toda a noite.

— Decerto que não em nossos aposentos, como deveria ser.

— Minha Asher, era noite de lua — respondeu, dando um sorriso arteiro e falando baixo em seguida — mas se queres tanto me ter na forma mais animalesca... posso conceder teu desejo na primeira noite do próximo ciclo.

A rainha enrubesceu, fazendo com que ele gargalhasse no mesmo instante. Ethan olhou para os pais, determinado a nem sequer supor o que tinha ocorrido. Talvez tivesse simplesmente saído daquela estranha reunião familiar, não fosse o tom grave do rei se fazer presente:

— Então, o que houve para estarmos todos juntos?

O príncipe o fitou incrédulo, Ravel pareceu um tanto desconfortável, e não havia palavras para descrever a raiva que passava pela rainha quando esta se pronunciou:

— Você não soube?!

— O rei Sandor sumiu — Ravel falou, pausadamente, com uma calma invejável. A menina encontrava-se recostada na parede, a cabeça baixa e as mãos juntas à frente do corpo. Ethan conhecia aquele comportamento, a irmã sentia-se acuada, a tensão e a carga emocional que pairava na sala era demais para ela suportar.

— Ah, isto. Soube mais cedo, porém eram somente rumores — retratou-se, indiferente.

— Os quais claramente, o senhor não deu ouvidos — Ethan retrucou, baixo, porém todos ouviram.

— Ethan, não fale assim com seu pai! — repreendeu Asher. Ethan revirou os olhos, descrente. Irritava-lhe profundamente o fato de que, mesmo distantes e sempre em conflito, a mãe partisse em defesa do marido, mesmo que este não lhe dirigisse um pingo de consideração. Doía admitir o fato, mas sentia dó pela Rainha, sempre em uma tentativa desesperada e frustrada de salvar o casamento.

Francis apenas olhou para o filho, os dois fitavam-se em silêncio, o rei com o cenho franzido, o príncipe com suave indiferença e desafio. Foi então que o pai riu.

— Deixe-o. Eu costumava ser assim em sua idade.

Bastaram aquelas palavras para irritá-lo profundamente. Afinal, era verdade que Ethan era o perfeito reflexo do rei, com braços largos e os mesmos traços firmes. Tinham até a mesma altura, ainda que o príncipe fosse visivelmente mais magro e, obviamente, não tivesse as marcas da idade e as cicatrizes de batalhas. A diferença, talvez, fosse a barba mal feita que Ethan carregava e os olhos uns tantos tons mais claros e a pele alguns tons mais escuros pela exposição ao sol. Ainda assim, era inegável seu parentesco com o homem sentado do trono.

E era claro que o jovem príncipe odiava aquela comparação. Mesmo os laços de sangue sendo irremediáveis, queria se livrar de qualquer amarra que tivesse junto a figura de seu pai. Almejava tornar-se um homem admirado por seus próprios feitos e não como um mero herdeiro de um grande monarca.

— Então... O corvo de Hemlock chegou ou se baseiam apenas nas fofocas do reino? — Francis perguntou, ignorando completamente a irritação de seu filho e esposa.

— Chegou há pouco, papai. — respondeu educada, Ravel.

— Estão requisitando a presença do representante de Rumancek no Grande Conselho daqui a três noites, e também pretendem entrar na Floresta Negra — Asher comentou, massageando as têmporas. Agora a mulher encontrava-se visivelmente mais calma, visto que a atenção de todos estava focada onde deveria.

— Isto é novidade. Não acha que é demais solicitar uma reunião pelo desaparecimento do Sandor? Afinal, se ele regressa, ficaremos feito tontos.

— Se não formos, damos um motivo à rainha Hemlock para cancelar o casamento — Asher pontuou — É o que nos manda os acordos, Francis, goste deles ou não.

O rei teve vontade de dizer que pouco ligava para aqueles acordos, bem como não dava a mínima para o que a Rainha Velha ou sua sobrinha pensavam. Porém apenas bufou irritado, querendo pôr logo um fim naquilo tudo. Fez sinal para que um dos guardas se aproximasse e então falou:

— Vá até Lorde Mauris e peça para que envie um corvo a Hemlock prestando todo apoio que o decoro exige. — então virou-se para família e completou: — os três irão para Hemlock. Ethan partirá para a Floresta junto com o representante que o reino escolher e Ravel ficará no castelo se aproximando mais do noivo e de sua família.

— Não vejo necessidade para que eu os acompanhe. — rebateu Asher imediatamente, ela tinha entendido que Francis queria se livrar de todos eles.

— Ah, mas há toda necessidade! Não seria de bom tom deixar nossa filha livre perto do noivo sem supervisão. Imagine os boatos que poderão surgir por conta disto?! Você irá, não há discussão.

O clima de tensão instaurou-se permanentemente, pesado e incômodo a todos os presentes no salão. Francis e Asher encaravam um ao outro em silêncio, os olhos cerrados e o semblante raivoso. Ravel encolheu-se e abaixou ainda mais a cabeça, estava à beira das lágrimas. Já Ethan não conseguia mais suportar aquilo, mesmo que sua vontade fosse aparar a irmã, sabia que acabaria perdendo a calma a qualquer instante.

Deu meia volta e andou a passos pesados rumo à porta de saída daquele inferno. Asher assim que reparou o que o filho fazia interviu.

— Ethan, esta reunião ainda não terminou! Você...

— Eu já fui incumbido de uma missão. — ele interrompeu bruscamente, acelerando o passo. — Não vejo porque permanecer aqui. Vou tomar as devidas providências para partir o mais breve possível. Com sua licença.

A rainha abriu a boca para protestar, mas apenas sacudiu lentamente a cabeça, desistindo da ideia.

— Ravel, minha querida. — disse se aproximando da filha. Deslizou seus dedos delicadamente entre os longos cabelos negros da menina, antes de beijar a testa alva. — Por favor, vá para seus aposentos ou o que achar melhor. Conversamos depois, está bem?

— Sim, mamãe. — ela fez um aceno com a cabeça e se retirou em silêncio.

Francis acenou com a mão. Imediatamente todos os guardas se retiraram do salão, restando apenas o Rei e a Rainha no mais completo silêncio. Ele encarava Asher que tinha o olhar direcionado para a paisagem além dos vidros de uma das altas janelas do salão.

— Não precisava ser deste modo. — disse de maneira seca, suspirando logo em seguida.

— Asher... Ambos sabemos que não há mais volta. Não há porque insistir nisso. — ele pronunciou com a voz cansada, como quem já estava farto de repetir sempre a mesma coisa.

— Podia ao menos ser mais brando. Acha que é fácil para mim vê-lo escapar entre meus dedos, sem que ao menos possa fazer algo quanto a isso? — ela virou-se para ele, o rosto parecia feito de pedra, não carregava expressão alguma.

— Não há nada mais que possa ser feito, a não ser continuar em nossos papéis. Você não espera isso de todos nós? Postura? Pois então, eu continuo a interpretar meu papel, não há nada mais que possas exigir de mim.

— Eu executo o meu com maestria. Mas e você Francis? Creio que se esforçar um pouco mais não tomaria tanto assim do seu precioso tempo. — a voz da rainha já estava falha, suas emoções aflorando. — Não estou lhe pedindo para ser o marido perfeito, mas que pelo menos possamos aparentar, inclusive aos nossos filhos, o mínimo de união.

Ela cruzou os braços, andando a passos lentos para onde ele se encontrava. O olhar estreitou-se, formando uma pequena ruga entre as sobrancelhas. A indiferença dele a destroçava. Perguntava a si mesma quando que seu casamento havia desmoronado, despencado tão fundo em um abismo que não era possível escalar de volta.

Assim que ela parou à sua frente, Francis desfez o semblante fechado e nada convidativo. A expressão fora substituída por um sorriso sincero e um brilho no olhar que há muito Asher não via ser dirigido a ela.

— Admito minhas falhas, Asher. Sei que não sou o pai perfeito, ou o marido perfeito. Mas o que esperava de mim? Não esperava ser rei, nunca desejei tal posto para mim! — ele jogava a as palavras contra Asher, apesar de ditas de modo delicado, elas a machucavam tanto quanto se estivessem sendo gritadas em meio a impropérios.

— Podia simplesmente tê-lo recusado. Pouparia a todos nós... — ela respondeu, a cabeça baixa e a voz um sussurro.

— E não acha que tentei? Não se lembra mais o quanto resistimos a esse casamento? Por nós teríamos criado Ethan cada um a sua maneira, trilhando seu próprio caminho. Nunca fomos unidos por afeto Asher, nossos lados foram criados apenas para não manchar a imagem da sua família. Realmente acredita que deixariam a princesa de Rumancek gerar um filho sem marido? Ser taxada de desfrutável? Nós vivemos uma aventura de uma noite, somente isso. E vivemos uma mentira.

— Ora, então agora a culpa é minha? Acha que eu não me senti amarrada, que abri mão de muitas coisas em nome da obrigação? — uma lágrima rolou pela face da mulher, os ombros curvados entregavam o quanto ela estava farta de tudo aquilo. O quanto a situação lhe era desgastante — Pelo menos eu tentei, eu lutei para construir uma base, tentei cultivar um sentimento para que isso desse certo. Mas você durante todos esses anos somente fingiu, esnobava tudo e todos, só enxergou a si próprio. Se estamos ruindo a culpa é inteiramente sua!

Ela gritou as ultimas palavras, apontando o indicador acusadoramente contra Francis, o rosto vermelho de raiva. Tinha perdido toda calma e compostura a qual sempre presou.

Francis levantou-se calmamente, sem demonstrar emoção alguma, e desceu os poucos degraus do patamar onde se encontrava seu trono. Parou a poucos centímetros de Asher, a fitando no fundo dos olhos. Aos poucos viu toda a tempestade dentro dela esmaecer, até sobrar somente um reflexo embaçado e distante daquela menina de anos atrás que prendera sua atenção o suficiente para arriscar uma aventura.

Levou uma das mãos ao rosto da esposa, afagando lenta e carinhosamente a pele macia. A rainha fechou os olhos apreciando a sensação, sentindo o corpo arrepiar-se por inteiro. Havia muito Francis não a tocava, a não ser em meio às suas recorrentes discussões quando segurava bruscamente seu braço. Receber aquele carinho inesperado a desarmou por completo, a fez sentir como naquela primeira noite, como se tivesse voltado a ser apenas uma adolescente.

O esboço bem fraco de um sorriso despontou em Asher. O polegar de Francis deslizou por sobre os lábios da esposa, delineando-os. Quando abriu os olhos, se deparou com um homem sorridente, de olhos azuis brilhantes a admirá-la.

— Não iremos ruir. Somos fortes, conseguiremos passar por tudo... Juntos. — disse afagando suavemente o longo cabelo castanho dela.

— Sim, juntos...

Ele colou os seus lábios nos dela, dando inicio a um beijo lento e delicado. O corpo da Rumancek estremeceu com a ação inesperada. Havia tanto tempo que ele não a beijava, podiam ter se passado anos, não conseguia recordar-se propriamente. Senti-lo próximo daquela maneira a deixava em êxtase. Sabia que era errado e ilusório pensar daquela maneira, porém parte dela não podia deixar de acreditar que a conversa franca deles possa ter surtido algum efeito nele.

Ele a envolveu em seus braços, puxando-a junto ao seu corpo em um abraço acolhedor. Asher recostou a cabeça contra o peitoral de Francis, um sorriso largo estampado em seu rosto. Ficaram desta maneira por um longo tempo até que ele depositou um beijo no topo da cabeça da rainha e a soltou.

— Preciso resolver alguns assuntos, nos vemos a noite? Prometo que a passaremos juntos. — perguntou a olhando nos olhos, ostentando um sorriso torto.

— Estarei a sua espera, meu rei.

— Ótimo. — ele segurou a mão da esposa, levando-a aos lábios e a beijando rapidamente. — Minha rainha. — ele acenou levemente com a cabeça antes de começar a andar, deixando para trás uma Asher sorridente.

Diferentemente da rainha, o semblante de Francis fechou-se imediatamente em uma carranca. Assim que estava quase alcançando as portas duplas que anunciariam por fim sua liberdade, pôde escutar uma risadinha e o som dos sapatos da mulher contra o chão, que estava dando pulos feito uma criança.

O rei inspirou profundamente e revirou os olhos, apertando o passo na intenção de deixar aquele castelo o mais rápido que fosse possível.

Notas finais
Esperamos que tenham gostado! Nos vemos nos comentários e até o próximo capítulo! Beijos Amélia & Layla