Forgotten Love
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Após uma longa viagem preenchida com um silêncio inconfortável, chegaram ao hospital. Alex guiou Meredith para dentro pelo fundo, já que a mesma insistia em não ser vista por ninguém.
Seguiram até uma sala de exames onde ele lhe entregou um daqueles aventais de paciente. “Ponha isso. Eu arranjarei alguém para fazer o kit de estupro e voltarei para cuidar de seus ferimentos”
Mas sua mente se prendeu a apenas um termo. “K-kit de estupro?”
Alex sorriu condescendentemente. “Olha, eu sei que você não quer nada além de esquecer o que aconteceu, mas precisa coletar evidências. Não pode deixar esse bastardo sair imune”
Meredith suspirou. Quando foi estuprada, pensou que foi o momento mais difícil e doloroso de sua vida, mal ela sabia que sua jornada nem começara direito. Tinha que passar pelo kit de estupro, o depoimento da polícia, caso decidisse denunciar, o tribunal, se seu estuprador jamais fosse preso. E mesmo se não denunciasse, ainda tinha tanto pela frente. Uma ferida emocional não curava tão rápido quanto uma ferida física.
“Eu vou arranjar uma enfermeira” disse, mas ela o impediu.
“Não uma enfermeira” protestou. “Enfermeiras são fofoqueiras e hospital todo acabaria sabendo do que aconteceu”
“Você quer que eu faça o kit, então?”
Ela estremeceu. Alex era uma das poucas pessoas que confiava naquele momento, mas não conseguiria tê-lo fazendo tal exame. De fato, o mero pensamento de um homem a vendo ou tocando-a naquela área fazia-a estremecer.
“Mer, eu quero te ajudar, mas não há problema se não quiser que eu faça o exame. Apenas me diga um nome que eu o/a trarei aqui”
“Kepner” disse após pensar um pouco. Alex fez uma cara. “Eu confio nela para não espalhar isso para o resto do hospital. Além do mais, é uma traumatologista, provavelmente sabe como fazer um kit de estupro”
“Se você realmente quer...” deu de ombros. “Eu já volto”
Meredith então ficou sozinha. De fato, era a primeira vez que sozinha ficava em horas. Não podia negar que estava com medo, medo de si mesma. Quando sozinha, sua mente voltaria para os acontecimentos que ela tanto evitava pensar.
Quando Meredith voltou a consciência, o homem a estava arrastando para o beco de onde tinha surgido. Arrastou-a e simplesmente a jogou no chão sujo, Meredith cairia com o rosto no chão, mas usou suas mãos para impedir que sua cabeça batesse durante a queda. Ela pôde sentir o concreto do qual o chão era feito rasgar a carne de suas mãos. Não demorou muito para ela se situar quanto ao que estava acontecendo.
E sua respiração tornou-se mais rápida e irregular ainda quando virou-se para cima e viu o que ele fazia: o homem desabotoava suas calças.
E então ela soube exatamente o que o destino estava prestes a jogar sobre ela...
“Meredith, Meredith” Alex chamava seu nome incessantemente, embora não conseguia nenhuma resposta. Tudo que ela fazia era deixar lágrimas silenciosas deslizarem por suas bochechas.
“Meredith!” gritou mais uma vez, desta vez, colocando seus braços em seus ombros. O coração dela batia fortemente em seu peito e apesar de sua mente ter se distanciado de tais pensamentos, o pavor estava literalmente escrito em seu rosto. O flashback era tão real que ela realmente pensou que Alex era o homem que a estuprou.
“Eu-eu si-nto muito” gaguejou, nem se importando mais para com as lágrimas que caíam livremente por seu rosto.
April Kepner estava boquiaberta em um canto do cômodo. Tinha tanto terror como choque estampado em sua face. “Oh meu Deus, Mer” tinha lágrimas em seus próprios olhos. “Quando Alex disse que havia um paciente vítima de estupro que precisava de cuidados, eu nunca que imaginei que seria um de nós, especialmente você...”
Meredith continuou em silêncio, apenas esperando a outra acabar com seu choque. Queria acabar com tudo logo, queria tomar um banho para se sentir menos sujas, e ainda por cima, queria dormir. Dormir para que pudesse esquecer tudo que acontecera naquele dia.
“Onde está Derek?” continuou com sua indignação. Ele deveria estar aqui”
“Ela não quer que ele saiba” Alex respondeu.
“O quê?! Derek precisa saber, Mer, ele é seu marido”
“Isso que eu lhe disse”
“Parem, ambos vocês” Meredith interviu. “Eu contarei a Derek quando eu estiver pronta para lhe contar”
Ambos olharam para baixo.
“April, eu pedi para você vir fazer... para examinar-me pois penso que é a única pessoa que pode fazer tal sem ficar perguntando mil coisas, pois acredite, eu já tenho inúmeras perguntas cujas respostas estão longe de mim. Então, por favor, apenas faça isso para que eu possa ir para casa e tentar esquecer sobre tudo que aconteceu.”
Sem mais nada dizer, Kepner orientou-a a deitar-se na mesa de exame, onde pôs-se a cuidar de suas feridas. Começou por suturar o corte em seu peito.
Com a mesma faca que uma vez esteve em seu pescoço, o homem começou a cortar suas vestimentas. Talvez tenha aplicado pressão demais propositalmente, já que ao passar o objeto cortante por sua blusa, uma linha de sangue surgia logo em seguida. Ela mordeu seu lábio inferior, na tentativa de emitir qualquer choro que ousasse escapar de sua garganta, para não piorar sua situação mais ainda.
Alex enfaixava seu tornozelo, que acabou sendo torcido durante um momento de luta.
O homem subiu em cima dela, seu corpo pesado praticamente a impossibilitando de mexer. Ela já podia sentir seu membro ereto por entre suas roupas. Mas Meredith não poderia deixa-lo ganhar, não podia parar de lutar e submeter-se por um trauma que mudaria sua vida para sempre. Por tanto, levantou seu joelho e nocauteou-o por entre as pernas.
O homem gritou em dor e caiu ao lado, chorando como um bebê em posição fetal. Meredith sabia que esta seria sua única chance de escapar, então levantou-se rapidamente e começou a correr.
E ela estava quase alcançando a rua quando sentiu algo agarrar seu tornozelo, ele agarrou seu tornozelo, fazendo-a cair no chão. Levou-a de volta para o fundo do beco, puxando-a pelo pé, algo que a fez sentir suas costas queimarem ao passar pelo concreto.
“Sua vadia” exclamou, a faca mais uma vez contra sua garganta. “Você tenta qualquer outra gracinha como essa de novo e nós veremos onde essa faca vai parar”
Meredith agora podia sentir toda a dor que seu corpo estava. Por algum motivo, não conseguia senti-la anteriormente. Talvez estivesse em choque, além do mais, era impossível passar por tudo que ela passou e não entrar em choque.
“Sua mandíbula não está quebrada, ao menos” April tentou aliviar a tensão do momento.
O homem simplesmente arrancou sua calcinha, sendo última parte de suas roupas que permanecia intacta. Meredith já estava apavorada apenas com o pensamento do que estava prestes a acontecer, e não podia evitar que seu corpo tremesse todo.
Ele então enfiou sua língua em sua boca, beijando-a ferozmente. Ela se sentia enojada ao senti-lo literalmente saboreá-la com sua língua, então sem pensar duas vezes, mordeu-o fortemente.
O sujeito esquivou-se instantaneamente. Ambos podiam sentir o gosto de sangue em suas bocas. “Você quer jogar difícil? Eu posso jogar difícil”
Após encará-la por diversos momentos, ele deu-lhe um soco forte no rosto. Ela chorou em dor, agora sentindo seu próprio sangue em sua boca. A pancada foi tão forte que ela pensava que seu osso mandibular tinha quebrado, dado também à dor que sentia.
“Mer, um, eu preciso fazer...” April tentou dizer, embora tivesse medo que suas palavras não ditas apenas machucariam sua amiga mais ainda.
“... o kit de estupro” Meredith completou, embora sua voz não passasse de um sussurro. Sua visão se focava a um ponto qualquer no teto, não conseguia fazer contato visual com ninguém.
Alex deu-lhe um breve aperto na mão. “Eu estarei esperando no corredor. Chame-me se precisar de qualquer coisa”
Uma vez que estavam sozinhas, Kepner iniciou o procedimento. Começou por colher amostras orais, cabelos, restos por debaixo de suas unhas, até chegar na pior parte: o exame pélvico.
“Ponha seus joelhos juntos” April a orientava. “Eu vou começar o exame agora, mas qualquer coisa, apenas me diga que eu pararei”
Meredith olhou para o lado. “Apenas... Apenas vamos terminar com isso logo”
Após limpar o sangue ali presente, pôs-se a examina-la internamente. O corpo de Meredith mais uma vez tremia, e ela se esforçava para não deixar novas lágrimas caírem de seus olhos. Pois ela estava em dor, fazer o kit de estupro era como ser estuprada uma segunda vez.
“Você vai precisar de alguns pontos” April disse simplesmente, sem fazer contato visual. Sabia que se olhasse nos olhos da outra e visse sua dor, ela mesma desabaria em lágrimas.
Meredith tentou esconder um soluço que escapou de seus lábios. O bastardo havia a penetrado tão ferozmente que precisaria de pontos. Ela não sabia se jamais conseguiria fazer amor novamente, embora duvidasse que Derek quereria fazer amor com ela tão cedo, dado a sua discussão mais recente.
Ela o sentiu roçar seu pênis contra sua entrada e soube mais que nunca que seu destino era imudável. Não lutava mais, precisava guardar o que restava de suas forças para sobreviver a tragédia que estava prestes a cair sobre ela.
E então ele a penetrou pela primeira vez. Meredith deixou diversos soluços escaparem de sua garganta. E chorava cada vez mais quanto mais rápido ele a estuprava.
Ela não sabia que uma dor como essa existia e ela conhecia dor. Meredith Grey conhecia dor como mais ninguém. Conhecia a dor de um coração partido, a dor de morrer e ver pessoas queridas morrerem, a dor de perder um filho, a dor de ver as coisas simplesmente desaparecerem perante seus olhos. Ela conhecia dor, mas não conhecia a dor de seu abusada sexualmente... até agora.
April Kepner pegou sua mão. “Está tudo bem, Mer. Acabou agora.”
Meredith não disse nada quanto isso. Nada tinha acabado, seu sofrimento mal havia começado. "Eu preciso que você não conte a ninguém sobre isso, nem a Jackson, nem a Hunt, nem ninguém”
Ela simplesmente assentiu com a cabeça, então a ajudando a colocar uma roupa limpa que Meredith tinha guardada em seu armário, já que agora suas roupas, ou o que sobravam delas, eram evidências, não que ela quisesse qualquer coisa que a fizesse lembrar de tudo que acontecera.
As duas caminharam para fora e Meredith simplesmente quis matar Alex com o que viu. “Você chamou a polícia?” só então percebeu quem mais ali se encontrava. “Owen? Você também disse a Owen? Qual a parte de não conte a ninguém que você não entendeu?”
O chefe de cirurgia caminhou até ela e ela pôde ver o olhar em seu rosto, um olhar cheio de piedade. Meredith não queria que sentissem pena dela, muito menos que a olhassem diferentemente. E Alex e April a olhavam assim também.
“Meredith, eu-eu sinto muito sobre o que aconteceu” ele começou. “Sinta-se livre para tirar quantos dias de folga que precisar para se recuperar”
Ela franziu a testa. “Eu não vou tirar nenhum dia de folga”
Alex revirou os olhos. “Até parece que você está em condições de trabalhar, especialmente com todos seus ferimentos”
Meredith lhe lançou um olhar e foi a vez de Owen argumentar: “Eu sinto muito, mas você não está em nenhuma condição de praticar medicina. Você não fará cirurgia até que fale com um terapeuta e este o libere”
“O que?!” ela praticamente gritou, com raiva. “Não é justo! Eu estou machucada, não incapacitada!”
“Meredith, você acabou de passar por algo extremamente traumático. Ninguém espera que você esteja no topo de seu jogo”
Ela abaixou a cabeça e repetiu: “Não é justo”, embora não estivesse se referindo tanto a sua mais recente proibição quanto ao que passara ainda há algumas horas.
Agora foi uma jovem policial que se aproximou dela. “Senhora, por favor, nos acompanhe para que possa dar seu depoimento”
Mas Meredith não se moveu. “Eu-eu não sei se posso dar o depoimento”
Todos lhe lançaram olhares. “Você não quer que o homem que te machucou pague por isso?”
Ela abaixou a cabeça. “Eu só quero acabar com isso”
“E o melhor jeito para tal é denunciá-lo e vê-lo ir para a cadeia”
Mas ela simplesmente não conseguiria. “Eu sinto muito, eu-eu não posso”
Um dos policiais suspirou e entregou-lhe um cartão. “Aqui está meu número. Se você mudar de ideia, não hesite em me chamar”
Meredith simplesmente assentiu, antes de caminhar para longe. Alex foi rápido em segui-la. “Onde você está indo?”
“Para casa” respondeu simplesmente.
“Como? Seu carro está na minha casa e você não está em condição de dirigir”
“Alex, por favor, apenas me deixe em paz” implorou, sem sequer olhar para trás.
Mas ele a segurou pelo braço. “Mered-“
“Não me toque!” gritou, de repente, lutando para livrar seu braço do aperto de Alex. Só então percebeu o escândalo que tinha feito. “Eu-eu sinto muito”
“Pare de se desculpar. Nada aconteceu é sua culpa, você tem direito de reagir do jeito que reagiu”
“Talvez seja. Eu deveria saber melhor”
“Você não tem ideia do quão ridícula soa” ele respondeu. “Vamos, eu a levarei para casa”
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