Forgotten Love
19 Capítulo 18
Notas iniciais
O momento que Meredith entrou no hospital com as crianças em colo, sentiu-se aliviada, até mesmo mais segura. Lá era como sua casa, e por mais que coisas ruins ali acontecessem, sentia-se mais à salvo do que em sua própria residência.
Amelia tinha ligado para a polícia durante o percurso até o hospital, então os mesmos detetives que supostamente investigavam o caso de Meredith já esperavam ali por eles. Mas honestamente, a segunda não queria falar com eles, portanto, ela simplesmente congelou ao vê-los na entrada do seu local de trabalho.
“Meredith?” a cunhada a chamou pelo nome, olhando para trás uma vez que a outra parou de andar repentinamente.
Por um bom tempo, a loira olhou para nenhum ponto específico, antes de virar sua atenção para a mulher que então retornara para seu lado. “Eu estou cansada de ser a vítima, Amelia”
Amelia sorriu piedosamente. “Eu sei, mas você precisa falar com eles da mesma forma. É o único jeito de manter sua família segura”
“Yeah” respondeu, porém não se moveu.
“Mer, você quer que eu fale com eles?”
“O que? Não, eu não quero envolve-la nessa bagunça”
“Você não viu nada praticamente. Se Zola não tivesse se escondido, nós nem saberíamos que estávamos sendo vigiadas. Então, se você quiser, eu falarei com eles por você”
Meredith apertou a mão de Zola, como se toda sua força estivesse contida naquela ligação com sua filha. “Não... Eu devo ser forte, pelas crianças, certo?”
Amelia sorriu e consentiu. Meredith era forte e não deixaria o homem que a estuprou controlar sua vida, por mais que ele tentasse. Se ela estivesse em seu lugar, provavelmente nem conseguiria sair da cama.
Sem gastarem tempo com conversa fiada, seguiram para a sala de conferência, onde Meredith foi rápida em dizer: “A única coisa que eu vi foi sey carro nos seguindo. De fato, só então eu descobri que ele estava atrás de mim”
“Então como você sabe que era o mesmo homem?” a detetive perguntou.
“Por causa do bilhete que ele deixou”
Amelia entregou-lhes o bilhete e os detetives trocaram algumas palavras, antes de voltarem suas atenções para as médicas. “Para quem ele entregou o bilhete?”
Meredith apertou sua filha em seu colo, sua linguagem corporal respondendo sua pergunta.
Assim, a detetive começou a conversar com a menina. “Qual seu nome, meu amor?”
“Zola” respondeu, simples e timidamente.
“Zola, eu sou Nicole” sorriu. “Você pode me dizer o que viu?”
“Eu não posso falar”
“Por que não?”
“Porque ele disse que machucalia moma se dissesse...!”
“Nós não vamos deixar moma ser machucada” agora o detetive falou. “Moma, seu irmão e você estão todos seguros”
“Promete?” Zola perguntou inocentemente.
“Prometo” Nicole respondeu. “Você pode dizer o que aconteceu , agora?”
“Moma me mandou ir trocar de roupa e eu a obedeci, senão haveria uma punição” começou, usando as palavras que aprendera naquela manhã como se quisesse vangloriar-se. “E de repente, um homem aparece na janela!” a emoção de sua voz variava de acordo com o que contava.
“Você viu seu rosto?”
“Não, ele usava uma máscala. Eu ia glitar, mas ele disse que machucaria moma se eu glitasse” virou para sua mãe. “Isso era uma ameaça, moma?”
“Sim, era” Meredith respondeu simplesmente, um aperto no coração.
Zola voltou sua atenção para os detetives. “O homem me mandou esconder no armálio no final do corredor, e eu me escondi lá até tia Amelia me encontrar”
“E como você soube que ele estava lá?” a detetive perguntou à Amelia.
“Zola me disse o que aconteceu, então era óbvio. E foi confirmado quando o carro começou a nos perseguir”
“Você viu a placa do carro?”
“Não, eu estava preocupada demais em nos manter vivos” Amelia respondeu com um fundo de sarcasmo.
“Ok, isso é tudo que precisamos. Entraremos em contato se descobrirmos algo”
Meredith arregalou os olhos. “Isso é tudo? Minha família foi ameaçada e vocês nada farão?”
“Olhe, o melhor jeito de ajuda-los é voltarmos à delegacia e trabalharmos para encontrarmo-lo”
“Não, o melhor jeito de ajudar-nos é por proteger-nos!”
“Dra. Grey, nós estamos fazendo tudo que podermos para ajuda-los”
Meredith abriu a boca para dizer algo, mas Amelia a impediu. “Mer, vá esfriar a cabeça”
“Eu estou bem” ela respondeu, quase de imediato.
“Não, não está. Vá pegar um pouco de ar fresco, eu cuidarei das crianças”
Sem ter a chance de um argumento, Meredith saiu como uma tempestade para fora da sala de conferências. Estava com raiva, a polícia tinha como dever proteger sua família, mas não protegiam. E ela não estava com medo por si mesma, mas por seus filhos. Nada poderia acontecer com eles, eram inocentes demais.
Deixou suas pernas conduzi-las pelo hospital, embora não estivesse realmente prestando atenção aonde ia. Sua mente estava totalmente em outro lugar. Tudo que conseguia pensar era na possibilidade de algo ruim acontecer às pessoas que tanto amava.
Quando se deu conta, estava no corredor do hospital com a grande vista para o lado de fora. Aquele lugar lhe trazia tantas memórias, boas e ruins; Derek e ela tiveram tantos momentos, tantas conversas ali. Lembrava-se do dia em que a escola foi baleada e os dois brigaram no meio de uma cirurgia, várias vezes, de fato. E foi ali que eles fizeram as pazes.
Você me maravilha, as palavras de seu marido ainda ecoavam por seus ouvidos. Suas palavras até poderiam ser verdadeiras, mas não eram mais. Não havia meio que ela pudesse o maravilhar após tudo que acontecera. Ela não se sentia como se pudesse encantar a alguém, sentia-se como se sua presença levava todos ao seu redor para baixo.
Mas um dos piores momentos de sua vida também aconteceu ali. Não o pior, o pior momento de sua vida foi quando sentiu um homem forçar-se dentro dela, mas ainda assim, um dos. Embora fosse uma dor diferente. Ser estuprada e ver seu marido ser baleado eram dores totalmente diferentes.
Ela ainda era atormentada com tais imagens. Tinha pesadelos daquele momento. Se Derek tivesse morrido, sua vida seria tão diferente, ela não teria Zola ou Bailey, estava tão apaixonada que sequer conseguiria seguir em frente. E, era provável que o estresse daquele dia que a fez perder o bebê, embora seu útero hostil a faria perde-lo de qualquer jeito.
Reclinou-se contra a mureta de vidro e desceu até o chão. Sua visão estava diretamente ao lugar que seu marido caiu sangrando, e seu coração começou a bater forte em seu peito.
Por que tantas coisas ruins lhe aconteciam? Não entendia o porquê do universo odiá-la tanto. Ela e sua família já tinham passado por mais coisas ruins que muitas pessoas passavam em uma vida toda, e isso a frustrava. Ela só queria uma vida tranquila, em que pudessem ver seus filhos crescerem normalmente. Mas nada de normal havia na vida de sua família.
Meredith fechou os olhos. Não usava nada além de umas calças soltas e uma regata, já que não tivera a chance de trocar de roupa por motivos de estar sendo perseguida. Seu cabelo estava uma bagunça, mas ela não se importava. Podia sentir os olhos de todos que passavam sobre ela, julgando-a de ser uma doente mental. Mas ela não conseguia mover, não podia sair dali. Era como se aquele lugar lhe trouxesse algum tipo de conforto, através das memórias boas e ruins.
Mas infelizmente, não demorou muito para encontrarem-na. “Meredith?”
Seus olhos permaneceram fechados, mas ela identificou a voz. “Não há um lugar neste hospital em que ninguém me ache?”
“Bem, há vários lugares, mas não espere não ser encontrada no corredor principal do hospital” a voz respondeu, sentando-se ao seu lado. “O que você está fazendo aqui?”
Pela primeira vez, olhou nos olhos preocupados de Callie Torres. “Eu estava tentando fugir de minha dor, mas então eu percebi, todo lugar nesse hospital me trás memórias ruins”
Callie franziu a testa. “Do que você está falando?”
“Bem aqui, nesse exato lugar, Derek foi baleado quatro anos atrás”
“Mas ele está bem, Mer, e isso é tudo que importa”
Meredith negou com a cabeça. “Ele não está completamente bem. Eu o assisto, eu vejo como ele reage toda vez que há um estrondo que pareça um tiro. E isso me faz questionar, se ele nunca conseguiu superar esse trauma, como vou superar o meu? Como vou superar esse trauma em que salto toda vez que alguém sequer me toca?”
“Você precisa de tempo e ajuda para conseguir seguir em frente. Feridas como essa.... não melhoram do dia para a noite”
“Todos me dizem para conseguir ajuda, mas não é tão fácil como aparenta”
“Yeah, ninguém disse que seria fácil, mas você precisa tentar de qualquer jeito”
Meredith ficou em silêncio por algum tempo. “Eu tento ficar melhor, por meus filhos, mas esta se tornou a coisa mais difícil da minha vida” disse “E então, ele decide me perseguir, decide pôr minha família em perigo, e é aí que fica mais difícil ainda”
Callie arregalou seus olhos. “Ele está te perseguindo?”
“Sim, ele... ele fez contato com Zola esta manhã”
“Oh Deus, ela está bem?”
“Ela está abalada, mas fora isso, está bem”
Ela balançou a cabeça. “E quanto a você?”
“Eu? Eu estou perfeitamente bem, tirando o fato que não sei qual o destino de minha família”
Callie ofereceu-lhe um sorriso piedoso. “Onde está Derek?”
Só então Meredith se tocou, Derek não sabia ainda. “Droga, ele não sabe”
Callie franziu a testa. “Como assim, ele não sabe?”
“Ele está em DC”
“Por quê?”
“Ele já tinha adiado suas viagens por muito tempo, por mim, e quando lhe ligaram, não teve escolha, mas ir para lá”
“E você está bem com isso?
“Não, mas o que posso fazer?”
“Bem, você poderia pedir-lhe para ficar?”
Meredith negou com a cabeça. “Eu não posso lhe pedir isso”
“Por que não? Ele é seu marido e você está passando por um bocado, é seu direito querer tê-lo ao seu lado”
“Derek já desistiu de tanta coisa por mim, eu não posso pedir-lhe para desistir do trabalho que mais cobiça. Esse oportunidade é a única coisa que o faz feliz, desde que eu sou simplesmente uma bagunça”
“Então vocês vão viver em lados opostos do país? Como isso funciona?”
“Honestamente, eu ainda não sei. Só espero que consigamos resolver tudo eventualmente”
“Vocês tem que conseguir. Vocês e Derek são a prova que amor verdadeiro existe, que o amor funciona, que tem esperança. Vocês são uma novela de romance, e eu estou torcendo por vocês. Time Merder!”
Meredith não pode deixar de ter um pequeno sorriso no canto de seu rosto. “Por que você está torcendo tanto por nós?”
“Eu já vivi na mesma coisa que você. Ouvi os barulhos sexuais, vi as lágrimas, vi o drama, vi o amor. O que vocês têm é real” Callie exclamou. “Se vocês passarem por isso, terei fé que eu e Arizona nos conciliaremos”
Riu levemente. “O que está acontecendo entre vocês duas?”
“Oh, nossa terapeuta sugeriu que passássemos trinta dias sem qualquer tipo de contato”
“Nem sexo?”
Callie coçou a garganta. “Muito menos sexo”
As duas entraram em uma boa gargalhada.
“Eu sinto falta de sexo”
Callie sorriu condizentemente. “Você vai chegar lá, Mer”
“Sabe, sexo sempre foi algo muito importante na relação minha com Derek. Mantinha-nos saudável. E ele tomou isso de mim, de nós. Sexo muitas vezes foi nossa maneira de evitar nossos problemas, e agora, há tantos problemas para serem evitados que não podemos esconder com sexo”
“Talvez essa seja sua chance de começar de novo, de lidar com seus problemas de uma outra forma”
Soltou uma risada cínica. “É engraçado que por mais que eu sinta falta, sexo é uma das poucas coisas que quero ou necessito”
Callie pôs sua mão em sua coxa, com um pouco de hesitação. “Vocês vão superar isso, eu sei que vão.
Meredith tomou uma longa respiração. “Você acha que eu devo lugar para Derek?”
A morena afirmou com a cabeça.
Com uma última troca de olhares, Meredith levantou-se e seguiu para um quarto de plantão, um dos quais ela e Derek tiveram muitos momentos, íntimos como não íntimos. Sentou-se na beirada do beliche e com o coração batendo forte em seu peito, discou o número familiar de seu marido.
E por algum motivo, um certo alívio consumiu seu corpo ao ouvir sua voz.
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