Forgotten Love
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Meredith estava sentada no chão com Bailey em seu colo, participando ainda da festa de chá de Zola, embora ela não fazia nada além de fingir tomar o chá.
Alguém tocou a campainha e Zola levantou-se. “Eu ver quem é!”
Mas Meredith não a deixou. “Pode deixar que a mamãe verá quem é, Zozo”
“Mas moma sempre me deixa ver!” choramingou.
“Hoje não, lovebug. Fique aqui brincando com seu irmão, ok?”
Levantou-se e com o coração batendo forte, seguiu até a porta. Temia que fosse seu estuprador, vindo a tornar suas ameaças reais, e por mais que soasse ridícula, seus medos literalmente consumiam sua cabeça.
Tomou uma respiração profunda e abriu a porta. Não que fosse de sua surpresa, eram dois detetives, os mesmos que a procuraram no hospital na última madrugada.
Deixou-os entrar e passou seus braços ao redor de si mesma. Meredith estava literalmente uma bagunça, seu cabelo tinha secado em uma forma irregular, cheio de ondas, já que ela não se deu o trabalho de alisá-lo como de costume, e não usava nada além de um moletom velho, este escondendo a maioria de seus machucados. Não tinha maquiagem, com exceção da base para tampar o hematoma em seu rosto, então os círculos pretos por baixo de seus olhos eram evidentes, além do mais, ela não há mais de vinte quatro horas.
Os três sentaram-se à mesa na cozinha, e sem jogar conversa fora, o detetive de nome Harold Smith disse: “Comece do início, doutora”
Meredith olhou pela terceira vez consecutiva para conferir que suas crianças estivessem brincando seguramente, antes de começar: “Eu estava indo para a farmácia, quando um homem me agarrou”
“Isso foi por volta de quantas horas?” a mulher, Nicole Richens, agora perguntou.
“Por volta de onze e meia”
“Ok, continue”
Engoliu um seco. “Hm... Eu devo ter desmaiado, pois quando acordei de novo, estava no fundo do beco”
“Você tenta escapar, tenta gritar por ajuda, eu corto sua garganta”
Meredith podia sentir o sangue correr rápido em suas veias, e sem realmente obedecer as palavras do outro, continuou a contorcer seu corpo.
E então, ela não conseguia respirar mais. O homem passou seus braços fortemente ao redor de seu pescoço. Meredith lutou desesperadamente pelo oxigênio tão necessitado em seu organismo, antes de cair em um mundo escuro.
Ela já podia sentir as lágrimas nos cantos de seus olhos. Não entendia o porquê de tanto chorar, o que aconteceu, aconteceu, e ela não poderia mudar o passado, então por que continuava chorando? Ela não conseguia entender.
“Quando eu acordei, ele-ele estava me arrastando para o beco. Jogou-se no chão e começou a desabotoar suas calças”
Meredith não fazia contato visual com nenhum dos dois detetives, estava envergonhada demais para tal. “Tome seu tempo” a mulher disse.
Mas Meredith não queria tomar seu tempo, só queria acabar com tudo logo. Portanto, continuou: “Ele subiu em cima de mim e cortou minhas roupas. Então eu o nocauteei, correndo para a rua principal, mas... mas ele foi mais rápido que eu, agarrou-me uma outra vez, arrastou-me de volta para o fundo do beco, e então ele... ele...”
Porém ela não conseguia dizer tais palavras. Desde o momento de seu ataque, nunca chegou a falar as três palavras, eu fui estuprada, apenas concordava quando os outros faziam-lhe tal pergunta. Ela não era forte o suficiente para admitir por si mesma. E, era como, se quando ela dissesse as palavras, tornaria os acontecimentos reais, porque até então, tudo parecia mais com um pesadelo à realidade.
“Eu sinto muito, mas você tem que dizer para o recorde”
A primeira lágrima escorreu por sua bochecha e depois de um bom tempo em silêncio, disse: “Eu-eu fui es-estuprada”
“Muito bem. Você viu o rosto dele?”
Meredith ficou indignada com a insensatez dos detetives. Claro que eles lidavam com muitas vítimas numa base diária para mostrar sensatez com todas, mas ainda assim, não custaria nada mostrar um pouco de compaixão. Um estupro ainda era um dos crimes mais hediondos cometidos pela raça humana. Assim, respondeu secamente: “Não, estava escuro”
“E quanto a sua voz? Ele disse alguma coisa?”
“Sim”
“O que ele disse? Você se lembra de sua voz?”
“Você tenta escapar, tenta gritar por ajuda, eu corto sua garganta, e sim, eu me lembro de sua voz” de fato, achava que jamais poderia esquecê-la.
Os detetives trocaram olhares. “Então, ele ameaçou matá-la caso tentasse escapar, e apesar de você ter tentado, ele não te matou. Por quê?”
Meredith franziu a testa. “Eu não sei”
“Senhora... Há qualquer chance que essa história não seja verdadeira?”
“O quê?” ela ficou boquiaberta. “Vocês realmente acham que eu estou inventando todo esse sofrimento? Que-que eu mesma me feri? Pois adivinhem, eu não estou mentindo. Eu já passei por muita dor em minha vida, mas nada se compara a dor que eu passei quando fui sodomizada” praticamente gritou, com raiva. “Quer saber? Apenas saiam de minha casa. Acreditem em mim ou não, eu não me importo, apenas saiam de minha casa”
Uma vez sozinha, ou parcialmente sozinha, já que seus filhos ainda estavam brincando no cômodo ao lado, Meredith enterrou sua cabeça em suas mãos e começou a chorar histericamente. Ela não tinha realmente chorado desde que fora estuprada, e ouvir os detetives duvidarem da veracidade de sua história foi o suficiente para abrir o portão de suas lágrimas.
“Moma”
O coração de Meredith quebrou ao ouvir a voz de Zola. Tinha prometido a si mesma que não deixaria seus filhos jamais saberem sobre a dor que ela estava, mas lá estava ela, praticamente morrendo de chorar perante eles. Ela abriu e fechou a boca inúmeras vezes, tentando formar alguma frase coerente, mas não conseguiu.
“Moma está tiste?”
“Sim, Zozo, mamãe está triste” respondeu, com uma voz completamente instável.
“Zola fez algo que faz moma tiste?”
E seu coração doía cada vez mais. “Não, meu amor, você não fez nada”
“As pessoas aqui fazem moma tiste?” referiu-se aos policiais.
Meredith simplesmente maneou a cabeça.
“Zola sabe o que faz moma melhor”
Sem nenhum outro aviso, a garota passou seus pequenos braços ao redor da perna de sua mãe, na tentativa de um abraço. Seus atos porém realmente a fizeram sentir-se melhor. “Venha aqui, lovebug”
Pegou-a em seus braços e segurou-a fortemente. Lágrimas silenciosas escorriam por suas bochechas, agora em menor quantidade, enquanto repetia várias vezes. “Eu te amo muito, Zozo”
“Eu tamem te amo, moma”
Ficaram naquela posição por diversos momentos, apesar do corpo de Meredith gritar de dor. Sabia muito bem que um de seus pontos poderia arrebentar por pegar a menina em seus braços, mas simplesmente não se importava.
E ao procurar por seu outro filho com seus olhos, viu-o encarando-as com seus pequenos olhos azulados, antes de começar a dizer também: “Utumu! Utumu!”
E um sorriso apareceu no canto dos lábios de Meredith. Pequenos momentos como aquele era tudo que ela precisava.
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Os três passaram o resto do dia na grande cama de Meredith, simplesmente assistindo filmes e desenhos. Ela era grata a isso, já que deixava as crianças distraídas o suficiente para que ela pudesse simplesmente meditar sobre tudo.
Já era noite, quase dez horas, e as crianças estavam ainda acordadas assistindo Os Aristogatos, e não pareciam como se quisessem terminar a maratona tão cedo. Mas Meredith não sabia até quando aguentaria, a cada piscada sentia mais dificuldade ainda para abrir seus olhos de novo, além do mais, logo completaria dois dias que não dormia.
“Zo, cuide de seu irmão que eu vou arrumar um lanche”
A garota simplesmente assentiu, sem tirar os olhos da TV. Ela seguiu para a cozinha, onde encontrou seu celular em cima do balcão. Pegou-o. Ainda tinha 19% de bateria, já que não o usava desde antes do ataque.
Viu a quantidade de ligações perdidas registradas. As de Derek eram todas na noite anterior, no período que ela não voltara para casa. Tinha lhe dito para não espera-la acordada, mas por algum motivo, esperou, provavelmente para terminarem sua discussão.
Outras três ligações de Alex, todas daquele dia. Sabia muito bem que ele estava ligando para perguntar como ela estava, e por mais de não estar bem, não lhe daria a satisfação de admitir isso.
E uma última ligação de Cristina. Esta lhe prometera ligar uma vez que chegasse em Zurique e Meredith sentia-se uma amiga ruim por ter esquecido. Será que Cristina brava com ela ficara por não ter atendido o telefone? Esperava que não, não sabia se conseguiria lidar com outra pessoa estando brava com ela. Por tanto, mandou-lhe uma breve mensagem de texto: “Hey, eu espero que você tenha tido uma boa viagem. Desculpe-me por não ter atendido sua ligação, este foi um longo dia... De qualquer jeito, me chame uma vez que puder”
Só então percebeu a presença de uma outra mensagem de texto, esta proveniente de um dos detetives que esteve em sua casa naquele mesmo dia, em que dizia: “Mrs. Grey, perdoe-nos por ter duvidado da veracidade de sua história. Saiba que faremos de tudo para achar o homem que a estuprou, e ligar-lhe-emos quando fizermos algum progresso. Ligue-nos caso tenha qualquer dúvida”
Bloqueou o telefone e jogou-o novamente sobre o balcão. Não se daria o trabalho de responder os detetives, eles ainda tinham duvidado de sua história, por mais que dissessem que fariam de tudo para pegar o bastardo que a tanto machucou. E naquele momento, ela simplesmente não se importava.
Sem mais demora, arrumou um pequeno lanche para seus filhos e logo os dois estavam adormecendo em suas respectivas camas. E por diversos momentos, apenas alternou de um quarto para o outro, assistindo-os dormir.
Após um tempo, voltou para a sala e deitou-se no sofá, uma manta cobrindo seu corpo, protegendo-o do relento parcialmente frio da noite. Fechou seus olhos, finalmente permitindo-se entregar a exaustão.
Mas ela simplesmente não conseguia dormir. Por mais confortável que o sofá fosse, não era um lugar apropriado para se dormir, e Meredith não poderia dormir tampouco na cama. Estava sozinha e ela odiava dormir em uma cama tão grande sem Derek. Mesmo quando os dois não estavam abraçados, apenas o calor do corpo do outro era suficiente para acalmá-la.
De repente, ouviu chaves na fechadura da porta principal. Sentiu seu corpo tremer tomo e um suor frio surgiu em sua testa. O que estava errado com ela? pensou, não conseguia nem ver alguém entrando em sua casa sem entrar em pânico?
Não para sua surpresa, mas para seu alívio, era Amelia. A morena franziu a testa ao ver a reação de sua cunhada. “Você está bem, Meredith? Está mais pálida que um fantasma”
Meredith virou o olhar. “E-eu estou vem”
Amelia caminhou e sentou ao seu lado no sofá. E então veio o olhar. Meredith soube instantaneamente que ela sabia. “Quem lhe contou?”
“Owen, mas este não é o ponto” argumentou. “O ponto é que você deveria ter me contato”
Pela primeira vez, Meredith fez contato visual. Amelia era tão parecida com Derek que ela podia muito bem ver o olhar da irmã no rosto de seu marido, e ela não sabia se conseguiria lidar com o amor de sua vida olhando-a de tal jeito. Por isso ele jamais poderia saber.
“Você não disse a Derek, disse?” perguntou.
“Não é algo que ele deveria ouvir de mim” respondeu logo. “Olha, eu sei que não somos tão amigas assim e mal nos conhecemos, mas você pode confiar em mim, eu posso ajuda-la. Não posso dizer que sei o que você está passando, mas ainda assim, eu estou aqui para você”
Sorriu levemente. “Obrigada, Amelia, isso significa muito para mim”
Amelia sorriu também. “Você deveria ir dormir, aparenta horrível”
Reencostou-se contra o sofá. “Yeah, eu não consigo dormir”
Amelia se levantou e seguiu para a cozinha. Meredith foi atrás dela. “O que você está fazendo?”
Começou a pegar alguns ingredientes. “Logo após nosso pai ter morrido, Derek e eu nunca gostávamos de dormir por causa dos pesadelos, então mamãe fazia essa coisa para nos ajudar a adormecer. Eu não sei como, mas funciona”
Meredith sorriu com a história. Carolyn Shepherd parecia como uma mãe perfeita, que estava sempre lá para seus filhos, não importava o tempo ou a hora, e de alguma forma, ela invejava isso. Ellis foi a pior mãe que poderia existir e por mais que amasse sua mãe, desejava mais que nunca ter uma família que a amasse acima de tudo, acima de qualquer carreira. Portanto, no momento que se tornou mãe, prometeu a si mesma que não seria uma mãe como Ellis.
Após alguns minutos, Amelia deu-lhe o líquido e Meredith o bebeu de bom grado. “Isto é realmente bom”
Amelia riu. “É uma bebida divina”
E ela quase instantaneamente sentiu0se mais adormecida. “Vá dormir” Amelia disse. “Nós conversaremos mais pela manhã”
Meredith simplesmente assentiu e cambaleou até seu quarto. Estava dormindo antes mesmo de sua cabeça atingir o travesseiro.
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