Forgotten Love
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Meredith Grey estava deitada na grande cama de casal, apenas assistindo sua filha dormir, cujo peito subia e descia pacificamente, uma respiração carregada. Ela estava tão preocupada. É claro que crianças ficavam doentes, mas febres raramente atingiam números tão altos quanto os de Zola.
Ela era seu milagre. Ambos seus filhos eram seus milagres. Quando Zola primeiramente chegou a suas vidas, estava tão doente que chegaram a pensar que ela não sobreviveria. Spina Bifida era uma doença rara e perigosa, mais perigosa ainda se juntada com o líquido em sua cabeça. E o fato de ela não ter nenhuma sequela, de fato, era um milagre. E Bailey era sua gravidez milagrosa. Pensava que nunca seria capaz de ter um filho por si mesma, e realmente não se importava com isso, Zola era seu bebê, mas quando superou seu primeiro trimestre, não poderia ser mais feliz. Sua família crescia cada vez mais.
Tinha que confessar que por grande parte de sua vida pensou que não era o tipo de mulher que se casava, que tinha filhos. Não achava que seria uma boa mãe, principalmente. Mas então ela conheceu Derek.
Derek foi quem a ensinou a amar. Ele foi a primeira pessoa que amo, que a amou. Foi ele quem a fez perceber que passar o resto da vida com um homem não era a pior coisa no mundo. Foi ele quem lhe mostrou o quão boa mãe seria.
E eles eram sua filha, as pessoas que amava acima de tudo, que não poderia viver sem. Meredith já tinha perdido tantas coisas, mas sabia que não poderia viver sem eles. Sabia que não conseguiria sobreviver sem eles. E o maior de seus medos era que algo os tirasse dela.
Mas ela estava tão perdida em seus pensamentos que não percebeu Derek juntar-se a ela em sua cama, o que a fez literalmente pular de susto. “Eu sinto muito, eu não quis te assustar” disse, em um sussurro.
“Está tudo bem, não foi sua culpa” ela respondeu. “Eu me assusto com qualquer coisa recentemente”
“Não é sua culpa tampouco, Meredith. O que aquele homem fez com você... Ele te fez assim, mas você vai ficar melhor”
Ela engoliu um seco. Seu coração batia forte em seu peito toda vez que mencionavam seu estuprador, principalmente sabendo que ele ainda estava solto pelas ruas. Ele podia facilmente atacar uma outra mulher, ou até mesmo, voltar para destruir sua família, como em sua ameaça, e isso a apavorava.
“Por que há pessoas tão más neste mundo?” ela indagou. Derek estava deitado ao seu lado, com seus braços protetoramente ao seu redor, mas como ela ainda olhava para Zola, não faziam contato visual. Mas, independente disso, não sabiam se conseguiriam.
“Eu não sei...” sua voz não passava de um sussurro, para que ela não percebesse a dor ali presente. Meredith Grey era o amor de sua vida e ele já havia quase a perdido tantas vezes, que não sabia se sobreviveria sem ela. Ela era a garota com a bomba na mão na sala de cirurgia ao lado, ele mesmo tirou seu corpo frio e sem vida da água, ela ofereceu sua vida para um atirador quando ele estava em cirurgia, ele segurou sua mão quando perdidos e apavorados no meio da floresta escura, ela quase morreu enquanto ele passava seus primeiros momentos com seu filho. Mas apenas dele quase perdê-la tantas vezes, eles sempre encontravam seu caminho de volta um para o outro.
“Você já imaginou um mundo sem pessoas más? A vida seria tão mais bonita sem violência”
Derek não dizia nada, sabia que Meredith precisava apenas deixar tudo para fora, e esta era a primeira vez que tal fazia, ao menos na presença dele, o que o fazia saber o quanto de força e coragem era preciso dela para isso. Mas ele tampouco conseguia dizer algo. O mero pensamento da dor que sua mulher passou o fazia congelar.
“Apenas imagine um lugar onde ninguém se machuca, onde a dor não eciste, as pessoas não seriam depressivas. Bem, a vida provavelmente seria entediante, mas ainda assim, é melhor que uma vida dolorosa”
Tudo que ele fazia era confortá-la ao passar suas mãos por seus braços, em um sinal de apoio.
“Eu digo, qual a diversão em machucar as pessoas? Nós médicos litamos para salvar vidas e pessoas como o homem que me estuprou se divertem ao destruir vidas. Eu não estou dizendo que minha vida foi destruída, mas parte de mim foi. Ele roubou minha dignidade e eu não acho que jamais serei capaz de recuperá-la”
Continuou em silêncio.
“Derek?” ela o chamou, já desconfortada com o silêncio.
“Sim?”
“E... E se ele não for pego?”
“Meredith...”
“É uma pergunta válida”
“Sim, mas... viver se questionando se ele será pego ou não, não é jeito de viver”
“Viver com medo de que todo homem que passe por eu poder ser ele também não é jeito de viver. Ou viver olhando por cima de meu ombro para certificar-me que não estou sendo perseguida ou vigiada também não é jeito de viver. Nenhum destes são meios de viver, mas eu acabo vivendo assim do mesmo jeito”
Ele ficou em silêncio. Quanto mais ouvia o quão sua esposa estava machucada, mais machucava a si mesmo.
“Olha, eu não estou tentando te machucar nem nada, mas é apenas a realidade. Essa é a minha vida agora. E é difícil para eu compartilhá-la consigo, mas eu tento do mesmo jeito. Porém, se for demais para você ouvir, apenas me diga que eu não falarei mais sobre isso”
“Não é... Não é como se eu não quisesse escutar, eu fico feliz que você se sinta confortável o suficiente para se abrir para mim, Meredith... Eu te amo tanto. Eu te amo e o pensamento de tudo que aquele bastardo fez consigo me faz... me faz quere mata-lo com minhas próprias mãos e eu-eu simplesmente não consigo ouvir essa tortura. Você tem uma terapeuta, pode falar com ela sobre isso, mas eu te imploro, por mais egoísta que soe, tire-me desse sofrimento”
Pela primeira vez, Meredith teve coragem suficiente para virar-se e encará-lo. Podia ver a dor em seus olhos. “Hey, eu estou aqui. Eu sobrevivi e isto é tudo que importa” tinha uma mão em seus rostos, tentando assegurá-lo que estava bem. “Eu estou aqui, com você e as crianças. Eu te amo”
Gentilmente, ela colocou seus lábios nos deles, em um beijo curto e simples, mas ainda assim, significante. E pelos próximos momentos, apenas olharam nos olhos amorosos um dos outros.
“Você quer tomar um banho?” Derek quebrou o silêncio. “Eu posso cuidar da Zola”
Meredith voltou sua atenção para a criança ao seu lado. “Não... Eu sinto como se precisasse ficar com Zola”
“Hey, eu estou cuidando dela. Nada demais pode acontecer”
“Ok” ela finalmente concordou, e seguiu para o banheiro.
Uma vez lá, despiu-se e olhou para seu reflexo no espelho. Ainda não reconhecia sua imagem plenamente, porém esta já era mais nítida. Era como se cada vez que ficasse um pouco melhor, mais perto chegaria de se encontrar novamente.
Passou a mão por seu peito. Suspirou. Alex lhe dissera que cicatrizes a faziam forte, mas ela discordava. Cicatrizes incapacitavam-na de esquecer seu passado.
Virou suas costas para o espelho, vendo agora os arranhões e raspões. O homem literalmente havia a arrastado de costas para o chão e ela não esperava que os machucados se furasse, de um dia para o outro, por mais que quisesse. E eles ainda doíam bastante, era difícil para ela deitar à noite na cama, mas ainda assim, esforçava-se para que Derek não visse sua dor física. Ele sequer sabia de tais machucados.
Após uma respiração profunda, foi para debaixo da água escaldante. Seu banho se tornara sua hora sagrada, o momento que refletia sobre sua vida. E seu marido respeitava isso. Antes, os dois sempre gostavam de compartilhar banhos, eram um dos poucos momentos que tinham para si mesmos, mas agora, Meredith simplesmente não conseguia compartilhar um banho com ele.
Ela não conseguia deixá-lo vê-la nua mais. Não o deixava tocá-la abaixo da cintura. Tudo que ela o permitia fazer era segurar sua mão, um abraço ou outro às vezes, raramente trocavam beijos. E Meredith sabia que isso machucava Derek, sua relação sempre foi tão sexual, tão calorosa, e acreditava que seria questão de tempo até que ele a trocasse por alguém que realmente pudesse oferecer-lhe os desejos carnais.
Porque ela não sabia se jamais conseguiria fazer amor novamente. Derek já tinha oferecido tanto por ela, e ela queria mais que tudo fazer o mesmo, mas apenas o pensamento de sexo lhe enviava arrepios à espinha. Ela não gostava quando ele tocava si mesmo, era um sinal que não estava fazendo seu trabalho de esposa direito, embora nunca realmente o tivesse visto fazendo tal, mas já tinha lhe dado a bandeira branca para se masturbar. Mas Derek tinha recusado, dizendo que suas mãos não poderiam dar-lhe o amor que ela lhe dava, mas mais principalmente, que esperaria por ela.
Ela esfregava sua pele incessantemente. Podia ter passado quase duas semanas desde seu ataque, mas ela ainda se sentia suja. Nada a fá-la-ia sentir-se limpa mais. Tinha dias que chegava a tomar três banhos e ainda podia senti-lo em sua pele, senti-lo tocá-la, sentir seu cheiro. Ele cheirava cigarro e sentia tal cheiro impregnado em seu rosto.
Após terminar de lavar seu cabelo, deixando-o com cheiro da tão famosa lavanda, criou coragem para desligar o chuveiro. Sua pele estava vermelha de tanto se esfregar, mas não se importava. Enxugou-se e pôs um roupão cor de rosa, sendo este uma das únicas coisas que realmente a deixava confortável.
Uma vez que terminou de secar seu cabelo, abriu a porta do banheiro, na expectativa de encontrar seu marido e sua filha na grande cama de casa. Quando Derek começou a construir a casa, a única coisa que queria era uma banheira funda o suficiente para cobrir seus peitos e joelhos ao mesmo tempo. Mas uma vez que conseguiram a guarda de Zola, sua outra exigência foi uma cama grande para que os três pudessem lá ficar. E apesar da chegada de Bailey, ainda havia espaço suficiente. Mas, seu coração começou a palpitar quando não lá os viu.
“Derek?” sua voz começou com um tom baixo, mas foi crescendo junto ao seu desespero quando não obteve resposta. “Derek!”
Ela estava com medo. Em circunstâncias normais, não ficaria, mas sua vida não era mais normal. O pavor de perder sua família era grande demais, e ela não conseguiria sobreviver sem sua família.
Mas para seu alívio, encontrou-os na sala, onde Derek tentava lidar com suas crianças chorosas. Apesar de todo o trabalho, ele ainda percebeu a diferença no olhar de sua mulher. “Meredith, você está bem? Está branca”
“Sim, apenas... Eu assustei porque não os vi lá” ela respondeu, pegando a menina em seus braços.
“Perdoe-me, eu não quis assustá-la” ele respondeu com remorso, agora com seu filho no colo. “Mas Zola acordou e começou a chorar e eu não queria interromper seu banho. E então Bailey também começou a chorar e....”
Meredith simplesmente maneou a cabeça. “O que tem de errado, lovebug? Moma está aqui”
Mas a palavras carinhosas não a acalmaram. “Dói, moma” a garota disse entre soluços.
“Onde dói, meu amor?”
Levou suas mãozinhas para sua cabeça.
E a preocupação de Meredith crescia cada vez mais. Não sabia explicar, mas tinha um instinto, um sentimento que algo estava errado, que aquilo não era apenas uma mera gripe, apesar de Derek insistir que não fosse nada.
“Nós devíamos leva-la ao hospital, Derek”
“Meredith, é apenas uma gripe” ele argumentou. Ao contrário de sua esposa, tinha conseguido acalmar a criança em seus braços. “São provavelmente apenas dores de crescimento”
“Cérebros não doem quando crescemos” ela argumentou.
“Ok, faremos o seguinte: se Zozo não melhorar em algumas horas, nós a levaremos ao hospital” seu celular começou a tocar. “É a Casa Branca, eu preciso atender”
Ele se retirou do cômodo, deixando as duas meninas sozinhas. Zola tinha se acalmado um pouco, então com a cabeça deitada no ombro de sua mãe. Meredith caminhou para o quarto da criança, deitando-a na cama docilmente. “Não me deixe, moma”
Sua mãe sorriu condizentemente. “Eu estou bem aqui, Zo. Moma não vai a lugar algum”
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