Forgotten Love
13 Capítulo 12
Notas iniciais
A viagem do hospital até a delegacia foi mais longa que nunca. Meredith estava inquieta, batia seus dedos incessantemente sobre sua perna, em agonia. Este seria o momento que indicaria o homem que tanto lhe causou dor. Seria o momento que mudaria tudo.
E quando lá chegaram, ela ficou praticamente estática. Não conseguia mover, não tinha coragem para sair do carro. Seu coração batia vigorosamente em seu peito. “Meredith, o que está errado?” Derek perguntou amorosamente,
Ela tomou uma respiração profunda. “Eu estou com medo, Derek” admitiu algo que normalmente não admitiria. Dizer que estava com medo era um sinal de fraqueza, e ela não queria parecer mais fraca ainda.
Gentilmente, ele pôs uma mecha de seu cabelo por trás de sua orelha. Sabia que era um grande passo para ela admitir o que sentia. “O pior já passou. Você sobreviveu, o resto é apenas consequências, consequências que você é forte o suficiente para se sobrepuser”
Mas ela balançou a cabeça negativamente. “Eu não sou forte. Eu sou qualquer coisa menos forte”
“Você é forte, Meredith. Você não pode se diminuir por causa do aconteceu”
Fungou. “Eu vou ver seu rosto pela primeira vez. Uma vez que eu o ver, jamais serei capaz de o esquecer.”
Ele olhou em seus olhos, por mais que ela tentasse desviar o olhar. “Você... Você não viu seu rosto?”
“Não, e eu não sei se estou pronta para vê-lo”
“Você quer voltar para casa? Pois você pode, porém não poderá ficar com a consciência pesada quando não conseguir justiça. Você tem uma escolha a fazer: enfrentar seus medos e coloca-lo atrás das grades, ou ir para casa e simplesmente bloquear tudo que aconteceu”
Meredith escutou atentamente as palavras de seu marido. Ambas eram escolhas impossíveis. Queria bloquear seu passado apenas de tudo, mas ignorá-lo não era uma maneira para tal. E, sabia que se fosse para casa, culpar-se-ia para o resto de sua vida por não o ter levado à justiça. “Ok, eu vou fazer isso”
Derek sorriu imensamente. Sabia que sua esposa faria a escolha certa para si mesma, e apoiá-la-ia independente de tudo, mas não queria nada além de ver o homem que praticamente arruinou a vida da mulher que tanto amava atrás das grades.
Assim, os dois seguiram para dentro do prédio, onde os dois detetives já os esperavam. “Dra. Grey, que bom que está aqui”
Meredith simplesmente ofereceu-lhe um sorriso fechado.
“Olá, eu sou Derek Shepherd, seu marido” Derek se apresentou.
A mulher sorriu levemente. “Dr. Shepherd, olá. Eu não sei se você se lembra de mim, mas você salvou a vida de meu parceiro alguns anos atrás”
“Oh, é verdade” respondeu. Derek Shepherd era um dos poucos cirurgiões que realmente se dava o trabalho de se lembrar de seus pacientes. “Como ele está?”
“Ele se aposentou alguns meses atrás. Queria passar mais tempo com seus filhos. Não é adorável?”
“De fato, é” respondeu.
Meredith revirou os olhos. Aquela mulher estava realmente flertando com seu marido? Sabia que a beleza de seu marido era favorável para que as mulheres flertassem como ele, mas não significava que gostava de presenciar tal fato.
Honestamente, não sabia como ele se apaixonou por ela. Era tão diferente de sua ex-mulher, Addison era uma mulher bonita e estilosa de cima a baixo. Tinha classe e postura, era alta, um cabelo e corpo perfeito, além de ter um bom coração. Ela, do outro lado, realmente não se importava com aparência, sempre usando um par de jeans com uma blusa, algo que a fazia confortável e quase nunca usava maquiagem. Não sabia o que Derek nela. Mas apesar de tudo, ainda tinha ciúmes quando outra mulher mexia com seu homem.
E ela se sentiu enojada quando a outra mulher se referiu a ela: “Dra. Grey, você está pronta para fazer o reconhecimento?”
“Sim” respondeu secamente, dando o braço a Derek, mostrando o máximo de possessão possível, antes de seguir a detetive.
Mas Meredith esqueceu-se totalmente dos ciúmes que sentira uma vez que entrara no cômodo. Era uma sala parcialmente escura, com uma grande vidraça, onde ela supôs que veria os suspeitos.
“Ele não pode me ver, pode?” perguntou. Já assistira a diversos episódios de Law & Order, sabia que o outro lado do vidro era espelhado, mas ainda assim, sentia-se insegura.
“Não” assegurou. “Você está pronta?”
Tomou uma respiração profunda. “Pronta como jamais estarei”
Assim, ela se separou de seu marido, aproximando-se do espelho. Havia uma outra pessoa no cômodo, provavelmente o advogado do suspeito, mas não se importava. Apenas assistiu como cinco pessoas entraram do outro lado do vidro.
Meredith estudou o rosto de cada homem. Eles eram pessoas normais. Poderia não ter visto seu rosto, mas em sua opinião, nenhum daqueles aparentavam um estuprador.
A detetive pediu para que repetissem uma frase.
“Você tenta escapar, tenta gritar por ajuda, e eu corto sua garganta”
E um por um, repetiram.
Meredith escutava-os atentamente, um por um, sentia o sangue correndo em suas veias. “O número dois... ele pode repetir?”
Ele repetiu.
Ela tomou um passo para trás. “Não. Não é ele. Nenhum deles é o homem que me estuprou”
_____________________________________________________________
Meredith saiu apressadamente do prédio, de punhos cerrados. Derek estava logo atrás dela, mas sem dizer nada. Nenhum deles podia acreditar que o homem não estava lá.
Seguiram para ao carro, onde ela bateu a porta. Ele logo a juntou, mas não chegou a ligar o automóvel. “Você não vai dirigir?” indagou ela, com raiva.
“Não até você me disse o que tanto a incomoda” ele respondeu.
Ela revirou os olhos. “O que tanto me incomoda? Você é realmente tão ingênuo assim? Ele não estava lá, Derek! Eu passei metade do meu dia temendo que o veria novamente, e ele não estava lá. E então aquela detetive idiota insinua que fui eu quem não consegui identifica-lo, mas deixe-me dizer-lhe algo: a voz do homem que me estuprou é um som que eu jamais serei capaz de esquecer”
Mas ele sabia que esse não era o pior problema. “Sim, mas há algo que você não está me dizendo”
Ela olhou profundamente em seus olhos, antes de deixar uma risada irônica escapar de seus lábios. “Ela estava flertando com você, Derek!”
E sem conseguir evitar, ele começou a rir. “Essa é a causa do seu mau humor? Que ela estava flertando comigo?”
“Não me faça soa estúpida, aquela vadia estava flertando com você como se eu nem lá estivesse!”
Derek não conseguia parar de rir, porém. “Desculpe-me, mas é simplesmente adorável vê-la com ciúmes”
“Pois eu tenho todo o direito de estar com ciúmes. Eu digo, olhe para você! Que mulher não cobiça esse tanto de cabelo apenas para si mesma? E, ela é muito mais bonita que eu, então sim, eu estou com ciúmes”
“Meredith, ela pode até ser bonita, mas ela não é você” Derek respondeu, agora sério. “Ela não tem seus pequenos e ineficientes punhos, ou seu cabelo que cheira a lavanda. Ela não divaga, muitas vezes incoerentemente, quando está tentando provar seu ponto ou conversa com as mãos. Ela não é você. E, se te faz sentir melhor, o meu cabelo pertence totalmente e somente a você”
Ela abaixou a cabeça, rindo levemente de seu último comentário. “Eu sinto muito, é que... você é meu marido. Não tem como eu não ficar com ciúmes quando uma outra mulher flerta com você”
Derek voltou a rir. “Eu não acredito ainda que você teve uma crise de ciúmes”
Ela corou. “Pare! Não é tão engraçado assim!”
“É engraçado. Você nunca foi ciumenta e testemunhar sua primeira crise de ciúmes é realmente adorável. Além do mais, isso prova que você é um ser humano, não um robô sem sentimentos”
Ela começou a rir também. Juntou-se a Derek em uma risada gostosa. E riu uma risada verdadeira, como há muito tempo não ria. Pela primeira vez em um bom tempo, sentiu-se normal. Sentiu-se como se tudo ficaria bem novamente.
Sem realmente saber o que fazia, aproximou sua cabeça da dele e capturou seus lábios, desta vez em um beijo ainda mais profundo daquele que tiveram anteriormente naquele dia. Dessa vez, o beijo não era só preenchido com amor, mas com paixão também.
“O que foi isso?” ele perguntou, meio bobo, uma vez que suas cabeças se separaram.
“Por me amar, mesmo quando você me odeia”
_____________________________________________________________
O casal logo retornou ao Grey Sloan Memoria Hospital. De mãos dadas, caminharam até a creche, ignorando os olhos da maioria dos funcionários sobre eles.
Mas não estava encarando Meredith apenas, mas sim, o casal em si. Meredith e Derek eram o casal que todos invejavam, eram a lenda do hospital. Qualquer um que viesse ali trabalhar sabia que eles eram uma família perfeita de qualquer perspectiva. Claro que não tinham um casamento tão feliz quanto todos pensavam, mas amavam um ao outro, e isso era o mais importante de tudo.
E no caminho para onde suas crianças estavam, encontram com Callie. Esta ainda tinha uma expressão pasma quando os viu. ‘Oh, vocês voltaram. Como foi? O homem já está atrás das grades?”
“Ele não estava lá” Derek disse, passando um de seus braços ao redor de sua esposa. Se ele estava devastado por não terem o pego, nem podia imaginar como Meredith se sentia.
A boca de Callie tomou a forma de um O. “Como você está, Grey?”
“Eu estou bem” ela garantiu.
“Sério? Porque dizem que estar bem é uma das maiores mentiras contadas pelo homem”
Ela sorriu, conscientemente. “Yeah, mas eu estou bem, sabe, um dia de cada vez”
A outra a puxou para um abraço constrangedor, mas Meredith aceitou-o do mesmo jeito. Derek deu um passo para trás, permitindo-as terem seu momento. “Eu sinto muito que você teve que passar por tal trauma. Se você precisar conversar ou qualquer outra coisa, apenas me chame, independente da hora ou do dia”
“Obrigada, Callie, significa muito para mim” Meredith sorriu, quebrando o abraço.
“Hey, você quer que eu cuide das crianças? Assim você e Derek podem ter um tempo sozinha. E, eu e Arizona estamos – ou estávamos, eu não sei mais – tentando ter um outro filho, mas um pouco de prática não faz mal a ninguém.
Meredith estremeceu. Suas crianças eram o que a mantinham de pé, a razão de ela conseguir sair da cama todo dia. Tinha medo que se sem elas, mesmo que apenas por uma noite, impedi-la-ia de seguir em frente. “Eu aprecio a oferta, mas sinto como se precisasse ficar com eles apesar de tudo” respondeu. “De qualquer forma, o que aconteceu entre você e Arizona?”
Ela revirou os olhos. “Eu casei com a pessoa mais egoísta que existe, isso aconteceu” do nada, seu bipe disparou. “Eu tenho que ir. Lembre-se de me ligar se precisar de qualquer coisa”
Após uma breve despedida, ela caminhou de volta para Derek, quem lhe perguntou: “Você está bem?”
“Yeah” respondeu simplesmente, os dois voltando a caminhar em direção à creche.
“Posso lhe perguntar algo?”
“C-claro” ela hesitou.
“A Cristina sabe?”
Ela engoliu um seco. “Não...”
Ele procurou pelos olhos de sua mulher, mas esta se recusava a fazer contato visual. “Por que não? Ela é sua irmã contorcida, Meredith”
“Cristina pode ser minha pessoa, mas ela não é escura e contorcida mais. Ela é chefe de cirurgia cárdia torácico em um hospital de ponta na Europa, não há como ela não ser brilhante e sorridente”
Derek maneou a cabeça. “Ela pode ser feliz agora, mas ainda é sua melhor amiga. Ela merece saber”
Mas ela negou com a cabeça. “Não, ela não precisa saber dos fardos de minha vida. Além do mais, eu tenho Alex e ele... ele realmente está me ajudando”
Ele nada mais disse. Sabia que sua esposa estava lidando com o que aconteceu de sua própria maneira, mas não queria vê-la em dor, e acreditava que Cristina era uma das púnicas pessoas que poderia ajuda-la.
Logo chegaram à creche. “Onde vocês estavam?” uma das responsáveis pelo locar perguntou, ao vê-los. “Eu fiquei ligando-lhes sem parar, mas ninguém atendia”
“Zola tem uma febre alta. Ela não para de chorar, pedindo por vocês”
Meredith praticamente correu para o pequeno cômodo onde sua filha se encontrava. Sabia que a política do local não deixaria uma criança doente no contato com as outras. “Zozo”
“Moma” a menina ergueu seus braços instantaneamente, sua mãe levando-a a seu colo.
“Derek, ela está queimando” Meredith virou sua atenção para seu marido, um tom de preocupação em sua voz.
Ele tentou pegá-la em seus braços, mas a menina se prendeu ao colo de sua mãe. “Ok, vamos para casa”
“E se for algo sério?” ela continuou. Não podia ajudar-se a não ser pessimista. Esta era sua forma de estar preparada para o pior. Ela não tinha se preparado para o estupro e este se tornou uma das piores dores de sua vida. Embora talvez não fosse possível se preparar para um trauma desses.
“Então ela é sortuda por morar com três médicos” referiu-se a eles e a Amelia. “Olha, Zola vai ficar bem. É apenas uma gripe, crianças ficam doentes”
Ela simplesmente assentiu e juntos a Bailey, foram para casa.
Fale com o autor