Forgotten
5 This is a Call
Notas iniciais
A decisão estava tomada. Mas pra variar, eu não tive coragem suficiente pra ligar logo de cara, então, decidi esperar pelo dia seguinte.
Eu andava meio distraído dos ensaios, e os caras começaram a notar.
- Ei Ray – falou Mikey, logo depois do ensaio. – O que tá havendo contigo? Você nunca foi assim cara, de ficar desligado dos ensaios.
Era óbvio que eu não ia dizer o real motivo de eu estar me comportando daquele jeito, então tentei inventar uma boa desculpa:
- Ah Mikey. Sabe como é. Fim de turnê, to cansadão. – Dei um sorriso torto.
Mikey apenas me analisou, e parecia que ele sabia que não era aquele o problema.
- Se vocês me derem licença, — tentei ser educado – eu preciso ir para o meu quarto. Tenho dor de cabeça.
Todos eles concordaram, afinal, não podiam dizer outra coisa mesmo. Enquanto me dirigia para o quarto, tomei o cartão de Christa nas mãos mais uma vez para analisá-lo. Eu não podia me enrolar mais. Já estava me sentindo mal o suficiente pra ter que apelar para uma psicóloga.
Antes, eu precisava enrolar mais um pouco até ligar pra ela definitivamente. Fui tomar um banho. E então, não tinha mais por onde fugir.
Agarrei o telefone e disquei rapidamente os números que estavam escritos no cartão cor-de-rosa. O telefone chamou uma, duas, três vezes, até que finalmente alguém atendeu:
- Consultório da Dra. Christa Ortiz, boa tarde.
- Eh... Boa Tarde, eu queria marcar uma consulta... Com quem eu to falando?
- Com a própria. Qual seu nome?
- Ray... Raymond. Raymond Toro.
- Tem alguma indicação médica? – Confesso que achei que ela fosse se lembrar do meu nome, mas isso era meio improvável. Ela deve ter muitos pacientes e Ray é um nome muito comum.
- Na verdade não... Eu precisava ter uma?
- Não necessariamente, só para saber mesmo, sabe, ficha cadastral...
- Ah, haha, sei... – não sei se aquilo foi uma piada, ri mesmo de nervoso
- E pra que parte do dia você prefere marcar?
- O horário mais tarde que você tiver. – Não queria que os meninos soubessem que eu estava indo a psicóloga.
- As 9h da noite, é meu último horário... Tá bom para você?
- Ótimo! Eu tenho o endereço no cartão.
- A princípio fica esse horário, você pode vir amanhã já. Conversamos melhor amanhã, ok?
- Ok, muito obrigado. Até amanhã!
Desliguei o telefone assim que ela o fez também. Respirei fundo e sorri. Estava me sentindo um pouco melhor por ter feito aquilo. Ou talvez só ansioso.
- Aonde o mestre frofro vai amanhã?
- Hã? – tomei um susto. Era Frank entrando no quarto. Pelo visto o ensaio já tinha acabado.
- Tava falando no telefone é, hmmm...
- Cala a boca, era só um telefonema... da minha mãe! É, ela me pediu pra ir lá amanhã, mas eu ainda to resovelndo e tal.
- Sei sei...
- Ah, porra, vai tomar banho, Frank!
-Vou indo tomar banho mesmo, mas ó! To de olho em você, viu...
Taquei uma almofada nele, que conseguiu entrar no banheiro antes, fazendo com que o objeto fofinho colidisse com a porta.
Tratei de tirar o sorriso bobo de alívio da cara e tentar ir dormir, para não causar mais suspeitas...
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