Forgive Me (one Shot)
1 Forgive me
Notas iniciais
«Queria-te pedir desculpa por tudo o que fiz, eu sei que estou errado, que estive todo o tempo errado... E sei que te magoei e isso dói muito interiormente. Pensava que podia agir livremente, pois no final, de qualquer maneira, eu sabia que tu estarias à minha espera no fim da rua.
Mas não estava certo, eu passeava muito longe da verdade iludido pela minha maneira de pensar. Quis arriscar e perdi; perdi-te. Será que alguma vez poderei voltar atrás e emendar o meu erro? Ou verás também isto como uma calúnia social e irreparável? Se calhar é mesmo assim... Irreparável.
Queria pedir-te para olhares para trás: lembras-te do dia em que fomos ao parque, mesmo antes do Agora? Tudo parecia tão perfeito e tão nosso. O modo como demos as mãos, ainda agora sinto os teus dedos marcados por entre os meus. A forma como tivemos o nosso beijo tão doce que, provavelmente, os meus lábios nuca mais irão sentir, uma vez que nunca mais serão os teus que lhes irão tocar. Ou serão?
Tudo o que eu te disse nesse dia e nos outros era sentido, nunca duvides disso. Lembras-te quando choravas quando tínhamos aquelas conversas, como me abraçavas depois de discutirmos e de eu ter pedido desculpa, a maneira quando sorrias falar comigo e como os teus olhos brilhavam quando estávamos ligados um ao outro? Eu sei que te lembras e sei que, tal como eu, tu sabes o porquê de isso tudo acontecer: Amor. Uma palavra pequena, mas já tão carregada de sentimentos. Assim somos nós. Pequenos no Mundo, mas tão carregados de angústia, raiva, revolta, desilusão, paixão, desejo, arrependimento, vergonha, nojo, culpa, constrangimento e, talvez, um pouco de felicidade. Ou sou apenas eu que me sinto assim por ter feito aquilo?
Não sentes a minha falta tanto quanto eu sinto a tua? Podes responder que não neste momento, mas no fundo sabes que isso não é verdade. É como se estivéssemos pré-destinados. Temos um campo magnético à nossa volta que nos atrai para o seu interior, tal como os raios de Sol têm que chegar à Terra. Tu és o meu Sol, sempre resplandecente, eu sou a tua Terra, bonita ao princípio, contudo, suja de hipocrisia agora.
Preciso que me salves e que me ensines o quão importante és para mim. Salva-me, é tudo o que eu peço. Prometo que estarei aqui, que te acarinharei quando estiveres triste e te beijarei nos momentos felizes. Vou fazer com que o para sempre valha a pena, mesmo que seja dito de forma inconsciente. Eu estarei aqui. Salva-me.
Nunca serei capaz de me redimir e, talvez, nem me venhas a perdoar...
Mas eu continuarei aqui.»
Ela rasgou a carta e, pegando na sua mala, dirigiu-se para o sítio onde ele estaria. Eu perdoo-te.
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