Forget-me-not
18 Amor-Perfeito 3/3
Notas iniciais
Amor-Perfeito (3/3)
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Izuki acordou com falta de ar por ter Moriyama dormindo em cima dele, babando levemente no seu ombro. Mesmo assim, demorou-se para tirá-lo do lugar, apenas para aproveitar aquele soninho gostoso e clima calmo.
O café da manhã foi normal, mas as coisas ainda pareciam meio estranhas depois da briga. Izuki lavava a louça quando sentiu uma mão no seu ombro virá-lo para trás.
–'Tamo bem? — pergunta Moriyama, franzindo a testa.
–'Tamo bem. — Izuki responde com um sorriso no rosto.
A chuva da noite anterior deixou o clima mais ameno naquela segunda-feira, porém mais abafado. As nuvens escuras estavam próximas da superfície e deixavam o ar úmido e pesado. Moriyama foi para o trabalho e deixou Izuki com suas margaridas e violetas.
Suzume estava com uma cara péssima, toda triste e recolhida. Kobato tentava animá-la, mas Izuki disse que era melhor deixar Suzume ter seu próprio tempo sozinha. A garota suspirava e observava as anêmonas na vitrine, talvez esperando que Enzo viesse buscar uma delas como sempre fazia desde que começaram a sair.
A tarde caiu, e Moriyama chegou a loja trazendo consigo uma caixinha de cupcakes especialmente para Suzume. A garota agradeceu e devorou logo uns seis.
Izuki e Moriyama foram até os fundos cuidar dos girassóis, que estavam enormes. Kobato conversava com Suzume sobre o italianinho.
–Ele é um filho da puta — diz Suzume com a boca toda cheia de cupcake.
–Deveríamos ir lá bater nele.
–Nunca mais peço comida de lá também. Eu nem gostava tanto assim do fettuccine.
O sininho da porta soa e uma mulher na faixa dos cinquenta anos entra. Suzume trata de engolir os cupcakes e esconder a caixa debaixo do balcão. A mulher olha ao redor, parecendo muito interessada na floricultura. Ela nem tinha reparado nas meninas.
–Olá, boa tarde! — cumprimenta Kobato, indo até a mulher e sorrindo graciosamente — Como posso ajudá-la?
A mulher pousa os olhos em Kobato e observa-a cuidadosamente, sorrindo por fim. Ela percebe Suzume atrás do balcão e olha para ela também, sorrindo gentilmente.
–Aqui mudou bastante, não? — pergunta.
–Nós refomamos e expandimos a loja. Você é uma cliente antiga? — Kobato inclina a cabeça e sorri.
–Eu venho aqui desde que foi aberta — a mulher ri e olha ao redor novamente, passeando entre os corredores, observando as flores coloridas e cheirosas que decoram a loja.
–Pode ficar à vontade, é só me chamar se precisar de alguma coisa.
–Obrigada, Kobato, meu bem.
Kobato sorri de volta e pega o paninho para limpar o pó do balcão.
–Kobato — Suzume sussurra — Como ela sabe seu nome?
–Ahn?
As vozes de Izuki e de Moriyama ecoam pelo estreito corredor dos fundos da loja conforme eles vêm vindo, rindo um com o outro e trazendo consigo alguns dentes-de-leão.
–Minha irmã é uma figura, você deveria conhecê-la um dia — diz Moriyama, rindo da piada de sua irmã que acabara de contar a Izuki.
–Qual o nome dela?
–Yato. Acho que vocês se dariam bem.
–Puxa, eu nem mesmo conheço sua famíl-
Izuki para na boca do corredor ao ver a mulher que tinha entrado na loja. O sorriso que havia em seu rosto desaparece de imediato, e ele prende a respiração automaticamente. A mulher sorri, acenando.
–Tudo bem, Shun, querido?
Moriyama não consegue despregar os olhos da mulher. Havia algo inquietante sobre ela. O que é?
Izuki deixa a expressão surpresa de lado e veste seu melhor sorriso, colocando os dentes-de-leão nas mãos de Moriyama e caminhando até a mulher.
–Como posso ajudá-la? Procura alguma flor em especial?
A mulher sorri e volta a olhar ao redor, colocando a mão sobre o peito. Ela respira fundo e diz:
–Amor-perfeito. Tem?
–Claro que tem. Vem comigo, vamos pegar.
Kobato e Suzume se olham, meio confusas. Suzume dá de ombros e volta a comer seus cupcakes, e Moriyama coloca os dentes-de-leão na primeira prateleira.
–Quem é? — pergunta baixinho.
–Não sei — responde Kobato, observando seu irmão e a mulher no outro canto da loja — Nunca a vi antes. Ela disse que era uma cliente antiga mas eu não lembro dela aqui na loja.
–Que estranho.
–Nem me diga.
Izuki faz um buquê especialmente bonito para a mulher e os dois vão ao balcão para pagar. A mulher ri quando vê as bochechas de Suzume todas cheias de glacê.
–Você não muda nunca, né, Suzume? Continua gulosinha. — ela sorri.
–Hm, hm, acho que sim... — Suzume ri sem graça.
–E você, moço bonito? — ela pergunta a Moriyama, que sente as bochechas esquentando — Eu não te conheço. Qual seu nome?
–M-Moriyama Yoshitaka, muito prazer.
–Ele é meu namorado — Izuki diz.
A mulher pisca os grandes olhos pretos e ergue as sobrancelhas.
–Oh! — ela ri logo em seguida, batendo as mãos — Que moço adorável que você arranjou, Shun, querido! Vocês super combinam!
–Obrigado — Izuki abaixa o olhar e sorri, encabulado.
–Bom, eu preciso ir agora. Deixe-me pagar pelas flores.
–M-Mas você já vai embora?
–Vou dar uma voltinha pela cidade, mas eu volto. — a mulher pisca e vai até a porta — Faça chá, sim?
–Claro.
E a mulher vai-se embora carregando seu buquê de amores-perfeitos. Izuki morde o lábio e suspira.
–Shun-nii — chama Kobato — Quem era?
Izuki olha para os próprios pés e sorri.
–Uma velha conhecida da família.
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Izuki Shun estava absurdamente nervoso sentado no sofá de sua casa, tendo a mão segurada por Moriyama, que estava mais confuso que cego em tiroteio.
–Izuki-kun...
–Espera. Espera, Moriyama-san.
Izuki literalmente salta do sofá no segundo que a campainha toca, deixando Moriyama com cara de paspalho. A porta é aberta de supetão, e a mesma mulher que estava mais cedo na floricultura está parada na soleira.
Izuki abre a boca para respirar melhor, observando enquanto a mulher deixa os sapatos na entrada e dá uma boa olhada no apartamento do rapaz. Ela caminha até o meio da sala, observando tudo cuidadosamente com um sorriso gracioso no rosto. Moriyama encara Izuki, que continua plantado na entrada.
–Vem aqui — a mulher diz, abrindo os braços.
Izuki bate a porta e corre até ela, abraçando-a com força contra si. O rapaz começa a chorar e a soluçar, tendo dificuldades para respirar. Moriyama nunca tinha visto seu namorado chorar desse jeito antes e estava meio assustado.
–Eu te amo tanto, querido. Eu te amo tanto.
Izuki nem consegue responder de tanto que soluça. Ele aperta a mulher mais forte, escondendo o rosto entre seus cabelos. Moriyama está começando a ficar preocupado.
–S-Seis anos. — ele sussurra.
–Eu sei, meu amor.
–Seis anos e você nunca mandou uma carta sequer. Eu senti tanto a sua falta, mãe. Eu cuidei da floricultura e das meninas, e foi tão difícil...
–Mas você se saiu tão bem! — a mulher afasta Izuki de perto de si para olhar seu rosto. Ela limpa algumas das lágrimas com os dedos — A Kobato e a Suzume estão lindas e a loja continua a mesma.
Moriyama leva a mão à face. Ele agora entendia.
"Puta merda, é a mãe do Izuki-kun".
–Não chore, meu amor. Eu estou muito orgulhosa de você.
Moriyama agora percebia o que havia de tão estranho naquela mulher. Seu cabelo e suas feições eram extremamente parecidas com as de Izuki, Kobato, e Suzume. O mesmo cabelo preto escorrido, os lábios, nariz, olhos e bochechas. Eles eram muito parecidos. Moriyama sente-se meio idiota de não ter percebido antes.
–E-Eu fiz chá. — choraminga Izuki, levando a mãe até a mesa. Ele sinaliza para que Moriyama venha também. — De erva cidreira, que eu sei que você gosta.
–Obrigada. — ela se serve e toma um gole, vendo o olhar inquieto do filho sobre si. — Eu sei que você tem muitas perguntas. Eu vou responder todas.
Até o jeito de falar era parecido com o de Kobato.
–Por que você foi embora? Por que nunca escreveu? Onde você esteve? O que estava fazendo? Onde está o papai? Por que resolveu voltar? — Izuki jorra perguntas, ansioso pela resposta. Ele segura na mão de Moriyama, que somente observa a mulher com curiosidade.
–Bom, eu... — ela dá de ombros, exatamente como Suzume — Você sabe que a separação entre eu e seu pai foi muito exaustiva. Eu estava odiando a vida que tínhamos. Então eu resolvi ir.
–Ir pra onde?
–Por aí. Eu sempre soube que você saberia ser autossuficiente e cuidar das suas irmãs, então nunca tive medo de deixar vocês sozinhos. Eu fui ver o mundo, Shun. — ela abre o maior dos sorrisos — Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Eu vi tanta coisa, e vivi tanta coisa... Você não acreditaria se eu contasse. Eu viajei por muitos países em vários continentes, e conheci tanta gente.
Izuki tem o olhar sofrido. Sua mãe afaga-lhe a mão livre.
–Eu nunca escrevi porque tinha medo que vocês pensassem que eu os abandonei. Mas não é totalmente verdade. Eu fui embora, mas eu sabia que vocês tinham capacidade de se virarem sozinhos, e eu estava certa, não estava? — ela toma mais um pouco de chá e abaixa o olhar — Só fiquei meio chateada de a Kobato e a Suzume não terem me reconhecido.
–Você foi embora muito de repente, mãe. Elas ainda eram crianças. M-Mas e o papai?
–Não sei do seu pai, meu filho. — suspira — Nunca mais ouvi falar dele.
–Nem a gente. Ele nem procurou manter contato depois da separação.
Izuki lambe os lábios secos e analisa as próprias mãos. A pergunta estava entalada em sua garganta, mas ele tinha medo da resposta.
–Sabe, senhora — Moriyama se pronuncia, fazendo Izuki tomar um susto — A única coisa que me disseram foi que seu pão de ló é de matar. — Moriyama sorri, e a mãe de Izuki sorri também, colocando o cabelo atrás da orelha — Verdade?
–Bom, a Suzume sempre adorou...
–Não me leve a mal, mas eu preciso dessa receita. Preciso. Meu pão de ló sempre queima!
–Você coloca quantos copos de leite?
–Minha receita diz um copo de leite morno.
–Coloque frio, meu bem. Você verá a diferença.
Ah, sim, Moriyama tinha gostado da sua sogra.
–Mas mãe — Izuki diz baixinho, ainda temeroso — Você vai ficar? Ficar aqui com a gente?
A mãe de Izuki sorri tristemente e pousa a xícara vazia no pires. Os olhos do rapaz voltam a ficar cheios de lágrimas.
–Não, querido. Não posso ficar. Desculpe. Eu só vim para ver como vocês estavam, e ver que vocês estão tão bem me deixa mais aliviada de ir. Sabe, Shun, querido, eu já vim pra cá outras vezes para checar vocês.
–J-Já?! — Izuki arregala os olhos, apertando a mão de Moriyama.
–Claro! Faz um tempinho desde a última vez, mas eu lembro de ter passado na frente da loja e ter visto você e suas irmãs conversando e rindo tão felizes que achei melhor nem entrar. Eu passei uma semana aqui na cidade e passei na frente da loja todos os dias, e todos os dias vocês pareciam muitíssimo bem.
–Bom, nós... Tivemos que aprender a nos virar. — Izuki sorri de canto e dá de ombros.
–Sim, imagino. — ela suspira alto e apoia as mãos na mesa, erguendo-se — Bom, eu... Eu preciso ir agora, filho.
–M-Mas mãe... — Izuki ergue-se também, indo até a mãe e segurando seus ombros — Para onde está indo?
–México! — ela sorri e faz uma dancinha — Comer muitos tacos e burritos, beber tequila...
–M-Mas...
–Não se preocupe, Shun. Vou ficar bem, e tenho certeza de que vocês também vão ficar bem. — ela abraça o filho com carinho, beijando a testa dele.
–Mãe, eu sei que eu nunca pedi nada...
–Pode falar.
–Mas, por favor, você pode manter contato? Por favor? Só pra saber se você está bem ou se precisa de algo... É que eu sinto muitas saudades suas.
–Claro, bebê. — ela afasta o filho e acaricia seu rosto — Eu mando um cartão postal de todos os lugares que eu visitar.
–Promete?
–Prometo.
Eles se abraçam de novo, sussurando baixinho um com o outro. Moriyama sorri quando a mãe de Izuki limpa o rosto do filho e beija-lhe a face ternamente.
Izuki começa a recolher as coisas do chá e a lavar a louça rapidamente. A mãe dele olha para Moriyama com curiosidade e pergunta:
–E você? Tem cuidado bem do meu filhote?
–Mãe!
–Sim — Moriyama responde rapidamente — Tenho sim. — sorri.
A mãe de Izuki suspira com a mão no peito e vira para o filho, dizendo:
–Ele é uma graça, Shun, querido. Onde você foi arranjar uma coisinha dessas?
–A história é meio longa...
–Ele é bem mais legal que a Miya. Está aprovado.
Izuki leva a mão a testa e Moriyama ergue o queixo, sorrindo vitorioso. Ele pega na mão da sogra e beija-a com carinho.
"Meu Deus, se ela soubesse o quão importante isso é pra mim..."
–Preciso ir, mesmo — ela anuncia, ajeitando a bolsa no ombro. Izuki seca as mãos na toalha e aperta os ombros da mãe. — Desculpe, meu bem.
Izuki somente balança a cabeça e guia a mãe até a porta, voltando a abraçá-la com força, soluçando baixinho.
–Pronto, pronto. Não chore, Shun.
–Você vai voltar um dia?
–Óbvio que sim! Apesar de tudo, eu sempre mantenho um olho nos meus filhos queridos.
Eles se separam e Izuki sorri, enxugando os olhos na barra da camisa. Sua mãe passa a mão em sua cabeça, e logo em seguida vira para Moriyama.
–Se você machucar o meu bebê — ela cerra os olhos — saiba que eu venho chutar a sua bunda não importa em que canto do mundo eu esteja.
Moriyama ri sem graça, achando completamente divertido como Suzume falava igualzinho.
–Não vou. Prometo.
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–Suzume, caramba, eu já falei para arrumar a gaveta das calcinhas mais de quinze vezes!
–Ai, quebra esse galho, Kobato. Não vê que eu estou me afogando em autopiedade? Preciso sofrer um pouco.
Kobato somente revira os olhos e trata de arrumar a gaveta. Como sempre, organiza tudo por cores.
Uma coisa presa no fundo da gaveta chama a atenção da menina. Ela pega um pedaço de papel grosso dobrado ao meio. Ela tem medo de que seja algo pessoal de Suzume, mas abre do mesmo jeito.
É uma foto antiga. Ela e sua irmã deveriam ter cerca de oito anos na foto. Kobato ri com o cabelo curtinho de seu irmão mais velho. Sua mãe e seu pai ainda estavam juntos, e cada uma das meninas estava no colo de um deles. Todo mundo sorria feliz.
Olhando para a foto, Kobato percebe como ela e sua gêmea eram parecidas com sua mãe. Até seu irmão tinha puxado todos os traços delicados da mulher, e tinham todos os mesmos cabelos pretos escorridos. A única coisa que tinham de seu pai eram os grandes olhos prateados levemente puxados nos cantos. Talvez o porte físico de Izuki parecesse com o dele, mas era só.
Kobato franze a testa.
"Espera um segundo."
"Espera um maldito segundo."
A menina tropeça no pé da cômoda e quase cai no chão ao tentar ir para a sala correndo. Seus olhos começam a encher de lágrimas.
–Suzume.
Sua gêmea está sentada no sofá tomando um potão de sorvete e vendo Titanic. Ela ergue o olhar na mesma hora, parecendo surpresa quando Kobato trupica até seu lado.
–QUEM É ESSA? — Kobato grita, tapando toda a foto, menos o rosto da mãe delas.
–É a mulher que foi na loja ho-
Suzume engasga-se com o sorvete quando Kobato tira a mão da frente e mostra sua família. As duas se olham com as bocas abertas; Kobato já chorava. Suzume estava com cara de quem tinha acabado de presenciar um milagre.
Kobato cobre o rosto com as mãos enquanto Suzume vai até a porta. A garota abre-a devagar, espiando corredor afora. A porta do apartamento de seu irmão está aberta, e ela pode ouvir vozes saindo de lá. Kobato vai até o batente e fica espiando também.
A mulher que sai de dentro do apartamento de Izuki é a mesma da loja mais cedo. As suspeitas das gêmeas se confirmam. Suzume sente-se a ponto de desmaiar. Kobato mal enxerga.
Era ela. Ela tinha voltado.
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–Bom, então é isso. — a mãe de Izuki segura as mãos na frente do corpo, do lado de fora da casa do rapaz — Cuidem-se, ok? E tome conta das suas irmãs.
–Pode deixar.
–E você, mocinho, trate bem meu filhote, ouviu? E espero que seu pão de ló não queime dessa vez.
–Sim, senhora. Obrigada pelo conselho.
–Então lá vou eu come-
–MÃE!
A voz de Kobato ecoa pelo corredor, fazendo com que a cabeça da mulher vire para a esquerda. Ela abre a boca, surpresa.
–MÃE! — de novo, só que era a voz de Suzume. Izuki pode ouvir um choro baixinho vindo do apartamento das meninas.
–Oi, minhas princesas — a mãe de Izuki tem o sorriso mais brilhante que Moriyama já vira e abre bem os braços.
Kobato apoia-se na parede e vem andando, tropeçando nos próprios pés. Suzume, ao seu lado, caminha cuidadosamente. Ao poderem ver o rosto direito, as meninas começam a correr na direção da mãe e lançam-se em cima dela, ambas chorando.
A mulher beija o rosto delas várias e várias vezes, dizendo o quanto as amava.
–Onde você estava?– Suzume quase grita, enxugando os olhos com as mãos.
–Por aí, querida.
–P-Por que você abandonou a gente? — Kobato ainda soluça, apertando as mãos sobre o peito.
–Meu amor, eu não abandonei vocês — sua mãe sorri — Vocês sempre tiveram capacidade de se cuidar sozinhos. Eu só fui embora. Nunca abandonei você nem seus irmãos. Não chorem, meninas. Venham aqui — ela abraça Kobato e Suzume novamente, apertando-as forte contra si — Olha, preciso ir agora.
–M-Mas, mãe...
–Já estou atrasada — ela limpa o rosto de Suzume — Preciso ir. Mas saibam que eu sempre vou amar vocês, não importa onde eu esteja. Eu amo vocês do fundo do meu coração.
Kobato e Suzume soltam sua mãe e seguram as mãos nas costas exatamente do mesmo jeito. A mulher dá um beijo na testa de cada uma, um na do seu filho, e outro na do namorado dele. Ela sorri de orelha a orelha, com lágrimas nos olhos, e acena enquanto desce pelo elevador.
As meninas ficam em silêncio olhando os próprios pés. Izuki sente-se sem rumo. Moriyama coloca uma mão em seu ombro e pergunta:
–Você está bem?
–Estou...
–Jura? Eu achei que fosse ficar bravo com ela.
Izuki balança a cabeça, rindo. Ele ergue o olhar para Moriyama e sorri fracamente.
–Apesar de tudo, ela é minha mãe. Não tem como eu ficar com raiva dela, Moriyama-san.
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A manhã seguinte foi confusa para os irmãos. No segundo que eles chegaram à loja, perceberam um vaso de amores-perfeitos em cima do balcão e um envelope. Foi Izuki quem abriu.
Era uma foto. Izuki deveria ter uns 8 anos, e Kobato e Suzume cerca de 3. Eles e sua mãe estavam na praia; fazia um dia bonito, e não havia uma nuvem no céu. O mar parecia calmo. As meninas usavam os mesmos biquinis e estavam de chapéu, enquanto Izuki usava uma bermuda preta. Os irmãos seguravam sorvetes de morango e sorriam para a foto sujos no rosto todo. A mãe deles estava atrás, agachada, segurando as filhas contra o peito, também suja de sorvete.
–Que foto vergonhosa — Suzume balança a cabeça, não deixando de sorrir.
–Quero morder vocês — diz Moriyama, fazendo um biquinho.
–Não lembrava dessa foto — Kobato inclina a cabeça — Por que a mamãe deixou aqui?
–Não sei. Mas ela deixou flores também. — Izuki sorri, deixando a foto em cima do balcão e pegando uma flor roxa para cada um — Amor-perfeito.
–"Em francês, o nome da flor é "Pensée", termo que significa "pensamento". Dá-se esta flor como presente antes de se ausentar durante tempo indefinido, como garantia de que seu amor nunca cairá no esquecimento" — Suzume sussurra, apertando a flor com as mãos.
–"É oferecida por aqueles que pretendem transmitir a mensagem de um amor que nunca será esquecido. Um amor poderoso, cujas lembranças permanecerão no pensamento" — completa Izuki, como se estivesse lendo a Enciclopédia das Flores.
–"O Amor-perfeito está associado ao amor de mãe. É a mensagem simbólica de um amor que não se acaba, que é infinito" — Kobato tem lágrimas nos olhos e olha a flor tristemente.
–Não conheço sua mãe — Moriyama segura nas mãos e Kobato e Suzume — Mas eu tenho absoluta certeza de que ela ama vocês mais do que tudo nessa vida. — Moriyama sorri, e Kobato sorri junto.
–Eu sei, Moriyama-san — Suzume suspira — Eu sei.
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Izuki Shun estava sentado no chão do pequeno pátio da floricultura do topo da colina, comendo balinhas de goma e pensando sobre os pedaços de papel a sua frente.
O sol se punha vagarosamente no horizonte. Os passarinhos cantavam nos galhos do limoeiro junto ao muro; aquele tardinha de verão estava quente e agradável, e tudo estaria bem se não fossem aqueles malditos papéis.
Izuki escolhe cuidadosamente uma balinha vermelha no meio das outras e leva-a a boca.
"Mas e se...?"
"Não, isso não."
O rapaz suspira, sentido os raios de sol queimarem-lhe as costas nuas. Izuki apoia a cabeça nas mãos, ainda pensativo.
"Nem sei porque escolho a bala pela cor se todas têm o mesmo gosto."
Ouve-se ao longe o sininho da porta da floricultura soando. Izuki automaticamente deduziu que era Moriyama; era domingo, e a loja já estava fechada. Ele seria o único a entrar agora.
–Izuki-kun?
–Aqui.
Moriyama surge pela porta, confirmando suas suspeitas. Ele está de camisa xadrez e jeans, com um sorriso no rosto e uma sacolinha nas mãos.
–Que 'tá fazendo? — pergunta, sentando-se com as pernas ao redor de Izuki e deitando a cabeça em suas costas.
–Hmm, olhando as contas. Quer? — oferece uma balinha a Moriyama, que aceita.
–Fiz bolo.
–Eu como mais tarde.
Moriyama passa os braços ao redor de Izuki e aperta-o contra si, beijando suas costas. Izuki suspira mais uma vez e fecha os olhos.
–De novo? — Moriyama pergunta, olhando os papéis por cima do ombro.
–Sim... Moriyama-san, eu não sei mais-
–Ah, então é aqui que você estava, Shun-nii! — Kobato entra, limpando as mãos no seu avental branco — Oi, Moriyama-san. Veio jantar com a gente?
–Hm, não sei.
–Estou chamando faz dez minutos, juro por Deus... — Suzume tem uma cara rabugenta quando chega ao pátio também, parando ao lado da irmã — E aí? Vocês vêm comer ou não?
–O que é isso? — Kobato aponta com o queixo para a pilha de papel.
Izuki vira a cabeça para o outro lado, esfregando a testa mecanicamente. Kobato agacha e pega uma folha.
–Contas?
–É...
–Fala sério. — Suzume bate as mãos do lado do corpo — Fala sério, Shun-nii, a gente fez tudo o que podia e mesmo assim...
–Mesmo assim a gente continua não tendo dinheiro pra pagar todas essas malditas contas — Kobato amassa a folha e arremessa-a ao pé do limoeiro. Moriyama aperta os lábios.
–Olha, meninas, eu acho que é melhor a gente realmente fechar a loja. — a voz de Izuki está ferida.
–Não podemos fechar a loja! — Suzume fecha o rosto — Shun-nii, a gente não...
–Ok, a gente fecha a loja. E aí? — Kobato ergue os braços — Nem você nem a gente fez faculdade. A loja é tudo o que a gente tem, Shun-nii... Eu não quero ter que trabalhar com qualquer outra coisa.
–Eu não quero ter que ficar tomando conta de criança piolhenta! — Suzume cruza os braços sobre o peito.
–Vocês acham que eu quero fechar a loja? — Izuki está bravo.
Moriyama, com a cabeça deitada nas costas de Izuki, nem ouve a conversa. Ele só se concentra nas vibrações dos pulmões de Izuki e em sua pele morna. Ele já tinha ajudado uma vez, e não conseguia encontrar outro modo agora.
"Só se..."
–Ei — Moriyama ergue a cabeça e sorri levemente, chamando a atenção dos irmãos.
Sua mente trabalhava a mil por hora, e milhares de pensamentos apareciam de uma vez. Cada ideia que surgia dava-lhe mais confiança. Ele já até podia visualizar se quisesse. Era genial! Como nunca havia pensado nisso antes?
–Vocês podem achar que é loucura, mas eu tive uma ideia.
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