Forget All You Know
1 Forget All You Know
Notas iniciais
Meus dedos batucavam impacientemente o volante de meu carro ao som de A Better Nothing do Lostprophets.
Lembrava-me do momento, há minutos atrás.Eu estava sentada preguiçosamente em meu sofá, assistindo ao Pop Star to opera Star, esperando ansiosamente para ver Danny.
Danny.Soava-me tão estranho o nome dele agora.
Eu havia chego em Londres há quatro anos, para estudar, e no primeiro dia de faculdade, eu descubro que na minha sala esta ninguém mais, ninguém menos que Vicky Jones.Nos tornamos inseparáveis em pouco tempo, e sua confiança gerou um convite para ir até sua casa, conhecer sua família, mesmo sabendo o quão louca eu era pela banda de seu irmão.
E foi lá, em um almoço de domingo, enquanto eu ria das historias de Kath, que eu o encontrei pessoalmente pela primeira vez, tão lindo quanto em qualquer foto que eu já tenha visto, com o sorriso tão maravilhoso quanto eu imaginava, tão perfeitamente simpático, como eu nunca sonhei, esse era Daniel Jones.
Todos os meninos eram maravilhosos, simpáticos, como se fossem meus amigos de muitos anos, mas Danny me encantava de um jeito quase louco.Os olhos azuis brilhantes, e principalmente o sorriso, estonteante.
Era com Vicky que eu compartilhava isso, esse sentimento tão forte que eu sentia.Ela ficou feliz quando eu disse que estava gostando do irmão dela, e Danny sempre me prometia mudar, mas depois do show ele simplesmente arrumava uma loira siliconada qualquer, e ia se divertir.
Restava só uma Izabela estirada na cama, chorando o resto da noite.
Parei o carro em frente ao local das apresentações e respirei fundo.Desliguei o radio, saindo do carro e me olhando por um momento no vidro do mesmo.Usava uma jeans skinny, uma baby look do Green Day e meu all star vermelho, diferente das pessoas que freqüentavam o lugar.Os homens com roupas mais sociais, as mulheres de salto, vestidos, e eu, normal.Senti-me deslocada enquanto ia em direção a entrada.
Entreguei o passe que Vicky havia me dado, ao segurança, entrando em seguida.As palavras dela ecoaram em minha mente, fazendo um sorriso leve se abrir em meus lábios ‘No fim Bela, você vai estar lá gritando por ele como uma fã histérica.’
Entrei no lugar, procurando uma cadeira vaga, a tempo de ouvir o apresentador anunciar seu nome, e as luzes baixarem.Uma sombra se fez, encostada em uma das colunas da escada no palco, e quando a luz aumentou, era ele quem estava lá.Meu coração começou a bater descompassado, sua voz preencheu o locar, fazendo arrepios subirem pelo meu corpo.
Dei uma risadinha baixa ao ouvir o inicio de Funiculí, Funiculá.Não imaginei que Danny cantaria essa musica, e nem que cantaria tão bem.Sorri orgulhosa ao ver como ele estava se saindo bem.
Levantei a cabeça, procurando Vicky e os garotos.Os encontrei sentados na primeira fila, não muito longe de mim. Tom e a namorada, Harry, Dougie, Vicky, Kath e...Geórgia, a nova namorada dele.
Fitei a loira, sentada ao lado de Vicky.Ela sorria, mas seu sorriso não transmitia felicidade, sinceridade, amor, alegria, ou até tristeza, que fosse, o sorriso dela não transmitia nem uma emoção, não era um sorriso do tipo que encantaria Danny, não era o meu sorriso.Mas aparentemente, nem o meu sorriso o encantava, se encantasse, talvez ele não tivesse me deixado, talvez eu ainda fosse a menina dos olhos dele, era assim que ele me chamava.
Deixei a cabeça pender para o lado, e um sorriso bobo aparecer em meus lábios.Fazia tanto tempo desde que eu não o ouvia me chamar, me tocar, me beijar, me olhar como ele fazia ou quando dizia que me amava, mas pelos sinais que eu recebia dele, era difícil acreditar em um ‘eu te amo’ vindo de Danny Jones.
Fui ‘acordada’ por varias meninas gritando.Quando olhei para o palco, Danny estava se arriscando a dançar.Soltei uma gargalhada gostosa, fazendo Vicky parar de rir e virar para trás.Havia sido tão alto assim?
- Bela – Ela sorriu se levantando, e vindo até mim.Os meninos olharam para trás e sorriram ao me ver.Acenei para eles, sorrindo.Geórgia me fitou por um momento, e eu pude ver ela mexendo os lábios, perguntando para a namorada de Tom se eu era a famosa Izabela.A outra apenas assentiu desinteressada, sorrindo para mim também. – Sabia que você viria – Sorri sincera, abraçando ela. – Danny vai ficar feliz em ver voce, ele tem comentado como sente sua falta e...
- Vicky, eu não planejava ver o Danny, eu, já estava de saída – Completei ao observar ele acabando a musica, e muitas pessoas o aplaudindo de pé.Ele merecia.Ela me olhou seria, e caiu na gargalhada em seguida.Uma vez Jones, sempre Jones.
- Mas é claro que voce NÃO esta de saída Bela, você vai falar com ele. – Suspirei vencida, não adianta argumentar com ela.
- Adianta discutir com voce?
- Não – Ela sorriu vitoriosa, quando me viu rir baixinho.Vicky me puxou entre o mar de pessoas que ainda aplaudia Danny, me levando até os meninos.
- Bela – Harry e Dougie disseram juntos.Dougie me abraçou forte, me levantando um pouco do chão.
- Dougie – Sorri para ele – Voce cresceu – Pisquei para o mesmo, vendo ele emburrar e os outros rirem. – E Harry – Sorri grande para ele, que me abraçou, e me levantou também, com seu inconfundível abraço de urso.Beijei sua bochecha e me virei para Tom.
- E ai Mrs. Dimple? – Ele riu fraquinho, me abraçando também.Eu havia sentido falta do abraço de Tom, me confortava, era o abraço mais amigo que eu já recebi na vida.Sorri para a namorada dele, a cumprimentando com dois beijinhos no rosto.Quando me afastei dela, uma mulher alta, loira e elegante se aproximou de mim.Analisei ela nos poucos segundos em que ela ficou parada.Eu via agora a razão de Danny estar com ela.Quem eu era perto dela? Bonita, miss, elegante, mais velha, com um corpo para ninguém colocar defeito algum e loira.Todos os quesitos que Daniel Jones presava.
- Bela – Vicky se aproximou de mim hesitante – Essa é a Geórgia, namorada do Danny – Sua voz saiu em um sussurro.
- É, eu, sei – Forcei um sorriso simpático, estendendo minha mão para ela.Geórgia sorriu, e a apertou.
- A famosa Bela, certo? – Meu estomago revirou.Porque ela era tão...simpática?
- Certo – respondi baixinho.A visão parecia até estranha.Eu,perto dela.Uma mulher tão bem arrumada, de Salto alto, maquiada, perto de uma menina, comum, com um all star surrado e camiseta do Green Day.O que Danny havia visto em mim mesmo?
- Vamos, sentar – Vicky pediu, me puxando para longe de Geórgia.Eu mal havia reparado, que o próximo concorrente estava para entrar.A apresentadora repetiu o numero de telefone que deveriam ligar para votar em Danny, enquanto o mesmo se curvava para a platéia.
Nossos olhos se encontraram por uma fração de segundos, fazendo meu corpo travar.Ele me olhou serio por um momento, e sorriu em seguida, verdadeiramente.
Minhas pernas amoleceram, e eu retribui o sorriso dele, o mais normal que eu pude, mas acho que não tive sucesso.
Danny foi para o backstage, e eu continuei sentada ao lado de Vicky, assistindo o show.Geórgia foi atrás dele, fazendo com que eu apertasse minha bolsa com força.Vicky colocou sua mão sobre a minha, me fitando com os olhos claros, pedindo calma.
- Vai dar tudo certo brasileirinha – Ela sorriu para mim, e eu,retribuindo, apertei sua mão.
O resto da apresentação correu bem, Danny tinha ótimos concorrentes, mas nós estávamos certos de que ele se daria bem mais uma vez.
Então, estavam todos os concorrentes no palco, esperando para saber quem iria embora.Danny estava visivelmente tenso, as mãos nas costas, torcendo os dedos como ele fazia quando estava nervoso.
Myleene Klass foi dizendo todos os nomes que ficariam, até restarem apenas Danny e Marcella.
Vicky estava com os nervos a flor da pele, inquieta, batendo os pés no chão.Murmurava algo como ‘não, eles não podem eliminar ele, não agora que ele estava gostando tanto’
Coloquei a mão em seu braço, e sorri confiante para ela, mas minha confiança estava apenas em meu sorriso, pois eu já não estava tão convencida assim de que ele ficaria.Marcella havia se saído muito bem.
- Bom – Myleene começou – Acho que é hora de contar a vocês quem continua na competição.Com o maior numero de votos – Ela deu uma pausa, meu coração acelerou, e Vicky apertou as mãos. – Quem continua no Popstar to opera star, é você Marcella. – Danny deu um sorrisinho decepcionado, e se virou para cumprimentar Marcella, que sorria encantada.Nos levantamos para bater palmas para eles.Danny se virou, e se curvou para a platéia agradecendo.Sorriu para nós, um sorriso chateado.Percebi então,o quanto ele gostava daquilo, o quanto se importava, o quanto se esforçava para se sair bem.
Myleene disse mais algumas palavras, e anunciou o fim do programa.Danny e os outros foram ao backstage, e Vicky me puxou pela mão, indo atrás dele.Meu coração acelerou, e minhas pernas bambearam.Eu chegaria perto dele depois de quase um ano.As sensações da primeira vez que eu o vi, voltaram como em um passe de mágica, realmente parecia que eu o conheceria de novo.
Vicky parou em frente a uma porta, onde se lia ‘’Danny Jones’’ e bateu na mesma.Ouvimos um ‘pode entrar’ abafado pela porta.Aquela voz que eu tanto amava, que havia cantado para mim tantas vezes, que me prometeu tanto, a voz que me disse ‘eu te amo’, a voz mais importante do mundo, tão perto e tão longe de mim ao mesmo tempo, tão inalcançável agora.
Abrimos a porta, revelando um Danny sentado no sofá, de cabeça baixa.Geórgia foi até ele, o abraçando e lhe dando um beijo.Meu coração pareceu se partir em mil pedaços, cheios de dor e tristeza.Eu ainda não havia esquecido nenhuma parte de nós.
- Não fique assim Danny – Ela sussurrou em seu ouvido. – Você era o melhor. – Eu pude ver nos olhos dela, que ela não se importava por ele ter saído ou não.Afinal de contas, que namorada era essa? Eu não via amor nos olhos dela.Ele sorriu, e a abraçou carinhoso.Lagrimas subiram até meus olhos, e eu abaixei o rosto não querendo ver a cena.Vicky me abraçou pelos ombros, e deu um beijo em meu rosto.Levantei uma das mãos e limpei as lagrimas, que teimavam em cair e mostrar minha fraqueza.
Vicky foi até ele, e o abraçou também, assim como sua mãe e os meninos da banda, que apesar de tristes pela saída de Danny, pareciam encantados por tê-lo de volta.Ele sorriu para cada um na sala, parando o olhar em mim.Seus olhos sustentaram os meus por um instante e eu pude ver então, seu corpo se aproximar do meu devagar.Minhas pernas estremeceram mais uma vez naquela noite, quando senti seus braços envolverem minha cintura, o perfume inebriante perto de mim, e a voz sussurrando em meu ouvido.
- Obrigada por ter vindo. – Todo meu auto controle pareceu se esvair, fazendo meu coração bater tão rápido, que eu tive certeza de que ele sentiu.
- Não foi nada – Soltei seus braços de mim. – Parabéns, você foi ótimo – Disse baixinho, dando um passo para trás.Danny sorriu um pouco decepcionado, e se afastou de mim também, com o olhar perdido.Não era justo ele me olhar daquela forma, ele não podia estar tão quebrado quanto eu, ou era eu quem pensava isso? Era eu quem o julgava, quem dizia o que ele havia feito, sem ao menos ouvir sua versão.No fim das contas, será que a errada era eu mesma?
- Bela? – Dei um pulo com o susto, e pude ver Tom ao meu lado, rir baixinho. – Nós vamos sair, você, quer vir junto?
- Ahn, não Tom, eu estou cansada e... – Parei ao fitar todos os olhares sobre mim.Vicky implorava com os olhos para que eu fosse, assim como Kath e os meninos, e ele apenas baixou os olhos, sem querer me olhar. – Ok, eu vou – Suspirei cansada.Vicky pulou em mim, fazendo Harry e Dougie rirem, e Tom piscar cúmplice para mim.Em meio ao abraço de Vicky, fitei o rosto de Danny, onde eu pude ver a sombra de um sorriso.
Eu imaginei em muitos lugares onde nós poderíamos ir, mas nunca onde paramos.Isso só me levava a ver, que eles não mudaram nada.Soltei uma gostosa gargalhada quando paramos em frente ao McDonalds.Desliguei o radio, e sai do meu New Beatle azul marinho acionando o alarme.
- Vocês não mudam mesmo – Vicky virou os olhos, nos fazendo rir.Senti-me como nos velhos tempos, como quando no dia em que ele me levou a um restaurante elegante, na noite em que me pediu em namoro.Eu só me lembro, que acabamos no burger king mais próximo.Um cara de terno, e uma garota de vestido e salto alto.Nos rendeu ótimas risadas.Queria poder criar uma maquina do tempo, e viver tudo de novo, concertar todos os erros do passado.
Danny’ POV (Coloque para carregar – Forget All You Know – Danny Jones)Geórgia falava alguma coisa sobre vestidos enquanto eu dirigia, batucando os dedos no volante ao som de Born to Run.Sorri levemente ao lembrar que Bela tinha essa mesma mania, assim como adorava essa musica.
- Danny – O tom exaltado de Geórgia me fez olhar ela por um segundo, e voltar meu olhar para a rua novamente. – Você não ouviu nada do que eu disse não é? – Engoli em seco, mordendo o lábio inferior.
- Claro que ouvi, você falava sobre, ahn, vestidos,e... – Vi ela soltar um suspiro cansado, e olhar para fora.
- Não tem problema Danny, você deve estar cansado. – Não havia sinceridade em sua voz, mas eu agradeci por isso.
Vi o carro de Harry parar em frente ao McDonalds.Eles não mudavam mesmo.
Descemos do carro, acompanhando os outros até a entrada.
- Vocês não mudam mesmo – Pude ver minhas irmã virar os olhos, nos fazendo rir.Bela estava ao lado dela, e ouvir sua risada contagiante me fez bem.Eu sentia tanto a falta dela, eu a amava tanto, mas a sensação de que havia perdido ela, era mais forte.Se eu pudesse, voltaria quantos anos fossem possíveis, para concertar cada erro que cometi com ela.
Nos sentamos do lado de fora, fazendo nossos pedidos, aquele monte de gordura saturada como dizia Vicky.No fim, ela comia mais que eu e os caras.
- Ah, não tem nada natural? Estou de dieta – Ouvi Geórgia perguntar, e sorri sem graça para o garçom.Porque diabos alguém pediria algo natural em um McDonalds?
Ta certo, quem eu queria enganar? Eu não gosto dela, eu gosto da Bela, é a Bela que eu quero para mim, por toda minha vida, é do lado dela que eu quero acordar todas as manhas nos próximos anos, até o fim da minha vida, mas porque nada é como eu quero? Porra
- Geórgia, nós estamos no McDonalds – Vicky disse, rindo baixinho em seguida.Geórgia sorriu sem graça, entrelaçando seus dedos aos meus.Pela primeira vez eu me senti desconfortável com seu contato.Olhei em direção a Bela.Ela conversava algo sem importância com Dougie, e ria.Ah, seu sorriso, ele era tão lindo, tão contagiante.Sua risada fazia meu mundo parar somente para ouvir ela, assim como quando eu a conheci, naquele almoço de domingo, típico na casa da minha mãe.Estava com saudades da minha família, mas jamais imaginei que chegaria em casa, e minha família ficasse em segundo plano daquela vez.Quem não ficaria com a menina mais linda de todo o mundo na sua cozinha? Acho que foi o que chamam de amor a primeira vista sabe, eu não entendo muito desse lance de ‘a primeira vista’ só sei mesmo que é amor.
Mas dai, eu fiz a besteira de trair ela.Legal Jones, beba um monte, encha a cara, e faz merda.Era sempre assim, ela me desculpava depois.Só que da ultima vez ela viu.Porra.PORRA.
Então, quase um ano sem vê-la, divulgando o nosso ultimo cd, tendo apenas fotos como lembrança.Geórgia não precisa saber, mas eu tenho uma foto da Bela na minha carteira.E uma no espelho interior do guarda roupa.Fora às milhares de fotos no computador.Ah, claro, e o álbum, que eu guardava na caixa embaixo da cama.
Dou graças a Deus por minha namorada não mexer nas minhas coisas.Mas que diferença faz? Ela sabe da minha historia com a Bela, sabe que eu já a namorei, sabe que eu a amo.Eu sempre falo nela.Cara, eu SÓ falo na Bela.
Droga, eu acho que estou ficando maluco.Não, não acho, eu estou mesmo.Tudo por culpa da Izabela.Quem disse que eu ligo? Se pudesse, faria ela ser a culpada por todos os meus problemas, e como castigo, obrigaria ela a ficar comigo para sempre, ser só minha, e eu, só dela.Assim que deve ser.
- Jones? – Harry deu um tapa na minha cabeça.
- Ai dude – Esfreguei o lugar.Qual é? Os tapas dele doem. – Que foi?
- Seu lanche animal, vai esfriar – Ele respondeu, me dando outro tapa.Hey, eu não sou o saco de pancadas particular dele.Ouvi uma risada gostosa preencher o ambiente, fazendo todas as outras vozes se dissiparem.Ah, como eu amava o som da risada dela, mesmo que ela estivesse rindo da desgraça alheia, e essa, fosse comigo.Eu relevo.
Comi devagar, olhando para ela, fazendo o mesmo, rindo de algo que Vicky falava.
Eu seria capaz de desistir de tudo por ela essa noite, mostrar a ela, o quão boa à vida pode ser, ela só precisa deixar.
Geórgia se levantou para ir ao banheiro, e assim que ela saiu de vista, Bela me olhou, sustentando meu olhar demoradamente.
Mil sensações explodiram em meu peito naquele momento, eu pude sentir todas as vozes ao redor sumirem, meu único sentindo ativo era a visão, eu só via ela.
Os olhos tão expressivos, o cabelo emoldurando o rosto perfeito, os movimentos delicados, a maneira como ela torcia os dedos pelo nervosismo.Nenhum detalhe escapava da minha visão.
Visão quebrada, pela sua figura se levantando, e olhando para Vicky, com os olhos perdidos.
- Estou indo gente – A voz doce encheu o lugar, e me atingiu com força.Ela não pode, eu não quero que ela vá, não quero perder ela mais uma vez.
Vicky sorriu para ela, a abraçando.Bela se despediu então dos meninos e de minha mãe, me deixando por ultimo.
- Até mais Danny – Abracei ela desajeitado, com o pedido de ‘fique’ preso na garganta.Mas eu era covarde demais, para pedir que ela ficasse.
- Nos vemos por ai – Sorri forçado, quando os braços aconchegantes soltaram meu pescoço.Ela sorriu para mim, e eu acompanhei seus passos rápidos até o carro, entrando no mesmo, saindo de lá o mais rápido possível.
Eu tinha uma leve impressão de que sabia aonde ela iria.
- Danny? – Me virei para Tom, que me encarava com um sorrisinho besta no rosto. – O que você ainda ‘ta fazendo ai? – Franzi a testa por um segundo, e então, entendi o que ele queria dizer.
Eu não a perderia de novo.Peguei um pedaço de papel, e a caneta, que eu gloriosamente carregava no bolso.
‘Georgia,
Não me leve a mal, você é uma ótima pessoa, mas merece alguém que te ame de verdade, você sabe que ela é minha vida.
Obrigada por tudo;
Danny’
Acho que aquele não era o melhor jeito de terminar um namoro, definitivamente, mas era o mais rápido e viável no momento.Ela entenderia.
Peguei as chaves e me levantei.Lancei um olhar para Vicky, que sorriu confiante para mim.Retribui, correndo para fora da lanchonete e entrando no carro.
(Coloque a musica para tocar)
Só havia um lugar onde ela poderia estar agora, um lugar conhecido, o lugar que fazia ela esquecer de tudo que sabe.
Would you hate me if I don't believe you?
(Você me odiaria se eu não acreditasse em você?)
It's hard to love you from the signs I get from you.
(É difícil te amar pelos sinais que eu recebo de você.)
Could you trust me if I said that I love you?
(Você poderia confiar em mim se eu dissesse que te amo?)
Batia os dedos no volante impaciente, enquanto o transito de Londres não ajudava nem um pouco.
Cada memória que passamos, veio em minha cabeça, como um filme, daquele que você assisti mil vezes e não se cansa.
Is there anybody I can see around you, taking me for granted, for all the things that I do
(Existe alguém que eu possa ver em torno de você, tachando-me por cedido, por todas as coisas que eu faço?)
Poucos minutos depois, que mais pareceram horas, eu cheguei até onde achava que ela estava.
Estacionei na beira do rio Tamisa, olhando diretamente para a ponte.Lá estava ela.
Andei com passos largos até onde ela estava, me debruçando sobre a ponte, observando o rio iluminado pelas luzes da London Eye.
- Londres é linda à noite – Sua voz estava baixa, como se ela quisesse falar aquilo apenas para ela mesma.
- Não tanto quanto a moça que observa o rio, ao lado do cara idiota que fez ela sofrer. – Virei para ela, me encostando de lado na grade.
If we go to a place we know,
(Enquanto nós vamos a um lugar que nós conhecemos)
I can show how good life could go
(Eu posso te mostrar quão boa a vida poderia ser)
If you take a chance leave all you know
(Se você deixasse tudo que sabe para trás)
If I could say I believe you then I would
(Se eu dissesse que eu acredito, eu acreditaria)
I had a dream that in my heart there was a flood
(Eu tive um sonho onde meu coração estava inundado)
I woke up and my sheets all tangled up
(Eu acordei com o meu lençol todo emaranhado)
- E porque o ‘cara idiota’ foi atrás dela? – Um sorriso quase imperceptível apareceu em sua voz, me fazendo sorrir.
- Ele veio tentar mostrar pra ela, o quanto à vida pode ser boa. – Dei uma pausa, sorrindo. – Só que ela tem que esquecer de tudo o que ela sabe, de todo o passado.
- Mas ela pode confiar nele de novo? Porque ela não quer se machucar mais uma vez. – Bela se virou de frente para mim, com um sorriso de canto nos lábios.Aproximei-me dela, colocando a mão em sua cintura, me surpreendendo por ela não ter tirado a mesma dali.
- Eu acho que ela pode, afinal, ele desistiu de tudo por ela essa noite, dos amigos, da família, da namorada – frisei o namorada, vendo-a arregalar os olhos surpresa – E até de um Big Mac – Ela caiu na gargalhada
- Você desistiria de tudo essa noite por mim? – Seus olhos prenderam os meus, por uma fração de segundos, me dando apenas mais uma confirmação.Ela realmente era o que eu mais queria.Eu já sabia disso, mas era sempre bom confirmar.
Is there anybody I can see around you, taking me for granted, for all the things that I do
(Existe alguém que eu possa ver em torno de você, tomando-me por concedido, por todas as coisas que eu faço.)
If we go to a place we know,
(Enquanto nós vamos a um lugar que nós conhecemos)
I can show how good life could go
(Eu posso te mostrar quão boa a vida poderia ser)
If you take a chance leave all you know
(Se você deixasse tudo que sabe para trás)
Sorri para ela, apertando seu corpo contra o meu.
- Acho que você não entendeu Izabela.Eu já desisti de tudo por você, e desistira de novo se pudesse. – Seu sorriso se alargou.Senti seus braços envolverem meu pescoço, me apertando contra ela. – Me perdoe. – Respirei fundo, deixando seu perfume me inebriar.
- Ela já tem a resposta. – Franzi a testa confuso. – Ela vai esquecer tudo o que sabe, e vai deixar ele mostrar a ela, o quão boa a vida pode ser.
If we go to a place we know,
(Se nós formos a um lugar que nós conhecemos)
I can show how good life could go
(Eu posso te mostrar quão boa a vida poderia ser)
If we go to a place we know,
(Eu posso te mostrar quão boa a vida poderia ser)
I can show how good life could go
(Se você deixasse tudo que sabe para trás)
If you take a chance leave all you know.
(Se você deixasse tudo que sabe para trás)
Meu sorriso aumentou, subi minha mão até sua nuca, e selei nossos lábios, passando a língua em seu lábio inferior.
Se me perguntassem, eu diria que estava louco, mas se eu procurasse uma definição concreta para aquele momento, não encontraria nada bom o suficiente para descreve-lo.
Só sabia que sentir seus lábios nos meus, era a melhor sensação do mundo.
Você acredita em contos de fadas, daqueles que terminam em ‘felizes para sempre’?
Eu acredito a partir de agora.
Made to be together,
Not for other but each other.
You love me,
I love you harder
Fim.
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