Forever is a long time

1 I’m not afraid, anymore


Notas iniciais
Dedico essa história a somente você, meu anjo, que me acompanha em todos os momentos da minha vida, apesar de você não saber, eu te amo, e muito, e talvez e breve, o nosso para sempre estará começando...

Estacionei o carro em frente ao colégio primário onde ela dava aula. Algumas professoras estavam ali, cuidando das crianças de suas turmas, aguardando os responsáveis chegarem para liberá-las.

Procurei entre aquele grupo de professoras, a minha garota não foi tão difícil de localizar, ela era mais nova da equipe pedagógica, estava na área do parquinho, só haviam duas crianças ali com ela.

Emma se revezava empurrando seus dois alunos no balanço. A distância entre o estacionamento me impossibilitava de ouvir a interação deles, todos estavam rindo.

Não resisti e abri a minha mochila que estava no banco passageiro e retirei de lá a minha máquina fotográfica. Costumo sempre carregar alguns equipamentos do meu Studio comigo. Justamente por esse motivo, para conseguir fotos espontâneas. Que são as mais belas. Tenho muitas fotografias de pessoas desconhecidas, mas Emma era a minha modelo favorita.

Pele clara com um bronzeado natural, cabelo preto meio ondulado que ela sempre prendia deixando a franja e algumas mechas soltas. E olhos num tom de castanho tão escuro que quase chegavam a ser completamente negros.

As fotos que tirava dela ficavam lindas. Não que eu fosse uma fotógrafa extremamente boa, mas a beleza dela que tornava tudo perfeito.

Conseguia capturar cada detalhe do rosto dela, desde as rugas que se formavam entre as sobrancelhas quando ela estava concentrada em algo. O sorriso bobo que ela dava quando pensava em algo que a deixava feliz e até o leve rubor nas bochechas que possuía quando notava que eu estava a fotografando.

Sorri satisfeita ao conseguir fotos do instante que um terceiro aluno chegou até ela segurando uma flor de jardim, dei o zoom e notei que era uma margarida.

Sequência de fotos perfeita. A expressão surpresa no rosto da minha garota, o sorriso tímido do aluno, o cafuné que ela fez no cabelo dele como gesto de agradecimento e o abraço que ele deu nela, a envolvendo com seus bracinhos, um sorriso de despedida antes de correr para o portão do colégio, onde um casal o esperava.

Fiquei observando as fotos que consegui enquanto esperava as outras crianças partirem. Emma gostava tanto de crianças. Ela daria uma mãe perfeita.

Ao pensar nisso meu sorriso foi diminuindo aos poucos. Logo que nos conhecemos ela deixara escapar em uma conversa que um de seus sonhos era ser mãe. Planejava ter no mínimo dois filhos. Pois era filha única e sentia muita falta de ter irmãos.

Podíamos adotar. Podíamos tentar um método de inseminação.

Mas era um pouco frustrante saber que eu não proporcionaria aquilo a ela diretamente de mim, não realizaria, diretamente, um de seus sonhos.

Espantei aqueles pensamentos antes que aquela melancolia tomasse conta de mim.

Olhei pela janela vendo a última criança sair pelo portão acompanhada por um homem e depois Emma seguindo para o interior do colégio.

Eu guardei minha câmera na mochila e a passei pelo meu ombro, saindo do carro e indo para o portão principal.

Algumas professoras me cumprimentaram, outras viraram a cara.

Essa minoria preconceituosa no início complicou a vida de Emma. Ela se frustrava muito com os comentários que eram dirigidos a ela em forma de indiretas.

Minha garota ficava em infeliz e até cogitou a possibilidade de pedir transferência para outro colégio. Mas com meu apoio e conversas que tivemos sobre o assunto ela conseguiu superar e parou de dar tanto ouvidos para opiniões alheias.

Segui pelo interior do colégio até a sala de aula onde ela trabalhava. Parei na soleira da porta a tempo de vê-la enchendo um copo de água para colocar a flor que ganhara do aluno.

– Ei, professora! — chamei — Sei que ama esse colégio, mas vamos para casa? — fiz um biquinho — Tem uma fotógrafa carente lá querendo sua atenção... — apontei para a flor na mão dela — Um mini cavalheiro tentando te conquistar?

– Meus alunos são uns amores. — ela disse orgulhosa — E minha namorada também. — acrescentou fazendo com que eu desse um sorriso bobo apaixonado — Me ajuda a organizar isso? Assim podemos ir embora logo.

Assenti deixando minha mochila sobre a escrivaninha dela e indo em direção aos potes de pincéis sujos que estavam na pia, enquanto ela recolhia as folhas com pinturas que estavam nas carteiras dos alunos e pendurava em um varal para secar a tinta.

Puxei as mangas da minha blusa e comecei a lavar os pincéis.

Depois de um tempo em silêncio ouvi um som familiar, o barulho do obturador da câmera e balancei a cabeça, fazendo com que o meu cabelo caísse pra frente tampando o meu rosto.

– Por que você não gosta de ser fotografada? — Emma perguntou indignada.

– Não sou uma boa modelo. — respondi virando o rosto para encará-la.

– Você é sim. — ela disse erguendo a câmera mais uma vez para me fotografar e daquela vez eu deixei — Você é linda. — elogiou dando um sorriso tímido e retribui.

Continuei lavando os pincéis e os colocando sobre uma toalha que havia ali. No final do serviço minhas mãos estavam manchadas com vários tons de tinta.

– Lynn, pode organizar as tintas naquela prateleira? — Emma perguntou, ela estava ocupada arrumando a bagunça de brinquedos e limpando a sujeira que seus alunos fizeram.

Assenti e fui fazer o que ela me pediu.

Mesmo com meu lado superprotetor e com minha necessidade de fazer tudo o que ela queria, Emma é mais velha. Se bem exatos seis meses não são muita diferença.

Nos conhecemos numa cafeteria. Eu tinha saído do Studio para fotografar as ruas nos arredores e fiquei ao longe admirando aquela morena.

Ela estava sozinha em uma das mesas que ficava no calçadão, apoiava um livro na mesa e escrevia algo em um caderno, como se estivesse fazendo anotações. Expressão concentrada e dedicada.

Tirei algumas fotos dela e senti meu coração acelerar.

Ela era linda.

Me aproximei e me apresentei como fotógrafa, ambas tínhamos vinte anos., expliquei meu trabalho sobre tirar fotos de desconhecidos na rua e ela pareceu interessada, deixei um cartão meu com ela, disse que tinha tirado algumas fotos dela e que era para me procurar caso tivesse interesse nas fotos.

Para minha surpresa, ela apareceu no meu Studio no dia seguinte.

– No que esta pensando? — ela perguntou de repente.

– Numa garota que fotografei em uma cafeteria há três anos atrás. — respondi.

– Ela deve ser muito especial para ocupar seu pensamento por tanto tempo. — ela disse e instantes depois senti dois braços envolvendo minha cintura e o queixo dela apoiando no meu ombro.

– Ela é, a garota mais linda que já conheci. — respondi.

– Ela tem muita sorte por ter alguém como você gostando tanto dela. — Emma disse afastando meu cabelo do pescoço.

– Eu é que tenho sorte por ela ter entregado o coração dela para mim. — respondi virando o rosto para encará-la antes de sentir os lábios dela sobre os meus.

Fechei os olhos para apreciar o momento e sorri entre o beijo. Os lábios de Emma tinham uma textura tão delicada, mas seus beijos eram possessivos. Ela nos separou, meus lábios tentaram retomar o beijo, mas ela já tinha se afastado e estendeu a mão pra mim.

– Vamos?

Aceitei a mão dela e pegamos nossas mochilas.

Restavam poucos alunos no pátio e Emma acenou para alguns. E se despediu de alguns colegas funcionários.

Soltei nossas mãos apenas para passar o braço ao redor de seu ombro, a puxando para mim num abraço.

Estava dirigindo na direção do nosso apartamento.

Emma observava os carros e pessoas a nossa volta. Mas quando paramos em um dos sinaleiros eu notei que ela não parava de me encarar.

– O que foi, amor? — perguntei e ela deu um sorriso.

– Nada. Só estou vendo o quanto valeu a pena .

– O que? — perguntei sem entender .

– Ter ido atrás de você para pegar as fotos que você dizia ter tirado. Valeu a pena lutar contra o preconceito no meu ambiente de trabalho e até na minha família. — ela esticou o braço para tocar a minha mão que estava sobre o câmbio de mão — Valeu a pena tudo isso. Pois tenho você do meu lado.

Quebrei nossa conexão de olhar antes que meus olhos lacrimejassem. Essa garota me deixava muito emotiva. O sinaleiro abriu e o trânsito voltou a circular.

– Eu te amo. — respondi — Você é a melhor coisa que já aconteceu pra mim.

Foi a vez dela segurar o choro emotivo e voltei minha atenção para o trânsito.

Eu não posso dizer que Emma é a garota mais perfeita do mundo, pois ninguém aqui foi capaz de alcançar um grau de cem por cento de perfeição. Mas ela chega próximo disso.

Ela é minha melhor amiga. Conselheira. Namorada. Amante.

Ela sabe mais coisas sobre mim do que eu mesma.

Céus, o que eu não faria apenas para arrancar um sorriso dessa garota?

Uma ideia louca passou pela minha cabeça. Era loucura mesmo. Mas eu nunca gostei muito de coisas planejadas. Espontaneidade era meu lema.

Mudei o percurso do carro e Emma percebeu. Ela arqueou a sobrancelha fazendo uma pergunta silenciosa. Eu não respondi. Apenas continuei dirigindo. Enquanto sentia meu coração acelerar e minhas mãos suarem.

Estacionei o carro a algumas quadras do meu destino. Emma me enchia de perguntas e ignorei todas elas.

– Confie em mim. — pedi antes de segurar a mão dela. A guiando ate o local que eu queria.

Aquele horário de pico de fim de tarde causava um movimento enorme naquela parte da cidade. Mas a cafeteria não estava tão cheia.

– Pra que tanto suspense se queria só tomar café? — ela perguntou enquanto eu puxava a cadeira na nossa mesa pra ela se sentar.

Nossa mesa.

A mesma mesa em que ela estava quando nos conhecemos. Emma não estranhou aquilo. Sempre sentávamos ali quando vínhamos até essa cafeteria.

Fizemos nossos pedidos. Fui ficando impaciente. Emma merecia coisa melhor. Num jantar formal seria um bom exemplo. Mas minha garota era e esperta e muita cerimônia estragaria a surpresa.

Peguei uma flor que estava no arranjo de mesa. Era um lírio. Nós duas sabíamos o significado de um lírio. Era a nossa flor favorita.

Os lírios significam : Eu te desafio a me amar.

Antes do nosso pedido chegar eu me levantei e me ajoelhei no chão ao lado dela. Emma lançou um olhar confuso, mas ao mesmo tempo cheio de expectativa.

Alguns clientes e funcionários para olhar.

Segurei o lírio na direção dela e entrelacei nossos dedos com a outra mão.

– Você me ama. Eu também te amo. — comecei, estava tão nervosa, mas minha voz saiu naturalmente — Nos conhecemos nesse lugar, há três anos e desde então não consigo passar um instante sequer sem pensar em você. — ela sorriu e apertou a minha mão — Nós já moramos juntas. Mas quero fazer isso da maneira certa agora. Quero oficializar o nosso amor. — respirei fundo — Emma, quer ser a minha noiva? Aceita se casar comigo?

Uma lágrima escorreu pela bochecha dela e antes que eu pudesse enxugá-la ela me segurou pela nuca e me puxou para si. Entre o beijo eu ouvi o assobio e as palmas dos nossos expectadores. Coloquei o máximo de carinho naquele beijo.

Sentia mais lágrimas escorrendo do rosto dela e quando nos separamos eu deslizei o dedo por sua bochecha, a limpando.

Olhei ao redor. Muitos sorriam, outros ainda aplaudiam. Poucos foram os que evitaram olhar para a nossa cena.

A garçonete que nos atendeu filmou o pedido de casamento.

– Hoje o pedido de vocês é por conta da casa. — ela anunciou.

Eu ri e entreguei lírio para Emma. Que não conseguia parar de sorrir e de olhar pra mim.

– Eu aceito. — ela finalmente disse antes de me beijar novamente.

Sim, Emma, você tem razão, tudo o que fizemos valeu a pena.

Notas finais
Estava com saudades de postar aqui :3Comentários?E isso ae galera, até a próxima. ~TrisE, anjo... se um dia você ler isso aqui... Eu te amo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!