Forever Your
1 Capítulo Único
Notas iniciais
As mãos se esfregavam freneticamente, embora estivessem cobertas por um par de luvas de lã pretas, o corpo pálido estava coberto por roupas quentes, finalizando com um sobre tudo preto, que escondia toda sua roupa, dando vista apenas para a meia calça preta em suas pernas, e o salto preto. Os cabelos loiros e compridos eram quase cobertos pela touca vermelha,os lábios estavam avermelhados por um batom, as bochechas rosadas e os olhos eram verdes como a grama. Os mesmos vagavam pelas flores de todos os tipos e cores. Ela sabia o que queria, apenas queria ter certeza de que as teria. Lentamente se aproximou do balcão de atendimento e cruzou os braços, sorrindo em seguida.
— Com licença...
Seu sorriso aumentou quanto os olhos castanhos foram direcionados à ela. A mulher do outro lado do balcão arregalou um pouco os olhos e passou uma das mãos pelos cabelos castanhos e curtos até os ombros, tentando, desajeitadamente, ficar apresentável. Normalmente ela não fazia isso, atendia sem ânimo e murmurava sempre que os clientes não lhe agradeciam, mas sentiu que naquele momento, deveria dar o seu melhor. Ajeitou seus óculos grandes no rosto e tentou sorrir.
— P-pois não?
— Eu gostaria de encomendar um buquê de margaridas roxas. – a loira respondeu, olhando novamente em volta.- Eu não achei elas.
— M-margaridas roxas? Creio que há algumas no estoque, e-eu poderia verificar.
— Mesmo? – ela mordeu seu lábio inferior, sentindo seu humor melhorar.
— C-claro!
A morena deu um passo para trás, ainda encarando a loira à sua frente, se virou rapidamente e correu para o estoque, achando que se demorasse, aquela mulher desistiria de esperar. Depois de verificar as margaridas, ela voltou para o balcão, vendo a mulher loira ainda parada, com o mesmo sorriso no rosto.
— Então?
— O estoque está cheio, então... a senhorita irá levar agora ou...
— Oh, não! Ainda não irei para casa, então encomendarei. – ela pegou um papel de sua bolsa rapidamente, junto com uma caneta e anotou algo. – Mande entregar nesse endereço.
— Certo. Custa 25 dólares.
A loira sorriu e lhe entregou o dinheiro, ajeitou seu sobre tudo e se afastou, pronta para sair.
— Ah! Sou Kimberly Scott. E obrigada.
A morena sorriu e viu a loira sair, logo sumindo.
— Sou Eloise... – ela sussurrou, para si mesma.
***
Kimberly entrou no elevador e tirou seu casaco, sentindo o ar quente do lugar lhe esquentar, apertou o botão do seu andar e respirou fundo. Assim que o elevador parou e abriu as portas, Kimberly pôde ver o buquê de margaridas roxas deixado no tapete em frente ao seu apartamento. Não era a primeira vez que o recebia, todo sábado tinha um buquê em sua porta, lhe esperando com um bilhete. Rapidamente ela se aproximou do buquê e sorriu, pegando o mesmo, sentiu o aroma das margaridas e puxou o bilhete.
“Você é o meu único pensamento ao acordar e meu último ao dormir.
E.J.”
Seu sorriso se aumentou mais ainda, novamente sentiu o aroma das margaridas e entrou em seu apartamento, imaginando o quão belo e apaixonante seria aquele homem, que sempre lhe mandava flores.
***
Eloise passou novamente o pano no balcão e bufou. Sua cabeça latejava de dor, seus olhos insistiam em se fecharem enquanto o ar fresco e cheiroso da primavera entrava pelas janelas. A cada dia se sentia mais cansada, não queria mais trabalhar na floricultura, mas havia prometido à sua tia de lhe ajudar. O som do sino da porta soou, seus olhos se desviaram para a pessoa que entrara, e logo passaram a brilhar, ao ver Kimberly com um vestido rodado, com algumas listras vermelhas. As duas se encararam por alguns minutos, já se conheciam durante quatro meses, os sorrisos sempre eram os mesmos, de felicidade e carinho.
— Eloise... – Kimberly disse, se aproximando. – Como está?
— Bem, eu espero... e você?
— Cansada... o trabalho fica cada vez mais puxado.
Elas se encararam mais um pouco, os olhos verdes encarando os castanhos. O som do sino soou novamente e ambas desviaram seus olhares.
— Em que posso ajudá-la? – Eloise perguntou, fingindo limpar o balcão pela quinta vez.
— Eu preciso de uma informação. – Kimberly puxou um papel da bolsa e estendeu para a morena. – Você precisa me dizer quem é esse homem que manda as flores!
Eloise pegou o papel e sorriu, ao ler a frase.
“Meus lábios anseiam pelos seus, mas coragem me falta, sempre que lhe tenho próxima à mim.
E.J.”
— Como tem certeza que é um homem? – Eloise perguntou, dando atenção ao seu cabelo, bem arrumado, por sinal.
— Não seria uma mulher... seria?
— Não sei.
— Eloise! – Kimberly deu a volta no balcão e parou de frente para Eloise, colocando suas mãos nos ombros da morena. – Me diz quem é!
— E-eu não posso... É segredo.
— Ao menos me diga... ele é bonito?
— Bem... não é grande coisa, mas eu diria que sabe ser conquistadora quando quer.
— Certo...
Uma senhora se aproximou com uma rosa em mãos e sorriu para as duas mulheres jovens.
— Eu irei levar essa. – a senhora disse.
— Ele deve me conhecer bem. – Kimberly comentou, se apoiando no balcão. – Quero dizer, ele sabe o meu endereço e sabe que gosto de margaridas roxas.
— A pessoa pode ter conseguido seu endereço com alguém que você conheça. – Eloise disse, pegando o dinheiro da senhora. – Ou você pode ter dito à essa pessoa e não sabe.
— Talvez...
— Ela pode estar mais perto do que você imagina. – a senhora comentou, saindo em seguida.
Kimberly encarou Eloise e deu uma gargalhada divertida, achando graça no que a senhora havia dito. Eloise adorava ouvir aquela gargalhada, mostrava o quanto divertido era para Kimberly, mesmo que algo não tenha graça.
— Eu preciso ir... – Kimberly murmurou, depois de se recompor. – Se cuida, Eloise.
— Você também.
A loira deu um rápido abraço em Eloise e saiu rapidamente, lançando um último olhar para Eloise. A morena se sentia cada vez mais feliz, sabendo que à cada buquê recebido, Kimberly apareceria para obter mais informações, e sair com as mesmas de sempre.
***
A porta foi aberta com rapidez, o som do sino soou alto e cortado, mas ninguém pareceu se importar. Kimberly se apressou até o balcão e olhou em volta, esperando Eloise lhe atender com o mesmo sorriso de sempre, mas se surpreendeu quando uma senhora de, no máximo, 50 anos, apareceu com uma expressão séria.
— Pois não? – a senhora perguntou, ignorando o olhar de Kimberly.
— Estou procurando por Eloise.
— E o motivo seria...
— Bem, à sete meses, todo sábado eu recebo um buquê de flores e... no último e nesse eu não recebi. Eloise sabe quem as mandava, então...
— Senhorita...
— Scott. Kimberly Scott.
— Kimberly? – a senhora perguntou surpresa, se abaixou rapidamente e voltou com um papel em uma das mãos, logo entregando para a loira. – Isso é para você.
Kimberly pegou o papel dobrado e se afastou do balcão, logo desdobrando o papel.
“A primeira vez que lhe vi, achei que estivesse vendo um anjo, pronto para me levar embora, mas era apenas você, com seus lindos olhos verdes, querendo um buquê de margaridas roxas. Naquele momento eu queria ser algo para você, ser alguém com quem você pudesse sorrir e gritar para todo mundo, o quanto eu era importante para você, mas não podia, não tinha coragem suficiente.
Kimberly, eu listaria mil coisas incríveis sobre você, se soubesse listá-las com palavras, mas não sei. Não há palavras suficientes para descrevê-la. Linda, engraçada, encantadora, romântica, carente, mimada, hipnotizante... Seus olhos são como uma pedra preciosa, que Deus lhe permitiu usar, apenas você, só você.
Se está lendo isso agora, provavelmente já estarei enterrada em um caixão barato, debaixo da terra, ou cremada e servindo de enfeite na casa dos meus pais. Queria estar ao seu lado nesse momento para ver seu rosto, ver seus olhos, lhe abraçar se for necessário, lhe beijar até não ter mais ar.
Se está me odiando no momento, peço meras desculpas, por não poder controlar meu sentimento sobre você. Eu te amo, o máximo que eu poderia amar alguém. Gostaria de passar o resto da minha vida abraçada à você, sentindo seu cheiro, vendo seu sorriso, ouvindo sua gargalhada... Por ironia do destino, me apaixonei por você, pela primeira vez na vida, desde minha adolescência, te amei o máximo que pude, mesmo que à distancia e por segredo, lhe demonstrei todo meu amor com buquês e bilhetes, querendo que você estivesse ciente do meu amor, mas isso não pôde durar mais.
Sofro, ou ao menos sofria, de epilepsia. Se morri jovem, provavelmente durante uma convulsão, ou depois de uma, nunca soube me informar direito sobre isso. Devo dizer que não é agradável sofrer uma convulsão, nem ser obrigada a viver à base de remédios, sabendo que poderia morrer à qualquer momento. Por isso, cuide-se, o máximo que você puder, não quero lhe encontrar rapidamente. Viva sua vida intensamente.
‘Você é o meu único pensamento ao acordar e meu último ao dormir.’
Acredite, você será meu último pensamento, antes de ir.
Com amor, Eloise Jones.”
Seus olhos estavam cobertos de lágrimas, enquanto se arregalavam.
— Não pode ser... – ela murmurou, ainda encarando o papel. – Eloise...
***
Os passos de Kimberly estavam pesados, os braços cruzados imploravam por quentura, já que naquele dia de inverno, estava mais frio que os outros. O elevador subiu lentamente, para Kimberly, parou em seu andar e seus olhos viram o que não viam à meses. Rapidamente ela se aproximou da porta de seu apartamento e pegou a única margarida roxa, que estava no tapete, com um bilhete grudado.
— Eloise... – ela sussurrou, sabendo que naquele dia, se completava um ano, desde que ela havia conhecido a morena.
Seus olhos vagaram pelo corredor gelado e voltaram para o bilhete.
“Eternamente sua...
E.J.”
O som de uma porta se abrindo a assustou, Kimberly se apoiou em sua porta e viu uma mulher da sua idade sair de um dos apartamentos, completamente coberta por roupas quentes. A mulher morena se assustou ao seu virar, sorriu para Kimberly e se aproximou.
— Vizinha nova? – Kimberly perguntou, querendo ser educada.
— Sim, me mudei em duas semanas.
— Sou Kimberly.
— Eloise...
Notas finais
xoxo
Fale com o autor