Forever: Happy Birthday, Nico
1 It's him
Notas iniciais
O aniversário do Nico foi dia 28/01 e eu não podia deixar isso passar abatido, precisava escrever uma fanfic! E aqui está ela ❤. Preparem os lenços, os tiros e principalmente os suspiros de amor * - *
Espero que gostem. Foi escrita com muito carinho (e lágrimas).
Encontro vocês nas notas finais!
??”monogatari
Depois de algumas horas de sono, Nico acordou mais uma vez. Era um mistério para ele depois de ser atacado de novo pela doença, se após dormir, acordaria no outro dia. Ele só tinha essa certeza depois de encarar o visor que mostrava os seus batimentos cardíacos.
O quarto continuava o mesmo, o que trazia um alívio para ele. Significava que não havia dormido muito tempo, evitando então enfermeiras no seu quarto.
Com os olhos cansados e pesados, Nico observou seus braços cobertos por tubos que conectavam seu corpo as máquinas. Uma o ajudava a respirar, outra a deixá-lo nutrido. O que para ele, era inútil.
Cansado de ver máquinas fazendo o trabalho que normalmente seu corpo deveria fazer sozinho, Nico varreu o quarto com seus olhos. Seus pais, Maria e Hades, ainda permaneciam no mesmo lugar: deitados no sofá em frente a cama dele.
Nico se perguntava sempre o que os pais sentiam ao vê-lo deitado aqui, mais um filho sendo levado por uma doença. Será que a dor vinha menos intensa?
Logo ao nascer, Nico foi diagnosticado com Síndrome Linfoproliferativa, doença causadora de imunodeficiência primária. Durante anos, viveu a base de remédios e soros, já que o transplante de células-tronco hematopoiético sempre foi um risco.
Foi quando achou que a doença não o afetava mais como antigamente, que seu braço veio a parar de funcionar. E desde então, Nico foi atingido por doenças segundarias e infecções.
Deixando seus pais dormirem em paz, Nico sorriu de leve ao perceber que os balões da sua festa de aniversário ainda estavam cheios e os presentes no chão.
A festa era uma lembrança fresca em sua memória, não achou que teria uma estando internado no hospital. Porém, depois de algumas discussões, os médicos liberaram uma pequena comemoração. Um ato de caridade, talvez, já que o aniversariante não iria viver para ver o próximo ano.
Sorrindo, deixou a lembrança do seu último aniversário vagar em sua mente, e olhou para o lado da sua cama, onde uma poltrona que normalmente continha uma pessoa, se encontrava vazia.
Sozinho. Apenas um olhar para o lado fez com que Nico se sentisse sozinho. O medo veio depois, como consequência de seus pensamentos.
Nico não sentia medo de morrer, havia perdido esse medo depois de tantas vezes estar tão perto do fim. Mas ele tinha medo de morrer sem ter o seu melhor amigo do lado. Cruel? Talvez. Nico deveria querer poupar o sofrimento de alguém tão próximo, mas o medo vencia.
Olhou para o outro lado da cama e nada viu.
Onde ele estava? Onde estava a pessoa que causou um alvoroço por querer fazer uma festa de aniversário na UTI? A pessoa que não saiu do lado do Nico desde o primeiro dia que ficou internado. Onde estava?
Entretanto, antes do seu coração começar a bater mais rápido, a porta de vidro do quarto se abriu e o medo que ameaçava dominar Nico, desapareceu.
— Você acordou cedo hoje. – Com uma xícara de café na mão, Will Solace, melhor amigo de Nico, entrou no quarto e se sentou na poltrona. – Bom dia, Nico.
Nico quis dar um sorriso grande, mas até isso doía, assim como o seu corpo todo. Então, apenas continuou olhando o melhor amigo.
Will sempre foi considerado uma pessoa bonita aos olhos dos outros. Nico concordava com isso. Will possuía olhos azuis incríveis e um cabelo loiro estonteante. Sua pele morena com pequenas sardas aumentava o charme de o seu sorriso branco e alinhado.
Infelizmente, os dias passados no hospital resultaram em pequenas olheiras debaixo dos seus olhos e deram um ar cansado a seu corpo. Só que, para o Nico, isso não tirava a beleza do amigo. Até porque, para ele, a coisa mais linda de Will era o coração.
— Precisa de alguma coisa? – falou Will, deixando a xícara de café na mesa ao lado e pegando a mão do Nico. Mas este apenas conseguiu balançar a cabeça dizendo “não”.
Nico se sentiu aquecido, não porque a mão do Will estava quente devido a xícara, mas pelo calor natural que o amigo emanava. Um calor que sempre preenchia o corpo do moreno, não importava o que estivesse sentindo.
— Então, o que pretende fazer hoje? Não vale ver série de novo! Sem TV, Di Angelo. – Nico sorriu sem ver maldade nenhuma na pergunta de Will. Apesar de que a única a coisa que ele pretendia fazer todos os dias era sobreviver.
Reunindo forças para falar, o moreno puxou o pouco de ar que seus pulmões suportavam e disse:
— Se não vai ter TV, escolha alguma coisa você. – Foi uma frase curta, mas para os dois, uma vitória. Nico normalmente se limitava em dizer apenas “sim” ou “não”. Não por grosseria, mas porque era o que ele conseguia.
— Deixa eu ver. – disse Will pensativo. – Já sei! Faz tempo que não jogamos. – Rapidamente, o loiro pula da poltrona e anda até a pilha de presentes que está no chão. Depois de alguns minutos procurando, volta com uma pequena caixa nas mãos. – Na última vez, eu perdi. Quero revanche!
Nico ignorou a dor e sorriu. Will abriu a caixa e postou em seu colo algumas das cartas: Mitomagia, jogo no qual ele era viciado quando pequeno, antes da tragédia atingir a sua família. Entretanto, Will fizera questão de viciá-lo de novo.
— Você lembra? – Nico disse apontando para o deck depois de reunir forças.
— De quando eu te dei essas cartas? Claro! Foi... – Will parou no meio da frase, deixando um sorriso tomar conta do seu rosto. – há 10 anos, no seu aniversário.
— Desde então... – Uma tosse impediu Nico de terminar a frase.
— Eu venho tentando te dar todas as cartas. – completou Will ignorando em parte a tosse, que se tornou corriqueira.
Entretanto, para Nico, a lembrança não se limitou apenas às cartas. Sem perceber, imagens do seu aniversário de 10 anos atrás invadiram a sua mente.
Nico não lembrava, apesar de tentar, dos seus aniversários mais antigos, pois em todos eles Bianca, a sua falecida irmã mais velha, estava presente.
O moreno sabia que a irmã o acordava com um sorriso no rosto e um presente em suas mãos, mas era tudo o que lembrava. Com o passar do tempo, sua mente turvou as cenas da infância, deixando poucos detalhes inesquecíveis — o cheiro de biscoitos de chocolate que invadiam suas narinas ou a forma como o rosto de Bianca se enchia de covinhas quando ela dava um raro sorriso.
Apesar disso, ele se lembrava muito bem do aniversário em que recebeu as cartas e de todos que se seguiram.
Fazia dez anos, em seu primeiro aniversário no qual não passou sozinho depois da morte da irmã.
Nico havia acabado de completar um ano de faculdade cursando Biologia, curso que desde pequeno queria fazer. Quando perguntavam o motivo, ele respondia: Sempre quis entender as coisas vivas.
Como de costume, depois da aula, Nico Di Angelo parou em uma das muitas cafeterias Starbucks que tem na cidade. Era sempre o mesmo pedido e a mesma mesa. Ele ficava por lá, sentado, lendo algum livro até perceber que a escuridão dominava o céu.
— Nico? – Ele se assustou ao ouvir seu nome sendo chamado de longe. Alguns dos seus amigos sabiam que ele tinha o costume de vir tomar café depois da aula, mas não a pessoa que o chamara. Pelo menos, não que ele soubesse.
Nico fecha o livro e ouve passos se aproximando de onde estava. Ele só queria terminar o seu livro em paz e ir para casa. Já bastava as mensagens de sua família desejando feliz aniversário.
— É você mesmo! Nunca achei que te encontraria aqui. – Sem pedir permissão, o garoto se sentou na frente de Nico.
Will Solace era aluno de Medicina, e ambos tiveram aulas juntos devido a grade curricular do primeiro semestre. Todavia, nunca foram amigos muito próximos apesar do loiro insistir em cumprimentar o moreno no corredor da faculdade.
— Nem eu. – Nico disse um pouco arrogante, mas ele sabia que isso nunca intimidava Will. Não era que ele o odiasse, só não sabia lidar com a sua simpatia e sorriso.
— O que você está lendo? – disse Will tentando criar algum diálogo. Mas, antes mesmo de Nico pensar em falar o nome do livro, o loiro puxou-o para si. – Hum, seria maldade soltar um pequeno spoiler?
— Sim! – Nico disse pegando o livro para si de novo. A história realmente estava interessante, odiaria receber algum spoiler.
— Estou brincando. – Will caiu na gargalhada fazendo algumas pessoas nas mesas ao redor encará-lo. Ele tinha esse dom.
Apenas revirando os olhos, Nico pôs um fim na conversa. Odiava Isso, mas sabia que Will não ia desistir.
Poderia até tentar iniciar outra conversa, mas o celular tocando em cima da mesa o impediu.
No visor, a infeliz recordação do dia: “Feliz Aniversário! Te ligo mais tarde, filho!”
Irritando-se só de imaginar ter que ouvir as felicitações da mãe, Nico se obrigou a lembrar de desligar o celular quando voltasse para casa.
— Hoje é o seu aniversário? – Will perguntou curioso e surpreso.
— Agora você bisbilhota conversas alheias também? – disse Nico tentando ser o mais repreendedor possível.
— Por que você não me falou que era o seu aniversário? – Will pareceu realmente intrigado com o fato do moreno não ter comentado que era seu aniversário.
— Você queria que eu escrevesse isso em um cartaz? – Essa conversa, aos poucos, estava começando a irritar Nico. – Além disso, eu não comemoro o meu aniversário.
Disse finalmente. Fazia três anos desde a última vez que comemorou o seu aniversário. Fazia três anos desde que sua irmã morrera.
— Por que não? – Isso bastou. Explicar o motivo de não gostar dos seus aniversários bastou para tirar a paciência do Nico.
— Porque é inútil. Agora cuide da sua vida, Solace. – disse Nico recolhendo seu café e livro da mesa e saindo da cafeteria.
Do lado de fora, se arrependeu um pouco das palavras duras. Não queria ter falado o que falara. Mas ele odiava o dia de seu nascimento.
Olhou para trás, para a mesa onde estava sentado havia poucos minutos e percebeu que Will ainda o encarava. Por fim, depois da troca de olhares, deu de costas e começou a caminhar para o seu pequeno apartamento.
Chegando lá, tratou de desligar o celular e tomar um bom banho antes de se entregar ao sono que desde manhã guardava.
⚪
Apenas três horas de sono. Foi tudo o que Nico teve antes de ouvir a sua campainha tocar.
Irritado por ter tido o sono interrompido, levantou da cama e foi caminhando até a porta pensando nos mil palavrões que logo iria falar.
Entretanto, ao abrir a porta e ver quem havia interrompido o seu sono, as palavras sumiram.
— Will? – disse no tom mais surpreso que conseguiu. Não podia ser real. Em que mundo isso aconteceria? – O que você está fazendo aqui? E desse jeito?
Parado na sua frente, Will Solace segurava um bolo de chocolate em uma de suas mãos, e na outra um refrigerante. Além disso, em sua cabeça um chapéu de aniversário se destacava em meio aos seus cabelos loiros. Em suas costas, uma pequena mochila pesava.
— Vim comemorar o seu aniversário.
— Você o quê? – Nico diz não acreditando na cena.
— Você disse que não comemorava, mas não falou que eu não poderia comemorar. Vai me deixar aqui fora mesmo?
Nico segurou um “sim", já havia sido grosso demais no dia com o garoto. Sem falar nada, saiu de frente da porta dando espaço para Will entrar.
O moreno primeiramente achou que sentiria raiva pela atitude, mas raiva era algo que não sentia, e sim nervosismo. Nico estava nervoso por ter Will Solace em sua casa. Ele nunca ia imaginar isso.
— Como você sabia onde eu morava? – perguntou Nico curioso.
— Eu não sabia, perguntei ao Jason — o primo de Nico — Coincidentemente, tenho uma amiga que mora aqui no último andar, então entrar foi fácil. – Vendo o loiro dizer tudo aquilo na maior tranquilidade realmente pareceu fácil.
— E como você sabia que eu estava em casa?
— Não sabia. – Calmo e natural. Até mesmo em situações assim, Will Solace mantinha sua personalidade tranquila.
Bastou aquela resposta para uma pequena gargalhada sair de Nico e lógico, impressionando Will.
— Você é louco. – disse Nico se recuperando da risada.
— Talvez. – Will falou ainda impressionado com a risada do moreno. – Onde eu coloco essas coisas?
— Pode colocar em cima da mesa. Você que fez? – disse Nico apontando para o bolo.
— Tentei fazer, foi o meu primeiro. – Will sorriu e isso ocasionou um sorriso em Nico também.
O moreno sempre achou que conhecia Will Solace, das vezes que o observou no corredor da faculdade e nas aulas, mas agora sabia que não conhecia nem metade dele.
⚪
Nico não soube quanto tempo durou: uma, duas horas? Apenas soube que os dois conversaram e pela primeira vez, não houve o temido silêncio constrangedor.
Até comeram o ameaçador primeiro bolo do Will.
— Agora, para finalizar a noite: Just Dance! – disse Will animado, pulando do sofá e indo até a sua bolsa.
— Just Dance?
— Isso, Just Dance! – Will tirou de sua bolsa o jogo, e com ele, o videogame.
— Não mesmo. – Para Nico, a maior vergonha da noite até agora, foi Will cantando parabéns para ele. Não podia pensar em algo pior… até aquele momento.
— Não existe comemoração de aniversário sem Just Dance!
— Will, não. – disse Nico firme, não iria ser convencido tão facilmente.
— Tarde demais. – disse Will conectando o videogame na TV.
Entretanto, Nico já havia decidido. Não iria dançar. Então por que apenas não o expulsava de casa? A solução para o problema era simples. Só que ele não conseguia. No fundo, queria que o dia não acabasse.
Foi quando o Will se ajeitava em frente a TV que Nico decidiu ceder, de novo.
— Só uma. – disse revirando os olhos e segurando o sorriso ao ver os dentes brilhantes de Will Solace.
⚪
A condição de ser apenas uma música acabou se tornando cinco.
Nico tentava sem sucesso recuperar o fôlego, enquanto Will tentava se convencer que conseguiria dançar mais uma música se não fosse pelo horário.
— Preciso ir, tenho aula amanhã cedo. – diz Will levantando do sofá e indo pegar a sua bolsa. – Pode ficar com o restante do bolo, uma recordação.
Nico só conseguiu revirar os olhos. Queria no fundo pedir para o loiro não ir embora, mas reprimiu isso dentro de si.
Acompanhou Solace até a porta e o silêncio de que tentaram fugir surgiu. Ele só era diferente.
— Bom, a gente se vê amanhã então. Ah, quase ia me esquecendo. – diz Will tirando uma pequena caixa embrulhada da bolsa. – Para você.
Nico ficou em choque. Durante três anos não recebeu nenhum presente, apenas uma pessoa fazia isso e ela não estava mais viva.
— Obrigado. – disse sem jeito.
— Você nem sabe o que é. – Will sorriu tímido.
— Não, não só por isso. Por ter vindo.
— Ninguém deve passar o aniversário sozinho. E nesse momento estou declarando que, se depender de mim, você nunca mais vai estar sozinho no seu aniversário. – disse Will com um sorriso no rosto.
Todas as palavras em um instante sumiram da mente de Nico. Ele sentiu vontade de chorar, mas de alegria.
— Até o seu próximo aniversário, Nico. – disse Will antes de dar as costas e ir embora.
Naquele momento, Nico desejou ter uma máquina de tempo para viajar até o seu próximo aniversário.
E sem querer de novo, Nico voltou para o presente em questão onde permanecia deitado na cama de hospital. Como desejava voltar para a época em que a doença não era tão grave.
— Nico, tudo bem? – Will perguntou largando as cartas em cima da cama ao lado de Nico.
No começo ele não entendeu muito a preocupação repentina, mas não precisou de muito tempo até reparar que a sua respiração havia ficado mais pesada, mesmo tendo um aparelho para ajudá-lo. Nico percebeu então que hoje estava diferente: ficar acordado estava mais difícil que o habitual, não havia forças nem para erguer suas mãos direito. Mais uma vez, só sabia que estava vivo porque ouviu a máquina apitando ao seu lado.
— Sim. – mentiu sentindo a garganta rasgar.
Will, porém, sabia que Nico estava mais cansado que o habitual. Entãobdeixou as cartas na cama e pegou a mão do amigo. Ato no qual, torceu para dar pelo menos um pouco de força a ele. Nico sempre se acalmava depois de segurar a mão do Will.
Internamente, depois do toque de Will, Nico se sentiu disposto a permanecer de olhos abertos. Com isso, deixou sem querer seus olhos irem de novo até os balões que estavam no seu quarto, começando a se lembrar de mais um aniversário.
Era o seu terceiro aniversário da lista dos que não passava sozinho. Will cumpria a sua promessa em ficar com Nico em seu aniversário — e na maioria dos outros dias também.
Os dois agora não eram apenas colegas, mas sim melhores amigos. Nico não soube exatamente quando isso aconteceu, só percebeu quando todos os dias sentia a necessidade de ver e falar com o loiro.
Estava a caminho de casa de novo, Will havia combinado que mais tarde passaria na casa dele para saírem e comemorarem o aniversário. Infelizmente, foram as únicas palavras que trocaram o dia todo. Solace disse que a sua semana de provas estava começando, então ficaria mais tempo dentro da sala de aula aproveitando a presença do professor para tirar suas dúvidas. Todavia, isso deixava Nico um pouco desanimado, queria ter conversado mais com o loiro.
Afastou os pensamentos tristes e se forçou a recordar que, mais tarde, iria recompensar tudo conversando com o Will.
Colocou a chave na fechadura e a girou. Sem pressa, abriu a porta pensando no banho quente que tomaria.
— Surpresa! – Como em uma avalanche, vozes invadiram os ouvidos do Nico sem ele se preparar.
Confuso, olhou para frente e não acreditou no que estava vendo. Ali, em seu pequeno apartamento, viu todos os seus amigos, entre eles: Percy, Annabeth, Jason, Reyna, Leo. Todos com um chapéu de aniversário.
Nico passou os olhos correndo por cada rosto ali presente, mas o seu olhar parou em uma pessoa em questão, a responsável por tudo isso: Will, que também tinha um chapéu de aniversário, mas era diferente dos outros. Era o mesmo chapéu que ele usava todos os anos.
— Feliz aniversário! – Gritou Leo com um apito na boca. Em seguida, em um coro, todos repetiram a frase.
Ainda tentando raciocinar tudo, Nico deixou que a porta fechar sozinha. Não conseguia tirar os olhos das pessoas em seus apartamento. Sentiu vontade de chorar, de novo por alegria. Desde de quando tinha tantos amigos?
Entretanto, não conseguiu falar nada, apenas sorriu. E isso bastou para todo mundo.
A festa seguiu com risadas, conversas, felicitações – que não incomodavambmais Nico – e muitos comes e bebes.
Depois de mais um constrangedor "parabéns pra você", todos decidiram seguir a famosa tradição de Will: dançar Just Dance.
O que era para ser apenas um jogo, se tornou uma competição: com equipes e um prêmio.
Por sorte, Nico ficou por último.
Enquanto esperava a sua vez e aproveitando que toda a atenção estava em Frank e Jason dançando 24k MAGIC, Nico foi até a varanda, onde Will observava a rua com atenção.
— Vai perder mesmo eles dançando? – falou Nico ficando ao lado de Will.
Sorrindo, Will se virou para observar brevemente os amigos dançando e gargalhou ao ver a cena.
— Acho que vou deixar passar. Gostou da festa?
— Como você adivinhou?
— Você me falou.
— Falei? – Nico realmente não se lembrava de ter contado para alguém que nunca teve uma festa surpresa. Até porque, ele nunca pensou em ter uma.
— Sim e não. – Will fala deixando Nico mais confuso. – Eu descobri quando estávamos planejando a do Percy. Soube ali que você nunca teve uma festa surpresa.
— Só com isso?
— Foi só o que precisei. – Will sorriu.
Atitudes e olhares, foi tudo o que Will usou para descobrir que Nico não teve uma festa surpresa. O quão observador ele podia ser? O quão real ele podia ser?
— Ah, antes que eu me esqueça. – Will levou a mão até o bolso de trás da calça e tirou uma pequena caixa embrulhada para presente. Não havia mais suspense, Nico sabia o que era. – Feliz aniversário, Nico.
Nico pegou a caixa e como todas as vezes, ficou sem palavras. Na primeira vez que recebeu o deck de Mitomagia, foi invadido por muitos pensamentos. Pensou até em jogar fora as cartas, mas não conseguiu. Então, ficou com a nostalgia dentro de si enquanto ensinava Will a jogar.
— Obrigado, Will. – falou Nico sorrindo, fazendo Will sorrir também.
Como ele amava esse sorriso. Sempre o achou bonito, desde que viu pela primeira vez. Porém, com o passar do tempo, não achava apenas bonito: era perfeito. Algo que todo dia deveria ver.
Nesse momento, Nico sentiu uma palpitação diferente. Já havia sentido isso antes, mas ignorou. Mas dessa vez ela veio mais forte.
Sem perceber, suas mãos começaram a suar e seu coração a bater mais forte.
Desejou ficar do lado de fora com Will o resto da noite, apenas eles dois.
Observando Will sorrindo, Nico percebeu que algo dentro de si havia mudado. E era algo muito bom.
Bastou um apito diferente da máquina para trazer Nico de volta a realidade. Sentia seu peito pesado e as pálpebras querendo fechar.
Will ainda estava ao seu lado, segurando a sua mão e contendo a preocupação.
— Vou chamar as enfermeiras. – Will disse pretendendo soltar a mão de Nico. Mas ele reuniu as últimas forças para apertar a mão do amigo.
Nico não queria mais. Não aguentava mais acordar no hospital, ver as pessoas que amava perdendo suas vidas ficando aqui, vendo-o definhar. Principalmente o Will.
Não havia volta nem cura, a doença estava atacando ele e só iria parar quando seu coração não mais batesse.
Por sorte ou misericórdia, Will não largou a mão do amigo e permaneceu ao seu lado.
Di Angelo ainda não sentia medo, desde o dia em que foi diagnosticado sabia do seu futuro. Aos poucos, foi desistindo da vida, seu objetivo era apenas sobreviver. Isso antes de conhecer Will Solace. Desde aquele dia, ele passou a viver.
Com uma felicidade e paz, se obrigou a recordar dos outros aniversário que tivera: um no qual Will e Jason o convidaram para uma balada. Mas, chegando lá perceberam que o lugar era um tanto quanto... estranho. Então, caminharam pela cidade até encontrarem um pequeno bar, onde passaram a noite observando idosos jogar bingo.
Outro, quando depois de Will insistir muito, Nico junto a ele visitaram a família Di Angelo para comemorar seu aniversário.
Teve outros também, onde Will os levou para um restaurante gourmet, porém os dois acabaram passando fome e foram para uma padaria comer rosquinhas.
Em todos os seus aniversários, Will estava lá propondo coisas novas, passeios novos e sentimentos novos.
Nico nunca se perguntou exatamente o motivo de voltar a amar seus aniversários depois que sua irmã morreu. Foi algo tão gradual, que sem perceber, ele voltou a amar.
Agora, depois de relembrar alguns dos aniversário que teve, a pergunta veio. E, apesar de achar que demoraria minutos ou até horas para encontrar a resposta, ela veio em um segundo.
Olhando para o lado, onde a claridade invadia seu quarto pela janela do hospital e iluminava os cabelos loiros do Will, ele soube o motivo.
— É você. – disse tossindo em seguida. – Meus aniversários. – falou buscando forças para terminar de falar.
Nico nunca precisou, apesar de ter tido, de aniversários extravagantes e lotados. Ele precisava apenas de uma pessoa e ela sempre esteve presente. Até mesmo agora.
Segurando as mãos do Nico com os olhos lacrimejantes, Will Solace se recusava a sair do lado dele.
Querendo ter mais forças, Nico desejou erguer uma das suas mãos até o rosto do garoto loiro, para fazê-lo sorrir. Para sentir aquela felicidade que por bons anos teve ao vê-lo sorrir. Porém, antes mesmo de fazer isso, antes mesmo de explicar para o Will que ele era a razão de todos os seus aniversários terem sido especiais, o último suspiro veio e seu coração parou de bater. Teve apenas breves segundos para admirar e amar pela última vez aqueles olhos azuis. E, apesar de não ter contado claramente ao Will o motivo de amar seus aniversários, ele tinha certeza que o garoto de olhos claros e cabelos loiros, sabia. Ele sempre soube.
Por fim, embora nunca nenhum dos dois tivessem falado, ambos se amavam. E esconder isso, nunca doeu tanto quanto agora, pois jamais iriam sentir como era ouvir o outro falar as três palavras que por anos desejaram escutar: "eu te amo".
Notas finais
Fui cruel, né? ME DESCULPEM! O drama e tragédia me perseguem
Nem sei como consolar vocês, porque desde que terminei a one, estou chorando!!
Nos vemos em breve.
Com amor, monogatari ❤
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