Notas iniciais
Bem, este é o Prólogo, então sejam bonzinhos, sim?
É minha primeira obra com este casal, então perdoem qualquer erro, mas avisem se estiver OC ou algo do tipo, porque preciso realmente saber se por acaso estiver (é o tipo de coisa que não suporto fazer).
Boa leitura!

Roxas se levantou da cama, vacilando quando se pôs de pé. Estava com sono, mas não cansado. Foi até o pequeno lavabo no outro cômodo e limpou o rosto. O dia estava começando.

Lá fora, o sol esquentava a fria manhã, onde uma fina camada de névoa ainda insistia em existir sobre os campos verdes ao norte, e também nas vastas florestas ao leste. Altas montanhas se erguiam, majestosas, pelo caminho do sul. Só o mar restava no oeste.

Roxas vestiu um casaco de fã de cabra, feito por ele mesmo improvisadamente. Não era um trabalho de um mestre das agulhas, mas servia contra o frio. Logo cedo, começou a arar o pequeno pomar de hortaliças que tinha ao lado do pequeno casebre, e não demorou a sentir sede.

Alimentou as cabras, comeu pão com queijo, arrancou algumas ervas daninhas que insistiam em crescer em meio às hortaliças e então se espreguiçou, colocando as mãos nas costas enquanto se empurrava um pouco para frente. Seus músculos já definidos se destacavam sob o casaco e a camisa sem nenhum esforço. Tinha um corpo de um atleta mirim graças ao trabalho braçal de todos os dias em sua pequena “fazenda” (se é que podia ser chamada assim, por ser realmente muito pequena).

Morava só desde que sua mãe morrera, a cerca de dois anos atrás. Quanto a seu pai, nunca mais o tinha visto desde que ele fora para as linhas de frente na Guerra de Twilight contra o reino vizinho, The Kingdom That Never Was, mas comumente chamado de Kingdom. Naquele ano iria completar uma década de guerra interrupta.

Roxas pegou um cesto de vime que usava para carregar compras e tirou algumas moedas de bronze de debaixo do colchão, onde guardava suas economias tão duramente conseguidas. Apertou o casaco contra si e deixou a fazenda, começando sua caminhada até o centro comercial de Twilight Town, uma cidade fronteiriça próxima a sua fazenda.

Chegou á estrada e não demorou a achar uma carroça em qual pudesse subir para não ir andando, cujo quem dirigia era um velho homem com rosto simpático.

-Qual sou nome, meu jovem?- Perguntou formalmente o homem.

-Roxas. -O loiro respondeu, com um esboço de sorriso nos lábios. Apesar de passar tanto tempo só em sua fazenda, ainda sabia ser simpático.

-E para onde vai?

-Twilight Town, senhor. O senhor parece ter muitas mercadorias aqui. — Roxas falou, olhando para as grandes massas embaladas em tecidos chamativos ao seu lado. — De onde vem?

-Lá de Hollow Bastion... O rei está ficando louco, garoto. Ele agora quer que todos nós entremos na guerra, até mulheres e crianças.

-Hum... Queria que essa guerra acabasse logo.

-Você não é o único. Sabe, muitos de nós, comerciantes e viajantes, estamos sendo prejudicados porque nem podemos sair pelas fronteiras que foram criadas justamente para nós. Mas sabe qual a nova? O príncipe lá de Kingdom foi pra guerra lutar ao lado de seus soldados, mas por pura birra, acredita? Ele ficou com raiva porque as leis do seu reino não permitem que ele assuma o trono ainda, por ser muito jovem, então ele simplesmente fugiu do castelo.

-Mas sabem onde ele está?

-Ouvi boatos entre os ciganos que diziam que ele está na unidade próxima a Twilight Town, tão perto daqui que acho até perigoso. Também disseram que, para não ser identificado, ele luta com um elmo de prata. Nada chamativo, ham?- O velho brincou, dando algumas cotoveladas nas costelas de Roxas, que sorriu.

Pouco tempo depois, chegaram a Twilight Town, uma cidade de porte médio, embora altamente barulhenta e apinhada de compradores e vendedores dos mais estranhos e incríveis artigos.

Roxas se despediu do homem e começou a caminhar em direção a já conhecida loja onde sempre comprava tudo que precisava e que não podia colher em seu pomar. A loja a qual ia não era uma loja especializada, e sim “desespecializada” nas coisas, ou seja, tudo que você pudesse querer, provavelmente poderia encontrar ali, incluindo as famosas garras dos dragões, item muito procurado pelos magos de Twilight.

O loiro passou pelas multidões até encontrar a loja, enfurnada num beco sujo, também usado como moradia para dezenas de gatos. Roxas adentrou o lugar, jogando sua cesta de vime em cima do balcão e sorrindo brincalhonamente.

-Hey! Que diabos... -Começou o balconista, que até aquele minuto estava de costas olhando algum item curioso em suas mãos, mas assim que ouviu o barulho da cesta de Roxas, virou-se de repente, sorrindo alegremente quando viu o loiro do outro lado do balcão. -Olha só quem apareceu! Já estava sentindo sua falta, sabia?

-Mentira, Axel, você estava sentindo era falta do meu dinheiro. -Roxas falou, sentando-se num banco próximo e apoiando os cotovelos no balcão.

-Haha... Muito engraçado, Roxas. O que vai querer dessa vez?

-Óleo de Cobra Verde. O inverno está chegando e preciso passar na madeira da casa se eu quiser sobreviver.

-Você sabe que pode ficar aqui se quiser. Cansei de repetir isso pra você.

-Nah, eu gosto da minha casa.

-Se é que pode chamar aquilo de casa, né...

-Vá logo buscar.

Axel riu e se virou, passando suas mãos no avental que vestia sobre a camisa de couro e a calça de lã. Era alto, com revoltos cabelos ruivos e penetrantes olhos cor de esmeralda (que muitos até achavam ser vindo de feitiçaria por serem tão... Belos, digamos), porém, também era bastante jovem. Tinha herdado a loja “desespecializada” do pai quando o mesmo faleceu, e como não tinha irmãos, não demorou a assumir o negócio. Sua mãe estava vagando pelo mundo com algum duque rico...

-Sora!-Axel gritou, olhando para Roxas de forma maliciosa.- Lembra que da última vez eu quis te apresentar alguém, mas você foi embora antes porque começou a chover?

-Lembro. Quem é o desafortunado?

De uma porta que havia atrás do balcão, surgiu um garoto, não mais velho que Roxas, com cabelos castanhos, olhos bastante azuis e um rosto tão inocente quanto o de um bebê.

-Roxas, este é Sora, meu novo assistente, colega de quarto e amante. -O ruivo falou, sorrindo e abraçando o moreno, que começava a corar violentamente.

-Ah, que bom, Axel. É realmente uma boa notícia. -Roxas falou, meio constrangido.

-Ham... Hum... Oi, sou Sora. -O moreno estendeu uma das mãos, desvencilhando-se de Axel, que ainda sorria maliciosamente, olhando para algum lugar impróprio do moreno, a sua frente agora.-Eu... Ham... Posso ajudá-lo em alguma coisa? Ou você só veio conversar com o Axel?

-Sim, pode me ajudar sim, não perco meu tempo só pra conversar com essa taça de vinho ambulante.

-Taça de vinho?

-Nunca olhou pra cintura dele? Sério, que tipo de homem tem uma cintura assim... É tão...

-Tá, chega, parem de fofocar sobre mim. Eu estou bem aqui, sabiam? Bem, tenho coisas a fazer também, senhor “albino”, e vê se aparece mais por aqui, tá legal? Sinto sua falta de vez em quando. Ah, e Sora... -Axel se aproximou mais do moreno e deu um ligeiro, mas alto, tapa em sua bunda, enquanto sorria sedutoramente. -Atenda nosso cliente, sim?

Sora corou mais ainda e olhou para os lados, vendo se nenhum dos outros clientes que não fosse Roxas, tinha visto aquilo. Suspirou de alívio e resmungou um “tá”, olhando para o loiro a sua frente em seguida.

-Então...

-Óleo de Cobra Verde, Sora.

-Ah, sim, claro, já estou indo.

Meio que atrapalhado, o moreno entrou novamente pela porta onde saíra antes e, de onde o loiro estava, pode-se ouvir o barulho de coisas caindo e quebrando. Ah, estabanado, com cara de criança e indefeso, o perfeito tipo que Axel mais gostava.

Roxas, enquanto isso, olhou dentro do bolso interno do casaco, verificando se suas moedas ainda estavam lá. Felizmente, estavam. Olhou em volta mais uma vez, pondo os orbes azuis nas mercadorias novas da loja. Um crânio retangular repousava sobre uma prateleira bastante alta, numa estante atrás do balcão. Ao seu lado havia um chapéu que mudava de cor a cada dois segundos, uma pedra transparente com um olho que se movia dentro dela, um pote contendo um conteúdo totalmente negro (e que chegava a dar arrepios se você olhasse demais), uma boneca sem olhos e artigos mais estranhos ainda...

-Pronto!-Sora exclamou quando voltou ao balcão, segurando em suas mãos um frasco com um líquido verde-amarelado, bastante viscoso e quente.

Roxas pegou o frasco e tirou suas moedas do bolso, olhando nos olhos do moreno, que era ligeiramente mais baixo que ele, mas com os olhos quase que totalmente iguais.

-Quanto é, Sora?

-Axel disse para eu não cobrar nada por ele. -O moreno respondeu, meio inseguro.

-Sora, eu preciso preservar minha integridade. Vai lá, me diz quanto é.

-Mas o Axel...

-Esquece aquele ruivo, ele não está aqui agora.

-Se ele perguntar, vou dizer que você deixou assim mesmo, senão ele vai brigar comigo... São quatro moedas de cobre.

Roxas entregou as moedas que tinha a Sora e sorriu, indo em direção a saída e levando o Óleo consigo.

-Tchau, Sora, e dê um tchau por mim no Axel, sim?

-Ah! Claro!

Então Roxas deixou o lugar, saindo no beco e depois no centro comercial, que ainda abrigava um enorme grupo de pessoas apressadas e atarefadas, comprando suas coisas.

A compra do Óleo tinha deixado Roxas quase totalmente sem dinheiro. Claro que poderia ter levado de graça, mas jamais gostou de dever favores aos outros, mesmo para Axel, que era seu amigo desde antes do começo da guerra de Twilight contra Kingdom. O loiro caminhou mais um pouco e parou numa padaria, onde se podia sentir o quente aroma dos pães recém-saídos do forno e a doçura dos bolos e doces de frutas.

O loiro comprou alguns pães e um bolo, anunciando oficialmente o fim das suas economias pelo resto do mês, mas como já era praticamente inverno e nesse meio tempo mal sairia de casa, não tinha com o que se preocupar se soubesse racionalizar a comida. Com as compras em sua cesta de vime, Roxas foi até os grandes portões de Twilight Town, por onde entrara mais cedo com o homem simpático da carroça.

O único problema era que teria que ir andando até sua fazenda, coisa que demoraria no mínimo umas duas horas. Pela posição do sol, quando chegasse em casa, iria ser quase fim de tarde. Olhou só mais uma vez ao redor, procurando uma carroça que estivesse voltando, mas geralmente, as carroças de “volta” só apareciam a noite, bem mais tarde. O loiro então suspirou e começou a andar.

A viagem, apesar de longa e um pouco cansativa, foi até divertida. Durante todo o caminho, Roxas cantou cantigas que sua mãe cantava para ele dormir, versos que sabia de cor por tanto escutar. Muitas pessoas diziam que o loiro era dono de uma voz bastante singular e melodiosa, embora o mesmo jamais desse muita importância a isso.

Foi bem na hora do por do sol que Roxas chegou a sua fazenda. Olhou os pomares, intactos, já mostrando seus legumes e frutas prontos para serem colhidos e servirem de mantimentos durante o inverno. Adentrou a casa, jogou a cesta em cima da antiga mesa de madeira e tirou o casaco, deixando-o próximo a porta, fechando a mesma.

Pegou o frasco com Óleo de Cobra Verde e não demorou a passar em todas as tábuas de madeira da pequena casa, que nessas horas, era bastante útil por ser pequena. O lugar tinha três cômodos: Um quarto, um lavabo e uma sala que servia de cozinha, sala de jantar e o que mais precisasse.

Quando terminou, a noite já tinha coberto os campos verdes, as florestas e tudo o mais. O loiro olhou pela janela da sala. Lá fora, o primeiro floco de neve caía silenciosamente no chão. O inverno tinha chegado.

Lavou seu rosto novamente, despiu-se e se deitou na cama, não demorando a fechar os olhos. O bom de passar o dia inteiro “trabalhando” era que no fim, você não demorava a dormir.

Porém, lá longe, estava acontecendo uma das batalhas da Guerra. Twilight Town é uma cidade fronteiriça, ou seja, faz “fronteira” com o reino de Kingdom, o que a tornaria bastante vulnerável se não fosse por duas coisas: O exército aliado defendendo-a sem parar a dezenas de quilômetros de distância, mais exatamente na Fronteira, e a enorme e densa muralha que protegia a cidade, sempre ocupada pelos melhores arqueiros da região.

Por isso, quase nenhum habitante se preocupava realmente com a invasão de Twilight Town, já que esta jamais tinha sucumbido a nenhum dos seus inimigos em pouco mais de mil anos.

Mas não Sora. O coitado do moreno, apesar de já ser tarde, não conseguia pregar os olhos sem acabar por “ouvir” os gritos da Guerra, sem “ver” os corpos de milhares no chão e sem “tocar” seu próprio corpo e encontrá-lo mutilado. Era como um pesadelo horrível que o moreno tinha de olhos abertos.

Com medo, Sora se levantou da cama e olhou pela janela do quarto do segundo andar, onde estava. Pensou ter visto algo lá longe, onde estava acontecendo a Guerra, algo que lembrava um animal muito grande...

-Sora? O que foi?-A voz de Axel soou no cômodo, e logo o moreno se viu abraçado pelo maior, que parecia niná-lo em seus fortes e longos braços.-Está com medo de novo?

-É a Guerra, Axel... Ela não para... -O moreno sussurrou, ainda com medo, se virando para o ruivo e enterrando seu rosto no peito desnudo do outro, que continuou com os braços em volta do menor.

-Shhh... Está tudo bem, Sora. Vai tudo ficar bem...

Foi então que ambos ouviram um barulho ensurdecedor, que mais parecia um urro de um animal enorme do que de qualquer outra coisa. Sora tremeu nos braços do ruivo, enquanto o mesmo olhava, de boca aberta, pela janela, em direção ao campo de batalha.

Sora viu a expressão do maior e, preocupado, perguntou:

-O que foi, Axel? Qual é o problema?

O ruivo não respondeu de imediato, mas quando respondeu, sua resposta não passou de um leve sussurro:

-Eles estão usando... Dragões.

Axel, por já ter mais de duas décadas de vida e por ter também aprendido bastante com seu pai, sabia que desde as Guerras Antigas não se viam Dragões no campo de batalha. Eram seres orgulhosos e difíceis de controlar, mas que quando eram postos sob controle, eram garantia certa de vitória a menos que o inimigo soubesse como abatê-los sem estrago.

O ruivo se assustou naquele momento. E se eles conseguissem passar pela Muralha de Twilight Town e a invadissem? O que aconteceria a Sora e a ele? Mas... Não, aquilo era impossível. Twilight Town jamais seria invadida, nem mesmo com a ajuda de um Dragão.

Pensando nisso, o ruivo puxou Sora de volta para a cama, onde se deitaram, abraçados. Naquela noite, ambos tiveram pesadelos.

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Na manhã seguinte, Roxas acordou mais sonolento do que nunca. Havia tempos que não dormia até tarde por causa do seu trabalho diário na fazenda, mas como era começo de inverno, tinha que acordar mais cedo.

Levantou-se, lavou o rosto, vestiu seu casaco, alimentou as cabras, colheu algumas frutas e legumes e cuidou de outras coisas na pequena fazenda. Embora dentro da casa estivesse um agradável clima quente, lá fora fazia bastante frio, e o chão já estava totalmente coberto pela neve.

Mais tarde, no meio da manhã, Roxas comeu pão com carne de cabra enquanto olhava os campos verdes ao norte. Distantes, mas ainda assim, muito belos. Diziam que se você continuasse indo por aquela direção sem parar, era capaz de chegar à capital do reino, Twilight Throne, sem pegar a Estrada Principal. Quem sabe tentasse algum dia...

O loiro voltou a suas atividades e quando as terminou, já era por volta do meio da tarde. Foi quando ouviu o som de passos ao longe e olhou para a entrada da fazenda: Um fino arco de madeira quase caindo.

A silhueta alta de Axel e os cabelos revoltos cor de terra de Sora não demoraram a aparecer. Ambos vestiam casacos pretos que cobriam todo o corpo, e luvas também adornavam suas mãos. Pareciam preocupados.

-O que fazem aqui?-Roxas perguntou, parando de arar a terra e apoiando a pá numa das mãos. Visitar Axel era uma coisa normal, mas o ruivo pouquíssimas vezes vinha lhe visitar (talvez pelo fato de que jamais podia deixar a loja fechada ou sozinha ou sozinha com Sora, o que era mais perigoso ainda agora).

-É assim que cumprimenta seus amigos?-Axel falou, ofegante. Parecia que tinham vindo correndo de Twilight Town até a fazenda do loiro.

-Eles... Trouxeram... Dragões!-Sora exclamou, apavorado.

-Dragões? Como conseguiram? Quer dizer, esses bichos não eram super difíceis de domar?

-Eram. Agora não são mais. Eu falei com uns amigos meus, soldados da Fronteira. Eles estão dizendo que existem cerca de três Dragões no total. Um está no campo de batalha, o outro foi abatido nessa manhã e o último, ninguém sabe onde está. -Axel respondeu rapidamente.

-Isso não é bom...

-Roxas, eu e Sora vamos embora. Tenho dinheiro suficiente para montar qualquer tipo de negócio em qualquer tipo de lugar, além de que Sora não aguenta mais ficar tão próximo de um campo de batalha, mesmo estando a quilômetros de distância. Quer vir conosco?

-Embora? Mas... Axel... Eu não posso. Não posso ir embora. -Roxas respondeu, meio cabisbaixo de repente.

-Por que não? Nada mais te prende a este lugar, Roxas! Sua mãe está morta, você não tem irmãos e mais nenhum parente!

-Mas e meu pai? E se ele voltar? Eu tenho que ficar aqui esperando por ele.

-Já fazem mais de 12 anos, Roxas. Ele não vai voltar.

-Mas mesmo assim, eu não vou.

-Vamos, Roxas! Eu estou aqui, basicamente implorando pra você vir com a gente! Já pensou se os soldados inimigos realmente invadem Twilight Town? Você seria morto!

O loiro olhou para Axel, respirou fundo, e então sorriu de uma forma dolorida.

-Vou sentir sua falta, Axel. E a sua também, Sora, embora eu não o tenha conhecido muito bem.

Axel olhou para o loiro. Ele sabia que não conseguiria fazê-lo mudar de idéia, mesmo que tentasse e insistisse por um milhão de anos. O ruivo suspirou e disse:

-Partiremos essa noite. Vamos viajar pelo norte em direção a Capital. Se quiser ir, vai saber me encontrar.

-Vou saber sim, claro.

Axel se virou, segurando a mão de Sora e começou a se afastar, mas voltou novamente e disse:

-Ah, Roxas, cuidado. Se Twilight Town for invadida, fuja. Não quero nenhum amigo meu morto enquanto eu ainda estiver vivo, sim?

-Claro, Axel, claro. Adeus, vocês dois.

Então o casal deixou a fazenda do loiro, que continuou a arar a terra.

Durante todo o resto do dia, Roxas pensou se não deveria ter aceitado o convite de Axel. Claro que seria bem recebido e quem realmente não tinha nada a perder, mas... Alguma coisa o fazia ficar. Não tinha certeza, mas talvez essa coisa fosse seu pai, ou então a própria comodidade. Talvez estivesse tão acostumado a aquele lugar que não saberia o que fazer fora dele. Balançou a cabeça várias vezes. Estava pensando como um velho caduco.

Quando anoiteceu, Roxas se preparou para dormir. Lavou-se novamente e despiu-se, deitando-se na cama em seguida. Mais uma vez, não demorou a dormir. Porém, agora bastante próximo de Twilight Town, a batalha continuava.

A Guerra, como todos chamavam, abrangia a guerra entre os reinos de Twilight e The Kingdom That Never Was ou somente Kingdom. Porém, o conflito que estava acontecendo naquele momento bem perto de Twilight Town não era “a Guerra”, e sim só mais uma batalha. Embora todos chamassem de “Guerra” todos os conflitos armados entre esses dois reinos, estavam acontecendo dezenas de conflitos em dezenas de lugares ao mesmo tempo. Resumindo, a Guerra não era um conflito isolado, e sim dezenas deles que ocorriam ao mesmo tempo em diversos lugares de ambos os reinos.

Foi então que, no meio de seu sono sem sonhos, Roxas acordou sobressaltado. Pulou da cama, praticamente. O motivo? Um enorme estrondo bem próximo de sua casa.

Primeiramente, pensou em coisas simples como uma árvore com raízes fracas caindo, um trovão, um animal fazendo alguma besteira na sua horta... Por isso, pegou uma espada que guardava escondida embaixo da cama, vestiu seu casaco, uma calça e saiu porta a fora.

Fora do casebre, a única luz era provida pela Lua cheia no céu, livre de qualquer nuvem. Tudo estava absolutamente normal, pelo que Roxas podia ver. Foi até o pomar. Nada. Olhou as cabras e contou as cabeças. Todas estavam ali, embora também estivessem acordadas e inquietas por causa do estrondo.

Roxas, decidindo deixar para lá, retomou o caminho até seu casebre, mas seu orbes azuis se prenderam na densa floresta que ficava bem perto da sua fazenda. Se fosse uma noite qualquer, teria tratado de entrar em casa e voltar a dormir, afinal, estava tarde e o dia seguinte seria cheio. Mas aquela não era uma noite normal.

Por isso, ele adentrou a floresta, com uma espada velha na mão e com os olhos bem atentos. Caminhou, sempre procurando ouvir todos os sons, mas não conseguia distinguir nada de incomum.

Andou mais um pouco, e quando estava perto de desistir, ouviu. Foi baixo, mas estava na cara que tinha sido uma espécie de gemido de dor. O loiro prendeu e respiração e apressou-se, e logo achou a causa daquele estrondo enorme.

Um Dragão, agora morto, havia caído sobre as árvores, derrubando grande parte delas. O bicho era enorme, tanto que daria umas quinze casas de Roxas juntas. O loiro, meio maravilhado por ser a primeira vez que via um Dragão tão próximo, meio apavorado pelo mesmo motivo, não demorou a ver o profundo rasgo no peito do animal, por onde derramavam litros de sangue. O Dragão havia sido ferido mortalmente na Fronteira, próximo a Twilight Town, mas tentando fugir, foi parar bem na floresta perto de Roxas.

O loiro estendeu uma mão e tocou numa das escamas do animal. Eram de um azul tão belo que...

-Socorro... -Sussurrou uma voz esganiçada de algum lugar.

-Olá? Quem disse isso?-Roxas falou, procurando no escuro o dono da voz. A palavra havia sido tão baixa que por um momento o loiro pensou que estivesse escutando coisas.

Porém, não demorou a ver um corpo caído um pouco mais longe do Dragão. Roxas foi até lá, pensando se aquele seria o soldado que estava montado no animal. O loiro se agachou e se aproximou.

O soldado vestia uma armadura de bronze comum, mas seu elmo era de prata. “Elmo de prata...” Tinha ouvido isso em algum lugar...

-Socorro... -Sussurrou a voz novamente, e Roxas teve certeza de pertencer ao soldado. Tentando ajudá-lo a respirar melhor, o loiro retirou seu elmo e o deixou caído em algum lugar entre as raízes das árvores.

O soldado a sua frente era bastante jovem, talvez alguns anos mais velho que ele, mas com certeza era jovem. Tinha cabelos prateados que desciam até abaixo dos ombros, e um rosto de um nobre. Não conseguia ver a cor dos olhos, pois os mesmos estavam fechados.

Bem, não podia deixá-lo ali, podia?

Notas finais
Bem, se você chegou até aqui, parabéns! Você leu o prólogo inteiro e por isso merece uma estrelinha azul que lhe enviarei (ou não) via sedex! Syn-chan Inc agradesce sua colaboração, uahauhauahuaha (piada sem graça,eu sei *morre*).
Enfim, muitíssimo obrigada por lerem, e já que você leu 10 páginas do Word, não custa deixar uma review, custa?
Reviews please, elas são a cachaça que faz todo autor feliz.
Kisses!!