Forever

2 Cachecol vermelho


Mas, como o amor era bondoso e não media esforços, decidi fazer uma última tentativa. Eu estava há tempos tricotando um cachecol vermelho para Naruto, pois lembrava bem que o dele foi completamente destruído, quando me defendeu na infância faqueles garotos idiotas que caçoavam de mim. Inclusive, o que restou do cachecol eu guardei à sete chaves, como lembrança daquele dia que tanto me marcou.

Nunca soube se teria coragem para entregar o cachecol que eu refiz com o que restou do anterior, no entanto, chegara a hora. Finalmente entregaria o cachecol, como um presente de despedida. Para enterrar meu amor por ele de uma vez por todas!

Assim sendo, segui caminhando novamente pela vila, disposta a encontrar Naruto por aí. Talvez comendo no Ichiraku ou até mesmo com Sakura. Já que eles eram unha e carne, viviam grudados.

Portanto, respirei fundo e fui, torcendo para conseguir realizar ao menos isso. Eu não poderia ser tão covarde a ponto de não ter coragem sequer de entregar meu presente, ou poderia?

Balancei a cabeça e segui em frente. Segurando meu presente apertado rente ao peito. Quando cheguei próximo ao Ichiraku, encontrei Sakura, Ino, Shikamaru, Choji e Naruto comendo e conversando animadamente. Senti meu peito queimar diante da cena, eles estavam tão felizes, só eu continuava com a mesma melancolia na alma, que a cada dia me consumia mais e mais.

— Hinata? — ouvi a voz de Sakura e voltei para a realidade.

— Ah, boa noite, Sakura-chan. — saudei-a em seguida.

— Hinata, tudo bem? — era Naruto.

— Tudo sim. — menti outra vez.

— Oi, Hinata! — exclamou Ino. — Senta com a gente. — pediu animada.

— Vem. — reforçou Sakura. — Fica aqui ao lado do Naruto.

Corei só pela simples menção ao nome dele e fui indo em sua direção.

— Isso, fica aqui do meu lado. — pediu dando lugar a mim e pulando para o outro banco.

Sorri de orelha a orelha ao ouvi-lo e, novamente, meu peito e minha chama interna foram reaquecidos com aquele gesto.

Como tudo que era bom durava pouco, entretanto, outra vez algumas garotas o viram, quando saiu para me dar lugar e correram para agarrá-lo.

— Naruto-senpai... — se derreteram na frente dele, como um sorvete embaixo do sol quente.

Senti meu sangue ferver.

— Oi, meninas. — sua voz rouca reverberou e eu quis morrer ali mesmo. — Obrigado pelos presentes, podem comer, hoje é por minha conta! — anunciou solicito.

— Obrigada, Naruto-senpai. — agradeceram em coro e eu crispei os lábios de ciúmes.

Seria para sempre assim? Que merda de vida. Para o inferno com esse amor! Tinha até ignorado o cachecol em seu pescoço, na certa presente de uma daquelas meninas. Só que essa humilhação era demais, nem todo o amor do mundo aguentaria esse tipo de afronta!

Levantei-me apressada e inventei uma desculpa:

— Descobri que não estou com fome, desculpe.

Ino olhou-me consternada e Sakura disparou na sequência:

— Naruto, acompanhe Hinata. — as meninas ainda o alisavam nos braços e cultucavam seus risquinhos nas bochechas.

— Por quê? — devolveu confuso.

— Hinata é uma dama, não deve andar desacompanhada tarde da noite. — Sakura retrucou e sua voz soou quase como um trovão.

— Mas ela é tão forte, ninguém ousaria fazer nada com Hinata.

Ao ouvir isso, simplesmente sai correndo. Era definitivamente a última vez que eu tentava uma aproximação.

— Chega! — gritei para o nada. — assim que me vi longe o suficiente deles. — Cansei de você, Naruto.

Enxuguei as lágrimas quentes que banhavam meu rosto e fui caminhando pela vila. Tentando colocar meus pensamentos em ordem. E, quando já estava sentada em um balanço, senti a presença do meu amigo.

— Kiba-kun.

— Hina-chan. — devolveu e me deu um beijo estalado na bochecha. — O que faz aqui a essa hora e sozinha?

— Estava pensando na vida. — suspirei tristonha.

— Ei, o que houve? — Kiba apressou-se em sentar no balanço ao meu lado. — Você está triste, Hina?

— Um pouco. — confirmei, não aguentava mais esconder minha tristeza.

Eu queria colocar para fora.

— Me conta o que aconteceu. — Kiba pediu e no instante seguinte tocou levemente meu rosto.

Quando o fez, notei a silhueta de Naruto quase à nossa frente. Ele chegou tão sorrateiro que nem percebi, também não senti seu chakra.

Consequentemente, olhei em sua direção e Kiba fez o mesmo.

— Boa noite, Naruto. — cumprimentou educadamente, mas percebi um certo desconforto em meu amigo. — Tudo bem?

— Boa noite, Kiba. — Naruto respondeu, amistoso. — Estou sim e você?

— Bem. — Kiba anuiu e continuou: — O que faz por essas bandas?

— Vim ver se Hinata estava bem, ela saiu do Ichiraku um pouco apressada.

— Estou ótima, Naruto-kun. — afirmei decidida.

— Ah, que bom. — Naruto coçou a nunca. — Se é assim, já vou indo... — fez menção de ir embora, mas permaneceu nos olhando desconfiadamente.

— Boa noite, Naruto. — Kiba o incentivou a ir.

— Antes, posso fazer uma pergunta? — Naruto olhou-me com um misto de angústia e algo mais nos olhos, que não reconheci ao certo o que era.

Fiz que sim com a cabeça e ele completou:

— Vocês estão... Tipo... Juntos? — quis saber, receoso.

Kiba iria responder, apesar de incomodado com a pergunta. Eu, porém, fui mais rápida:

— Sim. — confirmei apenas.

— Estamos? — Kiba olhou-me com os olhos pulando das órbitas.

— Estão? — Naruto reforçou o questionamento em seguida.

— Estamos nos conhecendo. — afirmei resoluta. — Obrigada pela preocupação, Naruto-kun.

— Nã-não foi nada. — gaguejou e eu franzi a testa. Nunca o vi gaguejar com ninguém, muito menos na minha frente, não entendi o que significava. — Então, boa noite e felicidades! — exclamou de um jeito forçado, antes de me lançar um sorriso de estreitar os olhos.

— Obrigada. — respondi, olhando-o fixamente, como se quisesse passar segurança sobre minhas ações.

Naruto ainda ficou parado alguns segundos em nossa frente, como se tivesse assimilando a notícia. Por fim, com um aceno de cabeça, afastou-se.

— O que foi isso, Hina? — Kiba indagou, ainda estupefato.

— Eu... Eu... — minha razão começava a retornar e entrei em desespero pela merda que havia feito.

Nunca mais teria o Naruto pra mim!

Comecei a chorar copiosamente e Kiba puxou-me para um abraço meio desajeitado.

— Você ainda gosta dele, não é. — não foi uma pergunta e sim uma constatação.

— Si-sim. — concordei com a voz embargada. — Eu sou uma otária!

— Você não é otária, Hina. — ouvi em resposta. — Vai dar tudo certo... — garantiu afagando meus cabelos. — Pode contar comigo para o que precisar, está bem?

Kiba levantou meu queixo com o indicador e eu sorri em meio às lágrimas.

— Desculpa, Kiba-kun. Eu queria demonstrar que não preciso dele. — murmurei, mesmo que envergonhada. — Cadê o Akamaru? — mudei um pouco de assunto, sentindo falta do cachorro, pois os dois não se desgrudavam também.

— Está dormindo, aquele preguiçoso! — descontraiu e eu sorri, era bom ter amigos que me amavam de verdade. — Não esquenta, eu não vou te julgar.

Jamais teria feito algo do tipo se não fosse ele, Kiba e eu éramos muito amigos desde a infância. Eu sabia que ele não me julgaria, assim como afirmou, pelo meu acesso de loucura momentânea. Todavia, a pergunta que não queria calar era: Como eu sairia daquela situação, na qual eu mesma me coloquei?

Tinha dado um tiro em meu próprio pé mentindo daquela forma?