Forever

1 Capítulo 1 - Reencontro


Notas iniciais
Primeira história que posto na categoria Nárnia, espero que gostem.
Um obrigada especial para May, que fez esta capa linda. Pra Alle, que adorou a ideia, e pra Liz, que sempre me apoia.

Roupas das garotas.

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Nos vemos lá em baixo.

"A eternidade é muito para aqueles que nada tem, mas é pouco para os que amam" — Mary Lira

Mais uma vez eu estava lá, perdida em meio ao caos que eram meus pensamentos. Seu rosto flutuava em frente a minha face, como uma sombra sempre a me perseguir. O calor de seu corpo ainda arrepiava o meu, mesmo que na memória. As lembranças de nossos momentos juntos fazia-me sentir perdida e sem vida.

–Marie, acorda! — Alice gritou próximo ao meu ouvido, fazendo-me pular de susto. Olhei para ela, que me sorria tentando encorajar. Hoje tínhamos um baile na casa de seu noivo, Pedro Pevensie. Todos comemorariam o aniversário de Lúcia.

–Você ainda não está pronta? — Bela apareceu gritando do corredor, colocou a cabeça no vão da porta e nos olhou feio. Eu sorri amarelo e ela balançou a cabeça, adentrando o quarto em seguida. — Por que ainda não se arrumou, Marie? — indagou-me.

Dei de ombros, não queria contar o verdadeiro motivo de minha demora. Mas talvez não fosse necessário, elas sabiam, afinal, foram elas que embarcaram comigo naquela louca viagem.

Depois de conhecermos os irmãos Pevensie, Pedro e Susana viajaram para cursarem a faculdade, enquanto Lúcia e Edmundo ficaram na casa do tio, que por coincidência era nosso vizinho. Numa tarde qualquer, nós marcamos de nos encontrar, já que Bela estava apaixonada pelo mais novo dos Pevensie. No horário marcado, eles não foram nos ver, então resolvemos procurá-los. Entramos na casa, que aparentemente estava vazia, e subimos até os quarto, e foi quando tudo aconteceu. Ao abrirmos a porta de um dos cômodos, nos vimos levadas pela água que, inexplicavelmente, transbordava de uma das molduras do quarto. Sem saber como, fomos parar em mar aberto, sendo resgatados em seguida por uma tripulação completamente estranha.

Lúcia sorria, assim como Edmundo, logo todos foram cumprimentar alguém que num primeiro momento eu não dera importância. Eustáquio, o primo dos Pevensie estava desmaiado, e eu tentava acordá-lo, até que uma voz docemente rouca soou atrás de nós.

–Quem são elas, Edmundo? — antes mesmo de me virar eu já podia sentir a intensidade de seu olhar sobre minhas costas, e quando por fim o olhei, não tive dúvidas que aquele era o homem mais impressionante que eu já vira.

–Elas são nossas amigas — respondeu Lúcia, vindo se juntar a nós. — esta é Bela, a outra é Alice e esta aqui é Marie — as meninas se limitaram a sorrir e acenar, enquanto sentia o sangue de meu corpo se acumular em minha face. Eu estava corando, e não sabia o por que. Bom, não naquele momento. — E meninas...O que vocês estão fazendo aqui...?

–Lúcia — chamou Edmundo, olhando-a torto e rindo em seguida. — Garotas, esse é o rei de Nárnia, Caspian X. — E foi depois disso que nossas vidas giraram de ponta cabeça, embaralhando minha mente mais do que nunca.

–Ei, terra chamando Marie — Alice estalou os dedos em frente aos meus olhos, assustando-me.

–Me desculpe, vou apenas por o vestido e desço num minuto. — precipitei-me para o banheiro, trancando-o depois de entrar. Eu só queria um pouco de tempo para refletir, mas eu não o tinha. Apressei-me em me enfiar no vestido, ajeitei o cabelo o melhor que pude e saí do banheiro. Calcei os sapatos e ajeitei as joias. Bela e Alice já estavam no andar inferior.

Respirei fundo antes de descer, e quando por fim, me senti pronta, rumei para escada. Desci com a maior calma possível, com medo de rolar escada abaixo com os saltos.

Quando alcancei o piso inferior, o barulho do automóvel que nos buscaria anunciou sua chegada. Bela foi a primeira a abrir a porta, e logo Alice e eu saíamos.

A chegada a casa dos Pevensie fora mais rápido do que eu me lembrava, o lugar estava bem iluminado e decorado, com garçons transitando pelo salão servindo champagne e vinho aos convidados. Não demoramos a avistar Pedro e Edmundo, já que as duas criaturas, as quais chamo de amigas, praticamente abriram caminho as braçadas entre os convidados.

–Olá, querida — Pedro cumprimentou Alice com um sorriso e um beijo em sua testa, eu me sentia feliz ao vê-lo ser tão carinhoso com ela. Era sempre assim, não havia exageros, apenas sentimentos. — Oh, Marie — ele beijou minha mão, em seu típico gesto cavalheiresco.

–Oi, amor — Edmundo deu um rápido beijo em Bela, que agora tinha um sorriso maior do que o considerado saudável. — Oi, Marie — Ed me puxou para um abraço, pois é, ele era muito mais informal do que o irmão. Porém, não menos fofo.

–Cadê Lúcia e Susana? — questionei, depois de notar que não as encontrara ainda.

–Lúcia está... Bem ali, com Susana e .... Aquele eu não sei quem é, mas não parece estranho — Edmundo apontou para direção oposta a minha, virei- me apenas para me deparar com a mais nova dos Pevensie conversando com um homem alto, de cabelos escuros e porte considerável, ao seu lado estava Susana, com os olhos brilhando. Um aperto no peito me dizia que eu conhecia aquele estranho, mas eu não podia acreditar, seria muita coincidência.

–Certo, eu vou... Beber alguma coisa, falo com ela depois — despedi-me do grupo ao qual conversava, e me dirigi até a cozinha da mansão, eu precisava beber água. Achei um copo no armário e o enchi, virei o líquido de uma vez. Certo, acalme-se. Você não pode surtar no aniversário de sua amiga, não faça essa bobagem.– disse a mim mesma.

Coloquei o copo na pia e saí da cozinha, dirigindo-me novamente ao salão onde a festa ocorria. No exato momento em que meus pés tocaram o centro do local, as luzes diminuíram e uma música lenta se iniciou. Antes que pudesse sair dali, senti mãos grandes e quentes agarrar-me a cintura, virando-me para frente. Meu corpo se enrijeceu imediatamente ao notar que o estranho que me agarrara usava uma máscara.

–Mas o que... — com o dedo indicador ele silenciou minha voz, prendendo-me em seu olhar com a força que a gravidade me prendia na Terra. O ar ficou preso em meu pulmão, assim como minhas mãos estavam em seus ombros. Eu sabia que o conhecia, talvez bem demais. Mas minha mente não aceitava aquilo, eu não queria acreditar que estava realmente acontecendo.

Ele me girou pelo salão, fazendo com que o longo vestido esvoaçasse com o vento. Notei que as pessoas ao redor nos olhavam curiosas, apenas os irmãos Pevensie sorriam. Exceto Susana, que não estava a vista. Num último acorde, a música chegou ao fim, e com ela, minhas forças. Eu não suportava mais continuar com aquilo, precisava de ar. Afastei-me dele, e com pesar, dirigi-me para saída.

O vento e a noite me receberam de braços abertos, açoitando meu cabelo e acariciando-me a face. O ar se esvaia de meus pulmões com força, cansando-me.

–Marie! — uma voz rouca gritou meu nome, mas eu não me virei para olhar. Não precisava, eu reconheceria esta voz até no fim do mundo. -Marie, espere — sua mão tocou meu braço, estremecendo meu corpo. Fechei os olhos, tentando absorver a sensação de sua pele com a minha.

–O que faz aqui? — minha voz saiu mais fraca do que eu planejava. Ele me virou para que eu o olhasse, e pela primeira vez notei que havia arrancado a máscara. Meu coração inflou ao vê-lo assim, tão lindo e tão próximo.

–Eu vim vê-la, eu precisava vê-la — a sinceridade de suas palavras atingiram-me com força suficiente para que eu cambaleasse. Caspian rapidamente me segurou, fixando meu corpo no chão, e também próximo ao dele. — Marie, eu senti tanto sua falta. — os sentimentos estavam explícitos em sua voz, assim como em seu olhar. Antes que pudesse me refrear, levei minha mão ao seu rosto, delineando o contorno de suas bochechas, olhos, nariz e lábios. Em momento algum, seus olhos desviaram dos meus.

–Eu também senti a sua — afirmei em um sopro da voz que me restara. Um sorriso lindo estampou seu rosto, iluminando seus olhos e meu coração. Era indescritível a sensação de vê-lo sorrir daquele jeito, o meu sorriso, e melhor ainda era saber que ele nunca sorriria daquela forma para qualquer outra pessoa. — como conseguiu chegar aqui? — perguntei a primeira coisa que me veio à cabeça.

–Aslam, ele permitiu que eu viesse buscá-la — meus olhos se arregalaram.

–Bu...Buscar-me? — gaguejei, e notei que isso o preocupou.

–Sim, eu vim para levá-la comigo, Marie — arfei diante da ideia — por favor, não me diga que se arrependeu de tudo o que passamos, e que não me ama mais. — seus olhos tinham tanto fulgor quanto suas palavras e eu tive que usar todo o meu auto controle para não beijá-lo ali mesmo.

–É claro que não, Caspian — comecei, e ele arregalou os olhos. Notei que a colocação das palavras o fez entender errado. — eu senti a sua falta sim, eu não me arrependi de nada, muito pelo contrário, pensei em você cada dia desses cinco anos terrestres — desabafei, — foi terrível viver aqui sem saber como você estava, se estava bem ou se sentia minha falta. — suspirei pesadamente, — Ainda mais depois de saber que Susana... — mais uma vez naquela noite ele me calara.

–Não, não deixe que meu passado nos afaste — o brilho em seu olhar me cegava para as outras coisas ao nosso redor — naquele dia em que você foi embora, e eu... Por Aslam, Marie você foi embora e eu nunca disse adeus. Até isso me foi tirado — seu desespero ficou evidente quando a mão que estava em minhas costas tornou-se possessiva ao empurrar-me para mais perto dele — não ache que eu gostei disso, e muito menos que foi fácil. Estou aqui para levá-la comigo, quero que seja a minha amiga, minha amante e a minha rainha. — senti meus olhos marejarem. — Quero que seja minha, Marie. — Num momento como aquele seria impossível por em palavras, tudo o que pude fazer foi me render ao calor de seu corpo e beijá-lo. A união que eu experimentara há cinco anos, ainda permanecia. Minhas mãos embrenharam-se em seus cabelos, enquanto as dele afagavam minha cintura. Eu estava feliz, completa... Em seus braços, eu estava em casa.

(Dia seguinte, na casa das garotas ...)

–Ah eu vou sentir tanto a sua falta — Alice chorava abraçada a mim, sacudindo-me com seus soluços. Apertei-a fortemente, e em seguida nos separamos. Repeti o gesto com Bela, Ed, Pedro, Lúcia e última fora Susana, enquanto me abraçava ela sussurrou algo:

–Cuide bem dele — afastei-me de seus braços, e com um sorriso amigável assenti.

–Com minha própria vida — afirmei em outro sussurro. Logo estávamos prontos, de partida para o lugar onde tudo começara, e onde tudo terminaria. Assim como da primeira vez, fora impossível explicar como aconteceu. Em um instante eu estava em minha casa na velha Inglaterra, e no outro, eu estava no salão do castelo, diante do trono do rei. Varri o local com os olhos, tentando me lembrar de última vez que estivera ali, e uma onda de alívio e emoção tomaram-me de imediato. Corri para sacada, que como eu me lembrava, dava vista para a extensa praia de Cair Paravel.

–E então? — ouvi a voz do rei soar próxima a meu ouvido. Meus olhos ainda estavam presos na deslumbrante paisagem.

–Exatamente como eu me lembrava — respondi, virando-me para fitá-lo. O brilho que agora habitava seu olhar era ainda mais intenso do que da noite anterior — tem certeza que fez a escolha certa? — questionei, vendo-o assentir veemente antes de vir ao me encontro e me prender em seu abraço.

–Absoluta — fora sua resposta. E ali, diante do mar mais lindo que já vira na vida, nos braços do homem que sempre amei, eu tinha certeza de que nosso amor seria alem do agora, seria para sempre.

Fim.

Notas finais
Olá novamente, agradeço a todos que leram. Espero que tenham gostado, por favor, não deixem de comentar.

Xx Cherry.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!