Forever
1 One.
Notas iniciais
- Mas por que não podemos nos ver hoje, Ruisu? – Rui havia acabado de me ligar, e eu tentei esconder a total falta de animação ao fazer a pergunta.
- Mesmo que seja feriado, meu chefe me mandou ir trabalhar. Me desculpe, Tomo-chan. – Mas Rui não deixou de mostrar que realmente estava nervoso por ter que desmarcar o passeio — Vamos nos ver amanhã? Mesma hora e mesmo lugar?
- Ok, tudo bem. Até amanha então, Ruisu.
- Até amanhã, Tomo-chan. – Rui não deixou de mostrar que agora, estava animado por ter remarcado o encontro.
- Hey Ruisu! – Sem querer, exclamei antes que Rui desligasse o telefone.
- Sim? – Perguntou curioso
- Ah, hm... Nada, não é nada. Deixa pra lá. — Eu não estava preparado para dizer aquilo. Não agora.
- O que ia dizer? – Qualquer pessoa ficaria curiosa agora, e Rui não foi diferente.
- Nada de mais. Depois eu te digo. – Não queria mentir para Rui, mas mesmo que eu tenha falado que contaria depois, isso não fazia parte dos meus planos.
- Tem certeza?
- Sim, Ruisu. Pode deixar, depois eu te digo. – Não posso mentir, talvez, esse seja um sinal de que eu deva contar a ele.
- Diz mesmo?
- Digo. Eu prometo. — Não posso mentir nem esconder mais nada. Eu tenho que contar para ele.
- Ok. Então, até amanhã.
- Até amanhã.
Desliguei o celular e o guardei no bolso. Olhei para cima e comecei a encarar o céu azul daquele parque.
Estava sentado em um dos bancos de frente para o lago quando Rui me ligou dizendo que teria que trabalhar e que teríamos que remarcar nosso encontro.
Eu não podia reclamar sobre isso, afinal, era o trabalho dele. Mas aquele dor no meu peito só deixava mais claro que eu não agüentaria ficar mais um dia sem vê-lo.
Ruisu... Ruisu... O que você fez comigo?
O céu azul não poderia me responder, mas me lembrava o brilho dos olhos dele.
Puros, claros, brilhantes e hipnotizantes.
Eu e Rui estávamos juntos há poucas semanas, e não era nada sério, mas não era isso que meu coração queria.
Eu o queria para mim, para sempre.
Apesar de aproveitar ao máximo cada momento que tínhamos juntos, eu não conseguia demonstrar o que sentia.
Eu sabia que o sentimento era recíproco, mas Rui não poderia dizer o mesmo. Tudo por causa da minha incapacidade de dizer o que sinto.
Depois de ter passado pro tantas coisas ao decorrer dos anos, eu fui me fechando cada vez mais.
Meu egoísmo se tornou meu escudo.
Por mais que eu ficasse bobo só de ouvir aquela voz, ver aquele sorriso, aqueles olhos e tocar naquelas mãos, eu não conseguia mostrar a Rui que aquilo era como um sonho para mim.
Eu queria que Rui soubesse o quanto ele me fazia feliz.
Que ele soubesse que assim que nos despedimos eu fico louco querendo que o dia seguinte chegue logo para que possamos nos ver de novo, que eu queria que o tempo parasse quando estamos juntos, que estar com ele era o que eu mais queria.
Mas esse maldito coração não me deixa colocar tudo que eu sinto em forma de palavras.
Eu sei que às vezes, um olhar ou um gesto vale mais do que qualquer palavra, mas eu precisava dizer isso a ele.
Rui não saberia o que eu sentia por ele se eu não contasse.
Sem contar que, meus gestos não diziam o que eu sentia de verdade.
Mesmo que estar com ele fosse o que eu mais precisava, eu não conseguia nem fazer o que eu queria fazer, tudo por causa desse escudo.
Eu queria poder tocar aquela pele que me chamava, não ter vergonha de apenas olhar em seus olhos por vários minutos, e ter forças e coragem para dizer...
Três semanas haviam se passado desde que eu e Rui estávamos juntos, e Rui nem qualquer outra pessoa gostaria de completar um mês com alguém que não gostasse dela também.
Eu não posso demorar, ou então, o que eu mais temo pode acontecer: Perdê-lo.
Eu não vou permitir com que isso aconteça.
Não por que eu não consegui mostrar para o Rui o quanto eu gosto dele.
Não, isso não pode acontecer. Eu tenho que fazer alguma coisa.
XxX
“Posso passar na sua casa mais tarde, Ruisu?”
“Claro que sim. Até mais tarde, Tomo-chan”
As mensagens foram trocadas rapidamente e após algumas horas eu estava a caminho da casa do mais alto.
Agora, eu precisava de coragem para abrir o jogo com Rui e dizer tudo o que estava preso em meu peito.
- “Rui, preciso falar com você” Não, não, eu quase nunca o chamo de “Rui”. Ok, tudo bem “Hey Ruisu, vamos conversar?” Não, muito descontraído. Vamos lá Tomo, você consegue...
Por sorte, a rua em que o mais alto morava era tranqüila, ou então as pessoas ficariam assustadas ao me verem falando sozinho. Mas esse era o jeito, falar sozinho para pensar na melhor forma de conversar com Rui.
O porteiro do prédio do mais alto me anunciou pelo interfone e a minha entrada no local foi liberada.
Ao esperar o elevador, meu coração já estava na minha garganta.
Eu estava chegando ao apartamento, mas minha coragem ainda não estava comigo.
Depois de tantas horas eu ainda não sabia como falar com Rui.
Agora eu estava lá, na frente da porta número 54.
Se eu havia batido na porta e estava esperando Rui abri-la para mim? Claro que não, eu não tinha coragem nem para bater na maldita porta.
- Vamos lá, Tomo. É só bater na porta. – Falei em um tom quase inaudível, apenas para tentar convencer a mim mesmo de que aquilo era apenas algo da minha cabeça. Algo que devia sumir imediatamente, ou então...
A porta se abriu. Era ele.
- Tomo? Está aqui há muito tempo?
Eu não conseguia falar nada. Meu corpo estava paralisado.
- Tomo? — Aqueles olhos me olhando de forma confusa, aquele sorriso...
- Eu te amo.
De repente, eu havia dito o que eu mais queria.
Mesmo planejando uma conversa séria ou coisas do tipo, a frase saiu automaticamente, quase que sem meu consentimento.
Era como se eu tivesse acabado de tirar uma pedra dos meus ombros, e o peso em meu coração desapareceu em questão de segundos.
Mas agora, quem estava paralisado era ele.
- Co-como?
- Eu disse que... – Eu havia falado uma vez, e repetir seria difícil. Mas eu teria que fazer isso. Respirei fundo, olhei em seus olhos e repeti. – Eu te amo, Ruisu.
Olhei para baixo, eu não estava agüentando ver aquela expressão do mais alto. Eu não conseguia entender o que ele estava pensando naquele momento.
- Eu juro que eu tentava demonstrar, Rui. Mas... Eu não sei, eu não conseguia. – Agora era a minha oportunidade e eu teria que dizer tudo, de uma vez — Queria que você soubesse o quanto é importante para mim. E que eu não agüento esperar pelo dia seguinte para te ver de novo. E eu não queria te perder, então eu precisava dizer isso o mais rápido possível por que-
Minha frase foi interrompida pelos lábios do mais alto encostado nos meus.
- Eu também te amo.
Um beijo calmo.
As mãos de Rui em meu rosto e as minhas envolvendo suas costas. Na frente da porta de seu apartamento, onde qualquer pessoa poderia ver o que estava acontecendo.
Mas para nós, era como se estivéssemos sozinhos no mundo. Como se estivéssemos naquele parque onde adorávamos ir, a luz da lua, sem ninguém por perto, apenas eu e ele...
O beijo foi encerrado, e com os lábios ainda encostados, Rui disse.
- Você nunca vai me perder, Tomo-chan.
- Promete?
- É claro que sim. Ou você acha que eu quero viver sem você?
Os rostos ainda próximos, as frases ditas pelo maior.
Era como se aquilo não estivesse acontecendo. Era tão perfeito que parecia irreal.
- Eu não quero viver sem você, Ruisu. Eu não agüentaria.
- Então fique comigo para sempre, Tomo.
- Para sempre, Ruisu. Sempre.
Outro beijo selou a promessa.
Eu não sei o que vai acontecer amanhã, semana que vem, em cinco anos ou mais.
Mas de que me importa o amanhã se eu o tenho ao meu lado?
Era isso que me importava agora.
Era dele que eu precisava, e nada mais.
Notas finais
- Rveisei, mas se tiver algum erro, me avisem ok?
Reviews são bem legais e ♥
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