Forest Lake
9 Capítulo Nove - A Lista de Morte
Notas iniciais
Will dirigia. Todos estavam prestando bastante atenção a Diana, que contava sobre um livro que ela vira na adolescência sobre a morte.
–Eu só me lembro de um trecho, li isto há muitos anos. Fiquei tão curiosa que guardei apenas este pedaço de texto no meu pensamento. Era assim:
“Desventurados os que enganaram a besta. Desventurados os que tiveram a liberdade de mudar seu próprio destino. Desventurados os que ainda permanecem ao reino dos vivos. Morra você não está preparado para o que vai haver”. É só deste trecho que eu me lembro.
–Mas, isto não é uma teoria. É um aviso, uma ameaça! –Diz Selena a Diana. Sandy parecia perplexa, o sinal ficou vermelho e os carros pararam:
–Um aviso. Exatamente, Selena. Estes avisos aparecem de diversas formas. –Will comenta.
–Mas, não faz sentido! Quer dizer, que mensagem isto transmite? O que este trecho de livro satânico tem a ver com a gente?! –Selena parecia uma criança de cinco anos, perguntando sobre tudo, hesitando sobre o que não lhe cai bem no momento.
–Tem tudo, a ver com a gente. –Todos se voltam a Sandy– Não entenderam? –Sandy esperava que alguém seguisse seu raciocínio rápido. –Desventurados os que enganaram a besta. Os que ainda permanecem ao reino dos vivos. Não acham que isso tem alguma ligação conosco?! Isto parece que foi feito pra gente!
–Por quê? –Selena disse. O sinal abriu. Will permanecia parado.
–A besta que o livro fala é a MORTE. Nós a enganamos. Nosso destino final era na sala de cinema! Se não estivéssemos saído, não estaríamos aqui. Não estaríamos tentando desvendar estes sinais, as premonições, as mortes ou até a droga do número um oito zero!
–Então o segundo verso, também se encaixa, somos desventurados porque ainda estamos vivos, e, os sobreviventes, que somos nós, estão morrendo aos poucos. –Will complementa.
–Como na premonição, os dois primeiros que morreram, foram o Howl e a Charlotte. –Sandy disse. Todos tinham entendido até aí.
–Então, se isto é como uma lista? Do mesmo jeito que morremos na premonição da Sandy... –Diana complementa também.
–Que era pra acontecer, morremos na vida real, como se estivéssemos em uma fila. Cada um com a sua vez. –Selena complementa.
–Então, seguindo este raciocínio, o próximo a morrer, era o terceiro a morrer na premonição. –Will disse. O carro de Sandy estava bem no meio do cruzamento, pois o carro, sem ninguém perceber, começou a andar para frente, sem ninguém o empurrando ou fazendo qualquer coisa.
–Sandy, quem era o terceiro a morrer?! –Diana pergunta aterrorizada. Na mesma hora que Diana completa a pergunta, Na hora da frase, Sandy olhou para a rua, e viu um muro pichado, escrito: “Volta pra mim, Roube-me um beijo!”... Roube-me... Roube... Robbie! Meu Deus! Era ele. Foi aí que Robbie, com sua moto que estava atrás do carro da Sandy, vai até a porta do carro do motorista para manda-lo seguir em frente, pois atrapalhava o cruzamento. Will até tentava acelerar, mas, por algum motivo, não conseguia. Estava sem nenhum controle sobre o carro.
–EI, SERÁ QUE DÁ PRA MOVER ESSE TROÇO?! TEM GENTE QUERENDO PASSAR... Will? Diana minha linda, você aqui? –Tenta acelerar, não conseguia– Se liga na motoca que eu comprei! A caminhonete não estava com nada! Achavam que eu ia morrer com aquela caminhonete imprestável?! –Robbie comenta.
–Robbie, sai daí! –Will alerta pisando no acelerador, suando de desespero.
–Como é que é? Tá querendo arranjar briga, é?! Acabo com a tua raça teu branquelo! –Ameaça Robbie, esquecendo do motivo de estar lá.
–Sai daí Will! –As meninas gritaram em uníssono.
–Robbie, sério! –Will alerta outra vez.
–Daqui ninguém me tira até vocês me explicarem o que está acontecen... – Em uma fração de segundos, um carro que vinha na rua que cruzada com a rua que estava os sobreviventes estavam discutindo, vai com toda a velocidade em direção a lateral do carro de Sandy. Will tentou acelerar quando ouviu o barulho do carro, mas por algum motivo, ele não saía do lugar. A ação foi tão rápida, que o Robbie, que esperava a resposta de Will na lateral do carro, foi completamente esmagado entre um carro de Sandy e o outro que vinha em alta velocidade. Liberando muito sangue.
–ROBBIE! –Sandy gritou– Era o Robbie! –Robbie morrera instantaneamente, com a facilidade de parte de sua cintura ser aberta e exposta, Robbie parecia um boneco de cera. Sandy, ao ver seu amigo morrer bem diante dos seus olhos, não consegue gritar. Apenas fazia uma expressão de puro horror, com seus olhos arregalados, e suas mãos suadas. Estava tendo uma crise de asma, respirava com dificuldade, produzindo barulhos. Já o estado de Diana era desesperador.
–NÃÃÃÃO! –Diana tenta abrir a porta do carro para ajuda-lo, mas, com o outro carro imprensando as portas do lado do motorista, ela não conseguira. Ela estava desesperada, seu grande amor, tinha morrido. Pelo menos, não sofrera muito.
–Alguém o ajude ALGUÉM O AJUDE! –Diana gritava enquanto lágrimas desciam com frequência dos seus olhos.
Todos estavam de prova que o carro se moveu sob o comando de ninguém, e também, falhou na hora de acelerar. Assim, Will não estava com tanto peso na consciência. Mas, estava muito triste. Sandy abraça Diana, já que as duas estavam no banco de trás. Robbie estava com seu rosto amassado no vidro do carro. O mesmo não tinha quebrado. Quando Sandy teve coragem de ver, se assustou: A imagem de Robbie amassado no vidro do seu carro, era muito semelhante com a imagem que Sandy vira antes mesmo do acidente da Sala de Cinema, era muito semelhante a um episódio de Tom e Jerry, em que Tom se amassava na tela da TV depois de ser atropelado pelo trem. As expressões do Tom e do Robbie eram quase que idênticas. A diferença era que ao redor do rosto de Robbie não havia o letreiro “The End”, havia sangue. Muito sangue. As consequências dos sinais apresentados e desprezados podem e foram fatais. Robbie Brown, assim como Howl Cameron e Charlotte Mason, foram derrotados pela morte. Tudo que Selena pôde dizer foi:
–Vamos logo atrás do velho de cachecol e chinelos!
A morte levara mais um sobrevivente. Novamente, foram parar na delegacia, mas desta vez, pra prestar depoimento. Sandy Will e Selena já conheciam aquela delegacia. Já Diana, só fora uma vez, junto com os sobreviventes da Sala de Cinema Cento e Oitenta.
–Então, houve a terceira morte. –Mirella entrou na sala onde os quatro estavam aguardando a chegada da Agente. –E desta vez, vocês trouxeram uma amiga.
–Oi Mirella, prazer em vê-la. –Selena disse ironizando.
–Will. –Mirella o chama para a sala de interrogatório. Logo, ela começa.
–Então, sabe por que te chamei primeiro?
–Porque eu estava dirigindo quando Robbie foi esmagado entre os dois carros, e você acha que de alguma forma eu tenho a ver com o acelerador do carro ter pifado.
–Olha só Will, eu pressiono vocês por uma razão. Eu sinceramente, não devia me abrir desse jeito aos suspeitos, mas eu não acho que vocês tenham feito alguma coisa. Mas eu tenho uma coletiva de imprensa em alguns dias, e eu preciso explicar a morte de dois sobreviventes do desastre da Sala de Cinema, e agora, três.
–Se sabe que não fizemos nada de errado, qual a razão de você nos pressionar desse jeito? Entendo a gravidade da situação, mas não temos nada a ver com o que seu cargo exige!
–Will, eu sei que vocês sabem de alguma coisa. Eu sei disso.
–Claro! Mas o que sabemos a “coletiva de imprensa” não vai aceitar, não!
–Will, eu estou querendo te ajudar. Conte a verdade, você sabe de algo, e se você não explicar agora o que você sabe, e algo concreto, você será preso pelo crime de homicídio dolo eventual.
–Me... Prender? Mas, você sabe que eu não fiz nada!
–Mas você não tem nenhuma prova de que o motor falhou. Pra nós, você deixou o veículo parado, é considerado proposital.
–Ele que se descuidou! Pedimos para ele sair da frente.
–Tem provas?
–FERREM-SE AS PROVAS, É MINHA PALAVRA E DE TODOS QUE ESTAVAM NO CARRO, CONTRA SUAS PROVAS! –Will começa a ficar nervoso, tem pavor de prisão. Sempre teve.
–Sinto muito Will, mas, enquanto o resultado da falha do motor no mecânico não sair... Você ficará detido até segunda ordem. Desculpe mas, você terá que ficar pelo menos uma noite.
–Mas... Eu não fiz nada! Tentei pisar no acelerador, eu tentei! Pergunte a qualquer um que estava dentro do carro comigo. Avisamos ao Robbie!
–Os depoimentos ajudam, mas não são o suficiente, se acalme, sei que você fala a verdade, mas é a lei, verei o que posso fazer por você, mas enquanto o resultado do mecânico não sair mostrando que o carro tinha problemas, você terá que permanecer na delegacia.
Will estava sem expressão, como se estivesse ficado demente. Ele apenas levantou-se, ergueu suas mãos juntas, e esperou que algemas envolvessem e apertassem seu pulso.
Houve poucas falas no interrogatório, nada que ajudasse muito a Mirella. As três iriam ser liberadas da delegacia, até Diana olhar para o lado e surpreender-se com um segurança que parecia muito com o seu amigo de infância. E era!
–Estevan? –Diana pergunta ao olhar para o rosto sério do segurança.
–Diana! –O segurança lança um sorriso e abraça a moça.
–Há quanto tempo! Não te reconheci por causa do cabelo vermelho! Você pintou?
–Não eu sou ruiva, original, mané! –Diz Diana descontraída.
–E então, o que está fazendo aqui? –Estevan pergunta, logo, Diana começa a desanimar-se, lembra-se do motivo.
–Meu namorado morreu hoje.
–Meu Deus! Sinto muito. Como?
–Ele foi imprensa... Isso não vem ao caso, à questão é que... Eu sei que você é segurança vinte e quatro horas por dia, certo?
–Vinte e duas. Nas duas horas vagas, eu almoço. –Estevan era afro americano, meio magricela, tinha uma voz de adolescente e era alto a ponto de Diana ter de olhar para cima para falar com ele. Tinha uma voz grave que Selena até se assustou.
–Que seja, e você sabe onde a polícia guarda o computador que identifica o endereço do cidadão cadastrado em Forest Lake? –Sandy entendeu o jogo de Diana.
–Ah, aquele notebook que a patroa usa pra saber o endereço das pessoas?
–Justamente! –Diana concorda.
–É na sala restrita, as chaves ficam na sala da patroa. –Estevan era inocente.
–É que... Precisamos te contar uma coisa... –Diz Diana. Estevan a interrompe ao ver o rosto de Sandy:
–Sandy Campbell! A famosa visionária! Que honra. Ela é mais linda ao vivo do que na televisão enquanto repórteres “enchem o saco” dela!
–Estevan, foca no assunto!
–Ah, obrigada. –Sandy abre um sorriso. Diana já volta ao assunto ao ver Estevan jogando seu charme sem perceber.
–Precisamos falar com você, mas, longe desta delegacia. –Disse Diana a Estevan.
–Ah, e cadê o namorado dela, Will McGonagall, cara, ele apareceu em todas as revistas de fofoca, sua imagem rendeu mais que a do Justin Bieber maluco.
–ESTEVAN! –Diana reclama. – Não foge do assunto, é sério!
–Espera cadê o Will? –Todos olham para os lados.
–Ah, desculpe. Era um cara do olho azul, que tinha um boné dos Simpsons? –Estevan pergunta.
–Esse! –Diz Selena.
–Ah, eu o pus na cela da delegacia por ordens da Mirella.
–Mas, por quê? –Sandy fica preocupada.
–Deve ser por causa da morte do Robbie, ele estava dirigindo, por isso a polícia acha que ele deixou o carro parado no meio do cruzamento para mata-lo. –Selena raciocina.
–Isso não é justo! –Sandy protesta.
–Mas não se preocupa, ela falou que ia libera-lo assim que sair o estado do carro no mecânico, pra ver se o carro estava com problemas. –Estevan deixa as moças a par.
–Claro! Eles vão deixar o Will preso até se certificarem que o carro realmente estava com falha no acelerador! –Diana estala os dedos.
–Vamos ter que ir sozinhas a procura desse cara? –Selena teme.
–Olha, eu não posso sair de perto da delegacia agora pra falar com vocês, mas, eu posso sair daqui a uma hora, será o meu horário de almoço. –Estevan combina.
–Está bem, daqui à uma hora estaremos aqui. –Diana confirmou.
Mais uma vez, silêncio no carro de Diana, que levava no banco de trás algumas sacolas plásticas com frutas dentro, Sandy e Selena. Selena quebra o silêncio:
–Eu sinto muito, Diana... Muito mesmo. Ele foi um bom homem. Sempre ajudou as pessoas...
–Obrigada, eu já me conformei. –Uma lágrima foge do olho de Diana. – Pelo menos, ele vai para um lugar melhor agora.
–Com certeza. –Disse Sandy. – Ai meu Deus, com o Will preso por um dia... Como vamos achar o velho de cachecol e sandálias e dar um jeito de parar com isso...
–Sandy, eu não queria mudar de assunto, mas... Pode nos dizer por completo a premonição? Eu quero estar a par como você a vez de cada um, para podermos impedir pelo menos o restante.
–Espera... Deixe-me lembrar... Primeiro... A Charlotte e o Howl, atingidos pelo trem, depois, o Robbie, foi engolido pelo fogo na explosão do trem, mas você, Diana, conseguiu correr mais rápido do que ele, e se salvou... Depois, as pessoas começaram a correr e... A Penny escorregou no sangue da Charlotte e caiu no chão... Foi aí que um monte de gente que corria em conjunto, começou a pisotear Penny, e ninguém tentou ajudar... Foi aí que... Nós quatro sobramos, fomos para fora do shopping. Selena correu para buscar o carro, então, houve outra explosão, e um destroço foi arremessado, então, o destroço pousou em Will, matando-o.
–Meu Deus. –Diana se assusta. – E o que mais?
–Aí, Selena chegou com o carro, mas um destroço que ainda estava no ar, esmaga o carro com a Selena dentro. Em seguida, o motor explode.
–Que horror! –Selena faz uma expressão tenebrosa.
–Depois disto, com a explosão do carro, uma pedrinha voou no meu olho e eu não consegui ver nada e caí num bueiro muito fundo.
–Mas eu estava do seu lado não estava?! E eu te ajudei? –Diana estava seguindo o fluxo da premonição, como se estivesse lá.
–Você tentou, mas, foi atropelada por um carro. Provavelmente de alguém desesperado. Depois disso, eu consegui subir, estava quase em pé, quando um ônibus estacionou no meu lado, e com a quantidade de gente dentro, virou e me esmagou. Aí, eu acordei, e lá estava o Robbie, lutando pelos nossos lugares.
–É... Você está certa... Ela está nos perseguindo... –Diana disse acelerando o carro.
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