Forelsket
1 Morning Sun
Notas iniciais
Boa leitura. ❤︎
01. Crepúsculo
Quando ele terminou de relatar os acontecimentos de sua última missão, Itachi teve de se refrear para não suspirar em alívio; ele estava exausto, afinal, e só queria que as formalidades acabassem. Ainda era de tarde mas ele mal podia esperar para tomar um banho e dormir tranquilamente até o dia seguinte em sua cama após passar tanto tempo fora da vila numa missão de longa duração. Quando Tsunade lhe dirigiu um olhar de compreensão, ele aceitou sua dispensa silenciosa e deixou o escritório a passos apressados.
Itachi desceu as escadas em caracol e quase trombou em Sakura, que estava parada bem na saída da Torre da Hokage. Ela notou sua presença e saiu do meio do caminho, se desculpando com um olhar rápido em sua direção.
Ele já estava há alguns metros do prédio quando a curiosidade levou a melhor e ele se virou; previsivelmente, ela ainda estava no mesmo lugar, os olhos fixos no horizonte, um singelo sorriso em seus lábios.
Itachi observou Sakura à luz do limiar do crepúsculo por um momento.
02. Queimadura
— Você tem o que?
— Uma queimadura. No meu braço direito. — ele repetiu em voz baixa.
Ela o olhou, incrédula, ciente de que estava um tanto boquiaberta. Ela sentiu que ele estava prestes a se repetir uma vez mais e ergueu uma mão, fazendo-o apenas encará-la dessa vez. Sakura riu nervosamente, se levantando da cadeira e dando a volta na mesa que ocupava para se colocar de frente para ele.
Ela juntou chakra na palma da mão e analisou sua ferida.
— Pensei que os Uchiha fossem imunes ao fogo. — ela disse zombeteiramente.
— … eu também. — ele respondeu com certo divertimento.
Sakura brevemente tirou os olhos do que fazia para encará-lo e sorriu de leve; ela podia ver em seus olhos que ele não tinha levado-a a sério, graças a deus; ele não precisava saber que parte dela realmente acreditava nesse mito.
— E, — ela recomeçou, curando a queimadura totalmente num piscar de olhos. — achei que os Uchiha odiassem hospitais.
Ele encarou seu braço direito por um segundo antes de encontrar os olhos dela.
— … não mais.
03. Silêncio
Não havia uma fogueira para aquecê-los e o vento estava impiedoso no país do relâmpago. Itachi estava acostumado com o frio fora das partes mais longínquas e sua blusa de manga comprida era tudo o que ele precisava para aguentar, mas essa era a primeira missão de Sakura no território da Nuvem e ela estava despreparada para o clima hostil; ela esquecera de trazer um casaco.
Ele realmente começou a sentir pena dela quando ouviu seus dentes rangerem. E um breve olhar em sua direção confirmou que ela também tremia de leve.
Itachi se endireitou contra a árvore em que estava apoiado.
— Sakura, você deveria chegar mais perto.
— Não sei não, — ela retorquiu, sua voz um tom acima do normal. — minha desgraça não vai te incomodar?
Itachi sorriu de canto. — Não mesmo.
Ela hesitou ligeiramente antes de correr para o seu lado. Seus braços se tocaram quando ela imitou sua posição no tronco da árvore mas Sakura não deu atenção a isso.
Eles permaneceram num silêncio confortável por alguns segundos, aproveitando o ínfimo calor corporal que irradiava um do outro.
— Bem melhor agora… — ela olhou para a densa copa que cobria suas cabeças, claramente grata por ter uma proteção extra do vento. — Está bem agradável agora.
— De fato. — ele disse, olhando para ela.
04. Segredos
Ela o reconheceu pelo cabelo ao se aproximar da sua vendinha preferida de comida com Ino ao seu lado. Ele estava recostado no balcão, esperando por seu pedido. Ela sorriu quando ele olhou para trás como se sentisse sua presença, cumprimentando-a com um aceno. Sakura pediu a uma Ino desconfiada para pedir suas comidas antes de tomar um lugar ao lado de Itachi.
— Que bom que você levou meu conselho a sério. — ela disse, tentando manter a expressão séria.
Ele pareceu divertido com a sua escolha de palavras. — … dificilmente foi um conselho.
— Chame do que quiser, você está aqui porque quis. — ela olhou para ele, sentindo-se vitoriosa. — Nunca te obriguei a vir.
Itachi estalou a língua. — Você tem razão.
Ela o tocou levemente no braço com uma mão. Sua pele estava quente sob seus dedos, e imediatamente ela sentiu suas bochechas arderem em resposta, como se incendiadas por ele.
Sakura limpou a garganta.
— Você vai ver, o dango daqui é o melhor.
Quando um prato com três dango foi colocado a sua frente, ele a ofereceu um mas ela educadamente recusou. Itachi então levou o doce a boca, tomando seu tempo para saboreá-lo; Sakura quase sorriu pela cena. Ele permaneceu em silêncio por um tempo, e quando ela estava começando a se questionar se ele não tinha gostado, ele disse:
— Fique à vontade para compartilhar mais segredos comigo.
05. Cobertores
Ele estava visitando seu primo no hospital quando se lembrou que Sakura estava para terminar seu turno em breve; ele pensou que poderia cumprimentá-la, quem sabe até acompanhá-la até sua casa se ela quisesse. Itachi logo achou o escritório dela e bateu duas vezes na porta, esperando pacientemente.
Quando ninguém atendeu por minutos inteiros, ele testou a maçaneta e, percebendo que estava destrancada, abriu a porta. Itachi estava se desculpando por invadir quando viu uma figura no sofá próximo a parede, aninhada e num sono profundo. Seu cabelo rosa sem igual estava uma zona, e ela ainda trajava o jaleco do laboratório.
Ele suspirou.
Ele saiu da sala e deu meia volta em direção a recepção. A atendente avidamente lhe informou que Sakura acabara de sair de um turno duplo quando ele perguntou. Itachi acabou por também perguntar onde ele poderia achar cobertores no hospital. A mulher ao balcão piscou algumas vezes em confusão antes de dar-lhe instruções e direções para seguir.
Quando Itachi voltou para o escritório de Sakura com dois cobertores, ele a enrolou com o mais quentinho e se sentou numa cadeira perto da janela, pondo o outro de qualquer jeito sobre seus ombros.
06. Demorar
— Está ficando tarde.
Ela facilmente bloqueou o soco dirigido ao seu rosto e usou o momento para tomar distância dele. Ela ergueu uma sobrancelha rosada e olhou de relance para o sol se pondo.
— Você tem algum compromisso? — ela perguntou.
Sasuke pausou por um momento e então relaxou sua postura de batalha, lentamente andando até sua espada caída no chão do campo de treinamento. Sakura entendeu isso como um sinal de que a sessão estava encerrada e esticou os braços acima da cabeça, fechando os olhos enquanto seu ossos estalavam.
— Sim. — ele respondeu após embainhar a espada. — Vou ser o anfitrião de uma… reunião de família.
Ela não precisou olhar na sua direção para ver a ansiedade crescendo dentro dele. Sakura sorriu gentilmente ao se aproximar.
— Está nervoso? — ela perguntou.
— Sim. Itachi não vai poder ir, então eu vou ter de representar ele e meu pai.
— Você vai se sair bem, Sasuke. Não se preocupe. — ela lhe confortou com uma leve batidinha no ombro. — Seu irmão vai ficar orgulhoso de você.
Quando eles se despediram, Sakura sentiu os olhos de Sasuke se demorarem nas suas costas até que ela ficasse fora de vista.
07. Nuvens
Shikamaru estava observando as nuvens na varanda quando ele se aproximou da casa dos Nara pela floresta que a cercava. O garoto parecia quase adormecido mas Itachi já estava acostumado. Ele sorriu de leve, tirando suas sandálias ninja antes de subir os degraus do alpendre.
— Shikamaru. — ele cumprimentou. — Seu pai está em casa?
— Não. — Shikamaru respondeu sem olhar para ele. — Por quê?
Itachi se sentou ao lado dele no piso de madeira. — Tsunade me pediu para pegar algumas ervas medicinais com ele.
Shikamaru bocejou. — Pelo visto você vai ter que esperar.
— Pelo visto eu vou ter que esperar. — ele repetiu, ligeiramente se divertindo.
— As nuvens estão se movendo bem rápido. — Shikamaru preguiçosamente disse depois de um tempo. Itachi olhou para cima e assentiu.
— É verdade. Vai chover.
Shikamaru franziu o cenho. — Uma tempestade está vindo.
08. Mentirosa
— Desde quando você é amiga dele? — Ino a perguntou numa manhã enquanto estavam se preparando para uma missão.
— De quem? — ela perguntou distraidamente ao checar sua bolsa de kunai.
— Não se faça de idiota. — Ino respondeu impacientemente. — Eu vi vocês juntos mais de uma vez essa semana. — Ino acusou, ajeitando seu rabo de cavalo loiro antes de dar um olhar certeiro para Sakura.
Sakura inclinou a cabeça para o lado. — De quem você está falando, Ino?
A garota bufou. — Itachi, é claro. Ele é o único cara com quem você anda, aparentemente.
Sakura fez uma careta ao olhar de relance para o relógio; Kakashi estava inacreditavelmente atrasado, mesmo para ele.
— Para de mentir, meus companheiros de time são todos homens.
— Não. — Ino disse firmemente. — Caso não tenho percebido, seus companheiros de time são garotos. Itachi é um homem.
Sakura suspirou em exasperação, amaldiçoando os céus e Tsunade por ter nomeado Ino como substituta de Naruto para aquela missão.
— Ino, — ela começou. — eu sou amiga do Itachi desde que fui colocada no mesmo time que o Sasuke.
A Yamanaka sorriu espertamente. — Não, vocês eram colegas! Agora vocês almoçam juntos, sorriem um pro outro na rua… e nem tente me chamar de mentirosa, eu vi tudinho.
Sakura ficou tão estarrecida que nem percebeu quando Kakashi finalmente chegou.
09. Lembrança
Itachi estava extraordinariamente entediado.
Ele estava impossibilitado de sair em missões por causa de um machucado em seu torso em cicatrização e sua mãe tinha feito um ótimo trabalho escondendo suas armas e equipamento ninja antes dele ser liberado do hospital, conhecendo muito bem seu filho.
Às vezes ser o filhinho da mamãe era um saco.
— Você deveria estar na cama. — Mikoto apontou, não pela primeira vez.
— Estou cansado de ficar deitado, mãe. — ele calmamente respondeu, bebendo um gole de sua xícara de chá.
Ela suspirou, secando as mãos no pano de prato antes de se sentar a frente de Itachi na mesa baixa de café.
— Você quase morreu, Itachi. — ela salientou, sua voz falhando de leve. — Me preocupo com você. Toda vez que você sai pela porta da frente eu me lembro de quando te segurei pela primeira vez, porque pode ser a última vez que eu te vejo com vida.
Itachi sentiu um aperto no peito quando sua mãe começou a chorar silenciosamente. Ele colocou a xícara de lado e tomou ambas suas mãos nas dele, tentando confortá-la com apertos gentis.
— Eu não vou morrer tão facilmente, mãe. Eu prometi que ia me casar e ter minha própria família antes disso, se lembra? — ele disse suavemente, dando-lhe um pequeno sorriso quando ela olhou para ele.
Quando Mikoto assentiu em silêncio, Itachi se inclinou na mesa para abraçá-la; ele fez uma careta internamente quando seu machucado entrou em contato com a superfície de madeira mas seu rosto sequer mostrou alguma reação.
10. Cinza
— Encontrou o que estava procurando? — Itachi perguntou quando ela se aproximou do balcão da biblioteca carregando três tomos de aparência robusta. Apesar de sua força monstruosa, ele ainda assim tomou os livros de sua mão quando ela ficou próxima o suficiente e os entregou um a um para o bibliotecário.
— Obrigada. — ela respondeu, suas bochechas corando. — Mas infelizmente, o livro estava indisponível.
Quando eles foram liberados, ela rapidamente pegou seus tomos antes que ele o pudesse fazer. Itachi estalou a língua antes de começar a andar num passo desacelerado, claramente esperando por ela. Sakura sorriu.
— O que você pegou dessa vez? — ela perguntou suavemente.
Ele sorriu de canto. — Livros de romance.
Sakura parou morta por um momento, incerta se ele estava falando a verdade ou não. Ele fingiu não perceber que ela havia parado subitamente e continuou a andar na direção da porta de entrada.
Ela bufou, sentindo a repentina vontade de socá-lo por mexer com ela.
Ele estava parado no batente quando ela correu para alcançá-lo.
— Está chovendo. — ele apontou baixinho. Ela olhou para o céu acinzentado, maravilhada; um cheiro intenso e conhecido imediatamente a fez suspirar. — Você trouxe o guarda-chuva?
Sakura piscou uma, duas vezes. — … não.
Os lábios de Itachi se ergueram e ela quase arfou quando ele diminuiu a distância entre eles, fazendo seus braços se tocarem totalmente. Quando a realidade começou a distorcer ao seu redor, um clássico sinal de um jutsu de transporte, ela no pânico agarrou sua mão. Forte.
BÔNUS
00. Fogos
Ela tinha dezesseis anos quando foi convidada pela primeira vez, junto de Naruto, para participar de um evento ultra privado e especial que acontecia anualmente no distrito Uchiha. Sasuke havia explicado que se tratava de um festival tradicional para celebrar as conquistas de seu clã durante o ano, e por todas as razões erradas, ela ficou realmente animada com o convite.
Ela comprou um quimono novo, se enfeitou como uma boneca e chegou na sua casa quinze minutos antes do combinado. Naruto ainda não havia chegado mas ela não esperara que já tivesse. Ela cuidadosamente se recostou na parede mais próxima e esperou seus rapazes aparecerem, percebendo todos que passavam por ela e lançavam olhares estranhos para seu cabelo rosa.
Sakura começou a se sentir realmente constrangida.
Enquanto ela pensava em bater à porta de Sasuke, a mesma se abriu momentaneamente, dando passagem para Itachi, que lhe olhou de soslaio antes de fechar a porta atrás de si. Ela educadamente o cumprimentou quando ele desceu do alpendre e parou ao seu lado sem dizer uma palavra.
Ela subitamente ouviu um barulho agudo.
Sakura automaticamente seguiu a fonte do som com os olhos e viu cores vibrantes e quentes se mesclarem no céu em padrões aleatórios quando os fogos de artifício subiram ao céu e explodiram. Era uma cena incrivelmente bonita.
Ela momentaneamente olhou para o lado para ver se o Uchiha ainda estava ali; ele estava, olhos fixos no horizonte, um singelo sorriso em seus lábios.
Sakura observou Itachi à luz dos fogos queimando por um momento.
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