Forbidden Love
46 Meu único amor
Notas iniciais
— Eu estou grávida. – Repeti, falando o mais baixo possível.
— Como pode esconder isso de mim? – Disse ele.
Ele franziu a sobrancelha.
— Não achava o momento certo de te contar. – Eu disse calmamente.
— Qual seria o momento certo Emily? O momento que eu estivesse entrando no avião? A não melhor, talvez quisesse me contar por cartas quando o bebe já estivesse quase nascendo, seria uma ótima idéia não acha?! – Disse ele irritado.
Ele falava em alto e bom som e aquilo estava me enlouquecendo, se a minha mãe notar sobre o que estamos conversando será um desastre. Ele já estava alterado, ficou de pé e eu na frente dele de costas para minha mãe. Não queria que ela entendesse do que estávamos falando.
— Fale mais baixo Nathan. – Eu pedi.
— Por quê? É melhor todo mundo saber logo! Não quero que eles sejam os últimos a saber que nem eu! – Disse ele.
— O que esta acontecendo com vocês dois? – Perguntou o Pai de Nathan.
Ele estava voltando da recepção onde foi procurar noticias do meu pai, quando percebeu que estávamos discutindo. Minha mãe levantou atrás de mim e se colocou ao lado de Arthur.
— Não é nada demais Arthur, nada que precise se preocupar. – Eu disse. – E meu pai, soube noticias dele?
Nathan me olhou com uma cara horrível, bufou quando percebeu que eu estava mudando de assunto, ele saiu do hospital batendo pé.
— Seu pai não esta bem Emily e isso era normal de se esperar, você sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde, ele já não estava bem há muito tempo e não tinha nada que pudesse ajudá-lo. – Disse Arthur.
— É eu sei disso. – Eu disse.
— Vamos poder ver ele? – Perguntou minha mãe.
— Sim, mas só um de cada vez, pelo menos foi o que a enfermeira me disse. – Falou Arthur.
Eu olhei para minha mãe ela se tremia toda estava aflita, mas com toda a calma do mundo ela olhou para mim.
— Pode ir filha, sei que precisa disso bem mais do que eu. – Disse ela.
Eu olhei nos fundos dos olhos dela e vi o quanto era difícil para ela deixar de ver meu pai.
— Obrigado mãe. – Eu disse.
Respirei fundo, fui em direção a recepção uma moça gentil me atendeu, perguntei onde ficava o quarto do meu pai, ela me disse e eu segui até lá, poucos quartos antes do quarto do meu pai eu travei. Sentia que meus pés não queriam ir enfrente, sabia que eu não queria ver meu pai daquele jeito, numa CTI, mal, que a qualquer momento poderia morrer, só de pensar nisso minhas pernas tremem meu mundo se abre tenho vontade de sumir, largar tudo e fugir. Quando tomei coragem suficiente para caminhar mais alguns passos bati de frente com um gigante (não era tão alto, mas tudo bem).
— Sam?
— Emy.
— O que faz aqui? – Perguntei.
Ele estava com a cara fechada coisa que vi poucas vezes.
— Meu pai levou um tiro. – Respondeu ele.
Não sabia muito bem o que dizer parecia que nada que eu falasse ia adiantar muito.
— Sinto muito. – Eu disse.
— Sabia que ele ia terminar ou morto ou prezo, me dói dizer isso mas é a verdade. – Disse ele. – E você o que faz aqui?
— Meu pai esta com câncer. – Eu disse.
— Estado terminal? – Perguntou Sam.
— Sim. – Respondi.
Ele não falou nada só me abraçou, eu fiquei sem reação na hora mas depois me entreguei aos braços dele. Ele ficou alguns centímetros de mim, colocou suas mãos em meu rosto e me olhou no fundo dos olhos.
— Eu vou estar aqui se precisar, só quero que saiba disso. – Disse ele.
Eu sorri.
— Preciso ver meu pai. – Eu disse.
— Vou estar esperando você. – Disse ele.
Ele me deu um beijo na bochecha e saiu. Eu tomei coragem e entrei no quarto onde meu pai estava ficando. Ele estava deitado, mas com os olhos abertos, tinha um aparelho em sua boca o ajudando a respirar, mas assim mesmo ele esboçou um sorriso quando entrei pela porta, esse sorriso só aumentava quando eu chegava perto. Me sentei na cama e peguei sua mão, ele olhou em meus olhos e eu nos dele e lá parecia que era o lugar certo, lá parecia ser o único lugar onde eu queria estar, era do lado dele que eu precisava ficar, soube ali, que ele seria o único homem da minha vida e que seria pra sempre assim, meu amor maior, mesmo depois de tudo que ele fez era por ele quem eu morreria e tinha certeza absoluta que ele faria o mesmo por mim, umas cem vezes se precisasse. Quando percebi lagrimas caiam dos meus olhos.
— Pai não sei o que dizer. – Eu disse no meio dos meus soluços.
Ele segurou forte minha mão como se quisesse falar comigo.
— Eu te amo pai, não penso em nenhuma maneira de viver sem você. – Eu disse.
Ele sorriu e me olhou com aqueles lindos olhos castanhos escuro, que me trazia um conforto incrível.
— Não quero que vá embora. – Disse.
Ele apontou para um papel e caneta que estava distante da cama. Eu me levantei peguei e entreguei a ele. Ele começou a escrever mesmo com suas mãos tremulas.
“Chame sua mãe, por favor filha.”
Eu levantei em silencio e fui em direção a porta de saída. Cheguei à minha mãe estava ela e Arthur ele parecia tentar acalmá-la o que não parecia estar dando muito certo, olhei para o canto perto da saída e Sam estava encostado na parede me observando.
— Mãe ele quer te ver. – Eu disse.
— Tudo bem. – Disse ela rapidamente.
Ela se recompôs, e entrou pela porta.
— Seu pai esta bem Emily? – Perguntou Arthur.
— Não. – Respondi.
Eu fui em direção de Sam, me joguei em seus braços esperando um consolo. Ele me abraçou e ficou afagando meu cabelo.
— Não quero perder ele Sam. – Eu disse, soluçando por causa do choro.
Ele me afastou um pouco para olhar nos meus olhos.
— Hei você é mais forte do que pensa, vai superar isso e não precisa estar sozinha. – Disse ele. – Sabe que se quiser fugir sempre terá seu Bad boy disponível.
Eu sorri.
— Eu sei. – Eu disse.
Acariciei seu rosto.
— Eu te amo e me dói ver você assim. – Disse Sam.
Olhei no fundo dos olhos dele, vi meu reflexo e o quanto eu estava chorando. Me afundei em seu peito e ele me confortou com seu abraço de urso. Eu fiquei na ponta do pé para chegar ao ouvido dele.
— Quero te contar uma coisa boa no meio de toda essa tempestade ruim. – Eu disse.
Ele ficou em silencio esperando eu terminar. Era difícil de eu falar minhas lagrimas não ajudavam, minha respiração estava pesada.
— Estou grávida. – Eu disse em seu ouvido.
Ele segurou na minha cintura e me afastou. Me assustei pensei que ele iria surtar ou ficar bravo, mas ele somente sorriu e me deu um abraço enorme. Era isso que eu amava nele seu jeito simples de levar as coisas nunca tinha ruim para ele, e isso me fazia bem.
— Eu não acredito que você vai ser mãe! – Gritou ele.
— Xiii. – Eu disse.
Nós se soltamos olhamos os dois para a recepcionista que nos olhava com cara feia.
— Aqui é um hospital façam silencio! – Disse ela.
Olhei para Arthur e ele me encarava. Quando olhei para a porta minha mãe estava parada ali com a boca que vinha ao chão, em sua mão uma carta era o que parecia pelo menos.
— V-você esta grávida? – Perguntou ela.
Seu rosto estava inchado pelo visto ela chorou muito mais que eu, o motivo por ela estar chorando me passou pela cabeça mas não queria achar que era verdade.
— Sim. – Eu disse.
Ela caminhou até mim com toda a frieza e entregou a carta, foi em direção a Arthur, pegou sua bolsa e ele e ela saíram pela porta da frente. Fiquei com aquela carta na mão sem saber o que ela significava, mas algo lá no fundo já me dizia do que se tratava e meu coração quase se despedaçava só de pensar que era verdade.
— Não vai abrir? – Perguntou Sam.
— Não sei se consigo. – Eu disse.
— Acho melhor não ser aqui não acho que aqui é um lugar bom pra ler isso. – Disse ele.
— Também acho. – Respondi.
Ele pegou minha mão e me levou para fora do hospital. Ele subiu numa moto e ficou me olhando me convidando. Eu segurei firme a carta, sentei atrás dele coloquei meus braços envolta de seu corpo e ele dirigiu ela o mais rápido que conseguiu. Sentia o vento bater em meu cabelo, era uma sensação maravilhosa, me sentia como se estivesse voando.
— Segura firme. – Disse ele.
Sam acelerou mais eu me segurei firme nele.
(...)
Levamos uns vinte minutos até o lugar que ele queria me levar era numa floresta no meio do nada. Ele parou a moto e nós descemos.
— Aqui é perfeito só eu e você Emy, aqui é tranquilo. – Disse ele.
Nós entramos um pouco mais na floresta e nos sentamos nos troncos que tinha espalhado no chão.
— Não consigo ler isso Sam. – Eu disse.
Estiquei a mão onde estava a carta, Sam percebeu que eu estava tremendo.
— Quer que eu leia para você? – Perguntou Sam.
— Por favor. – Pedi.
Ele pegou a carta e eu me encolhi tinha medo do que ela dizia.
— “Emily me desculpe não fui corajoso o suficiente, não tive coragem de deixar você me ver partir, sei que você é forte, talvez até mais forte que sua mãe e por isso que a chamei aqui, sabia que ela talvez precisasse mais dessa despedida que você. Meu amor, já tivemos momentos ótimos juntos, eu e ela não, acho que ela merecia pelo menos um adeus, já que nunca tive a oportunidade de dar esse adeus. A muito tempo vim pensando no que escrever na minha carta de despedida, mas nada se comparava com o que vivemos, nada que eu escreva aqui vai ser tão bom quanto os momentos que você me proporcionou, os momentos que você me deixou ter ao seu lado, ter a oportunidade de conhecer você, de perceber que era a garota dos meus sonho e vai ser sempre assim. Você não sabe a felicidade que eu fiquei quando soube que estava grávida, claro foi uma grande surpresa, mas fiquei tão feliz que nada no mundo iria estragar isso e ainda estou e tenho certeza que da onde eu estiver vou estar olhando pra vocês, principalmente te protegendo, por que sei que você tem um coração tão bom, tão lindo, e tão cheio de vida e de cor que é muito fácil as pessoas te magoarem e te machucarem, por isso prometo meu amor que vou cuidar de você, vou cuidar da maneira mais linda que um pai pode cuidar. Seu sorriso nunca mais vai sair da minha cabeça, suas palavras, suas piadas, foi um prazer mais que enorme de te conhecer, você mudou quem eu sou, mudou aquele cara solitário em um pai. Peço desculpa de novo por não ter sido homem suficiente, por não ter ficado e cuidado de você e da sua mãe, mas eu era moleque inconsequente, por isso seja igual sua mãe, seja forte não importa o que aconteça, se eu pudesse voltar no tempo teria tido medo mas teria ficado só pra ver minha linda menininha nascer, ver seu lindo sorriso que me arrepia até hoje, você é o amor da minha vida Emily, fiquei anos em busca de um amor que me deixasse completo e só encontrei quando conheci você, Obrigada por tudo. Eu te amo minha menininha”. – Disse Sam.
Eu estava chorando, meus olhos estalados, só saiam lágrimas e mais lágrimas, minha posição era a mesma eu estava encolhida abraçando minhas pernas, meu mundo realmente desabou, percebi que não teria o ombro dele para chorar e aquilo acabava comigo, não teria suas piadas sem graça ou pelo menos um bom dia de manhã e pensar que fiquei anos sentindo raiva dele como se isso adiantasse algo, como se fosse me trazer ele. Só espero que ele fique em paz e que ele me espere por que quando eu chegar lá quero que ele seja o primeiro a me dar boas vindas.
Continua...
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