Forbidden Love
17 Walk in the park
Notas iniciais
Uma semana depois...
– Arg!!! – grunhi.
Eu estava a dias tentado compor uma musica e nada saia. Que inferno!
Eu preciso de uma musica para o concurso, e para semana que vem. Eu até tinha uma, mas não achei legal. Sei lá... Não gostei, e agora eu preciso de outra. Sai da sala de musica e segui para a cozinha totalmente nervosa. Peguei uma garrafinha de água na geladeira e encostei-me ao mármore do balcão. Eu não tinha a letra, eu não tinha a música. Eu não tenho nada!
– Inferno! – gritei frustada.
– Esta tudo bem? – aquela voz sexy e totalmente rouca, que vem assombrando alguns de meus pesadelos, perguntou.
– Não, não está tudo bem. – falei estupida.
– Nossa. – ele ergueu as mãos para o alto.
– Ai... – me martirizei. – Foi mal. É que eu preciso compor uma musica e minha cabeça não coopera. – expliquei.
– Quando eu queria compor tomava soverte, ou saia para dar uma volta. – ele disse.
– Nada funciona comigo! – falei jogando a cabeça para trás. – To travada.
– Que tal darmos um passeio e tomar um soverte. – ele sugeriu.
– Minha irmã não esta ai? – perguntei, com o cenho franzido.
– Dormindo. Passou a noite trabalhando. – deu de ombros. – Vamos, vem. – ele puxou minha mão.
– Vargas, eu estou descalça e tenho que pegar minha bolsa. – falei.
Ele me soltou e eu fiquei parada.
– Vai garota! – ele gritou. – Vai pegar suas coisas!
Sai correndo em direção ao andar de cima e peguei um salto qualquer e uma bolsinha. Parei em frente ao espelho e fiquei me olhando. Hoje meu estilo está mais para menininha romântica. Eu usava um vestido rosa, curto e fofo, um salto rosa claro e uma bolsa nude. Eu estava fofa. Eu não costumo me vestir assim, mas como sou estilista tenho que usar de tudo. Ora roqueira, ora romântica. Coisa minha. Resolvi me arrumar um porquinho mais, afinal vou sair com o Leon.
– Nossa, por que ele me faz isso? – perguntei para mim mesma em voz alta.
Porque eu estou me arrumando mais para ele?
Desci correndo e Leon me esperava bufando.
– Como você é lerda. – ele resmungou e me puxou para fora de casa.
– Acho que da pra irmos caminhando. – ele falou e eu assenti, não vejo problema em andar um pouco. – Então... Por que precisa compor uma musica? – tentou puxar assunto.
– O concurso. Tenho que apresentar uma musica inédita daqui a uma semana e até agora nada. Falta inspiração. – falei cabisbaixa.
A rua se encontrava deserta, normal no meu bairro, e ao longe podias se escutar o canto suave e calmante dos pássaros. Aquilo me fazia bem. A rua estava calma e silenciosa. Acho que esse é um dos motivos para que eu ame tanto esse bairro. Ele é calmo, aconchegante. Sem muitos carros, ou muito movimento, sem vizinhos chatos. Mas para o meu azar isso acontecia mais quando as crianças estavam na escola, pois mais tarde isso começa a lotar e ficar em estado caótico.
– Lara vem falando bastante desse concurso. Está bem orgulhosa. – ele sorriu.
– Nem é nada. Apenas um concurso pequeno, com um prêmio grande. – dei de ombros.
– Já participei de um. Mas não apresentei musicas inéditas. – ele disse
– Legal. Ganhou?
– Fiquei em segundo. – fez biquinho e eu ri fraco. – Mas eu ainda era muito novo, nunca treinei nem nada.
– Então você foi ótimo. – conclui. Afinal, se você nunca fez nada e chega lá e ganha em segundo é porque é bom.
– Não sei. – deu de ombros.
– Leon, me conte mais sobre o México. – puxei assunto, após longos minutos em silencio.
– Lá é incrível. – ele sorriu. O país dele parecia lhe trazer muito orgulho. – Eu e os meninos aprontávamos demais. – falou sorrindo, como se estivesse se lembrando de algo. – Uma vez saímos recolhendo todos os jornais, que um cara tacava nas casas. Todos da vizinhança foram até a sede de jornal saber o que estava acontecendo. E foi ai que nós os colocamos todos de volta no lugar. Foi hilário ver a cara de espanto delas quando viram eles ali, como se nunca tivessem saído do lugar. – falou e eu gargalhei.
– Que brincadeira idiota! – falei, tentando controlar o riso, e quase caindo por cima dele.
– Vilu, você bebeu hoje? – perguntou divertido.
– Besta. – mostrei a língua e dei um tapa de leve em seu braço.
– Ai. – esfregou o local, fingido que doeu.
– Viado. – murmurei e ele ergueu a sobrancelha.
– Quem é viado Violetta? – perguntou sério.
– Você, o único que tem por aqui. – falei debochada, fingindo procurar.
Ele sorriu maléfico, o que até me deu medo, e me pegou no colo, me jogando por seus ombros.
– Vargas, me ponha no chão. – gritei e ele começou correr.
Eu parecia um saco de batata velhas, que ele carregava de qualquer jeito, e estava começando a ficar enjoada com aquele balance todo.
– Me põe no chão seu desgraçado. – o estapeei.
Senti olhares sobre mim, com certeza já havíamos chegado ao parque que havia no final da minha rua. Ele corria, e eu estapeava gritando histericamente. Acho que Vargas tropeçou em algo, pois senti minhas costas baterem em algo fofo, e ele cair por cima de mim. Reparei que havíamos caído no tanque de areia das crianças. Ele estava em cima de mim, a centímetros da minha boca. Sua respiração se encontrava ofegante e seus lábios entre abertos. Podia sentir sua respiração quente bater em meu rosto me causando arrepios bons. Segurei em seus braços e permaneci fitando aqueles olhos esverdeados que tanto me fascinam. Ele roçou seus lábios nos meus, mas antes do beijo acontecer senti algo cair em cima de mim. Areia. Leon levantou rápido, passando as mãos freneticamente em seus cabelos, e eu comecei a rir, ao perceber o que acontecerá, assim como as poucas pessoas que se encontrava ali no parque. Um garotinho, de quatro anos, no máximo, havia jogado um balde de areia em cima dele. Ele estava todo sujo, mas o que importava era seu cabelo né? Ele passava as mãos freneticamente e eu ria descontroladamente.
– Mandou bem. – falei para garotinho que sorriu sapeca e tocou na minha mao.
– Ai que droga mano! – ele gritou irritado.
– Acalma-se Vargas, seu cabelo ainda tem estilo. – sussurrei.
– Eu tenho estilo no corpo inteiro. – falou se achando.
– Acho que alguém precisa de mais um balde de areia na cabeça para ver se aquieta o facho. – falei rindo e ele arregalou os olhos.
– Claro que não. – falou alterado. – Vem, vamos comprar soverte, antes que me ataquem novamente. – ele pegou na minha mão.
Um pequeno choque correi por todo o meu corpo, me deixando nervosa e me fazendo solta-la. ele parou e me olhou com o cenho franzido.
– O que houve?
– Nada – sorri. – Vamos logo. – corri em sua frente.
Chegamos à soverteria, que se encontrava meio vazia e adentramos a mesma. Fomos fazer sorvete.
– Credo garota, como você come! – Leon exclamou ao ver meu pequeno sorvete.
Eu havia montado um sorvete tipo, muito grande. Tinha bola de chocolate, flocos, creme, mamão e chiclete, tudo misturado, o que vira uma meleca nojenta, mas muito gostosa. E ainda tinha calda de chocolate branco, preto e castanha.
– Você vai passar mal. – ele falou rindo.
– Que nada. – dei de ombros seguindo para uma das mesas. Sentei-me de frente para Leon e comecei atacar minha delicia gelada.
– Cara, você come demais. – ele disse rindo. – Como consegue ficar gostosa desse jeito? – perguntou e acho que muito alto porque corou.
– Hum... – murmurou enfiando uma colher de seu sorvete na boca.
Puxei assunto com ele, pois aquele silencio estava chato, e logo entramos em uma conversa animada sobre basquete, esportes, viagens e varias outras coisas. Leon me fazia rir muito. Já falei o quão escandalosa a minha risada é? Não? Pois bem, ela é muito escandalosa. As pessoas que se encontravam ali nos olhavam como se fossemos idiotas, o que eu tenho certeza que somos. Eu consegui deixar minha cabeça livre por um bom tempo, o que me fez bem. Passar um tempo com ele me fez bem. Acho que nunca ri tanto como estava rindo hoje. Ele é uma das únicas pessoas que consegue me fazer esquecer um pouco o mundo.
– Nossa você é muito anormal garoto. – falei rindo.
Parei e fiquei o admirando sorrir. Era incrivelmente perfeito seu sorriso. Sua risada é contagiosa e gostosa de ser ouvida. Eu acho que me perdi observando seus traços angelicais, pois acordei com ele me gritando. Senti meu rosto pegar fogo, por que tenho certeza que estava com a maior cara de boco.
– Que um balde? – ele perguntou divertido e eu revirei os olhos.
– Cala a boca.
– Sei que você me deseja. – ele disse convencido, mas não deixa de ser verdade né?
– Tem razão Leon, nossa eu te desejo demais meu. É uma coisa incontrolável. Sobe um fogo quando estou perto de você. – falei a verdade em tom de brincadeira.
– Você admitiu. – apontou pra mim rindo. – Fica sossegada que eu não conto pra ninguém.
– Babaca. – xinguei.
– Que você deseja. – ele falou debochado.
– Ah, claro, muito. – falei sarcástica. – Mas fala ae... Você também me quer não? – resolvi zoar ele.
Leon Pov.
Ela ainda se lembra daquela noite! Eu não sou o único! Cara é muito melhor saber que ela também pensa naquela noite. Foi impossível não sorrir. A nossa tarde estava sendo incrível. Apesar deu ainda sentir areis nas minhas costas. Aquele pirralho. Que raiva!
– É você esta certa. – admiti. Afinal, vou mentir pra que mesmo?
– Sempre estou. – gabou-se sorrindo abertamente.
Seu sorriso é uma das coisas mais lindas que eu já vi no mundo, e me deixa bobo. Meu celular começou tocar. Droga! Peguei-o na mão e olhei quem era. Lara. Isso é sufocante. Não atendi.
– Quem era? – Violetta perguntou.
– Ninguém importante. – dei de ombros.
– Mentira.
– Oi?
– Você, está mentindo. – franzi o cenho. – Com certeza era a minha irmã.
– Como você sabe? – perguntei.
– Joguei o verde e colhi o maduro amor. – revirou os olhos. – Por que não atendeu?
– Já vamos embora. – dei de ombros.
– Já? – perguntou desanimada.
– Sim, mas antes vamos dar um volta no parque. – falei e ela sorriu, me fazendo sorrir também.
– Dona Lara vai subir pelas paredes. – falou rindo e eu dei de ombros.
Faz tempo que eu não consigo ficar de boa, sorrindo, brincando, conversando. Não vai ser a Lara que vai me atrapalhar. Levantamos e nos dirigimos ao caixa. Entreguei meu cartão à mulher.
– Não vai insistir para pagar metade? – perguntei com o cenho franzido, afinal, todas as mulheres que eu saio sempre insistem.
– Eu não, você que convidou. – ela deu de ombros me fazendo rir, assim como a mulher do caixa, que me entregou o cartão e desejou boa tarde.
Saímos da soverteria e começamos a caminhar pelo parque. Acho que por impulso, ou porque queria mesmo, entrelacei minha mão a dela. Não sei... Apenas fiz aquilo.
Violetta Pov.
O olhei de canto de olho, estranhando sua atitude. Eu comei a ficar mais nervosa que antes. Como ele consegue fazer isso? Eu não consegui ficar muito tempo segurando sua mão, pois minha barriga começou se contorcer, sabe quando você esta em um brinquedo radical e vem aquela sensação estranha? Então, assim. A soltei e ele me olhou frustado. É estranho o modo como eu fico nervosa perto dele. Eu começo suar, e fico corada com seus olhares.
Começamos a conversar. Sempre surgia algum assunto no qual nos dois éramos interessados. Não importa se fosse de esportes ou moda. Sempre tínhamos algo em comum. Era esquisito ver Leon falar sobre moda, ele não conhecia nada, mas mesmo assim arriscava algo. E quando ia falar, parece que eu esquecia tudo. Dava branco. Isso não é justo! Ele nem parece que fica nervoso perto de mim, talvez por que não fique mesmo, mas eu fico.
Sentamos em um banco, porque meus pés estavam começando, pois eu estava de salto e ficamos ali conversando sobre coisas bobas. O celular de Leon havia tocado mais uma vez mas ele desligou os três. Sim aquele garoto tinha três celulares. Avistei um cara que estava vendendo pipoca, um pouco afastado ne nós e me empolguei. Já falei que sou apaixonada por pipoca? Sim sou. Eu ajo feito uma criança. Eu até teria vergonha de agir assim na frente do Leon mas prefiro ser eu mesma, então não vou ter vergonha.
– Pipoca! – falei alegre.
– Você quer? – ele perguntou, rindo do meu jeito criança de ser.
– Sim. – meus olhos brilharam.
Levantei para ir até lá, e eu estava com pressa, o que me fez correr, e como sou muito desastrada acabar tropeçando nos meus próprios pés e cai. Fechei os olhos, mas eu não cai no chão. Abri os olhos lentamente e vi Leon me segurando e rindo.
– Vai com calma pequena. – ele disse rindo.
Senti meu rosto queimar, e sorri sem graça. Ele me ajudou a se instabilizar em cima dos saltos, e eu voltei a correr até o carrinho de pipoca, o fazendo rir.
– Criança. – falou e pagou o velhinho. – Acho melhor voltarmos né? – ele perguntou, vendo que o tempo estava mudando e começou a chuviscar.
– Sim. Falei e coloquei um punhado de pipoca na boca.
Fomos caminhando, na garoa, e comendo pipoca.
– Leon, seu guloso, maneira ai. – esbravejei ao o ver pegando um punhado de pipoca.
– Nossa morta de fome. Quer de volta? – falou abrindo a boa e mostrando aquele monte de pipoca na boca dele.
– Nojento. Falei virando seu rosto e ele riu.
Já estávamos na rua de casa, e eu me senti triste por ter que acabar com o nosso passeio. Foi tão legal passar à tarde com ele. Parei na porta de casa e abri a mesma. Adentramos e eu joguei o negocio de pipoca no lixinho da porta que tinha ali.
–É, Leon. – me virei para ele, ficando a centímetros de distancia. – Obrigada pela tarde. – falei meio desconcertada pela proximidade.
– Não foi nada. – ele disse, segurando minha cintura e olhando para meus lábios. – Agora para fechar com chave de ouro. – murmurou esbarrando seus lábios nos meus.
Ele juntou nossos lábios e automaticamente minhas mãos foram até sua nuca. Ele aprofundou o beijo e segurou mais forte em minha cintura, como se tivesse medo que eu me separasse. Acariciei sua nuca, e deixei aquela sensação gostosa me levar. Seu beijo é tão viciante. Separamos com selinhos, e permanecemos com as testas encostadas e olhos fechados.
– Leon, é você que chegou? – escutamos a voz de Lara, vindo da sala.
Sai de perto dele e sorri em agradecimento, me virei para sair dali e acabei derrubando o enfeite de mesa que havia ali. Como eu disse, sou desastrada. Ele riu de mim e eu peguei o negocio do chão pondo no lugar novamente e sorrindo sem graça. A única coisa que ele fazia era rir do meu jeito estabanado de ser.
– Oi Vilu. Minha irmã sorriu e beijou minha bochecha. – Tudo bem meu amor?
– Tudo sim mana. – sorri e corri para o meu quarto.
Adentrei o mesmo e me joguei na minha cama, jogando meus sapatos num canto do quarto e a bolsa em outro. Passei os dedos em meus lábios e sorri sentindo aquele gosto bom dele. E de repente a letra da musica veio em minha mente.
– Isso! – gritei sorrindo e saindo do quarto.
Na sala estava minha irmã e Leon assistindo a um filme. Pulei o ultimo degrau da escada, e acho que eu estava sorrindo porque Lara perguntou o que estava acontecendo.
– Já sei a letra da minha nova música. – falei sorrindo. Leon olhou pra mim e balançou a cabeça, como se dissesse “Eu falei, não?”, eu assenti de leve e corri para a sala de musica.
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