Forbidden Love
6 Capítulo 6 - O princípio do fim
Notas iniciais
Ao término de algum tempo, despertou-se a matriarca da família e rolou os olhos pelo corredor, ainda aturdida pela condição em que se encontrava a família — numa luta voraz armada entre o próprio sangue após a descoberta que o patriarca fizera quanto à transgressão do filho do meio e a caçula. O céu parecera ter desabado sobre aquela linhagem de nobres. E, ainda com as pernas flácidas e a visão embaciada, a mãe agarrara-se nos braços vigorosos do filho Finn, que a amparou até a porta de madeira escura com entalhes em formas retangulares que dava acesso ao quarto da filha; onde Mikael se encontrava com os filhos indisciplinados, e, julgando-se pelos gritos elevados e emitidos com esforços de modo que se ecoavam por todo o palácio, o caso era muito mais sério do que uma mera discussão.
Quando o choro clamoroso emitido pela caçula tornou-se mais intenso, o filho mais velho, Elijah, acompanhado pelo irmão Kol resolvera pôr abaixo aquela porta. Os dois impeliram com violência os corpos contra a porta, fazendo-a vir abaixo com pequenos fragmentos de madeira invadindo o cômodo — junto com os dois irmãos, acompanhados da mãe amparada pelos filhos Finn e Henrik. O último era jovem demais para entender. Sabia apenas que o pai estava iroso com dois de seus irmãos.
A família, no entanto, fora poupada de uma desonra ainda maior, pois os viscondes e suas esposas haviam saído ao raiar do dia para flanar pelas terras do feudo com os maridos e filhos. Esther e o esposo haviam feito o mesmo. Niklaus ficara no palácio com a desculpa de cavalgar com o irmão mais moço, mas ele possuía outros planos em mente. Esther e Mikael voltaram ao lar logo cedo já que a esposa havia se esquecido de dar as ordens aos empregados e supervisionar os afazeres das criadas. O marido, contudo, voltara para casa com o pretexto de encontrar alguns papéis solicitados pelo conde Harrison. Todavia decidira subir ao quarto da filha para que esta se unisse a eles num passeio prazeroso ao nascer de um novo dia. Mas acabara por encontrar a sua maior vergonha.
— Que é isso? — bradou o pai em fúria escapulindo-se dos pedaços de madeira espalhados pelo chão. — Quanta insolência! Meu lar virara local de hostilidade? Não fora o suficiente a vergonha pelo qual estes indóceis me submeteram?
— Acalma-te, meu pai— arriscou-se Elijah, pois sabia que somente ele seria capaz de fazer o pai ouvi-lo e recuperar a sanidade. — Não... não encoste neles. São os seus filhos!
— Filhos? — ele virou-se para Elijah e em seguida para os filhos indóceis. — Rebekah... filha ingrata. Rameira insolente. Maldito seja o dia de parto agonizante que sua mãe sofrera para trazê-la ao mundo.
Ela mantinha os olhos baixos receando encarar a mãe ou os irmãos. Lágrimas banhavam o seu rosto impérvio e o sorriso exuberante que antes ocupava aquela face dera espaço a uma expressão amarga. Mikael encaminhou-se até Niklaus, esbofeteando o seu rosto para compeli-lo a lhe encarar. Elijah e Kol marcharam até o pai para impedi-lo de continuar, mas este virara a sua fúria também para os dois que nada tinham a ver com aquela situação. O respeito e temor que o nobre Elijah possuía em relação ao pai ocultou-se naquele segundo. Irado pela agressão do pai para com a caçula, Elijah segurara os ombros do pai obrigando-o a lhe encarar e esbofeteando o seu rosto vezes seguidas. O pai assim o fez; olhando-o desacreditado pela agressão vinda do filho prudente que se arriscara a defender os dois irmãos ordinários. Como o previsto Mikael colidiu a mão esquerda contra o rosto do filho, fazendo-o dar um passo cambaleante.
Com um brado possuído de fúria ele ordenara a vinda dos guardas que invadiram aquele local rapidamente, obedecendo às ordens de seu senhor e levando Elijah e Kol daquele ambiente. Outros levaram o filho Niklaus para as masmorras destinadas aos malfeitores. Os irmãos, tomados de temor pelo que o orgulho ferido levasse o pai a cometer suas piores insanidades, polemizaram e protestaram o quanto puderam enquanto os guardas os arrastavam. Posteriormente Mikael ordenara que trancassem a esposa e o filho mais moço na cozinha do palácio. Ordenara que o filho Finn fosse às terras do feudo encontrar-se com os viscondes e suas famílias, para que este os distraísse até que o pai resolvesse o que fazer com o nome enodoado.
Com um movimento brusco arremessara a filha contra o chão do quarto, ordenando para duas criadas vigiassem-na dali por diante. Se fosse preciso tirar a vida de um dos filhos para recuperar a sua honra assim o faria.
— Pai... — soluçou a moça.
— Cale-se — berrou o pai novamente. — Meu coração enche-se de desgosto ao ver a puta ordinária a qual minha única filha se tornou. Seu irmão... Desgraçado. Nem que seja preciso enforcá-lo na praça da cidade para recuperar a minha honra.
— Não, não! — ela argumentou entre soluços.
Mikael rolou os olhos em volta do ambiente, fitando as duas criadas boquiabertas e ao mesmo tempo tremulas. Com um sinal de aproximação feito pelo patrão, as servas se encaminharam a ele ainda temerosas.
— Olhem-na — ordenou. — Caso permitam a saída dela deste local, mandarei enforcá-las junto ao meu filho ingrato e a rameira maldita que minha esposa concebera.
As criadas assim o fizeram. Paradas de prontidão na porta do quarto da menina, acalmado-a e ao mesmo tempo assustadas pelos gritos emitidos pela jovem inclinada no chão com a cabeça entre as mãos.
Ao chegar à masmorra úmida e insalubre, Mikael encarou severamente o filho indisciplinado que desonrara a irmã mais nova. Ele o fitou de forma desprezível. Não o mesmo modo asqueroso como o encarava sempre quando o filho cometia um delito. Mas este crime não havia absolvição. Mikael, o monstro perverso que punira uma criança de dez anos pela desorganização de seus papéis, com certeza não deixaria que o filho indigno saísse ileso naquelas circunstâncias.
— Desprezível — rangeu os dentes. — Filho ignóbil a qual tenho repulsão. Desonrastes a própria irmã assim como o nome da família. Que pensas que farei quanto ao meu nome maculado?
O filho nada respondeu. Não havia argumentos que o justificasse. Nada fez senão fitar o pai com receio. Moveu os lábios na tentativa de buscar argumentos mas então renunciou. Seu rosto encontrava-se espancado pelos segundos de ira que o pai disparara contra o mesmo. Os lábios possuíam um pequeno corte produzido do canto superior até a parte inferior; proporcionados pela ponta do punhal. A cavidade óssea da face possuía uma coloração arroxeada devido as pancadas que disparara contra ele.
E o pai retirara o açoite de tiras de couro preso no cinto e impulsionou contra o rosto do filho, marcando-o na mesma hora com um traço vermelho com as formas das tiras. Niklaus urrou de dor, sentindo o rosto trêmulo a cada surtida do pai; nas costas, rosto, braços. Por fim o ordenou para que se pusesse de pé.
— Irá me matar? — perguntou ao pai, sentindo as pernas hesitantes e os hematomas deflagrando-se.
— Considere um aviso, rapaz — disse ele rudemente.
{***}
O feudo inteiro comparecera aquele casamento. Não havia outro assunto naquela cidade. Jovens, crianças, adultos, absolutamente todos os cidadãos da região haviam parado para apreciar aquele evento. Os nobres assentaram-se nas primeiras filas impostas no saguão do castelo — ornamentado com rosas das mais diversas, pétalas espalhadas pelo corredor projetado do inicio até o fim da escada, as armaduras e quadros polidos embelezavam ainda mais o ambiente, ressaltando o jardim perfeitamente decorado.
As damas da nobreza desfilando em seus glamourosos trajes; coloridos, adornados em ouro, penteados dos mais diversificados, tranças, duas tranças em cada lado, uma única no centro da cabeça, cabelos livres ao vento de fim de tarde. Seus cavalheiros, ainda que elegantes, dispensavam as formalidades de cumprimentos à família dos noivos, guiando-se a mesa de vinho e mais diversas bebidas no fim do salão.
Mikael levara a filha ao encontro de Domenico, mas não pela formalidade em entregá-la ao futuro noivo, porém sim pela pressão que a submetera. Esta estava tão bela quanto à lua formosa que começa a subir vagarosamente no céu noturno. Enroupava-se com um vestido de cor pérola, justo na cintura e caído com pequenas cascatas de renda ao redor. O cabelo estava produzido com uma única trança envolta sobre a cabeça, com um simples diadema no centro e um colar ao qual a mãe fizera questão de lhe presentear — uma verdadeira herança de família, que esta recebera da mãe e agora passara para a filha.
Era notável a insatisfação da donzela. Cada passo dado transmitia a impressão de dor, como se a aproximação em direção ao noivo a ferisse de alguma forma. Mas aquilo havia de ser feito. Percebendo então os murmúrios vindos dos espectadores, Rebekah arriscara-se a limitar os lábios num sorriso, que desaparecera com um simples olhar direcionado ao irmão, assentado na primeira fileira: com aquele olhar duro de que jamais fora magoado.
Mikael segurara a mão da filha, em seguida pegara a mão do futuro genro e selara-as, entregando-a com um beijo na face. Naquele momento os olhos azuis da loura liberaram as lágrimas reunidas durante o mês. As damas derreteram-se com a cena, levantando os lenços discretamente até o rosto e limpando as lágrimas; emocionadas ao ver a menina tornando-se mulher de fato. O real motivo das lágrimas está assentado na primeira fila, fulminando-a com o olhar. Embora cabisbaixo e ressentido pela cena que era estimulado a presenciar, nada fez senão assistir a cerimônia e conformar-se com o silêncio.
Mikael direcionou-se ao lado da esposa e os filhos, permanecendo ao lado do filho transgressor que passara a repudiar. Quando este se preparava para sair do local, o pai o segurara pelo braço de maneira cruel, dizendo-lhe:
— Fique. Não permiti a sua partida.
Quando a cerimônia chegara ao fim, os noivos acompanharam-se até o centro do salão, onde os convidados fizeram um grande círculo em volta dos recém-casados, acompanhando a tal esperada dança. Os mágicos e bailarinos incrementaram a diversão da noite, levando em conta as bebidas e mulheres que satisfaziam os cavalheiros.
Era então chegada a hora mais aguardada da festa: a consumação. Poucas pessoas eram liberadas para aquela honra. Os noivos foram encaminhados a um dos quartos do palácio, preparado há dias para a tão esperada cerimônia. A família do noivo, composta apenas pelo pai, duque Lewis, e sua esposa, acompanharam o filho até o aposento. Assim então o fez a família da noiva, porém com uma exceção feita a pedido do pai, que insistira pela presença do filho Niklaus. Os juízes acomodaram-se no fundo do quarto, vendo as damas de companhia despindo a recém-casada.
Domenico encostou levemente as mãos no rosto impérvio da esposa, acariciando-a. Reclinou os lábios em frente à esposa e disse-lhe:
— Não temas. Buscarei ser o mais delicado possível.
Domenico a deitou cuidadosamente na cama, despindo-a lentamente. Um a um os botões do vestido eram abertos, posteriormente o rapaz descera a peça de roupa até a cintura da moça, livrando-se das roupas intimas, revelando os seios palpitantes e os mamilos inchados numa tonalidade avermelhada.
Reclinou-se sobre o corpo da loura, já estando ele sem as veste, posicionara-se com os joelhos amparados sobre a cama, pondo-se entre as pernas da esposa. Não demorou muito para que Domenico a penetrasse. Primeiramente colocando a ponta de seu membro na entrada da esposa, roçando em simulação ao ato sexual em si, após isso a invadindo. Movimentos inicialmente lentos, tímidos e consecutivos. A maneira tênue com que os lábios se encontravam provocava nela o desejo de ter a boca do irmão inserida contra a sua. Rebekah sentira o desejo súbito de virar-se, ficando por cima e assumindo o controle. Domenico não permitiu. Olhou-a e sorriu com o gesto que, logicamente, não seria feito.
Prendeu os braços da esposa contra a cama, firmemente seguros em suas mãos, impedindo-a de qualquer movimento. Não havia nada de relevante no herdeiro de duque Lewis. Além de ser um total inexperiente na cama, possuía um pinto menor do que o de qualquer outro com quem Rebekah dividira o leito. Rolando os olhos azuis para o fundo do quarto, vira então o que de relance, aparentara ser uma lágrima no rosto do irmão. Ela o queria. Desejava que ele estivesse ali naquele momento. A sincronia que possuíam na cama era sem igual. A expressão dele tornara-se dura novamente.
— Ignore-os, meu amor — pediu Domenico vendo a falta de concentração da esposa. — Somos o verdadeiro espetáculo.
Ele continuara os movimentos enfadonhos de vai-e-vem, penetrando-a de maneira vagarosa; primeiramente pondo a ponta do pênis na entrada da intimidade dela, depois se encaixando e prosseguindo com o mesmo ritmo fadigo. Não demorara muito para que gozasse dentro da esposa, respingando nos lençóis. Quando o ato fora consumado os juízes e familiares retiraram-se do aposento. Assim que vira o rosto maçado do irmão, a culpa e ódio a consumiram por dentro. Culpa que de certa forma pertencia unicamente a ela, pois o pai jamais o obrigaria a presenciar tal ato caso não fosse psicologicamente fraca e moralmente questionável.
Com um único gesto Domenico ordenara aproximação dos únicos servos que permaneceram no cômodo; e estes lhe trouxeram duas taças de bebidas.
— Beba — ordenou-lhe, servindo o liquido. — Se bebermo-los durante um ciclo lunar, seremos presenteados com filhos.
{***}
— Que vira desta vez? — repetiu Elijah pela terceira vez.
Ayanna lhe relatou o visto. Nada havia mudado desde o que previra na infância dos irmãos transgressores. Nem mesmo o casamento de Rebekah alterara a visão. A convivência dos dois provocaria a morte de um. Não tinha o que ser feito. Elijah caminhava impacientemente de um lado para o outro do jardim, inconformado. Como depois de tudo o que passara ainda estava em risco de perdê-los? A vergonha da família não era de importância nesse momento. Afinal, os servos receberam advertência pelas fofocas envolventes o pecado cometido por Rebekah e Niklaus.
— Não! — desacreditou o irmão mais velho. — Dissestes a minha mãe que a visão havia mudado. Como pôde ludibria-la?
— Prometo-lhe que não a enganei, menino — Ayanna defendeu-se. — A reação dela implicará em ruínas. Uma consequência pior ainda está por vir.
— O que então seria mais ruinoso do que a vergonha de minha família e a morte de meus irmãos? — interferiu Elijah em busca de crer.
— É apenas o principio do final, Elijah — disse Ayanna mais uma vez enigmática. — Algo mais estar por vir. Sinto isso.
A morena elevara as duas mãos até o peito. Novamente aquela sensação de que algo ruim estava a pairar sobre aquela casa. Pensara que isto se amenizasse durante o casamento de Rebekah, mas a situação piorara. As visões tornaram-se mais frequentes. Caos, lutas, dor, perdas, sangue. Tudo envolvia a família Mikaelson.
Ayanna assentou-se aos pés da raiz de uma planta seca, pondo as mãos na raiz, movimentando-a em círculos e fazendo flores das mais diversas brotarem naquele local. A árvore ganhara vida novamente — folhas verdes invadido-a e deixando o jardim mais belo.
— És um rapaz belo e vigoroso, Elijah — elogiou-o. — Não deixe que os pecados cometidos por seus irmãos o ofendam. Desista de buscar a redenção. Talvez não haja mais em meio ao escuro em que se envolveram.
— Família — resfolegou o moço assentando-se ao lado dela. — Nossa maior base. Ou nosso maior arrependimento. Não poso falhar com eles. Talvez não compreenda. Fomos ligados a nossa vida inteira. Sempre estive ao lado de Niklaus, e este nunca falhou comigo. Rebekah jamais fora exceção. Não permitirei que o legado de nossa família acabe na lama. Jamais aprovarei este... sentimento nascido de meus irmãos. Trata-se do meu sangue. Permaneceremos juntos agora e para sempre. Independente de tais conflitos.
Ayanna acariciou-lhe o rosto. Este tocara a sua mão por alguns instantes, olhando-a nos olhos e logo saindo de sua companhia.
— Elijah — chamou-o. — Admiro sua força e bravura, meu nobre menino.
{***}
Os nobres partiram pela manhã. O castelo ainda estava em ruínas devido à festa que ocorrera noite passada. Os jardins estavam irreconhecíveis: um verdadeiro caos que custara horas de trabalhos dos empregados. Reunidos em frente ao palácio, a mãe com os olhos vermelhos do rio de lágrimas que escorreram durante a noite, com o coração apertado em falta da filha que nem mesmo chegara a partir, ao lado localizavam-se Finn e Elijah imóveis ao lado da mãe, vendo os preparativos para a partida da irmã mais jovem que residiria no palácio do marido. Domenico conversava ao lado do castelo com Kol e Henrik.
Os servos puseram as últimas malas dentro da carruagem que guiaria o casal, mas faltava então o mais importe de tudo, a esposa. Ninguém a vira desde então. O dia nascera e esta já não se encontrava na cama. Domenico vestira-se e explorou o castelo a fim de encontrá-la. Sem sucesso. Procurou-a nos aposentos das damas, nos jardins, nos bosques e campos que tinha o hábito de frequentar. Nada viu.
Adentrando o gabinete em busca de contratos de terras, Mikael encontrou algo que o chamou a atenção. Na parede ao lado da pequena janela, vira uma mensagem escrita em sangue que o deixou abismado.
A sua favorita. Observe-a sofrer pelos seus feitos. Os delitos que fiz seu “filho” cometer contra a irmã não ofenderá a sua honra tanto quanto o que farei a ela. O sangue que usarei a seguir virá daquela que goza de sua atenção.
Olhando para cima da mesa onde encontrava os seus papeis e contratos de terras, Mikael vira pequenas gotas de sangue que trilhavam até o fim do cômodo, onde havia um armário embutido na parede. Olhou e viu uma mão caída ao redor. Quando observara mais de perto, reconhecera a quem pertencia àquela mão, pois encontrou o dono do corpo desfalecido, com um corte profundo na garganta provocado por uma espada. O jovem servo Sebastian estava ali, esvaído em sangue. Era o mesmo criado que um dia Mikael enviara ao norte, na companhia de mais dois, porém somente o leal Sebastian retornara. O corpo estava reclinado com o dedo indicador sobre os lábios, indicando silêncio. O sangue em seu tronco formava outra mensagem.
Local errado. Hora errada. Pedi sigilo quanto a isso. O sangue jorrará da garganta de sua amada filha.
No terceiro andar do palácio, onde ninguém o frequentava ou o limpava há anos; localizava-se o casal de idealizadores dos piores pecados cometidos naquela família. Lorde Marcellus ficara ciente do feito dos irmãos Mikaelson, o que o levou a desistir da mão da filha de Mikael, e em troca receber parte das terras para manter o segredo dos demais.
— Vá para longe — suspirou Niklaus ao perceber a presença da irmã. Rebekah tocou-lhe os ombros, mas o louro se esquivou.
— Nik, eu sinto muito pelo que testemunhou ontem — devolveu o sussurro em seu tom lamentoso.
— Não o faça — replicou fulo sem virar-se para vê-la. — Não deve a mim explicações. Siga seu caminho. Vá para longe com seu marido e recrie uma nova história. Partirei amanhã com tio Aaron. Viverei sem culpa, e sugiro que faça o mesmo. Reconstruirei minha vida sem lembranças do que passou. Não sejas tão tola e previsível, Rebekah.
Feito isso segurou as lágrimas, sem querer demonstrar emoção alguma. Nem mesmo uma única lágrima escorreu de seu rosto. Rebekah, no entanto, deixara o sentimentalismo frívolo predomina-la.
— Nik, eu...
— Cale-se — vociferou. — Não argumente. Posso ver estampado em seus olhos... Ainda se questiona se cometemos um grande equívoco. A resposta é sim. Divertimo-nos juntos, Rebekah. Mas a menina mimada e leviana deixara novamente os sentimentos a dominarem. O sentimentalismo é a sua fraqueza, minha irmã. Vá para longe e esqueça-me. Criança ignorante...
— Tudo não passou de uma grande mendacidade — reconheceu na esperança de que ele a desmentisse. — Todas as promessas, os juramentos de que sentira a minha ausência... tudo foi uma mera traição para conseguir o que realmente lhe interessava. Não importa quantos saiam feridos. No final, sempre consegues o que desejas.
— De fato, sim — reafirmou duramente.
As palavras entalaram na garganta de Niklaus. Não se virou para a irmã, mas poderia perceber que esta estava chorando. Ele jamais se perdoaria pela dor que a submetera. As suas mãos tinham o dom de curá-la e ao mesmo tempo feri-la. O loiro mordeu o contorno da boca. O seu coração dissipava no peito a cada palavra envenenada proferida. “Não tenho alternativa, mas sempre a escolherei”, moldava a frase na boca mas resistia em dizê-la. O defeito fatal de cada um era o orgulho. Uma barreira mais indestrutível do que a muralha que cercava o castelo.
— Adeus, Niklaus — virou-se para a porta e lentamente, como se esperasse por um chamado que não seria feito, caminhou até a saída. Sempre esperançosa de que ele a puxasse novamente para seus braços. E foi assim; sem beijo de despedida, sem um último olhar. Nada além de palavras cortantes. Palavras que magoaram ainda mais os dois seres. Esmagaram a alma e dilaceraram o coração. O pior fracasso de um amor é a escolha; por mais repensada que seja esta, um coração sempre se estilhaçará no fim. Mesmo oculto nas sombras, ambos sabiam a realidade: nem ele era dela, nem ela era dele. Rebekah cessou o andar e, ainda sem coragem para encará-lo, disse-lhe: — Nik, não é o fim. É apenas o começo.
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