Forbidden Love
4 Capítulo 4 - Afável rendição
Notas iniciais
Os últimos raios solares douravam os picos das montanhas quando os dois chegaram ao destino. Niklaus ajudara a irmã a descer do cavalo, segurando-a pela cintura. Eles caminharam por uma pequena trilha de galhos secos, subindo uma pequena elevação, descendo outra encosta e por fim chegando ao destino; uma majestosa cachoeira situada no centro da floresta.
A paisagem era familiar e de fato encantadora. Rochas encobertas por musgo que dificultavam a passagem, os galhos das árvores pendiam ao redor ocultando a luz solar, e bem acima das rochas encontravam-se inúmeras grutas das quais ambos brincavam na infância. Rebekah ainda arriscara-se a acreditar que os nomes que encravaram um dia ainda estavam intactos.
Eles aproximaram-se ainda mais da água sentindo a pressão debatendo contra as rochas. O frio era inevitável, mas Niklaus insistira para que ela se imergir na água gélida. As roupas foram largadas a beira do rio sobre uma das rochas escorregadias.
Esta era a rotina a qual suas vidas se enquadravam há mais de uma semana. Esgueirando-se para longe do campo de visão dos guardas e com certeza distante das muralhas do castelo. Certa vez usando a inconsistente desculpa de passear ao ar livre; outrora subornando guardas do palácio, o que para Rebekah não era tarefa difícil. Embora nos últimos dias sair de casa tornara-se um desafio ainda mais arriscado.
Quando saíram da água os dois relaxaram as margens do lago, sem nada falarem por longos segundos, apenas aproveitando-se da companhia do outro. Rebekah empurrara o corpo contra o irmão, apoiando-se em seu tórax e deixando o os cabelos dourados caírem sobre o rosto do mesmo.
– O que acontecerá depois? – ela quebrou o silêncio por fim.
Os olhos azuis dos irmãos se conectaram. Niklaus a encarou sem resposta para a pergunta, embora uma parte de si compreendesse os sentidos das palavras, nem mesmo ele sabia o que ocorreria dali em diante.
– Do que está falando?
– Me refiro... me refiro a nós dois – era estranho referir-se a paixão ilícita de ambos, mas por fim a loura encontrara palavras. – Apenas alguns dias faltam para o meu casamento com lorde Marcellus.
As palavras pesaram sobre os ombros do irmão mais velho, fazendo-o questionar se era certo viver aquela paixão. Talvez fosse mais prudente para todos os lados viver somente com o sentimento espremido no peito.
– Não há nada a ser feito quanto a isso – ele engoliu em seco. – Contudo, quando partistes, não quero que permaneçam arrependimentos dentro do meu ser. Eu poderia reprimir meus sentimentos e seguir em frente, mesmo com o coração em pedaços, porém, eu saberia que vós fostes minha. Totalmente minha.
Ela se limitou a sorrir enquanto ele colocava uma mecha loura atrás da orelha da irmã. Por mais que odiasse admitir ou pensar a respeito disso, Rebekah possuía a certeza de que a paixão ilegal tinha de ser reprimida mais cedo o mais tarde. Um dia ambos virariam as costas para o outro e não haveria alternativa. Os olhos marejados e o coração exprimindo por uma saudade que sequer ocorrera ainda, eram apenas os primeiros sintomas de uma vida sem o outro.
Tais palavras eram falsas, pois o seu único desejo era segurar a mão da irmã e desaparecer com ela da face da terra. No entanto, naquele raro momento que possuíam juntos, ele desejava somente aproveitar-se da companhia.
Rebekah, entre tantas outras, era a única que conseguia fazê-lo subir pelas paredes. Era uma situação irônica de ter a mesma menina que o enlouquecia quando criança o enlouquecendo agora novamente, porém havia uma notável diferença entre as duas situações. A loura tinha um jeito doce de fazer as suas maldades parecerem boas que o encantavam.
Niklaus a empurrara contra o vestido sobre o qual estavam deitados e por fim atacou os seus lábios. Percorreu a boca até o pescoço da irmã, sentindo-o ainda úmido assim como parte de seus cabelos louros que estavam sendo enrolados fio a fio nos dedos do mais velho.
Ele roçou o seu membro sobre a vagina da irmã, mas sem penetrá-la, sentindo suas unhas arranharem suas costas e tórax, implorando para que o fizesse.
Ela repetiu o mesmo processo feito pelo irmão virando-se para ficar sobre o corpo dele, mas, desta vez, passando a língua em sua aréola, fazendo movimentos circulares. O rosto da loura descera até as pernas do irmão, parte do tempo brincando com as coxas com leves carícias. Seus lábios se encaixaram por fim ao redor do pênis do mesmo, sua língua voltando a fazer movimentos circulares, cuidadosos e contínuos. Quando o esperma finalmente fora expelido, ela engolira sem hesitar.
Quando terminara de explorar a região inferior do corpo dele, ela voltara-se para a região anal, percorrendo a língua na entrada do ânus, depois voltara aos lábios novamente. Apoiara os braços sobre os ombros do rapaz e as pernas envoltas sobre o membro do irmão, subindo e descendo. Niklaus atacara finalmente os seios da irmã, mordiscando-os de maneira ríspida, fazendo-a soltar um gemido elevado e em seguida dar-lhe uma tapa no rosto, deixando-o limitado a soltar um leve sorriso.
Assim que chegaram ao ápice da paixão, ela gemera o nome dele como sabia que o fazia perder a razão. Rebekah se encolhera no colo do irmão com as mãos entrelaçadas sobre as dele, observando o sol finalmente escondido atrás das montanhas.
Ele poderia ficar acordado só para ouvi-la respirando. Vê-la sorrindo enquanto dormia e sua mente encontrava-se longe e sonhado. O seu único desejo naquele momento era ficar perdido para sempre naquela doce rendição, pois cada momento gasto com ela era o momento mais valorizado por ele. Deitado ao seu lado e ouvindo o seu coração batendo, ou imaginando quais eram os pensamentos dela naquele instante, era o tipo de momento que não havia preço. Então ele aproximou-se ainda mais, beijando os olhos da loura e agradecendo por naquele momento estarem juntos.
– Desejo apenas permanecer ao teu lado – ele sussurrou no ouvido dela, fazendo-a se arrepiar. – Sempre e para sempre.
– Sempre e para sempre? – ela abriu os grandes olhos azuis, encarando-o.
Abaixou a cabeça minuciosamente em confirmação a frase anterior. Então começou a mordiscar o lóbulo de sua orelha, fazendo-a liberar um sorriso abafado. Ele então tocou os lábios da loura, deslizando a mão sobre o seu rosto imaculável. Desejando que aquele momento durasse para sempre.
Quando as primeiras estrelas surgiram no céu os olhos do rapaz fixaram-se em sua constelação favorita. A constelação de Orion.
– Veja aquela constelação – ele insinuou. – Reza a lenda que o irmão, Apolo, enciumado e insatisfeito com o romance da irmã, enviara um escorpião a fim de aniquila-lo. Então, durante uma de suas caçadas, ele desafiara-a a atingir, com uma única flecha, um ponto negro que indicara no oceano. Àrtemis, como um excelente e orgulha arqueira, aceitara o desafio proposto pelo irmão, sem saber que acabara de atingir a cabeça do amado, que fugia de um escorpião enviado pelo irmão.
– O que aconteceu depois? – ela indagou de repente interessada na lenda.
– Dizem que ainda em lágrimas, Àrtemis pedira a seu pai para que o imortalizasse nas estrelas, para que jamais fosse esquecido. Veja aquela estrela à esquerda da constelação – ele ordenou, apontando para a tal estrela. – Aquela é a nossa estrela. É a mesma que observávamos da torre do castelo quando éramos crianças. Lembro-me de passar horas observando-a sem motivos durante os anos que esteve fora... somente agora sei o real motivo. De certa forma, ela me lembrava do quanto eu senti a sua partida.
– E do quanto sentirás novamente – ela declarou com a voz engasgada.
Um arrepio frio percorreu o seu corpo. Naquele momento a jovem pensou que estavam sendo observados. Rolou os olhos em volta do local, porém nada viu. Mas, mesmo sem nada ver ao redor, Rebekah custou a livrar-se daquela sensação estranha, até Nik roubar a sua atenção.
Niklaus segurou o rosto de marfim da irmã, obrigando-a a lhe encarar. Era difícil olhar no fundo daqueles imensos olhos azuis suplicantes e não derreter-se completamente com qualquer pedido. Ela não estava feliz com o futuro casamento arranjado. Ele tampouco. Somente então a loura notara a expressão no rosto do irmão que indicava que o mesmo já havia formulado um plano.
***
Dormir passara a ser um desafio no castelo repleto de empregados eufóricos com a vinda dos convidados para o casamento da filha mais nova de Mikael. Embora ainda faltasse uma semana para o casamento, alguns familiares e até mesmo convidados já haviam chegado há alguns dias.
Os servos exaltaram-se quando fora anunciado a visita do barão Aaron, irmão mais velho de Mikael, que foi o primeiro a ser convocado e comparecer dias antes do casamento. Homem de olhar frio, rosto amplo, postura possuída de honradez e cabelos escuros e sem lustre. Logo após a chegada de Aaron vieram também os viscondes Hughes e Hussain, em seguida o Conde Harrison acompanhado de sua esposa e suas duas filhas.
O castelo fora devidamente reorganizado e polido desde o primeiro andar até os últimos quartos ao fim do corredor do terceiro andar que normalmente não eram utilizados. Aquela tarde nas margens da cachoeira fora o último momento que Rebekah e Niklaus passaram juntos – na mesma tarde em que ele lhe contara o seu plano mirabolante de fugir da cerimônia.
Depois daquela tarde dormir se tornara uma tarefa difícil. Rebekah passava parte da noite em claro com a certeza de que seria a pior insanidade que cometeriam caso resolvesse aceitar tal oferta.
A certeza de que estavam sendo observados na floresta foi confirmada numa manhã enquanto todos estavam reunidos no saguão do palácio e surpreenderam-se com os gritos agudos da jovem, ecoando pelo palácio e amedrontando a todos.
Niklaus foi o primeiro a saltar da mesa e correr até os aposentos da irmã, acompanhado de Elijah e Kol. Em seguida Mikael e Aaron, seguidos por alguns guardas, pois na opinião de ambos os aposentos da jovem haviam sido invadidos. Esther e as demais damas ficaram no saguão por ordem dos maridos, mas após um longo intervalo resolveram quebrar as regras e se encaminharam ao quarto de Rebekah.
A cena foi chocante para todos. A jovem encontrava-se ao fim do cômodo com as mãos sobre a boca e ainda soluçando em choque. Niklaus e Elijah foram os primeiros a invadirem o quarto a fim de acalmá-la e indagando sobre os berros. Então ela apontou para a cama onde havia uma mensagem escrita em sangue.
Por um curto tempo houve silêncio e expressões incrédulas dos demais. Posteriormente houve murmúrios e exclamações das respectivas damas. Elijah entrelaçara o braço da irmã por baixo do seu ombro, acalmando-a. Niklaus e Kol aproximaram-se da cama a fim de ler a mensagem.
– Punição haverá pela transgressão cometida – disse Kol decifrando as palavras. – A morte de um a união sanguínea causará.
Durante um curto intervalo todos se entreolharam sem compreender o sentido das palavras. Esther pusera a mão sobre o peito sentindo o coração ainda mais acelerado, pois a expressão era semelhante com a frase proferida por Ayanna dias atrás.
Entretanto, Niklaus e Rebekah partilharam um olhar surpreso. União sanguínea. Transgressão. A morte de um. Estava evidente que tais palavras se referiam a eles.
– Revistem o palácio! – berrou Mikael para os guardas.
Esther encaminhara Rebekah para o saguão ordenando para que as servas preparassem um chá para acalmá-la. Mikael e Aaron seguiram revistando o castelo junto aos guardas buscando o autor daquelas palavras. Somente os três irmãos permaneceram no quarto.
Elijah observando a janela localizada em frente à cama e, mesmo que o autor conseguisse escalar a torre, não haveria como resistir a queda. Kol não fazia nada mais além de vasculhar os pertences da irmã somente por indiscrição. Niklaus ainda estava intrigado com a frase, pois possuía a certeza de que se referia a paixão ilícita.
– Devemos salientar que estamos reclusos num palácio onde um malfeitor filósofo está à solta – relembrou-lhes Kol, com um sarcasmo notável. – Temo que este seja um dia prodigioso.
Ele se retirou do ambiente sem mais nada dizer, deixando apenas o comentário irônico pairar no ar. Elijah, entretanto, ainda continuava incerto quanto à invasão no palácio. A julgar pela expressão insegura de Niklaus, Elijah presumiu que havia algo estranho detrás daqueles olhos eletrizantes.
– Deseja compartilhar algo, irmão? – interrogou.
Niklaus estreitou os olhos encarando-o seriamente. A pergunta de certa forma calou fundo. Elijah era instruído e jamais se deixaria enganar por qualquer resposta. E, se ele duvidava de algo entre os irmãos mais novos, portanto não demoraria muito para que dúvida também chegasse até os pais.
– O que está insinuando? – disse ele secamente.
– Vejo que tem passado muito tempo com a nossa irmã – afirmou ríspido. – Então, presumo que saiba de algo. Tenho olhos astutos, Niklaus. Peço que me perdoe caso minhas suspeitas sejam uma blasfêmia, mas peço que me confirme que minhas duvidas não passam de um mero contrassenso.
– O castelo foi invadido – contestou o mais novo. – Nada mais.
Quando Niklaus finalmente preparava-se para partir, Elijah o chamou mais uma vez, insatisfeito pela resposta.
– Ela é a nossa irmã caçula, Niklaus – relembrou-lhe. – Nosso sangue. Seu sangue. Peço que repense sobre isso. É uma criança vivenciando as armadilhas, confusões e desilusões do amor. Ela é o seu fruto proibido, meu irmão.
As palavras ditas por Elijah obtiveram um breve impacto sobre o mais novo. Parte de si sabia que o irmão mais velho tinha razão, mas a outra parte insistia em não se importar. Nesta ocasião, Niklaus questionava-se em como Elijah havia descoberto o feito.
– Não sei a que se refere – ele continuou a negar.
Entrementes naquele mesmo dia, pela tarde, após receber um bilhete convocando-o a comparecer ao jardim dos fundos do castelo, Elijah, embora cansado do dia de trabalho, não deixou de comparecer ao local, relatando o ocorrido a Ayanna.
Dias antes, Ayanna havia informado-o do que previra ainda na infância dos irmãos mais novos, pois sabia que Elijah era o único irmão capaz de convencer Niklaus a desistir do ato promíscuo. O coração de Niklaus, no entanto, era um poço de escuridão e tão duro quanto uma rocha. Elijah relatava o fato ainda lamentando-se por ter falhado.
– Niklaus tem um coração duro – replicou Ayanna. – Temo que não haja nada mais a ser feito.
– Não. – discordou o irmão mais velho. – Não podemos simplesmente condená-los a este destino somente pelo coração duro de meu irmão. Há outra chance.
– Elijah – disse Ayanna. – Admiro a sua nobreza e bom coração. O mínimo que podemos fazer é adiantar o casamento de sua irmã.
– Ela se casará em uma semana – confirmou. – Mas temo o que o impulsivo do meu irmão fará quanto a isso.
– Ele ficará desolado, e sua atitude impulsiva não facilitará a situação – informou-lhe. – A atitude dos irmãos causará desconforto à família Mikaelson. Contudo, há mais algo a ser tentado. Espero contar com a sua ajuda, menino. Devo ressaltar que ambos os corações se estilhaçarão. Será o mais proveitoso para a sua família e seus amados irmãos, acredite.
– Faça o que for necessário para salvá-los de si próprio – pediu Elijah temendo pela reputação da família e futuro dos irmãos, caso o assunto viesse à tona. – Porém, seja menos chamativa em seus avisos. A mensagem que escrevera hoje assustara a todos.
Ayanna estreitou os olhos e o encarou perplexa. Elijah então deduziu a expressão da mesma.
– Não... não me recordo de ter enviado um recado – respondeu.
– Então, se não colocastes a mensagem no quarto de Rebekah, quem colocara? – ele indagou surpreso.
***
Enquanto isso, nas proximidades do pequeno lago ao fundo do jardim do palácio, encontrava-se uma bela moça trajando uma vasquinha vermelha, com decotes curtos e pequenos ornamentos nas mangas e bordados a ouro na cintura, um sobreveste longo de cor vinho, que abrilhantavam ainda mais o seu traje. Seu cabelo louro estava repartido em uma única trança caída sobre o ombro esquerdo.
As mãos delicadas, que deveriam estar encobertas pelas luvas de linho, estavam ocupadas manuseando um arco. Uma aljava estava sobreposta em suas costas, com mais três flechas restantes, enquanto a outra flecha encontrava-se flexionada contra o arco.
Ela disparou a primeira flecha, que passou a poucos centímetros do alvo; um carvalho branco, situado do outro lado do pequeno lago. A segunda flecha acertou uma das carruagens, pelo que presumiu esta seria a carruagem do visconde Hussain.
Rebekah não se arrependeu pelo feito. O visconde era um homem repugnante. Rebekah o vira poucas vezes na infância, mas pelas poucas recordações que possuía continuara a repugnar o visconde. Um home alto, de cabelos grisalhos louros quase brancos, barba longa e esfarrapada, e poucos dentes amarelados em sua boca. Ressaltando ainda as poucas piadas que contava na hora do jantar e, muitas delas, não havia graça, mas Mikael sorria por educação, obrigando todos a lhe acompanharem.
Então ela sentira mãos firmes lhe encobrindo os olhos, acompanhadas de leves beijos revezados entre o pescoço e os lábios. Niklaus. Ela pensou tentadoramente consumida por desejo e excitação pelos toques, mas o sentimento logo desapareceu assim que rolou os olhos para o lado e viu o futuro marido.
– Lorde... – ela engasgou. – Devo... devo voltar ao palácio.
– Não vejo razão para tal – ele ressaltou. – A julgar pelos seus modos, devo admitir que não se porta como uma dama da nobreza.
– O que desejas? – retorquiu. – Uma esposa preocupada com a casa e o vestido impecável?
– Sua petulância é, de fato, algo muito insigne – ele avisou. – Não conheço outras damas que possuem tal atrevimento.
– Talvez não tenha conhecido uma dama de opinião própria – ela advertiu irritada.
– Uma dama de opinião? – repetiu o lorde, ainda incrédulo por tais palavras. – Creio que não haverá este tempo no qual as mulheres julgam-se superiores aos homens.
Rebekah o encarou friamente e em seguida retirou-se do seu capo de visão. Marcellus ainda continuava pensativo. Mikael tinha razão quanto a algo; a filha era, de fato, uma fera indomável.
Quando cruzava o jardim da frente rumo ao palácio, mãos de ferro agarraram o braço da loura, puxando-a para a esquerda do castelo. Era Alexander. O guarda em que um dia Rebekah tivera um caso, porém nada mais sentia quanto a ele. Embora o mesmo não pensasse assim.
– O que está fazendo? – ela exclamou. – Solte-me, Alex...
– O que eu deveria ter feito antes – ele devolveu severo. – Quando vós abandonastes-me e passara a me tratar como cão de guarda.
– Eu já lhe esclareci – grunhiu ela. – Eu não sinto mais nada. Vós fostes o meu pior castigo, Alexander.
– Uma palavra, Rebekah – ameaçou. – Uma única palavra e seu casamento com o lorde será revogado.
Um pensamento lhe ocorreu. Talvez Alexander vagasse pela floresta naquela tarde em que ela encontrara-se com Niklaus, e usasse da artimanha para beneficiar-se e ameaçá-la através de mensagens escritas em sangue. Não havia explicação mais lógica para isso.
– Então, foste tu quem espalhara aquela mensagem – acusou-o.
Alexander a encarou pasmado. De fato não havia sido ele que espalhara tal mensagem, porém, quando se preparava para argumentar, o som de alguém pigarreando pelas suas costas roubou a sua atenção. Ele virou-se e encontrou Niklaus.
– Entre – disse ele para a irmã, frio.
Ela assim o fez, deixando-o na companhia do guarda. Niklaus tinha o conhecimento de um romance entre a irmã e um dos guardas da torre de vigilância. Isso jamais o incomodou bastante, mas nos últimos dias, qualquer um que a fitasse por mais de cinco segundos tornava-se alvo de um ciúme obsessivo mantido pelo irmão.
Quando o guarda preparava-se para seguir ao seu posto, Niklaus o agarrou pelo braço, empurrando-o contra a parede do palácio assim como ele fizera com a loura, minutos antes.
– Um olhar – disse Niklaus. – Um único olhar direcionado a ela e tu serás castigado. Farei questão de gloriar-me com a sua cabeça exposta em minhas mãos. Compreendestes?
– Sim, senhor – alegou o guarda, com o coração revirando-se em seu peito.
Ainda que Elijah de alguma forma soubesse do feito dos irmãos, Niklaus sabia que no fundo ele jamais abriria a boca para proferir aqueles absurdos. Afinal, era o velho Elijah. O homem sábio e de conduta inquestionável que fazia absolutamente de tudo para manter a família unida. A única atitude providenciada por ele fora um sermão dado ao irmão mais novo.
Passaram-se três dias após a manhã tensa em que encontraram uma mensagem em sangue encravada nos lençóis da cama de Rebekah. Os comentários dos criados nos corredores do palácio quanto a isso, diminuíram cada vez mais a frequência até que desapareceram por completo, embaralhados junto aos afazeres.
O coração incrédulo de Niklaus continuava com o único foco em sua irmã. Com a possibilidade de perdê-la aproximando-se cada vez mais, ele não via a hora de finalmente executarem o plano. Portanto, resolvera não relatar a ela o conhecimento de Elijah.
Em uma tarde em que o castelo encontrava-se vazio, ele entrara no quarto dela, abraçando-a por trás, e sussurrando palavras carinhosas como sempre fazia para deixá-la desvairada. Ela virou-se para beijá-lo. Os dois já haviam perdido a razão há muito tempo, e agora se arriscavam a fazer isso no castelo. Ela ainda encontrava-se em choque pela mensagem recebida dias atrás, mas nada mais a fazia afastar-se dele.
– Prosseguiremos com o plano? – interrogou o irmão.
– Tudo o que estiver ao nosso alcance – ela confirmou. – Não quero mais permanecer longe. Desejo ficar aqui... nesta afável rendição.
– Assim será, meu amor – assegurou-lhe. Rebekah enterrou a face no pescoço dele, aspirando todo o seu aroma. Niklaus amparou o seu rosto venusto em suas mãos compelindo-a a lhe encarar. – Nunca mais permanecerá distante de mim. Não importa o que precisaremos enfrentar.
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