Forbidden Love
10 Capítulo 10 - Da luz à escuridão
Notas iniciais
“A noite acendeu as estrelas porque tinha medo da própria escuridão.”
Viu as nuvens do céu se moverem com a mesma velocidade dos ventos que uivavam no alto do vale em direção ao norte. O sol a pino coriscava seus raios ardentes contra o rosto magistral do loiro. As folhas secas caíam das árvores e punham-se em movimento arrastadas pela brisa intensa.
Os dias haviam passado com a mesma fugacidade das rajadas de ar. Todas as tardes cortava o vale montado em seu alazão e supervisionando com postura autoritária o trabalho exercido pelos criados. No último dia do mês, no entanto, como fora previsto pelo tio, a desagradável cerimônia de casamento dera-se inicio.
Não foi necessário nem mesmo dois dias para que os empregados organizassem junto à futura esposa uma simples cerimônia de matrimônio a ser realizada na campina da fazenda. O futuro noivo encarara os dias com a mesma carranca de um recém-viúvo enquanto sua prometida, Camille, via os dias passarem em agonia desejando a tão almejada comemoração.
Na tarde em questão, quando o sol se punha no oeste detrás do cimo das montanhas finalizando o dia numa tonalidade vibrante de vermelho e laranja, abrindo espaço para o anoitecer sereno de céu morno; a noiva fez seu caminho em meio as rosa espalhadas no chão, de pétalas brancas como o seu vestido arrendado, segurando firmemente no braço do irmão que a conduzia ao noivo de cenho supostamente insatisfeito.
Sam segurou a mão de sua gêmea com anteparo e passou-a para as mãos do futuro esposo de um modo delicado, arqueando o véu fino que cobria o rosto da irmã e beijando-a na face, como num ato de despedida para a moça que dali em diante não pertencia mais a família.
Os votos trocados foram simples. Kieran conduziu a cerimônia com sorriso estampado no rosto. Os convidados se resumiram apenas a intimidade do seio familiar. Parentes próximos a família O’connell e mínimos conhecidos de barão Aaron que mantinham residência nas extremidades das terras.
Um beijo superficial selou o término da celebração. Camille encolheu-se com o rosto pálido tornando-se numa cor avermelhada. O noivo frio, por outro lado, arrastou-a de maneira bruta para o aposento da consumação.
O padre e senhor das terras internaram-se no aposento escuro a luz de velas e mantiveram-se em mansidão no fim do quarto apreciando a consumação. O esposo despiu a loira num ato violento arrancando as vestes como um animal selvagem ansiando por carne fresca. Arremessou-a sobre a cama já desnuda, separando suas pernas e estimulando seu clitóris, sentindo o membro hirto fender as calças.
O dedo indicador estocava o sexo da loira que vozeava de modo plangente. Olhava-a de maneira acerba sem encostar os lábios na boca da mulher de beijo avinagrado. Em seguida perfurando sua intimidade com a língua, sentindo os pelos de seu sexo roçando contra o rosto, analisando toda a região íntima da esposa com a ponta de língua e indo mais fundo a cada grito. As calças do esposo foram arremessadas no chão ao lado da cama e posteriormente invadiu de forma bruta a intimidade sem largura para a acomodação. A princípio manteve os movimentos que engrandeciam a velocidade de acordo com os gemidos elevados da mulher que arquejava numa mescla de dor e prazer. Apoiou as mãos em cada lado da cama e friccionava os corpos de maneira selvagem, dando prazer a ele ao ouvir os sons dos corpos se colidindo. Num movimento quase que intuitivo proporcionado pelo corpo, Camille sentiu a necessidade de bambolear seus quadris abaixo das estocadas truculentas do loiro.
Deslizou a língua até os seios a procura dos mamilos massageando os bicos rosados. E, ainda mantendo-se dentro dela, num movimento fastidioso de vai-e-vem, sentiu um recado do corpo quando o ato de ejacular aproximava-se; fazendo-o retirar o membro e lançar fora o gozo quente e espesso.
Caiu ao lado da esposa sem trocar uma única palavra de afeto. Camille encolheu-se de bruços ao ouvir a respiração do marido sádico, frio e de coração duro como uma rocha. Seus beijos eram gélidos como o hálito da noite e seus toques violentos como as feras das matas.
Padre e o senhor das terras saíram do quarto quando o ato estava completo. Ao fechar as portas, Kieran sussurrou aflito:
— O que fez com a criada?
A voz dele estava num murmúrio moderado.
— Como o que fiz a criada? — Aaron enunciou. — O que queria que fizesse? A trancasse-a num ergástulo? Demonstre bom senso, Kieran. Uma velha criada de nervos alucinados profere sandices ao meu sobrinho e lhe causa temor.
— Não seja inepto, Aaron — a voz do padre se elevou. — Sabemos do que se trata.
— Acho que os efeitos da idade já lhe causam danificações na mente — confrontou-o. — Meu pobre amigo!
— Não feche os olhos para esta causa, Aaron! — berrou o padre sem se notar. — Tanto sua família quanto a minha foram responsáveis pelo que ocorreu.
Aaron deu-lhe um sorriso agro.
— Veja — apontou para a janela do grande corredor. — A lua já se ergue formosa no céu. Lamento deixá-lo mas saiba que está na hora de foder com minhas rameiras da noite. Com sua licença.
— Não vire as costas para mim, Aaron! — chamou o padre quando o barão já percorria pelo longo corredor.
— A propósito, Kieran... — virou-se já no fim da passagem. —... já que estás tão propagado pelo medo, peço-te que instrua ao seu sobrinho caso sejamos obrigados a reviver o passado. Pois se voltarmos a viver os dias de escuridão como prever, lembre-se que os homens da família são os responsáveis pelo expurgo.
— Sam não herdará o campo de batalha — alegou em defesa do sobrinho. — Meu sobrinho está destinado à castidade.
— Pobre infeliz! — ultrajou com um suspiro compadecido. — Embora ele não negue o seu sangue, Kieran. Obviamente, quando a guerra se aproximar, como sua mente desvairada estima, ele se esconderá atrás da batina como o tio o fez. E veja então, Kieran, o rapaz tem o nome do pai. Será que é tão corajoso quanto o seu irmão?
— Não ouse me caluniar — rosnou perdendo a compostura. — Vede que fiz isso para vos acolitar.
— Grande auxílio nos destes — o barão confrontou atenuando a voz. — Minha família fora a que mais perecera, lembre-se disso.
— Nossas casas agora estão unidas — relembrou-o. — E não esqueça que o meu irmão pagou a traição com a própria vida.
— De nada vale! — disparou o barão num tom de voz doloroso. — Perdoe-me. Dê-me licença. Sinto meu membro latejar compulsivamente por prazer.
{***}
— Mandou me convocar — murmurou o sobrinho adentrando no escritório do tio.
Os olhos fixados atentamente nas palavras da carta que recebera mais cedo se desviaram por um segundo para o filho do irmão. O semblante de Aaron, apesar de aquecido pela luz do sol que nascia no alto dos rochedos, permanecia mais sombrio que a escuridão da noite.
— Enviaram-me esta carta hoje mais cedo — remeteu a fala para o sobrinho. — O castelo do marido de sua irmã foi atacado.
Houve um longo silêncio. Um suspiro pesado liberado por Niklaus rompeu a ausência de ruídos.
— O que aconteceu?
— Duque Lewis me enviou esse comunicado em busca de ajuda — Olhou para um canto distante além dos muros da fazenda. — Temo que se alastre como fogo em nossas terras.
— E que pretexto há para uma guerra? — perguntou buscando ler a expressão facial do tio.
— Agora não é o momento certo para fazer perguntas, Niklaus. Mulheres e crianças foram levadas a um local seguro, mas o castelo do duque está em ruínas. Ele me pedira por amparo e, a fim de assegurar a defesa de nossas terras, pedi ao seu pai que me enviasse seus irmãos na companhia de soldados bem armados para certificar que nossa fortaleza está inabalável. As terras de seu pai possuem um espaço de tempo até que a guerra se achegue a eles. Vá agora para os portões da propriedade para recebê-los, temo que cheguem logo. Quando os olhar olho a olho, venha para casa onde vos esperarei para relatar a combinação de nossas tropas.
Quando partia para cumprir as ordens do tio foi interrompido pela voz melancólica de sua esposa, que o chamava do alto da escada, imóvel, com os olhos fixos no marido que recuara um passo para atendê-la, enviando-lhe um olhar feroz.
— Por que não me acordara para ver o nascer do dia? — perguntou pela segunda vez sendo que da primeira fora ignorada. — Aonde vai com tanto açodamento que sequer preocupara-se com a esposa?
— Caso o assunto a desrespeitasse — proclamou — tenha certeza que seria a primeira a ser advertida.
Deu as cortas partindo para o campo, deixando a esposa no alto da janela a observá-lo com ira.
Na entrada da propriedade, Niklaus vigiava aflito o fim da estrada que fazia caminho até as terras do tio. Ao longe, avistou os irmãos afadigados da longa viagem, abatidos, escoltados por um exército destinado a servir o barão pelo tempo determinado por Mikael. Após isso, caso a casa de Aaron fosse destruída como o castelo do duque, ambas as casas buscariam refúgio nas terras do irmão mais novo do barão.
Tanto os Mikaelsons quanto os soldados sustentavam nas mãos seu armamento pesado: clavas, lanças, machados e uma besta de mecanismo cujas laminas apoiavam-se num paralelo as flechas que retinham a corda até o momento do disparo.
Descendo do cavalo e vindo de encontro ao irmão mais jovem com um sorriso aberto, Elijah, envolveu o exilado nos braços liberando suspiros de consolação ao vê-lo intacto. Kol e Finn, do alto de seus cavalos, sorriram de modo escabroso para o bastardo desterrado.
Juntos partiram para as terras do tio. Nada disseram durante a curta jornada para o interior da propriedade. Os irmãos foram recebidos com acolhimento na casa do barão. Os empregados deram de beber aos animais, campos para pastarem, vinho e alimento para os irmãos e soldados que aguardavam em repouso nos estábulos.
Vendo os sobrinhos já remansados em volta da mesa, Aaron os reuniu em seu em seu gabinete e vetou a possibilidade de incomodo. Assentou-se em sua cadeira de um lado da mesa, fitando o mapa das terras sobre a mesa e em seguida fixando-se nos homens que se mostravam defronte.
— Já se difundiram nas terras Lewis — designou no mapa. — Terras vizinhas já foram atacadas. Seremos os próximos. E não entraremos em campo para sermos desmerecidos.
— Onde está Rebekah? — Elijah perguntou o que Klaus havia hesitado.
— Segura — Aaron assegurou-lhe. — Mas o nosso problema maior ainda estar por vir. Os muros que cercam as terras não possuem capacidade para impedir um exército. Temos de formar uma barreira humana. Kol e Finn unam-se a uma dezena de guerreiros no topo das árvores da redondeza. Tomem-nos de surpresa com flechas atravessadas na garganta. Elijah e Niklaus permaneçam ao meu lado no campo. Conservar-nos-emos de sentinela esta noite.
— Tio Aaron... — Niklaus o chamou —... ainda não nos respondeu o motivo para uma guerra.
Aaron desabou sobre a mesa.
— Conflitos por território — respondeu. — Ânsia pelo poder. Quem há de culpá-los? Embora creia eu que haja um motivo maior por detrás da carnificina.
— Que motivo seria? — Finn demandou em ar meditador.
— Um conflito de família que perdura aos dias de hoje — narrou. — Durante os dias de escuridão, quando o clero puniu os atos de cunho religioso de tribos que desrespeitavam as leis da religião, nossa família lutou ao lado das ordens religiosas. Eles buscaram o poder das famílias mais dominantes de toda a Europa. Incontestavelmente, como cães insaciáveis que somos, contribuímos para o expurgo dos que se levantavam contra as autoridades. Parte de nossa fortuna foi criada desta maneira.
— Com guerras? — Kol suspirou enfastiado.
— Não seria tudo pelo poder, afinal? — disse o barão dando continuidade a narrativa. — Todas as famílias de poder envolveram-se na guerra, visando, assim como nós, Mikaelsons, o poder que mais tarde haveria de ser acrescentado. No começo todos se mantiveram unidos... mas ainda que de tal maneira, estávamos sujeitos a traições. O clã Hilgert optara por ficar ao lado opositor. Vendo que perdemos nosso clã mais forçoso, Kieran e o irmão acovardado se esconderam da guerra. Naquela noite houve várias mortes. Sangue Mikaelson derramado em vão. Meu pai ficara ainda mais alucinado quando invadiram o castelo e mataram nossas mulheres e crianças. Talvez a morte de nossa mãe fizera-o ficar tão... frio.
Ele meditou por horas. Os sobrinhos trocaram olhares confusos antes de Niklaus protestar pela escolha do tio.
— Espere. Então me obrigara a casar com uma meretriz de sangue desleal? Pelo que compreendi, por causa da sua família covarde perdemos nossos antepassados.
— Não é bem desta forma, Niklaus — O barão estreitou os olhos numa tentativa de livrar-se da dor afiada que lhe invadira a cabeça. — O medo de Kieran e seu irmão Sam contribuíram para o declínio de nossa família, sim. Mas Camille e o irmão não são culpados por nada. No final, apesar de todo o sangue derramado, permanecemos firmes e vencemos a guerra. Todas as famílias envolvidas foram gloriadas em ouro e prata. O clã Hilgert perdeu absolutamente tudo. Foram exilados da sociedade e reduzidos aos meros animais que são. Aos poucos Caled busca todo o império construído através da indisciplina. Nada mais considerável do que um luta pelo território que antes usurpamos.
— Então nos conta de uma caça as bruxas? — Kol meditou — Isso se resume os dias de escuridão? Velhas decrépitas que se usavam de ervas para curar enfermos e, como consequência, queimadas pelo clero em praça pública. Peço-te, tio Aaron, não se obrigue a nos ludibriar para entrar numa guerra que, certamente, lutaríamos ao seu lado. Independente de histórias fantasiosas.
O barão levantou-se num movimento brusco.
— Ousa chamar-me de ignorante em frente a teus irmãos? Há uma guerra lá fora que consumirá a todos. Não vos ludibriei; apenas relatei a verdade que os mestres de rabo preso das escolas palatinas ocultam das gerações.
— Tio... — suplicou o moreno. —... não o chamei de ilusório. Há uma guerra lá fora motivada por disputas de terra, mas nada que se resuma a conclusão de uma guerra contra bruxas.
Elijah empalideceu.
— Devo concordar com Kol. As bruxas são apenas parte do imaginário popular. Contos de novelas de cavalarias criados com a finalidade de entreter crianças. Há uma guerra, de fato, mas nada que envolva esses contos que o senhor nos relatou. Disputas de território, sim. E saiba que ajudaremos o senhor a defender as terras invadidas por famílias rivais. Não se obrigue a amedrontar-nos com fantasias de cavalaria, tio.
Os lábios de Elijah formaram a frase num murmúrio incerto ao lembrar-se de Ayanna. Kol virou-se para a porta, chamado em seguida pelo tio:
— Certo. Duvidem da história que lhes relatei, mas saiba que um dia hão de crer no que lhes falei. Talvez seja por bem. Talvez não. Pois saibam que esta raça foi expurgada da terra há anos antes que viessem ao mundo. Entrementes nem todas foram capturadas e queimadas como deviam. Muitas andam pelo mundo de maneira errante. Procriaram, transferiram seu sangue e poder para a linhagem posterior.
— Como desejar, meu tio — disse Kol preparando-se para sair. — Dê-me licença. Necessito de tempo para preparar minhas armas.
— Caso não possuamos chances contra o exército Hilgert, Niklaus, peço-te que vá ao esconderijo Lewis buscar sua irmã e trazê-la consigo em segurança. Desceremos para a casa de meu irmão e lá reuniremos nossas famílias para defender o que conquistamos em cima do cadáver de nossos antepassados.
— Envie-me no lugar de Niklaus — Finn manifestou-se aflito. — Ou Elijah ou Kol. Um servo talvez. Pois este seria mais um pretexto para foder com a irmã caçula.
Elijah pôs-se entre os irmãos quando Niklaus avançou contra Finn. Kol buscou segurá-lo mas sua atitude resultara num soco disparado pelo o irmão cego de ira. Aaron ajudou o Kol a erguer-se do chão, lastimando-se pelo queixo latejante. Ainda num movimento passado por cima do irmão mais velho, Niklaus pôde atingir o desejado, lançando Finn sobre a mesa de documentos, e este tivera o copo impulsionado contra as tábuas dispostas na horizontal que abrigava os livros, decorrendo na queda dos objetos sobre o irmão do meio.
— Basta! — bradou o barão. — Há uma guerra se aproximando. Não façam do nosso lar um motivo de desonra.
Elijah arrastou o irmão loiro para fora do escritório onde todos os empregados pararam para ouvir os gritos. Camille desceu as escadas para conhecer os irmãos do marido, como fora informada pelas servas, mas acabara por se deparar com uma guerra no seio familiar.
—Vejo que nossa irmã ainda é motivo de pesar — Finn observou sendo levado pelo tio para fora da casa.
— Seu filho de uma porca! — Niklaus revidou lutando para livrar-se dos braços de Elijah. — Espero que morra na guerra antes que eu o mate!
— Morreria de consciência limpa — Finn proclamou antes de ser arrastado. — Mas perdoe-me caso o ofendi ao falar-lhe de nossa irmã.
— Basta, Finn — Elijah liberou um berro. — Não há razão para reviver assuntos passados.
Os irmãos se retiraram de casa para afiar as lanças e repassar para os guerreiros as táticas criadas pelo tio. Camille correu para os braços do marido e este se esquivou de seus toques de forma bruta, empurrando-a para longe.
A lua já se erguia no céu quando as sentinelas assumiram suas colocações. Kol e Finn mantinham-se nas copas das árvores em acomodações de ataques, de olhos atentos como o da águia que cortava o céu de meio dia a procura da presa.
Do horizonte escuro flechas flamejando foram atiradas em direção a casa. A palha do celeiro recém-construído foi consumida pelo fogo que vinha das flechas. Os homens correram das matas para o centro da campina com os escudos postos sobre a cabeça.
— Que inimigo ataca durante a noite? — perguntou Niklaus forçando o escudo sobre sua cabeça, com a espada apontada para o ataque.
— Com o tempo aprenderá que guerras são mais do que mostram as narrativas heroicas. — respondeu o barão para os sobrinhos plantados de cada lado. As flechas cessaram seu ataque. Olhou para o céu noturno onde as estrelas mostravam-se uma a uma. Havia uma estrela, no entanto, que fizera o barão prender os olhos através da falha dos escudos. — Vejam a estrela vermelha. A estrela do deus romano da guerra. Deve ser um mau presságio.
— Esperava por palavras sensatas de sua parte, tio — Elijah o repreendeu fugindo para detrás das árvores com escudo.
— Não há tempo para presságios e mensagens filosóficas — Niklaus avisou fazendo sinal de ataque para os irmãos na copa das árvores.
— Niklaus está correto — Aaron aprovou. — Ao meu sinal homens!
Dúzias de guerreiros saltaram das árvores seguindo o barão para o centro da campina, todos com escudos em mãos, elmos e lanças. Aaron pôs a espada na altura da cabeça, erguendo-a com a ponta da lâmina para baixo e sendo imitado pelos demais.
— Matem todos! — urrou ele ao ver os soldados inimigos descendo da extremidade mais alta do vale, estourando os muros com suas armas, arremessando suas lanças de encontro a todos os que lhe cruzassem o caminho.
Do alto das árvores, silenciosamente, os homens fizeram sinal entre si e dispararam as flechas contra os guerreiros. Os arqueiros experientes miravam a besta no coração alvo e faziam a flecha atravessar-lhes de acordo com a velocidade do impulso provocado pelo armamento.
Vendo que os inimigos caíam aos montes, sendo seu sangue irrigando as raízes das árvores, Finn lançou-se ao solo em busca de partir para a luta corpo a corpo com o exército.
— Que está fazendo seu ignorante? — Kol bradou para o irmão. — Volte.
— Cale-se, Kol — ordenou, prevendo que metades dos guerreiros já caíram em devido às flechas, não permitiria que os irmãos mais velhos usurpassem de todo direito à honra quando a vitória se aproximasse.
Na extensão do vale figuras mexiam-se de maneira ordenada. Os olhos de Kol fecharam-se pela metade, procurando examinar os derredores da terra, surpreendeu-se ao ver duas tropas a mais invadindo a fronteira.
— Finn, seu ignorante filho de uma puta! — conclamou. — Volte para seu posto!
No campo de batalha os guerreiros marchavam com o estandarte da casa na frente das tropas. Os olhos de Aaron pestanejaram ao ver mais tropas surgindo de todos os quatro campos da campina escura.
— Mas com mil rameiras! Donde o porco maltrapilho de Caled conseguira este exército? — forçou a visão buscando ver o líder das tropas, mas não o viu. Montado num cavalo à frente de todos, de olhar duro, postura superior e corpo malhado, avistou o primogênito de Caled. — Típico de um covarde. Mandar o rebento para o trabalho sujo. Matem todos! Trilhem as vísceras destes animais até a casa daquele covarde!
Pararam num certo ponto e, como num movimento ensaiado, os dois exércitos partiram para o ataque. Ao braço direito do tio, Niklaus usava-se da habilidade em espada para destruir os dois primeiros guerreiros que o atacavam. O primeiro soldado morto com a espada encravada no coração e o segundo inutilizado das pernas, possuindo a sua esquerda decepada com a espada.
Aaron lutava no centro do campo com o primogênito de Caled. Era um jovem habilidoso com armas, embora aptidão não ajudasse contra os anos de treinamento do barão, que o desarmou após uma briga voraz de lâminas, fazendo cair ao solo. Dois guerreiros cercaram o Mikaelson mais velho, o impedido de matar o primogênito Hilgert, que se solevantou com a ajuda dos soldados e desarmou o barão, que girava no campo a fim de livrar-se da espada desacertada que mirava em sua cabeça.
Elijah olhou ao céu e viu as estrelas chegarem mais perto. Talvez por efeito da pancada levada na cabeça momentos antes de enfiar a lança nos olhos do soldado inimigo, mas estreitou os olhos e continuou a ver a claridade aproximar-se da terra. Separou os lábios e alarmou aos companheiros:
— Fogo! Protejam-se!
O aviso tardou. Os poucos que conseguiram levantar o escudo a tempo sobreviveram a queima. As chamas alastraram-se nos corpos dos guerreiros que caíam ao solo, nas àrvores, no campo e até mesmo na casa que aos poucos vinha abaixo.
Homens montados a cavalo surgiram no vale. Lançavam suas armas afiadas de longa haste ao longe, perfurando o peito de todo aquele que se enfiasse no caminho do armamento. Finn enfiou uma flecha nos olhos do primogênito Hilgert e fê-lo ir a terra. Movimento preciso que fizera Aaron recompor a posição e decapitar a cabeça do filho do inimigo.
— Os pecados do pai são pagos pelo filho — vozeou para a cabeça lançada na terra.
Os soldados partiram com mais força e brutalidade ao ver o filho do senhor sucumbido. O guerreiro de olhar frio ajeitava-se para atacar o barão pelas costas, mas Finn enfiou-se detrás do tio, parando a ponta da espada com o resto de uma lança que se encontrava jogada ao solo. Mirou o campo em busca dos irmãos e encontrou o único próximo a ele; Niklaus, preso nas lâminas de dois combatentes, caído ao chão, esquivando-se dos toques.
— Irmão... — seus lábios formaram a frase em complicação. —... Niklaus.
O loiro olhou-o de modo penoso. Seus olhos brilharam de uma forma alterada e, de jeito aparente, o brilho de lágrimas deu existências aos olhos, mas desapareceu com a mesma velocidade, fazendo-o virar o rosto e impulsionar com o corpo o guerreiro para trás, desconhecendo o pedido de socorro do irmão.
Finn virou-se para imitar o movimento feito pelo irmão do outro lado do campo, mas o combatente era de porte físico superior. A lâmina do soldado Hilgert impeliu-se contra a cabeça de Finn, apartando-a ao meio.
O brado de Elijah atravessou o campo ao ver o corpo do irmão estirado no chão. Logo após ferir os guerreiros que o detinham, Niklaus veio até o cadáver, sentindo-se tomar de fúria e atravessar a espada no coração daquele que tirou a vida do irmão.
A guerra alongou-se até que o sol veio a subir no céu. O exército de Hilgert partiu com o elmo do filho mais velho do senhor para comunicar-lhe a morte, sendo que o corpo do mesmo havia sido espalhado na terra pelo barão; olhos, braços, vísceras e o coração, o mesmo órgão deixado por último, no alto do vale com uma espada que o prendia a terra.
Fogo consumiu os cadáveres deixados na terra. Os homens de brasão verde estampado nas armaduras eram minorias em comparação aos mortos locais. Kol veio manquejando do joelho esquerdo, arrancando uma flecha inimiga do mesmo local e caindo aos pés do cadáver do irmão.
Niklaus distanciou-se para os destroços da casa, que queimou impiedosamente durante a noite. As mulheres e crianças saíam dos sótãos nos fundos da casa, acuadas, agarrando-se as saias das mães e essas, dolorosamente, desabavam ao leito dos corpos desfalecidos dos maridos e filhos.
— Meu marido — Camille tomou fôlego correndo até o esposo. — Está ferido?
— Não. Fui à guerra embelezar-me. O que espera? Mas caso lhe sirva de consolo, como pode perceber, estou vivo. Embora sua família em nada tenha contribuído.
— O que... o que.. — disse ela em tom de questionamento, abandonada mais uma vez pelo esposo que recuara de seus afetos.
Na extremidade mais alta do vale, Niklaus via os irmãos e o tio arrastarem o corpo de Finn para uma cova cavada com precipitação em meio os destroços em chamas. Elijah, Kol e a dezena de guerreiros sobreviventes, caminhavam com dificuldade ao local de sepultamento do irmão, levantando as espadas em direção ao sol reluzente, honrando ao irmão falecido.
Um mensageiro foi enviado por Aaron ao esconderijo do duque para alertá-lo da derrota que foram submetidos e conduzi-lo ao lar de Mikael, onde os desabrigados buscariam refúgio.
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